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Se façam deprecações, orações,
intercessões, e acções de graças, por todos os homens |
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Devemos
orar pelos incrédulos e por aqueles que nos perseguem |
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Paulo disse a Timóteo: "Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se
façam deprecações, orações, intercessões, e acções de graças, por todos os
homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos
uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é
bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens
se salvem, e venham ao conhecimento da verdade" (1 Tim. 2:1-4). |
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Irmãos, nós que conhecemos Deus mediante Cristo Jesus estamos em
obrigação de orar pelos que ainda não conhecem a verdade, para que Deus os
salve pela sua graça. O apóstolo Paulo, falando dos Judeus de nascença, disse
aos santos de Roma: "Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a
Deus por Israel é para sua salvação" (Rom. 10:1); destas suas palavras
se compreende claramente que Paulo tinha um desejo em seu coração, um bom
desejo devemos dizer, que era o de os Judeus serem salvos. A Escritura diz
que "o desejo dos justos é tão somente para o bem" (Prov. 11:23), e
de facto os que foram justificados pela graça de Deus desejam o bem dos
incrédulos, porque desejam que eles sejam salvos; eles têm no seu coração o
mesmo desejo que tinha Paulo pelos Judeus. Mas Paulo, além de dizer que tinha
este desejo, disse também que ele orava a Deus pelos Judeus para a sua
salvação. Ora, os Judeus pelos quais orava Paulo eram sim aqueles Judeus que
tinham "a forma da ciência e da verdade na lei" (Rom. 2:20), mas
tinham também sobre os seus corações um véu que os impedia de reconhecer que
Jesus de Nazaré era aquele do qual tinham falado Moisés e os profetas, isto
é, o Cristo. O Evangelho, para aqueles Judeus que estavam sobre o caminho da
perdição, estava encoberto porque o deus deste século lhes tinha cegado os
entendimentos; Paulo, isto o sabia bem, e como ele também sabia que aquele
véu seria removido de cima dos seus corações só quando eles se convertessem
ao Senhor, assim ele orava ardentemente por eles para que Deus revelasse
também a eles o seu Filho. Paulo, nisto, nos deixou o exemplo, para que nós
também oremos pelos incrédulos, por aqueles que estão sobre o caminho da
perdição, para que eles sejam libertados do poder de Satanás. O clamor que
nós crentes devemos fazer chegar aos ouvidos do nosso Deus em favor dos
incrédulos deve ser este: ‘Senhor, salva-os!’. |
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Jesus Cristo disse: "Orai pelos que vos maltratam e vos
perseguem" (Mat. 5:44); mas quem são os que nos maltratam e nos
perseguem? Eles são todos os que não conhecem Deus e que na sua ignorância
nos ultrajam e nos fazem mal, por causa do bom nome de Jesus Cristo que é
invocado sobre nós. Ora, quero dizer-vos antes de tudo que os que creram não
podem não sofrer perseguições por parte dos incrédulos, porque Jesus disse:
"Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós" (João
15:20), e porque Paulo disse a Timóteo que "todos os que piamente querem
viver em Cristo Jesus padecerão perseguições" (2 Tim. 3:12). Disse
anteriormente que os nossos perseguidores nos perseguem na sua ignorância,
porque Jesus disse aos seus discípulos: "Vem mesmo a hora em que
qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão,
porque não conheceram ao Pai nem a mim" (João 16:2,3); dizei-me: ‘Saulo
de Tarso não perseguia porventura os santos em Jerusalém e até nas cidades
estrangeiras porque não conhecia ainda nem Deus e nem o seu Filho?’ Certo,
por esta razão ele encerrou nas prisões muitos dos santos e quando os matavam
(pensando estar a fazer um serviço a Deus), ele dava o seu voto. Ele mesmo
disse a Timóteo: "Dantes fui blasfemo, e perseguidor, e opressor; mas
alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade" (1
Tim. 1:13), isto significa que Saulo de Tarso antes de o Senhor lhe aparecer
no caminho de Damasco, era também ele um incrédulo e por isso não conhecia
Deus. Ele era um Fariseu que embora fosse irrepreensível quanto à justiça que
está na lei e embora fosse extremamente zeloso pela causa de Deus, era cego e
sem vida porque não cria no nome do Filho de Deus; mas chegou o dia em que
Aquele que o tinha separado desde o ventre de sua mãe o chamou pela sua graça
e o justificou. Eu estou convencido que enquanto Saulo de Tarso era ainda um
perseguidor da Igreja e um opressor, haviam os que oravam também por ele para
que o Senhor o salvasse, e isto o digo por esta razão; Jesus, antes de
ascender ao céu, tinha dito aos apóstolos: "Portanto
ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do
Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu
vos tenho mandado" (Mat. 28:19,20), portanto os apóstolos deviam
ensinar aos crentes também a orar por aqueles que os perseguiam, e sabendo
que eles o fizeram, cheguei à conclusão que os crentes que atendiam aos seus
ensinamentos, obedeceram também a esta ordem do Senhor. Eis o que Paulo diz
que aconteceu, quando ele se converteu ao Senhor: "Mas somente tinham
ouvido dizer (a igreja da Judeia): Aquele que já nos perseguiu anuncia agora
a fé que antes destruía. E glorificavam a Deus a respeito de mim" (Gal.
1:23,24). Como podeis ver a conversão de Saulo produziu abundância de acções
de graças a Deus por parte de muitos crentes; ainda hoje, quando é atendida
uma oração feita a Deus por um perseguidor da Igreja o nome de Deus é
glorificado pelos santos, por isso oremos pelos nossos perseguidores, para
que o nome de Deus seja glorificado quando eles se converterem. Jesus Cristo
orou por aqueles que o perseguiram até à morte (dando-nos assim o exemplo),
de facto enquanto estava pendurado
na cruz disse: "Pai,
perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34); Jesus invocou
o perdão de Deus sobre os que o perseguiram e o levaram à morte na sua ignorância
(isto é, sem saber o que faziam). Nós, algumas vezes, somos tentados a pensar
que os Judeus sabiam o que faziam contra Jesus, mas nós sabemos que não é
assim, porque também Pedro confirmou o que disse Jesus, quando disse aos
Judeus: "Vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um
homem homicida. E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou
dentre os mortos.... E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância,
como também os vossos príncipes" (Actos 3:14,15,17). Como podeis ver,
sejam as palavras de Jesus como as de Pedro confirmam que os nossos inimigos
nos perseguem por causa da ignorância que está neles. Nós filhos de Deus devemos orar a Deus pelos
nossos inimigos que nos perseguem, para que Deus lhes deia a vida e não para
que Deus os faça morrer. Alguém dirá: ‘Mas então porque é que debaixo da lei
houveram homens, como Davi por exemplo, que oraram a Deus para que destruisse
os seus inimigos?’; vede, debaixo da lei, vigorava o preceito que dizia:
Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo; isto o confirmou Jesus mesmo,
quando disse aos seus discípulos: "Ouvistes
que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo"
(Mat. 5:43; Lev. 19:18), portanto não há porque nos maravilharmos se Davi,
sendo contudo um homem segundo o coração de Deus, quando orava a Deus pelos
seus inimigos, dizia: "Sobrevenha-lhe destruição sem o saber. Derrama
sobre eles a tua indignação. Emudeçam na sepultura" (Sal. 35:8; 69:24;
31:17). Mas agora, debaixo da graça,
vigora o mandamento que diz: "Amai os vossos inimigos, bendizei os que
vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e
vos perseguem" (Mat. 5:44), portanto não é admissível que um filho de
Deus peça a Deus a morte dos seus inimigos. Contudo, também debaixo da lei houveram homens que oraram pelos
seus adversários; um destes foi Moisés. A Escritura diz que depois que
tornaram ao arraial os doze espiões que Moisés tinha enviado a espiar a terra de Canaã, os Israelitas, ouvindo
dizer, os doze dela: "A terra, pelo meio da qual passamos a espiar, é
terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos no meio dela são
homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque,
descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim
também éramos aos seus olhos... Não poderemos subir contra aquele povo,
porque é mais forte do que nós" (Num. 13:32,33,31), murmuraram contra
Moisés e Arão e falaram em apedrejá-los. Quando Deus ouviu proferir aquelas
murmurações disse a Moisés: "Com pestilência o (o povo de Israel)
ferirei, e o destruirei... " (Num. 14:12), mas Moisés orou a Deus por
aqueles incrédulos que o queriam apedrejar (conforme está escrito:
"Moisés, seu escolhido, ficado perante ele na brecha, para desviar a sua
indignação, a fim de os não destruir" [Sal. 106:23]); ele dirigiu esta
súplica a Deus em favor do povo de Israel: "Perdoa, pois, a iniquidade
deste povo, segundo a grandeza da tua benignidade; e como também perdoaste a
este povo desde a terra do Egipto até aqui" (Num. 14:19), e Deus o
ouviu, de facto lhe disse: "Conforme à tua palavra lhe perdoei"
(Num. 14:20). O que fez Moisés nos ensina quanto é útil a oração dirigida a
Deus em favor dos que nos perseguem; a gente que não conhece Deus diz: ‘Que
ganharemos em orar a Deus?’, mas nós que conhecemos Deus sabemos que é útil
orar a Deus também por aqueles que nos perseguem porque está escrito: "O
que teme o mandamento (neste caso, aquele que diz: "Orai pelos que vos
perseguem" [Mat. 5:44] será galardoado" (Prov. 13:13). |
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Devemos orar pelas autoridades ordenadas por Deus |
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Entre todos os homens pelos quais nós crentes devemos orar, estão também
as autoridades que Deus ordenou. Deus disse aos Israelitas que tinham ido em
cativeiro para a Babilónia: "Procurai a paz da cidade, para onde vos fiz
transportar e orai por ela ao Senhor porque na sua paz vós tereis paz"
(Jer. 29:7); destas palavras se compreende que nós crentes devemos procurar a
paz e o bem das nações nas quais Deus nos faz viver. Alguém dirá: ‘De que
maneira o se pode fazer?’ O podemos fazer nos submetendo às ordens das
autoridades e orando pelas autoridades que Deus constituiu na nação em que
vivemos. Nós desejamos viver uma vida tranquila e sossegada no meio desta
nação, e que as autoridades façam boas e justas reformas em prol dos países
em que vivemos (das quais, também nós, ainda que peregrinos e forasteiros,
possamos receber o bem), mas sabemos que para ver este nosso desejo cumprido
devemos orar pelas autoridades. |
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No livro de Esdras está transcrito a ordem que o rei Dario deu ao
governador de além rio e aos seus companheiros relativamente ao seu modo de
proceder com os anciãos dos Judeus que reconstruiam o templo em Jerusalém;
ele dizia entre outras coisas: "E o que for necessário como bezerros, e
carneiros, e cordeiros, para holocausto ao Deus dos céus, trigo, sal, vinho e
azeite, segundo o rito dos sacerdotes que estão em Jerusalém, dê-se-lhes, de
dia em dia, para que não haja falta; para que ofereçam sacrifícios de cheiro
suave ao Deus dos céus, e orem pela vida do rei e de seus filhos" (Esd.
