Capítulo 6

A vinda do Senhor, Armagedom, o milénio e a prova final, a sorte dos iníquos na ressurreição, os novos céus e a nova terra

 

A VINDA DO SENHOR 

A doutrina das Testemunhas de Jeová 

Segundo as Testemunhas de Jeová Jesus Cristo voltou de maneira invisível em 1914, e entrou no santuário celestial quatro anos depois, em 1918. Desde esse ano, isto é, desde 1914 começaram os últimos dias que culminarão na batalha de Armagedom e o fim deste sistema de coisas, depois começará o milénio. Mas como fazem elas para afirmar que Cristo voltou de maneira invisível precisamente em 1914? E que desde esse ano, no espaço de uma geração haverá o fim deste sistema de coisas e o início do milénio? Vejamo-lo brevemente. Elas começam por dizer que Jesus após ter dito: "Jerusalém será pisada pelos Gentios, até que os tempos dos Gentios se completem" (Lucas 21:24), disse também: "E então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória" (Lucas 21:27); o que significa que o fim dos tempos dos Gentios devia ser seguido pela inesperada revelação de Jesus Cristo. A este ponto fazem os seguintes cálculos aritméticos usando-se de alguns números e datas para fazer perceber que os tempos dos Gentios terminaram em 1914. Jerusalém começou a ser pisada em 607 a. C porque nesse ano a cidade foi destruída pelos Babilónios e o seu monarca exilado. Desde essa data deviam passar sete tempos ou sete anos que em dias ascendem a 2.520 (tornam-se 2520 porque a eles a Torre de Vigia aplica as palavras que Deus disse a Ezequiel "cada dia por um ano" [Ez. 4:6]), antes que Cristo, o descendente de Davi herdeiro ao trono, recebesse ‘a autoridade real sobre o mundo da humanidade’, mas ‘não como rei sobre um trono terrestre na cidade de Jerusalém, mas como rei celestial’ (A Sentinela, 15 de Maio de 1975, pag. 293) porque Jerusalém representa a soberania de Deus. Mas de onde tomam estes sete tempos? Do sonho que Nabucodonosor teve enquanto reinava sobre Babilónia, no qual Deus lhe mostrou que lhe tiraria o reino por sete tempos até que ele não reconhecesse que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. Após ter isto dito eis a conclusão a que chegam as Testemunhas de Jeová: ‘De Outubro de 607 a. E.C, ao Outubro do ano 1 a. E.C há 606 anos inteiros; de Outubro do ano 1 a. E.C ao Outubro do ano 1 E.C há um ano; e do Outubro do ano 1. E.C ao Outubro de 1914 E.C há 1913 anos. Somando estas cifras (606 + 1 + 1913), temos 2520 anos. Os ‘sete tempos’ acabaram pois em Outubro de 1914 E.C, e foi então que, embora invisível aos olhos humanos, Jesus Cristo recebeu o domínio sobre o mundo da humanidade’ ( op. cit., pag. 293) [ 1 ]. Para sustentar depois que Jesus devia voltar de maneira invisível a Torre de Vigia afirma que o próprio Jesus declarou que quando voltasse ninguém o veria porque ele disse: "Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais..." (João 14:19). Aliás - elas dizem - Jesus não ressuscitou porventura como espírito? Por isso ninguém o podia ver. Mas a Torre de Vigia explica também como se faz para reconhecer que a ‘presença’ de Cristo teve início em 1914, e o faz nestes termos: ‘Numa ocasião em que Jesus estava só com quatro seus seguidores, estes lhe perguntaram: "Qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas? Jesus não lhes deu uma data. Descreveu antes uma série de acontecimentos e tendências mundiais que permitiriam aos seus seguidores saber que a sua ‘presença’ espiritual tinha começado. A sua profecia diz: Nação se levantará contra nação e reino contra reino, e haverá escassez de víveres e terremotos num lugar após outro’. Depois acrescentou: Todas essas coisas são um princípio das dores de aflição (...) A sua profecia foi notavelmente cumprida pelas guerras mundiais que rebentaram a partir de 1914...’ ( A Sentinela, 1 de Outubro de 1984, pag. 5). A razão pela qual todos estes acontecimentos funestos começaram a verificar-se desde 1914 em diante é porque nesse ano no céu houve uma batalha ainda maior na qual Miguel e os seus anjos combateram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos foram derrotados; e dado que o dragão foi lançado na terra (citam a tal propósito Apocalipse 12:7-9), enfurecido, sabendo que já tem pouco tempo, então ele começou a perturbar a humanidade com todos esses males. Mas toda esta era de confusão e de violência, começada em 1914 por causa da descida de Satanás à terra, há-de durar pouco para a Torre de Vigia; exactamente uma geração, porque Jesus disse: "Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam" (Mat. 24:34). Depois começará o Milénio precedido pela batalha de Armagedom. A respeito desta geração não nos é dito porém exactamente de quantos anos seja a duração; seja como for, o Milénio está às portas, iminente para a Torre de Vigia. A este ponto para tornar completa a exposição da doutrina sobre a segunda presença de Cristo cumprida em 1914, é preciso explicar o que as Testemunhas de Jeová entendem por Reino de Deus porque a ‘volta invisível’ de Cristo está estreitamente ligada à sua doutrina sobre o reino de Deus. Vejamos, pois, o que elas ensinam sobre o reino de Deus, isto é, no que ele consiste e quando foi instaurado por Cristo. No seu livro Make sure of all things (Certificai-vos de todas as coisas) lê-se: ‘O Reino de Deus é um supremo governo teocrático dotado de plenos poderes (Sovereign - empowered theocratic government) sob uma administração de Reis divinamente designados. O próprio Jehovah é o grande Rei Eterno (...) Ele se associou como co-regente ao seu Filho Cristo Jesus. Deus constituiu o Reino como a capital ou a parte governante da sua organização universal. Ele é composto pelo Rei Cristo Jesus e 144.000 reis associados tomados do meio dos homens. Ele é inteiramente celestial, não tendo nenhuma parte terrena. Todos os seus membros devem ser ressuscitados e receber corpos de espírito’ (Make Sure of All Things , 1953 (edição revista em 1957), pag. 226). Como podeis ver o Reino de Deus para as Testemunhas de Jeová é um Reino através do qual Deus com Cristo e os 144.000 governa a organização da Torre de Vigia. Só 144.000 pessoas portanto formam este reino; e antes de entrar a fazer parte dele devem morrer, e ser ‘ressuscitadas’. Em outras palavras, até o restante dos 144.000 não pertencerão ao Reino de Deus senão depois de morrerem e ‘ressuscitarem’. Este Reino, segundo as Testemunhas de Jeová, foi predito por Deus à serpente quando lhe disse: "Esta [descendência] te ferirá a cabeça" (Gen. 3:15)! E este reino prometido no jardim do Éden debaixo do Antigo Testamento, foi prefigurado por meio do Reino de Israel. Quando Cristo apareceu, o Reino, segundo elas, não foi estabelecido, porque Jesus dizendo: "O reino de Deus está próximo" (Mar. 1:15) quis dizer apenas que o rei deste reino estava presente no meio deles. Mas então quando foi estabelecido este reino? Quando Jesus ascendeu ao céu? Não, porque a sua ascensão foi apenas o início de um período de espera em vista do estabelecimento do Reino de Deus: ‘Jeová o Rei da eternidade está nos dizendo que, por certo período depois que o seu Rei ou Juiz ungido Cristo Jesus tivesse subido aos céus este permaneceria inactivo quanto ao estabelecimento do Reino; mas ao chegar o tempo designado Jeová o comissionaria para sair e dominar’ (Seja Deus verdadeiro , pag. 283). E este tempo chegou - segundo elas - em 1914, de facto elas afirmam que ‘Cristo Jesus foi entronizado como Rei de Jeová no Outono de 1914’ (op. cit. , pag. 283). Portanto, para as Testemunhas de Jeová, Cristo começaria a reinar apenas em 1914. Mas que aconteceu nesse ano? As Testemunhas de Jeová dizem que Cristo voltou, mas na verdade é também impróprio falar de volta de Cristo, porque na verdade mais que de uma volta se tratou de uma espécie de promoção que Cristo teria recebido de Deus tendo sido posto a governar a sua organização universal. É depois necessário dizer que para a Torre de Vigia o reino de Cristo um dia terminará. Quando? No fim do milénio: ‘Também o apóstolo Paulo descreve o domínio de Cristo durante a sua presença. Após ter ressuscitado os seus seguidores, Cristo se prepara para reduzir ‘a nada todo governo, e toda autoridade e poder’ (logicamente todo governo, toda autoridade e poder que se opõe à soberana vontade de Deus). Portanto, no fim do Reino milenário, entrega ‘o reino ao seu Deus e Pai’ (Estudo Perspicaz das Escrituras , vol. II, pag. 735). Como dissemos antes, juntamente com Cristo começaram a reinar sobre a organização universal também os 144.000, ou melhor, aqueles dos 144.000 que tinham morrido. Mas estes começaram a reinar no céu só alguns anos depois de 1914, mais precisamente em 1918, pouco tempo depois de Cristo ter purificado o seu templo espiritual na primavera desse ano, templo que é dito ser a organização terrena das Testemunhas de Jeová: ‘Na Primavera de 1918 veio como Mensageiro de Jeová ao templo e começou o juízo primeiro da "casa de Deus" e depois das nações deste mundo’ (Seja Deus verdadeiro , pag. 284) [ 2 ]. Mas como puderam começar a reinar com Cristo no céu? Ressuscitando com uma ressurreição semelhante à de Cristo (tende presente que para as Testemunhas de Jeová Cristo não ressuscitou com o seu corpo mas com um corpo espiritual e invisível) e indo para o céu. A partir desse ano todas as vezes que morreu um destes 144.000 ele ressuscitou de maneira invisível e foi para o céu alcançar os precedentes. Naturalmente esta ‘ressurreição’ a experimentarão também os próximos membros dos 144.000 quando morrerem. 

Confutação

O Senhor Jesus deve ainda voltar e a sua volta será visível  

Antes de tudo deve ser dito que a data da destruição de Jerusalém não é 607 a. C mas 586 a. C; depois é completamente errado dar aos sete tempos presentes no sonho que Nabucodonosor teve a interpretação que vimos acima, ou seja, que os sete tempos indicam a duração do tempo que passaria desde a destruição de Jerusalém ao restabelecimento do reino celestial por obra de Deus, porque aqueles sete tempos se referiam exclusivamente ao rei Nabucodonosor. De facto, depois que Deus lhe tirou o reino passaram sete tempos, ou seja, sete anos antes que ele fosse restabelecido no seu reino; isto o diz o próprio Nabucodonosor nestes termos: "Ao fim daqueles dias eu, Nabucodonosor, levantei ao céu os meus olhos, e voltou a mim o meu entendimento... e para a glória do meu reino voltou a mim a minha majestade e o meu resplendor" (Dan. 4:34,36). Cumpriu-se assim aquilo que Daniel lhe tinha dito quando tinha dado a interpretação do sonho: "É o decreto do Altíssimo, que é vindo sobre o rei, meu senhor" (Dan. 4:24). 

E depois é também errado afirmar que aqueles sete tempos indicam 2520 anos com base nas palavras de Ezequiel porque se se ler atentamente o que disse Deus a Ezequiel se verá que Ele lhe impôs, primeiro deitar-se sobre o seu lado esquerdo por trezentos e noventa dias para levar assim a iniquidade da casa de Israel e depois lhe impôs deitar-se sobre o seu lado direito por quarenta dias para levar a iniquidade da casa de Judá, e isto porque Deus tinha decidido impor-lhe um dia por cada ano de iniquidade tanto da casa de Israel como da casa de Judá conforme lhe tinha dito: "Pois eu fixei os anos da sua iniquidade, para que eles te sejam contados em dias..." (Ez. 4:5). E depois, prossigamos, com base em quê a Torre de Vigia diz que a árvore representa a soberania de Deus a nível mundial que é por sua vez representada por Jerusalém? Mas não é porventura suficientemente clara a interpretação que deu dela Daniel a Nabucodonosor: "A árvore que viste, que cresceu, e se fez forte, cuja altura chegava até o céu, e que era vista por toda a terra; cujas folhas eram formosas, e o seu fruto abundante, e em que para todos havia sustento, debaixo da qual os animais do campo achavam sombra, e em cujos ramos habitavam as aves do céu; és, tu, ó rei, que cresceste, e te fizeste forte; pois a tua grandeza cresceu, e chegou até o céu, e o teu domínio até a extremidade da terra" (Dan. 4:20-22)? Mas que vão pois papagueando estes? 

Vejamos agora a vinda de Cristo, ou melhor, como a chama a Torre de Vigia ‘a sua presença’ que segundo elas se cumpriu em 1914. O que elas dizem a respeito da vinda de Cristo é falso, porque Cristo até hoje tem reinado à direita do Pai assentado sobre o seu trono, e ainda não voltou. Nós aguardamos ainda a sua gloriosa aparição. As seguintes Escrituras afirmam de que maneira Jesus voltará do céu. 

Ÿ Da mesma maneira em que ele foi para o céu. Está escrito no livro dos Actos dos apóstolos: "Tendo ele dito estas coisas, foi levado para cima, enquanto eles olhavam, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. Estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles apareceram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais aí olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi elevado para o céu, há-de vir assim como para o céu o vistes ir" (Actos 1:9-11). Portanto, como Jesus foi visto ir para o céu por aqueles que estavam presentes na sua ascensão, assim, na sua volta, será visto voltar do céu, mas desta vez não será visto apenas por um pequeno número de pessoas como na sua ascensão mas por todos, conforme está escrito: "Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém" (Ap. 1:7). [ 3 ].

Ÿ Com glória e com poder. Em Mateus a respeito da volta de Cristo está escrito: "Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus" (Mat. 24:30-31). 

Como vimos antes, as Testemunhas de Jeová para sustentar esta doutrina segundo a qual quando Jesus voltasse os mortais não o veriam (de facto elas dizem que ninguém viu Jesus quando voltou em 1914!) se apoiam na sua outra doutrina citada antes, que Jesus não ressuscitou como homem mas como ser espiritual e, por conseguinte, na sua vinda ninguém o viu, e nas seguintes palavras de Jesus: "Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais" (João 14:19). Já confutamos o que elas dizem a respeito da ressurreição de Jesus, vamos portanto agora explicar as referidas palavras de Jesus a fim de demonstrar pela enésima vez como as Testemunhas de Jeová entendem e interpretam mal as Escrituras. Ora, para entender correctamente o que Jesus quis dizer aos seus discípulos é necessário recordar-se a circunstância em que ele lhes disse estas palavras e também as palavras que vêm logo depois que são: "Mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis" (João 14:19). Jesus estava para ser preso e levado para ser flagelado e a seguir crucificado; ele sabia que depois de morto o mundo não o veria mais porque ele não se apresentaria vivo aos incrédulos mas aos crentes e, de facto, lendo as aparições de Jesus no tempo que intercalou entre a sua ressurreição e a sua ascensão nota-se que ele apareceu aos seus discípulos que tinha escolhido e às mulheres que tinham crido nele, e não à gente do mundo. Por isso ele disse que dali a pouco o mundo não o veria mais. Queria que notásseis que Jesus disse também aos seus discípulos que eles não o veriam mais dali a pouco, de facto mais adiante ele disse-lhes: "Um pouco, e não me vereis" (João 16:16); porque sabia que também os seus discípulos não o veriam mais vivo quando morresse. Mas enquanto Ele disse que o mundo não o veria mais, disse que os seus discípulos o veriam dali a pouco, de facto primeiro disse-lhes: "Mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis" (João 14:19), e depois também: "E outra vez um pouco, e ver-me-eis; porquanto vou para o Pai" (João 16:16). Os discípulos de Jesus quando ouviram dizer ao Mestre: "Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis; porquanto vou para o Pai" (João 16:16), não compreenderam o que ele queria dizer e Jesus lho explicou. Encontramos tudo isto nas seguintes palavras de João: "Então alguns dos seus discípulos disseram uns aos outros: Que é isto que nos diz? Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis; e: Porquanto vou para o Pai? Diziam, pois: Que quer dizer isto: Um pouco? Não sabemos o que diz. Conheceu, pois, Jesus que o queriam interrogar, e disse-lhes: Indagais entre vós acerca disto que disse: Um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis? Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo. Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará" (João 16:17-22). E, de facto, isto foi o que aconteceu, os discípulos quando Jesus foi morto se lamentaram mas quando Jesus lhes apareceu no primeiro dia da semana "se alegraram" (João 20:20). 

