14. Se um crente é libertado do pecado por que é que ele por vezes ainda peca? 

 

A razão é porque quem crê no Senhor é libertado da escravidão do pecado ou do domínio dele e não feito infalível ou perfeito em tudo o que faz, pensa e diz. Se o crente no momento que creu se tivesse tornado perfeito por que razão alguma vez deveria buscar a perfeição, como diz para fazer a Escritura (cfr. 2 Cor. 13:11)? Por que razão alguma vez deveria buscar a santificação (cfr. Heb. 12:14)? Ou fazer com que o pecado não reine no seu corpo mortal para obedecer-lhe nas suas concupiscências (cfr. Rom. 6:12)? Portanto, quem creu está certo que o pecado não terá mais domínio sobre ele porque não está debaixo da lei mas debaixo da graça, mas está também certo que nem sempre conseguirá evitar o pecado apesar da sua vontade e do seu desejo de obedecer ao Senhor em todas as coisas.

O apóstolo Paulo, e estou falando de um homem que amava e temia a Deus e procurava conservar uma boa consciência diante de Deus e diante dos homens, embora estando plenamente convicto que ele tinha sido libertado do pecado e feito servo da justiça, reconhecia ser ainda falível dizendo aos Romanos: "Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado" (Rom. 7:15-25).

Tiago, o irmão do Senhor, que era também ele como Paulo um santo homem, na sua epístola diz que "todos falhamos em muitas coisas" (Tiago 3:2).

E João, o discípulo que Jesus amava, na sua primeira epístola diz: "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a iniquidade. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" (1 João 1:8-10). Como podes ver, o apóstolo João diz claramente que nós não podemos dizer que não pecamos e também não ter pecado. Mas graças a Deus que mesmo que caiamos no pecado nós temos um advogado junto do Pai, isto é, Jesus Cristo o qual é a propiciação dos nossos pecados (cfr. 1 João 2:1-2). Naturalmente, para obtermos a remissão dos nossos pecados e sermos purificados de toda a iniquidade devemos confessar os nossos pecados a Deus, isto João o diz claramente. E aliás também Jesus isso o ensinou aos seus discípulos quando ensinou-lhes a orar. Entre as coisas de facto que eles deviam dizer ao Pai, e que também nós devemos dizer, está a seguinte frase: "Perdoa-nos as nossas dívidas" (Mat. 6:12), dando portanto por descontado que nós crentes contraímos dívidas para com Deus, ou seja, pecamos, porque estas dívidas não são mais do que pecados.

Apesar disto, porém, nós filhos de Deus devemos fazer de tudo para não pecar e ser santos em toda a nossa conduta. Não devemos de modo algum procurar o pecado, mas devemos fugir dele. Não devemos acariciá-lo, mas lutar contra ele. Não devemos cair vítimas do seu engano, mas devemos resistir-lhe. Nunca devemos nos comprazer nele, mas odiá-lo em todas as suas formas. Como bem dizia o apóstolo Paulo: "Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Rom. 6:1-2).

Sim, nós estamos mortos para o pecado, estamos mortos mediante o corpo de Jesus Cristo porque fomos crucificados com ele para que o corpo do pecado fosse desfeito. Como Cristo tendo ressuscitado dentre os mortos não morre mais porque a morte não tem mais domínio sobre ele, assim nós que fomos ressuscitados com ele para nova vida sabemos que a morte espiritual não tem mais domínio sobre nós porque morremos para o pecado de quem éramos escravos.

Graças sejam dadas a Deus em Cristo Jesus por esta gloriosa ressurreição que Ele nos deu a graça de experimentar. Amen.

 

 

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