6:9,10); este rei, como podeis ver, queria que os sacerdotes orassem pela sua
vida e pela dos seus filhos, e eu estou convicto que também nesta geração os
reis e todas as autoridades ordenadas por Deus necessitam das nossas orações.
Nós podemos ajudar as autoridades a cumprir o seu trabalho de modo justo com
as nossas súplicas em seu favor, portanto oremos por eles, antes de tudo para
que sejam salvos por Deus, mas também para que Deus os proteja e lhes conceda
sabedoria para governar. |
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Oremos
uns pelos outros, aprendendo com Cristo e com os apóstolos |
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Além de orar a Deus por aqueles que ainda são escravos do pecado, e por
aqueles que nos perseguem, e pelos reis e pelas autoridades, nós devemos
interceder junto do trono de Deus pelos nossos irmãos porque Deus quer que
façamos também isto. Alguém dirá: ‘Mas o que devo pedir a Deus pelos meus
irmãos?’ Dirijamo-nos à sagrada Escritura que é divinamente inspirada, porque
ela nos instrui também sobre isto. |
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Jesus Cristo, o nosso Senhor, na noite em que foi traido orou a seu Pai
pelos seus discípulos (os seus irmãos, conforme está escrito: "Não se
envergonha de lhes chamar irmãos" [Hebr. 2:11]), e entre as palavras que
Ele dirigiu a Deus por eles, estão estas: "Pai santo, guarda em teu nome
aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós...Não peço que os
tires do mundo, mas que os livres do mal... Santifica-os na verdade"
(João 17:11,15,17). Jesus pediu a Deus para fazer coisas que eram segundo a
sua vontade para com os seus irmãos; ora, Deus quer livrar-nos do mal. Ele
quer santificar-nos na verdade, e quer também guardar-nos em seu nome para
que sejamos perfeitos na unidade tendo um mesmo parecer e um mesmo falar,
portanto faremos bem também nós em pedir a Deus estas coisas pelos nossos
irmãos. A Escritura diz que "se pedirmos alguma coisa, segundo a sua
vontade, ele nos ouve" (1 João 5:14) e a oração feita pela unidade da
irmandade é feita segundo a vontade de Deus e é ouvida, e para confirmar-vos
isso vos recordo que a oração que Jesus fez por aqueles que creriam nele por
meio da palavra dos apóstolos, para que fossem um (conforme está escrito:
"Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra
hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e
eu em ti; que também eles sejam um em nós" [João 17:20,21]) foi ouvida,
porque no livro dos actos dos apóstolos lêmos que "era um o coração e a
alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que
possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns" (Actos
4:32). |
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O Senhor Jesus na noite em que foi traido, disse a Pedro: "Simão,
Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei
por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres,
confirma teus irmãos" (Lucas 22:31,32); o Senhor sabia o que aconteceria
dali a pouco; ele sabia que quando o pastor fosse ferido, as ovelhas se
dispersariam, ele sabia que os seus discípulos seriam provados, e por isso
tinha orado por Simão Pedro, para que a sua fé não desfalecesse. Foi ouvida
esta oração? Sim, de facto, apesar de Pedro pouco depois ter negado o Senhor,
por bem três vezes, a sua fé não desfaleceu, porque ele se converteu e foi
capaz de confirmar os seus irmãos. Nós também devemos orar pelos nossos
irmãos que são provados no crisol das aflições, para que a sua fé não
desfaleça. Vejamos agora como oraram os apóstolos pelas igrejas, porque eles
nos deixaram um exemplo também nisto. Paulo escreveu aos santos que estavam em
Éfeso: "Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas
minhas orações; para que Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória,
vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; tendo
iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança
da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; e
qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos"
(Ef. 1:16-19); Paulo, nesta oração, orava a Deus para que concedesse aos
fiéis daquela cidade, um espírito de sabedoria e de revelação por meio do
qual podiam conhecer melhor Deus; para que iluminasse os olhos dos seus
corações (o nosso coração tem olhos espirituais que quando são iluminados por
Deus nos levam a um conhecimento mais profundo do desígnio benévolo que Deus
antes dos séculos formou e que cumpriu na plenitude dos tempos, e das coisas
que Deus preparou para nós que o amamos), para que eles soubessem estas três
coisas; a qual esperança Deus os tinha chamado, quanto era gloriosa a herança
que Deus preparou para eles e que estava guardada também para eles nos
lugares celestiais, e quanto era imenso o poder de Deus para conosco que
cremos. |
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Na mesma epístola aos Efésios Paulo escreveu: "Me ponho de joelhos
perante o Pai... para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que
sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; para que
Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e
fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos,
qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e
conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais
cheios de toda a plenitude de Deus" (Ef. 3:14,16-19); nesta oração,
Paulo orava a Deus para fortalecer aqueles santos no seu homem interior (cada
um de nós tem um homem interior, além de um homem exterior), e para fazer que
Cristo habitasse pela fé nos seus corações, e logo depois, diz as razões
pelas quais pedia a Deus aquelas coisas, escrevendo: "a fim de.. poderdes
perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o
comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que
excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de
Deus" (Ef. 3:18,19). Irmãos, será bom que ponhamos muita atenção em
todos estes ‘a fim de’ presentes nas orações de Paulo porque eles nos fazem
perceber o que Paulo desejava que os irmãos soubessem e fizessem. |
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Vede, o desejo de Paulo era o
de apresentar todo o homem perfeito em Cristo, e este ardente desejo que
estava nele o impulsionava a levantar estas orações a Deus em favor dos
crentes. Hoje, é muito raro ouvir crentes orar por outros crentes da maneira
em que orava Paulo, porque muitos preferem apenas ler e estudar estas
orações, em vez de fazê-las; eu considero que se Paulo considerava útil pedir
a Deus aquelas coisas, também nós devemos ter em nós o mesmo sentimento que
estava nele. |
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Paulo escreveu aos santos de
Colossos o que ele e os seus cooperadores pediam a Deus por eles. Eis o que
ele escreveu: "Não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais
cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência
espiritual; para que possais andar como dignos do Senhor, agradando-lhe em
tudo, frutificando em toda a boa obra e crescendo no conhecimento de Deus;
corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a
paciência, e longanimidade com gozo; dando graças ao Pai que nos fez idóneos
para participar da herança dos santos na luz" (Col. 1:9-12). Irmãos,
sabei que também nós, necessitamos de ser cheios do profundo conhecimento da
vontade de Deus a fim de andarmos como dignos do Senhor, portanto oremos uns
pelos outros desta maneira. Ora, Jesus Cristo disse: "A vontade daquele
que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a
vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia" (João 6:40), e nós
tendo crido no Filho de Deus fizemos a vontade de Deus, mas a vontade de Deus
para conosco não acaba aqui porque existem muitas outras coisas que fazem
parte da vontade de Deus, que nós devemos fazer para agradar a Deus. Mas para
fazê-las, devemos primeiro conhecê-las, e para conhecê-las devemos orar a
Deus; esta é a razão pela qual devemos pedir a Deus de nos encher e de encher os nossos irmãos do conhecimento da
vontade de Deus. Alguém dirá: ‘Mas é mesmo necessário?’ Sim, irmão, é
necessário, doutra forma Paulo e os seus cooperadores não teriam orado por
aqueles irmãos desta maneira. Algum outro dirá: ‘Mas porque devo ser cheio do
conhecimento da vontade de Deus?’; pois bem, a razão é para que tu andes de
modo digno do Senhor, para agradar-lhe em todas as coisas. Nós devemos
agradar a Deus e não aos homens, e é por isso que devemos procurar andar como
dignos do Evangelho de Cristo, não dando motivo de escândalo em coisa alguma,
para que o nome do Senhor Jesus Cristo não seja vituperado e a sua doutrina
não seja blasfemada; nós não queremos que a gente do mundo, ao vêr-nos andar
como loucos (privados do conhecimento da vontade de Deus), diga: ‘No fundo no
fundo não sois diferentes de nós’, ou até: ‘Vós dizeis ser Cristãos, mas sois
piores do que nós’. Nós, portanto, para agradar a Deus devemos entender qual
seja a sua vontade para conosco; mas se não entendemos qual seja a sua
vontade, se não conseguimos distinguir o bem e o mal, e participamos nas
obras infrutuosas das trevas, como faremos para agradar a Deus? Irmãos, sabei
que se andais segundo a carne, vós não podereis agradar a Deus, porque está
escrito: "Porque a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não
é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto os que estão
na carne não podem agradar a Deus" (Rom. 8:7,8). Nós não podemos agradar
a Deus se nos tornamos amigos do mundo e amantes do mundo. Se ao invés
estamos prontos para fazer toda a boa
obra, se crescemos no conhecimento de Deus, se nos fortalecemos na sua graça,
se mostramos aos homens a mansidão de Cristo, se somos pacientes nas
aflições, dando continuamente graças a Deus por nos ter feito idóneos para
participar da herança dos santos na luz, então agradaremos a Deus e o seu
nome será glorificado em nós. |
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O apóstolo Paulo, ainda na
carta aos Colossenses, escreveu: "Porque quero que saibais quão grande
combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e por quantos não
viram o meu rosto em carne; para que os seus corações sejam consolados, e
estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para
chegar ao completo conhecimento do mistério de Deus-Cristo, em quem estão
escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Col. 2:1-3);
estas palavras nos fazem perceber que quando se ora pelos irmãos se luta por
eles, e que não se deve orar só por aqueles irmãos que se conhece pessoalmente,
mas também por aqueles de que nunca vimos o rosto. Mas porque é que Paulo combatia nas suas orações
pelos santos? Ele combatia por eles para que os seus corações fossem
consolados, para chegar ao completo conhecimento do mistério de Deus; notai
que também nesta oração, Paulo pedia a Deus pelos santos alguma coisa que os
