Capítulo 6

A vinda do Senhor, Armagedom, o milénio e a prova final, a sorte dos iníquos na ressurreição, os novos céus e a nova terra

 

A VINDA DO SENHOR 

A doutrina das Testemunhas de Jeová 

Segundo as Testemunhas de Jeová Jesus Cristo voltou de maneira invisível em 1914, e entrou no santuário celestial quatro anos depois, em 1918. Desde esse ano, isto é, desde 1914 começaram os últimos dias que culminarão na batalha de Armagedom e o fim deste sistema de coisas, depois começará o milénio. Mas como fazem elas para afirmar que Cristo voltou de maneira invisível precisamente em 1914? E que desde esse ano, no espaço de uma geração haverá o fim deste sistema de coisas e o início do milénio? Vejamo-lo brevemente. Elas começam por dizer que Jesus após ter dito: "Jerusalém será pisada pelos Gentios, até que os tempos dos Gentios se completem" (Lucas 21:24), disse também: "E então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória" (Lucas 21:27); o que significa que o fim dos tempos dos Gentios devia ser seguido pela inesperada revelação de Jesus Cristo. A este ponto fazem os seguintes cálculos aritméticos usando-se de alguns números e datas para fazer perceber que os tempos dos Gentios terminaram em 1914. Jerusalém começou a ser pisada em 607 a. C porque nesse ano a cidade foi destruída pelos Babilónios e o seu monarca exilado. Desde essa data deviam passar sete tempos ou sete anos que em dias ascendem a 2.520 (tornam-se 2520 porque a eles a Torre de Vigia aplica as palavras que Deus disse a Ezequiel "cada dia por um ano" [Ez. 4:6]), antes que Cristo, o descendente de Davi herdeiro ao trono, recebesse ‘a autoridade real sobre o mundo da humanidade’, mas ‘não como rei sobre um trono terrestre na cidade de Jerusalém, mas como rei celestial’ (A Sentinela, 15 de Maio de 1975, pag. 293) porque Jerusalém representa a soberania de Deus. Mas de onde tomam estes sete tempos? Do sonho que Nabucodonosor teve enquanto reinava sobre Babilónia, no qual Deus lhe mostrou que lhe tiraria o reino por sete tempos até que ele não reconhecesse que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. Após ter isto dito eis a conclusão a que chegam as Testemunhas de Jeová: ‘De Outubro de 607 a. E.C, ao Outubro do ano 1 a. E.C há 606 anos inteiros; de Outubro do ano 1 a. E.C ao Outubro do ano 1 E.C há um ano; e do Outubro do ano 1. E.C ao Outubro de 1914 E.C há 1913 anos. Somando estas cifras (606 + 1 + 1913), temos 2520 anos. Os ‘sete tempos’ acabaram pois em Outubro de 1914 E.C, e foi então que, embora invisível aos olhos humanos, Jesus Cristo recebeu o domínio sobre o mundo da humanidade’ ( op. cit., pag. 293) [ 1 ]. Para sustentar depois que Jesus devia voltar de maneira invisível a Torre de Vigia afirma que o próprio Jesus declarou que quando voltasse ninguém o veria porque ele disse: "Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais..." (João 14:19). Aliás - elas dizem - Jesus não ressuscitou porventura como espírito? Por isso ninguém o podia ver. Mas a Torre de Vigia explica também como se faz para reconhecer que a ‘presença’ de Cristo teve início em 1914, e o faz nestes termos: ‘Numa ocasião em que Jesus estava só com quatro seus seguidores, estes lhe perguntaram: "Qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas? Jesus não lhes deu uma data. Descreveu antes uma série de acontecimentos e tendências mundiais que permitiriam aos seus seguidores saber que a sua ‘presença’ espiritual tinha começado. A sua profecia diz: Nação se levantará contra nação e reino contra reino, e haverá escassez de víveres e terremotos num lugar após outro’. Depois acrescentou: Todas essas coisas são um princípio das dores de aflição (...) A sua profecia foi notavelmente cumprida pelas guerras mundiais que rebentaram a partir de 1914...’ ( A Sentinela, 1 de Outubro de 1984, pag. 5). A razão pela qual todos estes acontecimentos funestos começaram a verificar-se desde 1914 em diante é porque nesse ano no céu houve uma batalha ainda maior na qual Miguel e os seus anjos combateram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos foram derrotados; e dado que o dragão foi lançado na terra (citam a tal propósito Apocalipse 12:7-9), enfurecido, sabendo que já tem pouco tempo, então ele começou a perturbar a humanidade com todos esses males. Mas toda esta era de confusão e de violência, começada em 1914 por causa da descida de Satanás à terra, há-de durar pouco para a Torre de Vigia; exactamente uma geração, porque Jesus disse: "Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam" (Mat. 24:34). Depois começará o Milénio precedido pela batalha de Armagedom. A respeito desta geração não nos é dito porém exactamente de quantos anos seja a duração; seja como for, o Milénio está às portas, iminente