Irmãos, vos exorto a vos guardardes desta diabólica doutrina das chamadas Testemunhas de Jeová lembrando-vos as seguintes palavras de Jesus Cristo: "Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem" (Mat. 24:25-27). E vos exorto também a vos guardardes de todos aqueles que, fazendo cálculos matemáticos com alguns números escritos na Palavra de Deus, pretendem saber o dia, o mês ou o ano, ou a década em que Jesus voltará do céu. Jesus disse que "daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai" (Mat. 24:36); portanto não vos movais do vosso entendimento, nem vos perturbeis por causa dos discursos pomposos destes faladores vãos. Dirijo-vos as palavras que Jesus dirigiu aos seus discípulos antes de morrer: "Acautelai-vos, que ninguém vos engane" (Mat. 24:4).  

Prosseguindo nesta confutação, é preciso dizer que é errado também afirmar que em 1914 o diabo foi lançado do céu, e é por isso que desde esse ano ocorreram as guerras mundiais, os terremotos e as pestilências e fomes; em primeiro lugar porque ainda antes de 1914 houveram na terra muitas guerras entre as nações e também de grandes dimensões que fizeram centenas de milhares de vítimas; e com as guerras muitas fomes e terremotos que ceifaram muitas vítimas; portanto as coisas que estão a suceder desde 1914 não são particulares deste ponto de vista. E, em segundo lugar, Jesus não disse aos seus discípulos que eles reconheceriam que a sua presença se tinha cumprido de maneira invisível pelos sinais que lhes enumerou, mas lhes disse que reconheceriam que o tempo da sua vinda estava próximo quando vissem todas essas coisas suceder, de facto ele disse-lhes: "Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas" (Mat. 24:33); e não ‘sabei que ele veio’ ou ‘sabei que ele já está presente’. Tanto é que para explicar tudo isto contou aos seus discípulos esta parábola: "Olhai para a figueira, e para todas as árvores; quando já têm rebentado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão" (Lucas 21:29-30). Não é porventura verdade que quando a figueira e as árvores começam a rebentar nós, vendo-as, reconhecemos que o verão já está às portas ou perto? Certo, de facto observando os seus rebentos nós dizemos que o verão está para chegar. Mas, não que ele já chegou. Portanto o discurso que faz a Torre de Vigia a respeito deste sinal da sua vinda (elas traduziram presença para fazer crer que Jesus já voltou de maneira invisível; sobre isto voltaremos mais adiante) é arbitrário, de uma formidável astúcia, mas infelizmente muitos creram nesta mentira e crêem que desde 1914 tenha começado a contagem decrescente para Armagedom e o início do Milénio, tudo coisas que acontecerão segundo as suas previsões no espaço de uma geração! E depois, irmãos, lembrai-vos que a batalha entre Miguel e os seus anjos e o Dragão e os seus anjos que João viu no céu é um evento que ainda deve verificar-se. 

Concluindo: pela maneira em que as Testemunhas de Jeová chegaram a estabelecer 1914 como data da vinda de Cristo e o início da geração que precede o fim do mundo, se aprende como aqueles que tomam prazer em estabelecer os tempos e os momentos que dizem respeito a eventos futuros recorrem a toda a arbitrária interpretação de eventos bíblicos e a cálculos numéricos errados. 

O Reino de Deus foi estabelecido por Cristo quando Ele esteve na terra  

Nós crentes rejeitamos a doutrina sobre o reino de Deus da Torre de Vigia porque antes de tudo a Escritura nos ensina que quando Cristo apareceu na terra estabeleceu o Reino de Deus na terra, e este Reino continuou a subsistir desde aquele dia. Jesus disse um dia a Fariseus que lhe perguntavam quando viria o reino de Deus: "O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós" (Lucas 17:20-21), portanto não só o Rei mas também o Reino de Deus estava no meio do povo de Israel. E isto é confirmado também pelas palavras que Jesus ordenou aos seus discípulos dizer àqueles que os rejeitassem: "Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós" (Lucas 10:11). E por quem era formado este reino que Cristo estabeleceu na terra? Por todos aqueles que criam nele. Hoje ainda este reino é formado por todos aqueles que creram em Cristo Jesus porque João diz que Cristo "nos fez ser um reino..." (Ap. 1:6). Mas então o que dizer do raciocínio feito pelas Testemunhas de Jeová segundo o qual o reino de Deus não é parte deste mundo porque Jesus disse que o seu reino não era deste mundo, pelo que não pode ser na terra? Diremos que este raciocínio é verdadeiro mas não sem porém fazer algumas precisões sobre o significado que tem o termo Reino de Deus a fim de evitar que se pense que na terra não haja o reino de Deus e que as Testemunhas de Jeová têm razão em tudo o que elas dizem a respeito do Reino de Deus. Ora, é claro que por reino de Deus se entende um reino celestial, de facto Pedro diz: "...assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Ped. 1:11), e Paulo no fim da sua carreira dizia: "O Senhor me livrará de toda má obra, e me levará salvo para o seu reino celestial" (2 Tim. 4:18). Portanto quando Jesus disse que o seu reino não era deste mundo se referia ao seu reino celestial. Mas é preciso também ter presente que nós crentes já estamos no reino de Cristo, de facto Paulo diz aos Colossenses que Deus "nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado..." (Col. 1:13). E este reino para o qual nós fomos transportados é entendível como o conjunto dos eleitos, dos chamados, dos resgatados que estão na terra. Alguém dirá: ‘Mas não há uma contradição em tudo isto?’ Não, porque os eleitos, os chamados, os resgatados "não são do mundo" (João 17:14), como Jesus, enquanto estava na terra, não era do mundo. Se portanto o Rei podia dizer não ser do mundo, embora estivesse no mundo, não se deve ficar admirado ao ouvir dizer que o seu reino não é deste mundo estando os seus membros na terra. Mas além de tudo isto é preciso ter presente que por Reino de Deus se entende também o reino que Cristo instaurará sobre a face de toda a terra quando voltar. Quando Jesus disse: "Assim também vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto" (Lucas 21:31), e no livro do Apocalipse se lê que "tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo" (Ap. 11:15), o reino de Deus que neste caso vem mencionado é o terreno que Cristo instaurará na sua volta e em que Ele reinará com todos aqueles que participarem na primeira ressurreição. A este reino se faz referência na oração que Jesus nos ensinou quando dizemos ao Pai nosso que está nos céus: "Venha o teu reino" (Mat. 6:10). 

Terá fim o reino de Cristo no término dos mil anos? De modo nenhum porque o seu reino é eterno. As seguintes Escrituras o testificam: "Eu estava olhando nas minhas visões nocturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído" (Dan. 7:13-14); "Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim" (Lucas 1:32-33); "... assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Ped. 1:11). Ninguém vos engane irmãos, dizendo-vos que o reino de Cristo terá fim porque Paulo diz aos Coríntios: "... depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai..." (1 Cor. 15:24); porque estas palavras do apóstolo não têm o significado que lhes dão as Testemunhas de Jeová, doutra forma as Escrituras antes citadas seriam anuladas. O Filho e o Pai são um, e todas as coisas do Filho são do Pai e vice-versa conforme disse Jesus a Deus: "Todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas" (João 17:10), e de facto o apóstolo Paulo aos Efésios fez compreender claramente que o reino de Cristo é de Deus (Ef. 5:5). Estando assim as coisas é inevitável que o reino de Cristo seja eterno. Portanto, também quando Cristo entregar o reino nas mãos do Pai, o reino continuará a ser seu porque todas as coisas do Pai são suas eternamente, e por isso o seu reino continuará a subsistir eternamente. Glória a Deus e ao seu Filho pelos séculos dos séculos. Amen.  

Por quanto diz respeito à data em que Cristo começou a reinar não é absolutamente verdade que Cristo teria começado a reinar no céu apenas em 1914, porque Paulo dizia aos Coríntios, durante o primeiro século depois de Cristo: "Pois é necessário que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés" (1 Cor. 15:25); portanto Cristo reinava já desde o momento da sua ascensão à direita do Pai, e não estava no céu a esperar por 1914! 

No que concerne à ‘ressurreição espiritual’ daquela parte dos 144.000 ocorrida em 1918 nós afirmamos com base no que ensina a Escritura que ela é uma impostura. Prescindindo do facto de que os 144.000 são Judeus de nascença, e de que segundo o que João diz "foram comprados da terra" (Ap. 14:3), mas quando alguma vez na Escritura se fala desta ressurreição espiritual? A Escritura fala de ressurreição corporal, tanto é que também Cristo que é as primícias dos que dormem ressuscitou com um corpo que podia ainda ser apalpado (embora, todavia, sendo também incorruptível, poderoso, glorioso e imortal). 

Como podeis ver as heresias das Testemunhas de Jeová geraram outras heresias e estão todas ligadas entre si. 

 

ARMAGEDOM

A doutrina das Testemunhas de Jeová   

Para as Testemunhas de Jeová Armagedom está próxima, muito próxima. Mas o que entendem por Armagedom? Por que a anunciam tão frequentemente? O que sucederá em Armagedom? 

Responderemos a estas perguntas citando algumas suas afirmações. ‘Armagedom é a guerra de Deus. É verdade que envolve os reis ou as nações do mundo. Mas estes vão combater não uns contra os outros, mas contra Deus e os exércitos celestiais guiados pelo seu Rei nomeado Jesus Cristo...’ (A Sentinela , 1 de Fevereiro de 1985, pag. 3), portanto Armagedom é a guerra do grande dia de Deus na qual Deus com os seus exércitos celestiais comandados por Cristo combaterá contra os seus inimigos, que são os inimigos das Testemunhas de Jeová. Mas estes inimigos não são constituídos só por pessoas humanas mas também por Satanás e os seus demónios. Com efeito, segundo as Testemunhas de Jeová, por décadas Satanás e as suas hordas demoníacas conduziram uma guerra contra o remanescente do Israel espiritual, isto é, o resto dos 144.000, que está espalhado sobre a face da terra. E esta guerra a conduziu servindo-se das Nações Unidas, ou seja, de todos os governos mundiais, e do império mundial da religião falsa que é denominado ‘Babilónia a grande’, entre o qual além da igreja católica romana estão também as Igrejas evangélicas. Este ataque de Satanás e dos seus ministros visíveis e invisíveis está para atingir o auge; aquele dia em que todas as nações comandadas por Satanás abertamente se enfileirarão contra a Sociedade da Torre de Vigia está iminente porque segundo elas deve verificar-se antes que acabe a geração que teve início ou que já estava viva em 1914. Mas na Batalha de Armagedom Satanás e os seus demónios serão derrotados, e as nações da terra com todas as igrejas apóstatas, serão destruídas. Será uma batalha terrível que fará muitas vítimas: ‘Armagedom será tão devastador que a chacina é descrita como se fosse a ceifa da ‘colheita da terra’ feita com uma foice afiada (...) Sim, por mão das forças executivas de Deus correrá muito sangue. Os 69 milhões de vítimas das duas guerras mundiais não parecerão nada em comparação com aqueles que serão mortos na divina guerra de Armagedom’ (op. cit. , pag. 3-4). Mas nem todos morrerão porque haverão aqueles que fugirão à vingança de Deus; e quem são? As Testemunhas de Jeová, que se definem os amigos de Deus; só elas serão salvas (ainda que o talvez seja de obrigação entre elas para não pecar de presunção. Com efeito, consideram-se tão humildes que não se permitiriam dizer ser com certeza postas a salvo) [ 4 ]. Os outros serão destruídos e não ressuscitarão durante o milénio; serão para sempre aniquilados. Por esta razão as Testemunhas de Jeová incitam as pessoas a entrar na sua organização; porque para quem fica fora dela não há possibilidade de escapar ao juízo divino de Armagedom e há a aniquilação eterna! Em outras palavras para quem perecer na batalha de Armagedom não haverá mais a possibilidade de existir mediante a ‘ressurreição’ durante o milénio. Mas onde será combatida esta batalha decisiva? A Torre de Vigia é precisa a tal respeito: ‘Har-Magedom, ou Armagedom, deve ser uma localidade simbólica (...) Har-Magedom não é portanto uma pequena localidade do Médio Oriente. É antes uma situação mundial. O mundo inteiro unir-se-á para opor-se a Jeová Deus e às suas testemunhas (...) É o iníquo ataque de Satanás contra os verdadeiros cristãos e não um conflito entre as nações numa zona do Médio Oriente, a levar Deus a combater em defesa do Seu povo’ (A Sentinela , 15 de Janeiro de 1985, pag. 6-7). Mas por que é tão importante esta batalha? ‘A batalha de Armagedom tem de se combater para desbloquear esta situação de impasse e resolver de uma vez por todas a controvérsia relativa a quem tem o direito de governar a terra (...) Porá fim à conduta egoísta e suicida das nações. Eliminará os sistemas que tornaram infeliz a humanidade e dará lugar a um novo sistema de coisas verdadeiramente justo no qual serão eliminados para sempre todas as dores, os sofrimentos e a morte provocada pelo homem..’ (A Sentinela , 1 de Fevereiro de 1985, pag. 6-7). Portanto a batalha de Armagedom é indispensável para que desapareçam da terra os iníquos e a iniquidade e comece o milénio, isto é, o reino de paz, durante o qual Cristo reinará do céu com os 144.000 sobre os seus súbditos na terra que são ‘a grande multidão’. Dissemos que nesta Batalha, para as Testemunhas de Jeová, Cristo comandará do céu as armadas celestiais contra as nações da terra e esta será a revelação do Senhor Jesus do céu descrita na segunda epístola dos Tessalonicenses; dela as Testemunhas de Jeová falam como de uma volta de Cristo distinta da que segundo elas se cumpriu em 1914. É bom porém precisar que também esta chamada volta de Cristo em Armagedom será invisível, na verdade, nem ele e nem os seus exércitos serão vistos! Quisemos assim falar de Armagedom como falam dela as Testemunhas de Jeová para vos fazer compreender irmãos antes de tudo o que é Armagedom para as Testemunhas de Jeová e depois por que motivo os aderentes desta seita põem uma tal ênfase sobre Armagedom. 