levaria ao pleno conhecimento de alguma coisa de particular. |
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Também Epafras, cooperador de Paulo, orava pelos Colossenses, e Paulo deu
testemunho disso na epístola que lhes escreveu, dizendo: "Saúda-vos
Epafras, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em
orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e completos em toda a
vontade de Deus" (Col. 4:12); estas palavras confirmam que quando se ora
pelos irmãos se combate por eles. Epafras lutava nas suas orações para que os
santos de Colossos permanecessem firmes em toda a vontade de Deus. O que
fazia este cooperador de Paulo por aqueles irmãos nos serve de exemplo,
portanto irmãos, combatei também vós pelos santos empunhando a arma da
oração. |
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Paulo disse aos Coríntios: "Eu rogo a Deus que não façais mal
algum" (2 Cor. 13:7); desta oração que Paulo e os seus cooperadores
faziam pelos fiéis se percebe como os apóstolos desejavam que os santos se
santificassem e se abstivessem de toda a espécie de mal. Também nós devemos
orar pelos nossos irmãos para que não façam mal algum. |
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Eis como orava Paulo pelos santos de Filipos: "E isto peço em oração: que o vosso amor aumente mais e
mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento, para que aproveis as
coisas excelentes, a fim de que sejais sinceros, e irrepreensíveis até o dia
de Cristo; cheios do fruto de justiça, que vem por meio de Jesus Cristo, para
glória e louvor de Deus" (Fil. 1:9-11). Irmãos, o nosso
amor deve abundar em conhecimento e em todo o discernimento, se queremos ser
capazes de distinguir entre o bem e o mal e ser achados sinceros e
irrepreensíveis na vinda do Senhor. Ora, se alguém considera boa esta
específica oração de Paulo, chega à conclusão que também hoje há necessidade
de orar pelos irmãos desta maneira. Porque digo isto? Porque hoje, o amor em
muitos escasseia seja de conhecimento seja de discernimento. Quando se fala
de amor com alguns crentes, apercebemo-nos como o seu amor não abunda nem em conhecimento e nem em
discernimento, por isso é necessário orar a Deus para que supra a esta sua
necessidade. Não é dificil encontrar crentes que pensam que repreender um
irmão quando peca significa ter pouco amor por ele, ou para os quais, tolerar
os maus obreiros e as suas más acções é uma demonstração de amor por eles e
pela a igreja. Mas a Escritura não ensina isto, mas ensina que "a
caridade…não folga com a injustiça" (1 Cor. 13:6) e que Deus que é amor,
repreende e castiga. |
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Aos santos de Tessalónica,
Paulo escreveu: "Pelo que também rogamos sempre por vós, para que o
nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todos os vossos bons
desejos, e a obra da vossa fé com poder; para que o nome de nosso Senhor
Jesus Cristo seja em vós glorificado, e vós nele, segundo a graça de nosso
Deus e do Senhor Jesus Cristo” (2 Tess. 1:11,12); irmãos, oremos também nós
pelos santos para que Deus cumpra com poder todos os seus bons desejos e
opere dentro deles o que a ele é agradável. |
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Aos fiéis da Galácia que tinham
sido perturbados por alguns que queriam que eles fossem circuncidados na
carne e que observassem a lei, Paulo escreveu: "Como tornais outra vez a
esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais
dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós, que não haja trabalhado em
vão para convosco...Meus filhinhos, por quem de novo sinto dores de parto,
até que Cristo seja formado em vós; eu bem queria agora estar presente
convosco, e mudar a minha voz; porque estou perplexo a vosso respeito"
(Gal. 4:9-11,19,20). Os crentes da Galácia tinham sido gerados em Cristo
Jesus por Paulo, mas na sua ausência tinham começado a observar dias,
meses, tempos e anos de que fala a lei de Moisés, tudo coisas
"que são sombras das coisas futuras" (Col. 2:17), mas que alguns
lhes impunham porque diziam que para
serem salvos precisavam ser circuncidados e observar a lei. Quando Paulo
ouviu que os Gálatas tinham sido conturbados, se pôs a orar por eles para que
caissem em si mesmos e obedecessem à verdade do Evangelho. O apóstolo
disse-lhes que estava de novo em dores de parto por eles, e que o estaria até
que Cristo fosse formado neles; ele se exprimiu assim para dizer aos Gálatas
que combatia em oração por eles. Como uma mulher é colhida por dores antes de dar à luz, assim
também Paulo, quando ouviu que os Gálatas tinham sido fascinados, foi colhido por dores, e tinha
começado a orar por eles com gemidos inexprimíveis (pelo Espírito Santo); e estas suas dores não
acabariam até que Cristo não fosse formado neles. Irmãos, Paulo nos mostrou o
que é necessário fazer no caso de nossos irmãos venham a ser fascinados como
os Gálatas. |
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Porque coisas os apóstolos
exortavam a orar |
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Vejamos agora algumas exortações dos apóstolos que concernem à oração, as
quais nos dizem que coisas nós devemos pedir a Deus. |
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Paulo, falando da completa
armadura de Deus da qual nós nos devemos revestir para combater os nossos
inimigos, disse: "Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica
pelo Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos
os santos, e por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a
palavra com franqueza, para fazer notório o mistério do evangelho, pelo qual
sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele livremente, como me
convém falar" (Ef. 6:18-20). O apóstolo exortava os santos a orar pelo
Espírito Santo em todo o tempo (vos recordo que orar pelo Espírito significa
em outra língua); a vigiar com perseverança e com as orações pelos santos e
também por ele, para que Deus lhe desse de anunciar o Evangelho com
franqueza. Paulo sabia de que maneira ele devia anunciar o Evangelho e
exortava os santos a orar por ele, porque considerava que os fiéis podiam
ajudá-lo nisto com as suas súplicas em seu favor. Alguém dirá: ‘Mas de que
maneira deve ser anunciado o Evangelho?’ O Evangelho deve ser anunciado com
poder, com o Espírito Santo e com plena convicção, e não com excelência de
palavras e com discursos persuasivos de sabedoria humana, para que a cruz de
Cristo não se faça vã. Tu dirás: ‘Portanto a palavra da cruz pode se tornar
ineficaz?’ Sim, ela torna-se ineficaz (porque vem esvaziada do seu poder)
quando é transmitida com excelência de palavras e com discursos persuasivos
de sabedoria humana. Sabei que ainda hoje os que foram chamados por Deus a
pregar necessitam das nossas orações, portanto oremos pelos servos do Senhor
que anunciam o caminho da salvação, para que Deus lhes conceda de anunciar a
Palavra da graça com toda a franqueza. |
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Paulo escreveu aos santos de
Colossos: "Perseverai em oração, velando nela com acção de graças;
orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da Palavra,
a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também
preso..." (Col. 4:2,3). Ora, o apóstolo, quando escreveu estas palavras,
estava em prisões, e exortou os santos a pedir a Deus para abrir a ele e aos
seus cooperadores uma porta para a Palavra; isto nos ensina que, também em
prisões Deus pode abrir uma porta para a Palavra, porque a sua palavra não
pode ser encarcerada por ninguém; podem ser encarcerados os ministros da
Palavra, mas não a Palavra de Deus. Vós sabei que a Palavra de Deus dá fruto
quando é recebida pelos que a ouvem, mas para que quem ouve a palavra, receba
a palavra, é necessário que ele abra o seu coração ao amor pela verdade.
Recordai-vos de Lídia, vendedora de púrpura; Lucas diz que "o Senhor lhe
abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia" (Actos
16:14); foi assim que a palavra de Deus pode entrar no seu coração e dar
fruto. Ainda hoje é necessário que o Senhor abra o coração daqueles que ouvem
o Evangelho, para que a palavra da graça penetre neles e eles sejam salvos
por ela. Vejamos agora o que entende a Escritura por ‘abra a porta da
Palavra’. Enquanto Paulo se encontrava em Éfeso escreveu aos Coríntios:
"Ficarei, porém, em Éfeso até ao Pentecostes, porque uma porta grande e
eficaz se me abriu, e há muitos adversários" (1 Cor. 16:8,9). Ora, para
perceber em que consistia esta ‘porta grande e eficaz que se abriu’, é
necessário referir o que escreveu Lucas a respeito da obra de Paulo na cidade
de Éfeso. Quando Paulo foi a Éfeso pelo Evangelho, aconteceu que encontrou
alguns discípulos aos quais, depois que eles foram batizados em nome do
Senhor Jesus, ele impôs as mãos para que recebessem o Espírito Santo, e
"veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam línguas e
profetizavam" (Actos 19:6). "E, entrando na sinagoga, falou
ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do
reino de Deus. Mas, como alguns deles se endureceram e não obedeceram,
falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles e separou os
discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano. E durou
isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na
Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos. E Deus
pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias. De sorte que até os
lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades
fugiam deles, e os espíritos malignos saíam... E muitos dos que tinham crido
vinham, confessando e publicando os seus feitos. Também muitos dos que
seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros e os queimaram na presença de
todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinquenta mil
peças de prata. Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e
prevalecia" (Actos 19:8-12,18-20). Na Ásia todos ouviram a palavra do
Senhor, mas nem todos se converteram ao Senhor; de qualquer forma foram
muitos os que aceitaram a palavra pregada por Paulo, de facto isto o
reconheceu também um daqueles que não recebeu a Palavra, um certo Demétrio
(um ourives que fazia miniaturas do templo de Diana em prata), quando disse
para os artífices: "E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até
quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande
multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos" (Actos
19:26). Em Éfeso portanto, através do ministério de Paulo, houveram os que
aceitaram o Evangelho da graça, muitos dos quais vieram a confessar
publicamente as coisas que tinham feito; houveram os que receberam o Espírito
Santo e também o dom de profecia, e os que receberam curas e libertações em
nome do Senhor Jesus; esta é a razão pela qual Paulo escreveu aos Coríntios,
de Éfeso: "Uma porta grande e eficaz se me abriu" (1 Cor. 16:9).