para a Torre de Vigia. A este ponto para tornar completa a exposição da doutrina sobre a segunda presença de Cristo cumprida em 1914, é preciso explicar o que as Testemunhas de Jeová entendem por Reino de Deus porque a ‘volta invisível’ de Cristo está estreitamente ligada à sua doutrina sobre o reino de Deus. Vejamos, pois, o que elas ensinam sobre o reino de Deus, isto é, no que ele consiste e quando foi instaurado por Cristo. No seu livro Make sure of all things (Certificai-vos de todas as coisas) lê-se: ‘O Reino de Deus é um supremo governo teocrático dotado de plenos poderes (Sovereign - empowered theocratic government) sob uma administração de Reis divinamente designados. O próprio Jehovah é o grande Rei Eterno (...) Ele se associou como co-regente ao seu Filho Cristo Jesus. Deus constituiu o Reino como a capital ou a parte governante da sua organização universal. Ele é composto pelo Rei Cristo Jesus e 144.000 reis associados tomados do meio dos homens. Ele é inteiramente celestial, não tendo nenhuma parte terrena. Todos os seus membros devem ser ressuscitados e receber corpos de espírito’ (Make Sure of All Things , 1953 (edição revista em 1957), pag. 226). Como podeis ver o Reino de Deus para as Testemunhas de Jeová é um Reino através do qual Deus com Cristo e os 144.000 governa a organização da Torre de Vigia. Só 144.000 pessoas portanto formam este reino; e antes de entrar a fazer parte dele devem morrer, e ser ‘ressuscitadas’. Em outras palavras, até o restante dos 144.000 não pertencerão ao Reino de Deus senão depois de morrerem e ‘ressuscitarem’. Este Reino, segundo as Testemunhas de Jeová, foi predito por Deus à serpente quando lhe disse: "Esta [descendência] te ferirá a cabeça" (Gen. 3:15)! E este reino prometido no jardim do Éden debaixo do Antigo Testamento, foi prefigurado por meio do Reino de Israel. Quando Cristo apareceu, o Reino, segundo elas, não foi estabelecido, porque Jesus dizendo: "O reino de Deus está próximo" (Mar. 1:15) quis dizer apenas que o rei deste reino estava presente no meio deles. Mas então quando foi estabelecido este reino? Quando Jesus ascendeu ao céu? Não, porque a sua ascensão foi apenas o início de um período de espera em vista do estabelecimento do Reino de Deus: ‘Jeová o Rei da eternidade está nos dizendo que, por certo período depois que o seu Rei ou Juiz ungido Cristo Jesus tivesse subido aos céus este permaneceria inactivo quanto ao estabelecimento do Reino; mas ao chegar o tempo designado Jeová o comissionaria para sair e dominar’ (Seja Deus verdadeiro , pag. 283). E este tempo chegou - segundo elas - em 1914, de facto elas afirmam que ‘Cristo Jesus foi entronizado como Rei de Jeová no Outono de 1914’ (op. cit. , pag. 283). Portanto, para as Testemunhas de Jeová, Cristo começaria a reinar apenas em 1914. Mas que aconteceu nesse ano? As Testemunhas de Jeová dizem que Cristo voltou, mas na verdade é também impróprio falar de volta de Cristo, porque na verdade mais que de uma volta se tratou de uma espécie de promoção que Cristo teria recebido de Deus tendo sido posto a governar a sua organização universal. É depois necessário dizer que para a Torre de Vigia o reino de Cristo um dia terminará. Quando? No fim do milénio: ‘Também o apóstolo Paulo descreve o domínio de Cristo durante a sua presença. Após ter ressuscitado os seus seguidores, Cristo se prepara para reduzir ‘a nada todo governo, e toda autoridade e poder’ (logicamente todo governo, toda autoridade e poder que se opõe à soberana vontade de Deus). Portanto, no fim do Reino milenário, entrega ‘o reino ao seu Deus e Pai’ (Estudo Perspicaz das Escrituras , vol. II, pag. 735). Como dissemos antes, juntamente com Cristo começaram a reinar sobre a organização universal também os 144.000, ou melhor, aqueles dos 144.000 que tinham morrido. Mas estes começaram a reinar no céu só alguns anos depois de 1914, mais precisamente em 1918, pouco tempo depois de Cristo ter purificado o seu templo espiritual na primavera desse ano, templo que é dito ser a organização terrena das Testemunhas de Jeová: ‘Na Primavera de 1918 veio como Mensageiro de Jeová ao templo e começou o juízo primeiro da "casa de Deus" e depois das nações deste mundo’ (Seja Deus verdadeiro , pag. 284) [ 2 ]. Mas como puderam começar a reinar com Cristo no céu? Ressuscitando com uma ressurreição semelhante à de Cristo (tende presente que para as Testemunhas de Jeová Cristo não ressuscitou com o seu corpo mas com um corpo espiritual e invisível) e indo para o céu. A partir desse ano todas as vezes que morreu um destes 144.000 ele ressuscitou de maneira invisível e foi para o céu alcançar os precedentes. Naturalmente esta ‘ressurreição’ a experimentarão também os próximos membros dos 144.000 quando morrerem. 