Confutação

O que é e onde será combatida a batalha de Armagedom segundo a Escritura 

Antes de tudo nós cremos que a batalha de Armagedom terá lugar porque a Escritura fala dela. No livro do Apocalipse lê-se de facto: "E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do oriente. E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta, vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Pois são espíritos de demónios, que operam sinais; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo, para os congregar para a batalha do grande dia do Deus Todo-Poderoso... E eles os congregaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom" (Ap. 16:12-14,16). Mas como podeis ver João diz que os espíritos dos demónios congregarão esses reis num preciso lugar, que se chama exactamente Armagedom, ou seja, o monte de Megido. Esta localidade situa-se no território de Israel e na antiguidade foi teatro de grandes batalhas, entre as quais assinalamos aquela entre o exército de Judá comandado pelo rei Josias e o de faraó Neco; nessa batalha o rei Josias morreu (cfr. 2 Cron. 35:20-24). Portanto é errado pensar que Armagedom é uma situação mundial, ou uma localidade simbólica: é verdade que no livro do Apocalipse há muitos simbolismos, mas isto de Armagedom não é de modo nenhum um simbolismo. Nesse lugar a besta e os reis da terra (que terão um mesmo intento, e por isso eles entregarão o seu poder e a sua autoridade à besta) guerrearão contra Cristo que cavalgará um cavalo branco e contra o seu exército (cfr. Ap. 17:13; 19:19), mas Ele "os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; e vencerão também os que estão com ele, os chamados, e eleitos, e fiéis" (Ap. 17:14). A besta e o falso profeta serão presos e lançados vivos no lago ardente de fogo e enxofre, e os demais serão mortos com a espada que sai da boca daquele que cavalgará o cavalo branco, isto é, Jesus Cristo. Dos seus cadáveres se fartarão as aves do céu que serão chamadas para esta ceia por um anjo do Senhor com estas palavras: "Vinde, ajuntai-vos para a grande ceia de Deus, para comerdes carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos, carnes de cavalos e dos que neles montavam, sim, carnes de todos os homens, livres e escravos, pequenos e grandes" (Ap. 19:18). 

Quem são aqueles de quem Cristo se vingará quando aparecer do céu 

As Testemunhas de Jeová afirmam que Deus por meio dos seus exércitos comandados por Cristo combaterá contra os seus inimigos que são em substância todos aqueles que não se enfileirarem ao seu lado, e não fizerem parte da sua organização. Mas como podem afirmar tais coisas quando elas mesmas estão na lista daqueles que ainda são inimigos de Deus nas suas obras e nos seus pensamentos? Mas com que coragem afirmam que Cristo e os seus exércitos celestiais combaterão contra os seus inimigos quando elas mesmas estão entre os numerosos inimigos de Cristo e do seu Evangelho? As palavras de Paulo aos Tessalonicenses: "Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder em chama de fogo, e tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus; os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando naquele dia ele vier para ser glorificado nos seus santos..." (2 Tess. 1:7-10), se referem à vingança de Cristo; sim assim é. Mas é bom ler atentamente quem são aqueles de quem ele tomará vingança; eles são aqueles que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho. Entre estes portanto estão também os que se proclamaram Testemunhas de Jeová. Como, também as testemunhas de Deus? Alguém dirá. Não, não as verdadeiras testemunhas de Deus, mas as falsas; isto é, aquelas que vestidas de ovelhas andam a falar contra a divindade de Cristo, a dizer que Cristo não ressuscitou corporalmente, que a salvação não é por fé mas se obtém por obras, que os que vão para o céu na sua morte são apenas os membros restantes dos 144.000 porque só eles nascem de novo e são justificados por aquela justificação de que fala Paulo aos Romanos, a dizer que o inferno não existe, que o Espírito Santo é uma força e não Deus, e muitas e muitas outras mentiras. Aquelas que contorceram as Escrituras a seu agrado para poderem proclamar com mais facilidade as suas heresias de perdição, e que as interpretam de maneira absurda ainda por este motivo. Não conhecem a Deus, não obedecem ao Evangelho; e depois nos vêm dizer que Cristo quando ‘voltar’ tomará vingança dos seus inimigos? É melhor dizer que Cristo tomará vingança dos seus inimigos, entre os quais as chamadas Testemunhas de Jeová. São elas os inimigos da cruz de Cristo, não só porque fizeram a cruz de Cristo passar a ser uma estaca, mas sobretudo porque anularam a palavra da cruz de Cristo com os seus vãos raciocínios. Esta é a razão pela qual nós que conhecemos a Deus devemos exortar os aderentes desta seita a arrependerem-se e a crerem em Cristo, porque estão sobre o caminho da perdição. Um caminho que porém aos seus olhos parece levá-los à vida eterna sobre uma terra paradisíaca, quando os está levando sem saberem para o lago ardente de fogo e enxofre. E à cabeça destes milhões de pessoas está o Corpo Governante de Brooklyn; um comité de ‘escribas e fariseus’ que falsearam de várias maneiras o sentido das Escrituras para prejuízo deles e de muitas pessoas que na sua ignorância confiam no que eles dizem e proclamam como se fosse a boca de Deus que fala. Fecham o Reino dos céus a eles mesmos e aos que nele procuram entrar; de facto nem eles mesmos lá entram nem aos que procuram lá entrar permitem entrar. ‘Encerram’ o acesso ao reino dos céus aos que segundo eles não são parte dos 144.000; isto não é coisa pouca. Mas como se permitiram fazer isto? Alguém dirá: Mas nem a todos é negado o acesso ao reino dos céus? Só de palavra, porque nos factos também estes chamados ‘ungidos’ que restam destes 144.000 estão sobre o caminho da perdição. Também para eles quando morrerem se escancarará a boca do inferno; tudo menos ressurreição espiritual; serão afogados nas trevas e no fogo do Hades onde ficarão à espera do juízo. Arrebatemos do fogo estes homens e estas mulheres caídas na escravidão desta sociedade anticristã, que na sua ignorância nos desprezam e nos contrastam. Nesta tentativa não os lisonjeemos; mas falemos-lhes com franqueza anunciando-lhes Cristo e a sua gratuita e plena justificação obtível somente pela fé no seu nome, mas também advertindo-os do terrível fim a que irão de encontro se recusarem arrepender-se e crer em Jesus. Fugirão? Se assustarão? Não importa; a verdade é esta e a devem ouvir. Uma coisa é certa, Deus continuará a salvar das goelas desta sociedade pseudocristã outras almas além daquelas que salvou até agora; os que ele predestinou para serem adoptados como seus filhos. É a sua obra e ninguém lho pode impedir. Isto nos encoraja porque sabemos que não importa há quanto tempo e que posição ocupem estes nesta sociedade: Deus os resgatará como nos resgatou a nós. Oremos, de qualquer modo, pelas Testemunhas de Jeová a quem falamos para que sejam salvas; Deus nos ordena fazê-lo. 

 

O MILÉNIO E A PROVA FINAL

A doutrina das Testemunhas de Jeová  

As Testemunhas de Jeová crêem no Milénio, isto é, que haverá um reino de paz da duração de mil anos na terra. Antes, porém, de começar a falar detalhadamente deste seu milénio é preciso lembrar que os primeiros três presidentes da Torre de Vigia, ou seja, primeiro Russell, depois Rutherford e por fim Knorr durante a sua vida fizeram todos predições sobre quando o milénio começaria. Russell disse que o fim do mundo chegaria em 1914 e nesse ano começaria o milénio [ 5 ], mas isso não aconteceu [ 6 ]. Depois dele, Rutherford disse que o Milénio começaria em 1925 e que nesse ano ressuscitariam os patriarcas do Antigo Testamento. Eis como se exprimiu no seu livro Milhões que agora vivem jamais morrerão: ‘Por isso podemos esperar com confiança que 1925 marcará a volta de Abraão, Isaque, Jacó e dos profetas fiéis da antiguidade, particularmente os nomeados pelo apóstolo em Hebreus capítulo onze, à condição de perfeição humana (...) podemos esperar 1925 para testemunhar a volta destes homens fiéis de Israel da condição de morte à condição de (...) visíveis, legais representantes da nova ordem de coisas na terra (...) Portanto, com base no argumento antes exposto que a velha ordem de coisas, o velho mundo, está findando e está próximo, por isso, de desaparecer, e que a nova ordem está sobrevindo, e que 1925 designará a ressurreição dos notáveis fiéis da antiguidade e o princípio da restauração, é razoável concluir que milhões de pessoas agora na terra estarão ainda na terra em 1925. Portanto, fundados nas promessas expressas na Palavra de Deus, chegamos à positiva e indiscutível conclusão que milhões que agora vivem jamais morrerão’ (J. F. Rutherford, Milhões que agora vivem jamais morrerão , 1920, edição inglesa, pag. 88 e seg.) [ 7 ]. William Schnell, que trabalhava para a sociedade da Torre de Vigia no tempo em que foi estabelecida esta nova data diz a tal propósito: ‘Nos anos posteriores (...) a Sociedade da Torre de Vigia deslocou a data para 1925. Apresentaram esta nova data a nós e a toda a gente como o ano em que viria o Reino sobre a terra, e no meio dos Estudantes da Bíblia, reapareceriam os célebres personagens ou os príncipes do Antigo Testamento. Esta expectativa era agitada por toda a publicação da organização e deixava uma marca profunda nas nossas mentes’ (William Schnell, op. cit., pag. 36); mas também este novo presságio não se cumpriu [ 8 ]. E por fim nos provou Knorr dizendo que o milénio começaria em 1975 [ 9 ], coisa que também não se cumpriu [ 10 ]. Qual é hoje a data do começo do milénio? Nenhuma, mas ele está muito próximo porque as Testemunhas de Jeová afirmam que alguns da geração viva em 1914 verão o fim do sistema de coisas e sobreviverão a Armagedom. Eis o que dizem: ‘Por isso o juízo de Deus deve ser executado antes que a geração de 1914 desapareça completamente (...) a geração de 1914 está já no crepúsculo da sua existência, o que deixa pouco tempo para que esta profecia se cumpra’ (A Sentinela, 1 de Maio de 1985, pag. 4, 7). 

Mas vejamos agora de perto o que diz a Torre de Vigia a propósito do milénio. Depois da terrível batalha de Armagedom a terra estará cheia de cadáveres; nos é dito de facto que as multidões que serão exterminadas na batalha de Armagedom serão tão numerosas que não ficará suficiente gente para sepultá-las; caberá portanto às Testemunhas de Jeová que sobreviverem à execução do juízo divino contra Babilónia a grande, limpar a terra sepultando os cadáveres e limpando-a das ruínas de Armagedom para transformar a terra num jardim delicioso, num paraíso. Começará assim o reino milenário; ‘Quando o reino de Deus, por meio de Seu "Príncipe da Paz" reger o globo inteiro, a terra não mais ficará dividida politicamente. Não haverá nacionalismo orgulhoso para criar ódio, conflito e derramamento de sangue (...) Quaisquer armas mortíferas de guerra que sobrarem depois do Armagedom serão em pouco tempo destruídas para sempre (...) Portanto, não haverá mais listas de baixas nos jornais, nem viúvas ou órfãos de guerra, nem casas e cidades em ruínas por causa de bombardeios..’ (A verdade que conduz à vida eterna, pag. 103-104). Como todos os iníquos serão aniquilados na batalha de Armagedom a iniquidade cessará de existir, todos os homens viverão em paz uns com os outros e portanto não haverá mais necessidade de polícias e de exércitos. Não haverão mais pestilências nem fomes e nem doenças. Este novo mundo vindouro é chamado pelas Testemunhas de Jeová ‘novos céus e nova terra’; onde por novos céus entendem os justos novos governantes celestiais, ou seja, Cristo Jesus e a sua ‘esposa’ formada pelos 144.000, enquanto por nova terra entendem a justa nova sociedade terrena que tomará o lugar da velha terra, ou seja, da sociedade iníqua (os homens iníquos e as suas instituições políticas e religiosas). Portanto Cristo com os 144.000 reinarão sobre os súbditos terrenos durante o milénio. É de ter presente que por quanto diz respeito àqueles dos 144.000 que sobreviverão a Armagedom eles quando morrerem irão alcançar os seus companheiros no céu da maneira em que sabemos, isto é, serão ‘ressuscitados num piscar de olhos’. Mas que tarefa desempenharão Cristo e os 144.000 durante o Milénio? Esta: ‘Durante este tempo, Jesus Cristo e os membros de seu governo celestial não só servirão como reis, mas também como sacerdotes de Deus a favor de todos os seus súbditos humanos (...) Por quê? Porque todas as pessoas na terra precisarão ser libertas "da escravização à corrupção" a fim de ter "a liberdade gloriosa dos filhos de Deus" (...) Mesmo depois de os iníquos terem sido destruídos, os sobreviventes terrestres ainda serão imperfeitos devido ao pecado herdado de Adão (....) Portanto, para que sejam adaptados plenamente à família dos filhos de Deus, precisam primeiro dos serviços dos sacerdotes celestiais de Deus. O que farão estes? Eles terão um poder que até agora tem faltado a todos os governos humanos: o poder de purificar as pessoas do pecado e da imperfeição. O sacerdócio celestial de Deus está investido deste poder mediante o sacrifício resgatador de Jesus. O Filho de Deus e seus sacerdotes associados aplicarão então os benefícios do sacrifício de Jesus directamente a todos os obedientes (...) Por fazerem contínuo progresso em justiça e com a ajuda do sacerdócio celestial, ficarão progressivamente mais jovens e mais fortes, até que atinjam a saúde perfeita da mente e do corpo. Serão completamente libertos da escravidão ao pecado e à morte herdados de Adão..’ (ibid., pag. 106-107). Mas os benefícios do resgate de Jesus não serão aplicados só aos sobreviventes de Armagedom mas também àqueles que repovoarão a terra durante o milénio, isto é, os filhos daqueles que sobreviverem a Armagedom (porque só estes poderão procriar durante o milénio) e a todos aqueles que ressuscitarem durante o milénio [ 11 ].

