8. … queria fazer-lhe uma pergunta: a masturbação é pecado? Desde que sou um leitor da Bíblia tenho visto que os únicos pecados carnais de que a Bíblia fala são: a fornicação e o adultério. Porém leio em I Timóteo 2:22 "Foge também das paixões da mocidade..." Eu queria saber por paixões da mocidade o que é que verdadeiramente se entende: desejos sexuais (masturbação, fornicação, etc..) ou outra coisa e ainda desde que me relaciono com psicólogos e pedagogos estes afirmam que a masturbação é um momento importante para a vida de um jovem porque vem ao conhecimento e explora a função de uma componente do seu corpo que é o sexo. Sei que há diversas opiniões a respeito mas, possivelmente queria saber o que diz a Bíblia propósito tendo porém em conta o quanto afirmam estes doutores. À espera da sua resposta lhe ofereço as minhas mais cordiais saudações.

Sim, o auto-erotismo é pecado diante de Deus porque induz o homem ou a mulher a fazer albergar na sua mente, mesmo se porventura só por um tempo, maus pensamentos que a Escritura diz são abomináveis para Deus (cfr. Prov. 15:26); é manifesto, com efeito, que o auto-erotismo é acompanhado por maus pensamentos, por pensamentos impuros, que frequentemente são produzidos ou incitados por más fotografias, por cenas de filmes de um certo tipo, e por tudo o mais que possa excitar os sentidos do homem.

Os maus pensamentos, porém além de acompanharem o auto-erotismo, o produzem, isto é, são a sua origem . Este conceito pode-se exprimir biblicamente com as seguintes palavras de Tiago: "Cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte" (Tiago 1:14-15).

O auto-erotismo portanto, tanto antes como durante, é caracterizado por uma coisa má, a saber, o pensar ou desejar coisas perversas; numa palavra, pela concupiscência.

Sei perfeitamente que há psicólogos e pedagogos que ensinam que o auto-erotismo é uma coisa justa e boa pelas razões que tu sabes e que disseste, mas isso não é mais do que a demonstração que os homens desta geração corrupta e perversa mudaram as trevas em luz, e o amargo em doce. E cuida bem que o auto-erotismo não é a única coisa errada aos olhos de Deus que esta geração reconheceu como justa e boa. Há também – para dar só um exemplo - a fornicação, com efeito, hoje para um jovem é considerado justo também frequentar as meretrizes para desafogar as suas paixões carnais; e o adultério, com efeito, muitos sexólogos e ginecólogos o consideram um passatempo útil ao matrimónio tanto que o definem ‘uma quebra de rotina’. E, como se isto não bastasse, também a homossexualidade que é considerada uma escolha de vida respeitável e de modo algum condenável como coisa contrária à natureza. Se pois é tolerado e encorajado a fornicação e o adultério, e a homossexualidade é admitida, como se pode pensar que os sábios deste mundo condenem o auto-erotismo?

Mas quais são as passagens bíblicas que se podem tomar para sustentar que o auto-erotismo é errado aos olhos de Deus? Em outras palavras, quais são as passagens bíblicas que condenam o auto-erotismo? Aqui de seguida te citarei aquelas que julgo as principais: "Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: …., impureza, …." (Col. 3:5); "As obras da carne são … impureza …" (Gal. 5:19). Como podes portanto ver, o auto-erotismo pode-se definir uma impureza e que seja assim, é confirmado pelo testemunho da consciência. Por que é que o auto-erotismo transmite ao homem ou à mulher o sentido da sujidade, e também de culpa? Precisamente em virtude do testemunho da consciência que Deus pôs em cada um de nós. Não há a mínima dúvida que seja por isso. Tem, pois, bem em mente também o testemunho da consciência, porque também a ele é preciso fazer referência para perceber que uma certa coisa é errada. Como tu sabes, de facto, a consciência não nos repreende quando fazemos o bem ou pensamos ou dizemos coisas boas, mas sim quando fazemos o mal ou pensamos ou dizemos coisas más. Um exemplo; se nós fizermos uma esmola em segredo a um pobre, a consciência diz-nos que fizemos o bem e nos louvará; se porém roubarmos nem que seja uma noz a um pobre ou a um rico, então a consciência nos repreende e nos censura. Um outro exemplo agora, se comermos de maneira temperada a consciência não nos repreende, se porém com a mesma boca nos pomos a fumar então a consciência nos começa a dizer que estamos fazendo algo errado mesmo se neste caso não está escrito na Bíblia que nós não devemos fumar. Como é que então a consciência nos repreende na mesma? Porque a Bíblia diz que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo e que este templo é santo, pelo que deve ser conservado em santidade e honra; o fumo, pelo contrário, o danifica e o contamina. Sobre o auto-erotismo pode-se dizer uma coisa semelhante:Por que razão faz sentir numa certa medida culpado o homem (ou a mulher), seja o que for que digam os psicólogos dele? Pelo testemunho justamente da sua consciência. A sua consciência não o repreenderia se tivesse tido uma relação lícita com a sua mulher. Tudo isto não faz mais do que confirmar de maneira evidente as palavras de Tiago por mim citadas antes, segundo as quais quando o pecado é consumado gera a morte, e de facto, é só depois de alguém consumar um acto pecaminoso que se sente espiritualmente mal, traspassado internamente, e repreendido pela sua consciência. Todos frutos estes do pecado. Eis, pois, como se percebe na prática que um certo acto é pecado mesmo se porventura a Bíblia não diga explicitamente que o seja, pela morte espiritual (um mal-estar interno muito forte acompanhado pelo sentido de culpa) que ele traz.

Também a passagem por ti citada de Paulo a Timóteo, isto é: "Foge também das paixões da mocidade…" (2 Tim. 2:22), pode ser tomada para sustentar que o auto-erotismo é errado e que portanto se deve fugir dele. Não há dúvida, de facto, que o auto-erotismo faz parte das paixões ou dos desejos da mocidade. Como, aliás, fazem parte destes apetites todos aqueles divertimentos a que os jovens se sentem particularmente atraídos, e que não fazem mais do que distraí-los das coisas santas de Deus, de seguir a piedade, a justiça, o amor, e a paz. A lista é muito longa, basta ver os jovens desta geração a quais divertimentos e paixões se sentem atraídos e às quais se abandonam alma e corpo para perceber quão numerosos são estes apetites, quão são numerosas e variadas as paixões da mocidade. Há a paixão pelas raparigas que os leva a querer ter aventuras sexuais com o maior número de raparigas possível; a paixão pela música (rap, rock, etc.) que os leva a comprar discos, posters, e a ir aos concertos dos seus ídolos; há a paixão pelo desporto (e te fala alguém que antes de se converter tinha sido arrastado por esta paixão, eu era, de facto, um apaixonado jogador de basket além de um fanático adepto deste desporto, que te devo confessar me manteve longe de Deus) que os leva a agarrarem-se a um ou mais desportos de maneira mórbida; há a paixão pelo cinema, a pelo teatro, etc. etc.



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