Confutação

O Senhor Jesus deve ainda voltar e a sua volta será visível  

Antes de tudo deve ser dito que a data da destruição de Jerusalém não é 607 a. C mas 586 a. C; depois é completamente errado dar aos sete tempos presentes no sonho que Nabucodonosor teve a interpretação que vimos acima, ou seja, que os sete tempos indicam a duração do tempo que passaria desde a destruição de Jerusalém ao restabelecimento do reino celestial por obra de Deus, porque aqueles sete tempos se referiam exclusivamente ao rei Nabucodonosor. De facto, depois que Deus lhe tirou o reino passaram sete tempos, ou seja, sete anos antes que ele fosse restabelecido no seu reino; isto o diz o próprio Nabucodonosor nestes termos: "Ao fim daqueles dias eu, Nabucodonosor, levantei ao céu os meus olhos, e voltou a mim o meu entendimento... e para a glória do meu reino voltou a mim a minha majestade e o meu resplendor" (Dan. 4:34,36). Cumpriu-se assim aquilo que Daniel lhe tinha dito quando tinha dado a interpretação do sonho: "É o decreto do Altíssimo, que é vindo sobre o rei, meu senhor" (Dan. 4:24). 

E depois é também errado afirmar que aqueles sete tempos indicam 2520 anos com base nas palavras de Ezequiel porque se se ler atentamente o que disse Deus a Ezequiel se verá que Ele lhe impôs, primeiro deitar-se sobre o seu lado esquerdo por trezentos e noventa dias para levar assim a iniquidade da casa de Israel e depois lhe impôs deitar-se sobre o seu lado direito por quarenta dias para levar a iniquidade da casa de Judá, e isto porque Deus tinha decidido impor-lhe um dia por cada ano de iniquidade tanto da casa de Israel como da casa de Judá conforme lhe tinha dito: "Pois eu fixei os anos da sua iniquidade, para que eles te sejam contados em dias..." (Ez. 4:5). E depois, prossigamos, com base em quê a Torre de Vigia diz que a árvore representa a soberania de Deus a nível mundial que é por sua vez representada por Jerusalém? Mas não é porventura suficientemente clara a interpretação que deu dela Daniel a Nabucodonosor: "A árvore que viste, que cresceu, e se fez forte, cuja altura chegava até o céu, e que era vista por toda a terra; cujas folhas eram formosas, e o seu fruto abundante, e em que para todos havia sustento, debaixo da qual os animais do campo achavam sombra, e em cujos ramos habitavam as aves do céu; és, tu, ó rei, que cresceste, e te fizeste forte; pois a tua grandeza cresceu, e chegou até o céu, e o teu domínio até a extremidade da terra" (Dan. 4:20-22)? Mas que vão pois papagueando estes? 

Vejamos agora a vinda de Cristo, ou melhor, como a chama a Torre de Vigia ‘a sua presença’ que segundo elas se cumpriu em 1914. O que elas dizem a respeito da vinda de Cristo é falso, porque Cristo até hoje tem reinado à direita do Pai assentado sobre o seu trono, e ainda não voltou. Nós aguardamos ainda a sua gloriosa aparição. As seguintes Escrituras afirmam de que maneira Jesus voltará do céu. 

Ÿ Da mesma maneira em que ele foi para o céu. Está escrito no livro dos Actos dos apóstolos: "Tendo ele dito estas coisas, foi levado para cima, enquanto eles olhavam, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. Estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles apareceram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais aí olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi elevado para o céu, há-de vir assim como para o céu o vistes ir" (Actos 1:9-11). Portanto, como Jesus foi visto ir para o céu por aqueles que estavam presentes na sua ascensão, assim, na sua volta, será visto voltar do céu, mas desta vez não será visto apenas por um pequeno número de pessoas como na sua ascensão mas por todos, conforme está escrito: "Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém" (Ap. 1:7). [ 3 ].

Ÿ Com glória e com poder. Em Mateus a respeito da volta de Cristo está escrito: "Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus" (Mat. 24:30-31). 

Como vimos antes, as Testemunhas de Jeová para sustentar esta doutrina segundo a qual quando Jesus voltasse os mortais não o veriam (de facto elas dizem que ninguém viu Jesus quando voltou em 1914!) se apoiam na sua outra doutrina citada antes, que Jesus não ressuscitou como homem mas como ser espiritual e, por conseguinte, na sua vinda ninguém o viu, e nas seguintes palavras de Jesus: "Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais" (João 14:19). Já confutamos o que elas dizem a respeito da ressurreição de Jesus, vamos portanto agora explicar as referidas palavras de Jesus a fim de demonstrar pela enésima vez como as Testemunhas de Jeová entendem e interpretam mal as Escrituras. Ora, para entender correctamente o que Jesus quis dizer aos seus discípulos é necessário recordar-se a circunstância em que ele lhes disse estas palavras e também as palavras que vêm logo depois que são: "Mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis" (João 14:19). Jesus estava para ser preso e levado para ser flagelado e a seguir crucificado; ele sabia que depois de morto o mundo não o veria mais porque ele não se apresentaria vivo aos incrédulos mas aos crentes e, de facto, lendo as aparições de Jesus no tempo que intercalou entre a sua ressurreição e a sua ascensão nota-se que ele apareceu aos seus discípulos que tinha escolhido e às mulheres que tinham crido nele, e não à gente do mundo. Por isso ele disse que dali a pouco o mundo não o veria mais. Queria que notásseis que Jesus disse também aos seus discípulos que eles não o veriam mais dali a pouco, de facto mais adiante ele disse-lhes: "Um pouco, e não me vereis" (João 16:16); porque sabia que também os seus discípulos não o veriam mais vivo quando morresse. Mas enquanto Ele disse que o mundo não o veria mais, disse que os seus discípulos o veriam dali a pouco, de facto primeiro disse-lhes: "Mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis" (João 14:19), e depois também: "E outra vez um pouco, e ver-me-eis; porquanto vou para o Pai" (João 16:16). Os discípulos de Jesus quando ouviram dizer ao Mestre: "Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis; porquanto vou para o Pai" (João 16:16), não compreenderam o que ele queria dizer e Jesus lho explicou. Encontramos tudo isto nas seguintes palavras de João: "Então alguns dos seus discípulos disseram uns aos outros: Que é isto que nos diz? Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis; e: Porquanto vou para o Pai? Diziam, pois: Que quer dizer isto: Um pouco? Não sabemos o que diz. Conheceu, pois, Jesus que o queriam interrogar, e disse-lhes: Indagais entre vós acerca disto que disse: Um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis? Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo. Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará" (João 16:17-22). E, de facto, isto foi o que aconteceu, os discípulos quando Jesus foi morto se lamentaram mas quando Jesus lhes apareceu no primeiro dia da semana "se alegraram" (João 20:20). 

