Capítulo 2

A Trindade, Jesus Cristo, o Espírito Santo

 

A TRINDADE

A doutrina das Testemunhas de Jeová  

Russell dizia que Deus não é trino, em outras palavras negava que a Divindade seja composta pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, e de facto disse: ‘...é denominada doutrina da Trindade! Ela declara, no catecismo, haver ‘três pessoas num só Deus e elas são o Pai o Filho e o Espírito Santo, iguais em substância, em poder e em glória’. Esta concepção podia admitir-se nas épocas obscuras, em que reinavam as trevas e vigoravam os mistérios - de que ela fazia parte - os quais são irracionais e anti-escriturais’ (Charles Taze Russell, Estudos das Escrituras , s.d., impresso na América, série V, Numa mente entre Deus e o homem [A reconciliação entre Deus e o homem], pag. 148) [ 1 ], e: ‘...doutrina de homens, que não encontra nenhum apoio na Palavra de Deus’ (Russell, op. cit., pag. 41), e ainda: ‘Em nenhum lugar nas Escrituras é alguma vez feita menção de uma trindade’ (ibid., pag. 92). As Testemunhas de Jeová afirmam a mesma coisa. Na sua revista A Sentinela lê-se de facto: ‘A doutrina da Trindade não honrou Deus aproximando mais as pessoas dele. Ao contrário, desvirtuou gravemente a identidade dele. É portanto evidente que aqueles que contribuíram para o desenvolvimento desta doutrina tinham apostatado do verdadeiro cristianismo’, e mais adiante no artigo é dito que esta doutrina afunda as suas origens no paganismo e que a nossa adoração ‘exige que rejeitemos com firmeza todas as falsidades religiosas pagãs’ entre as quais a Trindade (A Sentinela, 1 de Julho de 1984, pag. 8). No seu livro Seja Deus verdadeiro lê-se: ‘Se nos lembrarmos das palavras do apóstolo que "Deus não é Deus de confusão" (...) veremos logo que esta doutrina não é de Deus’ (Seja Deus verdadeiro, Brooklyn - Watchtower 1949, pag. 80). 

Confutação

A Escritura testifica claramente que a Divindade é composta por três Pessoas, ou seja, o Pai, o Filho e o Espírito Santo

Na Escritura não é mencionado o termo Trindade [ 2 ]; mas não se pode dizer que nela não esteja mencionado o conceito da Trindade porque as seguintes Escrituras testificam que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas [ 3 ] divinas distintas (que existem desde sempre e existirão para sempre), e que ao mesmo tempo são um só Deus [ 4 ].

Ÿ "Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser baptizado por ele. Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser baptizado por ti, e vens tu a mim? Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu. E, sendo Jesus baptizado, saiu logo da água, e eis que que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mat 3:13-17). Neste evento que se verificou no Jordão vemos o Pai que falou do céu, o Filho que estava na terra que foi baptizado por João, e o Espírito Santo que desceu sobre ele em forma corpórea como uma pomba. 

Ÿ Jesus disse aos seus discípulos: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade..." (João 14:15-17). Jesus, enquanto estava ainda na terra com os seus discípulos, era o Consolador que Deus tinha enviado para consolar os que estavam tristes, mas como Ele tinha que voltar ao Pai que o tinha enviado, rogou ao Pai para dar aos seus discípulos um outro Consolador, o Espírito Santo o qual ficaria com eles para sempre. O Pai portanto, suplicado pelo seu Filho, enviou o Espírito da verdade para suprir as necessidades que se vieram a criar com a partida do seu Filho. O conceito da Trindade está evidente nas palavras de Jesus. 

Ÿ Jesus, antes de ser assunto ao céu, disse aos seus discípulos: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo...." (Mat. 28:19). O baptismo na água, que recordamos não purifica dos pecados porque é a indagação de uma boa consciência para com Deus, deve ser ministrado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. O Senhor nunca teria ordenado uma semelhante coisa se Ele, o Pai e o Espírito Santo não fossem um. 

Ÿ Paulo diz aos Romanos: "E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita" (Rom. 8:11). Nestas palavras encontramos Deus Pai que ressuscitou Jesus; o Filho que foi por Ele ressuscitado; e o Espírito Santo que Ele enviou aos nossos corações. Também aqui o conceito da Trindade está expresso de maneira clara. 

Ÿ Paulo, no término de uma das suas epístolas aos Coríntios, escreveu: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos" (2 Cor. 13:13). Também aqui as três pessoas são nomeadas distintamente, mas apesar disso são uma mesma coisa. 

Ÿ Paulo aos Efésios diz: "Há... um só Espírito...Há um só Senhor... um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos e por todos e em todos" (Ef. 4:4,5,6). Também por estas palavras compreendemos como as três pessoas divinas de que é composta a Divindade, são distintas entre si mas unidas entre si em perfeita unidade. 

Ÿ Paulo disse aos  Coríntios: "Ora há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos" (1 Cor. 12:4-6). Notai como Paulo menciona primeiro o Espírito, depois o Senhor Jesus Cristo e depois Deus. Também estas suas palavras fazem perceber como estas três pessoas divinas, apesar de distintas umas das outras, são um mesmo Deus. 

Ÿ A Escritura condena as três blasfémias dirigidas às três pessoas da Divindade. Quem blasfema o nome de Deus se faz culpado de um pecado porque está escrito: "Contra Deus não blasfemarás" (Ex. 22:28); também quem blasfema contra o Filho do homem e contra o Espírito Santo se faz culpado de um pecado. Mas o facto é que enquanto aqueles que blasfemam contra Deus e contra o Filho do homem podem ser perdoados, quem blasfema contra o Espírito Santo não pode obter a remissão do seu pecado, porque Jesus disse: "Todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, bem como todas as blasfémias que proferirem; mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno" (Mar. 3:28-29). Estas palavras do Senhor nos fazem perceber como o Espírito Santo é uma pessoa divina distinta do Filho de Deus e do Pai; por isso nós quando falamos do Filho não falamos do Espírito Santo e vice-versa; e por que razão quando falamos do Pai não falamos nem do Filho e nem do Espírito Santo, porque os três são diferentes. Para vos fazer compreender este conceito falo-vos desta maneira: nós não podemos dizer que o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz pelos nossos pecados, porque isso não corresponde à verdade, de facto a Escritura diz que Cristo, o Filho de Deus, morreu na cruz, e não o Pai. Nós não podemos dizer também que o Espírito Santo tenha morrido pelos nossos pecados porque também isso não é verdade. Nós não podemos dizer também que o Espírito Santo baptiza com o Espírito Santo porque a Escritura testifica que é Cristo que baptiza com o Espírito Santo e com fogo. Porém, apesar de devermos nomear separadamente o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e as suas características, sabemos que os três são uma mesma coisa. Irmãos, nos encontramos perante um mistério, por isso as nossas palavras não conseguem explicá-lo [5 ]. E a propósito de mistérios, a respeito da Trindade que não é compreensível à mente humana, a revista A Sentinela afirma: ‘Não há algo de estranho num conceito de Deus que resulta inexplicável? Deus pode ser honrado por um conceito que ‘ninguém percebe’? Os verdadeiros cristãos devem conhecer o Deus que adoram. Não há espaço para os mistérios!’ (A Sentinela, 1 de Julho de 1984, pag. 7). Vãos raciocínios que mostram como as Testemunhas de Jeová recusam aceitar tudo o que segundo elas não é racional para a mente humana. Mas elas esquecem que Zofar de Naamá disse: "Podes tu descobrir as profundezas de Deus, ou chegar a conhecer perfeitamente o Todo-Poderoso? Trata-se de coisas mais altas do que o céu; que poderás tu fazer? de coisas mais profundas do que o Seol; como as conhecerás?" (Jó 11:7-8); palavras estas que se podem muito bem aplicar também ao conceito de Deus trino. Não se pode pois afirmar que não há espaço para os mistérios; porque o espaço dedicado aos mistérios acerca de Deus, da sua natureza e do seu modo de agir há e é vasto. Mas ainda que hajam mistérios divinos a nós não revelados nós estamos perfeitamente conscientes de ter conhecido Deus porque João diz: "Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai" (1 João 2:13); e também: "Qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus" (1 João 4:7). É evidente porém que isto não significa que para nós tudo é claro e não restam mais mistérios a respeito de Deus porque também está escrito: "Em parte conhecemos" (1 Cor. 13:9) e também que "agora vemos como por espelho, em enigma" (1 Cor. 13:12). Mas vem o dia em que conheceremos plenamente como também fomos plenamente conhecidos. A Deus seja a glória eternamente. Amen.

A perfeita unidade existente entre o Filho e o Pai 

Jesus nos dias da sua carne fez menção da perfeita unidade que havia entre ele e o Pai de diversas maneiras. Ele disse: "Eu e o Pai somos um" (João 10:30); "Na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou" (João 8:17-18); "Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim" (João 14:11); "Tudo quanto o Pai faz, o Filho o faz igualmente. Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz; e ele lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis. Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer. E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo; para que todos honrem o Filho, como honram o Pai" (João 5:19-23); "Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo; e deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem" (João 5:26-27); "Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou" (João 12:44-45); "Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai" (João 14:7); "Ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho" (Mat. 11:27); "Tudo quanto o Pai tem é meu" (João 16:15); "E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim" (João 17:22-23). Para explicar esta perfeita união e colaboração que existia e existe ainda entre o Filho e o Pai poremos agora em confronto entre si algumas passagens da Escritura. 

Ÿ Jesus falou aos Judeus da sua ressurreição desta maneira: "Derribai este templo, e em três dias o levantarei" (João 2:19), fazendo perceber que ele mesmo ressuscitaria o seu corpo depois que ele fosse morto [ 6 ]; enquanto Pedro disse aos Judeus: "Matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos" (Actos 3:15), fazendo claramente perceber que foi Deus a levantar o corpo de Cristo Jesus. 

Ÿ Jesus, quando prometeu aos seus discípulos o Espírito Santo, disse: "Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas" (João 14:26), e também: "Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim" (João 15:26), fazendo perceber claramente que o Espírito Santo seria enviado tanto pelo Pai como pelo Filho (permanece o facto porém que o Espírito Santo procede do Pai como disse o próprio Jesus). 

Ÿ Jesus disse, falando das suas ovelhas: "Dou-lhes a vida eterna" (João 10:28), e na oração que dirigiu ao Pai disse: "Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti; assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste" (João 17:1-2), fazendo claramente perceber que quem doa a vida eterna é ele. Paulo, ao contrário, diz aos Romanos: "O dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor" (Rom. 6:23), e João diz: "Deus nos deu a vida eterna" (1 João 5:11), fazendo ambos perceber claramente que é Deus a dar a vida eterna. Podemos portanto dizer que a vida eterna a dá tanto o Pai como o Filho. 

Ÿ Jesus disse: "Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia" (João 6:40). Notai que Jesus aqui disse que será ele a nos ressuscitar a nós que cremos nele. Mas também está escrito que será Deus a nos ressuscitar, de facto, Paulo aos Coríntios disse: "Ora, Deus não somente ressuscitou ao Senhor, mas também nos ressuscitará a nós pelo seu poder" (1 Cor. 6:14).

Ÿ Paulo diz aos Romanos: "... entre os quais [Gentios] sois também vós chamados por Jesus Cristo.." (Rom. 1:6). Portanto aquele que nos chamou é Cristo. Mas ainda Paulo diz mais adiante nesta epístola que os que Deus pré-conheceu "também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogénito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou..." (Rom. 8:29-30). Portanto nós fomos chamados por Deus e por Cristo Jesus. 

Ÿ Paulo diz a Timóteo: "Dou graças àquele que me fortaleceu, a Cristo Jesus nosso Senhor, porque me julgou digno da sua confiança, pondo-me no seu ministério..." (1 Tim. 1:12). Isto significa que Paulo foi aprovado por Cristo que o estimou digno da sua confiança confiando-lhe o ministério da Palavra. O mesmo apóstolo diz aos Tessalonicenses: "... como fomos aprovados por Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações" (1 Tess. 2:4). Portanto ele tinha sido aprovado por Deus e por Cristo Jesus. 

Ÿ Paulo disse aos anciãos de Éfeso: "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus..." (Actos 20:24). Portanto foi Cristo a estabelecê-lo ministro do Evangelho, e isto o confirmou também a Timóteo quando lhe disse que ele dava graças a Cristo que o julgou digno da sua confiança, pondo-o no ministério a ele que antes tinha sido um blasfemador, um perseguidor, e um injuriador (cfr. 1 Tim. 1:12-13). Mas aos Colossenses Paulo diz que foi Deus a dar-lhe o ministério:‘... eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para anunciar na sua plenitude a palavra de Deus" (Col. 1:25).