Antes de falar porém daqueles que ressuscitarão é necessário dizer as seguintes coisas. A) Como para as Testemunhas de Jeová os mortos quando morrem deixam de existir porque segundo elas não há no homem uma alma que sobrevive à morte, estas ressurreições deveriam ser antes chamadas recriações porque as pessoas são de novo criadas. B) Para as Testemunhas de Jeová a primeira ressurreição de que fala o Apocalipse dizendo: "Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição..." (Ap. 20:6) é a ‘ressurreição’ espiritual dos 144.000. A experimentaram em 1918 (quando Jesus teria começado a reinar) os defuntos que fazem parte dos 144.000 (isto é, os que morreram até àquele tempo); para elas de facto estes são os mortos em Cristo que ressuscitarão primeiro na vinda do Senhor, de que fala Paulo aos Tessalonicenses (cfr. 1 Tess. 4:16). O remanescente dos 144.000 que morrem depois de 1918 ‘ressuscitam’ (isto é, têm parte na primeira ressurreição) também eles quando morrem - ou melhor, são transformados num abrir e fechar de olhos ao som da trombeta - e a eles Paulo se refere quando diz aos Tessalonicenses: "Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens" (1 Tess. 4:17). Em outras palavras o número daqueles que participam nesta primeira ressurreição está limitado ao Senhor Jesus e aos 144.000 sendo Jesus as primícias dos que dormem e os 144.000 as primícias das suas criaturas (cfr. A Sentinela de 15 de Julho de 1975, pag. 441; Seja Deus verdadeiro , pag. 267- 275; Estudo Perspicaz das Escrituras , vol. II, pag. 779-781). Importa ter presente que para as Testemunhas de Jeová como esta ressurreição dos 144.000 é espiritual é ‘invisível aos olhos humanos, como foi a ressurreição de Jesus’ (Seja Deus verdadeiro , pag. 274). Por isso a ressurreição daqueles que se dizem hoje parte dos 144.000 quando acontecer não poderá ser vista por olho humano! C) Para as Testemunhas de Jeová nem todos ressuscitarão; ‘Nem todas as pessoas que viveram e morreram na terra durante os seis mil anos passados despertarão para juízo neste "dia do juízo". Adão, por exemplo, teve o seu juízo final no jardim do Éden, onde foi sentenciado. Também não sairão os religionistas aos quais o Senhor Jesus disse que não podiam escapar do juízo da geena porque eram a semente da Serpente (...) Não sairão do túmulo para o juízo em o Novo Mundo os que morrem iníquos longe de reforma ou correcção e longe da redenção pelo sangue de Cristo. (..) Os que pecaram contra o espírito santo serão excluídos’ (op. cit., pag. 285-286) [ 12 ]. Também os que foram destruídos na batalha de Armagedom não ressuscitarão porque ficarão aniquilados para sempre [ 13 ]! Entre aqueles que segundo as Testemunhas de Jeová não serão ressuscitados estão também Caim, os que morreram no dilúvio, muita da gente de Sodoma, e Judas Iscariotes. Todos estes serão deixados na não existência na qual caíram com a morte [ 14 ]! D) Por quanto diz respeito aos que ressuscitarão durante o Milénio eles ‘sairão dos túmulos com corpos imperfeitos e, à medida que progredirem espiritualmente, vencendo as suas fraquezas e imperfeições com a obediência ao domínio do Reino e recebendo os benefícios expiatórios do sacrifício de Jesus, os seus corpos se aproximarão cada vez mais da perfeição’ (A Sentinela, 15 de Julho de 1975, pag. 442). Portanto quando estes homens ressuscitarem voltarão à terra com um corpo imperfeito, com o qual poderão progredir até à perfeição obedecendo às leis de Deus [ 15 ]! ‘Os ressuscitados à vida na terra sairão para terem a oportunidade de obter a vida eterna no paraíso. Será para eles um tempo de instrução’ (A verdade que conduz à vida eterna , pag. 110). 

Vejamos agora as ressurreições de que elas falam. As Testemunhas de Jeová falam de diversas ressurreições, que terão lugar durante o milénio. Primeiro haverá a ressurreição dos homens de Deus que viveram na antiguidade como por exemplo Noé, Abraão, Davi, Moisés, Daniel, e outros [ 16 ] e os que viveram nos tempos de Jesus mas morreram antes do Pentecostes [ 17 ], e depois a das Testemunhas de Jeová pertencentes à grande multidão que morreram antes de Armagedom. Em seguida haverá a ressurreição dos que morreram sem ter tido a oportunidade de conhecer Deus antes da batalha de Armagedom, e entre estes estaria também o malfeitor que se arrependeu na cruz. E posteriormente será a vez dos que fizeram o mal sem sabê-lo [ 18 ]. A todos estes será dada durante o milénio (que é o dia do juízo, como veremos dentro em pouco) a oportunidade de conhecer a verdade e a justiça e de viver (se observarem as leis de Deus que lhes serão anunciadas) para sempre na terra; ‘São ressuscitados para que possam demonstrar a sua atitude em relação a Deus e se desejam valer-se do sacrifício de resgate de Jesus Cristo disponível a todos...’ (Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. II, pag. 782) [ 19 ]. Aqueles que recusarem obedecer a Deus serão aniquilados para sempre e será como se nunca tivessem existido. 

A este ponto é necessário falar do dia do juízo como o entendem as Testemunhas de Jeová. Mas antes de falar dele é bom dizer que o dia do juízo das Testemunhas de Jeová é diferente do juízo das nações porque enquanto o primeiro deve ainda verificar-se este último começou em 1918 e está ainda em curso e serve para seleccionar as ovelhas que escaparão à batalha de Armagedom, dos cabritos que deverão ser destruídos. Eis as suas afirmações: ‘Na Primavera de 1918 veio como Mensageiro de Jeová ao templo e começou o juízo primeiro da "casa de Deus" e depois das nações deste mundo. A execução do juízo contra essas nações se realiza na batalha do Armagedom...’ (Seja Deus verdadeiro, 284). Este juízo é a divisão por parte de Cristo das ovelhas dos cabritos: ‘Os indivíduos das nações são divididos um dos outros como ovelhas e cabritos. As pessoas com atitude de cabritos que não mostram apreciação pelo reino de Deus mas rejeitam a mensagem do Reino e os portadores dela não lhes dando nem auxílio nem mostrando bondade serão destruídas na vindoura batalha do Armagedom. Os ouvintes da mensagem mansos como ovelhas que se regozijam pela vinda do Reino e fazem o bem ao restante dos últimos membros do corpo de Cristo na terra serão reunidos do lado da graça do Juiz. Esta classe dos semelhantes a ovelhas será poupada com vida durante a batalha de juízo do Armagedom, igual à sobrevivência no dilúvio de Noé e sua família, e entrará em o Novo Mundo sem morrer’ (op. cit. , pag. 286). Por quanto diz respeito ao dia do juízo que deve vir, para as Testemunhas de Jeová ele é o milénio, durante o qual serão julgadas as obras de todos aqueles que habitarem o novo mundo durante esse período. Este juízo é por elas chamado também o dia de prova de mil anos. Eis as suas palavras: ‘(...) o "dia do juízo" refere-se a um dia ou período de tempo no qual Jeová Deus se dispõe a julgar todos os homens ou toda a humanidade em o Novo Mundo de justiça pelo seu Juiz designado, Cristo Jesus. É o primeiro milénio do Novo Mundo, e não um dia de 24 horas’ (ibid., pag. 282) [ 20 ]. Mas neste juízo não serão julgadas as obras feitas (por aqueles que ressuscitarem) no corpo antes de morrer, mas as obras (daqueles que ressuscitarem) feitas durante o milénio: ‘Não serão julgados pelas suas obras passadas, mas pelas suas obras durante o dia do juízo, e nessa base serão provados’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 289). Também por quanto diz respeito aos sobreviventes de Armagedom e aos seus filhos haverá este juízo. Esta espécie de juízo será necessário para estabelecer quem terá o direito de viver eternamente na terra, com efeito, aqueles que passarem esta prova mostrando-se fiéis observadores das leis de Deus até ao fim do milénio serão reputados dignos da vida eterna; enquanto aqueles que recusarem obedecer às leis de Deus serão aniquilados. (Como se pode bem ver a teologia das Testemunhas de Jeová ainda que fale do resgate de Cristo e dos seus benefícios põe sempre ênfase na obediência às leis de Deus para se merecer a vida eterna! A sua salvação não é de modo nenhum o dom gratuito de Deus, mas uma salvação que se merece fazendo boas obras!) 

Mas que sucederá no fim do milénio segundo as Testemunhas de Jeová? Acontecerá que Satanás será solto da sua prisão onde ficará durante os mil anos e procurará desviar as pessoas do amor por Deus para as fazer passar para o seu lado. Conseguirá isso em relação a alguns, e com estes cercará a cidade amada e o arraial dos santos, mas eles serão destruídos definitivamente; voltarão à não existência! (quer o diabo, quer os demónios, quer todos aqueles que caírem vítimas das suas lisonjas, porque para elas não existem penas eternas). Aqueles que porém passarem esta última prova por resistirem ao diabo, serão declarados justos por Deus e lhes será dado o direito de viver na terra paradisíaca para sempre. Eis as suas afirmações: ‘No fim do dia de mil anos de julgamento virá a prova final de juízo a todos os habitantes da terra que então viverem, para determinar quem serão inscritos no livro dos que têm direito à vida sem fim na terra. Essa prova final será feita por soltar Satanás o Diabo da sua prisão. Todos os que então cederem às tentações e aos enganos de Satanás serão julgados indignos, e assinalados para a "segunda morte", simbolizada pelo "lago de fogo" (...) Todos os que resistirem ao adversário e permanecerem fiéis na sua integridade para com Jeová Deus receberão a aprovação do seu Juiz. Por ele receberão a dádiva do direito à vida para sempre em perfeição humana numa terra paradisíaca..’ (ibid. , pag. 289-290) [ 21 ]. E assim estes últimos, após terem merecido a justificação e a vida eterna viverão felizes para sempre na terra [ 22 ], enquanto Jesus e os 144.000 continuarão a reinar nos céus sempre sem serem vistos no novo mundo. Esta em síntese é a doutrina do milénio e da prova final ensinada pelas Testemunhas de Jeová. 

Confutação

O milénio pregado pelas Testemunhas de Jeová não tem nada a ver com o milénio de que fala o Apocalipse 

O juízo das nações. Não é verdade que em 1918 começou o juízo das nações de que falou Jesus, porque este acontecerá quando ele voltar na sua glória e com os seus anjos conforme está escrito em Mateus: "Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda" (Mat. 25:31-33). As ovelhas herdarão o reino eterno que lhes foi preparado desde a fundação do mundo, enquanto os cabritos serão lançados no lago ardente de fogo e enxofre onde serão atormentados pelos séculos dos séculos. 

A primeira ressurreição e a transformação dos vivos. Também para o outro grande evento que para as Testemunhas de Jeová teria acontecido em 1918, isto é, a primeira ressurreição é necessário dizer que também ele ainda não se verificou porque Cristo ainda não voltou do céu. A primeira ressurreição que terá lugar na volta de Cristo em concomitância com o início do milénio, de que fala João no Apocalipse, não se refere à pretensa ressurreição daquela parte dos 144.000 ocorrida em 1918 depois da chamada ‘parousia’ de Cristo. É  uma loucura esta afirmação; como é loucura afirmar por parte das Testemunhas de Jeová que aqueles que ficarem vivos até à vinda do Senhor que serão transformados são o resto dos 144.000 que quando morrem são transformados num abrir e fechar de olhos e arrebatados ao céu para junto de Jesus. O apóstolo Paulo quando diz aos Tessalonicenses que quando o Senhor descer do céu "os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro" (1 Tess. 4:16) se refere a todos aqueles que morreram no Senhor, isto é, a todos os santos que morreram antes daquele dia glorioso. Entre estes estarão também aqueles que serão mortos porque se recusarão a adorar a besta  e a receber o seu sinal, de facto está escrito: "E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos.... Esta é a primeira ressurreição..." (Ap. 20:4,5). Esta é a ressurreição de vida de que falou Jesus, ou seja, a ressurreição que experimentarão os justos no dia de Cristo. Por conseguinte, também os vivos que serão transformados na sua volta depois que os que morreram em Cristo ressuscitarem primeiro não são de modo algum o resto dos 144.000 que permanece na terra mas são todos aqueles santos que serão encontrados vivos na vinda de Cristo Jesus. O apóstolo Paulo é claro a respeito: "Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares" (1 Tess. 4:17).  

O destino dos patriarcas. É falso que Abraão, Isaque e Jacó não sendo parte dos 144.000 não entrarão no reino dos céus, porque Jesus disse que eles entrarão nele conforme disse a alguns: "Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora" (Lucas 13:28) e a outros: "Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; e os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores" (Mat. 8:11-12) [ 23 ]. E além disso o escritor aos Hebreus diz deles: "Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade" (Heb. 11:13-16). Note-se que os patriarcas buscavam uma pátria celestial e portanto não deste mundo. Excluíram (de palavra) do reino dos céus até os patriarcas e os destinaram a viver na terra como súbditos dos 144.000 entre os quais estão muitas Testemunhas de Jeová; que arrogância, que loucura, que engano! 

A extensão da ressurreição. Segundo a Escritura todos os homens ressuscitarão, quer todos os justos, quer todos os injustos; Jesus disse de facto: "Vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão; os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo" (João 5:28-29). É pois falsa a doutrina que diz que alguns pecadores não ressuscitarão. Em particular temos de dizer que está claramente dito que também os habitantes de Sodoma (não alguns, mas todos) ressuscitarão naquele dia conforme está escrito que Jesus disse em Cafarnaum: "Contudo, eu vos digo que no dia do juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti" (Mat. 11:24). E também os hipócritas do tempo de Jesus ressuscitarão porque Jesus disse: "A rainha do sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará..." (Lucas 11:31). 

No que consiste a ressurreição dos justos e dos injustos. É falso que os que ressuscitarem ressuscitarão imperfeitos. Os corpos com os quais todos os homens ressuscitarão serão indestrutíveis. Para os justos o corpo será glorioso, imortal e incorruptível e semelhante ao corpo da glória de Cristo Jesus. E aqui queria fazer uma pontualização necessária para confutar as asserções da Torre de Vigia. Quando a Escritura fala da ressurreição dos justos que acontecerá no dia de Cristo fala da redenção do corpo, de facto Paulo diz aos Romanos: "Também gememos em nós mesmos, esperando a adopção, a saber, a redenção do nosso corpo" (Rom. 8:23). Porque só nesse dia o corpo mortal dos justos será libertado da corrupção e se tornará imortal, glorioso e incorruptível. De maneira que, podemos dizer que quando os justos morrem, eles salvam a sua alma mas ‘perdem’ o seu corpo, mas o perdem só temporariamente, porque o recuperarão na ressurreição quando Deus o ressuscitar. Com base pois neste ensinamento da redenção do corpo, a ressurreição dos justos de que fala a Torre de Vigia não é de modo nenhum a redenção do corpo porque os justos o seu corpo com que morreram nunca o retomarão imortal e incorruptível. Eles experimentarão uma recriação mas não uma ressurreição corporal. E portanto não obterão a redenção do seu corpo de que fala o Novo Testamento, porque o seu corpo com que morreram perder-se-á para sempre [ 24 ]. Por quanto diz respeito aos injustos sabemos que o seu corpo será um corpo imortal e basta, e de facto serão lançados no fogo eterno onde serão atormentados pela eternidade. Com efeito, Jesus um dia disse para temer aquele que "pode fazer perecer na geena (isto é, no fogo eterno) a alma e o corpo" (Mat. 10:28). Note-se que aqui o Senhor diz que Deus pode fazer perecer tanto o corpo como a alma na geena. E quando pode acontecer isto senão na ressurreição dos injustos? Dizemos isto para fazer compreender que não será portanto possível que os ímpios sejam aniquilados. Reflictamos: que sentido teria por parte de Deus ressuscitar os corpos dos ímpios para depois destruí-los e fazê-los voltar à não existência? Se esta for a sua punição, tanto valeria, dado que como dizem as Testemunhas de Jeová eles agora não existem mais, que eles fossem deixados já na não existência. O facto porém é que segundo elas há pecadores que não merecem ficar na não existência, mas merecem ter a possibilidade de conhecer Deus, e eis que então os fazem voltar à vida a estes e se então recusarem obedecer a Deus, então e só então serão feitos voltar para a não existência, pela segunda vez portanto! Certo é que as Testemunhas de Jeová espalham mentiras de todo o género! Como vimos, aqueles que ‘ressurgirem’ durante o milénio, seja ‘justos’ ou ‘injustos’, para a Torre de Vigia não voltarão a viver na terra com o corpo com que morreram, mas isto está em evidente contraste com estas palavras que disse Jesus: "Vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão" (João 5:28). Notai, com efeito, que Jesus disse que todos os que estão nos sepulcros ao ouvir a sua voz sairão deles. Que significa isso? Que ao ouvir a sua voz os corpos daqueles que morreram, tanto dos justos como dos injustos, sairão deles vivificados, transformados. Não pode ser doutra forma, porque se todos os homens não retomassem o seu corpo na ressurreição  Jesus não teria dito que sairiam dos sepulcros. E para explicar este sair do sepulcro com o próprio corpo citamos o exemplo de Lázaro, que quando Jesus o ressuscitou estava há quatro dias no sepulcro. Que sucedeu quando Jesus clamou com grande voz: "Lázaro, vem para fora!" (João 11:43)? Aconteceu que "saiu o que estivera morto..." (João 11:44). Com que coisa saiu? Com o seu corpo vivificado naturalmente, isto é, vivo. Naturalmente, o corpo com que Jesus ressuscitou Lázaro continuava a ser um corpo corruptível, fraco e mortal; mas fica o facto que ao ouvir a sua voz ele veio para fora do sepulcro. Na ressurreição acontecerá uma coisa semelhante: os homens nos seus sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus e sairão deles com os seus corpos, mas corpos transformados pelo poder de Deus em corpos imortais (portanto diferentes daquele com que ressuscitaram Lázaro, a filha de Jairo, etc.). Os justos para serem arrebatados ao céu e serem retribuídos com base nas suas obras; os injustos (no fim do milénio) para comparecerem diante do trono de Deus e serem julgados e condenados.  