Irmãos, vos exorto a vos guardardes desta diabólica doutrina das chamadas Testemunhas de Jeová lembrando-vos as seguintes palavras de Jesus Cristo: "Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem" (Mat. 24:25-27). E vos exorto também a vos guardardes de todos aqueles que, fazendo cálculos matemáticos com alguns números escritos na Palavra de Deus, pretendem saber o dia, o mês ou o ano, ou a década em que Jesus voltará do céu. Jesus disse que "daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai" (Mat. 24:36); portanto não vos movais do vosso entendimento, nem vos perturbeis por causa dos discursos pomposos destes faladores vãos. Dirijo-vos as palavras que Jesus dirigiu aos seus discípulos antes de morrer: "Acautelai-vos, que ninguém vos engane" (Mat. 24:4).  

Prosseguindo nesta confutação, é preciso dizer que é errado também afirmar que em 1914 o diabo foi lançado do céu, e é por isso que desde esse ano ocorreram as guerras mundiais, os terremotos e as pestilências e fomes; em primeiro lugar porque ainda antes de 1914 houveram na terra muitas guerras entre as nações e também de grandes dimensões que fizeram centenas de milhares de vítimas; e com as guerras muitas fomes e terremotos que ceifaram muitas vítimas; portanto as coisas que estão a suceder desde 1914 não são particulares deste ponto de vista. E, em segundo lugar, Jesus não disse aos seus discípulos que eles reconheceriam que a sua presença se tinha cumprido de maneira invisível pelos sinais que lhes enumerou, mas lhes disse que reconheceriam que o tempo da sua vinda estava próximo quando vissem todas essas coisas suceder, de facto ele disse-lhes: "Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas" (Mat. 24:33); e não ‘sabei que ele veio’ ou ‘sabei que ele já está presente’. Tanto é que para explicar tudo isto contou aos seus discípulos esta parábola: "Olhai para a figueira, e para todas as árvores; quando já têm rebentado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão" (Lucas 21:29-30). Não é porventura verdade que quando a figueira e as árvores começam a rebentar nós, vendo-as, reconhecemos que o verão já está às portas ou perto? Certo, de facto observando os seus rebentos nós dizemos que o verão está para chegar. Mas, não que ele já chegou. Portanto o discurso que faz a Torre de Vigia a respeito deste sinal da sua vinda (elas traduziram presença para fazer crer que Jesus já voltou de maneira invisível; sobre isto voltaremos mais adiante) é arbitrário, de uma formidável astúcia, mas infelizmente muitos creram nesta mentira e crêem que desde 1914 tenha começado a contagem decrescente para Armagedom e o início do Milénio, tudo coisas que acontecerão segundo as suas previsões no espaço de uma geração! E depois, irmãos, lembrai-vos que a batalha entre Miguel e os seus anjos e o Dragão e os seus anjos que João viu no céu é um evento que ainda deve verificar-se. 

Concluindo: pela maneira em que as Testemunhas de Jeová chegaram a estabelecer 1914 como data da vinda de Cristo e o início da geração que precede o fim do mundo, se aprende como aqueles que tomam prazer em estabelecer os tempos e os momentos que dizem respeito a eventos futuros recorrem a toda a arbitrária interpretação de eventos bíblicos e a cálculos numéricos errados. 