Certo, nem sempre a porta aberta para a Palavra é grande como o foi a de
Éfeso, mas seja como for, todas as vezes que em um país ou em uma cidade se
convertem almas, mesmo se poucas, nós podemos afirmar que aqui o Senhor abriu
aos seus servos uma porta para a Palavra. Mas a este ponto é necessário dizer
que todas as vezes que Deus abre aos seus ministros uma porta para a sua
Palavra, surgem adversários e por consequência as perseguições, que podem ser
tanto verbais como físicas. A tal respeito vos recordo que Paulo disse que em
Éfeso haviam muitos adversários, o que significa que o Evangelho encontrou
muita oposição naquela cidade, e isto é confirmado pelas palavras de Lucas:
"E, naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do
Caminho" (Actos 19:23), e também pelas de Paulo aos Coríntios: "Não
queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois
que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal
que até da vida desesperamos. Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de
morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os
mortos, o qual nos livrou de tão grande morte, e livrará; em quem esperamos
que também nos livrará ainda, ajudando-nos também vós com orações por nós,
para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também
sejam dadas graças a nosso respeito" (2 Cor. 1:8-11). Quero debruçar-me,
a este ponto, sobre estas palavras de Paulo: "Ajudando-nos também vós
com orações por nós, para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi
feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito" (2 Cor.
1:11), para fazer-vos perceber quanto podem fazer as nossas súplicas em favor
dos que anunciam o Evangelho e o que elas produzem. Antes de tudo irmãos, vós
deveis saber que os ministros do Evangelho têm muitos inimigos, entre os
quais estão homens dissolutos e maus que não têm a fé, e por isso nós crentes
devemos orar pelos ministros da Palavra, para que Deus os livre das ciladas
deles. Paulo exortava os santos a orar por ele e seus cooperadores, não só
para que a Palavra por meio deles se expandisse e fosse glorificada (como por
exemplo em Antioquia da Pisídia, conforme
está escrito: "E os Gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e
glorificavam a Palavra do Senhor" [Actos 13:48]), mas também para que
eles fossem livres dos malvados; isto é confirmado por esta exortação de
Paulo aos Tessalonicenses: "No demais, irmãos, rogai por nós, para que a
palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada, como também o é entre
vós, e para que sejamos livres de homens dissolutos e maus, porque a fé não é
de todos" (2 Tess. 3:1,2). A tal respeito, vos recordo também a
exortação que Paulo dirigiu aos santos de Roma, enquanto ele estava em viagem
para Jerusalém para lhes levar uma colecta destinada aos pobres dentre os
santos daquela cidade: "E, rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus
Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por
mim a Deus, para que seja livre dos rebeldes que estão na Judéia..."
(Rom. 15:30,31). Por estas exortações do apóstolo Paulo, se percebe como
Paulo considerava muito útil as orações dos santos em seu favor e dos seus
cooperadores. Também ele cria que "a oração feita por um justo pode
muito em seus efeitos" (Tiago 5:16), mas não só o cria, mas também o viu
em muitas ocasiões. Uma das ocasiões em que viu Deus livrá-lo dos homens
maus, em resposta à oração dos santos em seu favor, foi na sua volta a
Jerusalém (depois ter dirigido a exortação acima referida aos santos de
Roma), de facto Paulo em Jerusalém foi agarrado pelos Judeus desobedientes os
quais procuraram matá-lo, mas foi livre por Deus das suas mãos. |
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Eis outras passagens da
Escritura que confirmam como os apóstolos criam que os santos podiam
ajudá-los pelas suas súplicas (tende presente que estas palavras foram
escritas da prisão): |
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"Me regozijarei ainda, porque sei que
disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de
Jesus Cristo... Confio no Senhor, que também eu mesmo em breve irei ter
convosco " (Fil. 1:19; 2:24). Paulo, da prisão, escreveu aos Filipenses
que pelas suas orações e o socorro do Espírito de Jesus (o Espírito socorre
os santos porque intercede por eles segundo Deus) ele seria libertado, e
expressa esta sua confiança com estas palavras: "E, tendo esta
confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para proveito vosso
e gozo da fé" (Fil. 1:25). |
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"E juntamente prepara-me também pousada,
porque espero que pelas vossas orações vos hei de ser concedido" (Filem.
22); Paulo, enquanto estava na prisão, disse a Filemom para preparar-lhe
pousada, porque tinha confiança no Senhor que pelas suas orações, estaria de
novo no meio deles. |
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"Orai por nós... E rogo-vos com instância
que assim o façais, para que eu mais depressa vos seja restituído"
(Hebr. 13:18,19); o escritor da epístola aos Hebreus, da prisão, fez saber
aos crentes que pelas suas orações eles apressariam a sua libertação da
prisão. |
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Depois irmãos, quero que
saibais que pela resposta de Deus em favor dos ministros do Evangelho pelos
quais orais, muitos agradecimentos serão dirigidos a Deus por muitos crentes,
portanto as vossas orações em seu favor produzem abundância de acções de graças
para a glória de Deus. Não é maravilhoso saber que nós, pelas nossas orações,
cooperamos para a difusão da Palavra de Deus porque ajudamos os ministros da
Palavra a pregar o Evangelho com toda a franqueza, e fazemos também que eles
sejam livres dos homens maus e dissolutos? Está escrito: "E como
pregarão, se não forem enviados?" (Rom. 10:15); irmãos, para que a
Palavra de Deus se expanda por todo o mundo, é necessário que Deus envie
homens a pregar o Evangelho lá onde ainda Cristo não foi mencionado, por isso
nós crentes devemos suplicar a Deus para que mande ceifeiros para a sua
seara. Cristo Jesus nos deu mandamento disto, de facto ele disse: "Rogai
pois ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara" (Mat.
9:38). |
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O apóstolo João escreveu:
"Se alguém vir pecar seu irmão pecado que não é para morte, orará, e
Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e
por esse não digo que ore" (1 João 5:16). O crente que cometeu um pecado,
depois de ter praticado o pecado, está perturbado e descontente, e não pode
ser doutra forma porque o pecado, diz Tiago, "sendo consumado, gera a
morte" (Tiago 1:15). Mas não obstante isso, ele pode ser perdoado e
vivificado se confessa o seu pecado ao Senhor. Ora, no caso de nós virmos um
irmão cometer um pecado que não é para morte, devemos orar a Deus para que o
vivifique, e Deus, na sua fidelidade, lhe dará a vida; mas sabei também que,
se um irmão cometeu o pecado que é para morte (isto é, o pecado que conduz,
quem o comete, à segunda morte), não é necessário orar por ele, porque cometeu
o pecado que não pode ser perdoado. |
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O apóstolo Tiago, o irmão do
Senhor, na sua epístola escreveu: "Está alguém entre vós aflito?
Ore" (Tiago 5:13). Ora, nós, quando sofremos por causa da justiça,
devemos orar, porque isto foi aquilo que nos foi mandado fazer. Pedro diz:
"Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe
as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem" (1 Ped. 4:19), e
estas suas palavras concordam com as de Tiago, porque quando alguém ora a
Deus no meio das suas aflições não faz mais que encomendar a sua alma a Deus.
Na Escritura temos diversos exemplos de homens que no meio dos seus
sofrimentos oraram a Deus; eu citarei o do profeta Jeremias, e o do nosso
Senhor Jesus. Assim orou Jeremias numa ocasião: "Tu, ó Senhor, o sabes;
lembra-te de mim, e visita-me, e vinga-me dos meus perseguidores; não me
arrebates, por tua longanimidade; sabe que por amor de ti tenho sofrido
afronta. Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para
mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome me chamo, ó Senhor,
Deus dos Exércitos. Nunca me assentei no congresso dos zombadores, não me
regozijei; por causa da tua mão me assentei solitário, pois me encheste de
indignação. Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e
não admite cura? Serias tu para mim como ilusório ribeiro e como águas
inconstantes?" (Jer. 15:15-18). Jesus, na noite em que foi traido, antes
que fosse preso, "começou a entristecer-se e a angustiar-se muito"
(Mat. 26:37) e disse aos seus discípulos: "A minha alma está cheia de
tristeza até a morte" (Mat. 26:38), e neste estado de alma ele se lançou
com o rosto por terra e orou que, "se fosse possível, passasse dele
aquela hora" (Mar. 14:35). Assim orou Jesus no Getsêmani: "Aba,
Pai! Todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja,
porém, o que eu quero, mas o que tu queres" (Mar. 14:36). Irmãos, em
verdade, a melhor coisa a fazer quando se padece injustamente é orar, porque
com a oração nós derramamos o nosso coração diante do Senhor, confessando-lhe
as nossas angústias e as nossas perplexidades, confiantes que ele nos ouve e
nos vem em ajuda com as suas poderosas consolações. |
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O mesmo Tiago ordenou aos
anciãos da igreja para orarem pelos enfermos quando estes os chamam, de facto
escreveu: "Está alguém entre vós doente? Chame os anciãos da igreja, e
orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará
o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados"
(Tiago 5:14,15). Notai que é o enfermo que deve chamar os anciãos da igreja e
não o contrário, e além disso que os anciãos devem orar sobre o doente
ungindo-o com azeite em nome do Senhor. "E a oração da fé salvará o
doente" (Tiago 5:15), diz Tiago, portanto, os anciãos devem orar com fé
sobre o doente, sem duvidar, para ver o enfermo restabelecido pelo Senhor. |
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O irmão do Senhor, na sua
epístola diz também: "Orai uns pelos outros, para que sareis"
(Tiago 5:16), por isso nós devemos interceder junto de Deus pelos nossos
irmãos doentes, para que Deus os sare. Quando Miriã, a irmã de Moisés,
murmurou juntamente com Arão contra Moisés, aconteceu que Deus puniu Miriã
com a lepra, mas Moisés orou a Deus por ela, de facto está escrito que
"clamou pois Moisés ao Senhor, dzendo: ó Deus, rogo-te que a
cures!" (Num. 12:13), e Deus ouviu Moisés, porque depois que Miriã
esteve por sete dias fora do arraial porque era leprosa, ela foi readmitida
no arraial porque a lepra tinha desaparecido do seu corpo. Quanto pode fazer
a súplica do justo em favor do doente, o lêmos também na história de Abraão,
de facto a Escritura diz que "orou Abraão a Deus, e sarou Deus a
Abimeleque, e à sua mulher, às suas servas, de maneira que tiveram filhos;
porque o Senhor havia fechado totalmente todas as madres da casa de
Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão" (Gên. 20:17,18). Há um
outro exemplo nas Escrituras que nos mostra quanto pode fazer a oração de um
justo por um doente; é o do filho de Abraão, de facto está escrito: "Isaque
orou instantemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril, e o
Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca sua mulher concebeu" (Gên.
