Capítulo 5

A alma, o hades, a geena

 

A ALMA 

A doutrina das Testemunhas de Jeová 

Charles Russell rejeitava a doutrina que afirma que o homem tem em si uma alma imortal; eis o que escreveu: ‘Não tendo percebido o significado do termo ‘alma’ muitos tomam a liberdade de usá-lo a seu agrado, transpondo a declaração bíblica, pelo que, em lugar de falar do homem como sendo uma alma, falam dele como tendo uma alma (...) Mas sobre que fundamento se apoia uma teoria tão extravagante? Nós respondemos: Nenhum, porque tem origem no facto de o homem ter adoptado a sua própria concepção de uma vida futura e ter rejeitado a concepção do Plano de Deus’ (Charles Russell, op. cit. , série V, pag. 300,301), e também: ‘Aos que pensam que a Bíblia está cheia de expressões como: alma imortal, alma eterna, alma que nunca morre , nós não podemos dar outro conselho melhor que o de pegar uma concordância bíblica, e procurar nela estas expressões e outras da mesma importância. Eles não encontrarão alguma delas’ (ibid., pag. 347). As Testemunhas de Jeová ensinam a mesma coisa a respeito da alma. Elas dizem: ‘O homem é a combinação de duas coisas, a saber, "o barro da terra" e "o sopro de vida". A combinação destas duas coisas (ou elementos) produziu uma alma vivente ou criatura chamada homem (...) Assim vemos que a pretensão dos religionistas de que o homem possui uma alma imortal, e que, pois, difere das bestas, não é bíblica (...) Não há um texto sequer na Bíblia declarando que a alma humana é imortal (...) Que a alma humana é mortal pode ser provado amplamente pelo estudo cuidadoso das Escrituras’ (Seja Deus verdadeiro , pag. 58, 59, 60). Elas rejeitam pois a doutrina da imortalidade da alma [ 1 ]; para elas ‘o popular ensino religioso da imortalidade da alma não veio da Palavra de Deus, mas da filosofia grega’ (A Sentinela, 1 de Junho de 1977, pag. 332). Ou melhor, directamente do diabo quando disse à mulher: "Certamente não morrereis..." (Gen. 3:4) [2 ]. Mas então para as Testemunhas de Jeová o que acontece ao homem quando morre? Acontece que ‘entra no estado de inconsciência’ ( Seja Deus verdadeiro, pag. 66), porque adormece à espera de ser acordado na ressurreição; ele não sabe mais coisa nenhuma. Esta doutrina é chamada ‘sono da alma’, mas na verdade é mais apropriado chamá-la ‘extinção da alma’. Mas como fazem elas para sustentar esta doutrina sobre a alma e sobre a sua mortalidade com as Escrituras? Desta maneira. Elas consideram que como a Escritura afirma que "formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente" (Gen. 2:7), o corpo do homem é exactamente a alma humana. A esta Escritura depois ligaram a que diz: "A alma que pecar, essa morrerá" (Ez. 18:4), e a que diz no Eclesiastes: "Mas os mortos não sabem coisa nenhuma" (Ecl. 9:5) e outras Escrituras que falam dos mortos como de pessoas que dormem e fizeram a doutrina que diz que quando alguém morre dorme, não sabe mais coisa nenhuma e permanecerá neste estado de inconsciência até à ressurreição. 

Confutação

O ser humano é sim chamado pela Escritura também alma, mas a Escritura ensina que o ser humano tem uma alma imortal no interior do corpo  

Nós agora mediante as Escrituras demonstraremos que o homem é sim uma alma vivente mas tem também uma alma que é imortal e não mortal como o seu corpo, que na morte vai para o Paraíso se salva, mas para o Hades se perdida, e por isso que o homem não cessa de existir espiritualmente quando morre. Ora, a sagrada Escritura chama as pessoas também almas e estas passagens o confirmam: 

Ÿ "Todas as almas que vieram com Jacó ao Egipto.." (Gen. 46:26);

Ÿ "A alma que pecar, essa morrerá" (Ez. 18:4);

Ÿ "E em toda a alma havia temor..." (Actos 2:43); 

Ÿ "E José mandou chamar a seu pai Jacó, e a toda a sua parentela, que era de setenta e cinco almas" (Actos 7:14); 

Ÿ "A longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, (isto é, oito) almas se salvaram pela água" (1 Ped. 3:20). 

Mas a mesma Escritura ensina claramente que a alma não é o corpo, e o corpo não é a alma; e que quando o corpo de uma pessoa morre a sua alma parte, e, se é um filho de Deus vai habitar com o Senhor no céu, se não desce para o Seol onde há um fogo não atiçado por mão de homem e onde há pranto e ranger de dentes. Vejamos antes de tudo passagens que testificam que a alma não é o corpo do homem e que na morte do indivíduo ela sai do corpo. 

Ÿ A propósito do parto que Raquel teve quando nasceu Benjamim está escrito: "Raquel começou a sentir dores de parto, e custou-lhe o dar à luz. Quando ela estava nas dores do parto, disse-lhe a parteira: Não temas, pois ainda terás este filho. Então Raquel, ao sair-lhe a alma (porque morreu), chamou ao filho Benoni" (Gen. 35:16-18). Por esta passagem se compreende que a alma de Raquel saiu dela quando ela morreu. 

Ÿ No livro das Lamentações está escrito: "Ao desfalecerem, como feridos, pelas ruas da cidade, ao exalarem as suas almas no regaço de suas mães, perguntam a elas: Onde está o trigo e o vinho?" (Lam. 2:12). Quando Jerusalém foi cercada pelo exército dos Caldeus, muitos meninos morreram de fome e de sede, exalando as suas almas no regaço de suas mães. 

Ÿ Quando o profeta Elias rogou a Deus para que ressuscitasse o menino morto à viúva de quem ele era hóspede, disse: "Ó Senhor meu Deus, rogo-te que a alma deste menino torne a entrar nele. E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu" (1 Re 17:21-22). Como podeis ver Elias cria que no corpo de um ser humano havia uma alma, e que para que um morto tornasse à vida era necessário que Deus fizesse tornar a entrar nele a alma. 

Ÿ A propósito da ressurreição do Cristo, Davi disse: "Não deixarás a minha alma no Hades..." (Actos 2:27): e nós sabemos que o Hades é o lugar dos mortos onde há fogo que arde porque do rico está escrito que morreu e "foi sepultado. E no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama" (Lucas 16:22-24). Portanto, quando Cristo morreu na cruz aconteceu que a sua alma saiu do seu corpo e desceu ao Seol, enquanto no que diz respeito ao seu corpo, ele foi posto num sepulcro por José de Arimatéia. [ 3 ].

Ÿ Quando em Tróade aquele jovem Éutico tomado pelo sono, caiu do terceiro andar está escrito que "foi levantado morto. Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está... E levaram vivo o jovem, e ficaram não pouco consolados" (Actos 20:9-10,12). Neste caso aquele rapaz foi levantado morto, mas a sua alma por querer de Deus permaneceu nele por breve tempo sem partir, de facto Paulo disse aos irmãos que a alma do rapaz estava nele. Como podeis ver também Paulo cria que a alma não é o corpo, mas uma parte do nosso ser que se encontra dentro do corpo. 

Ÿ No livro de Jó está escrito: "Pois qual é a esperança do ímpio, quando Deus o cortar, quando Deus lhe arrebatar a alma?" (Jó 27:8). Também por estas palavras se compreende que a alma não é o corpo porque está dentro do corpo. Para confirmação desta passagem de Jó vos recordo a história do rico e de Lázaro em que é dito que quando o rico morreu foi sepultado e no Hades, estando em tormentos, viu ao longe Abraão e Lázaro; mas para ele não houve mais alguma esperança de salvação (cfr. Lucas 16:19-31).  

Ÿ Jesus disse a um dos ladrões que estavam na cruz: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso" (Lucas 23:43) fazendo-lhe claramente perceber que naquele mesmo dia, quando ele morresse, ele iria para o paraíso. Assim aquele homem naquele mesmo dia logo que expirou foi habitar no paraíso, o que equivale a dizer que ele continuou a viver mas numa outra dimensão e num outro lugar. Portanto se aquele homem não tivesse tido uma alma no seu corpo, como teria podido ir para o paraíso naquele mesmo dia? Por certo não foi para lá com o corpo, porque ele ficou na terra, mas foi para lá com a alma imortal que estava nele e que não pôde ser morta. 

Ÿ Jesus disse aos Saduceus que negavam a ressurreição: "Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele todos vivem" (Lucas 20:38), fazendo claramente perceber que aqueles que morrem na fé, morrem quanto à carne, mas continuam a viver para o Senhor e por isso estão vivos [ 4 ]. Quando, pois, nós hoje dizemos que o Deus a que servimos é o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, fazemos bem, porque Deus mesmo disse a Moisés: "Este é o meu nome eternamente, e este é o meu memorial de geração em geração" (Ex. 3:15); mas é claro que para ser o seu Deus eles têm de viver em algum lugar. Ora, após todos estes séculos que passaram desde a morte deles, podemos dizer que os seus corpos se tornaram em pó, mas certamente não podemos dizer que com a sua morte eles cessaram de existir completamente, porque Deus, após todos estes séculos, não se envergonha de ser chamado o seu Deus. O que existe portanto dos patriarcas se o seu corpo se decompôs e tornou ao pó? As suas almas imortais. O Vivente é o Deus daqueles que vivem. Mas onde vivem eles? Eles vivem com as suas almas no reino dos céus. Enquanto estavam vivos na terra confessaram ser peregrinos e forasteiros na terra, demonstrando que eles buscavam uma pátria, a celestial, que era muito melhor do que aquela donde haviam saído. A questão é que enquanto para Deus vivem todos aqueles que morrem no Senhor, para as Testemunhas de Jeová não vive nenhum dos que morrem no Senhor (excepto - com base numa estranha doutrina - os que restam dentre os 144.000 que quando morrem são dotados de um ‘corpo espiritual’ e entram no céu), e isto porque segundo elas a alma sendo o corpo é sepultada no túmulo! Como erram grandemente por falta de conhecimento! 

Ÿ Paulo diz aos Romanos: "De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor" (Rom. 14:8). Isto significa que nós pertencemos a Cristo e estamos na sua mão quer enquanto habitamos neste corpo, quer quando partirmos dele. Isto porque nem a morte nos pode separar do amor de Deus que está em Cristo; não nem  a morte. E de facto Jesus disse das suas ovelhas: "Ninguém as arrebatará da minha mão" (João 10:28). Ora, se com a morte se extinguisse completamente uma pessoa, ou seja, se no homem não houvesse uma alma imortal, como se poderia afirmar que nós quando morrermos pertenceremos ainda a Cristo e estaremos ainda na sua mão? Não poderíamos porque teríamos que dizer que a morte conseguirá nos tirar da sua mão! Mas nós sabemos que "os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus" (Ecl. 9:1). 

Ÿ No livro da Revelação, João diz ter visto as almas daqueles que foram mortos pela Palavra de Deus os quais reviveram, de facto escreveu: "E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos" (Ap. 20:4). Notai que João diz ter visto primeiro as almas daqueles que foram mortos por causa da palavra de Deus e depois que eles reviveram; naturalmente voltaram a viver com um corpo ressuscitado, mas no entretanto, isto é, entre a sua morte e a sua ressurreição tinham continuado a viver mas só com a sua alma, de facto João viu as suas almas. Também estas palavras de João testificam a existência da alma e a sua imortalidade. 

Ÿ No Evangelho escrito por Mateus encontramos escrito que um dia Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os conduziu a um alto monte sobre o qual ele foi transfigurado e quando o seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes se tornaram brancas como a luz "lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele" (Mat. 17:3). Ora, a Escritura diz a propósito de Moisés que ele morreu e foi sepultado por Deus, de facto está escrito na lei: "Moisés, servo do Senhor, morreu ali na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor, que o sepultou no vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor" (Deut. 34:5-6); notai que está escrito que ele morreu e foi sepultado, portanto ninguém pode dizer que o seu corpo não tenha sido sepultado. Para confirmação que Moisés morreu verdadeiramente há as palavras de Judas que diz que o arcanjo Miguel "discutindo com o Diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés" (Judas 9). Mas então se o corpo de Moisés era a alma de Moisés, ou se quando morreu Moisés morreu também a alma de Moisés, quem era aquele que apareceu junto com Elias no monte santo e que os discípulos viram e ouviram? Não é porventura também esta mais uma confirmação que a alma não é o corpo e o corpo não é a alma? Não é esta uma clara confirmação que mostra como depois de morto a alma do homem que está nele parte do seu corpo e continua a viver? Portanto nós podemos dizer que Pedro, Tiago e João viram a alma de Moisés, sim porque a alma dele não estava morta e não tinha sido sepultada (como ao contrário o foi o seu corpo) precisamente porque a alma do mortal é imortal [ 5 ].