O Reino de Deus foi estabelecido por Cristo quando Ele esteve na terra  

Nós crentes rejeitamos a doutrina sobre o reino de Deus da Torre de Vigia porque antes de tudo a Escritura nos ensina que quando Cristo apareceu na terra estabeleceu o Reino de Deus na terra, e este Reino continuou a subsistir desde aquele dia. Jesus disse um dia a Fariseus que lhe perguntavam quando viria o reino de Deus: "O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós" (Lucas 17:20-21), portanto não só o Rei mas também o Reino de Deus estava no meio do povo de Israel. E isto é confirmado também pelas palavras que Jesus ordenou aos seus discípulos dizer àqueles que os rejeitassem: "Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós" (Lucas 10:11). E por quem era formado este reino que Cristo estabeleceu na terra? Por todos aqueles que criam nele. Hoje ainda este reino é formado por todos aqueles que creram em Cristo Jesus porque João diz que Cristo "nos fez ser um reino..." (Ap. 1:6). Mas então o que dizer do raciocínio feito pelas Testemunhas de Jeová segundo o qual o reino de Deus não é parte deste mundo porque Jesus disse que o seu reino não era deste mundo, pelo que não pode ser na terra? Diremos que este raciocínio é verdadeiro mas não sem porém fazer algumas precisões sobre o significado que tem o termo Reino de Deus a fim de evitar que se pense que na terra não haja o reino de Deus e que as Testemunhas de Jeová têm razão em tudo o que elas dizem a respeito do Reino de Deus. Ora, é claro que por reino de Deus se entende um reino celestial, de facto Pedro diz: "...assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Ped. 1:11), e Paulo no fim da sua carreira dizia: "O Senhor me livrará de toda má obra, e me levará salvo para o seu reino celestial" (2 Tim. 4:18). Portanto quando Jesus disse que o seu reino não era deste mundo se referia ao seu reino celestial. Mas é preciso também ter presente que nós crentes já estamos no reino de Cristo, de facto Paulo diz aos Colossenses que Deus "nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado..." (Col. 1:13). E este reino para o qual nós fomos transportados é entendível como o conjunto dos eleitos, dos chamados, dos resgatados que estão na terra. Alguém dirá: ‘Mas não há uma contradição em tudo isto?’ Não, porque os eleitos, os chamados, os resgatados "não são do mundo" (João 17:14), como Jesus, enquanto estava na terra, não era do mundo. Se portanto o Rei podia dizer não ser do mundo, embora estivesse no mundo, não se deve ficar admirado ao ouvir dizer que o seu reino não é deste mundo estando os seus membros na terra. Mas além de tudo isto é preciso ter presente que por Reino de Deus se entende também o reino que Cristo instaurará sobre a face de toda a terra quando voltar. Quando Jesus disse: "Assim também vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto" (Lucas 21:31), e no livro do Apocalipse se lê que "tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo" (Ap. 11:15), o reino de Deus que neste caso vem mencionado é o terreno que Cristo instaurará na sua volta e em que Ele reinará com todos aqueles que participarem na primeira ressurreição. A este reino se faz referência na oração que Jesus nos ensinou quando dizemos ao Pai nosso que está nos céus: "Venha o teu reino" (Mat. 6:10). 

Terá fim o reino de Cristo no término dos mil anos? De modo nenhum porque o seu reino é eterno. As seguintes Escrituras o testificam: "Eu estava olhando nas minhas visões nocturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído" (Dan. 7:13-14); "Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim" (Lucas 1:32-33); "... assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Ped. 1:11). Ninguém vos engane irmãos, dizendo-vos que o reino de Cristo terá fim porque Paulo diz aos Coríntios: "... depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai..." (1 Cor. 15:24); porque estas palavras do apóstolo não têm o significado que lhes dão as Testemunhas de Jeová, doutra forma as Escrituras antes citadas seriam anuladas. O Filho e o Pai são um, e todas as coisas do Filho são do Pai e vice-versa conforme disse Jesus a Deus: "Todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas" (João 17:10), e de facto o apóstolo Paulo aos Efésios fez compreender claramente que o reino de Cristo é de Deus (Ef. 5:5). Estando assim as coisas é inevitável que o reino de Cristo seja eterno. Portanto, também quando Cristo entregar o reino nas mãos do Pai, o reino continuará a ser seu porque todas as coisas do Pai são suas eternamente, e por isso o seu reino continuará a subsistir eternamente. Glória a Deus e ao seu Filho pelos séculos dos séculos. Amen.  

Por quanto diz respeito à data em que Cristo começou a reinar não é absolutamente verdade que Cristo teria começado a reinar no céu apenas em 1914, porque Paulo dizia aos Coríntios, durante o primeiro século depois de Cristo: "Pois é necessário que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés" (1 Cor. 15:25); portanto Cristo reinava já desde o momento da sua ascensão à direita do Pai, e não estava no céu a esperar por 1914! 

No que concerne à ‘ressurreição espiritual’ daquela parte dos 144.000 ocorrida em 1918 nós afirmamos com base no que ensina a Escritura que ela é uma impostura. Prescindindo do facto de que os 144.000 são Judeus de nascença, e de que segundo o que João diz "foram comprados da terra" (Ap. 14:3), mas quando alguma vez na Escritura se fala desta ressurreição espiritual? A Escritura fala de ressurreição corporal, tanto é que também Cristo que é as primícias dos que dormem ressuscitou com um corpo que podia ainda ser apalpado (embora, todavia, sendo também incorruptível, poderoso, glorioso e imortal). 

Como podeis ver as heresias das Testemunhas de Jeová geraram outras heresias e estão todas ligadas entre si. 

 

ARMAGEDOM

A doutrina das Testemunhas de Jeová   

Para as Testemunhas de Jeová Armagedom está próxima, muito próxima. Mas o que entendem por Armagedom? Por que a anunciam tão frequentemente? O que sucederá em Armagedom? 