A ressurreição de juízo. A ressurreição de juízo de que falam as Testemunhas de Jeová não tem nada a ver com a ressurreição de juízo de que Jesus falou. Porque aquela de que Jesus falou acontecerá no fim do milénio porque está escrito: "Os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram... e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras" (Ap. 20:5,12) [ 25 ]. Nela participarão aqueles que praticaram o mal, entre os quais aqueles que recusaram obedecer ao Evangelho durante a sua vida terrena; eles serão julgados com base nas suas obras feitas antes de morrer e serão condenados ao tormento eterno no fogo eterno, ou seja, o lago ardente de fogo e enxofre. Quando Jesus disse que "de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão-de dar conta no dia do juízo" (Mat. 12:36), se referiu às palavras ociosas pronunciadas nesta vida, agora, pelos homens enquanto habitam no seu corpo mortal. Também quando Paulo diz a Timóteo que "os pecados de alguns homens são manifestos antes de entrarem em juízo, enquanto os de outros descobrem-se depois" (1 Tim. 5:24) se refere a coisas iníquas cometidas no corpo nesta vida mortal por alguns das quais terão de dar conta a Deus. É completamente ilusória portanto a doutrina que diz que alguns injustos ressurgirão durante o milénio e as suas obras que fizerem serão julgadas por Deus para ver se serão dignos de viver eternamente na terra. Pensai se as coisas fossem como ensinam as Testemunhas de Jeová; significaria que depois de mortos os pecadores não seriam punidos pelas suas transgressões que eles praticaram na terra (nem indo para o Hades e nem sendo julgados no dia do juízo), porque delas não terão de dar conta a Deus, antes lhes seria dada a oportunidade de receber a vida eterna na terra a par daqueles que durante a sua vida tinham crido em Cristo. Que injustiça seria tudo isto!! Para resumir portanto, a ressurreição de juízo é a ressurreição em que participarão os ímpios que morreram nas suas ofensas para serem julgados segundo as suas obras feitas no seu corpo e condenados como merecem. De maneira que, para estabelecer quem ressurgirá na ressurreição de juízo não é preciso esperar o fim do milénio (para a Torre de Vigia, só então se poderá dizer de alguns, ‘ressuscitados’ durante o milénio, que ressuscitaram em ressurreição de juízo porque não terão adquirido com as suas obras feitas durante o milénio o direito à vida eterna), porque já se sabe que todos aqueles que praticaram o mal ressurgirão no fim do milénio (e não durante para serem postos primeiro à prova) em ressurreição de juízo. O referido discurso das obras vale também para os justos que ressurgirão; porque também eles terão de dar conta das obras feitas por meio do corpo. De facto, Paulo diz aos Coríntios: "Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal" (2 Cor. 5:10). Naturalmente, dado que os justos ressurgirão em ressurreição de vida, as suas obras serão julgadas para saber que prémio elas merecem. Não se tratará de obras que eles fizeram durante o milénio pelas quais serão julgados dignos ou não de viver na terra para sempre, porque eles já estão certos de viver para sempre com o Senhor. Resta-lhes só saber que prémio receberão pelo que fizeram na terra. Notai as palavras de Paulo "por meio do corpo"; elas explicam este conceito muito bem. O justo não entra em juízo porque creu em Cristo; ele será premiado com base no que fez [ 26 ].

A oportunidade de conhecer Deus que será dada aos injustos ressuscitados . Não é verdade que durante o milénio ressuscitarão aqueles que durante a sua vida não tinham conhecido Deus e que lhes será dada a oportunidade de conhecê-lo; esta segunda oportunidade não está prevista por Deus, não está no seu plano. A Escritura diz: "Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação" (2 Cor. 6:2) e também que "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Heb. 9:27), e que quem não crer durante a sua vida terrena será condenado. É pois falsa também a doutrina da possibilidade da aplicação dos benefícios do resgate de Cristo àqueles que ressuscitarão após terem morrido no pecado. E depois: mas desde quando a Escritura nos diz que o poder de purificar o homem dos seus pecados o tem além de Cristo também o grupo dos 144.000? E que este poder será por eles exercido em conjunto durante o milénio? Cristo purifica os homens dos seus pecados sozinho sem necessitar da ajuda de nenhuma criatura; e isso o faz em relação aos que enquanto ainda estão vivos na terra se arrependem e crêem no seu nome. Quando isso acontece eles são libertados da escravidão do pecado e purificados de todos os seus pecados. Eles são aqueles que terão parte na primeira ressurreição. E dado que as coisas estão assim, isto é, que os crentes são purificados dos pecados e libertados do pecado de uma vez para sempre antes de morrer em Cristo e na ressurreição obterão um corpo glorioso, poderoso, imortal, sem mancha e sem pecado não se entrevê a razão pela qual eles haveriam de ressuscitar para ser postos à prova e ver se desejam valer-se do sacrifício do resgate de Cristo. De facto, que necessidade há de os que participarem na ressurreição de vida sejam purificados dos seus pecados e libertados do pecado quando eles ressuscitarem com um corpo perfeito, glorioso, sem mancha e sem pecado? Não é esta mais uma prova que as Testemunhas de Jeová não entendem o que dizem?  

O reino de Cristo durante o milénio . É também falsa a doutrina que afirma que Cristo durante o milénio reinará com os 144.000 do céu sobre os súbditos terrenos, formados pela grande multidão, e isto o dizemos porque aqueles que ressuscitarem na primeira ressurreição reinarão todos com Cristo na terra. Porque está escrito que aqueles que foram comprados para Deus com o sangue de Cristo foram feitos por Cristo, para o seu Deus, "um reino e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra" (Ap. 5:10) e noutro lugar que "serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos" (Ap. 20:6). 

O dia do juízo. O dia do juízo de que falam as Testemunhas de Jeová afasta-se de maneira evidente do dia do juízo da Escritura; segundo elas é um período de prova dado aos habitantes do mundo vindouro composto pelos sobreviventes do Armagedom e pelos ‘ressuscitados’, mas segundo a Escritura é um dia em que Deus sentenciará a condenação dos ímpios em proporção às suas transgressões. Com efeito, João desse dia diz que viu os mortos, grandes e pequenos, diante do trono de Deus "e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras... E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo" (Ap. 20:12,15). Não é verdade que os cristãos serão declarados justos no fim do milénio depois de terem obedecido às leis de Deus e passado a terrível prova final. Porque quando falámos da justificação demonstrámos que a justificação que aqueles que crêem em Cristo obtêm na terra é uma justificação plena, o que significa que eles são declarados plenamente justos por Deus em virtude da justiça de Cristo e não precisam de passar esta pretensa prova milenária para serem declarados justos para a vida e serem inscritos no livro da vida. A justificação está pronta agora em toda a sua plenitude! E ela se obtém somente mediante a fé; mas como podeis ver a justificação das Testemunhas de Jeová que se obterá no fim do milénio está baseada nas obras. Algumas palavras agora sobre Abraão; a Torre de Vigia afirma que Abraão ‘foi declarado justo como amigo de Jeová, não como filho com o direito à vida humana perfeita ou a reinar com Cristo’ (A Sentinela , 1 de Dezembro de 1985, pag. 15), o que significa que também ele tem que ressurgir e ser posto à prova antes de adquirir o direito à vida eterna na terra. Mas nós dizemos: Como se pode dizer que o patriarca Abraão tenha também ele que ser submetido a este juízo de mil anos antes de ser declarado justo de maneira completa por Deus, quando está dito claramente que Abraão creu no Senhor e isso lhe foi imputado como justiça e foi chamado amigo de Deus (cfr. Gen. 15:6; Is. 41:8)? Não está isso em pleno contraste com o ensinamento da Escritura? Sejam pois postas de lado estas conversas vãs e profanas da Torre de Vigia que fazem passar até nosso pai Abraão inferior aos seus 144.000!! E para concluir esta confutação dizemos isto: mas nunca leram as Testemunhas de Jeová que Jesus disse: "Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas passou da morte para a vida" (João 5:24)? Se então os crentes não entram em juízo é errado pensar que eles depois de serem ressuscitados terão que ser submetidos por parte de Deus a este juízo de mil anos para ver se serão dignos ou indignos de viver para sempre na terra. Haveis notado que para as Testemunhas de Jeová ninguém da grande multidão pode estar seguro de viver eternamente na terra enquanto não houver a prova final no fim do milénio? Como é diferente o sentimento daqueles que creram com o seu coração em Cristo; eles sabem já desde agora que viverão eternamente na nova terra com Cristo. A Ele seja a glória eternamente. Amen.  

 

A SORTE DOS INÍQUOS APÓS A RESSURREIÇÃO 

A doutrina das Testemunhas de Jeová 

Juntamente com a doutrina denominada do ‘sono da alma’ as Testemunhas de Jeová (como também os Adventistas e muitos outros), ensinam a doutrina da aniquilação dos iníquos. Em que consiste esta doutrina? Na asserção que os iníquos depois que ressuscitarem serão destruídos uma vez para sempre e cessarão de existir ou retornarão para a não existência e por isso não serão atormentados pela eternidade (a respeito porém da ressurreição dos pecadores ensinada pelas Testemunhas de Jeová lembrai-vos que elas ensinam as seguintes coisas; antes de tudo que nem todos ressuscitarão - de facto para elas permanecerão na não existência em que estão afundados Adão e Eva, Caim, muitos dos Sodomitas, Judas Iscariotes etc., e os que perecerão na batalha de Armagedom - e que os que ressuscitarão durante o milénio terão a possibilidade de obedecer ao Evangelho e receber a vida eterna; pelo que para elas só aqueles pecadores ‘ressuscitados’ que recusarem obedecer às leis de Deus serão aniquilados). Em outras palavras elas dizem que a punição é eterna no sentido que cessarão de existir pela eternidade mas não no sentido que continuarão a viver imersos num lago de fogo e enxofre a chorar e a ranger os dentes pela eternidade. Eis algumas suas palavras a negar o tormento eterno dos iníquos [ 27 ]. No livro Seja Deus verdadeiro lê-se: ‘A doutrina dum inferno ardente onde os iníquos depois da morte são torturados para sempre não pode ser verdadeira; principalmente por quatro razões: (1) Porque está inteiramente fora das Escrituras; (2) porque é irracional; (3) porque é contrária ao amor de Deus; e (4) porque é repugnante à justiça’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 79) [ 28 ]. Também Russell negou as penas eternas para os pecadores, com efeito, disse: ‘O entendimento certo dos termos mortal e imortal e do seu uso nas Escrituras destrói  a própria base da doutrina das penas eternas (...) eles estão todavia de tal forma enfatuados da ideia das penas eternas que se agarram a ela apesar das declarações contrárias das Escrituras’ (Russell, op. cit., série I, pag. 215,183).

Confutação

Os iníquos não serão aniquilados, mas sim atormentados para sempre   

Nós agora demonstraremos que a doutrina segundo a qual os iníquos serão atormentados pela eternidade no fogo eterno é verdadeira porque perfeitamente escritural e, por conseguinte, não é uma doutrina introduzida pelo Diabo, não é absurda nem contrária ao amor de Deus e também não repugna a justiça de Deus mas a exalta. As seguintes passagens da Escritura falam não de aniquilação dos iníquos mas de tormento eterno dos iníquos, o que significa que eles serão atormentados pela eternidade no fogo eterno. 

Ÿ Jesus disse daqueles que serão postos à sua esquerda: "E irão estes para o tormento eterno..." (Mat. 25:46). 

Ÿ Paulo aos Tessalonicenses diz: "Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder em chama de fogo, e tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus; os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna...." (2 Tess. 1:7-9).  

Ÿ João, no livro da Revelação escreveu: "E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E o fumo do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome" (Ap. 14:9-11). Notai estas expressões "o fumo do seu tormento sobe para todo o sempre" que indica que o seu tormento será sem fim, e "não têm repouso nem de dia nem de noite" que indicam claramente que essas pessoas nunca terão nenhum repouso à diferença daqueles que viverão para sempre com o Senhor que repousarão dos seus trabalhos. 

Ÿ João, ainda no livro da Revelação, disse que o falso profeta e a besta no início do milénio, e depois o diabo no fim dos mil anos, serão lançados no lago ardente de fogo e enxofre e que ali "de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre" (Ap. 20:10). Naturalmente dado que também os cobardes, os incrédulos, os abomináveis, os homicidas, os fornicadores, os feiticeiros, os idólatras e todos os mentirosos serão lançados no lago ardente de fogo e enxofre é necessário dizer que também eles lá serão atormentados pela eternidade (cfr. Ap. 21:8). 

Ÿ Jesus disse: "Se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor é entrares no reino de Deus com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado na geena, onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga" (Mar. 9:47-48). Notai que está escrito que o verme dos iníquos não morre e o fogo não se apaga, o que indica que a sua tortura será contínua, sem fim algum. 

Ÿ Judas disse que Sodoma e Gomorra e as cidades circunvizinhas "havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido atrás de vícios contrários à natureza, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno" (Judas 7). Isto significa que os habitantes dessas cidades iníquas quando naquele dia ressuscitarem serão condenados a ser atormentados pela eternidade no fogo eterno que foi preparado para o diabo e seus anjos. Também no presente, de qualquer modo, os habitantes dessas cidades estão em tormentos; e mais precisamente no Hades. 

Como podeis ver estas passagens supracitadas falam de uma maneira ou de outra de tormento eterno mas as Testemunhas de Jeová dizem que elas não devem ser interpretadas literalmente, o que é errado porque doutra forma não deveríamos interpretar literalmente também as palavras de Jesus "mas os justos para a vida eterna" (Mat. 25:46), e as de João, ainda a propósito dos justos, "e reinarão para todo o sempre" (Ap. 22:5). 

Mas elas dizem também que só o pensamento de que os homens serão atormentados pela eternidade é coisa contrária ao amor de Deus. Não é verdade que Deus que é amor não pode condenar a um eterno tormento os pecadores impenitentes porque Deus é também justo e disse frequentemente que não terá o culpado por inocente. Ele fará o que decretou e não há ninguém que o possa impedir; como não houve ninguém que pôde impedir Deus de exterminar o mundo antigo e as cidades de Sodoma e Gomorra, assim ninguém conseguirá naquele dia persuadir Deus a não fazer sofrer pela eternidade suas criaturas pelas suas más acções cometidas na terra. Não há injustiça alguma em Deus e se ele estabeleceu enviar para um eterno suplício os iníquos quer dizer que esta é a pena justa que merecem todos os pecadores que recusam arrepender-se e obedecer ao Evangelho da graça de Deus. Nós não ousamos nos pôr a condenar Deus ou a censurar a sua Palavra, porque somos cacos entre outros cacos de barro! 