Ÿ Jesus disse: "Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer na geena a alma e o corpo" (Mat. 10:28). A alma portanto não é o corpo do homem porque se assim fosse Jesus não falaria desta maneira. De facto, se matar o corpo de uma pessoa significa implicitamente matar a alma, Jesus não diria que o corpo se pode matar mas a alma não! A alma portanto, à diferença do corpo, não pode ser morta; porém pode ser feita perecer na geena (o fogo inextinguível) juntamente com o corpo. A propósito destas palavras de Jesus que as Testemunhas de Jeová não puderam manipular é de notar a explicação que elas dão delas: ‘A substância deste texto é que devemos temer a Deus, porque ele pode destruir não somente o corpo (a vida presente) mas também a vida futura. A destruição na Geena aqui mencionada quer dizer a morte da qual não há ressurreição para a vida futura como uma alma’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 62). Que querem dizer com isto? Que Deus pode fazer voltar à não existência uma pessoa tanto durante a sua vida presente como - como veremos a seguir - durante a sua vida na terra paradisíaca no milénio vindouro se esta após ser ‘ressuscitada’ não se quiser conformar às leis de Deus! Como bem percebestes as Testemunhas de Jeová, como é seu costume, deram a palavras de Jesus um significado que elas não têm. São tão claras as palavras de Jesus e elas com a sua astúcia as obscurecem! 

Vejamos agora algumas Escrituras que testificam que na morte a alma do pecador vai para o Hades, enquanto a do justo para o céu. 

Ÿ Jesus disse: "Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele; e desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama" (Lucas 16:19-24.). Como podeis ver este homem rico, depois que morreu, se achou no Hades, em tormentos, porque enquanto estava vivo não tinha querido dar ouvidos à lei de Moisés. Veremos depois que significado absurdo dão as Testemunhas de Jeová a esta história para sustentar que com a morte acaba tudo. 

Ÿ No livro da Revelação está escrito: "E havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?" (Ap. 6:9-10). João viu as almas de um certo número de crentes que foram mortos por causa da Palavra de Deus, e as viu junto do altar que está no céu diante de Deus. Notai que essas almas eram capazes de clamar com grande voz, de recordar que foram mortas e por quem foram mortas. Como podeis ver a expressão "as almas dos que foram mortos" (Ap. 6:9) demonstra que a alma de uma pessoa não é a própria pessoa, isto é, o seu corpo, mas algo de diferente do seu corpo, e que a alma à diferença do corpo não pode ser morta como disse Jesus. Também neste caso as Testemunhas de Jeová não tendo podido distorcer as referidas palavras deram-lhes a seguinte explicação: as almas são membros da classe dos 144.000 enquanto a veste branca representa a ressurreição espiritual que eles experimentaram em 1918 depois que Jesus assumiu o reino! Esta explicação é fantasiosa e privada de qualquer fundamento escritural. Estando assim as coisas, queremos porém fazer algumas perguntas às Testemunhas de Jeová. Se a veste branca foi-lhes dada depois que eles foram ouvidos clamar quem eram aqueles que clamaram antes de receber a veste branca (‘antes de ressuscitar em 1918’) se também eles na terra não podiam ter uma alma? Em outras palavras, se a veste branca foi-lhes dada depois que clamaram, isto é, se ‘ressuscitaram espiritualmente’ em 1918 depois de ter clamado, e entre a sua morte e a ‘ressurreição espiritual’ ocorrida em 1918 essa parte dos 144.000 não existia porque não tinham uma alma, como podiam clamar neste período de inexistência? Mas não vos dais conta da absurdidade desta vossa explicação às palavras de João? Mas não vos dais conta da contradição em que caís falando dessa maneira? 

A alma que está no homem faz e experimenta muitas coisas na terra

A nossa alma que está em nós irmãos, faz diversas coisas e é capaz de experimentar diversas coisas, e estas Escrituras dizem o quê. 

Ÿ No Salmo quadragésimo segundo está escrito: "Como o cervo anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma anseia por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo... Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus... dentro de mim a minha alma está abatida" (Sal. 42:1-2,5,6). 

Ÿ No centésimo trigésimo Salmo está escrito: "Aguardo ao Senhor; a minha alma o aguarda... A minha alma anseia pelo Senhor" (Sal. 130:5-6). 

Ÿ Isaías disse: "No teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma. Com a minha alma te desejo de noite" (Is. 26:8-9). 

Ÿ Davi diz: "Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios" (Sal. 103:2), e também: "A minha alma está como uma criança desmamada" (Sal. 131:2). 

Ÿ Maria disse: "A minha alma engrandece ao Senhor.." (Lucas 1:46). 

Ÿ Daqueles que se rebelaram antes de invocar Deus está escrito: "Os loucos, por causa da sua transgressão, e por causa das suas iniquidades, são aflitos. A sua alma aborreceu toda a comida..." (Sal. 107:17-18). 

Ÿ Daqueles que nos navios vêem as ondas do mar elevarem-se está escrito que "a sua alma se derrete em angústias" (Sal. 107:26). 

Ÿ No centésimo décimo nono Salmo está escrito: "A minha alma está quebrantada de desejar os teus juízos em todo o tempo... Desfalece a minha alma pela tua salvação... Maravilhosos são os teus testemunhos, por isso a minha alma os guarda... A minha alma tem observado os teus testemunhos... Viva a minha alma, e louvar-te-á" (Sal. 119:20,81,129,167,175). 

Ÿ Jesus, no Getsêmani, disse aos seus: "A minha alma está triste até a morte..." (Mat. 26:38). 

Ÿ Pedro diz: "Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma" (1 Ped. 2:11). 

Ora, como podeis ver a nossa alma é capaz de fazer muitas coisas enquanto está neste nosso corpo, entre as quais recordar, desejar, aguardar o Senhor, esperar no Senhor, ansiar pelo Senhor, bendizê-lo, louvá-lo, observar os seus testemunhos; ela pode também quebrantar-se, pode estar abatida, pode estar cheia de tristeza, e por fim ela é combatida pela carne. 

A alma pode ser ganha ou perdida  

Vejamos agora Escrituras que testificam que o homem pode ou ganhar ou perder a sua alma.

Pedro diz: "No qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas" (1 Ped. 1:8-9). A alma daqueles que estão na verdade está em segurança, isto é, está salva; aqueles que creram sabem que a sua alma, mediante a fé, é guardada pelo poder de Deus, e no momento em que eles morrerem será arrebatada e levada pelo Senhor para o seu reino celestial. Ela será pois salva do fogo do inferno. 

Paulo, próximo da sua partida, disse a Timóteo: "O Senhor me livrará de toda má obra, e me levará salvo para o seu reino celestial" (2 Tim. 4:18); porque estava convicto que quando morresse a sua alma escaparia ao fogo do Hades e iria para o reino dos céus. 

Jesus disse: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá" (João 11:25-26). Nas referidas palavras de Jesus é a alma do crente que "viverá", ainda que ele morra quanto à carne. Nós filhos de Deus portanto, crendo no Filho de Deus até ao fim, alcançaremos a salvação das nossas almas (como diz Pedro), porque ela quando partir do corpo será levada salva pelo Senhor para o seu reino celestial, escapando assim primeiro ao fogo do Hades, e depois ao do lago ardente de fogo e enxofre. 

Tiago disse: "Rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a Palavra em vós plantada, a qual pode salvar as vossas almas" (Tiago 1:21). Isto significa que se nós fizermos permanecer em nós o que ouvimos desde o princípio, a Palavra que permanece em nós salvará as nossas almas. Mas salvará de quê? Do fogo do Hades primeiro, e da segunda morte depois, com efeito, vós não deveis esquecer que Jesus disse que Deus pode "fazer perecer na geena a alma e o corpo" (Mat. 10:28). 

Ainda Tiago disse no fim da sua epístola: "Meus irmãos, se alguém dentre vós se desviar da verdade e alguém o converter, sabei que aquele que fizer converter um pecador do erro do seu caminho salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados" (Tiago 5:19-20). Por estas palavras vemos como quem se desvia da verdade (como também quem nunca conheceu a verdade) não possui a sua alma em segurança porque se morrer ela vai para a perdição, mas se um crente o converter ele salvará a sua alma da perdição eterna. 

Se por um lado as almas de nós que cremos estão salvas e serão salvas da morte se permanecermos na fé e na verdade até ao fim, por outro as almas daqueles que são escravos do pecado estão perdidas e, se eles não se arrependerem, quando morrerem irão para a perdição conforme está escrito: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mat. 16:26).

Para resumir dizemos portanto isto: na terra há duas categorias de pessoas. Aquelas que perdem a sua alma e aquelas que a ganham. As primeiras são aquelas que não se convertem porque se envergonham do Evangelho e querem persistir em servir o pecado; Jesus se referiu a elas quando disse: "Aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á" (Mat. 16:25), e: "Quem ama a sua vida perdê-la-á" (João 12:25). As segundas são aquelas que renunciaram a si mesmas e tomaram a sua cruz para seguir Jesus, e por isso estão seguras que quando morrerem terão a sua alma salva; a elas fez referência Jesus quando disse: "Qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará" (Mar. 8:35), e também: "Quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna" (João 12:25). 

Nós, pela graça de Deus estamos entre estas últimas, e queremos permanecer nelas até ao fim dos nossos dias porque sabemos que se perseverarmos na fé até ao fim ganharemos a nossa alma conforme está escrito: "Com a vossa perseverança ganhareis as vossas almas" (Lucas 21:19), mas se recuarmos iremos para a perdição juntamente com os ímpios conforme está escrito: "O meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele" (Heb. 10:38). Sim, queremos permanecer entre os que guardam a fé "para a conservação da alma" (Heb. 10:39).

Quando a Escritura diz que os mortos dormem não quer dizer que eles estão num estado de inconsciência  

Como vimos antes as Testemunhas de Jeová para sustentar que com a morte o homem deixa completamente de viver tomam algumas passagens da Escritura. Ora, estas passagens da Escritura que elas tomam são rectas em si mesmo, mas é a interpretação que lhes é dada que não é recta. Porquê? Porque, como já vimos, há muitas outras Escrituras que afirmam que a alma é uma parte do ser diferente do corpo e que ela quando o homem morre parte do corpo e vai habitar - à espera da ressurreição - ou no céu ou no Hades conforme a pessoa morre em Cristo ou não. Demonstrámos antes que a Escritura ensina que existe uma nítida distinção entre o corpo e a alma; vamos agora explicar antes de tudo este adormecer do homem (alma vivente) em relação à sua morte. Nas Escrituras há muitas passagens que descrevem o morrer como um adormecer e os mortos como pessoas que dormem; vos cito algumas delas. 

Ÿ "E Davi dormiu com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi" (1 Re 2:10); 

Ÿ "E adormeceu Salomão com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi, seu pai" (1 Re 11:43); 

Ÿ "E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu" (Actos 7:59-60); 

Ÿ "E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos" (1 Cor. 15:17-18); 

Ÿ "Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele" (1 Tess. 4:13-14). 

Como podeis ver os mortos são pessoas que dormem, e para ulterior confirmação citamos as palavras de Jesus acerca de Lázaro e da filha de Jairo que estavam ambos mortos antes que Jesus os ressuscitasse. 

Ÿ De Lázaro Jesus disse aos seus discípulos: "Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono. Disseram, pois, os seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono. Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto; e folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis; mas vamos ter com ele" (João 11:11-15). Como podeis ver Jesus falou de um morto como de uma pessoa que tinha adormecido, e da sua ressurreição como de um despertar do sono. 

Ÿ Da filha de Jairo Jesus disse aos que choravam e a pranteavam: "Não choreis; não está morta, mas dorme. E riam-se dele, sabendo que estava morta. Mas ele, pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: Levanta-te, menina. E o seu espírito voltou..." (Lucas 8:49-55). Esta menina estava verdadeiramente morta porque o espírito tinha partido do seu corpo mas Jesus disse dela que dormia. 

É necessário pois dizer que é correcto afirmar que aqueles que estão mortos dormem porque esta é a verdade [6 ], mas é também necessário reiterar com força que é o corpo dos mortos que dorme mas não a sua alma porque se fosse assim a Escritura seria anulada. E agora demonstraremos com exemplos escriturais que as coisas são assim. 

Tomemos para começar o exemplo de Abraão. Está escrito do patriarca que "expirou, morrendo em boa velhice, velho e farto de dias; e foi congregado ao seu povo; e Isaque e Ismael, seus filhos, sepultaram-no na cova de Macpela, no campo de Efrom..." (Gen. 25:8-9); portanto ele morreu e foi sepultado. Mais de mil anos depois Jesus contou uma história na qual é dito que um rico morreu, foi sepultado, e estando no Hades em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão o qual lhe falou. Ora, se a alma de Abraão tivesse sido o seu corpo, Abraão não poderia encontrar-se - no mundo invisível - naquele lugar de conforto que era visível do Hades onde haviam os tormentos. Como podeis ver se por um lado podemos dizer que Abraão na idade de cento e setenta e cinco anos adormeceu com seus pais, por outro não podemos dizer que ele, quando morreu, entrou num estado de inconsciência e que permanecerá nele até à ressurreição. O nosso Deus é também o Deus de Abraão e como é o Deus dos vivos, também Abraão vive no mundo invisível, mais precisamente no paraíso de Deus. O nosso Deus não é o Deus dos adormecidos, mas dos vivos porque, como disse Jesus, "para ele todos vivem" (Lucas 20:38). 