Responderemos a estas perguntas citando algumas suas afirmações. ‘Armagedom é a guerra de Deus. É verdade que envolve os reis ou as nações do mundo. Mas estes vão combater não uns contra os outros, mas contra Deus e os exércitos celestiais guiados pelo seu Rei nomeado Jesus Cristo...’ (A Sentinela , 1 de Fevereiro de 1985, pag. 3), portanto Armagedom é a guerra do grande dia de Deus na qual Deus com os seus exércitos celestiais comandados por Cristo combaterá contra os seus inimigos, que são os inimigos das Testemunhas de Jeová. Mas estes inimigos não são constituídos só por pessoas humanas mas também por Satanás e os seus demónios. Com efeito, segundo as Testemunhas de Jeová, por décadas Satanás e as suas hordas demoníacas conduziram uma guerra contra o remanescente do Israel espiritual, isto é, o resto dos 144.000, que está espalhado sobre a face da terra. E esta guerra a conduziu servindo-se das Nações Unidas, ou seja, de todos os governos mundiais, e do império mundial da religião falsa que é denominado ‘Babilónia a grande’, entre o qual além da igreja católica romana estão também as Igrejas evangélicas. Este ataque de Satanás e dos seus ministros visíveis e invisíveis está para atingir o auge; aquele dia em que todas as nações comandadas por Satanás abertamente se enfileirarão contra a Sociedade da Torre de Vigia está iminente porque segundo elas deve verificar-se antes que acabe a geração que teve início ou que já estava viva em 1914. Mas na Batalha de Armagedom Satanás e os seus demónios serão derrotados, e as nações da terra com todas as igrejas apóstatas, serão destruídas. Será uma batalha terrível que fará muitas vítimas: ‘Armagedom será tão devastador que a chacina é descrita como se fosse a ceifa da ‘colheita da terra’ feita com uma foice afiada (...) Sim, por mão das forças executivas de Deus correrá muito sangue. Os 69 milhões de vítimas das duas guerras mundiais não parecerão nada em comparação com aqueles que serão mortos na divina guerra de Armagedom’ (op. cit. , pag. 3-4). Mas nem todos morrerão porque haverão aqueles que fugirão à vingança de Deus; e quem são? As Testemunhas de Jeová, que se definem os amigos de Deus; só elas serão salvas (ainda que o talvez seja de obrigação entre elas para não pecar de presunção. Com efeito, consideram-se tão humildes que não se permitiriam dizer ser com certeza postas a salvo) [ 4 ]. Os outros serão destruídos e não ressuscitarão durante o milénio; serão para sempre aniquilados. Por esta razão as Testemunhas de Jeová incitam as pessoas a entrar na sua organização; porque para quem fica fora dela não há possibilidade de escapar ao juízo divino de Armagedom e há a aniquilação eterna! Em outras palavras para quem perecer na batalha de Armagedom não haverá mais a possibilidade de existir mediante a ‘ressurreição’ durante o milénio. Mas onde será combatida esta batalha decisiva? A Torre de Vigia é precisa a tal respeito: ‘Har-Magedom, ou Armagedom, deve ser uma localidade simbólica (...) Har-Magedom não é portanto uma pequena localidade do Médio Oriente. É antes uma situação mundial. O mundo inteiro unir-se-á para opor-se a Jeová Deus e às suas testemunhas (...) É o iníquo ataque de Satanás contra os verdadeiros cristãos e não um conflito entre as nações numa zona do Médio Oriente, a levar Deus a combater em defesa do Seu povo’ (A Sentinela , 15 de Janeiro de 1985, pag. 6-7). Mas por que é tão importante esta batalha? ‘A batalha de Armagedom tem de se combater para desbloquear esta situação de impasse e resolver de uma vez por todas a controvérsia relativa a quem tem o direito de governar a terra (...) Porá fim à conduta egoísta e suicida das nações. Eliminará os sistemas que tornaram infeliz a humanidade e dará lugar a um novo sistema de coisas verdadeiramente justo no qual serão eliminados para sempre todas as dores, os sofrimentos e a morte provocada pelo homem..’ (A Sentinela , 1 de Fevereiro de 1985, pag. 6-7). Portanto a batalha de Armagedom é indispensável para que desapareçam da terra os iníquos e a iniquidade e comece o milénio, isto é, o reino de paz, durante o qual Cristo reinará do céu com os 144.000 sobre os seus súbditos na terra que são ‘a grande multidão’. Dissemos que nesta Batalha, para as Testemunhas de Jeová, Cristo comandará do céu as armadas celestiais contra as nações da terra e esta será a revelação do Senhor Jesus do céu descrita na segunda epístola dos Tessalonicenses; dela as Testemunhas de Jeová falam como de uma volta de Cristo distinta da que segundo elas se cumpriu em 1914. É bom porém precisar que também esta chamada volta de Cristo em Armagedom será invisível, na verdade, nem ele e nem os seus exércitos serão vistos! Quisemos assim falar de Armagedom como falam dela as Testemunhas de Jeová para vos fazer compreender irmãos antes de tudo o que é Armagedom para as Testemunhas de Jeová e depois por que motivo os aderentes desta seita põem uma tal ênfase sobre Armagedom. 

