14. Lucas 16:19-31 é uma história realmente ocorrida ou uma parábola?


É uma história: o que me faz propender para o relato histórico é o facto de serem mencionados dois nomes de pessoas, isto é, o do patriarca Abraão e do pobre Lázaro, coisa esta que não é feita em nenhuma parábola contada por Jesus. Lê todas as parábolas de Jesus e constatarás isso.
A outra coisa que me faz propender para o relato histórico é que nestas palavras de Jesus há um diálogo entre Abraão e um rico ocorrido no mundo ultraterreno, diálogo que está cheio de particulares; não existe sequer uma só parábola onde haja o relato de algo que aconteceu no mundo invisível.
Mas há uma outra coisa que depõe a favor do relato histórico em vez da parábola e é que este relato era muito claro também para aqueles que eram de fora, isto é, era perfeitamente compreensível também por parte dos que não eram discípulos do Senhor; enquanto as parábolas de Jesus não eram compreensíveis para os de fora, em outras palavras eram feitas de maneira tal a constituir um falar obscuro para os de fora, e como tu sabes foi precisamente para que os de fora não entendessem que Jesus falou às multidões em parábolas (enquanto em particular explicava tudo aos seus discípulos), de facto, um dia quando os seus discípulos lhe perguntaram por que falava às multidões em parábolas Jesus respondeu-lhes: "Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, e de maneira alguma entendereis; e, vendo, vereis, e de maneira alguma percebereis. Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure" (Mat. 13:11-15).
Mas aliás Jesus naquela ocasião tinha que por força contar um facto realmente ocorrido e portanto facilmente compreensível (e não uma parábola) porque este facto ele o contou quando viu que os fariseus que amavam o dinheiro ouviram alguns seus ensinamentos e zombaram dele (cfr. Lucas 16:14) pelo que Jesus devia por força explicar-lhes de maneira clara o fim que tinham todos aqueles que amavam o dinheiro para que aqueles Fariseus fossem severamente admoestados. E a história do rico e de Lázaro explica de maneira muito clara que fim espera os que amam o dinheiro: este relato não necessita de comentários e de explicações porque se comenta e se explica por si de tão claro que é.

 

 

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