Tomemos agora também o exemplo de Samuel para confirmar que a alma não dorme porque não é o corpo. Está escrito que "faleceu Samuel, e todo o Israel se ajuntou, e o prantearam, e o sepultaram na sua casa, em Ramá" (1 Sam. 25:1). Ora, pouco depois da sua morte, Saul se achou a ter que enfrentar o exército dos Filisteus, e consultou o Senhor, mas Deus não lhe respondeu; então ele foi consultar uma necromante e pediu para chamar Samuel. Aquela mulher (com a permissão de Deus) fez subir Samuel e disse a Saul: "Vejo deuses que sobem da terra. E lhe disse: Como é a sua figura? E disse ela: Vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou. Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir?..." (1 Sam. 28:13-15), e depois lhe disse coisas que se verificaram no dia seguinte. 

E além do exemplo de Abraão e de Samuel, tomemos também o exemplo de Jesus que a Escritura diz que quando morreu, no espírito "também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé" (1 Ped. 3:19-20) [ 7 ]; e o exemplo de Moisés que mais de mil anos depois de ter morrido apareceu junto com Elias no monte santo e se pôs a conversar com Jesus (cfr. Mat. 17:1-4); e o exemplo das almas daqueles que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram que João viu debaixo do altar de Deus no céu, e que, como diz o apóstolo, "clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?" (Ap. 6:10); e por fim também o exemplo do rico que depois que morreu se achou no Hades em tormentos e se pôs a suplicar a Abraão para que tivesse misericórdia dele e mandasse Lázaro avisar os seus cinco irmãos (cfr. Lucas 16:22-31). 

Por todos estes exemplos se aprende de maneira clara que aqueles que estão mortos vivem no mundo invisível e são capazes de recordar, de falar com entendimento, de ver e de ouvir o que acontece onde eles se encontram. Eles portanto não se encontram de modo nenhum num estado de inconsciência. 

Os erros de interpretação de algumas passagens da Escritura que falam da alma que cometem quer as Testemunhas de Jeová, quer os Adventistas, quer também muitos outros nos servem de exemplo; quero dizer que nos fazem perceber, pela enésima vez, que a palavra de verdade deve ser manejada bem para não inventar uma falsa doutrina e para não ser confundido pela própria Palavra de Deus. 

Aqueles que morrem em Cristo vão habitar com o Senhor no céu  

Irmãos, quero reiterar com força que quando um crente morre, ele morre quanto à carne, mas a sua alma parte do seu corpo e vai habitar com o Senhor nas alturas, plenamente consciente, portanto num estado de perfeita lucidez mental. Há diversas Escrituras que testificam que quando se morre no Senhor se vai habitar com o Senhor no Reino de Deus, onde a glória de Deus ilumina tudo e todos, onde Deus faz reinar a paz, e onde tudo é esplendor e magnificência. Eis quais são estas Escrituras. 

Ÿ Paulo escreveu aos Coríntios: "Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus" (2 Cor. 5:1). Portanto nós crentes temos uma casa eterna lá em cima nos céus, cujo arquitecto e construtor é o próprio Deus, porque ela não foi feita por mãos de homem como um qualquer edifício na terra. Para esta casa vão morar aqueles que morrem na fé, desde o primeiro dia da sua partida, ou melhor, desde os primeiros momentos que se seguem à exalação da alma, porque a ascensão ao céu acontece no espaço de um breve tempo. Os apóstolos tinham o desejo de partir do corpo e ir habitar com o Senhor, de facto Paulo escreveu aos Coríntios: "Pelo que estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (porque andamos por fé, e não por vista); mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor" (2 Cor. 5:6-8), e aos Filipenses: "Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor; mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne" (Fil. 1:23-24). Também nós temos o mesmo desejo que tinha Paulo e os seus cooperadores, porque sabemos que com o Senhor lá em cima no céu se está melhor. Certo, é uma coisa maravilhosa viver com o Senhor na terra, mas é ainda melhor a vida que se vai viver com o Senhor no seu reino celestial. [ 8 ].

Ÿ O apóstolo Pedro na sua segunda epístola disse: "Estou prestes a deixar o meu tabernáculo, como efectivamente nosso Senhor Jesus Cristo me revelou. Mas, de minha parte, esforçar-me-ei, diligentemente, por fazer que, a todo tempo, mesmo depois da minha partida, conserveis lembrança de tudo" (2 Ped. 1:14-15). O apóstolo sabia que brevemente morreria e iria habitar com o Senhor no céu, e falava da sua morte como de uma partida do seu corpo, de facto disse que estava prestes a deixar o seu tabernáculo. Ora, se a morte é chamada partida quer dizer que há alguma coisa no corpo que parte do corpo quando ele morre, doutra forma não haveria necessidade de chamá-la partida. E nós sabemos que esta alguma coisa é a alma que está no homem.

Ÿ João, na visão que teve na ilha de Patmos, viu, entre outras coisas, as almas dos crentes que foram mortos na terra. Ele disse: "Vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram" (Ap. 6:9-11). Lendo as referidas palavras de João se compreende claramente como aqueles que morrem em Cristo vão para o céu, e lá estão plenamente conscientes; e além disso não se pode não reconhecer que Jesus disse a verdade quando disse: "Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma" (Mat. 10:28), porque essas que João viu eram as almas dos que foram mortos por causa do nome de Cristo. 

Ÿ Ainda no livro do Apocalipse João diz: "E ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, porque repousam dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem" (Ap. 14:13). Por que pois são bem-aventurados os mortos que morrem em Cristo? Porque repousam. E onde repousam? No céu, de facto pouco antes João disse ter visto, no céu, debaixo do altar as almas daqueles que foram mortos por causa da Palavra e do testemunho que tinham dado, as quais clamavam pedindo a Deus para lhes fazer justiça, e a elas foi dito "que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram" (Ap. 6:11). Notai que por aquilo que lhes foi dito, essas almas já estavam repousando, mas lhes foi dito para repousarem ainda um pouco de tempo até um certo tempo. Logo, deve-se dizer juntamente com o escritor aos Hebreus que "aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas" (Heb. 4:10). [9 ]. Glória a Deus eternamente. Amen. Mas queremos também dizer algo a respeito daqueles que não morrem em Cristo. Eles não são bem-aventurados porque de modo nenhum repousam visto que vão para as chamas do Hades onde não têm descanso algum. Poderia haver alguma vez repouso num lugar de tormento, horrível, onde centenas e centenas de milhões de almas choram e rangem os dentes por causa das dores atrozes que ali padecem? Aqueles que morrem nos seus pecados devem ser pois chamados infelizes porque vão para os tormentos. Graças sejam dadas a Deus em Cristo Jesus por nos ter salvo desta atroz e tenebrosa sorte. Amen. 

Ÿ Paulo diz a Timóteo: "Se morrermos com ele, também com ele viveremos" (2 Tim. 2:11). Que significa isto? Que se nós morrermos na fé iremos viver para o céu com Cristo. E isso logo após a morte, não na ressurreição. Na ressurreição obteremos um corpo incorruptível que revestirá a nossa actual alma e com ele sairemos dos sepulcros depois que a nossa alma tornar a ele. Nada de ilógico; este é o desígnio de Deus. 

Ÿ Ainda a Timóteo Paulo dizia antes de deixar este mundo: "O Senhor me livrará de toda má obra, e me levará salvo para o seu reino celestial" (2 Tim. 4:18). Eis que confiança tinha Paulo; a que o Senhor o acolheria no seu reino celestial no acto da sua morte. E com isto concordam as palavras de Asafe que muito tempo antes disse pelo Espírito: "Guiar-me-ás com o teu conselho, e depois me receberás em glória" (Sal. 73:24). [ 10 ].

Ÿ Jesus disse: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá" (João 11:25-26). Isto significa que um crente ainda que morra segundo a carne continua a viver. Mas onde continua a viver? Para onde vai viver? Para o terceiro céu, onde está o Senhor da glória porque Jesus disse: "Onde eu estiver, ali estará também o meu servo" (João 12:26). Nós estamos sobremodo consolados e alegrados em saber que onde está o nosso Senhor lá também nós estaremos um dia, se perseverarmos na fé. Não estamos minimamente angustiados em pensar que um dia teremos de ir embora desta terra, porque sabemos que para onde iremos se está muito melhor do que aqui na terra. Enquanto os pecadores vão para um lugar onde estarão muito, muito pior do que na terra, nós crentes, pela graça de Deus, iremos para um lugar melhor. Enquanto os pecadores não sabem para onde vão porque andam nas trevas, nós sabemos bem para onde vamos porque agora conhecemos o caminho que conduz para onde Jesus foi após ter feito a purificação dos pecados (conforme disse Jesus: "Para onde eu vou vós conheceis o caminho" [João 14:4]); Jesus Cristo é o caminho que leva ao Pai e nós as suas pisadas queremos seguir para entrar no seu reino eterno. E a morte? Amarga coisa certamente, porque para quem fica não é de modo nenhum agradável ver o corpo sem vida de um irmão em Cristo, porém lembrai-vos que "preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos" (Sal. 116:15). 

A Deus, que na sua grande misericórdia nos deu a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor seja a glória agora e pela eternidade. Amen. 