Confutação

O que é e onde será combatida a batalha de Armagedom segundo a Escritura 

Antes de tudo nós cremos que a batalha de Armagedom terá lugar porque a Escritura fala dela. No livro do Apocalipse lê-se de facto: "E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do oriente. E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta, vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Pois são espíritos de demónios, que operam sinais; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo, para os congregar para a batalha do grande dia do Deus Todo-Poderoso... E eles os congregaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom" (Ap. 16:12-14,16). Mas como podeis ver João diz que os espíritos dos demónios congregarão esses reis num preciso lugar, que se chama exactamente Armagedom, ou seja, o monte de Megido. Esta localidade situa-se no território de Israel e na antiguidade foi teatro de grandes batalhas, entre as quais assinalamos aquela entre o exército de Judá comandado pelo rei Josias e o de faraó Neco; nessa batalha o rei Josias morreu (cfr. 2 Cron. 35:20-24). Portanto é errado pensar que Armagedom é uma situação mundial, ou uma localidade simbólica: é verdade que no livro do Apocalipse há muitos simbolismos, mas isto de Armagedom não é de modo nenhum um simbolismo. Nesse lugar a besta e os reis da terra (que terão um mesmo intento, e por isso eles entregarão o seu poder e a sua autoridade à besta) guerrearão contra Cristo que cavalgará um cavalo branco e contra o seu exército (cfr. Ap. 17:13; 19:19), mas Ele "os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; e vencerão também os que estão com ele, os chamados, e eleitos, e fiéis" (Ap. 17:14). A besta e o falso profeta serão presos e lançados vivos no lago ardente de fogo e enxofre, e os demais serão mortos com a espada que sai da boca daquele que cavalgará o cavalo branco, isto é, Jesus Cristo. Dos seus cadáveres se fartarão as aves do céu que serão chamadas para esta ceia por um anjo do Senhor com estas palavras: "Vinde, ajuntai-vos para a grande ceia de Deus, para comerdes carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos, carnes de cavalos e dos que neles montavam, sim, carnes de todos os homens, livres e escravos, pequenos e grandes" (Ap. 19:18). 

Quem são aqueles de quem Cristo se vingará quando aparecer do céu 

As Testemunhas de Jeová afirmam que Deus por meio dos seus exércitos comandados por Cristo combaterá contra os seus inimigos que são em substância todos aqueles que não se enfileirarem ao seu lado, e não fizerem parte da sua organização. Mas como podem afirmar tais coisas quando elas mesmas estão na lista daqueles que ainda são inimigos de Deus nas suas obras e nos seus pensamentos? Mas com que coragem afirmam que Cristo e os seus exércitos celestiais combaterão contra os seus inimigos quando elas mesmas estão entre os numerosos inimigos de Cristo e do seu Evangelho? As palavras de Paulo aos Tessalonicenses: "Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder em chama de fogo, e tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus; os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando naquele dia ele vier para ser glorificado nos seus santos..." (2 Tess. 1:7-10), se referem à vingança de Cristo; sim assim é. Mas é bom ler atentamente quem são aqueles de quem ele tomará vingança; eles são aqueles que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho. Entre estes portanto estão também os que se proclamaram Testemunhas de Jeová. Como, também as testemunhas de Deus? Alguém dirá. Não, não as verdadeiras testemunhas de Deus, mas as falsas; isto é, aquelas que vestidas de ovelhas andam a falar contra a divindade de Cristo, a dizer que Cristo não ressuscitou corporalmente, que a salvação não é por fé mas se obtém por obras, que os que vão para o céu na sua morte são apenas os membros restantes dos 144.000 porque só eles nascem de novo e são justificados por aquela justificação de que fala Paulo aos Romanos, a dizer que o inferno não existe, que o Espírito Santo é uma força e não Deus, e muitas e muitas outras mentiras. Aquelas que contorceram as Escrituras a seu agrado para poderem proclamar com mais facilidade as suas heresias de perdição, e que as interpretam de maneira absurda ainda por este motivo. Não conhecem a Deus, não obedecem ao Evangelho; e depois nos vêm dizer que Cristo quando ‘voltar’ tomará vingança dos seus inimigos? É melhor dizer que Cristo tomará vingança dos seus inimigos, entre os quais as chamadas Testemunhas de Jeová. São elas os inimigos da cruz de Cristo, não só porque fizeram a cruz de Cristo passar a ser uma estaca, mas sobretudo porque anularam a palavra da cruz de Cristo com os seus vãos raciocínios. Esta é a razão pela qual nós que conhecemos a Deus devemos exortar os aderentes desta seita a arrependerem-se e a crerem em Cristo, porque estão sobre o caminho da perdição. Um caminho que porém aos seus olhos parece levá-los à vida eterna sobre uma terra paradisíaca, quando os está levando sem saberem para o lago ardente de fogo e enxofre. E à cabeça destes milhões de pessoas está o Corpo Governante de Brooklyn; um comité de ‘escribas e fariseus’ que falsearam de várias maneiras o sentido das Escrituras para prejuízo deles e de muitas pessoas que na sua ignorância confiam no que eles dizem e proclamam como se fosse a boca de Deus que fala. Fecham o Reino dos céus a eles mesmos e aos que nele procuram entrar; de facto nem eles mesmos lá entram nem aos que procuram lá entrar permitem entrar. ‘Encerram’ o acesso ao reino dos céus aos que segundo eles não são parte dos 144.000; isto não é coisa pouca. Mas como se permitiram fazer isto? Alguém dirá: Mas nem a todos é negado o acesso ao reino dos céus? Só de palavra, porque nos factos também estes chamados ‘ungidos’ que restam destes 144.000 estão sobre o caminho da perdição. Também para eles quando morrerem se escancarará a boca do inferno; tudo menos ressurreição espiritual; serão afogados nas trevas e no fogo do Hades onde ficarão à espera do juízo. Arrebatemos do fogo estes homens e estas mulheres caídas na escravidão desta sociedade anticristã, que na sua ignorância nos desprezam e nos contrastam. Nesta tentativa não os lisonjeemos; mas falemos-lhes com franqueza anunciando-lhes Cristo e a sua gratuita e plena justificação obtível somente pela fé no seu nome, mas também advertindo-os do terrível fim a que irão de encontro se recusarem arrepender-se e crer em Jesus. Fugirão? Se assustarão? Não importa; a verdade é esta e a devem ouvir. Uma coisa é certa, Deus continuará a salvar das goelas desta sociedade pseudocristã outras almas além daquelas que salvou até agora; os que ele predestinou para serem adoptados como seus filhos. É a sua obra e ninguém lho pode impedir. Isto nos encoraja porque sabemos que não importa há quanto tempo e que posição ocupem estes nesta sociedade: Deus os resgatará como nos resgatou a nós. Oremos, de qualquer modo, pelas Testemunhas de Jeová a quem falamos para que sejam salvas; Deus nos ordena fazê-lo. 