Os Três operam de comum acordo  

Os seguintes exemplos mostram como o Pai, o Filho e o Espírito Santo operam todas as coisas juntos e de comum acordo. 

Ÿ O homem foi criado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo

No livro do Gênesis, a respeito da criação do homem, encontramos escrito: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança..." (Gen. 1:26). Estas palavras mostram como Deus, quando falou, usou o verbo no plural e não no singular, de facto ele não disse: ‘Farei’, mas sim: "Façamos ". Com quem falou? Com os anjos porventura? De modo nenhum, porque eles são criaturas. Ele falou com a Palavra que estava com Ele, e com o Espírito eterno que estava também com Ele. 

Ÿ Deus, a Palavra e o Espírito Santo nos formaram no ventre de nossa mãe .

Davi diz a Deus: "Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe...." (Sal. 139:13). Eliú disse a Jó: "O Espírito de Deus me fez..." (Jó 33:4). João diz que "todas as coisas foram feitas por intermédio dela" (João 1:3) referindo-se à Palavra de Deus; e portanto nós fomos formados pela Palavra de Deus no ventre de nossa mãe. 

Ÿ O apóstolo Paulo foi enviado a pregar por Deus Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo .

A Tito, o apóstolo Paulo diz: "Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade, em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos; mas a seu tempo manifestou a sua palavra pela pregação que me foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador..." (Tito 1:1-3), fazendo entender que ele foi enviado a pregar por Deus Pai. Aos Coríntios o mesmo apóstolo diz: "Cristo enviou-me, não para baptizar, mas para evangelizar ..." (1 Cor. 1:17), fazendo perceber que ele foi enviado a pregar aos Gentios pelo Filho de Deus. Se depois a estas passagens se acrescentar a que diz: "E assim estes (Barnabé e Saulo), enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre" (Actos 13:4) então notaremos como foram os três, isto é, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que de comum acordo enviaram Paulo a pregar o Evangelho aos Gentios. 

Ÿ No que concerne à nossa salvação devemos dizer que os três, isto é, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, operaram juntos em perfeita colaboração .  

O Pai enviou o Espírito Santo conforme está escrito: ".. o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome..." (João 14:26), o qual nos convenceu do pecado, da justiça e do juízo conforme está escrito: "E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo" (João 16:8); depois Ele nos trouxe ao Filho conforme disse Jesus: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer" (João 6:44), e também: "Todo o que o Pai me dá virá a mim" (João 6:37); e o Filho nos salvou dos nossos pecados conforme está escrito: "Para a liberdade Cristo nos libertou" (Gal. 5:1). 

Ÿ O  processo de transformação à imagem do Filho de Deus que foi começado em nós e que está ainda prosseguindo é realizado pelas três pessoas da Divindade, nenhuma excluída. Eis as passagens que o confirmam.

Paulo aos Filipenses diz: "Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efectuar, segundo a sua boa vontade" (Fil. 2:13). Aos Coríntios ele diz: "o qual [Cristo] não é fraco para convosco, antes é poderoso em vós" (2 Cor. 13:3), e ainda aos Coríntios diz: "Mas todos nós, com rosto descoberto, reflectindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" (2 Cor. 3:18). 

Ÿ A obra de santificação é realizada por Deus Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. As seguintes Escrituras o confirmam:

Paulo diz aos Tessalonicenses: "E o próprio Deus da paz vos santifique completamente..." (1 Tess. 5:23). O escritor aos Hebreus afirma: "Pois tanto o que santifica (Cristo) como os que são santificados, vêm todos de um..." (Heb. 2:11). Pedro diz na sua epístola que nós fomos "eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela santificação do Espírito..." (1 Ped. 1:2).

Ÿ No que concerne à guia devemos dizer que somos guiados por Deus, pelo seu Cristo e pelo Espírito Santo. As seguintes Escrituras o confirmam. 

Nos Salmos está escrito de Deus: "Porque este Deus é o nosso Deus para todo o sempre; ele será nosso guia até à morte" (Sal. 48:14). Em Mateus, Jesus diz: "Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo" (Mat. 23:10). Em João está escrito: "Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade" (João 16:13). 

Nós crentes reconhecemos conhecer em parte, reconhecemos que o conhecimento deste mistério é demasiado alto para nós, tão alto que nós não o podemos atingir; a cada um de nós a Escritura diz ainda hoje: "Podes tu descobrir as profundezas de Deus, ou chegar a conhecer perfeitamente o Todo-Poderoso? Trata-se de coisas mais altas do que o céu; que poderás tu fazer? de coisas mais profundas do que o Seol; como as conhecerás? A sua medida é mais comprida do que a terra, e mais larga do que o mar" (Jó 11:7-9). Podemos, por agora, apenas examinar as Escrituras que falam do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas não podemos explicar como os três são uma mesma coisa. Nós não temos três deuses, porque nós não somos politeístas como o são muitas populações na terra; mas nós temos um só Deus, n`Ele cremos, a Ele conhecemos, a Ele amamos, a Ele servimos, Ele é o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo; temos também um só Senhor, o Filho de Deus; e temos também um único Espírito nos nossos corações, que é o eterno do nosso Deus pelo qual clamamos: Aba! Pai! Estas três pessoas são Deus de eternidade a eternidade. Amen. 

Os Três são um e habitam em nós  

Agora vejamos Escrituras pelas quais se compreende que em nós filhos de Deus habitam tanto o Pai como o Filho como o Espírito Santo. 

Ÿ A Palavra testifica que Deus o Pai habita em nós com estas palavras.

Jesus disse: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada" (João 14:23). João diz: "Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus" (1 João 4:15). Paulo diz: "Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei..." (2 Cor. 6:16). 

Ÿ A Palavra testifica que Jesus Cristo, o Filho de Deus habita em nós destas maneiras.

Jesus disse: "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós... Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto..." (João 15:4,5). Paulo diz aos Efésios: "Me ponho de joelhos perante o Pai... para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite pela fé nos vossos corações..." (Ef. 3:14-17). Aos Colossenses, o mesmo apóstolo diz: "Aos quais (aos santos) Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória" (Col. 1:27). Aos Gálatas: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim.." (Gal. 2:20). Aos Romanos: "E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado..." (Rom. 8:10). Aos Coríntios: "Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós?" (2 Cor. 13:5). 

Ÿ A Palavra testifica das seguintes maneiras que o Espírito Santo habita em nós (tende presente que Ele é chamado tanto Espírito de Deus como Espírito de seu Filho).

Jesus disse: "Vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós" (João 14:17). Paulo diz aos Romanos: "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rom. 8:9). Aos Coríntios ele diz: "Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (1 Cor. 6:19). Aos Gálatas: "E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai" (Gal. 4:6). A Timóteo: "Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós" (2 Tim. 1:14). Tiago diz: "Ou pensais que em vão diz a escritura: O Espírito que ele fez habitar em nós anseia por nós até o ciúme?" (Tiago 4:5). 

Como podeis ver irmãos, estas Escrituras falam de maneira clara; em nós está Deus, Cristo Jesus e o Espírito Santo. Mas como podemos compreender tudo isto? Não podemos, podemos apenas aceitá-lo por fé por agora. Ó profundidade da sabedoria e da ciência de Deus, quão inescrutáveis são as suas obras! 

 

JESUS CRISTO

A doutrina das Testemunhas de Jeová 

Russell negava a divindade de Jesus Cristo, de facto disse que Jesus ‘existia como ser espiritual antes que ‘foi feito’ carne e habitou entre os homens. 2) Tanto naquele tempo, como posteriormente, Ele foi apropriadamente conhecido como ‘um deus,’ um poderoso (...) 3) Ele era não só o ser mais elevado da criação de Jehovah, mas também o primeiro ser criado’ (Charles Taze Russell, op. cit., pag. 70-71). E as Testemunhas de Jeová, fiéis ao seu fundador nisto, negam também elas a divindade de Cristo, de facto ensinam que Jesus não é Deus mas uma criatura de Deus, um deus. Eis o que se lê no seu livro Seja Deus verdadeiro: ‘Este não era Jeová Deus, mas estava "existindo na forma de Deus". Como assim? Ele era uma pessoa espiritual, assim como "Deus é um espírito"; era um poderoso, mas não todo-poderoso como é Jeová Deus; também ele existia antes de todas as outras criaturas de Deus, porque foi o primeiro filho que Jeová Deus trouxe à existência (...) e estando acima de todas as outras criaturas, ele era um Deus, mas não o Deus todo-poderoso, que é Jeová’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 34,35). E num dos muitos artigos contra a divindade de Cristo publicados na revista A Sentinela lê-se: ‘Embora tendo existido muito tempo antes de Abraão, Jesus não é sem princípio. À diferença do seu Pai, que é ‘de tempo indefinido a tempo indefinido’ se diz que o Filho teve ‘origem’ (..) O próprio facto de Jesus ser chamado o ‘Filho de Deus’ revela que foi produto do Pai...’ (A Sentinela, 15 de Fevereiro de 1975, pag. 111). Na substância, elas afirmam a mesma coisa que afirmava o herético Ário (280 ca. -336), isto é, que o Filho de Deus não é co-eterno com o Pai mas é também ele uma criatura de Deus e por isso não pode ser Deus. Ário dizia de facto: ‘Nem sempre Deus foi pai, não o foi quando Deus estava sozinho, e não era ainda pai: depois tornou-se pai. Nem sempre houve o filho, já que todas as coisas tendo saído do não ser, e todas as coisas que são passaram a ser, porque foram criadas e feitas, também o próprio Verbo de Deus saiu do não ser, e houve tempo em que ele não era, e não era antes que passasse a ser, mas teve também ele o princípio de sua criação...’. Para sustento desta doutrina que nega a divindade de Cristo porque considera Jesus uma criatura de Deus, as Testemunhas de Jeová tomam prevalentemente estas passagens da Escritura: "O Senhor me formou no princípio de seus caminhos.... " (Prov. 8:22); "O qual é... o primogénito de toda a criação" (Col. 1:15); "Isto diz o Amém... o princípio da criação de Deus" (Ap. 3:14); "O Pai é maior do que eu" (João 14:28) [ 7 ]. As Testemunhas de Jeová consideram que Jesus Cristo antes de vir a este mundo era o arcanjo Miguel: ‘Miguel era o nome do Filho de Deus antes que deixasse o céu para tornar-se Jesus Cristo e é também depois que voltou para lá’ (Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. II, Roma 1990, pag. 277-278) [ 8 ]. A mesma coisa que considerava Russell, de facto este disse: ‘Como Príncipe dos anjos e próximo do Pai, Ele foi conhecido como ‘Arcanjo’ (anjo ou mensageiro superior), cujo nome, ‘Micael’ significa: ‘Aquele que é como Deus’ ou ‘o representante de Deus’ (Russell, op. cit., pag. 71). Portanto, segundo elas o Miguel que no livro do Apocalipse foi visto combater no céu junto com os seus anjos contra o diabo e os seus anjos é Jesus Cristo. As razões que aduzem são estas: 1) O nome Miguel significa ‘Que é semelhante a Deus’. Por isso Miguel deve ser alguém que reivindica a soberania de Jeová demonstrando que ninguém é comparável a Ele’ 2) O título arcanjo é usado com referência a uma única pessoa Jesus Cristo, de facto, Paulo diz dele que o próprio Senhor descerá do céu com grande brado e com voz de arcanjo. 

Por quanto diz respeito ao nascimento virginal de Jesus elas não o negam: ‘Transferida a sua vida perfeita sem pecado desde o céu até o ventre da virgem judia, Jesus nasceu como um humano..’ (Seja Deus verdadeiro , pag. 41). A tal propósito dizem que o Espírito Santo teria transferido para o ventre de Maria, a força vital (que é a capacidade de viver) de Miguel [ 9 ]. À força vital depois deve ser acrescentada a memória daquilo que Miguel-Jesus era no céu. Estes dois elementos, força vital e memória, fazem a continuidade entre Miguel e Jesus. Para as Testemunhas de Jeová, dado que Ele não era Deus, Jesus na terra não tinha duas naturezas, isto é, uma divina e uma humana, porque era somente um homem. Como veremos também a seguir as Testemunhas de Jeová ensinam também que Jesus foi por Deus gerado como filho espiritual no Jordão depois que foi baptizado por João nas águas do rio; em outras palavras, para elas, foi quando o Espírito Santo desceu sobre ele que Ele se tornou o Ungido de Deus, e o Sumo Sacerdote de Deus. ‘Reconhecendo-o como Seu amado Filho, Deus gerou a Jesus para ser de novo seu Filho espiritual em vez de humano [ 10 ]. Derramando o Seu espírito santo sobre o Jesus baptizado (...) Jesus tornou-se o Messias (...) deste modo veio a ser na realidade Jesus Cristo ...’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 40)  [ 11 ].