O testemunho de uma mulher que morreu em Cristo e voltou à vida  

Lura Johnson Grubb, na idade de dezassete anos, enquanto se encontrava enferma na cama, teve em êxtase uma visão do Paraíso celeste. Eis o que ela disse: ‘Vi um grande feixe de luz, mais brilhante que o sol do meio-dia, que descia para mim directamente do céu. Uma auréola luminosa, muito larga em diâmetro circunscrevia esse raio de glória que tinha como meta o meu travesseiro. A cama parecia ardente pelo seu clarão. (...) Senti-me levantar pelo raio luminoso e transportar para uma cidade a mim desconhecida. Achei-me nas portas de pérolas. Elas resplandeciam de esplendor na luz transparente do céu. Ainda um outro passo e entrei na cidade de Deus e achei-me sobre as estradas de ouro semelhantes a vidro transparente. Tudo esplendor à minha volta, mas esse esplendor não era o efeito de nenhum sol. Não havia necessidade do sol para iluminar durante o dia, nem da lua de noite: a eternidade celestial é constantemente iluminada pela presença contínua da luz da Glória. Enquanto atónita contemplava a magnificência que me circundava, pensei: mas certamente isto é o céu’. O céu era o lugar mais maravilhoso de que alguma vez tinha ouvido falar ou lido na terra. ‘Seguramente isto deve ser o céu’; e se é, então Jesus deve estar aqui’, concluí para mim mesma. Jesus estava ali. A luz fulgurante que irradiava do Trono de Deus me cegou. Vi o Pai como um fogo consumidor, pode dizer-se como Moisés o descreveu, e à Sua Mão direita vi Jesus. O meu Senhor. Num primeiro momento o vi muito imperceptível: a minha vista estava encoberta e ofuscada por causa do clarão excepcional. Desejava ardentemente ver Jesus; o queria ver claramente e estar certa, sem medo de errar, que era o meu Senhor. Assim, alcei as mãos sobre o rosto e esfreguei os olhos (...) Depois disto podia ver sem impedimento. Era Jesus! Era o meu Salvador, e Ele me olhava. Os seus olhos estavam fixos nos meus parados e cansados pelos trabalhos. O seu olhar amoroso era tão cheio de compaixão, de compreensão, de simpatia que o meu coração se comoveu dentro de mim. Aquele olhar me fascinou, e com toda a alma exaltei a Sua majestade. (...) Enquanto estava assim absorvida na adoração do meu Senhor, ouvi concertos de música flutuantes nas ondas luminosas do céu. Era uma música perfeita: não se ouviam notas discordantes, mas era tão harmoniosa que quis conhecer a proveniência dela. Embora de má vontade, desviei os olhos e voltei-me para ver donde vinha. À distância vi a fileira dos santos que com vestimentas brancas marchavam ordenadamente e cheios de adoração para o Trono de Deus. Eram numerosos e semelhantes à multidão da qual João o revelador escreveu: ‘milhões de milhões, e milhares de milhares’. Eles me passaram tão próximo que poderia estender a mão e tocar-lhes facilmente. Para minha alegre surpresa, vi alguns dos meus entes queridos: Deus os tinha posto na primeira fila. Uma prima minha que se tinha afiliado à Igreja Baptista, na mesma manhã em que eu me tinha afiliado, vinha com o rosto radioso para mim. Somente um ano antes ela tinha caído muito doente e tinha rapidamente passado deste vale de lágrimas, que é a terra, ao cume da felicidade de Deus. Ela me passou próximo e me sorriu, como para dizer; ‘estou contente que tu estejas aqui’. (...) Os santos marchavam em fileira saltitando como plumas sobre os degraus em redor do Trono e flutuando com delicadeza divina, em harmonia com o hino marcial, desciam pelo lado oposto, para desaparecer na distância luzente, enquanto outros continuavam a aparecer, a aproximar-se do Trono. Eles marchavam fila após fila, numerosos, quantos os meus olhos podiam abarcar. Oh! Como resplandeciam de glória as suas vestes! Eram mais brancas do que a neve, e deslumbravam literalmente a vista. (...) Queria estar no céu, queria unir-me àquele exército Celestial e louvar o Senhor para sempre. Queria ouvir aquela música maravilhosa, ver a glória e gozar a bem-aventurança. Mas subitamente a cena mudou e os meus olhos físicos reapareceram no mundo natural’ (Lura Johnson Grubb, Viver para falar de morte, s.l., s.d, pag. 34-35,38-39). Pouco depois a mesma irmã conta a sua morte e a sua partida. Eis as suas palavras: ‘Os entes queridos que se tinham reunido na minha casa, cheios de compaixão, estavam fazendo tudo o que estava nas suas possibilidades fazer para me manterem viva. A última tentativa a fez o meu tio. Pensando que talvez a circulação do sangue se tinha tornado demasiado fraca para aquecer o meu corpo, pediu às mulheres para me aplicarem sobre os pés e sobre as pernas toalhas aquecidas com vapor. No mesmo momento em que elas tocaram a minha carne fria de morte, o corpo se enrijeceu e os pés se levantaram diversos centímetros da cama. Não se tratava de uma insuficiente circulação, mas da morte que estava tomando posse do meu corpo. Sabia que estava morrendo. Subitamente, pareceu-me como se o telhado da nossa casa se levantasse. Enquanto o sol irradiava os primeiros raios róseos da manhã no céu do campo do Mississipi, vi os céus cheios de miríades de objectos semelhantes a pássaros. A abóbada celeste estava obscurecida por essa multidão. Eles estavam descendo cada vez mais para baixo até alcançarem uma altura suficientemente próxima para que eu pudesse reconhecê-los: era o exército do céu que tinha acabado de conhecer poucas horas antes. Enquanto me tinha encontrado na presença do Senhor, de repente um deles se separou e desceu até ao canto do meu quarto, aqui se deteve um instante e hesitante, vendo que os meus familiares se estavam despedindo de mim. Minha mãe tinha estado todo o tempo ao lado da minha cama, continuando a orar ao Senhor para me deixar viva. Ao ver o coro celestial a descer, clamei com fraca voz: ‘Estão vindo para me levar; não os vedes, venham! venham para mim!’ Oh! Pensava que todos os que se encontravam no quarto os vissem! Eu os via claramente, e tinha a certeza que eles vinham para mim. Os parentes e os amigos silenciosamente se alternavam próximo do meu travesseiro para depor o último beijo sobre os meus lábios roxos e enquanto se curvavam sobre mim qualquer quente lágrima de dor, vinha a cair sobre as minhas faces geladas. As minhas irmãs romperam em soluços ao se despedirem de mim pela última vez; o meu irmãozinho beijou-me com ternura, mas era demasiado pequeno para se dar conta do que estava acontecendo e da dor dos adultos que bem conheciam o significado da morte e as torturas de uma separação para sempre. Por último a minha mãe se debruçou sobre mim, me puxou para o seu seio e chorou. Disse-lhe: ‘Mamã não chores por favor! Não chores! Estou lá em cima, nos encontraremos novamente’. Muito relutante e com um sentimento de desconfiança, defronte à desagradável sombra negra que tinha vindo para destruir a felicidade no seu pequeno ninho, a mamã se endireitou e permaneceu próximo da minha cama. Exalei um último e profundo suspiro, e docemente, sem resistência parti do corpo para unir-me à escolta celestial que tinha esperado no canto do quarto que por último minha mãe se despedisse de mim. Uni-me à guia Angélica que me esperava num canto do quarto e juntos iniciámos a viagem para o alto. Antes porém, ao levantar-me da cama virei-me para olhar pela última vez o lugar do qual estava de partida, como a borboleta ágil e colorida parte do casulo para entrar na frágil atmosfera da primavera Celestial. Vi a mamã agachar-se ao chão desesperada com o coração partido, e a ouvi soluçar de tal maneira que temi que o seu coração pudesse rebentar. Esse foi o único evento que destruiu a perfeita felicidade da minha partida. Sofri ao ver a mamã tão aflita. (....) Uma vez alcançado o seu companheiro o anjo que tinha prolongado o quadro mortuário na minha casa, a cena do quarto desapareceu completamente no esquecimento. Estava grandemente entusiasmada com o pensamento de voltar ao lugar maravilhoso da eternidade sem lágrimas, de andar sobre as estradas pavimentadas de ouro e marchar junto à fileira dos santos, vestidos de branco, de ouvir a doce melodia do ‘canto dos remidos’. Estava muito impaciente, olhava fixamente para o alto, esperando ver a todo o instante aparecer no horizonte dos espaços, o primeiro raio de glória que anunciasse a cidade de Deus. (...) Continuámos a flutuar para o alto, cada vez mais alto, atravessando os espaços, por um certo tempo. Subitamente o silêncio foi rompido; o meu companheiro falou e disse: ‘Tu não podes ir ainda lá em cima!’ Repeti para mim: ‘não posso ainda ir lá em cima, e por que não? Pensava que estivéssemos quase a chegar’! Mas ainda antes que pudesse dizer alguma coisa ele prosseguiu: ‘O Senhor tem trabalho para ti’. Trabalho para mim?’ continuei a perguntar-me. O Anjo explicou: ‘O Senhor quer enviar-te à terra novamente, para avisar as pessoas que Jesus volta em breve! (...) Olhando em redor, encontrei-me completamente sozinha: a minha guia angélica tinha desaparecido e o Senhor não era visível em nenhuma parte. Lentamente comecei a descer, cada vez mais para baixo, até avistar à distância o perfil da pequena casa em que jazia o meu corpo físico sem vida. Durante os quarenta e cinco minutos em que tinha estado ausente e o meu corpo tinha permanecido sem respiração e circulação o Senhor tinha operado no coração de minha mãe. Quando tinha exalado o último suspiro e o tio tinha dito: ‘está morta’ a mamã, após ter dado por um instante desabafo à dor, tinha corrido para o quarto ao lado, tinha-se prostrado de joelhos e, com o rosto sepultado entre as colchas da cama, tinha clamado ao Senhor: ‘Senhor, durante três anos pedi-te para curares a minha filha, a Ti o pedi como melhor pude; nestes seis últimos dias, jejuei e orei, Senhor, fiz tudo o que soube fazer! E agora, embora a sua vida esteja apagada; Tu és poderoso para me restituir a minha filha. Restitui-me a minha filha Senhor, querido, restitui-me a minha filha! O Senhor escutou o seu clamor, e lhe falou de maneira audível: ‘tu pediste a cura da tua filha; mas estás disposta a consagrá-la a mim? A mamã nunca tinha pensado nisso; tinha orado pela minha cura porque me queria para si. Naquele momento ela compreendeu e disse: ‘Sim Senhor, Ta consagrarei!’ Se tu lhe restituíres a vida, ela depois poderá ir para onde Tu quiseres, e eu não levantarei um dedo para impedi-lo. (...) Figurativamente falando, exactamente como o pai Abraão pôs Isaque sobre o altar, assim minha mãe me pôs sobre o altar do serviço de Deus. Ela anuiu ao pedido do Senhor. O Senhor lhe disse: ‘enxuga os olhos, escutei a tua oração, vai e vê o que Eu, o Senhor, fiz’. Na fé e obediência à voz divina ela se levantou do seu Monte Moriá e confiante entrou no meu quarto. Se dirigiu imediatamente para a minha cama, sobre a qual jazia um corpo sem vida, não havia respiração, não havia pulsação. Tinha o Senhor verdadeiramente falado? Teria Ele respondido à oração? Talvez estivesse enganada? Ela estava certa que Deus tinha falado! Ele responderia! Não estava enganada! Esperaria por isso confiante! Os amigos, os vizinhos, pensavam que aquela ausência de quarenta e cinco minutos do quarto, lhe tinha servido para a fazer voltar a si. Vendo-a tão serena, não se opuseram a que ela se aproximasse de novo da cama da sua filha e que ali permanecesse todo o tempo que desejasse. Não passaria muito tempo para que aquele amado espólio fosse posto para sempre no profundo seio da terra. A observavam todos atentamente, prontos a intervir em sua ajuda, em caso de ser necessário. No tempo em que minha mãe e eu estivemos ausentes do quarto, os familiares tinham começado a dispor todas as coisas para o funeral que se teria que fazer nas primeiras horas daquela tarde, de maneira a que se pudesse transportar o cadáver para Water Vallej, a cerca de sessenta Km de distância da nossa habitação, para dar-lhe sepultura no nosso jazigo de família, onde também o papá tinha sido sepultado. (....) Os nossos amigos próximos se apresentaram para dar uma mão de ajuda a organizar o funeral, enquanto a mamã se entretinha no quarto ao lado para fazer a Deus uma consagração completa e permanente em troca da minha ressurreição. Agora porém a mamã se encontrava de pé, ao lado do meu travesseiro, esperando a resposta prometida pelo Senhor; Ele nunca tinha faltado para com ela, e não faltaria também agora. Estava imóvel como uma estátua, com os olhos sobre o meu rosto de cera e sobre os meus lábios lívidos que, como os outros pensavam, deveriam permanecer fechados até ao dia em que, ao som da trombeta de Deus, os mortos em Cristo ressuscitarão. Mas inesperadamente, o cadáver sentou-se sobre a cama! O milagre tinha acontecido! Deus tinha sido fiel para com minha mãe’ (Lura Johnson Grubb, op. cit., pag. 41-49).  

Explicação das palavras "Os mortos não sabem coisa nenhuma"  

No que concerne à passagem do Eclesiastes que diz que "os mortos não sabem coisa nenhuma" (Ecl. 9:5), é necessário dizer que este não saber coisa nenhuma se refere ao conhecimento das coisas que acontecem na terra, e não a um estado de inconsciência no qual entram os mortos. Cito as seguintes passagens para vos fazer compreender isto. 

Ÿ No livro de Isaías está escrito: "Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece..." (Is. 63:16). Como podeis ver, embora Abraão viva no paraíso de Deus ele não sabe coisa nenhuma do que acontece na terra, com efeito, ele não nos conhece embora sejamos seus filhos. Também Jacó, embora esteja no céu, não nos conhece. 

Ÿ Na história de Saul está narrado o episódio em que Saul consultou uma necromante e pediu para chamar do Seol o profeta Samuel. Ora, quando "entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou. Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir?" (1 Sam. 28:14-15). Ora, Samuel estava morto mas, embora vivesse no além, não sabia por que Saul o tinha feito subir.

Ÿ Jó diz que o ímpio, depois que morre, "os seus filhos recebem honra, sem que ele o saiba; são humilhados, sem que ele o perceba" (Jó 14:21). Também esta passagem explica o que significa que os mortos não sabem coisa nenhuma. 

Certo, nós cremos que os mortos não sabem coisa nenhuma, mas não sabem coisa nenhuma daquilo que acontece a nós neste mundo porque eles não nos vêem e não nos escutam. Mas cremos também que eles onde quer que se encontrem sabem perfeitamente onde se encontram e estão em conhecimento de muitas coisas que a nós na terra estão ocultas porque não podemos vê-las nem ouvi-las. 

 

O HADES

A doutrina das Testemunhas de Jeová 

As Testemunhas de Jeová ensinam que o inferno não existe; ou melhor, para elas o inferno é o túmulo e não um lugar onde arde fogo e para onde vão as almas dos pecadores quando morrem, de facto afirmam: ‘É tão claro que o inferno segundo a Bíblia é o túmulo, a sepultura, que até uma honesta criancinha pode entendê-lo, porém não os teólogos religiosos’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 71-72). Para sustentar que as coisas são assim como elas dizem elas afirmam que a palavra hebraica Sheol (traduzida com inferno ou lugar dos mortos, e cuja palavra grega correspondente é Hades) significa sempre ‘sepultura’, e fazem este raciocínio: ‘Job ofereceu a Deus a seguinte oração: "Quem me dera que me escondesses no Sheol, que me ocultasses até que a tua ira tenha passado, que após um tempo determinado, te lembrasses de mim" (Job 14:13). Se o xeol quer dizer um lugar de tormento e fogo, desejaria Job ir para lá e passar o seu tempo ali até que Deus se lembrasse dele?’ (ibid ., pag. 70) [ 11 ]. Também para Russell o sheol não era um lugar de tormento, com efeito, disse: ‘O termo sheol não encerra alguma ideia de fogo ou de chamas ou de tormentos, nem nada do género, mas significa simplesmente o olvido, a extinção da vida’ (Russell, op. cit., série V, pag. 320). 

Confutação

O inferno existe, é um lugar de tormento horrendo e para lá descem as almas dos ímpios 

Nós crentes vivemos, sim, num mundo de trevas no qual o diabo enganou multidões de pessoas fazendo-lhes crer as mais absurdas doutrinas, mas é também verdade que temos na Palavra de Deus uma luz que nos ilumina. E a Palavra de Deus ensina que existe um lugar de tormento no mundo invisível, um lugar terrível e horrendo onde arde continuamente fogo e onde há pranto e ranger de dentes e para o qual descem as almas dos pecadores que não se arrependeram dos seus pecados e não creram no Evangelho da graça de Deus. Este lugar chama-se inferno - em Grego: Hades, enquanto em Hebraico: Sheol - e é mencionado muitas vezes nas Escrituras. As Testemunhas de Jeová acerca destes dois termos dizem porém que ‘as duas palavras, Seol e Hades, significam a mesma coisa, isto é, a sepultura comum da humanidade morta na terra’ (Coisas em que é impossível que Deus minta , impresso nos USA, 1965, pag. 353-354), e nunca um lugar de tormento situado debaixo da terra. 