25:21). |
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Algumas circunstâncias em que os apóstolos oraram |
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Vejamos agora em quais circunstâncias os apóstolos oraram, para perceber
como a oração tinha uma grande importância para eles. |
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Os
apóstolos, juntamente com outros irmãos, oraram para que Deus os guiasse na
escolha do sucessor de Judas Iscariotes. Lucas, a tal propósito, diz que
(depois que Pedro disse aos irmãos que era necessário que um dos homens que
estiveram em sua companhia todo o tempo que o Senhor Jesus entrou e saiu de
entre eles, desde o batismo de João até ao dia da assunção ao céu de Jesus,
fosse feito testemunha da ressurreição de Cristo) eles "apresentaram
dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o Justo, e Matias. E,
orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual
destes dois tens escolhido, para que tome parte neste ministério e
apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar. E
lançando-lhes sortes, caiu a sorte sobre Matias. E por voto comum foi contado
com os onze apóstolos" (Actos 1:23-26). |
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Em Jerusalém, depois que foram eleitos os
sete, isto é, Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas, Nicolau,
para que servissem às mesas, os crentes "os apresentaram ante os
apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos" (Actos 6:6). Neste
caso, os apóstolos, antes de encarregar os sete daquela obra assistêncial
quiseram orar. |
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Paulo e Barnabé, durante as suas viagens,
fundaram igrejas, e fizeram eleger "anciãos em cada igreja, orando com
jejuns" (Actos 14:23); os apóstolos atribuiam muita importância à
eleição dos anciãos e de facto antes de elegê-los oravam e jejuavam.
(Recordai-vos que Jesus, antes de eleger os doze apóstolos, orou também ele,
de facto está escrito que "naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou
a noite em oração a Deus. E, quando já era dia, chamou a si os seus
discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de
apóstolos" [Lucas 6:12,13]). |
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Pedro e João oraram pelos Samaritanos que
tinham crido, "para que recebessem o Espírito Santo" (Actos 8:15).
Está de acordo com a Palavra de Deus orar pelos crentes para que recebam o
Espírito Santo. |
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Pedro orou antes de ressuscitar Tabita,
conforme está escrito: "Pedro, fazendo-as sair a todas, pôs-se de
joelhos e orou; e, voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te. E ela
abriu os olhos, e, vendo a Pedro, sentou-se" (Actos 9:40). |
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Paulo orou antes de curar o pai de Públio,
conforme está escrito: "Paulo foi ver, e, havendo orado, pôs as mãos
sobre ele, e o curou " (Actos 28:8). |
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Os apóstolos Paulo e Silas, depois de terem
sido açoitados com varas, oraram na prisão de Filipos, de facto está escrito:
"E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e
os outros presos os escutavam" (Actos 16:25). (O que eles fizeram é o
cumprimento do que diz Tiago: "Está alguém entre vós aflito? Ore"
[Tiago 5:13]). |
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Paulo, em Mileto, orou com os anciãos da
igreja de Éfeso antes de deixá-los, conforme está escrito: "Pôs-se de
joelhos, e orou com todos eles....E acompanharam-no até ao navio" (Actos
20:36,38). Os apóstolos oraram juntamente com os fiéis antes de deixar Tiro,
conforme está escrito: "Saímos, e seguimos nosso caminho,
acompanhando-nos todos, com suas mulheres e filhos até fora da cidade; e,
postos de joelhos na praia oramos. E, despedindo-nos uns dos outros, subimos
ao navio, e eles voltaram para suas casas" (Actos 21:5,6). Nós também
fazemos o que é justo quando oramos antes de viajar. Sabei que o pedir a Deus
uma boa viagem é confirmado pela Escritura que diz: "Então apregoei ali
um jejum junto ao rio Aava, para nos humilharmos diante da face do nosso
Deus, para lhe pedirmos uma boa viagem para nós, e para nossos filhos, e para
toda a nossa fazenda..." (Esd. 8:21). |
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Como a
igreja primitiva orou em duas particulares circunstâncias |
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Voltemo-nos ainda para a
sagrada Escritura para ver como a igreja antiga orou em duas particulares
circunstâncias. |
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Lucas escreveu: "E, soltos
eles (Pedro e João), foram para os seus, e contaram tudo o que lhes disseram
os principais dos sacerdotes e os anciãos. E, ouvindo eles isto, unânimes
levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu,
e a terra, e o mar e tudo o que neles há; que disseste pela boca de David,
teu servo: Por que bramaram as gentes, e os povos pensaram coisas vãs?
Levantaram-se os reis da terra, e os príncipes se ajuntaram à uma, contra o
Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente contra o teu Santo Filho
Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com
os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu
conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer. Agora pois,
ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com
toda a franqueza a tua palavra; enquanto estendes a tua mão para curar, e
para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Filho Jesus"
(Actos 4:23-30; Sal. 2:1,2). Examinando cuidadosamente esta oração, notamos
que os crentes, antes de tudo recordaram a Deus quem Ele era (é justo que
também nós recordemos a Deus quem Ele é, porque Deus diz: "Procura
lembrar-me; entremos em juízo juntamente" [Is. 43:26]), depois o que
Deus tinha dito por meio de Davi a respeito do seu Ungido e como o que Ele
tinha dito se cumpriu (portanto é coisa justa, quando se ora, que se citem
também versículos da Escritura). Depois de ter dito isso, pediram a Deus para
conceder aos seus servos de anunciar com franqueza a sua Palavra e de
estender a sua mão para curar e para confirmar a sua palavra com sinais e
prodígios. Alguém dirá: ‘Foi ouvida aquela oração?’ Sim, foi ouvida, porque
está escrito que "tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos,
e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com franqueza a palavra
de Deus" (Actos 4:31), e também que "muitos sinais e prodígios eram
feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos.." (Actos 5:12) e que
"até das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém,
conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos; os quais todos eram
curados" (Actos 5:16). Irmãos, aquilo que a igreja de Deus pediu naquela
altura, o deve pedir a Deus ainda hoje, porque ainda hoje é necessário que a
sua palavra seja anunciada com franqueza e que o testemunho de Cristo seja
confirmado com curas, sinais e prodígios. Não há necessidade só da franqueza,
mas também da demonstração do Espírito Santo, para que os homens se convertam
ao Senhor, portanto alçai junto conosco a vossa voz a Deus, para que Deus
acrescente o seu testemunho ao dos seus servos com sinais e prodígios, e com
dons do Espírito Santo. O nosso desejo é o de ver o Evangelho pregado com
franqueza como nos tempos antigos, mas não só, também o de ver o nosso grande
Deus confirmar a Boa Nova da paz. Hoje, nesta nação, como em muitas outras, a
fé de muitos está fundada sobre a sabedoria dos homens e não sobre o poder de
Deus, e isto porque o Evangelho, em muitos casos, não é pregado com o poder
que caracterizava as pregações dos apóstolos, mas com discursos persuasivos
de sabedoria humana. Isto, dilectos, nos deve incitar a pedir a Deus para
fazer anunciar a sua palavra com franqueza. Mas quero dizer uma outra coisa,
e é esta: a razão pela qual muitos não temem e não tremem diante da Palavra
de Deus é porque nunca foram testemunhas da verdadeira manifestação do
Espírito Santo. Alguém dirá: ‘Mas porque é que falas de verdadeira
manifestação do Espírito?’ Porque hoje no seio do povo de Deus acontecem coisas que são feitas passar pela
manifestação do Espírito, mas não são mais que uma hábil falsificação da
manifestação do Espírito, feita passar por verdadeira aos olhos dos simples e
dos que são inconstantes nos seus caminhos; muitos confundem a sugestão com a
manifestação do Espírito Santo, e a violência e as provas de força de alguns
que pregam o Evangelho, com o poder de Deus. Não é difícil encontrar
pregadores do Evangelho que dizem às multidões: ‘Concentrai-vos, imaginai
estar curados e não mais doentes’; como se a cura do corpo fosse o fruto de
uma intensa concentração ou das sugestões que alguns sabem perpetrar com os
simples. Mas não é difícil encontrar também aqueles que pregam e dão
bofetadas, socos e empurrões aos doentes deitando-os ao chão e depois dizem
que é o poder de Deus que os fez cair ao chão. E o tempo seria pouco se
falasse de todas as reuniões de evangelização onde o Evangelho é pregado só
com palavras, sem poder, sem plena convicção, e onde a ensurdecedora amplificação
sonora dá a impressão a muitos que quem prega, está pregando com poder. Mas
quero dizer também que é fácil assistir a reuniões onde é dito, ao terminar
delas, que Deus curou muitos doentes quando se orou por eles, mas depois,
quando se vai a ver de perto quem são os que disseram ter sido curados, nos
apercebemos que a maior parte deles, se não todos algumas vezes, têm ainda
aquela maleita. Estamos cansados de ouvir narrar curas que nunca aconteceram,
as quais contadas serve a alguns pregadores sem escrúpulos para fazer acorrer
pessoas às suas reuniões e a se tornarem famosos e ricos; nós queremos ver