Por quanto diz respeito à sua obra expiatória as Testemunhas de Jeová ensinam que para que o género humano pudesse ser libertado da escravidão do pecado e readquirir o que de precioso Adão perdeu pecando, era necessário que fosse pago um preço correspondente, portanto que alguém oferecesse uma vida perfeita sem pecado; e Jesus fez precisamente isso quando morreu na estaca de tortura, sim porque Jesus não morreu na cruz, mas numa estaca. E portanto aqueles que crêem em Jesus são libertados do pecado e recebem o direito de viver eternamente. Mas como veremos a seguir, nem todos aqueles que exercem fé em Jesus podem ser justificados (plenamente nesta vida), nem todos podem nascer de novo, nem todos podem ir viver para o céu com Jesus, porque este privilégio está reservado só para um grupo de crentes, exactamente 144.000; todos os outros estão destinados a viver eternamente na terra como súbditos dos 144.000, mas depois de terem passado por uma escola durante o milénio e depois de terem passado a prova final no fim do milénio. Tudo coisas que veremos melhor a seguir, quando falarmos da justificação, do novo nascimento e da salvação, e do milénio. 

Vejamos agora a sua doutrina sobre a ressurreição de Jesus porque ela está ligada à supradita doutrina sobre o resgate pago por Jesus homem. Russell escreveu a propósito da ressurreição de Cristo: ‘Ele foi morto como homem, mas foi ressuscitado dentre os mortos como ser-espírito, da ordem mais elevada da natureza divina (...) o homem Jesus está morto, morto para sempre’ (Russell, op. cit. , série V, pag. 410,411). Em outras palavras segundo Russell Jesus não ressuscitou com o corpo com o qual tinha morrido mas com o espírito; do seu corpo se perdeu todo o rasto não se sabe onde esteja! As Testemunhas de Jeová se atêm a esta doutrina, de facto ensinam que Cristo não ressuscitou com o corpo mas só com o espírito. Elas afirmam: ‘No terceiro dia em que estava morto no túmulo o seu imortal Pai Jeová Deus levantou-o da morte, não como Filho humano, senão como um poderoso Filho espiritual imortal...’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 42). E para sustento desta doutrina citam as seguintes palavras de Pedro: "Sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito" (1 Ped. 3:18). Que aconteceu portanto ao seu corpo? A resposta é: ‘Ninguém sabe’. Elas dizem simplesmente que Deus o fez desaparecer: ‘Que aconteceu então ao corpo carnal de Jesus? Os discípulos não encontraram porventura o túmulo vazio? Sim, porque Deus fez desaparecer o corpo de Jesus’ (Poderá viver para sempre no paraíso na terra, imprimido na República federal da Alemanha, 1982, pag. 144) [ 12 ]. Mas qual é o motivo pelo qual as Testemunhas de Jeová afirmam que Cristo não ressuscitou com o corpo com que tinha morrido? Esta: ‘Cristo não podia retomar o seu corpo após a ressurreição, porque se o tivesse feito retomaria o sacrifício oferecido a Deus pela humanidade’ (Estudo Perspicaz das Escrituras , vol. II, pag. 780) [13 ]. Então e as suas aparições? Por quanto diz respeito às aparições de Cristo as Testemunhas de Jeová afirmam: ‘Durante quarenta dias depois disso materializou-se, como anjos antes dele o fizeram, a fim de mostrar-se vivo aos seus discípulos como testemunhas’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 42-43); ‘Para convencer Tomé que era mesmo ele, Jesus usou um corpo com feridas. Parecia mesmo um homem (...) Enquanto a Tomé Jesus apareceu com um corpo semelhante àquele com o qual tinha sido morto, ao aparecer aos Seus seguidores assumiu também corpos diferentes’ (Poderá viver para sempre no paraíso na terra , pag. 145). Como veremos a seguir, esta doutrina sobre a ‘ressurreição’ de Jesus (como ser-espírito) está ligada também à sua doutrina sobre a ‘volta’ invisível de Jesus em 1914. Em outras palavras, segundo elas, Jesus, sendo um espírito, não podia ser visto na sua volta ocorrida em 1914.

Confutação

As Testemunhas de Jeová afirmam o falso e não se atêm à verdade e nós confutaremos aquilo que dizem mediante a Palavra de Deus, demonstrando que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é Deus (e por isso eterno como o Pai e com o Pai) e não uma criatura de Deus que outrora não existia. O faremos, antes de tudo, fazendo alguns confrontos entre Escrituras do Antigo Pacto e Escrituras do Novo Pacto, e depois citando palavras de Jesus e dos apóstolos que testificam a divindade de Cristo. Depois demonstraremos a falsidade do seu ensinamento sobre a ressurreição de Jesus. Por quanto diz respeito à confutação da sua doutrina sobre os efeitos que produz a expiação de Jesus sobre aqueles que crêem nele vos remeto à parte onde tratei a justificação, o novo nascimento e a salvação; enquanto para aquela relativa à sua doutrina sobre a sua presumida volta ocorrida em 1914, vos remeto à parte onde confutei esta sua volta.

O seguinte confronto entre passagens do Antigo e do Novo Pacto testifica que Jesus Cristo é Deus e não uma criatura de Deus   

Ÿ Deus, debaixo do antigo pacto, disse frequentemente por boca dos santos profetas ser o único salvador existente em toda a criação; eis algumas destas passagens: "Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador" (Is. 43:11); "Pois não há outro Deus senão eu; Deus justo e Salvador não há além de mim" (Is. 45:21); "o Senhor é o nosso rei, ele nos salvará" (Is. 33:22). Mas Deus (Yahweh: Aquele que é), além de proclamar ser o único Salvador disse que viria para salvar Israel das suas iniquidades. Isaías, de facto, disse: "Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis o vosso Deus! com vingança virá, sim com a recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará" (Is. 35:4), e ainda: "Israel será salvo pelo Senhor, com uma salvação eterna" (Is. 45:17); e nos Salmos tinha sido dito: "Espera, ó Israel, no Senhor! pois com o Senhor há benignidade, e com ele há copiosa redenção; e ele remirá a Israel de todas as suas iniquidades" (Sal. 130:7-8). Ora, antes que Jesus nascesse um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, o marido de Maria, e entre outras coisas lhe disse: "E ela dará à luz um filho, a quem chamarás Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mat. 1:21), por isso, como Aquele que é poderoso para salvar é um só, a saber, Deus, e Deus tinha dito que seria ele a salvar o seu povo, Jesus Cristo é Deus. Não há dois salvadores mas um só segundo o que ensina a Escritura, portanto Cristo é Deus, o Salvador de Israel. Ele disse em casa de Zaqueu que "o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19:10), testificando desta maneira que Ele tinha (e tem ainda) o poder de salvar os perdidos; por isso não pode não ser Deus. 

Ÿ Deus tinha dito também ser Aquele que redime Jerusalém e que a resgataria pela justiça. Ele disse de facto através de Isaías: "o Senhor... redime a Jerusalém" (Is. 52:9), e: "Sião será resgatada pela justiça, e os seus convertidos, pela rectidão.." (Is. 1:27), e ainda: "Eis que o Senhor proclama até às extremidades da terra: Dizei à filha de Sião: Eis que vem a tua salvação; eis que com ele vem o seu galardão, e a sua recompensa diante dele" (Is. 62:11). Esta é a razão pela qual, quando Jesus nasceu haviam aqueles que esperavam a redenção de Jerusalém, porque Deus tinha prometido salvá-la. Ora, segundo o que ensina a Escritura, o redentor de Jerusalém é Jesus Cristo, Deus bendito eternamente; ele é a salvação de Sião que Deus manifestou na plenitude dos tempos perante todas as nações e que pôs sobre o monte Sião. Ana, a profetisa que "não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações" (Lucas 2:37), quando chegou e viu o menino Jesus começou a dar graças a Deus e "falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém" (Lucas 2:38), porque também ela creu que Jesus era Aquele que resgataria os habitantes de Jerusalém dos seus pecados (isto é, que ele era a salvação de Sião prometida por Deus). 

Ÿ Davi nos Salmos disse: "O Senhor é…  a minha salvação" (Sal. 27:1), e também: "Só ele é ... a minha salvação" (Sal. 62:6), portanto ele cria que Deus era a sua salvação. Paulo diz aos Coríntios que Cristo Jesus para nós foi feito por Deus "redenção" (1 Cor. 1:30), portanto Jesus é a nossa salvação. Ele portanto é Deus.

Ÿ Deus, o Salvador do mundo, antes de Jesus vir a este mundo, ordenou a todos os habitantes do mundo que olhassem para ele para serem salvos conforme está escrito em Isaías: "Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os confins da terra" (Is. 45:22), isto significa que Ele tinha e tem o poder de salvar os habitantes do mundo. Quando Jesus se manifestou a Israel disse: "Eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo" (João 12:47). Mas então quantos salvadores do mundo há? Um ou dois? Nós conhecemos um só que é Cristo Jesus, Deus bendito eternamente. O nosso Senhor Jesus Cristo é o nosso Deus que veio para nos salvar! Nós, como aqueles Samaritanos que creram nele, "sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo" (João 4:42). Para confirmação de tudo isto há as seguintes palavras de Pedro: "E em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Actos 4:12). Dilectos, Jesus é poderoso para salvar porque ele é Deus. Ele é Aquele que agora é glorioso no seu traje, e que marcha na plenitude da sua força, Aquele que diz: "Sou eu, que falo com justiça, que sou poderoso para salvar" (Is. 63:1). 

Ÿ Deus tinha dito que resgataria alguns das mãos do inimigo sem dinheiro, de facto disse: "Porque assim diz o Senhor: Por nada fostes vendidos; e sem dinheiro sereis resgatados" (Is. 52:3), e o salmista disse: "Louvai ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre. Digam-no os remidos do Senhor, os que remiu da mão do inimigo..." (Sal. 107:1-2). Jesus Cristo fez precisamente isso; Ele nos resgatou do poder do diabo tendo-nos resgatado das nossas iniquidades com o seu próprio sangue. Paulo diz a Tito que Jesus Cristo "se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade..." (Tito 2:14); e aos Gálatas que "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós" (Gal. 3:13). Ele portanto é Deus. 

Ÿ Deus tinha dito também que consolaria o seu povo, de facto Ele disse: "Como alguém a quem consola sua mãe, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém vós sereis consolados" (Is. 66:13), e ainda: "O Senhor consolará a Sião; consolará a todos os seus lugares assolados.." (Is. 51:3). Mas de que maneira os consolaria? Através do seu Ungido, porque também para isto Ele o enviaria, para consolar todos os que choram. Jesus confirmou ser o Consolador de Israel, porque Ele consolou os que choravam dizendo-lhes: "Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir" (Lucas 6:21), e ainda: "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados" (Mat. 5:4). Ele mesmo afirmou ser o Consolador enviado por Deus, quando disse aos seus discípulos, antes de ser preso: "Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco..." (João 14:16). Por que falou de outro Consolador? Quem era o anterior? Era ele, Deus bendito eternamente, mas como Ele estava para partir para voltar para o Pai, prometeu que lhes enviaria o Consolador (o outro Consolador) que ficaria com eles para sempre, isto é, o Espírito da verdade que procede do Pai (cfr. João 16:7).  

Ÿ Davi disse a Deus: "Tu és a minha esperança, Senhor Deus" (Sal. 71:5), e Jeremias dirigindo-se ainda a Deus diz: "Ó Senhor, esperança de Israel, todos aqueles que te abandonarem serão envergonhados.... porque abandonam o Senhor" (Jer. 17:13), e diz que os inimigos de Israel diziam: "Culpa nenhuma teremos; porque pecaram contra o Senhor, a morada da justiça, sim, o Senhor, a esperança de seus pais" (Jer. 50:7). Paulo, que vos recordo era um Judeu que sabia muito bem tudo isto, chama Cristo "esperança nossa" (1 Tim. 1:1), portanto ele considerava que Jesus era a esperança de todos aqueles que criam nele, Judeus crentes portanto incluídos. Portanto, o apóstolo cria que ele era Deus. 