Antes de passar a demonstrar-vos mediante as Escrituras a existência deste lugar quero fazer esta premissa. Antes de tudo deve ser dito que a palavra hebraica Sheol significa também ‘sepultura’ e que a mesma coisa deve ser dita para a correspondente palavra grega Hades. Isto explica o porquê de nas traduções da Bíblia a palavra Sheol (Hades em grego) algumas vezes ter sido traduzida sepultura ou túmulo [ 12 ]. Digo algumas vezes e não todas, porque esta palavra indica também a morada das almas entre a morte e a ressurreição, e de facto outras vezes foi traduzida inferno ou lugar dos mortos (entendido este último porém não como túmulo). A edição corrigida e fiel de João Ferreira de Almeida, por exemplo, em diversos lugares do Antigo Testamento traduz Sheol com inferno (cfr. Sal. 9:17; Jó 26:6; Prov. 9:18), e assim também traduz Hades com inferno no Novo Testamento (cfr. Mat. 11:23; 16:18 Lucas 16:23; Ap. 1:18; Actos 2:27 e 2:31). É bom precisar, também, que a palavra inferno deriva da palavra latina infernus que significa ‘lugar que está debaixo, inferior’. Alguém dirá: ‘Mas por que motivo esta palavra não foi traduzida sempre da mesma maneira?’ Porque o contexto em alguns casos não o permitia. Em outras palavras, a mesma palavra tem um significado diferente em contextos diferentes [ 13 ]. Quando Sheol ou Hades indicam o lugar invisível para onde descem as almas dos mortos e não a sepultura onde é posto apenas o corpo deduz-se do contexto. Um exemplo é o de Isaías quando diz: "O inferno desde o profundo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda; despertou por ti os mortos, e todos os chefes da terra, e fez levantar dos seus tronos a todos os reis das nações. Estes todos responderão, e te dirão: Tu também adoeceste como nós, e foste semelhante a nós" (Is. 14:9-10). Aqui a palavra Sheol foi traduzida inferno na edição corrigida e fiel de João Ferreira de Almeida porque não significa sepultura terrena, de facto, o texto fala de pessoas que estão no Sheol as quais na vinda ou descida do rei de Babilónia ao Sheol lhe dirigem determinadas palavras. Fizemos este discurso para demonstrar que as Testemunhas de Jeová erram quando negam que Sheol (e a correspondente palavra grega Hades) também significa o lugar de tormento para onde vão os pecadores à espera da ressurreição. (Elas dizem de facto que a palavra Sheol significa sempre sepultura: ‘Se xeol é sepultura, é impossível ser ao mesmo tempo um lugar de tortura...’ [ Seja Deus verdadeiro , pag. 68-69]). Agora, após ter feito estas necessárias explicações passamos a demonstrar mediante as Escrituras que este lugar de tormento no mundo invisível (o Sheol ou Hades ) existe; onde ele se encontra, que aspecto tem, e como para lá descem as almas dos pecadores. 

Ÿ Está escrito: "Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele; e desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. E disse ele: Rogo-te pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não! pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles arrepender-se-iam. Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite" (Lucas 16:19-31). Foi o nosso Senhor Jesus Cristo a contar esta história realmente ocorrida. Esta história ensina que com a morte não acaba tudo, mas que existe uma vida ultraterrena e que a alma do pecador continua a viver num mundo invisível depois que ele morre. É claro que a nossa alma nós não a vemos, mas sabemos que ela habita neste nosso corpo de carne e osso; e como não podemos negar a existência da alma somente porque não a vemos com os nossos olhos, assim não podemos negar a existência do Hades só porque não o vemos ou nunca o vimos. O facto é que enquanto a alma se encontra no nosso corpo, o Hades se encontra nas covas da terra a uma grande profundidade; é um lugar real segundo a Palavra de Deus, onde a alma do pecador, após ter saído do seu corpo, vai ficar à espera do juízo. Em outras palavras enquanto o pecador vive sobre a terra a sua alma goza dos prazeres da vida e se deleita em fazer o mal movendo-se livremente num corpo humano, mas quando o corpo que a alberga temporariamente se desfaz, ela parte e vai para o Hades onde será atormentada pelo fogo deste lugar e onde não poderá mais de algum modo divertir-se. A história deste rico nos diz que este rico vivia todos os dias regalada e esplendidamente enquanto estava sobre a terra e que ele, quando morreu, foi sepultado, mas se achou num lugar de tormento: o Hades. Foi o seu corpo a ser sepultado e não a sua alma, porque a alma do homem não pode ser agarrada pela mão de nenhum homem para ser posta num caixão e depois numa cova. É o corpo que torna ao pó conforme o que disse Deus a Adão: "És pó, e ao pó tornarás" (Gen. 3:19), e não a alma porque ela não é feita de um material dissolúvel. Jesus um dia disse que nós não devemos temer aqueles "que matam o corpo, mas não podem matar a alma" (Mat. 10:28), significando assim que a alma do homem não pode ser nem morta, e nem tomada por um outro homem, à diferença do seu corpo. Como se pode ler nesta história, este homem que tinha gozado a vida na terra, quando se encontrou no Hades podia ainda falar, recordar, e segundo o que ele disse a Abraão poderia ser também refrescado com água na chama onde se encontrava. Mas no Hades não há água, dela há apenas a sua lembrança para os que estão no fogo do Hades. Ora, nós não podemos compreender como a alma de um homem possa continuamente arder (sem minimamente se consumir) no meio de fogo e chorar e ranger os dentes, mas isso não nos impede de crer que as coisas sejam mesmo assim. Se nós crêssemos nas coisas de que fala a Escritura só quando as compreendemos, acabaríamos por não crer mais em nada daquilo que nos diz a Escritura, a começar pela existência de Deus, mas graças sejam dadas a Deus em Cristo Jesus pela fé que nos deu mediante a qual nós aceitamos tudo o que a Palavra de Deus nos ensina sem pô-lo minimamente em discussão. Assim, nós não pomos em dúvida nada desta história contada por Jesus porque tudo o que diz respeito a esta história é verdade. Como disse antes, este homem, sem um corpo podia ainda falar e recordar; mas não só, ele podia também dar sugestões, com efeito, convidou Abraão a mandar Lázaro molhar a ponta do dedo na água para refrescar-lhe a língua queimada pelo calor da chama ardente, mas ele ouviu Abraão responder que isso não era possível. Abraão disse-lhe para se lembrar que ele tinha recebido os seus bens em sua vida, e além disso, disse-lhe que havia um grande abismo entre aquele lugar de tormento onde ele se encontrava e o lugar de conforto onde se encontrava ele com Lázaro (o seio de Abraão), abismo que impedia aos que se encontravam neste último lugar ir socorrer os que estavam em tormento no Hades. Nenhuma misericórdia foi mostrada para com esse homem; como ele se tinha mostrado impiedoso durante a sua vida terrena assim Deus se mostrou impiedoso para com ele depois que ele morreu. Nisto vemos a manifestação da justiça de Deus. Ele, também debaixo do Antigo Pacto, não deixava impunes os que recusavam dar ouvidos à lei de Moisés e aos profetas. Quando esse homem ouviu Abraão responder-lhe dessa maneira, preocupou-se com os seus cinco irmãos que ainda estavam vivos na terra, de facto propôs a Abraão enviar Lázaro a casa de seu pai para avisar os seus cinco irmãos da existência deste lugar de tormento e do facto de ele já lá se encontrar. Ele pensava que desta maneira eles se arrependeriam ao ouvir Lázaro e não desceriam assim também eles para lá. Mas também neste caso a resposta de Abraão não foi aquela que ele esperava, porque o patriarca lhe fez claramente compreender que os seus irmãos tinham Moisés e os profetas e que eles deviam ouvi-los para não irem ter com ele ali quando morressem. A resposta de Abraão, porém, não satisfez esse homem porque ele fez perceber a Abraão que segundo ele seria mais eficaz o testemunho de Lázaro se este ressuscitasse e fosse ter com os seus irmãos, do que o de Moisés e dos profetas. Não foi porém do mesmo parecer Abraão, de facto ele disse-lhe que se os seus irmãos não queriam ouvir Moisés e os profetas, não se deixariam persuadir a abandonar o seu mau caminho, nem pelo testemunho de um morto regressado à vida. (Notai que o rico acreditava depois de morto que Lázaro pudesse voltar vivo à terra e falar aos seus irmãos, que não pediu a Abraão para lhe conceder voltar à terra e que Abraão respondendo confirmou que Lázaro estava morto) Palavras fortes estas, que mostram como aqueles que não crêem no testemunho que Deus dá acerca do Hades e dos seus tormentos (testemunho escrito nas sagradas Escrituras), não crerão nem no de um morto que depois de tê-lo visto volta à vida e fala da sua existência e dos tormentos que padecem os que lá se encontram. Esta é a verdade irmãos, alguns não acreditariam na existência do inferno e não se arrependeriam dos seus pecados nem se um dos seus parentes mortos ressuscitasse por vontade de Deus e lhes narrasse o que viu naquele lugar. Nós, de qualquer modo, somos chamados a advertir os homens da existência deste lugar de tormento, porque Deus o fez com a sua Palavra. Se Deus não quisesse que os homens soubessem o que os espera se não se arrependerem e não crerem nele fazendo obras dignas de arrependimento, não faria pôr por escrito assim tantas claras referências sobre o Hades e sobre o lago ardente de fogo e enxofre que é o lugar final onde serão lançados os ímpios. Mas vejamos outras Escrituras que confirmam a existência do Seol (o inferno) e que ele se encontra debaixo da terra a uma grande profundidade e que para lá descem os ímpios quando morrem. 

Ÿ Nos salmos está escrito: "Os ímpios irão para o Seol, sim, todas as nações que se esquecem de Deus" (Sal. 9:17), e a propósito da sorte dos que confiam nos seus grandes haveres e se gloriam da grandeza das suas riquezas está escrito: "Como ovelhas são arrebanhados ao Seol; a morte os pastoreia" (Sal. 49:14).  

Ÿ Jó, falando dos ímpios, disse: "Na prosperidade passam os seus dias, e num momento descem ao Seol" (Jó 21:13).

Ÿ Isaías, falando da sorte dos que em Jerusalém não olhavam para a obra do Senhor, mas se embriagavam de vinho e de bebidas alcoólicas disse: "Por isso o Seol aumentou o seu apetite, e abriu a sua boca desmesuradamente; e para lá desce a glória de Jerusalém, a sua multidão, a sua pompa, e os que nela festejam" (Is. 5:14). Ainda Isaías, no oráculo contra o rei de Babilónia, disse a Israel: "Proferirás este provérbio contra o rei de Babilónia, e dirás:.. O Seol desde o profundo se turbou por ti, para sair ao teu encontro na tua vinda. Está derrubada até o Seol a tua pompa e o som dos teus alaúdes" (Is. 14:4,9,11). 

Ÿ Deus por meio de Ezequiel predisse o que faria a Tiro com estas palavras: "Então te farei descer com os que descem à cova, ao povo antigo, e te farei habitar nas mais baixas partes da terra, em lugares desertos de há muito, juntamente com os que descem à cova..." (Ez. 26:20). 

Ÿ Jesus quando censurou Cafarnaum lhe disse: "E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? Não, até o Hades descerás" (Mat. 11:23). Quando ele preanunciou que estaria no Seol por três dias e três noites disse: "Como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no coração da terra" (Mat. 12:40); e nós sabemos de facto que a alma de Jesus Cristo, quando ele morreu, desceu ao Hades de onde Deus a tornou a trazer quando o ressuscitou dentre os mortos ao terceiro dia, conforme está escrito: "Não deixarás a minha alma no Hades" (Actos 2:27).  

Como podeis ver por todas estas Escrituras se deduz claramente que o Seol é um lugar que se encontra nas profundezas da terra, ou como disse Jesus: "No coração da terra", e que para lá vão os pecadores que recusam ouvir a voz de Deus. Mas a Escritura nos diz também o aspecto que tem o Seol:

Ÿ Jó o definiu assim: "Terra da escuridão e da sombra da morte; terra escuríssima, como a própria escuridão, terra da sombra da morte e sem ordem alguma, e onde a luz é como a escuridão" (Jó 10:21-22). 

Ÿ Bildade, o suíta, falando da sorte do ímpio disse: "Da luz o lançarão nas trevas" (Jó 18:18). 

Ÿ Zofar, o naamatita, diz do ímpio: "Um fogo não atiçado pelo homem o consumirá" (Jó 20:26). A propósito destas últimas palavras elas são claramente confirmadas pelas palavras que aquele homem que estava no Hades dirigiu a Abraão: "Estou atormentado nesta chama" (Lucas 16:24). O fogo que há no Hades não é um fogo atiçado por um homem, mas por Deus, e por isso não se pode apagar de maneira alguma.  