verdadeiramente os doentes curados, os cegos recuperar a vista, os surdos
ouvir, os mudos falar, os coxos caminhar, os mortos ressuscitar, os possuidos
libertados dos demónios e os
leprosos limpos, para que os homens, vendo as obras poderosas do nosso Deus,
sejam trazidos à obediência da fé, e os fiéis tornem a caminhar no santo
temor de Deus. |
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Lucas referiu uma outra
circunstância na qual a igreja orou a Deus e foi ouvida e é aquela quando
Pedro foi preso. Ele escreve: "E por aquele mesmo tempo o rei Herodes
estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar; e matou à espada
Tiago, o irmão de João. E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou,
mandando prender também a Pedro. E eram os dias dos asmos. E, havendo-o
prendido, o encerrou na prisão, entregando-o a quatro quaternos de soldados,
para que o guardassem, querendo apresentá-lo ao povo depois da páscoa. Pedro,
pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a
Deus" (Actos 12:1-5). Como podeis ver, a igreja, quando Pedro foi preso,
não se esqueceu dele, antes começou a orar com fervor em favor de Pedro. Ora,
se bem que não venha especificado o que os santos pediram a Deus por Pedro,
também o podemos deduzir por algumas exortações que o apóstolo Paulo dirigiu
aos santos da prisão, que são estas: |
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"Me regozijarei ainda, porque sei que
disto me resultará salvação, pela vossa oração.." (Fil. 1:19) |
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"Espero que pelas vossas orações vos hei
de ser concedido" (Filem. 22). |
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Nós consideramos que os irmãos
da Igreja de Jerusalém oraram por Pedro para que ele fosse libertado da
prisão. A continua oração de que fala a Escritura, foi ouvida porque Deus
enviou um anjo para libertar Pedro das mãos de Herodes e de toda a expectação
do povo dos Judeus. Quereria sublinhar uma coisa que se lê neste relato feito
por Lucas, ou seja, quando Lucas diz que continua oração era feita pela
igreja a Deus por Pedro, quer dizer que os fiéis oravam a Deus pelo apóstolo
Pedro. Isto é confirmado da Escritura que diz que na casa de Maria, mãe de
João que tinha por sobrenome Marcos, "muitos estavam reunidos e
oravam" (Actos 12:12), portanto, podemos dizer que a igreja que estava
reunida em casa de Maria orava por Pedro. Por isso, nós não podemos chamar
“igreja”, ao edifício onde nos reunimos para render o nosso culto ao Senhor,
porque isso não encontra respaldo algum na Palavra de Deus. A casa de Deus
somos nós, conforme está escrito: "A qual casa somos nós, se tão somente
conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim"
(Hebr. 3:6), e não é de modo nenhum o local de culto, ou a habitação do irmão
onde nos reunimos para orar a Deus. Irmãos, nós, a igreja do Deus vivo,
devemos orar pelos nossos irmãos presos como malfeitores, para que Deus os
console, os mantenha firmes em Cristo, e os faça pôr em liberdade. Certo, é
verdade, houveram irmãos que foram presos por causa do Evangelho e na prisão
encontraram a morte, mas isso aconteceu porque Deus quis que morressem na
prisão, e não porque Deus não podia libertá-los das suas prisões. Um dia
saberemos também porque determinadas nossas orações não foram ouvidas por
Deus, mas na espera de vir a saber as coisas que nos estão ocultas, continuemos
a nos lembrar dos presos, também orando continuamente por eles porque Deus
quer que o façamos, conforme está escrito: "Lembrai-vos dos presos, como
se estivésseis presos com eles..." (Hebr. 13:3). |
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A que
condições serão ouvidas as nossas orações |
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O nosso Deus prometeu ouvir as
nossas súplicas com estas condições. |
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Se orarmos com fé. Jesus disse:
"E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis " (Mat.
21:22). Ora, "a fé é a certeza das coisas que se esperam" (Hebr.
11:1), portanto quando nós oramos com fé, estamos certos de obter aquilo que
pedimos a Deus. Jesus disse: "Tudo o que pedirdes orando, crede que o
recebereis, e te-lo-eis" (Mar. 11:24); também nestas palavras está
presente o facto que quando oramos devemos crer para ser ouvidos. Mas o que
devemos crer? Devemos crer ter recebido isso pelo qual oramos. Dilectos,
sabei que antes de receber se deve crer, de facto primeiro está escrito:
"Crede que o recebereis" (Mar. 11:24), e depois: "E
te-lo-eis" (Mar. 11:24). Tiago, o irmão do Senhor, na sua epístola,
confirmou as palavras de Jesus dizendo: "E, se algum de vós tem falta de
sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em
rosto, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando; porque o que
duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma
para outra parte. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa. O
homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos" (Tiago
1:5-8). Notai a ordem em que estão escritas também aqui as coisas; primeiro
está escrito: "Peça-a a Deus " (Tiago 1:5) (com fé), e depois:
"E ser-lhe-á dada" (Tiago 1:5); como podeis ver, para receber
sabedoria de Deus, é preciso pedi-la com fé, sem duvidar. Se por um lado,
quem ora a Deus com fé é ouvido, por outro, quem ora duvidando não é ouvido.
Quem duvida é inconstante em todos os seus caminhos, e é semelhante a uma
onda do mar agitada pelo vento e lançada de uma para outra parte, e Tiago diz
que quem duvida não deve pensar em receber alguma coisa do Senhor. As
palavras do apóstolo são fortes, mas ao mesmo tempo verdadeiras. Jesus, um
dia disse aos seus discípulos: "Tende fé em Deus; porque em verdade vos
digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não
duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que
disser lhe será feito" (Mar. 11:22,23). Quereria debruçar-me sobre estas
palavras do Senhor, para explicar-vos o que significa orar sem duvidar mas
crendo. Notai que Jesus disse: "E não duvidar em seu coração" (Mar.
11:23); ora, do coração procedem as fontes da vida, por isso é necessário
guardá-lo mais do que qualquer outra coisa, porque se nós oramos a Deus, não
crendo com o coração que obteremos aquilo que lhe pedimos (porque pensamos em
nosso coração que a coisa que pedimos é demasiado difícil para o Senhor e Ele
não a pode dar), nós não obteremos nada do Senhor, senão repreensão. Quando nós oramos, o nosso coração
deve estar firme, confiante no Senhor; então obteremos aquilo que pedimos a
Deus. Na oração devemos crer, não só que Deus pode fazer o que lhe pedimos
para fazer, mas também que Ele o fará, porque está escrito: "Crede que o
recebereis" (Mar. 11:24), e também: "E não duvidar em seu coração,
mas crer que se fará aquilo que diz..." (Mar. 11:23). Para explicar-vos
o que significa crer que se fará aquilo que diz, vos citarei um episódio que
aconteceu nos dias de Jesus, em Cafarnaum. Está escrito: "E, entrando
Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe, e dizendo:
Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado. E
Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. E o centurião, respondendo,
disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas diz
somente uma palavra, e o meu criado sarará; pois também eu sou homem sob
autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai;
e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faz isto, e ele o faz. E
maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos
digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé...Então disse Jesus ao
centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu
criado sarou" (Mat. 8:5-10,13). Aquele centurião romano, tendo ouvido
falar de Jesus, foi a ele rogando-lhe pelo seu criado que era paralítico, e
Jesus lhe disse que iria e o curaria, mas o centurião lhe respondeu para não
se dar àquele incómodo, porque ele não se reputava digno que ele entrasse
debaixo do seu telhado. Ele disse a Jesus para dizer somente uma palavra, e o
seu criado seria curado. A fé daquele homem foi admirável, porque não só creu
que Jesus podia curar o seu servo, mas também que o seu servo seria curado à
palavra de Cristo. Jesus viu a fé que estava nele e satisfez o seu pedido.
Notai a expressão do centurião: "Diz somente uma palavra, e o meu criado
sarará" (Mat. 8:8), porque ela está a demonstrar que ele não
duvidou em seu coração, mas creu que o
Senhor curaria o seu criado só com uma palavra. Mas notai também a resposta
que lhe deu Jesus, porque ela mostra
como ao centurião foi feito como tinha dito e crido. Não está porventura
escrito: "E não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que
diz, tudo o que disser lhe será feito" (Mar. 11:23)? A oração do justo
feita com fé não agrada ao nosso adversário, por isso, quando se ora, é
necessário resistir ao diabo, estando firme na fé. Sabei que o diabo tenta de
todas as maneiras nos fazer duvidar das promessas do Senhor para não nos
fazer ver o seu cumprimento na nossa vida; vos asseguro que quando se dobram
os joelhos diante do Deus Omnipotente e o se ora com fé, os nossos inimigos
não ficam indiferentes. Deles o diabo se usa para nos atemorizar e nos induzir a pensar que Deus não pode
ouvir-nos, que aquilo que pedimos não é mais para nós hoje, e outras coisas
nocivas; mas vós dilectos, não vos atemorizeis, porque Jesus disse:
"Tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei" (João 14:13); tende
fé nestas palavras de nosso Senhor e vereis as vossas orações ouvidas...no
tempo fixado por Deus. |
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Se guardarmos os seus mandamentos.
Jesus disse: "Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem
em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito" (João 15:7).