Ÿ Deus, debaixo do Antigo Pacto, tinha dito que enviaria o seu mensageiro diante dele mesmo, de facto disse através de Malaquias: "Eis que eu envio o meu mensageiro, e ele há-de preparar o caminho diante de mim" (Mal. 3:1). Ora, nós sabemos que estas palavras se referem a João o Baptista que Deus enviou ante o seu Cristo, de facto Jesus disse de João: "Este é aquele de quem está escrito: Eis aí envio eu ante a tua face o meu mensageiro, que há-de preparar adiante de ti o teu caminho" (Mat. 11:10). Mas se vós notardes bem, em Malaquias Deus disse que o enviaria diante de si mesmo, de facto disse: "Ele há-de preparar o caminho diante de mim", enquanto na citação de Malaquias feita por Jesus, Deus diz ao seu Ungido do seu mensageiro: "... há-de preparar diante de ti o teu caminho". Portanto também neste caso nós chegamos à inevitável conclusão que Jesus Cristo é Deus bendito eternamente. Zacarias, o pai de João, quando profetizou, disse: "E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos" (Lucas 1:76), e séculos antes Isaías tinha dito: "Eis a voz do que clama: Preparai no deserto o caminho do Senhor; endireitai no ermo uma estrada para o nosso Deus!" (Is. 40:3), portanto como João foi enviado por Deus ante Jesus Cristo para preparar-lhe o caminho (João mesmo disse: "Não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele" [João 3:28]), por conseguinte, nós proclamamos que Jesus Cristo é o nosso Deus. 

Ÿ Jesus um dia disse aos Judeus: "Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se" (João 8:56), ao que os Judeus lhe disseram: "Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão?" (João 8:57) e "disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou" (João 8:58). Ora, nós sabemos que o Eu sou apareceu a Moisés no monte Horebe na chama de uma sarça ardente e lhe falou e o enviou ao Egipto para libertar Israel, mas vejamos agora quando o Eu sou apareceu ao patriarca Abraão, porque Jesus proclamou ter visto Abraão e que Abraão tinha visto o seu dia e se tinha alegrado. Está escrito: "Apareceu o Senhor a Abraão junto aos carvalhos de Manre, estando ele sentado à porta da tenda, no maior calor do dia. Levantando Abraão os olhos, olhou e eis três homens de pé em frente dele...." (Gen. 18:1,2). Notai que a Escritura diz que Abraão viu em frente de si três homens. Prosseguindo na leitura desta visita que Abraão recebeu se notará que dois destes homens eram dois anjos, de facto, depois de os três homens terem comido o que Abraão lhes tinha posto à frente, a Escritura primeiro diz: "Então os homens, virando os seus rostos dali, foram-se em direcção a Sodoma.." (Gen. 18:22), e pouco depois: "À tarde chegaram os dois anjos a Sodoma..." (Gen. 19:1). Portanto, dois daqueles três homens eram dois anjos; mas então quem era o terceiro? Ele era o Senhor, isto é, o Eu sou, de facto a Escritura após ter dito que "apareceu o Senhor a Abraão" diz que, depois daqueles dois homens terem partido de junto de Abraão, o patriarca "ficou ainda em pé diante do Senhor" (Gen. 18:22). Agora quero fazer-vos notar uma outra coisa que julgo importante porque ela confirma que esse homem que apareceu a Abraão era Deus (o Filho) antes da sua encarnação. Depois que os dois anjos tomaram pela mão Ló, sua mulher e as suas duas filhas e os levaram para fora da cidade de Sodoma, a Escritura diz que "então o Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra" (Gen. 19:24). Notai a expressão: "O Senhor fez chover... do Senhor", porque ela confirma que esse homem que fez chover de Deus fogo e enxofre sobre Sodoma era Deus, o Filho. 

Ÿ O mesmo Filho de Deus que nos dias de Abraão fez cair enxofre e fogo sobre os ímpios, séculos depois, fez descer o Espírito Santo sobre os seus discípulos em Jerusalém ainda de Deus. Ele, quando prometeu o Espírito Santo, disse aos seus: "Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim" (João 15:26); portanto Ele disse que faria descer o Espírito sobre eles da parte do seu Pai. E isso foi o que aconteceu no dia de Pentecostes porque Pedro, quando falou aos Judeus que se tinham reunido ao ouvir aquele som semelhante ao som de vento impetuoso que sopra, e que se admiravam ao ouvir falar Galileus em línguas estrangeiras, disse-lhes: "Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis" (Actos 2:32-33); portanto foi Jesus Cristo pela destra do Pai a derramar o Espírito Santo sobre os discípulos. Mas o que está escrito no livro do profeta Joel? Está escrito: "E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne..." (Actos 2:17; Joel 2:28); mas aqui é Deus que promete derramar o seu Espírito! Portanto? Portanto Jesus Cristo é Deus! 

Ÿ  No livro do Êxodo está escrito que quando o Anjo do Senhor apareceu a Moisés na chama de uma sarça ardente lhe disse: "Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó" (Ex. 3:6). Que Aquele que apareceu e falou a Moisés era Deus o confirmou Jesus quando disse aos Saduceus: "Quanto aos mortos, porém, serem ressuscitados, não lestes no livro de Moisés, onde se fala da sarça, como Deus lhe disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó?" (Mar. 12:26). Ora, ainda onde se fala da sarça, como disse o Senhor, está escrito que Deus disse a Moisés: "Eu sou o que sou" (Ex. 3:14), e também: "Assim dirás aos filhos de Israel: eu sou me enviou a vós" (Ex. 3:14). Com estas palavras Deus proclamou ser de eternidade a eternidade. No Evangelho escrito por João está escrito que Jesus disse aos Judeus: "Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou" (João 8:58), fazendo-se assim igual a Deus porque só Deus pode dizer ser Aquele que é. Também este confronto de Escrituras confirma que Cristo Jesus é Deus e não um deus. Queria que notásseis que os Judeus quando ouviram proferir estas palavras a Jesus pegaram em pedras para apedrejá-lo por blasfémia porque assim dizendo, segundo eles, ele tirava ao invisível e eterno Deus a honra que lhe pertence. Eles não pegaram em pedras para apedrejá-lo quando pouco antes Jesus lhes tinha dito: "Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se" (João 8:56) (confirmando a sua preexistência), tanto é que a esta afirmação de Jesus eles lhe disseram: "Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão?" (João 8:57) (ficando admirados mas não indignados porque segundo eles neste caso ele não tinha blasfemado contra Deus), mas eles pegaram em pedras para apedrejá-lo quando ele falou de modo a fazer-se igual a Deus. Mas, aliás, Jesus disse a verdade e não mentiu dizendo existir desde sempre; porém os Judeus não creram nele, e por isso procuraram matá-lo. 

Ÿ No livro do Deuteronómio está escrito que Moisés disse ao povo de Israel: "O Senhor vosso Deus, é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores" (Deut. 10:17); as palavras "Senhor dos senhores" aqui se referem a Deus Pai. Também Paulo confirmou que Deus Pai é o Senhor dos senhores quando diz a Timóteo que a aparição do nosso Senhor Jesus Cristo "será a seu tempo manifestada pelo bem-aventurado e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; aquele que possui, ele só, a imortalidade, e habita em luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém" (1 Tim. 6:15-16). No livro do Apocalipse este nome é dado ao Senhor Jesus, de facto está escrito: "Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis" (Ap. 17:14), e ainda: "E no vestido e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores" (Ap. 19:16). Ora, como podeis ver o Filho tem o mesmo nome do Pai e portanto ele é Deus. 

Ÿ Nos Salmos Davi disse pelo Espírito: "Em Deus louvarei a sua palavra" (Sal. 56:4), e como num outro lugar diz também: "Louvarei ao Senhor durante a minha vida" (Sal. 146:2), por conseguinte, ele cria que a Palavra de Deus era Deus, doutra forma não a louvaria. Ora, nós sabemos que Cristo Jesus é a Palavra de Deus que foi feita carne e habitou por um tempo no meio dos homens: o seu nome, como diz João, "é a Palavra de Deus" (Ap. 19:13), e nós fazemos bem em louvar e glorificar a Palavra de Deus porque é Deus, e porque outros antes de nós o fizeram conforme está escrito: "E os Gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra de Deus" (Actos 13:48). Não é esta uma outra clara prova que Jesus Cristo é Deus? 

Ÿ Nos Salmos está escrito: "Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória" (Sal. 24:9-10). Paulo diz aos Coríntios que se os príncipes deste século tivessem conhecido a sabedoria misteriosa e oculta de Deus "não teriam crucificado o Senhor da glória" (1 Cor. 2:8), portanto Cristo Jesus é o Rei da Glória, o Senhor dos Exércitos; em outras palavras Ele é Deus. 

Ÿ O profeta Zacarias disse: "O Senhor disse-me: Arroja isso ao oleiro, esse belo preço em que fui avaliado por eles. E tomei as trinta moedas de prata, e as arrojei ao oleiro na casa do Senhor" (Zac. 11:13). Como podeis ver, nas palavras do profeta, Deus diz ter sido avaliado em trinta moedas de prata. No Evangelho escrito por Mateus encontramos escrito que quando Judas foi aos principais sacerdotes disse-lhes: "Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata" (Mat. 26:15). Neste caso está dito que Jesus foi avaliado em trinta moedas de prata. A seguir, depois que Judas lho entregou, Judas tomou as trinta moedas de prata e as devolveu aos principais sacerdotes e aos anciãos os quais "tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, a quem certos filhos de Israel avaliaram, e deram-nas pelo campo do oleiro.." (Mat. 27:9-10). Também por este confronto escritural emerge que Jesus Cristo é Deus. 

Ÿ O profeta Zacarias disse: "Virá o Senhor meu Deus, e todos os seus santos com ele" (Zac. 14:5). O apóstolo Paulo fala aos Tessalonicenses "na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos" (1 Tess. 3:13); também Paulo poderia dizer como Zacarias: "Virá o Senhor meu Deus, e todos os seus santos com ele", mas disse uma coisa ligeiramente diferente porque em vez de dizer: "O Senhor meu Deus", nesta ocasião disse: "O nosso Senhor Jesus". Mas na substância as coisas não mudam porque o Deus de Zacarias que virá com todos os seus santos é Cristo Jesus. Amen. Paulo confirmou que Jesus Cristo é o nosso Deus que virá do céu com todos os seus santos quando disse a Tito: "Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tito 2:13). Também as palavras de Paulo confrontadas com as de Zacarias confirmam de maneira inequívoca que Jesus Cristo é Deus e não um deus como dizem os mentirosos. 

Ÿ Isaías disse: "Eis aqui está o vosso Deus. Eis que o Senhor Deus virá com poder" (Is. 40:9-10); portanto segundo as palavras de Isaías o nosso Deus virá com poder. Ora, confrontando as referidas palavras do profeta com estas palavras de Jesus: "Então verão vir o Filho do homem em uma nuvem, com poder e grande glória" (Lucas 21:27), e estas de João: "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá..." (Ap. 1:7), se compreende que Jesus Cristo é o nosso Deus que virá com poder. Se depois se examinarem as seguintes palavras ditas pelo Senhor Jesus a João: "Eu sou o Alfa e o Ómega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há-de vir, o Todo-Poderoso" (Ap. 1:8), se notará que Aquele que há-de vir se define o Alfa e o Ómega e o Todo-Poderoso; e por isso também esta é uma confirmação que Jesus Cristo, o qual há-de vir, é Deus. 

Ÿ Deus disse através do profeta Isaías: "Diante de mim se dobrará todo joelho" (Is. 45:23). O apóstolo Paulo falando de Jesus diz: "Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que no nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra..." (Fil. 2:9-10); portanto Jesus Cristo é Deus porque é diante dele que se devem dobrar todos os joelhos. 

Ÿ O profeta Isaías predisse que o próprio Deus apascentaria o seu rebanho, de facto disse: "Dize às cidades de Judá: ‘Eis aqui está o vosso Deus.... Como pastor ele apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as ovelhas que amamentam, ele as guiará mansamente" (Is. 40:9,11). Como podeis ver estas palavras se referem a Deus, e pondo-as em confronto com estas outras palavras que disse Miquéias a propósito do Cristo: "Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há-de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade... E ele permanecerá, e apascentará o seu rebanho com a força do Senhor, com a excelência do nome do Senhor seu Deus" (Miq. 5:2,4), se pode notar que em ambas as predições há a expressão: "Ele apascentará o seu rebanho". Mas enquanto em Isaías está dito que Deus apascentaria o seu rebanho, em Miquéias está dito que o apascentaria Aquele que nasceria em Belém. Ora, nós sabemos que Jesus que é chamado Cristo, embora existisse desde sempre antes da fundação do mundo, nasceu segundo a carne em Belém, e que ele é o bom pastor que apascenta o rebanho de Deus porque ele disse: "Eu sou o bom pastor" (João 10:11), e Pedro o chama o Pastor e Bispo das nossas almas (cfr. 1 Ped. 2:25) e também "o sumo Pastor " (1 Ped. 5:4); portanto Ele é Deus.