 

O MILÉNIO E A PROVA FINAL

A doutrina das Testemunhas de Jeová  

As Testemunhas de Jeová crêem no Milénio, isto é, que haverá um reino de paz da duração de mil anos na terra. Antes, porém, de começar a falar detalhadamente deste seu milénio é preciso lembrar que os primeiros três presidentes da Torre de Vigia, ou seja, primeiro Russell, depois Rutherford e por fim Knorr durante a sua vida fizeram todos predições sobre quando o milénio começaria. Russell disse que o fim do mundo chegaria em 1914 e nesse ano começaria o milénio [ 5 ], mas isso não aconteceu [ 6 ]. Depois dele, Rutherford disse que o Milénio começaria em 1925 e que nesse ano ressuscitariam os patriarcas do Antigo Testamento. Eis como se exprimiu no seu livro Milhões que agora vivem jamais morrerão: ‘Por isso podemos esperar com confiança que 1925 marcará a volta de Abraão, Isaque, Jacó e dos profetas fiéis da antiguidade, particularmente os nomeados pelo apóstolo em Hebreus capítulo onze, à condição de perfeição humana (...) podemos esperar 1925 para testemunhar a volta destes homens fiéis de Israel da condição de morte à condição de (...) visíveis, legais representantes da nova ordem de coisas na terra (...) Portanto, com base no argumento antes exposto que a velha ordem de coisas, o velho mundo, está findando e está próximo, por isso, de desaparecer, e que a nova ordem está sobrevindo, e que 1925 designará a ressurreição dos notáveis fiéis da antiguidade e o princípio da restauração, é razoável concluir que milhões de pessoas agora na terra estarão ainda na terra em 1925. Portanto, fundados nas promessas expressas na Palavra de Deus, chegamos à positiva e indiscutível conclusão que milhões que agora vivem jamais morrerão’ (J. F. Rutherford, Milhões que agora vivem jamais morrerão , 1920, edição inglesa, pag. 88 e seg.) [ 7 ]. William Schnell, que trabalhava para a sociedade da Torre de Vigia no tempo em que foi estabelecida esta nova data diz a tal propósito: ‘Nos anos posteriores (...) a Sociedade da Torre de Vigia deslocou a data para 1925. Apresentaram esta nova data a nós e a toda a gente como o ano em que viria o Reino sobre a terra, e no meio dos Estudantes da Bíblia, reapareceriam os célebres personagens ou os príncipes do Antigo Testamento. Esta expectativa era agitada por toda a publicação da organização e deixava uma marca profunda nas nossas mentes’ (William Schnell, op. cit., pag. 36); mas também este novo presságio não se cumpriu [ 8 ]. E por fim nos provou Knorr dizendo que o milénio começaria em 1975 [ 9 ], coisa que também não se cumpriu [ 10 ]. Qual é hoje a data do começo do milénio? Nenhuma, mas ele está muito próximo porque as Testemunhas de Jeová afirmam que alguns da geração viva em 1914 verão o fim do sistema de coisas e sobreviverão a Armagedom. Eis o que dizem: ‘Por isso o juízo de Deus deve ser executado antes que a geração de 1914 desapareça completamente (...) a geração de 1914 está já no crepúsculo da sua existência, o que deixa pouco tempo para que esta profecia se cumpra’ (A Sentinela, 1 de Maio de 1985, pag. 4, 7). 

Mas vejamos agora de perto o que diz a Torre de Vigia a propósito do milénio. Depois da terrível batalha de Armagedom a terra estará cheia de cadáveres; nos é dito de facto que as multidões que serão exterminadas na batalha de Armagedom serão tão numerosas que não ficará suficiente gente para sepultá-las; caberá portanto às Testemunhas de Jeová que sobreviverem à execução do juízo divino contra Babilónia a grande, limpar a terra sepultando os cadáveres e limpando-a das ruínas de Armagedom para transformar a terra num jardim delicioso, num paraíso. Começará assim o reino milenário; ‘Quando o reino de Deus, por meio de Seu "Príncipe da Paz" reger o globo inteiro, a terra não mais ficará dividida politicamente. Não haverá nacionalismo orgulhoso para criar ódio, conflito e derramamento de sangue (...) Quaisquer armas mortíferas de guerra que sobrarem depois do Armagedom serão em pouco tempo destruídas para sempre (...) Portanto, não haverá mais listas de baixas nos jornais, nem viúvas ou órfãos de guerra, nem casas e cidades em ruínas por causa de bombardeios..’ (A verdade que conduz à vida eterna, pag. 103-104). Como todos os iníquos serão aniquilados na batalha de Armagedom a iniquidade cessará de existir, todos os homens viverão em paz uns com os outros e portanto não haverá mais necessidade de polícias e de exércitos. Não haverão mais pestilências nem fomes e nem doenças. Este novo mundo vindouro é chamado pelas T