Queremos por fim fazer uma observação para confirmar que a pessoa iníqua após a morte continua a viver nos tormentos do Hades: Jesus disse a propósito de Judas Iscariotes o traidor: "O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido" (Mat. 26:24). Ora, se como dizem as Testemunhas de Jeová o Hades é a sepultura da humanidade, portanto o túmulo onde é posto o morto, e lá é posto também o iníquo por que é que Jesus disse essas particulares palavras de Judas Iscariotes? Em outras palavras, se não existisse no mundo invisível um inferno terrível e horrendo para onde Judas iria na sua morte que sentido teriam tido essas palavras de Jesus? Por que razão dizer que melhor fora que Judas não houvesse nascido? Não deveria dizer que fora como se não houvesse nascido se os mortos voltassem à não existência? Eis uma outra inequívoca prova que o inferno existe e que para aqueles que para lá vão quando morrem melhor lhes fora não haver nascido [ 14 ].

O Hades não é de modo algum um lugar agradável de estar; alguns zombam dele como se ir para lá viver significasse ir para lá passar umas agradáveis férias, mas vos asseguro que ele é um lugar assustador e horrível cuja memória está viva e nunca desvanece nos que o viram porque Deus lhes concedeu vê-lo. Sim, porque Deus também nesta geração permitiu a alguns homens e mulheres ver de perto o Hades. Eles depois que voltaram à vida procuraram explicar-se o melhor possível para fazer perceber os horrores vistos naquele lugar: ainda hoje reconhecem que as melhores palavras que eles podem usar para descrever o Hades que eles, por graça de Deus, viram, são as da sagrada Escritura. Não há melhores palavras para descrevê-lo do que as escritas na Palavra de Deus. 

O testemunho de um homem que morreu nos seus pecados e voltou à vida pela misericórdia de Deus  

Kenneth Hagin conta: ‘Ao fim da tarde, o meu coração parou de bater e o homem espiritual que vivia no meu corpo me abandonou’. Quando a morte se apoderou de mim, a avó, meu irmão menor e minha mãe acorreram a casa e tive só tempo de lhes dizer ‘adeus’ porque o homem interior deslizou para fora, deixando o meu corpo morto, os olhos fixos e a carne gelada. Desci, desci, desci, até ao ponto que vi as luzes da terra desaparecer. Não é exacto dizer que desmaiei, nem que estivesse em coma; posso provar que clinicamente estava morto. Os olhos estavam fixos, o coração tinha parado de bater e não tinha pulso. As Escrituras falam do ‘servo inútil lançado nas trevas exteriores, onde há pranto e ranger de dentes’ (Mateus 25:30). Quanto mais descia mais se fazia escuro, até que fiquei na escuridão mais absoluta: não via a minha mão a um palmo dos olhos. Quanto mais ia para baixo mais calor sentia à minha volta, a atmosfera se fazia sufocante. Finalmente por debaixo de mim passavam velozmente luzes, reflectidas nas paredes das cavernas onde estavam os condenados, causadas pelo fogo infernal. A imensa esfera flamejante, de brancos contornos, arrastava-me e atraía-me como o íman atrai o metal. NÃO QUERIA IR! Não caminhava, era o meu espírito que se comportava como o metal na presença de um íman. Não podia tirar os olhos da esfera, sentia o calor no rosto. Passaram muitos anos, mas consigo rever a cena com a mesma nitidez de então. A recordação é tão límpida, que tudo isto me parece que aconteceu na noite passada. Agora vós me direis: ‘Como são estas portas do inferno?’ Não poderei descrevê-las, porque para fazê-lo, teria que ter um termo de comparação, como alguém que, não tendo visto uma árvore, não pode descrever como é feita, porque não tem nada a que compará-la. Parei no átrio, mas foi uma paragem momentânea: não queria entrar! Percebi que mais um passo, mais uns poucos metros e acabaria para sempre, não poderia mais sair daquele horrível lugar. Quando estava prestes a alcançar o fundo do abismo, um outro espírito me ladeou: não me voltei para vê-lo, porque não conseguia desviar o olhar das chamas do inferno. Essa criatura infernal tinha pousado entretanto uma mão sobre o meu braço, para acompanhar-me para dentro: naquele preciso instante ouvi uma voz que dominava as trevas, a terra e os céus: era a voz de Deus. Não O vi e não sei o que disse porque não falou em inglês, mas numa outra língua e quando o fez, a parte onde estavam os condenados foi atravessada por uma forte luz e foi agitada como uma folha ao vento. Tal clarão obrigou aquele espírito que estava perto de mim a largar-me o braço. Não fui tomado no vórtice, mas uma força invisível me tirou do fogo, para longe do calor, e viajei outra vez pelas sombras da densa escuridão ao contrário. Comecei a ascensão até à saída do abismo e por fim vi as luzes terrestres. Voltei ao meu quarto, como se dele tivesse saído apenas por um instante através da porta, com a única diferença que o meu espírito não necessitava de portas. Deslizei para o meu corpo como alguém que enfia as calças de manhã, através da boca, do mesmo modo em que pouco antes tinha saído. Comecei a falar com a avó, a qual exclamou: ‘Filho, pensava que tu estivesses morto!’ o meu bisavô era médico e ela o ajudava. Mais tarde disse-me: ’Vesti muitos cadáveres nos meus tempos, tive bastantes experiências com casos análogos, mas aprendi muito mais lidando contigo, do que quanto tenha aprendido antes: tu morreste por paragem cardíaca e tinhas os olhos fixos’. ‘Avó’, respondi, ‘não era ainda chegado o momento, mas desta vez sinto que é verdadeiramente o fim: estou morrendo! Onde está a mamã?. ‘Tua mãe está lá fora na varanda’, replicou, e de facto a ouvia orar caminhando para cima e para baixo’. Onde está o meu irmão?’ perguntei. ‘Foi chamar o médico à porta ao lado’.  ‘Avó, queria me despedir da mamã, mas não quero que tu me deixes só, lhe falarás tu’ disse, e lhe deixei uma mensagem para a minha mãe. Depois continuei: ‘Avó, estimo-te muito; quando a mamã adoeceu, tu foste para mim como uma segunda mãe. Agora daqui me vou e desta vez não voltarei mais para trás’. Sabia que estava morrendo e não estava ainda pronto para encontrar Deus. O meu coração parou novamente no tórax e, pela segunda vez, o meu espírito deixou o corpo recomeçando a descida no escuro, até que as luzes terrestres se desvaneceram completamente. Chegado ao fundo, me tocou a mesma experiência: Deus falou do céu e mais uma vez o meu espírito saiu daquele lugar, voltou ao quarto e deslizou para a cama onde o meu corpo jazia morto. Novamente comecei a falar com a avó e ainda lhe disse: ‘Não voltarei desta vez, avó!’ E acrescentei algumas palavras para dizer aos familiares e, pela terceira vez saí do meu corpo e comecei a descer. Quereria ter palavras apropriadas para descrever os horrores do inferno e fazer compreender àqueles homens tão satisfeitos de si mesmos e que não cuidam de como conduzem a sua existência sem se preocuparem com o depois, que há uma vida futura ultraterrena; mo ensina a Palavra de Deus e a minha experiência pessoal. Sei o que significa perder os sentidos: parece-te tudo escuro, tudo obscuro, mas não há escuridão que possa ser comparada à noite interior. Quando comecei a descer pela terceira vez, o meu espírito exclamou com um grito: ‘Deus, eu pertenço à igreja, sou até baptizado na água’. Esperei d`Ele uma resposta, que não chegou’. Ouvi somente a minha própria voz que voltava a ecoar fortemente, como que a rodear-me. Será preciso muito mais que a simples pertença a uma igreja e um baptismo na água para evitar as penas do inferno e ganhar-se o céu! Jesus disse: "...Necessário vos é nascer de novo" (João 3:7). Eu creio certamente no baptismo na água, mas somente depois que um indivíduo tenha nascido de novo. Certo, eu creio na comunidade eclesiástica, nos grupos de cristãos unidos para trabalhar em nome de Deus. Mas se estiverdes somente unidos à Igreja e tiverdes somente sido baptizados sem porém terdes realmente nascido uma segunda vez, ireis para o inferno. Como saí uma terceira vez do abismo e reentrei no meu corpo, o meu espírito começou a orar; achei-me a continuar a oração em voz tão alta que toda a vizinhança me ouviu. As pessoas acorriam a minha casa para ver o que estava acontecendo; olhei para o relógio e vi que eram precisamente 19:40, era a hora do meu renascimento graças à providência divina, pela intercessão de minha mãe. A minha oração não estava ligada ao facto de eu ser baptizado ou de pertencer à igreja, mas, implorando a Deus, lhe pedia que tivesse piedade de mim pecador, que me perdoasse pelos meus pecados, que me purificasse de toda a iniquidade; O aceitava, O reconhecia como meu Salvador pessoal. Senti-me tão bem, como se um fardo pesado me tivesse saído de cima das costas’ (Kenneth E. Hagin, Io credo nelle visioni [Eu creio nas visões], Aversa 1987, pag. 3-6). [ 15 ]. Tudo isto aconteceu a Hagin em Abril de 1933, na idade de cerca de dezasseis anos, na cidade de Mackinney, no Texas (U.S.A). 

Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro  

Vamos agora explicar, com a graça de Deus, as seguintes palavras de Paulo na sua carta aos Efésios: "Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro [ou, como diz outra versão "subindo ao alto, levou multidão de cativos"], e deu dons aos homens. Ora, isto—ele subiu—que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas" (Ef. 4:8-10). As explicamos para responder à pergunta das Testemunhas de Jeová que citámos anteriormente de um seu livro: ‘Se Jó desejava ir para o Seol e lá há tormento então Jó desejava ir para um lugar de tormento na expectativa que Deus se lembrasse dele’ Ora, nós sabemos que Jesus, antes de subir ao alto desceu às partes mais baixas da terra, isto é, ao Seol, portanto surge espontânea a pergunta: ‘Mas quem  foram então estes cativos que Cristo levou consigo das partes mais baixas da terra, quando ressuscitou e subiu ao alto? Antes de responder temos de explicar qual era debaixo do Antigo Pacto a sorte que tocava aos justos depois de mortos. Antes da ressurreição de Cristo todos os justos e santos que morreram, isto é, todos aqueles que creram em Deus antigamente e que agradaram a Deus andando nos seus caminhos e observando os seus mandamentos, foram para um lugar de consolação, em outras palavras para o lugar do Seol preparado e destinado para os justos, que era chamado "seio de Abraão" e que estava separado do lugar para onde iam as almas dos ímpios por um grande abismo. Isto é o que se deduz lendo a aparição de Samuel a Saul, e a história do rico e Lázaro narrada por Jesus. 

Pelo que respeita a Samuel, importa dizer que ele tinha morrido há algum tempo quando Saul foi consultar a necromante de En-Dor. Ora, vós sabeis que essa necromante fez subir Samuel, mas queria que notásseis que ela disse a Saul: "Vejo deuses que sobem da terra" (1 Sam. 28:13), e que o próprio Samuel disse a Saul ter subido conforme está escrito: "Por que me inquietaste, fazendo-me subir?" (1 Sam. 28:15). Como o reino dos céus não está debaixo da terra, e Samuel foi um homem justo nos seus tempos que agradou a Deus, chega-se à conclusão que ele nessa ocasião foi feito subir do seio de Abraão que se encontrava justamente debaixo da terra. 

Pelo que respeita à história do rico e de Lázaro, Abraão disse àquele homem que em tormentos lhe suplicou que mandasse a Lázaro molhar na água a ponta do seu dedo para refrescar-lhe a língua: ".. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá" (Lucas 16:26); portanto os dois lugares estavam separados. Mas eles eram também visíveis um do outro, de facto está escrito que o rico, no Hades, "ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio" (Lucas 16:23); e por quanto diz respeito ao lugar de tormento ele se encontrava mais abaixo que o seio de Abraão, de facto o rico viu Abraão e Lázaro no seu seio quando ergueu os olhos. Depois importa dizer que está escrito: "Viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio" (Lucas 16:23), portanto o abismo era verdadeiramente grande como disse Abraão ao rico, e isto para evitar que as almas dos ímpios pudessem passar do lugar de tormento para o seio de Abraão e para impedir que os justos que estavam no seio de Abraão fossem socorrer os ímpios ao outro lado. Que haviam outras almas tanto no lugar de tormento como no seio de Abraão é confirmado por estas expressões de Abraão: "Entre nós e vós" (Lucas 16:26), e: "Os que quisessem passar daqui para vós" (Lucas 16:26).  

Também as seguintes afirmações de Jó e de Jacó confirmam que também os justos outrora quando morriam desciam para o Seol. Jó foi um homem íntegro e recto que temia a Deus que viveu debaixo do Antigo Pacto e durante a sua aflição falando do Seol disse: "Ali os ímpios cessam de perturbar; e ali repousam os cansados. Ali os presos descansam juntos, e não ouvem a voz do exactor. O pequeno e o grande ali estão e o servo está livre de seu senhor" (Jó 3:17-19), e ainda: "Se eu espero o Seol como a minha casa... onde está então a minha esperança?" (Jó 17:13,15), mas ao mesmo tempo disse dos ímpios que "num momento descem ao Seol" (Jó 21:13). Portanto Jó cria que para o Seol iam tanto os justos como os ímpios. Jacó, quando lhe levaram a túnica de José ensanguentada com o sangue de um cabrito e creu que José tivesse sido devorado por uma besta-fera, disse: "Com choro hei-de descer para meu filho até o Seol" (Gen. 37:35), por isso também ele sabia que os justos que morriam durante o seu tempo desciam para o Seol. 