Ÿ Em Isaías lemos: "Conforme forem as obras deles, assim será a sua retribuição..." (Is. 59:18), e no livro dos Provérbios: "E não retribuirá a cada um conforme a sua obra?" (Prov. 24:12). Estas palavras se referem a Deus. Jesus disse: "O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras" (Mat. 16:27) e também que todas as igrejas saberão que ele é aquele que dará "a cada um de vós segundo as vossas obras" (Ap. 2:23). Ainda uma vez, o resultado evidente que brota deste confronto entre passagens do Antigo e passagens do Novo Pacto é que Jesus Cristo é Deus. 

Ÿ No livro do profeta Isaías encontramos escrito: "Ao Senhor dos exércitos, a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro. Então ele vos será por santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e de rocha de escândalo, às duas casas de Israel..." (Is. 8:13-14). Portanto, segundo o profeta, Deus seria uma pedra de tropeço para o povo de Israel. O apóstolo Pedro na sua primeira epístola diz referindo-se a Cristo que para os incrédulos a pedra angular eleita e preciosa (isto é, Cristo) é "uma pedra de tropeço e rocha de escândalo; porque tropeçam na palavra, sendo desobedientes..." (1 Ped. 2:7-8). Deste confronto emerge que Cristo Jesus, sendo a pedra de tropeço em que tropeçaram os incrédulos por decreto divino, é Deus. Notai, de facto, que em Isaías está dito que os Israelitas tropeçariam no Senhor dos Exércitos, e em Pedro que os incrédulos tropeçam na Palavra. Portanto a Palavra é Deus, o Senhor dos exércitos e, por conseguinte, dado que Cristo é a Palavra feita carne, Cristo é Deus, e não um deus. 

Ÿ Nos Salmos está escrito: "Pela palavra do Senhor foram feitos os céus..." (Sal. 33:6), e como Jesus Cristo é a Palavra de Deus feita carne ("E a Palavra se fez carne" [João 1:14]), tanto é que o seu nome é a Palavra de Deus, ele não pode ser um deus inferior ao grande Deus porque num outro lugar está escrito que "no princípio criou Deus os céus..." (Gen. 1:1). Em outras palavras, como a criação dos céus é atribuída tanto a Deus como à Palavra de Deus, esta é Deus: e como Jesus é a Palavra de Deus, ele é Deus. 

Ÿ Nos Salmos está escrito: "Eu clamo: Deus meu, não me leves no meio dos meus dias, tu, cujos anos alcançam todas as gerações. Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles, como um vestido, envelhecerão; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. Mas tu és sempre o mesmo, e os teus anos não acabarão" (Sal. 102:24-27). Estas palavras (de "Desde a antiguidade fundaste a terra..." em diante) na carta aos Hebreus são aplicadas pelo escritor ao Filho de Deus porque antes de citá-las está dito: "Do Filho diz" (Heb. 1:8) e depois: "Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra..." (Heb. 1:10). Ora, dado que sabemos que aquele que no princípio criou os céus e a terra é Deus, por conseguinte, o Filho é Deus. Mas além disso notai que no Salmo o salmista primeiro diz: "Deus meu" (Sal. 102:24) e depois: "Desde a antiguidade fundaste a terra..." (Sal. 102:25), o que confirma que Jesus Cristo, o Filho do Pai, é Deus. Vos recordais do que disse Tomé a Jesus quando este apareceu também a ele? Não lhe disse porventura: "Senhor meu, e Deus meu" (João 20:28) [ 14 ]? Notai por isso como as palavras do salmista dirigidas ao Filho são as mesmas que Tomé dirigiu a Jesus Cristo depois que este ressuscitou dentre os mortos: "Deus meu". 

Ÿ No centésimo décimo nono Salmo está escrito em referência a Deus o Criador de todas as coisas: "A tua fidelidade dura de geração em geração; tu fundaste a terra e ela subsiste. Tudo subsiste até hoje segundo as tuas ordens, porque todas as coisas estão ao teu serviço" (Sal. 119:90-91). Ora, vimos pelo anterior confronto que as palavras "tu fundaste a terra" que se referem a Deus se referem também ao Filho; agora vejamos como também as palavras "tudo subsiste até hoje segundo as tuas ordens" que se referem a Deus se referem também ao Filho. O apóstolo Paulo na sua carta aos Colossenses diz do Filho: "Tudo foi criado por ele e para ele; ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as coisas" (Col. 1:16-17), e o escritor aos Hebreus confirma isto dizendo que Deus criou os mundos mediante o seu Filho "o qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade nas alturas" (Heb. 1:3). Portanto tanto na carta aos Colossenses como na aos Hebreus está dito que o Filho sustenta todas as coisas, o que equivale a dizer como está escrito nos Salmos que todas as coisas subsistem às ordens do Filho de Deus. Ora, se Ele não fosse o Todo-Poderoso Deus como poderia sustentar todas as coisas? Certamente não poderia, mas porque Ele é o Todo-Poderoso Deus pode fazê-lo.  

Ÿ Nos Salmos está dito: "Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons dentre os homens, e até dentre os rebeldes, para fazeres lá a tua habitação, ó Senhor Deus" (Sal. 68:18). Na carta aos Efésios Paulo aplica estas palavras a Cristo, com efeito, diz: "Ora, isto—ele subiu—que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas" (Ef. 4:9-10). Portanto, Cristo, dado que é aquele que subindo ao alto levou cativo o cativeiro, é Deus. 

Ÿ Deus disse através de Isaías: "Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem.." (Is. 44:22). Mas não disse porventura João de Jesus: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29)? Portanto, como foi Jesus a apagar todos os nossos velhos pecados como a nuvem, Ele é Deus. 

Ÿ Nos Salmos Davi diz: "Ele é o que perdoa todas as tuas iniquidades" (Sal. 103:3), e também: "Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado" (Sal. 32:5). Portanto é só Deus que pode perdoar ao homem os seus pecados. Marcos diz que Jesus disse àquele homem paralítico trazido por quatro: "Filho, perdoados estão os teus pecados" (Mar. 2:5). Ao que alguns dos escribas que estavam ali presentes arrazoavam em seus corações dizendo: "Por que fala assim este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus?" (Mar. 2:7). Mas Jesus conhecendo os seus pensamentos disse-lhes: "Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa" (Mar. 2:8-11). Como podeis ver Jesus Cristo tinha o poder de perdoar os pecados. Por isso Jesus não podia não ser Deus além de homem. Se ele tivesse sido só um homem então sim teria blasfemado, mas o facto é que Ele era, além de verdadeiro homem, também verdadeiro Deus e por isso tinha o poder de perdoar os pecados aos homens. Ainda hoje Cristo Jesus perdoa os pecados àqueles que crêem nele porque Ele é Deus. 

Ÿ O profeta Jeremias disse: "Mas o Senhor é o verdadeiro Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno" (Jer. 10:10). João na sua primeira epístola diz: "E nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (1 João. 5:20). Ora, nós sabemos que há um único verdadeiro Deus; isto o testificou o Filho de Deus nos dias da sua carne quando dirigindo-se ao seu Pai disse: "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste" (João 17:3); portanto como é possível que João chame Jesus Cristo "o único verdadeiro Deus"? Por certo não podem haver dois verdadeiros Deuses porque isso contrastaria a verdade; portanto o facto de João ter chamado o Filho o único verdadeiro Deus confirma que Ele é Deus. O Pai e o Filho são um. 

Ÿ Deus disse através do profeta Jeremias: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas acções" (Jer. 17:9-10). Jesus Cristo disse ao anjo da igreja de Tiatira: "Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras" (Ap. 2:22-23). Portanto Jesus, sendo Aquele que esquadrinha o coração e prova os rins e dá a cada um segundo as suas obras, é Deus porque possui as mesmas características que Deus através do profeta disse ter.  

Ÿ O profeta Jeremias disse: "Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor!" (Jer. 17:7). Não é a única citação do Antigo Testamento que proclama a bênção daqueles que têm fé em Deus; mas quero citar só esta. Ora, nós somos todos filhos de Deus porque cremos em Cristo Jesus conforme está escrito: "Todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus" (Gal. 3:26), e somos benditos conforme está escrito: "De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão" (Gal. 3:9); portanto Jesus é Deus e não só um homem porque se nós tivéssemos posto a nossa confiança só num homem por certo não seríamos benditos. Nós não seríamos benditos se tivéssemos posto a nossa confiança só num homem porque Jeremias disse também: "Maldito o homem que confia no homem" (Jer. 17:5). Eis por que Jesus pôde dizer aos seus discípulos: "Crede em Deus, e crede também em mim" (João 14:1), porque Ele era Deus juntamente com o Pai. Pensais vós que se Jesus tivesse sido só um homem diria alguma vez aos seus discípulos para porem a sua confiança também nele? Não, porque em tal caso em vez de fazê-los benditos os teria feito malditos. Mas precisamente porque ele era Deus pôde ordenar-lhes que tivessem confiança também n`Ele além de em Deus Pai.  

Ÿ O profeta Isaías disse do Cristo: "Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.." (Is. 7:14) e também: "Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo estará sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz" (Is. 9:6). Ora, nós sabemos que Jesus é o menino que nasceu em Belém de uma mulher virgem de nome Maria (cfr. Mat. 1:18-25; Lucas 1:26-38; 2:1-7), e ainda Ele é o Filho que nos foi dado porque como Filho de Deus ele estava com o seu Pai antes da fundação do mundo e na plenitude dos tempos Deus o deu pelas nossas transgressões (cfr. João 3:16; Gal. 4:4). Foi dito que o governo estaria sobre os seus ombros portanto que ele estaria à cabeça do reino e isto se cumpriu porque o reino foi dado a Cristo Jesus. As seguintes palavras de Jesus aos seus discípulos confirmam isso: "E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou" (Lucas 22:29), e: "Foi-me dado todo o poder no céu e na terra" (Mat. 28:18). Também o apóstolo Paulo confirma que o reino de Deus é de Cristo Jesus quando diz aos Efésios: "Porque bem sabeis isto: que nenhum fornicador, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus" (Ef. 5:5); e Pedro faz o mesmo quando diz: "Fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Ped. 1:10-11); portanto como nós sabemos que há um só reino celestial que é de Deus e sobre o qual reina só Deus (conforme está escrito: "Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus" (João 3:5), e noutro lugar: "O reino é do Senhor" [Sal. 22:28]), e os apóstolos dizem que ele é de Cristo Jesus, Cristo é Deus. Aliás, não disse porventura Jesus: "Tudo quanto o Pai tem é meu" (João 16:15)? Se depois examinarmos os nomes com os quais Isaías disse que o Cristo seria chamado então veremos que eles são próprios de Deus e de nenhum outro. 

Emanuel que traduzido quer dizer ‘Deus connosco’. Nos salmos está dito: "O Senhor dos exércitos está connosco" (Sal. 46:11), e como só Deus pode dizer estar com todos nós filhos de Deus que nos encontramos nos quatro cantos da terra porque Ele é omnipresente e Jesus disse: "Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mat. 28:20), ele não pode não ser Deus, porque doutra forma não poderia dizer estar sempre connosco. 

Maravilhoso Conselheiro. Ora, nos Salmos está escrito que Deus disse a Davi: "Aconselhar-te-ei" (Sal. 32:8), e o próprio Davi no décimo sexto salmo disse: "Bendigo ao Senhor que me aconselha" (Sal. 16:7); portanto Deus era o conselheiro de Davi. Do menino que nasceria foi dito que seria chamado Conselheiro, e de facto Cristo Jesus é o nosso Conselheiro. Para confirmação disto submeto à vossa atenção as seguintes palavras que o Filho de Deus dirigiu ao anjo da igreja de Laodicéia: "Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas" (Ap. 3:17-18). Como podeis ver por vós mesmos Jesus Cristo aconselhou ao anjo da igreja de Laodicéia fazer algumas coisas para o bem da sua alma; portanto isto confirma que Ele é o Conselheiro da Igreja de Deus; ele é o Deus que nos aconselha e por isso cada um de nós pode dizer: ‘Bendigo a Cristo Jesus, o Senhor que me aconselha’. 