Nós cremos que se Deus preparou o fogo eterno para o diabo e os seus anjos e decretou que lá eles terão que ser lançados para serem atormentados pela eternidade, não errou de modo algum no juízo. E quem pode dizer que Satanás e os seus anjos não merecem ser atormentados no fogo pela eternidade? Considerando o mal que tanto Satanás como os seus anjos fizeram até ao presente e que farão ainda até ao fim importa reconhecer que seria injusto da parte de Deus não condená-los a um eterno tormento! Pelo que respeita aos filhos do diabo Jesus disse que mandará os seus anjos que os colherão e lançá-los-ão na fornalha do fogo eterno; um acto injusto porventura da parte do Senhor? De modo nenhum, porque ele "julga e peleja com justiça" (Ap. 19:11).

E por fim dado que como vimos as Testemunhas de Jeová ensinam que Judas Iscariotes será um dos que não ressuscitará porque quando morreu foi aniquilado de uma vez para sempre queremos dizer que não é verdade nem que Judas quando morreu foi aniquilado de uma vez para sempre (e que portanto não desceu para as chamas do Hades) e nem que naquele dia não ressuscitará porque doutra forma Jesus não teria dito a respeito de Judas: "Ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido" (Mat. 26:24). Em outras palavras Judas quando morreu desceu para o Hades e, após ter passado muitos séculos nas chamas do Hades, ressuscitará naquele dia para ser julgado segundo as suas obras e ser lançado no fogo eterno mas não para nele ser destruído mas para nele ser atormentado. Se Judas tivesse voltado a não existir para sempre quando morreu ou se ele naquele dia fosse feito voltar à não existência Jesus teria dito que para ele fora como se não houvesse nascido - porque as coisas se equivaleriam - mas não que para ele melhor lhe fora não haver nascido! O facto portanto de Jesus lhe ter dirigido essas palavras significa que o que esperava Judas era um eterno tormento, tudo menos aniquilação. 

O nosso Deus é um vingador  

O profeta diz: "O Senhor é um Deus zeloso e vingador; o Senhor é vingador e cheio de furor; o Senhor toma vingança contra os seus adversários, e guarda a ira contra os seus inimigos. O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente" (Naum 1:2-3). Estas palavras do profeta Naum testificam que Deus não é só amor, mas é também um vingador. Agora, vos menciono algumas passagens da Escritura que testificam que o Senhor quando aparecer do céu se vingará dos que cometem iniquidade: 

Ÿ "Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes" (Mat. 13:40-42). 

Ÿ "A tua mão alcançará todos os teus inimigos, a tua destra alcançará todos os que te odeiam. Tu os farás qual fornalha ardente quando vieres; o Senhor os consumirá na sua indignação, e o fogo os devorará" (Sal. 21:8-9). 

Ÿ "É justo diante de Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, alívio juntamente connosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder em chama de fogo, e tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus; os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando naquele dia ele vier para ser glorificado nos seus santos" (2 Tess. 1:6-10). 

Como podeis ver a Escritura não lisonjeia os ímpios de nenhuma maneira, mas diz claramente o que os espera. Mas nós que faremos? Nos poremos a lisonjeá-los não advertindo-os que se não se arrependerem e não crerem no nosso Senhor acabarão no fogo eterno, mas ainda antes, quando morrerem, no Hades? Assim não seja. Nós estamos em obrigação de falar do fim que espera todos os que recusam obedecer ao Evangelho de Deus sem lhes ocultar nada. Hoje, no seio de muitas igrejas nunca se ouve falar do Hades e nem do dia da vingança de Deus, como se fossem assuntos doutrinais sobre os quais a Escritura cala e nada faz saber, ou como se fossem coisas a não saber e a não fazer saber aos outros; nós julgamos que não se deve calar sobre coisas sobre as quais o próprio Jesus que desceu do céu falou de muitas e variadas maneiras à sua geração. 

 

OS NOVOS CÉUS E A NOVA TERRA

A doutrina das Testemunhas de Jeová 

Serão destruídos estes céus e esta terra para as Testemunhas de Jeová? Absolutamente não. Eis, com efeito, o que ensina a Torre de Vigia a propósito: ‘Deus não tem nenhum motivo para pôr fim aos céus onde reside, e o mesmo diga-se de todos os corpos celestes físicos. E o globo terrestre não lhe deu nenhum motivo de per si para destruí-lo, malgrado o que os homens fizeram para contaminar e inquinar a superfície dele’ (A Sentinela, 15 de Julho de 1984, pag. 5). Mas então o que entendem as Testemunhas de Jeová por dissolvimento destes céus e desta terra e por criação de novos céus e nova terra? O explica A Sentinela: ‘Quando Pedro faz referência aos ‘céus’ que serão queimados, fala dos ‘céus’ simbólicos. São os governos que exercem o domínio sobre os homens que formam a ‘terra’ (...) As autoridades governativas formadas por homens imperfeitos frequentemente opressivas se demonstraram um completo insucesso e serão dissolvidas no ‘dia de Jeová’, como faz notar Pedro. Serão substituídas pelos ‘novos céus’ compostos por Jesus Cristo e pelo número limitado que vai para o céu formar o governo do Reino. Por este motivo Pedro escreveu: ‘Mas, há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há-de morar a justiça. (...) Sobre quem reinarão? Obviamente sobre os súbditos na terra, doutra forma este versículo não teria nenhum sentido. A velha ‘terra’ terá fim, come se fosse queimada, quando os homens iníquos e as suas instituições forem destruídos, deixando só uma ‘nova’ sociedade terrena (...) esta será verdadeiramente uma ‘nova’ sociedade de pessoas, uma ‘nova terra’! (ibid. , pag. 6); ‘A ‘nova terra’ é composta por uma raça humana justa que habitará o purificado planeta Terra...’ (A Sentinela , 1 de Abril de 1984, pag. 9) [ 29 ]. Em outras palavras segundo a Torre de Vigia estes céus são os governos dos homens e esta terra é esta sociedade iníqua, que serão destruídos e o seu lugar será tomado por quanto diz respeito aos céus pelo governo de Jesus Cristo e dos 144.000 (os novos céus) enquanto por quanto diz respeito à terra pela nova sociedade do novo mundo (a nova terra) [ 30 ].

Confutação

A Escritura diz que estes céus e esta terra serão aniquilados e no seu lugar Deus criará outros melhores 

As seguintes Escrituras afirmam que esta terra e estes céus desaparecerão porque Deus os destruirá mediante o fogo. 

Ÿ Jesus disse: "Passará o céu e a terra..." (Lucas 21:33). 

Ÿ Paulo disse que "as [coisas] que se vêem são temporais" (2 Cor. 4:18). 

Ÿ Pedro diz: "Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, aguardando, e apressando a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?" (2 Ped. 3:10-12).

Ÿ Nos Salmos está escrito: "Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados" (Sal. 102:25-26). 

Ora, enquanto por um lado nós cremos que Deus fará desaparecer esta terra e este céu, por outro cremos que Deus criará um novo céu e uma nova terra, com efeito, "nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (2 Ped. 3:13). Mas onde está escrita esta promessa? No livro do profeta Isaías, com efeito, ali encontramos escritas as seguintes palavras: "Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra" (Is. 65:17). João na visão que teve na ilha de Patmos viu desaparecer este céu e esta terra e aparecer o novo céu e a nova terra, com efeito, diz: "E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles" (Ap. 20:11), e também: "E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe" (Ap. 21:1). Portanto segundo as palavras de João na nova terra não existirá o mar. 

Nós crentes estamos certos que se tivermos constância na prova reinaremos com Cristo pela eternidade; nós sabemos que a Nova Jerusalém um dia descerá do céu sobre a nova terra que Deus criará a seu tempo, e estamos seguros que é lá que nós reinaremos pelos séculos dos séculos com Cristo. Jesus disse: "Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra" (Mat. 5:5). Ora, os crentes são herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, e é claro que para serem chamados herdeiros têm de herdar uma herança de Deus. Segundo a Escritura esta herança que herdarão os que Deus chamou ao seu reino é eterna, de facto na carta aos Hebreus está escrito: "E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna" (Heb. 9:15). Por isso, como esta terra não é eterna, porque é temporal, não podemos defini-la parte da herança eterna que os mansos herdarão; portanto não podemos dizer que viveremos para sempre sobre esta terra. Mas se é verdade que esta terra tem o tempo contado, é também verdade que a nova terra que Deus criará será eterna conforme está escrito em Isaías: "Os novos céus e a nova terra, que hei-de fazer, durarão diante de mim, diz o Senhor" (Is. 66:22). Por isso nós dizemos que a terra que os mansos herdarão não é a presente mas a futura que Deus, a seu tempo, criará juntamente com os novos céus.  

É clara, pois, a Escritura a respeito do fim que terão este céu e esta terra; mas o que a Escritura diz claramente a Torre de Vigia, como de costume, o ofuscou com alegorias arbitrárias. Irmãos, guardai-vos desta outra alegoria das Testemunhas de Jeová porque ela é falsa. 

 

CONCLUSÃO

No fim deste capítulo julgo oportuno resumir sumariamente qual é o ensinamento da Escritura a respeito dos acontecimentos tratados nele; faço isto para facilitar a sua compreensão dado que ao confutar as estranhas doutrinas escatológicas da Torre de Vigia toquei diversos assuntos e alguém poderá não conseguir ligá-los entre si. 

Quando Jesus voltar do céu com glória e com poder, soará a trombeta de Deus, e os mortos em Cristo ressurgirão primeiro, depois nós os que ficarmos vivos até esse dia seremos transformados num abrir e fechar de olhos, isto é, obteremos um corpo imortal, glorioso e incorruptível (o mesmo que obterão os ressuscitados), sem ver assim a morte física, e com este novo corpo seremos arrebatados nas nuvens do céu juntamente com os mortos em Cristo ressuscitados. Na terra entretanto a besta e os reis da terra se reunirão para fazer guerra ao Cordeiro e aos que estarão com Ele. O Senhor então os destruirá; eles não poderão vencer. Começará assim o reino milenário, um reino de paz e de justiça, durante o qual Cristo reinará na terra com todos aqueles que participaram na primeira ressurreição (que é a ressurreição de vida), os quais são sacerdotes e reis. Durante este período de tempo (mil anos) Satanás estará preso, pelo que ele não poderá enganar as nações. No fim deste período de mil anos, acontecerá que Satanás será solto e enganará as nações, as quais cercarão os santos mas do céu o Senhor fará descer fogo que as devorará. Quanto a Satanás, ele será lançado no lago ardente de fogo e enxofre onde o precederam (isto no início do milénio) a besta e o falso profeta que ali tinham sido lançados vivos. Após a punição do diabo, haverá a ressurreição dos ímpios, isto é, a ressurreição de juízo na qual todos os homens comparecerão diante do trono de Deus para serem julgados segundo as suas obras e condenados a uma eterna infâmia e punição no fogo eterno, ou segunda morte. Os santos, pelo contrário, reinarão pela eternidade nos novos céus e na nova terra que Deus criará após ter destruído estes céus e esta terra no fim do milénio. E aqui é bom dizer estas coisas. Segundo o que viu João na ilha de Patmos, quando Deus criar os novos céus e a nova terra descerá do céu a Nova Jerusalém, ou seja, a cidade que tem os verdadeiros fundamentos cujo arquitecto e construtor é Deus. Esta gloriosa cidade que descerá da parte de Deus com a glória de Deus pousará na nova terra, em que já não existirá mar, e nela habitarão pela eternidade aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro. E como "nela estará o trono de Deus e do Cordeiro" (Ap. 22:3), está implícito que nesta cidade habitarão também os 144.000 de quem é dito "que  seguem o Cordeiro para onde quer que vá" (Ap. 14:4). Portanto na santa cidade que ficará para sempre na nova terra, habitarão todos aqueles que quando morreram foram habitar no céu com o Senhor, aguardando a sua ressurreição. Portanto é bom sempre ter presente que para aqueles que morrem em Cristo os espera desde logo o céu, aguardando reinar pelos séculos dos séculos na nova terra, depois que se cumprirem a ressurreição, o milénio e o juízo de todos os homens. "Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra" (Mat. 5:5), a nova naturalmente.  

Sabendo pois, irmãos, que nos espera a glória eterna, vos exorto a reter firme até ao fim a esperança que Deus vos deu na sua grande misericórdia. Permanecei unidos a ela; não vos deixeis enganar pelas paixões enganadoras do velho homem que vos levariam a renunciar a esta esperança para irdes atrás da vaidade, dos prazeres deste mundo que são de nenhum préstimo para aqueles vão atrás deles e que no fim os remuneram na terra com ais e dores de todo o género e após a morte com o pranto e o ranger de dentes, primeiro no Hades e depois no lago ardente de fogo e enxofre. Ah, quantos um dia tinham crido, se tinham alegrado por ter conhecido a verdade e a esperança da glória eterna, tinham por um certo tempo dado ouvidos à voz do Pastor e Bispo das nossas almas, mas depois abandonaram o caminho direito porque preferiram a glória dos homens em vez daquela que vem de Deus, os prazeres do pecado em vez do prémio celestial. E onde estão agora? Aqueles que estão vivos fisicamente estão cheios de ais, de dores, que não são mais do que  a devida recompensa do seu erro; enquanto aqueles que estão mortos estão no inferno, no meio do fogo a gritar, a chorar, a ranger os seus dentes, aguardando apenas aquele dia em que Deus os julgará segundo as suas obras condenando-os ao lago ardente de fogo e enxofre.  