Jesus portanto, quando desceu ao Seol e subiu dele para que as Escrituras se cumprissem, levou consigo para o alto uma multidão de cativos, isto é, todos os justos que estavam no seio de Abraão [16 ].

 

A GEENA

A doutrina das Testemunhas de Jeová  

As Testemunhas de Jeová a propósito da Geena dizem: ‘Geena ou o vale do filho de Hinom é um quadro ou símbolo de completa aniquilação ou extermínio e não de tormento eterno’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 76). Portanto para elas a Geena é apenas um símbolo - um dos muitos símbolos presentes na Escritura - usado pelo Senhor para simbolizar a aniquilação dos iníquos. Também Russell ensinava a mesma coisa: ‘O lago de fogo (geena) representa a destruição total, a segunda morte que destruirá completamente tudo o que é iníquo’ (Russell, op. cit., série V, pag. 335). 

Confutação

A Geena é um lugar de tormento real onde serão atormentados para sempre o diabo, os seus anjos, os demónios e todos os ímpios   

Vimos antes que os pecadores quando morrem vão para o inferno. Mas o inferno ( Sheol ou Hades) não é o lugar final onde os ímpios serão atormentados pelos séculos dos séculos porque é apenas o lugar para onde os que morrem nos seus pecados vão antes da ressurreição, de facto a Escritura fala de um outro lugar de tormento onde os ímpios, quando ressurgirem em ressurreição de juízo, serão definitivamente lançados para sempre. Este lugar é chamado pela Escritura de diversos modos, de facto, é chamado: "Fogo eterno" (Mat. 25:41), "Geena" (Mat. 5:29,30), "Fogo que nunca se apaga... onde o seu verme (dos ímpios) não morre, e o fogo não se apaga" (Mar. 9:43,48), "Lago ardente de fogo e enxofre" (Ap. 21:8), "Segunda morte" (Ap. 20:14; 21:8). Ora, a palavra Gehenna deriva do hebraico Gehinnom ‘Vale de Hinom’, e segundo as seguintes Escrituras neste vale fora de Jerusalém houve um tempo em que os Israelitas fizeram passar pelo fogo os seus filhos para sacrificá-los aos seus ídolos. 

Ÿ O rei Josias "profanou a Tofete, que está no vale dos filhos de Hinom, para que ninguém fizesse passar a seu filho, ou sua filha, pelo fogo a Moloque" (2 Re 23:10). 

Ÿ O rei Acaz "queimou incenso no vale do filho de Hinom, e queimou a seus filhos no fogo.." (2 Cron. 28:3). 

Neste mesmo vale no tempo de Jesus eram queimados os resíduos e as carcaças dos animais. Mas quando Jesus falou da Geena fez referência a um lugar que não é deste mundo porque lá há um fogo que nunca se apaga (inextinguível) e não um fogo atiçado por mão de homem como aquele que ardia na Geena nos arredores de Jerusalém, e as seguintes Escrituras o afirmam: "E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo que nunca se apaga" (Mar. 9:43); e: "Se, pois, a tua mão ou o teu pé te fizer tropeçar, corta-o, lança-o de ti; melhor te é entrar na vida aleijado, ou coxo, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno. E, se teu olho te fizer tropeçar, arranca-o, e lança-o de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que tendo dois olhos, ser lançado na geena do fogo... onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga" (Mat. 18:8-9; Mar. 9:48); e ainda: "Temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar na geena" (Lucas 12:5). Como podeis ver por estas Escrituras a Geena é o fogo eterno.  

Vejamos agora outras Escrituras que falam deste lugar para entender por que existe e quem são aqueles que lá serão lançados e quando lá serão lançados. Jesus falando da sua vinda disse: "Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me..... Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes" (Mat. 25:31-36,41-43).  

Ora, aquilo sobre o que quero que reflictais é que o fogo eterno (ou Geena) foi preparado para o diabo e para os seus anjos, e que nele serão lançados não só o diabo e os seus anjos mas também todos os filhos do diabo. No livro do Apocalipse está confirmado que o diabo será lançado no fogo eterno e lá permanecerá pela eternidade para ser lá atormentado, de facto João diz que quando se completarem os mil anos (durante os quais Cristo reinará sobre a terra com os santos ressuscitados e durante os quais Satanás estará amarrado), "Satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, a fim de ajuntá-las para a batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu, e os devorou; e o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre..." (Ap. 20:7-10).  

Neste fogo eterno serão lançados também (antes do diabo) a besta e o falso profeta os quais farão a sua aparição na terra antes da vinda do Senhor, de facto João diz destes: "E a besta foi presa, e com ela o falso profeta que fizera diante dela os sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e os que adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago ardente de fogo e enxofre" (Ap. 19:20). 

Como disse antes os iníquos ressuscitarão em ressurreição de juízo e quando isso acontecer também eles serão lançados no fogo eterno. Que os iníquos ressurgirão naquele dia o disse Jesus nestes termos: "Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão;... os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo" (João 5:28-29); ele o confirmou também quando disse que os Ninivitas ressurgirão no dia do juízo juntamente com os homens daquela geração (aquela durante a qual viveu Jesus; uma geração que ele chamou pecadora e incrédula) e a condenarão porque eles se arrependeram com a pregação de Jonas, enquanto os da sua geração não se tinham arrependido com a pregação do Filho de Deus que é superior a Jonas (cfr. Mat. 12:41). Lembro-vos que entre aqueles que serão condenados naquele dia pelos Ninivitas estão os habitantes das cidades de Corazim, Betsaida, e Cafarnaum porque eles depois de terem visto os milagres do Cristo não se arrependeram com a sua pregação. Pelos ensinamentos do nosso Senhor se compreende que naquele dia ressurgirão, para serem condenados, também os habitantes de Tiro e de Sidom e os de Sodoma (cfr. Mat. 11:22,24); portanto, naquele dia, ressurgirão todos os homens que praticaram o mal para serem julgados segundo as suas obras. João em visão viu o que acontecerá naquele dia, e assim descreveu as coisas: "E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a terra e o céu; e não foi achado lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o Hades entregaram os mortos que neles havia; e foram julgados, cada um segundo as suas obras. E a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele que não foi achado escrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo" (Ap. 20:11-15). 

Resumindo: naquele dia, os filhos do diabo que estão no Hades ressurgirão e serão lançados no fogo eterno onde haverá pranto e ranger de dentes e onde serão atormentados para sempre. Portanto irmãos, não vos deixeis enganar pelos vãos raciocínios das Testemunhas de Jeová como: ‘Mas Deus é amor, não pode fazer com que homens passem a eternidade no fogo’, ou: ‘Mas não se deve entender à letra que serão atormentados pelos séculos dos séculos’, porque a Palavra do nosso Deus diz claramente que os pecadores quando morrem vão para o inferno e que no dia do juízo ressurgirão para serem condenados a uma eterna punição no lago ardente de fogo e enxofre (sobre este assunto voltaremos mais adiante). 

 

CONCLUSÃO

Neste capítulo vimos como as Testemunhas de Jeová negam a existência de uma alma imortal no interior do corpo humano porque para elas a alma é o ser humano; e como elas negam a existência do Hades e da Geena. 

O cristão para elas, portanto, quando morre não vai para o céu (a menos que seja um dos ‘ungidos’ porque a estes é concedida imediatamente a ressurreição!) mas se extingue, aguardando na não existência a sua recriação (porque não se pode falar de uma sua futura ressurreição não tendo ele uma alma imortal) que lhe permitirá segundo a sua escatologia [ 17 ] voltar a viver de novo na terra durante o milénio para ser adestrado e provado.

O ímpio também entra na não existência à espera da sua recriação durante o milénio; mas nem todos os ímpios serão recriados porque alguns deles (por exemplo os que pecaram contra o Espírito Santo) permanecerão na não existência para sempre não tendo a possibilidade de reviver na terra durante o milénio para poderem merecer a vida eterna. Aqueles depois que não merecerem a vida eterna durante o milénio serão feitos voltar para a não existência; portanto haverá uma categoria de pecadores que por duas vezes cairão na não existência! 

Dizendo estas coisas elas vão mais uma vez de maneira descarada contra o ensinamento das sagradas Escrituras. Mas depois, nós dizemos, se um crente com a morte deixa de existir que lhe valerá ter crido no Senhor e ter perseverado na fé e no bom operar até à morte? Em outras palavras, se ele entra na não existência entre a morte e a ressurreição, que benefício terá por ter feito a vontade de Deus? Nenhum. E por quanto diz respeito ao pecador, nós dizemos, se também ele entra na não existência entre a morte e a ressurreição por que é que haveria de arrepender-se e crer no Evangelho? E por que é que nós haveríamos de conjurar os pecadores a reconciliar-se com Deus se depois de mortos também para eles acaba tudo? Mas há mais; para quê andar a evangelizá-los se quando ressuscitarem terão ainda a possibilidade de ser salvos? E depois ainda; como poderia ser encorajado o crente a perseverar na fé e no bom operar se soubesse que no fim desta vida terrena o espera a não existência a par do ímpio? E na ressurreição o espera nada menos que um período de prova (o dia do juízo, segundo as Testemunhas de Jeová, em que ele será julgado com base no que tiver praticado durante o milénio a par do ímpio que tinha morrido tempo antes nos seus pecados e pelos quais não terá que responder perante Deus)?! Na realidade, o crente não seria minimamente encorajado a conservar a fé até ao fim, e o ímpio não seria de modo algum desencorajado a fazer o mal para converter-se ao Senhor. De qualquer das maneiras, diria, na ressurreição terei ainda uma oportunidade!! E se lhe correr mal, voltará de novo para a não existência, não sofrendo pela eternidade a pena da sua rebelião! Como podeis ver a escatologia das Testemunhas de Jeová é deprimente, injusta. Mas aliás o que se pode esperar de bom e de justo de doutrinas que voltam as costas à verdade? Como é, ao contrário, encorajante para o crente e desencorajante para o ímpio o ensinamento da Escritura. Ao crente a Escritura diz que se perseverar na fé até ao fim, quando morrer o Senhor o receberá em glória lá em cima no céu, e aqui ele esperará conscientemente, repousando de todos os seus trabalhos feitos na terra por amor do Senhor, a ressurreição. Então ele obterá um corpo glorioso e imortal e receberá a retribuição das coisas feitas quando estava no corpo. Ao ímpio a Escritura diz que se não deixar o seu mau caminho e não se converter ao Senhor, na morte, descerá com a sua alma para o fogo do Hades onde chorará e rangerá os dentes continuamente à espera da ressurreição de juízo quando obterá um corpo imortal e será julgado e condenado ao tormento eterno no lago ardente de fogo e enxofre. Nenhuma possibilidade existirá para ele depois de morto, de se poder converter ao Senhor.  

Ó ímpios não endureçais o vosso coração, não endureçais o rosto, convertei-vos dos vossos maus caminhos e crede em Jesus Cristo, fazei-o logo para não vos achardes no inferno quando morrerdes e no lago ardente de fogo pela eternidade. Sabei que a ira de Deus está sobre vós, é uma ira ardente que pode ser removida somente mediante a fé em Cristo, não há outra maneira. Ainda que vos esforceis para vos reconciliardes com Deus por meio das boas obras, sabei que elas de nada vos servirão porque esta ira permanecerá sobre vós, porque é só em Cristo que ela é removida. 

A vós irmãos digo: perseverai na fé, tomai posse da vida eterna para a qual fostes chamados a fim de que quando morrerdes possais ir habitar com o Senhor para o reino dos céus. Não tenhais minimamente inveja do ímpio porque quando morrer descerá para as chamas do inferno; cuidai de vós mesmos porque a inveja vos levaria a abandonardes o caminho direito e a vos encaminhardes pelo caminho da perdição e ireis alcançar os ímpios ao inferno e não mais os santos no céu quando morrerdes. 