Deus Poderoso. Debaixo do Antigo Pacto Jeremias chamou assim o Criador de todas as coisas, de facto lhe disse: "Ah! Senhor Deus! És tu que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido! Nada há que te seja demasiado difícil! Usas de benignidade para com milhares e retribuis a iniquidade dos pais ao seio dos filhos depois deles; tu és o grande, o poderoso Deus cujo nome é o Senhor dos exércitos" (Jer. 32:17-18). Também Isaías chamou assim Deus quando disse: "Um resto voltará; sim, o resto de Jacó voltará para o Deus poderoso" (Is. 10:21). Portanto como não podem haver dois deuses que se possam chamar ambos ‘Deus poderoso’ porque há um só Deus poderoso, Cristo Jesus, Aquele que nasceu de Maria em Belém, é Deus. Ele enquanto esteve na terra demonstrou amplamente ser o Deus poderoso, e ainda hoje o está demonstrando porque salva, cura, baptiza com o Espírito Santo, e opera poderosamente em nós o que perante Deus é agradável conforme diz Paulo aos Coríntios: "O qual [Cristo] não é fraco para convosco, antes é poderoso em vós" (2 Cor. 13:3). 

Pai Eterno. Nenhuma criatura poderia ter um semelhante nome porque ele se ajusta só a Deus. Jesus é chamado Pai eterno porque ele como Filho de Deus é eterno, isto é, sem início de dias e sem fim de vida, e depois porque nós crentes tendo sido gerados por Ele lhe somos filhos. Lembrai-vos a tal propósito que Jesus chamou os seus discípulos não só irmãos mas também filhinhos ("Filhos, não tendes nada que comer?" (João 21:5), e: "Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco" (João 13:33). O profeta tinha dito dele: "Ele será como pai para os moradores de Jerusalém, e para a casa de Judá" (Is. 22:21), e na verdade Ele é como um pai para todos nós. Cuidai que com isto não queremos dizer que Cristo Jesus é o Pai porque em tal caso negaríamos a existência da primeira pessoa da Trindade, isto é, do Pai, mas só que ele é como um pai para todos nós.  

Príncipe da Paz. Quem é aquele que dá a paz? Deus, conforme está escrito em Isaías: "Senhor, tu nos darás a paz" (Is. 26:12); e por isso Ele é chamado "o Deus da paz" (Rom. 16:20). Mas Isaías disse do menino que nasceria da virgem que seria chamado Príncipe da paz, portanto também ele daria a paz. E Jesus fez isso, de facto disse aos seus discípulos: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou" (João 14:27). Portanto, como só Deus pode dar paz à alma aflita e Isaías disse que Ele nos daria a paz, Jesus Cristo é Deus.  

Ÿ Deus disse através de Isaías: "Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura" (Is. 42:8). Jesus, antes de ser preso, na oração que fez ao seu Pai disse: "E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse" (João 17:5); isto o disse porque ele queria que o Pai lhe restituísse aquela glória de que Ele, como Filho de Deus co-eterno com o Pai, se tinha privado por um breve tempo assumindo a forma de um servo e tornando-se semelhante aos homens para morrer na cruz contado com os malfeitores. Mais adiante na oração Jesus disse também: "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo" (João 17:24); portanto por aqui se compreende que Deus deu a sua glória ao seu Filho, e como a glória pertence só a Deus (conforme está escrito: "Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém" [Mat. 6:13]) se deduz que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é o Deus a quem pertence a glória. O Cordeiro está agora rodeado de glória no céu; João no livro da Revelação diz entre outras coisas: "E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos; e o número deles era miríades de miríades, e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor" (Ap. 5:11-12); e como pouco antes ele tinha visto os vinte e quatro anciãos prostrar-se diante de Deus Pai que estava sentado sobre o trono e adorá-lo dizendo: "Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder..." (Ap. 4:11), e entre as coisas que também o Cordeiro é digno de receber a par de Deus estão a glória, a honra e o poder se deve afirmar que Jesus é Deus bendito eternamente.

Ÿ Deus disse através de Isaías: "Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus" (Is. 44:6). Jesus, quando apareceu a João na ilha de Patmos, lhe disse: "Não temas; eu sou o primeiro e o último. Eu sou o que vivo..." (Ap. 1:17-18); portanto, dado que não há ‘dois primeiros e dois últimos’ Jesus Cristo é Deus. Jesus não disse ser o segundo (neste caso seria como dizer que ele tinha sido criado antes da fundação do mundo), mas disse ser o primeiro, fazendo-se assim igual a Deus seu Pai. Presunção porventura? Para todos nós que o conhecemos não, porque Ele em verdade é o único verdadeiro Deus que é de eternidade a eternidade. "Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Col. 2:9), como diz Paulo aos Colossenses, e por isso Ele é digno de ser adorado por nós que estamos sobre a terra e pelos anjos que estão no céu (conforme está escrito: "Todos os anjos de Deus o adorem" [Heb. 1:6]). Quando Jesus ressuscitou dentre os mortos aconteceu que tanto as mulheres que o viram como os onze discípulos o adoraram; ora, se ele fosse um anjo ou uma outra criatura de Deus, certamente os admoestaria dizendo-lhes: ‘Não façais tal, adorai a Deus’, mas Ele aceitou a sua adoração porque era digno dela, sendo o seu Deus. Mas Ele é também o nosso Deus, por isso nós lhe rendemos o louvor e a glória; Ele é chamado Emanuel que significa "Deus connosco" e está verdadeiramente sempre connosco; Ele é chamado Conselheiro porque nos aconselha continuamente; o seu nome é Maravilhoso (Admirável) porque ele é o Deus que faz maravilhas; Ele é chamado Deus poderoso porque possui o poder de fazer qualquer coisa que peçamos em seu nome; Ele é chamado Pai eterno e nós somos os seus filhinhos que gerou. Dele quero falar, o seu nome quero cantar, o seu nome quero exaltar porque me amou e se deu a si mesmo também por mim. Ao nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo seja a glória agora e eternamente. Amen. 

Ulteriores provas escriturais que confirmam a divindade de Jesus Cristo 

Ÿ João diz: "No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. Ela estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dela, e sem ela nada do que foi feito se fez.... E a Palavra se fez carne, e habitou entre nós, cheia de graça e de verdade" (João 1:1-3;14). E como está dito claramente que a Palavra era Deus e que a Palavra se fez carne, nós declaramos que Deus se manifestou em carne na pessoa de Cristo Jesus. As seguintes palavras escritas nos Salmos: "Pela palavra do Senhor foram feitos os céus" (Sal. 33:6), confirmam o que João disse ("A Palavra era Deus" [João 1:1]) porque nós sabemos que os céus foram feitos por Deus conforme está escrito: "No princípio, criou Deus os céus e a terra" (Gen. 1:1); por isso se a Palavra de Deus não fosse Deus ela não teria podido criar os céus.  

Ÿ João o Baptista disse: "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna" (João 3:36), por isso todos aqueles que crêem em Cristo Jesus têm a vida eterna. Jesus porém disse: "Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas passou da morte para a vida" (João 5:24), fazendo perceber que para receber a vida eterna é necessário crer em Deus. Mas então alguém dirá: ‘Em quem é necessário crer para ter a vida eterna? Em Cristo Jesus porque Ele é Deus juntamente com o Pai e nos referiu as palavras do seu Pai e porque aquele que crê nele automaticamente crê em Deus que o enviou porque Jesus disse: "Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou" (João 12:44). 

Ÿ Jesus disse: "Eu e o Pai somos um" (João 10:30). Não é porventura claro o significado destas palavras ditas por Jesus? Ele e o Pai apesar de serem duas pessoas distintas são Deus [ 15 ]. As Testemunhas de Jeová dizem porém que estas palavras significam só que o Filho e o Pai são um no acordo e no propósito. Mas nós dizemos: ‘Se fosse só este o significado das palavras de Jesus por que é que os Judeus logo depois que ele as pronunciou pegaram em pedras para apedrejá-lo?’ Não é porventura uma outra, e mais precisamente porque ele se fazia igual a Deus, a razão pela qual eles pegaram em pedras para apedrejá-lo? Sim, com efeito está escrito que os Judeus lhe disseram: "Não é por nenhuma obra boa que vamos apedrejar-te, mas por blasfémia; e porque, sendo tu homem, te fazes Deus" (João 10:33). O facto de declarar-se só de acordo com Deus não teria provocado a ira daqueles Judeus incrédulos. 

Ÿ Jesus respondeu àquele homem que o tinha chamado "Bom Mestre" (Mar. 10:17): "Por que me chamas bom? ninguém é bom, senão um que é Deus" (Mar. 10:18). Ora, alguém dirá: ‘Por que tomar esta passagem para testificar que Jesus é Deus? Por este motivo, porque Jesus não recusou ser chamado bom, mas apenas perguntou àquele homem por que o chamava bom dado que só Deus é bom. E portanto, dado que só Deus é bom o Mestre é Deus, porque Ele é bom. Se Jesus não fosse bom certamente teria dito àquele homem para chamar bom só a Deus, e por isso implicitamente se declararia só um homem. Mas precisamente porque Ele era uma mesma coisa com Deus Pai, Ele era bom. Portanto, nós fazemos bem em chamá-lo bom Mestre, porque Ele é Deus.  

Ÿ Paulo disse de Jesus Cristo aos Colossenses que "foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse" (Col. 1:19). E é precisamente em virtude do facto de em Cristo ter habitado toda a plenitude da Divindade que nós pudemos receber dele graça sobre graça, de facto João diz: "Todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça" (João 1:16). Em outras palavras nós não teríamos podido receber de Cristo nem a salvação, nem a vida, nem a paz, e nenhuma outra bênção se nele não tivesse residido a plenitude da Divindade, ou seja,  se Ele não tivesse sido Deus. 

Ÿ O apóstolo Paulo disse aos Romanos: "E de quem [dos Israelitas] descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém" (Rom. 9:5). Portanto Cristo Jesus, apesar de exteriormente ter sido achado como um homem, é o Deus que é bendito pela eternidade. 

Ÿ Paulo diz a Tito: "Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus..." (Tito 2:13). Ora, o profeta Daniel chamou Deus "o grande Deus", de facto depois que falou ao rei Nabucodonosor lhe disse: "O grande Deus fez saber ao rei o que há-de suceder no futuro" (Dan. 2:45); Jeremias fez o mesmo, de facto disse: "Tu és o grande, o poderoso Deus" (Jer. 32:18); Davi reconheceu que só Deus é grande quando disse: "Eu conheço que o Senhor é grande" (Sal. 135:5); portanto se Paulo chamou  Jesus "o nosso grande Deus" significa que ele acreditava firmemente que Cristo é Deus. Se Jesus não fosse Deus, e por isso se ele não fosse igual a Deus, Paulo jamais o teria chamado "o nosso grande Deus", porque de tal modo definiria uma criatura como sendo Deus, fazendo-se culpado de idolatria. Lembrai-vos que Paulo era um Judeu de nascença que sabia muito bem que Deus tinha dito: "Não terás outros deuses diante de mim" (Ex. 20:3), e por isso nunca se teria permitido, se Jesus Cristo fosse só um homem, chamá-lo "o nosso grande Deus". Também o facto de Paulo ter chamado Jesus Cristo de "o nosso Salvador" mostra que ele acreditava que Jesus era Deus. Ele sabia que Deus tinha dito através de Isaías: "Salvador não há além de mim" (Is. 45:21), no entanto ele não chamou "nosso Salvador" só a Deus Pai (em Tito diz: "A pregação que me foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador" [Tito 1:3], e a Timóteo diz: "Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, segundo o mandado de Deus, nosso Salvador" [1 Tim. 1:1], e: "Temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que crêem" [1 Tim. 4:10]) mas também a seu Filho Jesus Cristo conforme está escrito em Tito: "Graça e paz da parte de Deus Pai, e de Cristo Jesus, nosso Salvador" (Tito 1:4). 

Ÿ O apóstolo Pedro chamou também ele Jesus Cristo "o nosso Deus e Salvador", de facto no início da sua segunda epístola está escrito: "Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que connosco alcançaram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo" (2 Ped. 1:1). Também ele como Paulo sabia que existe só um Deus e um só Salvador mas chamou o Cristo que ele tinha conhecido também nos dias da sua carne "nosso Deus e Salvador", porque Ele o é. 