Também nestas palavras de nosso Senhor, há um ‘se’ no qual devemos pôr muita
atenção, porque ele nos faz perceber a que condições Deus nos dará o que lhe
pedimos. Ora, mas o que significa estar em Cristo? Estar em Cristo significa
guardar os seus mandamentos, conforme está escrito: "Aquele que guarda
os seus mandamentos nele está, e Ele nele" (1 João 3:24). Jesus disse
também: "Se... as minhas palavras estiverem em vós" (João 15:7),
portanto é necessário também que as palavras de Jesus habitem em nós para
sermos ouvidos por Deus. A tal respeito vos recordo que fazer habitar as
palavras de Cristo em nós, é um mandamento de Deus, de facto Paulo escreveu:
"A palavra de Cristo habite em vós abundantemente" (Col. 3:16);
portanto, quem não quer colocar as palavras de Cristo no seu peito não
respeita o mandamento divino, e por consequência, quando ora não será ouvido.
Alguns dizem que para que as nossas orações sejam ouvidas é necessário apenas
ter fé, mas a Escritura ensina que para obter aquilo que se pede a Deus, é
necessário também ter uma conduta justa, de facto João escreveu: "E qualquer
coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus
mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista" (1 João 3:22).
Quem pensa que também tendo uma conduta ímpia, as suas orações serão ouvidas
confia na ilusão. Hoje, são muitos aqueles que se iludem e iludem os outros
fazendo-lhes pensar que não importa como se comportam, Deus ouvirá as suas
orações, mas eu vos demonstro com as Escrituras como os que caminham segundo
a teimosia do seu coração, sem dar
ouvidos ao Senhor não são ouvidos por Deus quando oram a Deus. O apóstolo
Pedro diz: "Igualmente, vós, maridos, coabitai com elas com
entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os
seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas
orações" (1 Ped. 3:7). Que significa isto? Significa que se um marido
crente despreza a sua mulher, lhe é infiel, e não lhe mostra verdadeiro amor,
maltratando-a e ferindo-a, quando ele
orar, Deus não lhe responderá por causa da sua conduta indigna. Dilectos,
Deus não nos lisonjeia com as suas palavras; podem nos lisonjear os homens, mas não
Deus, porque Ele é santo e justo. Recordai-vos do que aconteceu a Saúl, rei
de Israel; a Escritura diz que quando os Felisteus se acamparam em Suném para
mover-lhe guerra, "consultou Saul ao Senhor,
porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por
profetas." (1 Sam. 28:6). Sabeis porque Deus não lhe respondeu?
Porque Saul não tinha observado os mandamentos que Deus lhe tinha dado pelo
profeta Samuel; Deus tinha se lhe tornado adversário e quando ele se
encontrou na angústia e consultou Deus, Ele não lhe respondeu. Ouvi agora as
palavras que Deus dirigiu aos chefes da casa de Israel através do profeta
Miquéias: "Ouvi agora vós, chefes de Jacó, e vós, príncipes da casa de
Israel: não é a vós que pertence saber o direito? A vós que aborreceis o bem,
e amais o mal, que arrancais a pele de cima deles, e a sua carne de cima dos
seus ossos, e que comeis a carne do meu povo e lhes arrancais a pele, e lhes
esmiuçais os ossos, e os repartis como para a panela e como carne no meio do
caldeirão. Então clamarão ao Senhor, mas não os ouvirá, antes esconderá deles
a sua face naquele tempo, visto que eles fizeram mal nas suas obras"
(Miq. 3:1-4). Também por estas palavras se compreende claramente que Deus não
responde aos que fazem más acções e clamam a ele nas suas angústias. Eis o
que diz a sabedoria aos escarnecedores: "Então clamarão a mim (nas suas
angústias), mas eu não responderei; de madrugada me buscarão, porém não me
acharão. Porquanto aborreceram o conhecimento; e não preferiram o temor do
Senhor: Não aceitaram o meu conselho, e desprezaram toda a minha
repreensão" (Prov. 1:28-30). Dilectos, o repito: Guardai que se nós não
damos ouvidos a Deus, também Ele não nos dará ouvidos a nós. Sabeis como se
conduziam os Israelitas durante o tempo no qual viveram Isaías, Jeremias e
Ezequiel? Desta maneira; eles desprezavam pai e mãe, oprimiam o estrangeiro,
pisavam o orfão e a viúva e o pobre, caluniavam com a sua língua, cometiam
adultérios e incestos, emprestavam dinheiro por interesse e usura, roubavam,
matavam, se prostravam diante dos ídolos das nações e lhes ofereciam perfumes
e sacrificios, e depois de tudo isso encontravam também a coragem de se
apresentarem nos átrios do Senhor para orar. Mas Deus respondeu-lhes:
"Quando multiplicais as vossas orações, não as ouço...porque as vossas
mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniquidade; os vossos
lábios falam falsamente, a vossa língua pronuncia perversidade" (Is. 1:15; 59:3). Os
Israelitas pensaram que também caminhando seguindo o seu coração teimoso,
Deus ouviria as suas orações, mas este seu pensamento resultou vão. Também
hoje, no seio do povo de Deus, alguns entretêm no seu coração o mesmo
pensamento vão, iludindo-se. Vos digo aquilo que sucede: Alguns que dizem ter
crido, pisam o orfão, a viúva e o pobre, roubam o seu irmão nos negócios, exaltam nos seus corações os mais
variados ídolos, ferem impiamente com soco, enganam o seu próximo com
mentiras, vão descobrir a sua nudez sobre a praia, permanecem plantados
diante da televisão por horas e horas apascentando o olhar de vaidade e
obscenidade, vão aos parques de diversão, nas salas de dança e ao cinema
gastar o fruto do seu trabalho no que não sacia; servem Mamom, e depois vão
ao culto e oram a Deus, dizendo-lhe: ‘Senhor, nós te amamos, responde-nos, e
nós daremos a glória devida ao teu nome’. Mas que pensais? Que Deus possa se
negar a si mesmo? Que Deus seja injusto e responda a pessoas que com a boca
fazem mostra de muito amor, mas o seu coração vai atrás da cobiça? A
Escritura diz: "O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua
oração será abominável" (Prov. 28:9), e também que "o que tapa o
seu ouvido ao clamor do pobre, ele mesmo também clamará e não será
ouvido" (Prov. 21:13). Estas palavras nunca se afastem dos vossos olhos,
para que ninguém vos seduza com vãos argumentos. Quando a Escritura diz que
"a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos" (Tiago
5:16), quer dizer que pode muito a oração da fé daquele que observa os
mandamentos de Deus, porque o justo é aquele que além de ter sido justificado
pela graça de Deus, faz o que é justo aos olhos de Deus, observando os seus
mandamentos. Ouvi o que disse Deus através de Ezequiel: "Se um é justo e
pratica a equidade e a justiça, se não come sobre os montes e não levanta os
olhos para os ídolos da casa de Israel, se não contamina a mulher do seu
próximo, se não se achega à mulher enquanto é impura, se não oprime ninguém,
se dá ao devedor o seu penhor, se não rouba, se dá o seu pão a quem tem fome
e cobre com vestido o nu, se não empresta por interesse e não dá por usura,
se desvia a sua mão da iniquidade e julga segundo a verdade entre homem e
homem, se segue as minhas leis e observa as minhas pescrições obrando com
fidelidade, o tal é justo.." (Ez. 18:5-9). Lendo estas palavras, nós
chagamos à conclusão que o justo é aquele que está em Cristo, e no qual estão
as palavras de Cristo, portanto as palavras de Tiago: "A oração feita
por um justo pode muito em seus efeitos" (Tiago 5:16) confirmam
plenamente as de Jesus: "Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras
estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito" (João
15:7). Certo, se por um lado podemos dizer que a oração da fé do justo pode
fazer muito, por outro devemos dizer que a oração de quem recusa obedecer a
Deus não pode fazer nada. Irmãos, examinemos atentamente os nossos caminhos e
"purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando
a santificação no temor de Deus" (2 Cor. 7:1), como diz Paulo; digamos a
verdade ao nosso próximo, façamos o bem atentemos para ele, fortaleçamos a
mão do pobre e do necessitado repartindo com ele dos nossos bens materiais e
amemo-nos uns aos outros sinceramente, lançando para longe de nós as
hipocrisias, e então estaremos seguros de ser ouvidos por Deus e de receber
d`Ele todas as coisas que lhe pedirmos. |
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Se lhe pedirmos coisas para nós que são da
sua vontade. João diz: "E esta é a confiança que temos nele,
que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se
sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as
petições que lhe fizemos" (1 João 5:14,15). Irmãos, quando Jesus disse:
"Pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito" (João 15:7), não
tinha intenção de dizer que, não importa o que pedimos ou porque motivo a
pedimos, porque a receberemos de certo. Sabei que as coisas que queremos
devem ser segundo a vontade de Deus, para que as recebamos. Tiago diz aos que
não são ouvidos por Deus porque nos seus corações têm em mira a iniquidade:
"Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos
deleites" (Tiago 4:3). Como podeis ver, quando os pedidos apresentados a
Deus não são de acordo com a vontade de Deus, eles não são satisfeitos por
Deus. Ora, Deus quer que nós peçamos a Ele coisas boas, mas se Ele vê que nós
pedimos mal (isto é, se vê que nós lhe pedimos coisas para utilizar depois
mal), então não nos satisfaz. Estou seguro que se tu temes a Deus e tremes
diante da sua palavra, e procuras governar bem a tua família, criando os teus
filhos na admoestação do Senhor, e um dia um dos teus filhos viesse a ti e
dissesse: ‘Papá, dá-me dinheiro porque
quero ir ao cinema’, tu não lhe darás o que te pede, mas o repreenderás
severamente. Mas porque não lhe darás o que te pede? Porque te pediu mal para
gastar nos seus deleites. Ponhamos o caso que a tua mulher, passando junto de
uma joelharia te diga: ‘Quero começar a usar jóias, para te agradar mais;
peço-te, compra-me um colar de ouro e brincos de ouro?’ Que farás irmão que
temes Deus e sabes que o que ela te está pedindo para comprar, Deus não quer
que se use? Por certo não consentirás ao seu pedido, mas não porque não a
amas, mas exactamente porque a amas, como Cristo amou a Igreja. Ora, se tu
que temes a Deus não consentirás a certos pedidos daqueles da tua casa,
porque é que Deus, que é santo e justo, deveria satisfazer certos pedidos de
alguns da sua família que não são segundo a sua vontade? Os que pedem e não
recebem, porque pedem mal para gastar nos seus deleites, são aqueles que amam
o mundo e as coisas que são do mundo, os quais, indo atrás das
concupiscências da carne e das concupiscências dos olhos e tendo-se
ensoberbecido em seus corações, tornaram-se inimigos de Deus, o qual lhes
resiste na cara. |
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É necessário dizer também que
há algumas orações feitas a Deus que não são ouvidas não porque quem as faz
seja injusto, amante dos deleites e soberbo, mas porque Deus decretou fazer
doutro modo, e aquelas petições não são segundo a sua vontade (embora aquelas
orações sejam feitas com fé e com sinceridade de coração). A Escritura nos
ensina que Jesus Cristo, no Getsêmani, antes de ser preso, orou ao seu Pai e
disse: "Aba, Pai! Todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este
cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres" (Mar.