 

 

NOTAS

 

[ 1] Para elas portanto quando uma pessoa morre acaba tudo excepto porém, como já vimos antes, para o restante dos 144.000 que no acto da sua morte mediante um acto de recriação, dado que não têm alma, são arrebatados ao céu! [ ç ]

  

[ 2] As Testemunhas de Jeová se empenham muito através de todas as suas revistas e dos seus livros para negar a existência da alma no homem e a consequente imortalidade; é verdadeiramente notável o esforço que estas pessoas cegadas pelo diabo fazem em combater a verdade. [ ç ]

 

[ 3] Se disséssemos que Cristo Jesus não tinha uma alma imortal no seu corpo, teríamos que dizer que quando ele morreu foi aniquilado, isto é, deixou de viver completamente, não só fisicamente mas também espiritualmente. E que portanto Pedro mentiu quando diz que Cristo no espírito "também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes..." (1 Ped. 3:19-20). Mas tudo isto não se pode dizer precisamente porque Jesus tinha uma alma no seu corpo. [ ç ]

 

[ 4] Segundo quanto diz o historiador Flávio Josefo (n. 37 - m. após 100) nas suas Antiguidades Judaicas, os Saduceus negavam, além da ressurreição corporal, também a imortalidade da alma, na verdade, diziam que as almas morriam com os corpos. Daí se explica o porquê de Jesus Cristo lhes ter respondido daquela maneira, isto é, testificando que um dia os homens seriam ressuscitados mas também que no mesmo momento em que ele estava falando Abraão, Isaque e Jacó estavam vivendo porque Deus era o seu Deus, e Ele não era o Deus dos mortos mas dos vivos. [ ç ]

 

[ 5] As Testemunhas de Jeová a propósito da aparição de Moisés e Elias dizem quanto se segue: ‘Cristo estava realmente ali, ainda que Moisés e Elias, que estavam mortos, não estivessem literalmente presentes. Eles foram representados em visão’ ( Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. II, pag. 1135). Sobre o facto de que para elas Elias estava morto voltaremos mais adiante. Por agora nos limitamos a dizer que esse ‘representados em visão’ é o enésimo sofisma da Torre de Vigia, porque Moisés e Elias estavam realmente presentes no monte. Eram eles, precisamente eles. Ninguém vos engane. [ ç ]

 

[ 6] Por que é usada precisamente esta expressão a respeito dos mortos? Provavelmente porque como os que adormecem do sono natural não estão conscientes daquilo que acontece à sua volta, assim também os que morrem cessam de estar cônscios daquilo que acontece sobre esta terra. E deve ser também dito que como adormecer do sono natural significa repousar, porque enquanto alguém dorme o corpo repousa; assim também para quem adormece no Senhor começa um repouso. Portanto a imagem do dormir é verdadeiramente apropriada para descrever os que morrem no Senhor. [ç ]

 

[ 7] O que dizem as Testemunhas de Jeová sobre a pregação de Cristo aos espíritos em prisão? Isto: ‘Os únicos espíritos em prisão mencionados nas Escrituras são os anjos dos dias de Noé que foram ‘entregues a covas de profunda escuridão’ (2Ped. 2:4,5) e, ‘reservados com laços sempiternos para o juízo do grande dia’ (Jud. 6). Por isso a pregação feita pelo ressuscitado Jesus àqueles anjos iníquos podia ser somente uma pregação de juízo’ ( Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. II, pag. 634). Como podeis ver, as Testemunhas de Jeová para fazer crer que Jesus não foi pregar àqueles espíritos com a sua parte espiritual que partiu do corpo na morte, e isto porque ele, segundo elas, como qualquer outro homem não tinha uma alma, e para fazer crer que aqueles espíritos não eram os espíritos dos homens que tinham sido rebeldes no tempo de Noé que se encontravam no Hades, fizeram dizer a Pedro uma coisa que ele não disse. Irmãos, notai como a negação da existência da alma gera outros erros. E isto porque a mentira para ser feita passar por verdade mediante as Escrituras necessita de outras mentiras, em outras palavras uma afirmação que se opõe à sã doutrina de Deus leva inevitavelmente a ter que fazer outras afirmações falsas porque obriga os seus sustentadores a interpretar arbitrariamente aqueles factos e aquelas palavras que provam o contrário de quanto eles afirmam. A respeito deste ensinamento da Torre de Vigia sobre a pregação feita por Jesus àqueles espíritos é preciso dizer uma outra coisa, a saber, que ele está em contradição com o do seu segundo presidente Rutherford. De facto este afirmou: ‘O facto de que Jesus pregou àqueles espíritos em prisão confirma a conclusão de que pode haver oportunidade para eles serem salvos e voltarem à harmonia com Deus (...) os que se arrependerem e se reformarem, de acordo com a lei de Deus, podem ser assim salvos. Isso significaria que no tempo determinado eles têm de tomar posição firme e determinada contra Satanás e Gog e toda turba iníqua e declararem-se inteiramente do lado de Deus’ (J. F. Rutherford, Inimigos , Brooklyn 1937, pag. 44). Como podeis ver para Rutherford aqueles espíritos não estavam irremediavelmente perdidos para sempre porque têm a possibilidade de arrepender-se e de ser salvos. Para a Torre de Vigia, ao contrário, esta possibilidade aqueles espíritos não a têm, de facto ela para explicar a pregação de juízo feita por Jesus a eles diz: ‘Pode-se notar que o livro de Revelação transmitido em visão a João por Cristo Jesus por volta do fim do I século E.C. contém muitas alusões a Satanás o Diabo e aos seus demónios e à sua final destruição, e isto constitui uma pregação de juízo’ (Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. II, pag. 634). Em outras palavras, a sorte que espera aqueles anjos é a destruição eterna: ‘Foram excluídos da luz espiritual da organização de Deus, aguardando sofrer a destruição eterna’ (Poderá viver para sempre no paraíso na terra, pag. 95). [ ç ]

 

[ 8] Algumas considerações sobre as palavras de Paulo aos Filipenses. Segundo as Testemunhas de Jeová, Paulo expressou o desejo de ir ter com o Senhor na primeira ressurreição daquela parte dos 144.000 ocorrida em 1918. Portanto Paulo permaneceria na não-existência até àquele ano! Mas isso é falso porque doutra forma Paulo não teria pouco antes chamado o seu morrer "ganho" porque isso teria sido um contra-senso. Que ganharia de facto com a sua morte? E depois, que ele falava da sua partida do corpo e da sua ida imediata com Cristo para o céu emerge também das suas seguintes palavras: "Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne" (Fil. 1:24). O apóstolo queria dizer que se partisse do corpo para ele seria coisa muito melhor do que ficar no corpo porque iria ter com Jesus ao céu; mas se dava conta que para os santos de Filipos seria mais útil que ele ficasse. Por isso ele dizia também: "Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher" (Fil. 1:22); porque por um lado sabia o que o esperava na morte e por outro sabia que uma vez morto não mais poderia ser útil pessoalmente aos santos de Filipos porque cessaria a sua obra em favor deles. [ ç ]

 

[ 9] Para a Torre de Vigia o significado destas palavras é que quem entra no repouso de Deus (isto é, o cristão) repousa das suas obras egoístas!! Para compreender este estranho significado é preciso conhecer uma outra estranheza introduzida pelo Corpo Governante, mais precisamente a que afirma que o sétimo dia de repouso começou logo após a criação do homem e já dura há milhares de anos e terminará no fim do milénio. [ ç ]

 

[ 10] Naturalmente as Testemunhas de Jeová dizem que Paulo fazia parte dos 144.000, por isso podia dizer essas palavras. Antes de tudo não se pode dizer que Paulo fizesse parte dos 144.000, e depois que se fosse assim como elas dizem Paulo teria que esperar mais de dezoito séculos antes de entrar no reino celestial, o que não pode ser porque ele entrou com a sua alma no reino celestial depois que morreu e não em 1918. Sejam postas de lado estas suas conversas vãs sobre os 144.000! Nós como Paulo temos a mesma confiança porque temos em nós o mesmo Espírito que tinha o nosso irmão Paulo, e a mesma fé. É verdade que não somos parte dos 144.000, mas é também verdade que fazemos parte do pequeno rebanho do Senhor a quem foi prometido o Reino. A Cristo nosso Redentor seja a glória eternamente. Amen. [ ç ]

 

[ 11] Como podeis ver elas quando pensam no sheol debaixo do Antigo Testamento pensam logo num lugar só de tormentos, mas elas esquecem que debaixo do Antigo Pacto para o sheol iam tanto os justos como os pecadores porque existia no mundo invisível um lugar de conforto - chamado seio de Abraão -, por cima do de tormento, para onde iam as almas dos justos. Isto é o que se aprende da história do rico e de Lázaro contada por Jesus. Este lugar após a morte de Cristo foi tirado porque os justos que lá estavam foram levados para o céu. Sobre este assunto porém por agora não nos detemos, voltaremos a ele mais adiante. [ ç ]

 

[ 12] A edição corrigida e fiel de João Ferreira de Almeida por exemplo a traduz com sepultura nestes versículos: "E não permitas que suas cãs desçam à sepultura (Sheol) em paz" (1 Re 2:6); "Assim aquele que desce à sepultura (Sheol) nunca tornará a subir" (Jó 7:9); "Porque não te louvará a sepultura ( Sheol)" (Is. 38:18). [ ç ]

 

[ 13] Na Strong’s Exhaustive Concordance of the Bible, trigésima primeira edição, New York 1973, na palavra hades, presente no Greek Dictionary of the New Testament , lê-se: ‘Hades’ or the place (state) of departed souls: - grave, hell’ (pag. 8). Em português: ‘Hades ’ ou o lugar (estado) das almas que partiram: - sepultura, inferno’. Na palavra sheol, presente no Hebrew and Chaldee Dictionary, lê-se: ‘hades or the world of the dead (as if a subterranean retreat ), includ. its accessories and inmates: - grave, hell, pit’ (pag. 111). Em português: ‘hades ou o mundo dos mortos (entendido como um lugar apartado subterrâneo), inclusos os seus acessórios e os seus habitantes: - sepultura, inferno, abismo’. [ ç ]

 

[ 14] Deve ser dito que as palavras de Jesus anulam também a outra doutrina das Testemunhas de Jeová segundo a qual Judas não ressuscitará. [ ç ]

 

[ 15] Considerei oportuno transcrever o testemunho de Hagin, apesar de o irmão Hagin se ter posto depois, após diversos anos de ministério, a pregar também ele a mensagem da prosperidade e a fazer afirmações que não estão em harmonia com o ensinamento da Escritura, coisa que naturalmente não redundou para sua honra e nem para a glória de Deus. Porque considero que as suas experiências enquanto morto supracitadas não foram minimamente invalidadas, visto que são experiências reais por ele vividas e confirmadas amplamente pela Escritura. [ ç ]

 

[ 16] Habitualmente, as Testemunhas de Jeová, além da supracitada passagem do livro de Jó, citam também estas palavras de Pedro que se referem a Davi: "Porque Davi não subiu aos céus..." (Actos 2:34), para significar que quando se morre não se vai para o céu. Mas é claro que com base no ensinamento da Escritura Davi não podia ainda subir para o céu com a sua alma quando morreu, porque para lá subiria também ele no tempo fixado por Deus. Mas esse "não subiu aos céus" também demonstra que Davi não tendo sido ainda ressuscitado por Deus com um corpo incorruptível não pôde subir para o céu com o seu corpo. Um outro exemplo escritural que as Testemunhas de Jeová pensam ter do seu lado em sustentar que quando um crente morre não vai para o céu, é o de Lázaro que Jesus ressuscitou dentre os mortos já com quatro dias de sepultura. Eis o que elas dizem: ‘Mas pode perguntar: Onde esteve Lázaro durante os quatro dias em que esteve morto? Foi Lázaro para o céu quando morreu? Esteve lá em cima vivo com Deus e com os santos anjos? Agora pense: Se durante aqueles quatro dias Lázaro tivesse estado no céu, não teria dito alguma coisa sobre ele? - E se tivesse estado no céu, o teria Jesus feito voltar daquele lugar maravilhoso? A Bíblia não diz que Lázaro estivesse no céu’ (Escute o Grande Instrutor!, Brooklyn 1972, pag. 69). Mas também a respeito de Lázaro as Testemunhas de Jeová cometem alguns erros. Antes de tudo Lázaro, como também Davi, não pôde ir para o céu quando morreu pelo motivo já dito, isto é, que os justos antes da ressurreição de Jesus iam para o seio de Abraão que se encontrava debaixo da terra; e depois se tenha presente que embora não esteja escrito o que Lázaro disse quando regressou à terra, o supomos, porque está escrito que "os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar também a Lázaro; porque muitos dos judeus, por causa dele, iam e criam em Jesus" (João 12:10-11). Agora, nós perguntamos: mas o que terá dito Lázaro para atrair a si o ódio dos principais sacerdotes que também o queriam matar? Nós cremos que ele tenha falado aos seus concidadãos da bem-aventurança provada no seio de Abraão durante aqueles quatro dias. O Lázaro da história do rico teria certamente feito a mesma coisa se tivesse sido ressuscitado por Deus; ele teria dito ter visto o patriarca Abraão, e os outros justos naquele lugar de conforto; mas no seu caso Deus não permitiu que ressuscitasse e sabemos os motivos. Portanto, dado que Lázaro depois de morto foi para o mesmo lugar onde estava o outro Lázaro que morreu antes dele, estamos seguros que contou essas coisas. E também os tormentos padecidos pelos ímpios no Hades, que era visível do seio de Abraão. [ ç ]

 

[ 17] A escatologia (do grego escatos ‘último’ e logos ‘doutrina’ ou ‘discurso’ ou ‘palavra’) é o conjunto das doutrinas que dizem respeito às coisas finais. O termo é pois usado em referência àquilo que sucede ao homem depois de morto; mas também em referência à ressurreição dos justos e dos injustos, ao reino milenário sobre a terra, ao juízo dos ímpios, ao destino destes céus e desta terra, e a qualquer outro evento final. [ ç ]

 

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