 

 

NOTAS

 

[ 1] Lembro-vos que para Russell, ao contrário, Jesus tinha voltado de maneira invisível em 1874. Desde esse ano tinha começado o período da tribulação que culminaria com o fim do presente sistema de coisas em 1914. Ele tinha chegado à conclusão que 1874 marcava o princípio da tribulação baseando-se na Grande Pirâmide do Egipto. Ele disse de facto: ‘A medição da ‘Passagem de entrada’ desde esse ponto, para encontrar a distância até à entrada do ‘abismo’ (‘Pit’), que representa a grande tribulação e destruição com que esta época se deve concluir, quando o diabo for derrubado do poder, nós encontramos ser de 3416 polegadas; que simbolizam 3416 anos a partir da referida data, 1542 A.C. Este cálculo mostra que 1874 D.C. marca o início do período da tribulação; porque 1542 anos A.C. mais 1874 D.C. fazem 3416 anos. Assim a Pirâmide testemunha que o fim de 1874 era o início cronológico do tempo da tribulação, tal que não houve desde que existe uma nação -, não, e nem haverá depois’ ( Estudos das Escrituras , vol. III, edição anterior a 1914, pag. 342). Na edição de 1916 do mesmo volume, o corredor da Pirâmide foi alongado 41 polegadas pelo que o início da grande tribulação foi deslocado para o fim de 1914. A Torre de Vigia agora rejeita os cálculos feitos por Russell baseando-se na Pirâmide. ‘... é um insulto para Deus sustentar que ele tenha considerado necessário convalidar a sua Palavra inspirada com um monumento mudo (...) apesar de algumas das suas medidas parecerem dignas de nota, não se pode porém negar que deram azo a falsas esperanças que acabaram em desilusão (...) a respeito da grande Pirâmide não temos outra alternativa senão concluir que foi feita pelo poder demoníaco antes que pela força activa de Deus. (...) podemos encontrar uma justificação para a construção da Grande Pirâmide, como monumento erigido à astrologia na esperança de descobrir os segredos fundamentais da vida e de toda a matéria. (...) Esta, a mais lógica de todas as explicações acerca da construção da Grande Pirâmide de Giza, indicaria portanto que certamente ela foi uma manifestação da religião do Diabo, e construída para promover tal religião’ (A Sentinela, 15 de Fevereiro de 1958, pag. 100-103). [ ç ]

 

[ 2] Com estas palavras elas explicam o porquê de em 1918 se terem formado grupos cismáticos; porque Cristo entrando no seu ‘templo’ separou o ‘escravo fiel e discreto’ (os 144.000) do mau servo (a classe dos cismáticos)! Para confirmar a data de 1918 elas dizem: ‘Como Jesus purificou o templo em Jerusalém três anos e meio depois da sua unção com o espírito de Deus para ser Rei, assim também três anos e meio depois de haver tomado o império real no Outono de 1914, veio ao templo espiritual e começou a purificá-lo. Este facto ocorreu na Primavera de 1918...’ (ibid ., pag. 191). Mas as Testemunhas de Jeová esqueceram que quando Jesus entrou na casa do seu Pai em Jerusalém expulsou dela todos aqueles que vendiam e que tinham feito daquela casa um covil de ladrões. Coisa que ele não teria feito em 1918 quando veio à ‘casa de Deus’ de Brooklyn, porque aqueles que vendiam livros, brochuras e outro material inerente ao ‘reino de Deus’ permaneceram no seu lugar. Deveras estranha pois esta purificação realizada por Jesus em 1918! Como podeis ver, além de ter que dizer que nesse ano não aconteceu esta purificação do templo, é preciso dizer que a comparação feita com a purificação do templo de Jerusalém se demonstra completamente arbitrária e contraditória. [ ç ]

 

[ 3] Mais adiante veremos qual é o sofisma usado pelas Testemunhas de Jeová a propósito destas palavras do Apocalipse. Por agora dizemos o que dizem a propósito das palavras dos anjos citadas acima: ‘Os anjos, na verdade, disseram aos discípulos que era inútil que perscrutassem o céu, esperando ver aparecer nele Jesus. Com efeito, a nuvem o tinha alcançado, e ele tinha desaparecido da vista. Mas voltaria da mesma maneira, invisivelmente, inobservado pelos olhos físicos’ (Estudo Perspicaz das Escrituras , vol. I, pag. 489). Mas nós dizemos: ‘Mas se os anjos disseram aos discípulos que Jesus voltará da mesma maneira em que eles o tinham visto ir para o céu, quer dizer que os discípulos o viram subir para o céu com os seus olhos físicos, portanto se disseram da mesma maneira quer dizer que na sua volta será igualmente visto pelos seus. Note-se que pouco antes está escrito que Jesus foi levado para cima e que uma nuvem "o recebeu, ocultando-o a seus olhos" (Actos 1:9) o que quer dizer que eles o viram elevar-se e subir para o céu, só que a certa altura veio uma nuvem que os impediu de vê-lo com os olhos. Não sabemos a que distância da terra aconteceu isto, mas seja como for a chegada daquela nuvem os impediu de vê-lo. A razão portanto não era porque Jesus era um espírito invisível, mas porque uma nuvem o ocultou a seus olhos. [ ç ]

 

[ 4] Para sustento desta sua incerteza elas citam habitualmente estas palavras de Sofonias: "Buscai ao Senhor, vós todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura sereis escondidos no dia da ira do Senhor" (Sof. 2:3). Mas debaixo da graça, este porventura desapareceu, porque Paulo diz: "Logo muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira" (Rom. 5:9), e isto porque, como ainda diz o apóstolo aos Tessalonicenses, "Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Tess. 5:9). Portanto, o verdadeiro crente sabe que escapará à ira de Deus vindoura. Ele não diz porventura serei, mas de certo serei, em virtude da sua plena confiança n`Aquele que o livra da ira vindoura, isto é, Jesus Cristo, Deus bendito eternamente. Amen. [ ç ]

 

[ 5] ‘... Russell uniu-se a Nelson H. Barbour, de Rochester, New York, publicando um livro intitulado ‘Três mundos, e a colheita deste mundo’. Neste livro expunha-se que o fim dos tempos dos Gentios em 1914 seria precedido por um período de quarenta anos caracterizado pelo  início de uma colheita de três anos e meio, a começar em 1874 E.C. Compreendia-se que esta colheita ocorreria sob a direcção invisível do Senhor Jesus Cristo, cuja presença ou parusia começou no ano 1874. (...) Calculou-se que o ano 1874 era o fim dos seis milénios de pecado entre a humanidade. Compreendeu-se que desde esta última data a humanidade estava no sétimo milénio. Segundo esta compreensão dos acontecimentos, a classe da ‘virgem casta’ começou a sair ao encontro do Esposo celestial no ano 1874, visto que criam que ele tivesse chegado naquele ano e estivesse desde então invisivelmente presente. Pensaram que já viviam na presença invisível do Esposo. Por causa deste facto, quando Charles T. Russell começou a publicar em Julho de 1879 a sua própria revista religiosa, a publicou com o título ‘Torre de Vigia de Sião e Arauto da presença de Cristo’. (...) A nova revista anunciava a presença invisível de Cristo como iniciada em 1874. Esta presença devia continuar até ao fim dos Tempos dos Gentios em 1914, quando as nações gentias seriam destruídas e o remanescente da classe da ‘virgem casta’ seria glorificado com o seu esposo no céu mediante a morte e a ressurreição para a vida em espírito’ (Aproximou-se o reino de Deus de mil anos , Alemanha Ocidental 1975, pag. 187-188). No livro The Time Is At Hand, publicado em 1889, Russell afirmava: ‘Em verdade, há que esperar grandes coisas proclamar, como fazemos nós; dentro dos próximos vinte e seis anos todos os actuais governos serão derrubados e dissolvidos; (...) Atendendo à sólida evidência bíblica relativa aos tempos dos Gentios, nós consideramos uma verdade estabelecida que o fim completo dos reinos deste mundo, e o pleno estabelecimento do Reino de Deus, serão realizados em finais de 1914 A.D’ (pag. 98 e 99); e também: ‘Portanto, não deveis surpreender-vos quando nos próximos capítulos apresentarmos as provas que o estabelecimento do Reino de Deus já começou, que a profecia testifica o início do exercício do poder em 1878 A.D., e que a ‘batalha do grande dia do Deus Todo-Poderoso’ (Rev. 16:14), que terminará em 1914 A.D com a completa destruição dos actuais governos da terra, já começou. A reunião dos exércitos é claramente visível do ponto de vista da Palavra de Deus’ (pag. 101). Em 1891 num outro seu livro intitulado Thy Kingdom Come Russell afirmava: ‘E, com o fim de 1914 A.D., aquilo que Deus chama Babilónia e os homens chamam Cristianismo, terá desaparecido como já foi ilustrado pela profecia’ (pag. 153). [ ç ]

 

[ 6] Segundo os cálculos de Russell em 1° de Outubro de 1914 terminariam os tempos dos Gentios e a Igreja iria para o céu. O Anuário de 1976 recorda quanto aconteceu na manhã de 2 de Outubro na sede central de Brooklyn, depois que todos se deram conta que nada do que Russell tinha dito se tinha verificado no dia anterior: ‘Todos estavam sentados quando entrou o irmão Russell. Como habitualmente, ele disse alegremente: ‘Bom dia a todos’. Mas esta particular manhã foi diferente. Em vez de ir prontamente para o seu lugar, bateu palmas e com alegria anunciou: ‘Os Tempos dos Gentios terminaram; os seus reis tiveram a sua oportunidade’. ‘Como batemos palmas!’ exclama Cora Merrill. O irmão MacMillian admitiu: ‘Estávamos muito emocionados e não ficaria surpreendido se naquele momento tivéssemos começado a ascensão, sendo aquele o sinal para começar a subir ao céu; mas naturalmente não houve absolutamente nada do género’. A irmã  Merrill acrescenta: ‘Após uma breve pausa ele [ Russell ] disse: Alguém está desapontado? Eu não. Tudo corre conforme o programa! De novo batemos palmas’ (Anuário das Testemunhas de Jeová 1976, pag. 71). [ ç ]

 

[ 7] Se tenha presente que o texto inglês deste livro de Rutherford após 1925 foi modificado, com efeito, nos livros em circulação apagou-se a data 1925 e se imprimiu, com caracteres tipográficos diferentes dos outros, a palavra inglesa ‘soon’ - de quatro caracteres como ‘1925’ - que significa ‘cedo, em breve’. Estas modificações tinham o intuito de fazer esquecer às Testemunhas de Jeová aquilo que Rutherford tinha dito dever acontecer em 1925. [ ç ]

 

[ 8] Rutherford declarará: ‘Reconheço ter feito a figura de um asno’ (citado por Raymond Franz em Crise de Consciência, Napoli 1988, pag. 205). Quando depois em 1926 vai à Suíça, durante uma assembleia em que houve uma reunião com intervenções foi registado o seguinte diálogo: PERGUNTA: Os  dignitários da antiguidade voltaram? RESPOSTA (de Rutherford): Certamente que não. Ninguém os viu, e seria tolo fazer um tal anúncio. O livro ‘Milhões’ dizia que podíamos razoavelmente esperar o seu regresso pouco depois de 1925, mas essa era simplesmente uma opinião’ (citado por Raymond Franz in op. cit., pag. 272). Por causa desta desilusão muitas Testemunhas de Jeová deixaram a Sociedade. Em 1930 Rutherford, para mostrar a todos que o movimento continuava a crer na ressurreição iminente dos patriarcas mandou construir, gastando setenta e cinco mil dólares do tempo, uma mansão luxuosa para eles. A mansão foi chamada Beth-Sarim, isto é, ‘Casa dos Príncipes’ e deveria hospedar os patriarcas ressuscitados, e foi defendida incansavelmente por Rutherford contra aqueles que se permitiam ironizar sobre ela. Na realidade, porém, a mansão foi a sua morada terrena, e ali morrerá em 1942. Alguns anos depois da sua morte o seu sucessor a venderá dizendo que ela tinha cumprido a obra para a qual tinha sido construída. [ ç ]

 

[ 9] Em 1966 Fred Franz (o então vice-presidente da Torre de Vigia) publicou o livro intitulado Vida eterna na liberdade dos filhos de Deus em que era dito: ‘Desde o tempo de Ussher, fizeram-se estudos intensivos da cronologia bíblica. Neste século vinte, realizou-se um estudo independente que não acompanha cegamente certos cálculos cronológicos tradicionais da cristandade, e a tabela de tempo publicada, resultante deste estudo independente, fornece a data da criação do homem como sendo 4026 a.E.C. Segundo esta cronologia bíblica fidedigna, os seis mil anos desde a criação do homem terminarão em 1975 e o sétimo período de mil anos da história humana começará no outono do ano 1975 E.C.’ (pag. 28-29). Era tão sentida esta fatídica data, nos anos anteriores a 1975, que um certo número de Testemunhas de Jeová se prepararam para o grande evento destas maneiras. Alguns liquidaram os seus negócios, deixaram o emprego, venderam casas e herdades e mudaram-se para outras zonas para ‘servir onde a necessidade era maior’ com mulheres e filhos, julgando ter fundos em suficiência para chegar até 1975. Outros, entre os quais também pessoas anciãs, levantaram o dinheiro de apólices de seguro ou de outros certificados de valor; e alguns adiaram operações cirúrgicas pensando que com o início do milénio não necessitariam mais delas. Em Abril de 1975 (quando a espera do fim do mundo era enorme) na revista Despertai! eram elogiados e defendidos os casais que tinham decidido não ter filhos para poderem melhor proclamar a mensagem da Torre de Vigia: ‘Hoje há uma grande multidão de pessoas que confiam que agora está iminente uma destruição de proporções ainda maiores. As evidências indicam que dentro em breve a profecia de Jesus terá um maior cumprimento, sobre este inteiro sistema de coisas. Este foi um dos principais factores que induziu muitos casais a decidir não ter filhos neste tempo. Preferiram permanecer sem filhos de maneira a serem menos obstaculizados na observância das instruções de Jesus Cristo de pregar a boa notícia do reino de Deus em toda a terra antes que venha o fim deste sistema  (...) há muitas boas razões para que os casais decidam não ter filhos agora. Também na profecia de Jesus a respeito do tempo do fim, se encontram boas razões para permanecer sem filhos. Por isso, seria inteiramente incorrecto por parte de quem quer que seja criticar os que decidem que este não é o tempo para ter filhos’ (Despertai!, 8 de Abril de 1975, pag. 11-12). [ ç ]

 

[ 10] A razão adoptada para a falta de cumprimento da predição foi esta, a saber, que os seis mil anos tinham sido calculados desde o momento em que tinha terminado a criação de Adão, enquanto deviam ser calculados a partir do momento em que tinha terminado a criação de Eva (criação esta que aconteceu algum tempo após a de Adão), que ainda não podia ser especificado. Pelo que não se podia ainda estabelecer quando tinha começado o repouso de Deus de sete mil anos!! Disse bem a Sabedoria: "Ainda que pisasses o insensato no gral entre grãos pilados, contudo não se apartaria dele a sua estultícia" (Prov. 27:22). [ ç ]

 

[ 11] Fazemos notar que a doutrina sobre quem são aqueles que procriarão filhos durante o milénio mudou porque antes era dito que também os das ‘outras ovelhas’ que seriam ressuscitados após a batalha de Armagedom procriariam durante o milénio: ‘Em obediência ao mandato divino estes filhos justos do "Eterno Pai, Príncipe da Paz," se casarão e terão filhos, não para tribulação e guerra mortal, mas para encher a terra’ (A verdade vos tornará livres, Brooklyn 1930, pag. 367); ‘Deus havendo-lhes apresentado esta esperança, e tendo morrido fiéis e irrepreensíveis a ele, ele não lhes negaria o privilégio do mandato divino’ (op. cit., pag. 368). Mas depois o matrimónio e a procriação foram impedidos aos ‘ressuscitados’ das ‘outras ovelhas’ e limitados só aos sobreviventes de Armagedom: ‘Depois de serem levantados dos túmulos eles então não participam da geração de filhos, mas as palavras em Lucas 20:34-36 a eles se aplicam’ ( Seja Deus verdadeiro, pag. 276). Esta procriação, de qualquer modo, cessará a certa altura ‘pois o propósito do Reino não é encher a terra paradisíaca com a descendência dos sobreviventes do Armagedom até o ponto de saturação’ (Novos céus e uma Nova terra, pag. 360). [ ç ]

 

[ 12] Deveras estranha esta sua afirmação sabendo que para elas o Espírito Santo não é uma pessoa mas uma força impessoal. [ ç ]

 

[ 13] Eis por que as Testemunhas de Jeová estão continuamente a alertar para Armagedom (que está sempre às portas) porque lhes foi dito que quem perecer nessa batalha jamais poderá ‘ressurgir’ e ter a possibilidade de ganhar o direito a viver para sempre na terra!! [ ç ]

 