14:36). Lucas diz que Jesus orou dizendo: "Pai, se queres, passa de mim
este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua" (Lucas
22:42). Como poderia Deus afastar aquele cálice de Jesus, quando ele mesmo
tinha antes preestabelecido que o seu Ungido sofresse e fosse crucificado?
Reconhecei irmãos que ‘afastar aquele cálice de Jesus’, não entrava de modo
nenhum no plano de Deus. Seja glorificado Deus porque qualquer que seja a sua
vontade para nós, ela é para o nosso bem e para o dos outros; é verdade, nós
sofremos quando Deus não nos satisfaz em alguma coisa que lhe pedimos porque
não é segundo a sua vontade, mas ao fim devemos sempre reconhecer que se Deus
não nos satisfez quando o queriamos nós ou como queriamos nós, e se não nos
deu aquela coisa particular, mas uma outra, Ele o fez exclusivamente para o
nosso bem. |
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O apóstolo Paulo escreveu:
"E, para que me não exaltasse pela excelência das revelações, foi-me
dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me
esbofetear, a fim de me não exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor
para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o
meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Cor. 12:7-9). Também neste caso,
como Paulo orou a Deus para fazer uma coisa que Deus não queria fazer, assim
não foi ouvido por Deus; mas tudo isso pelo seu bem, para que permanecesse
humilde e não se exaltasse. Caros irmãos, quando nós dizemos: ‘Seja feita a
vontade do Senhor’ queremos dizer que estamos dispostos a fazer a vontade de
Deus mesmo se ela não corresponde à nossa: portanto quando recebemos do
Senhor uma resposta ‘negativa’ ou uma resposta que não corrresponde às nossas
expectativas, não nos lamentemos, mas aceitemo-la com gratidão e submissão,
sabendo que Deus é mais sábio do que nós e sabe perfeitamente o que é pelo
nosso bem. |
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Moisés um dia, recordando a
Israel as coisas que tinham acontecido durante a viagem no deserto, disse:
"Também eu pedi graça ao Senhor no mesmo tempo (depois que Deus deu em
poder de Israel Siom, rei de Hesbom e Ogue, rei de Basã), dizendo: Ó Senhor,
o Eterno! Já começaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a tua forte
mão; porque, que Deus há nos céus e na terra, que possa obrar segundo as tuas
obras, e segundo a tua fortaleza? Rogo-te que me deixes passar, para que veja
esta boa terra que está dalém do Jordão, esta boa montanha, e o Líbano! Porém
o Senhor indignou-se muito contra mim por causa de vós, e não me ouviu, antes
me disse: Basta; não me fales mais neste negócio. Sobe ao cume de Pisga, e
levanta os teus olhos ao ocidente, e ao norte, e ao sul, e ao oriente, e vê
com os teus olhos; porque não passarás este Jordão...." (Deut. 3:23-27).
Ora, Deus tinha dito a Moisés e a Arão, nas águas de Meribá (depois que
Moisés feriu a rocha duas vezes em vez de falar como Deus lhe tinha
ordenado): "Porquanto não me crestes a mim, para me santificar diante
dos filhos de Israel, por isso não metereis esta congregação na terra que
lhes tenho dado" (Num. 20:12), portanto Moisés conhecia o decreto de
Deus, mas também quis suplicar-lhe para que lhe fosse concedido passar o
Jordão. Deus, porém, desta vez não o ouviu; no entanto Moisés era um homem
muito manso, um homem com quem
Deus falava face a face, um homem de quem Deus deu este testemunho: "É
fiel em toda a minha casa" (Num. 12:7). |
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Também o profeta Elias numa
ocasião não foi ouvido por Deus, vejamos qual. A Escritura diz: "E Acabe
fez saber a Jezabel tudo quanto Elías havia feito, e como totalmente matara
todos os profetas à espada. Então Jezabel mandou um mensageiro a Elías, a
dizer-lhe: Assim me façam os deuses, e outro tanto, se de certo amanhã a
estas horas não puser a tua vida como a de um deles. O que vendo ele, se
levantou, e, para escapar com vida, se foi, e veio a Berseba, que é de Judá,
e deixou ali o seu moço. E ele se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio,
e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu em seu ânimo a morte, e disse: Já
basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus
pais!..." (1 Re 19:1-4), mas Deus não lhe arrebatou a sua alma e não o
fez morrer como ele tinha pedido, porque Deus tinha estabelecido transportá-lo para o céu sem lhe fazer ver
a morte, e também porque Elias tinha ainda que cumprir serviços para o
Senhor, de facto quarenta dias depois, no monte Horebe, Deus lhe disse:
"Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e vem, e unge a
Hazael rei sobre a Síria. Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel;
e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu
lugar..." (1 Re 19:15,16). |
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Também o rei Davi, numa ocasião
não foi ouvido por Deus. A Escritura diz que depois que Davi cometeu
adultério com Bate-Seba e lhe fez morrer o marido, Deus enviou Natã a Davi
para anunciar-lhe os seus juízos sobre ele e a sua casa. Natã, entre outras
coisas, disse a Davi: "O filho que te nasceu certamente morrerá" (2
Sam. 12:14). "E o Senhor feriu a criança que a mulher de Urias dera a
Davi, e adoeceu gravemente. E buscou Davi a Deus pela criança; e jejuou Davi,
e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra" (2 Sam. 12:15,16).
Mas Deus não o ouviu porque "sucedeu que ao sétimo dia morreu a
criança" (2 Sam. 12:18). Também neste caso, Deus poderia se render às
orações de Davi, mas Ele recusou ouvi-lo. Que diremos, depois de ter citado
estes exemplos de orações não ouvidas por Deus? Porventura que Deus é injusto
e impiedoso? Assim não seja. Nós sabemos e proclamamos que Deus é justo e
cheio de compaixão; mas não só quando nos ouve, mas também quando não nos
ouve. |
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Deus quer nos dar coisas boas, disto estamos certos; mas ele quer também
que nós lhe as peçamos, de facto Jesus disse: "Pedi..." (Mat.
7:7) e também: "Se vós pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos
vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará coisas boas aos
que lhe pedirem? " (Mat. 7:11). Vede irmãos, o facto de Deus conheçer as
coisas das quais nós temos necessidade, antes de lhe pedirmos, não significa
que não há necessidade de nós lhe as pedirmos, doutra forma Jesus não nos
teria ordenado de pedir. Portanto, também o pedir é uma ordem e não algo de
facultativo. O Senhor ordenou pedir e prometeu dar aos que lhe pedem, de
facto Jesus disse: "Pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se
cumpra" (João 16:24). Nós testificamos a veracidade destas palavras,
porque as experimentamos muitas vezes; todas as vezes que nos encontramos em
necessidade, o nosso coração desfalece, mas depois que pedimos a Deus para
suprir à nossa necessidade e que recebemos o que lhe tinhamos pedido, ele se
encheu de grande alegria, tanto de fazer-nos exclamar a Deus: "Puseste
alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se multiplicaram o trigo
e o vinho deles" (Sal. 4:7). Sim, o Senhor é fiel, e ainda hoje vela
sobre a sua palavra para cumpri-la. Alguem dirá: ‘Mas o que posso e devo
pedir a Deus?’ Tudo aquilo de que tens necessidade, porque está escrito:
"Não estejais inquietos por coisa alguma, antes as vossas petições sejam
em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica.." (Fil. 4:6), e
ainda: "Humilhai-vos pois debaixo da potente mão de Deus, para que a seu
tempo vos exalte; lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem
cuidado de vós" (1 Ped. 5:6,7). Dilectos, sabei que Deus, não só sabe as
coisas de que vós tendes necessidade, mas quer também suprir a todas as
vossas necessidades (segundo as suas riquezas e com glória), porque Ele tem
cuidado de vós. Não penseis que Deus esteja longe de vós e que não lhe
interessa nada de vós, e nem ainda penseis que haja alguma coisa que Ele não
possa fazer por vós. O nosso Deus a quem servimos é grande "e a sua
grandeza inescrutável" (Sal. 145:3); "imenso é o seu poder" (Sal. 147:5), por isso achegai-vos
com plena confiança ao seu trono, recordando que foi Ele que formou e plantou
os ouvidos no homem (portanto não pode não ouvir-vos quando lhe orais), e
também que foi ainda Ele que fez os céus, a terra, o mar e todas as coisas
que há neles (portanto não há alguma coisa demasiado difícil para Ele). Paulo
escreveu que Deus é "Aquele que é poderoso para fazer tudo muito mais
abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em
nós opera" (Ef. 3:20); ah!... que Deus ilumine os olhos do nosso
coração, para que saibamos "qual a sobreexcelente grandeza do seu poder
sobre nós, os que cremos" (Ef. 1:19)! Agora quero dizer-vos o que muitos
pediram e receberam. |
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