Ÿ No livro dos Actos dos apóstolos entre as palavras que Paulo dirigiu aos anciãos da igreja de Éfeso estão estas: "Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue" (Actos 20:28). Ora, nestas palavras está dito que Deus adquiriu a sua igreja com o seu sangue, o que à primeira vista pareceria inacreditável porque sabemos que não foi Deus que morreu na cruz e verteu o seu sangue por nós, mas o seu Filho unigénito. Mas examinando atentamente esta passagem e confrontando-a com outras passagens da Escritura notaremos que aqui Paulo se refere ao Filho de Deus e não a Deus o Pai o qual nos dias da carne do seu Filho continuava a estar assentado sobre o seu trono no céu. Lembrai-vos que quando Tomé disse a Jesus: "Senhor meu e Deus meu" (João 20:28), admitiu implicitamente que o seu Deus tinha morrido na cruz, que tinha derramado o seu sangue para comprar-nos com ele, e depois tinha ressuscitado; mas cuidai que não é que com essas palavras admitiu que Deus Pai tinha morrido na cruz; digo isto para vos fazer compreender que há sempre que fazer uma clara distinção entre Deus Pai e Deus Filho. São duas pessoas unidas e da mesma substância desde toda a eternidade, mas ao mesmo tempo diferentes entre si e devem ser nomeadas separadamente a fim de não trocar uma pela outra. Em conclusão, Jesus Cristo é o Deus que, segundo as palavras de Paulo, comprou a sua igreja com o seu sangue. 

Ÿ Na epístola aos Hebreus está escrito: "Do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos.." (Heb.1:8). Também por estas palavras tiradas do quadragésimo quinto salmo se compreende claramente que o Filho é Deus, e não um deus. 

Ÿ Ainda nesta carta está escrito: "E outra vez, quando introduz no mundo o primogénito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem" (Heb. 1:6). Ora, nós sabemos que os anjos adoram só Deus conforme está escrito: "O exército dos céus te adora" (Neem. 9:6); portanto, como os anjos sabem que se deve adorar só Deus (o anjo de Jesus que apareceu a João na ilha de Patmos, quando viu que João se prostrou diante dele para adorá-lo lhe disse: "Olha não faças tal... Adora a Deus!"[Ap. 22:9]) eles sabem e reconhecem que Jesus Cristo é Deus. E depois se Deus Pai ordenou aos seus anjos para adorarem o seu Filho quer dizer que Ele mesmo reconhece em Cristo Jesus a segunda pessoa da Divindade. Se Jesus não fosse Deus, o Pai jamais teria ordenado aos seus anjos para adorá-lo. 

Ÿ Mateus diz que os magos  "entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram..." (Mat. 2:11). Estas palavras testificam que Jesus era Deus mesmo quando estava envolto em faixas, porque os magos vindos do Oriente lhe dirigiram a adoração devida só a Deus. 

Ÿ O mesmo apóstolo diz no fim do Evangelho por ele escrito que as mulheres aproximando-se de Jesus ressuscitado "abraçaram-lhe os pés, e o adoraram" (Mat. 28:9), e depois que os discípulos "partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. E quando o viram, o adoraram" (Mat. 28:16-17). Ora, como está escrito na lei: "Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele servirás" (Mat. 4:10), por conseguinte Cristo era Deus. Se o Filho não tivesse sido Deus não só Ele não teria sido digno de ser adorado, mas também teria Ele mesmo repreendido quer as mulheres, quer os seus discípulos quando o adoraram. Lembrai-vos que Jesus nunca se coibiu de repreender os seus quando estes o mereciam; Ele repreendeu Tiago e João quando lhe perguntaram se queria que dissessem para fazer descer fogo do céu para devorar aqueles Samaritanos que não o tinham recebido porque estava indo para Jerusalém (cfr. Lucas 9:51-56); e repreendeu Pedro porque este não queria que ele sofresse e morresse (cfr. Mat 16:22-23). Portanto se os seus discípulos, adorando-o, se fizessem culpados de idolatria Jesus os teria repreendido e lhes teria dito: ‘Adorai a Deus!’; o facto é que em vez disso Ele aceitou a sua adoração o que confirma que Jesus era Deus e não só homem. 

Ÿ Paulo diz aos Filipenses: "Que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação o ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens" (Fil. 2:5-7). Desta maneira Paulo confirmou que Cristo Jesus era igual a Deus, como também que Ele como Filho de Deus estava com o Pai antes da fundação do mundo. 

Ÿ Na carta aos Hebreus está escrito: "Mas chegastes... a Deus, o Juiz de todos" (Heb. 12:22,23). Deus neste caso é chamado o Juiz de todos; mas também o Filho é o Juiz de todos porque Pedro disse dele "que ele é o que por Deus foi constituído Juiz dos vivos e dos mortos" (Actos 10:42). Por isso dado que sabemos que o juízo pertence ao Senhor, isto é, ao único e verdadeiro Deus, e a nenhum outro, Jesus Cristo é Deus. 

Jesus como Filho do homem foi feito pouco menor do que Deus 

Como vós bem sabeis Jesus Cristo é chamado o Filho do homem porque ele, embora sendo o Filho de Deus, nasceu segundo a carne de uma mulher. Ele, além de ser o verdadeiro Deus, conforme está escrito: "Foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse" (Col. 1:19), era também um verdadeiro homem, com um corpo humano como o nosso. Portanto, tendo ele um corpo como o nosso, tinha que comer, beber, dormir, como nós. Ora, a natureza humana de Jesus Cristo emerge das seguintes Escrituras que nós compararemos com outras que se referem a Deus com o único fim de fazer-vos compreender que Jesus como Filho do homem era, por um pouco, menor do que Deus, conforme está escrito nos Salmos: "Pouco menor o fizeste do que Deus" (Sal. 8:5). 

Ÿ João diz: "Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim, junto da fonte" (João 4:6), portanto Jesus se cansou. Mas nós sabemos que em Isaías está escrito de Deus que "não se cansa nem se fatiga" (Is. 40:28); mas isto não nos leva a dizer que Jesus nos dias da sua carne não era Deus, porque esse seu cansaço era devido ao facto de Ele ter um corpo humano sujeito a limites. 

Ÿ Mateus diz: "E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. E eis que no mar se levantou uma tempestade, tão grande, que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo" (Mat. 8:23-24); enquanto nos Salmos está dito que "não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel" (Sal. 121:4). Ora, no barco, naquela ocasião o Filho de Deus dormia porque tinha um corpo que se cansava e necessitava de repouso. Notai que Mateus diz que Jesus estava dormindo, mas não que Deus estava dormindo porque Deus não pode pôr-se a dormir. Mas apesar de Jesus ter dormido nós não dizemos que Jesus não era Deus, porque sabemos que o Filho, sendo no exterior como homem, necessitava também de dormir. 

Ÿ Jesus disse: "Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai" (Mat. 24:36). Ora, nós sabemos que "o Senhor é um Deus que sabe tudo" (1 Sam. 2:3), Portanto como é que Jesus Cristo que era Deus disse não saber nem o dia e nem a hora da sua segunda vinda? A razão é porque ele era também um homem. 

Não é portanto de admirar se Jesus antes de morrer disse aos seus discípulos: "Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vá para o Pai; porque o Pai é maior do que eu" (João 14:28), porque Ele como Filho do homem era inferior a Deus Pai conforme está escrito nos Salmos: "Pouco menor o fizeste do que Deus" (Sal. 8:5), e nesta ocasião falou como Filho do homem. As referidas palavras, pois, que as Testemunhas de Jeová tomam para negar a divindade de Jesus Cristo, ou seja: "O Pai é maior do que eu..." recebem delas uma errada interpretação porque estas palavras de Jesus colocadas em confronto com muitas outras palavras de Jesus, com palavras dos apóstolos e com as dos profetas que testificam de uma maneira ou de outra a sua divindade anulam manifestamente essa sua interpretação. Certo, toda a vez que falamos da natureza humana que assumiu o Filho de Deus embora permanecendo Deus todos os dias da sua carne, reconhecemos falar de algo que não compreendemos plenamente; mas isso não nos impede nem de crê-lo e nem de proclamá-lo. "Sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade" (1 Tim. 3:16). A Cristo Jesus, nosso Deus e Salvador, seja a glória agora e eternamente. Amen. 

Explicação de algumas passagens mal interpretadas pela Torre de Vigia 

Já explicámos pois o significado das palavras de Jesus: "O Pai é maior do que eu" (João 14:28) tomadas pelas Testemunhas de Jeová para negarem a divindade de Jesus. Mas como dissemos antes a Torre de Vigia para afirmar que Jesus Cristo não existiu sempre juntamente com Deus seu Pai toma as seguintes passagens da Escritura: "Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus..." (Ap. 3:14); e: "O qual é a imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criação... ele.. é o princípio" (Col. 1:15,18). Como podeis ver nestas passagens Jesus é chamado o princípio da criação de Deus, o primogénito de toda a criação e o princípio. Ora, aparentemente parece que Cristo seja definido uma criatura de Deus, mas na verdade trata-se só de uma aparência porque confrontando estas Escrituras com outras Escrituras evidencia-se que as coisas não são assim porque Cristo nunca foi criado mas sempre existiu como Deus seu Pai e o Espírito Santo. Vejamos pois estas outras Escrituras que anulam a interpretação errada dada a essas passagens pelas Testemunhas de Jeová. 

Ÿ Jesus disse aos Judeus: "Antes que Abraão existisse, eu sou" (João 8:58). Isto ele o pôde dizer apesar de no exterior parecer uma criatura porque ele existia desde toda a eternidade antes de tomar a natureza humana. Se assim não tivesse sido, isto é, se Cristo tivesse sido criado por Deus antes do mundo, ele não teria podido fazer essa afirmação porque se arrogaria um atributo que não lhe cabia. Teria podido afirmar: ‘Antes que Abraão existisse eu existia ou eu era’, mas não "eu sou" como fez. 

Ÿ Jesus disse a João: "Não temas; eu sou o primeiro e o último..." (Ap. 1:17-18). Se ele tivesse sido criado por Deus e portanto se tivesse sido uma criatura nunca teria podido afirmar ser o primeiro; porque em tal caso deturparia Deus da sua glória. Ele se tivesse sido verdadeiramente uma criatura diria ser o segundo, e nunca o primeiro como o é também Deus Pai. Também estas palavras de Jesus portanto testificam que Ele é Deus. 

Ÿ Paulo diz aos Romanos a propósito daqueles que Deus abandonou nas concupiscências dos seus corações porque mudaram a glória do Deus incorruptível em imagens semelhantes às do homem corruptível: "Mudaram a verdade de Deus em mentira, e adoraram e serviram a criatura em vez do Criador, que é bendito eternamente. Amém" (Rom. 1:25). Ora, se Cristo fosse uma criatura de Deus porque criado por Deus em algum tempo da eternidade nós, por causa da adoração que lhe dirigimos, seríamos considerados idólatras da mesma maneira que aqueles que adoram os anjos, Maria, etc. Que diferença haveria de facto entre Cristo e alguma outra criatura de Deus? Só o facto dele ter sido criado em primeiro e mais nada! Cristo portanto não pode ser uma criatura de Deus. Tomemos os discípulos do Senhor que o adoraram ainda antes de nós quando ele lhes apareceu ressuscitado. Se Cristo fosse uma criatura como poderiam adorar Cristo e não se fazerem culpados de idolatria? Era impossível. Mas dizemos mais: Como poderia Cristo, se fosse uma criatura, não repreendê-los ao ver que eles o adoravam quando ele mesmo tinha dito: "Se teu irmão pecar, repreende-o.." (Lucas 17:3) (os discípulos foram por Cristo chamados "meus irmãos" [Mat. 28:10])? Mas se um santo anjo (uma criatura de Deus portanto) quando viu João prostrar-se diante dele o repreendeu dizendo-lhe: "Olha, não faças tal... Adora a Deus" (Ap. 22:9) não teria feito Cristo, se fosse uma criatura, a mesma coisa em relação aos seus discípulos? Certamente que os teria também ele admoestado para que adorassem só a Deus; mas o facto de não o ter feito indica que ele sabia ser Deus e ser portanto digno de adoração. Queria por fim fazer notar algumas coisas a respeito das referidas palavras de Paulo aos Romanos: a expressão "em vez do Criador" significa que os idólatras adoram alguém que não é o Criador mas apenas uma criatura. Portanto nós devemos adorar o Criador, e não a criatura; e por isso se Cristo é uma criatura nós deveríamos cessar de adorá-lo. Mas como podemos deixar de adorar Cristo quando a Escritura nos diz que os magos, os seus discípulos e as mulheres o adoraram? Mas como podemos deixar de adorar Cristo quando os santos anjos de Deus que estão no céu o adoram em obediência à ordem de Deus? Não está porventura escrito: "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mat. 6:10)? É pois a vontade de Deus que nós adoremos Cristo como fazem os anjos no céu, e não algo de injusto aos olhos de Deus. Alguém dirá: ‘Mas então Cristo é o Criador que é bendito eternamente"? Sim, ele juntamente com o Pai criou todas as coisas. Não pode ser doutra forma, de facto mais adiante na mesma epístola Paulo chama Cristo "Deus bendito eternamente" (Rom. 9:5). Notai esse "bendito eternamente" comum aos dois versículos, porque eles testificam de maneira inequívoca que Cristo é co-criador com o Pai, mas não como o entendem as Testemunhas de Jeová, isto é, que o Filho primeiro tenha sido criado e depois ele tenha criado [ 16 ], porque ele era Deus antes da fundação do mundo desde toda a eternidade. 