[ 14] A respeito da ressurreição, é necessário precisar que as Testemunhas de Jeová se afastam de Russell na extensão da ‘ressurreição’ porque este último ensinou que todos os homens voltariam à vida durante o milénio para ter uma segunda possibilidade de salvação: ‘... é no intento de chegar ao conhecimento e ao gozo da bondade de Deus que ‘todos os que estão nos sepulcros... sairão’ (...) Se alguém quiser chamar essa possibilidade de chegar à vida uma ‘segunda ocasião’, assim seja; é certamente a segunda oportunidade dada a Adão (...) pela desobediência de Adão todos foram condenados à morte e todos receberão na época do Milénio uma plena oportunidade de alcançar a vida eterna’ (Estudos das Escrituras, série I, pag. 151,152). Também Adão portanto terá a oportunidade de merecer a vida eterna durante o milénio. Assim como também todos os habitantes de Sodoma: ‘E por que os Sodomitas não haveriam também eles de ter uma ocasião de alcançar a perfeição e a vida eterna a par de Israel, ou de alguns de nós? Eles não eram justos, é verdade, mas Israel também não o foi, nem o somos nós, que agora ouvimos o evangelho’ (ibid., pag. 125). A respeito dos Sodomitas deve ser dito que actualmente a Torre de Vigia concede a ressurreição a alguns deles: ‘Jesus indicou que pelo menos alguns dos injustos habitantes das antigas Sodoma e Gomorra estariam presentes na terra no Dia do Juízo. Embora  fossem muito imorais, podemos esperar que pelo menos alguns deles serão ressuscitados. Jeová, na sua misericórdia, os reconduzirá à vida para lhes dar a oportunidade de conhecer os seus propósitos’ (Poderá viver para sempre no paraíso na terra , pag. 179). Mas anos atrás não a concedia a nenhum dos Sodomitas: ‘Ele estava indicando com precisão a absoluta impossibilidade de redenção para os incrédulos ou obstinadamente iníquos, porque Sodoma e Gomorra foram irrevogavelmente condenadas e destruídas, para lá de qualquer possível recuperação’ ( A Sentinela, ed. inglesa de 1 de Fevereiro de 1954 pag. 85). [ ç ]

 

[ 15] Note-se que esta ‘ressurreição’ que estes obterão durante o milénio é diferente da dos 144.000 porque esses obtêm um corpo espiritual, enquanto estes obtêm um corpo material. ‘Esses no céu recebem um corpo espiritual, porque Deus se compraz em lhes dar um corpo adequado ao ambiente celestial em que têm de viver. Mas que espécie de corpo dará Deus aos que terão uma ressurreição terrena? Não o mesmo corpo (...) lhes será dado um corpo como agrada a Deus. Porque é vontade e desejo de Deus que os ressuscitados obedeçam às ‘coisas escritas nos rolos’, eles deverão ter um corpo são, com todas as suas faculdades’ (Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. II, pag. 784). Uma outra coisa a ter presente é que os ‘ressuscitados’ durante o milénio não ‘ressurgirão’ com um corpo imortal. [ ç ]

 

[ 16] Estes serão constituídos príncipes por toda a terra, juntamente com alguns membros da ‘grande multidão’ que sobreviver a Armagedom. ‘Estes ‘príncipes’ prestarão sem dúvida serviço como intermediários para manter as comunicações entre o Reino invisível e a visível sociedade terrestre da humanidade remida...’ (Holy Spirit-The Force Behind the Coming New Order!, Brooklyn 1976, pag. 180-181). [ ç ]

 

[ 17] Todos estes não podem fazer parte dos 144.000 porque os ‘ungidos’ começaram a ser recolhidos desde o dia de Pentecostes em diante. [ ç ]

 

[ 18] A doutrina sobre a ressurreição mudou um pouco no tempo porque antes as Testemunhas de Jeová quando falavam de ressurreição de vida entendiam a ressurreição dos homens de Deus que viveram na antiguidade como por exemplo Noé, Abraão, Davi, Moisés, Daniel, daqueles que viveram nos tempos de Jesus mas morreram antes do Pentecostes, e das Testemunhas de Jeová pertencentes à grande multidão que morrem antes de Armagedom. ‘As testemunhas e os profetas fiéis dos tempos antigos logo terão uma ressurreição à vida porque fizeram o bem e passaram o juízo com a aprovação de Deus (…) As "outras ovelhas" não vêm ao julgamento com o resto da humanidade, que "praticaram o mal" (…) Tal favor a essas "outras ovelhas" ressuscitadas não será contrário a Mateus 22:28-32. Não será parte da saída dos injustos à "ressurreição do juízo" porque esses injustos "praticaram o mal" (A verdade vos tornará livres, pag. 368,369). Quando falavam de ressurreição de juízo entendiam a daqueles que morreram sem ter tido a oportunidade de conhecer Deus antes da batalha de Armagedom e os que fizeram o mal sem sabê-lo, os quais seriam instruídos durante o milénio pelo Juiz e pelos seus príncipes terrenos (os patriarcas e alguns dos sobreviventes de Armagedom), para depois, após a prova, receber o merecido juízo. Agora quando falam de ressurreição de vida se referem àqueles que se mostrarão fiéis durante o milénio, e quando falam de ressurreição de juízo se referem àqueles que serão infiéis durante o milénio: ‘Evidentemente Jesus, falando de ‘os que fizeram boas coisas’ e de ‘os que praticaram coisas ruins’, se põe numa perspectiva temporal semelhante , isto é, no fim do período de juízo, como olhando para trás ou fazendo um exame retrospectivo das acções praticadas por aqueles ressuscitados depois de terem tido a oportunidade de obedecer ou desobedecer às ‘coisas escritas nos rolos’. Só no fim do período de juízo seria demonstrado quem tinha agido bem ou mal. O resultado para ‘os que fizeram boas coisas’ (segundo as ‘coisas escritas nos rolos’) seria o prémio da vida; para ‘os que praticaram coisas ruins’, um juízo de condenação. A ressurreição resultaria portanto de vida ou de condenação (...) Jesus considera estas pessoas depois de terem saído dos túmulos memoriais e depois de, com o seu modo de agir durante o reino de Jesus Cristo e dos reis e sacerdotes a ele associados, se terem demonstrado ou obedientes, recebendo como prémio a ‘vida’ eterna, ou desobedientes, e portanto merecedoras de ‘juízo (condenação)’ da parte de Deus’ (Estudo Perspicaz das Escrituras , vol. II, pag. 783). Em outras palavras, será só no fim do milénio, após o período de prova, que se poderá dizer quem ressuscitará em ressurreição de vida, e quem ressuscitará em ressurreição de juízo. ‘Os que anteriormente fizeram boas coisas, sem dúvida, acharão mais fácil continuar em tal conduta, e, se continuarem a fazer o bem até à prova final que seguirá o domínio milenial de Cristo, será mostrado que a sua foi uma ‘ressurreição de vida’. Os que anteriormente fizeram coisas ruins terão a oportunidade de mudar os seus caminhos e obter a salvação, mas no caso daqueles que não os mudarem, no tempo dessa prova final, tornar-se-á evidente que a sua foi uma ‘ressurreição de juízo de condenação’ (A Sentinela , 1 de Fevereiro, 1966, pag. 95). [ ç ]

 

[ 19] As Testemunhas de Jeová falando de Armagedom dizem que nessa batalha Deus manifestará a sua justiça destruindo aqueles que não o conhecem: seria portanto de perguntar-lhes como pode um Deus justo negar a oportunidade de conhecê-lo a pessoas só porque tinham ficado vivas até à batalha de Armagedom e oferecê-la a outras só porque morreram umas horas, ou um dia ou uma semana ou um mês antes que começasse Armagedom. Não é antes tudo isto uma injustiça? [ ç ]

 

[ 20] Juntamente com Jesus estarão também os 144.000 a julgar as pessoas: ‘Em vez de entrar em juízo com a humanidade, é-lhes dado ‘poder para julgar’, e por esta razão sentam-se em tronos celestiais. Eles servem pois, não só como celestiais reis e sacerdotes com Cristo Jesus, mas também como juízes associados com ele sobre a humanidade’ (Coisas em que é impossível que Deus minta, pag. 365). [ ç ]

 

[ 21] Como dissemos antes os ‘ressuscitados’ não tinham ressuscitado com um corpo imortal. Portanto perguntar-se-á: como poderão estes (que adquirirem tal justificação e direito à vida no fim do reino milenário) viver eternamente na terra? Cristo ‘nos dignos e obedientes ele desfaz os efeitos da morte’ (A verdade vos tornará livres, pag. 373). [ ç ]

 

[ 22] A respeito destes nos é dito quanto se segue: ‘Deus não precisará transportá-los para outros planetas por qualquer razão, nem povoar o céu com eles. Ele não se interessa em fazer uma troca contínua de trabalhadores inexperientes vindos para a terra e dela partindo, mas deseja que seus filhos aqui se tornem destros em cuidar desta jóia planetária da criação. Ele os reterá para sempre na terra como jardineiros peritos, a fim de mantê-la como glorioso paraíso para Seu louvor’ ( Novos céus e uma Nova terra, pag. 374). [ ç ]

 

[ 23] Fazemos notar que com base na doutrina dos 144.000 também João Baptista não poderá entrar no reino dos céus porque morreu antes do Pentecostes. Mas também isto é falso porque Jesus falando do Baptista disse: "Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Baptista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele" (Mat. 11:11). Como se pode bem ver, Jesus fez perceber que João entraria no reino dos céus. [ ç ]

 

[ 24] A mesma coisa se pode dizer a propósito da ‘ressurreição’ dos 144.000, porque nela não acontece a redenção do corpo dos 144.000 porque eles são recriados com um corpo espiritual enquanto o seu corpo perder-se-á para sempre. [ ç ]

 

[ 25] É evidente portanto que naqueles livros que serão abertos naquele dia estarão escritas as obras que os homens fizeram durante a sua vida na terra. Mas dado que para as Testemunhas de Jeová o dia do juízo é um período de prova esses livros tornaram-se uma espécie de novo código moral a que os homens deverão obedecer para ganhar a vida eterna. Eis o que dizem de facto: ‘O que são os ‘rolos’ que são abertos e com base nos quais são julgados tanto os ‘mortos’ como os ‘vivos’? Evidentemente serão algo em acréscimo à actual Bíblia Sagrada. Serão escritos ou livros inspirados contendo leis e instruções de Jeová. Lendo-os, todos os habitantes da terra poderão conhecer a vontade de Deus. Portanto na terra cada um será julgado com base nas leis e nas instruções contidas nestes ‘rolos’. Quem obedecer às coisas neles escritas receberá os benefícios do sacrifício de resgate de Cristo e progredirá gradualmente até à perfeição humana’ (Poderá viver para sempre no paraíso na terra, pag. 181). Por estas suas palavras se evidencia que a Bíblia que nós temos para os habitantes do milénio não será suficiente para conhecer a vontade de Deus, com efeito, esses rolos conterão novas leis e instruções inspiradas. E pensar que a vontade de Deus está revelada na Escritura de maneira muito clara. Deveras muito estranha esta sua enésima explicação (que depois as faz cair na enésima incongruência porque dela resulta que para o restante dos 144.000 a Bíblia é suficiente para conhecer a vontade de Deus já agora na terra e merecer ‘ir para o céu’, enquanto para as ‘outras ovelhas’ durante o milénio ela não será suficiente para conhecer a vontade de Deus a cumprir para poder ‘viver para sempre na terra’; por que é que para uns bastaria e para outros não?). Mas aliás, interpretando o dia do juízo dessa maneira, não se podia esperar que as Testemunhas de Jeová dessem aos livros que serão abertos naquele dia o seu correcto significado. [ ç ]

 

[ 26] Estas palavras de Paulo aos Coríntios segundo as Testemunhas de Jeová referem-se ao juízo que sofrem os 144.000. Eis as suas palavras: ‘Os que obtêm a vida celestial com Cristo são julgados com base nas obras que fazem nesta vida. (2 Cor. 5:10) No tempo em que são ressuscitados para a vida espiritual é-lhes concedida a imortalidade (...) A sua é uma ‘ressurreição de vida’, e as ‘boas coisas’ a que se faz referência no seu caso são as que fizeram antes de morrer’ (A Sentinela, 1 de Fevereiro de 1966, pag. 95). Como se pode bem ver só os 144.000 serão julgados com base nas obras praticadas durante esta vida. Portanto para eles, à diferença das ‘outras ovelhas’, há todo o interesse em ser zelosos nas ‘boas obras’ porque as boas coisas que fizeram serão objecto do juízo divino. Para as ‘outras ovelhas’ porém, as obras praticadas nesta vida não serão objecto de nenhum juízo, portanto, no fundo, não importa quantas boas obras terão feito nesta vida porque Deus não as terá em nenhuma conta durante o milénio, porque elas serão ‘julgadas’ com base nas obras que praticarem após a ‘ressurreição’. Ora, perguntemos a este ponto: Mas não é tudo isto uma grande injustiça? Certamente que o é, porque aos 144.000 dão-se privilégios que se negam às ‘outras ovelhas’; para eles, com efeito, a ‘prova’ na terra durará só até à sua morte, e portanto só algumas décadas, mas no fim, se a passarem, serão retribuídos pelas obras praticadas no seu corpo na terra. Enquanto que para as ‘outras ovelhas’ a prova real começará na ‘ressurreição’ e durará mil anos, e serão retribuídos só pelas obras praticadas após a ressurreição, portanto as suas obras feitas nesta vida nada contarão durante o milénio. Em verdade reconhecemos que o diabo através desta doutrina de demónios consegue manter nas suas mãos milhões de pessoas, e não só isso, porque faz passar Deus por um Deus injusto, quando a Escritura testifica repetidamente que Deus não faz acepção de pessoas, que é justo em todos os seus caminhos e em todos os seus juízos. Ai, ai daqueles que introduziram estas heresias de perdição, por isso sofrerão a pena pela eternidade. [ ç ]

 

[ 27] O discurso sobre as penas eternas o aplicam também ao diabo porque elas dizem que ‘o derradeiro fim de Satanás é a completa aniquilação’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 54). [ ç ]

 

[ 28] Lembro-vos que a geena para elas simboliza a destruição eterna daqueles que pela sua conduta merecerão tal sorte. [ ç ]

 

[ 29] Também Russell tinha ideias muito semelhantes, com efeito, escreveu: ‘A ordem presente de governo e de sociedade passará, mas não o céu e a terra física. Convém que os céus actuais (o regime das potências espirituais) dêem lugar a ‘novos céus’ - o reino espiritual do Cristo. E igualmente, convém que a terra actual (a sociedade humana como ela está organizada debaixo do poder de Satanás) se derreta e se dissolva (de modo simbólico), (...) Uma ‘nova terra’, isto é, a sociedade reorganizada em harmonia com o novo Príncipe da terra, o Cristo, lhe sucederá’ (Estudos das Escrituras, série I, pag. 78). [ ç ]

 

[ 30] Estando assim as coisas, os ‘novos céus’ da Torre de Vigia começaram a existir em 1918, quando o primeiro grupo dos 144.000 ‘voltou à vida’, e completar-se-ão quando o último dos 144.000 sobrevivido a Armagedom morrer e for para o céu alcançar os seus companheiros. E a ‘nova terra’ começará no Armagedom quando Deus destruir todos os inimigos das Testemunhas de Jeová, e os sobreviventes (constituídos pelas Testemunhas de Jeová naturalmente) começarem a servir a Deus sobre uma terra paradisíaca, para depois entrar na sua plenitude no fim do milénio. [ ç ]

 

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