23. Mas Jesus como viveu? De ofertas?   


Jesus Cristo, depois que deixou o seu trabalho de carpinteiro para dedicar-se à pregação do Evangelho, viveu assistido materialmente e financeiramente por muitas mulheres. Isto é o que faz claramente perceber Lucas quando diz: "Logo depois disso, andava Jesus de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e iam com ele os doze, bem como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios. Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens" (Lucas 8:1-3).

Essas mulheres portanto repartiam com ele e com os seus discípulos os seus bens materiais; elas fizeram o que deveriam fazer todos os crentes para com aqueles que os instruem, digo ‘deveriam’ porque infelizmente em muitos casos os crentes não querem repartir de todos os seus bens materiais com aqueles que os instruem (cfr. Gal. 6:6). Paulo o diz claramente que eles o devem fazer, mas eles se obstinam e apresentam toda espécie de justificação para a sua teimosia de coração e avareza! Sim, para a sua avareza porque não se trata de casos de irmãos pobres que podem dar muito pouco (nem sempre porque por vezes são precisamente os crentes pobres que estão entre os mais generosos em dar para a obra de Deus) porque a prosperidade lhes concedida é muito pouca; fosse assim e estaria plenamente justificado o pouco que dão; mas trata-se de crentes que  têm uma vida regalada, que têm muito mais do que o necessário, que vão de férias duas ou três vezes por ano, que vestem roupas elegantes, que vivem em belas casas, que têm belos automóveis, etc. Estes estão prontos para receber, para se fazerem instruir, estão contentes com isso; mas de modo algum estão prontos para dar, para repartir dos seus bens materiais com quem tem este direito, isto é, com quem os instrui na Palavra.
Para estes devem ser os outros a sustentar o pastor ou o pregador; eles ao contrário devem só usufruir do serviço do ministro do Evangelho, sem retribuir o serviço prestado também a eles. As migalhas que dão estes ricos são por eles embandeiradas como se tivessem dado milhões para a obra de Deus, como se tivessem tirado o pão da boca dos seus filhos para dá-lo ao ministro do Evangelho. A verdade é que esta categoria de crentes não tem no coração a obra de Deus; enchem a boca de palavras difíceis e pomposas, de muitos versículos bíblicos até, mas de sustentar praticamente aqueles que labutam na pregação e no ensino não querem ouvir falar. Como são bravos a fazer valer os seus direitos, quando se trata do ordenado que o empregador deve dar a eles; contam todos os minutos extraordinários que fazem porque querem ser pagos por eles; no caso da sua classe querer um aumento estão prontos para fazer greve e manifestarem-se na praça como faz a gente do mundo; se os seus filhos tivessem que trabalhar para alguém e não tivessem que ser pagos pelo seu trabalho o fazem saber aos quatro ventos. Mas do direito no Evangelho que têm aqueles que anunciam o Evangelho não querem ouvir falar; para eles não existe, e se existe consiste numa injustiça porque para eles ricos e avarentos é um fardo demasiado pesado!!!! Mas não é porventura verdade que os mandamentos de Deus não são pesados? Certamente, mas para os tementes a Deus, não para os rebeldes, não para os malvados que pensam que os condutores têm só deveres em relação a eles, enquanto eles têm só direitos!!!

 

 

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