2. Na Ceia do Senhor podem participar os incrédulos?


Não, aqueles que ainda não se arrependeram dos seus pecados e não creram no Senhor Jesus Cristo não podem participar na Ceia do Senhor, porque eles não são ainda membros do único Corpo de Cristo. O apóstolo Paulo, com efeito, escrevendo aos santos de Corinto diz: "O cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão" (1 Cor. 10:16-17). Notai como Paulo dizendo que nós somos um só corpo porque participamos todos do mesmo pão exclui implicitamente que aqueles que não fazem parte deste corpo possam participar do mesmo pão que é a comunhão do corpo de Cristo.

E depois não se esqueça que quando Cristo instituiu a ceia com o pão e o cálice deu o pão e o cálice a seus discípulos, portanto a pessoas que tinham crido n`Ele (cfr. Mat. 26:20-29). Também Judas tinha crido n`Ele inicialmente, mas depois após o bocado Satanás entrou nele (cfr. João 13:27).

E não se esqueça também esta outra coisa, que segundo a lei a Páscoa não podia ser comida por gente incircuncisa conforme está escrito: "Esta é a ordenança da páscoa: nenhum estrangeiro comerá dela... Porém se algum estrangeiro se hospedar contigo e quiser celebrar a páscoa ao Senhor, seja-lhe circuncidado todo o homem, e então chegará a celebrá-la, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela" (Ex. 12:43,48). Alguém porventura dirá: 'Mas o que tem a ver a Páscoa hebraica com a ceia do Senhor?' Uma coisa tem a ver com a outra porque o comer a Páscoa e a ceia do Senhor têm em comum que ambos os actos recordam um evento, no caso da Páscoa a libertação do povo de Israel da escravidão do Egipto, no caso da Ceia do Senhor se recorda a morte de Cristo sobre a cruz mediante a qual nós fomos libertados da escravidão do pecado. A Páscoa era pois uma sombra do que Cristo faria mediante o corpo da sua carne o que nós recordamos mediante a santa ceia. E ela só podia ser comida por pessoas circuncisas na carne, pelo que um estrangeiro não podia comê-la senão depois de se circuncidar na carne. E como também a circuncisão na carne prescrita por Deus na lei era uma sombra de algo que Cristo faria, mais precisamente da circuncisão do coração naqueles que creriam n`Ele, nós deduzimos que como para comer a Páscoa era necessário ser circunciso na carne, agora, debaixo da graça, para comer a ceia do Senhor é necessário ser circunciso no coração, o que significa ser nascido de novo. Nós pois que nos encontramos debaixo da graça devemos dizer a respeito da ceia do Senhor: 'Nenhum incircunciso no coração comerá dela'.

Portanto, para recapitular, como debaixo da lei o incircunciso na carne não tinha o direito de comer a Páscoa, assim debaixo da graça, aqueles que são incircuncisos de coração não têm o direito de comer a ceia do Senhor. E como o estrangeiro antes de comer a Páscoa devia se circuncidar na carne, assim agora o incircunciso de coração deve circuncidar o seu coração (arrependendo-se dos seus pecados e crendo em Jesus Cristo) e depois batizar-se para ter o direito de comer a ceia do Senhor.

Aqueles pois que presidem às reuniões de culto deveriam, antes de ministrar aos presentes os elementos do pão e do vinho, fazer presente que neles podem participar só aqueles que são circuncisos no coração, ou seja, nascidos da água e do Espírito; os outros estão excluídos deles. Isto para evitar que incrédulos presentes na reunião participem na ceia do Senhor.

 

 

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