Mas então se Jesus não é uma criatura de Deus, que significado têm as referidas Escrituras? Elas significam que Cristo é o princípio da criação de Deus e o primogénito de toda a criação no sentido que ele é superior à criação e a toda a criatura sendo que está escrito que Ele "é sobre todas as coisas" (Rom. 9:5) e "sobre todos" (João 3:31), e também no sentido que toda a criação tem o seu princípio n`Ele; mas não que ele é a primeira criatura de Deus porque o Filho de Deus está de eternidade a eternidade com o Pai. E depois fazemos notar que se se tivesse que afirmar que Jesus um dia foi criado porque é chamado "o princípio" (Col. 1:18) a mesma coisa se teria que dizer também de Deus Pai porque também ele é chamado "o princípio" (Ap. 21:6). Como é que então quando Paulo diz que Jesus é o princípio, as Testemunhas de Jeová, dizem que isso significa que ele teve um início, enquanto quando Deus diz ser ele "o princípio" as Testemunhas de Jeová não ousam dizer que Deus teve um início, e por isso que Ele não existiu sempre? É evidente a razão, porque elas se achegam à Bíblia para fazer-lhe dizer o que elas querem. O termo primogénito depois, no referido versículo aos Colossenses indica a supremacia de Cristo sobre todas as criaturas de Deus; como quando nos Salmos está dito: "Também lhe darei o lugar de primogénito; fá-lo-ei o mais excelso dos reis da terra" (Sal. 89:27). Não pode pois subsistir à luz das Escrituras a supracitada explicação desses versículos bíblicos dada pela Torre de Vigia. 

Dizemos agora algo acerca da passagem da Escritura escrita nos Provérbios tomada pelas Testemunhas de Jeová para dizer que Jesus não é Deus: "O Senhor me formou (outros traduzem: O Senhor me produziu, ou: me possuiu) no princípio de seus caminhos, desde então, e antes de suas obras" (Prov. 8:22). Ora, segundo as Testemunhas de Jeová estas palavras confirmam que Cristo foi criado também ele por Deus e que não é eterno; e isto porque a Escritura o define "sabedoria de Deus" (1 Cor. 1:24) e "a sabedoria de Deus" (Lucas 11:49). Mas as coisas não são assim porque por uma atenta leitura das palavras da sabedoria de Deus se nota que Ela fala desta maneira para fazer entender aos que a ouvem quanto importante é prestar atenção a tudo o que Ela diz. Em outras palavras Ela diz que existia juntamente com Deus ainda antes que Deus criasse todas as coisas e foi testemunha da criação realizada por Deus e portanto vale a pena dar-lhe ouvidos porque Ela sabe perfeitamente o que é bom para o homem fazer e o que não é bom para o homem fazer. Mas reflecti: Não seria absurdo afirmar que a sabedoria com essas palavras afirmou ter sido também ela criada por Deus? Certamente que o seria, porque em tal caso teríamos que chegar à conclusão que houve um tempo em que Deus esteve sem sabedoria! E portanto que Ele não foi sempre o mesmo, coisa que iria contra as palavras de Deus: "Eu, o Senhor, não mudo" (Mal. 3:6). Mas além disso, neste caso perguntar-se-ia justamente: Como pôde Deus sem sabedoria criar a sabedoria?! Na substância far-se-ia uma pergunta muito semelhante àquela que - como vimos - far-se-ia se disséssemos que a Palavra foi criada também ela por Deus, a saber: Se todas as coisas foram feitas por intermédio da Palavra, e sem ela nada do que foi feito se fez, como pôde Deus criar a Palavra sem a Palavra?! Como podeis ver, se as coisas fossem assim como dizem as Testemunhas de Jeová nós nos acharíamos inevitavelmente a ir contra a Palavra de Deus. Não se pode pois aceitar esta sua explicação dada às palavras de Salomão. Ainda uma vez temos de reconhecer que negar a eternidade ao Filho de Deus, isto é, negar que Ele seja sem princípio, mesmo apoiando-se em algumas passagens da Escritura aparentemente testificadoras que ele teve um início, quer dizer ter que ir contra o ensinamento global da Palavra, e por isso ficar confundido por ela mesma.  

Jesus Cristo antes de vir ao mundo não era Miguel porque este último é uma criatura 

Quero dizer agora algo a respeito da sua doutrina segundo a qual o Filho de Deus, antes que viesse a este mundo, era o arcanjo Miguel. Miguel não pode ser Jesus Cristo porque ele é apenas uma criatura. Todas as coisas foram feitas por intermédio da Palavra, isto é, por intermédio de Cristo, e portanto também Miguel. Lembramos além disso que no livro de Daniel, onde aparece Miguel, dele está dito que é "um dos primeiros príncipes" (Dan. 10:13) o que confirma que não podia ser o Filho de Deus porque o Filho de Deus não era um dos primeiros príncipes mas o Príncipe supremo sendo Deus. E portanto Aquele que nasceu de Maria não era o Miguel que estava no céu (ou a continuidade com esse ser angélico). A Escritura diz que "a Palavra se fez carne" (João 1:14) e como a Palavra era Deus antes de se fazer carne, por conseguinte, também depois que se fez carne permaneceu Deus. Por quanto diz respeito às palavras de Paulo aos Tessalonicenses, delas não se deduz, de modo nenhum, que Jesus seja o arcanjo Miguel; Paulo diz somente que quando Jesus descer do céu bradará com a voz de um arcanjo o que é coisa diferente de afirmar que ele seja um arcanjo. Por quanto diz respeito às palavras de João no Apocalipse fazemos notar apenas que lendo todo o livro apercebe-se que Jesus Cristo e Miguel são dois seres diferentes um do outro.  

Que ensino tiramos destes erros das Testemunhas de Jeová? Estes erros interpretativos feitos pelas Testemunhas de Jeová, que estão bastante difundidos nas seitas, nos ensinam que quando se encontram na Escritura passagens difíceis de entender que aparentemente querem dizer algo de inexacto, antes de tudo se devem ler no seu contexto e depois se devem logo confrontar com outras passagens da Escritura. Isto evita cair no erro porque a Escritura explica a Escritura. É uma regra infalível esta que Deus nos deixou; sigamo-la para o nosso bem. Manejaremos assim bem a palavra de verdade e não ficaremos confundidos. 

Jesus Cristo ressuscitou retomando o seu corpo 

Passemos agora à confutação da doutrina das Testemunhas de Jeová sobre a ressurreição de Jesus. Antes de tudo queremos dizer que não tem sentido afirmar - como fazem as Testemunhas de Jeová - que Cristo ressuscitou com um corpo de espírito e não com o corpo com o qual tinha morrido pelo simples motivo que não existe uma ressurreição do género. E depois queremos dizer isto: Se as Testemunhas de Jeová dizem que Cristo não tinha uma alma imortal porque ele era uma alma humana, que sucedeu quando ele morreu? Sucedeu que Jesus Cristo deixou de existir. Portanto, isto significa que três dias depois, se for verdade que não tinha nem uma alma nem um espírito e que ele não ressuscitou com o seu corpo, aconteceu uma ‘recriação espiritual’ e não uma ressurreição espiritual; portanto esta sua ressurreição de Jesus nem se deveria chamar uma ressurreição mas sim uma recriação porque Deus teria feito deixar de existir o homem Jesus e teria criado um novo ser com o nome de Jesus, desta vez porém um ser espiritual. E portanto o Cristo que as Testemunhas de Jeová dizem que ressuscitou não pode ser - por lógica - o mesmo Cristo que morreu na cruz!!! Em verdade esta doutrina sobre a ressurreição espiritual de Jesus das Testemunhas de Jeová é uma combinação de mentiras geradas pelo diabo. 

Pelo que respeita às afirmações de Russell importa reconhecer que este errava grandemente porque o homem Jesus morreu mas não para sempre como disse ele, mas uma vez para sempre o que é diferente, e tendo ressuscitado dentre os mortos com o seu corpo com o qual tinha morrido agora não morre mais e está à direita de Deus onde intercede por nós. Sim, Jesus Cristo homem (e não ser espiritual) está no céu junto de Deus a mediar entre Deus e os homens conforme está escrito: "Há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus homem, o qual se deu a si mesmo em resgate por todos" (1 Tim. 2:5-6). 

Agora vejamos o que diz a Escritura a propósito da ressurreição de Cristo a fim de desmascarar a pretensa ressurreição de Jesus ensinada pelos membros desta seita. Segundo o Evangelho, Jesus ressuscitou com o corpo (podia porém passar através das paredes e aparecer aos seus discípulos quando o queria, como também desaparecer diante deles quando queria), de facto Lucas diz: "E falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, não o crendo eles ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; o que ele tomou, e comeu diante deles" (Lucas 24:36-43). Como podeis ver Jesus para demonstrar aos seus discípulos que tinha ressuscitado com um corpo feito de carne e ossos, e que não era um espírito como eles inicialmente tinham pensado ao vê-lo, ordenou-lhes apalpá-lo e ver o seu corpo. Jesus mostrou aos seus discípulos o sinal dos pregos nas suas mãos e o seu lado conforme está escrito: "E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado" (João 20:20). Por isso aquele com o qual Jesus ressuscitou era o corpo com o qual ele tinha morrido na cruz; certo, ele tinha sido vivificado e feito poderoso, glorioso e incorruptível, mas apesar disso permaneciam nele os sinais indeléveis da sua crucificação. Mas além disso Jesus demonstrou aos seus discípulos não ser um espírito pondo-se a comer diante deles um peixe assado e parte de um favo de mel. Logo, por quanto diz respeito ao que aconteceu ao corpo de Jesus importa dizer que ele não ficou na terra a decompor-se e não tornou ao pó; a Escritura diz de facto que ele não viu a corrupção conforme está escrito: "Não permitirás que o teu santo veja a corrupção. Porque, na verdade, tendo Davi no seu tempo servido conforme a vontade de Deus, dormiu, foi posto junto de seus pais e viu a corrupção. Mas aquele a quem Deus ressuscitou nenhuma corrupção viu" (Actos 13:35-37), e ainda: "Sendo, pois, ele (Davi) profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que faria sentar sobre o seu trono um dos seus descendentes, prevendo isto, Davi falou da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no Hades, nem a sua carne viu a corrupção" (Actos 2:30-31). O corpo de Jesus portanto não se dissolveu em gás; ele ressuscitou glorioso e pôde ser visto e apalpado pelos seus discípulos. Em quais mãos e pés possuía Jesus os sinais dos pregos recebidos sobre a cruz que os seus discípulos puderam ver? Em qual lado possuía Jesus o sinal da lança com a qual o soldado romano lho tinha furado sobre a cruz? Porventura num corpo diferente daquele com o qual tinha morrido crucificado? De modo nenhum! era o mesmo corpo com o qual o nosso Senhor provou a morte por todos nós sobre o madeiro da cruz. Mas que vão papagueando as Testemunhas de Jeová? Ah, mas estas pessoas dizem que Jesus se materializou: elas dizem que é por este motivo que parecia ele, que parecia um homem; elas dizem que o corpo com o qual ele apareceu a Tomé era semelhante àquele com o qual tinha morrido. Mas então, ó insensatos, também os sinais nas suas mãos e o sinal no seu lado não eram aqueles que ele recebeu sobre a cruz? Portanto, se assim é, Jesus teria operado um prodígio sobre esse seu outro corpo fazendo-lhe esses sinais, verdade? Mas então esses sinais podiam ir e vir conforme fosse preciso? Mas dizei-me: nunca lestes em Zacarias: "Que feridas são estas nas tuas mãos? Dirá ele: São feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos" (Zac. 13:6)? Como podeis ver essas feridas Jesus diz tê-las recebido em casa dos seus amigos; as recebeu portanto de outros, e não as fez ele mesmo num corpo semelhante pela ocasião para mostrar a Tomé que ele tinha ressuscitado. Caí em vós mesmos, ó homens e mulheres que jazeis na escuridão.  

Também dizer que o corpo de Jesus não viu a decomposição porque foi preservado dela por obra de Deus mas permaneceu na terra [ 17 ] é uma mentira porque Jesus Cristo antes de morrer tinha dito aos Judeus falando do templo do seu corpo: "Derribai este templo, e em três dias o levantarei" (João 2:19). Isto significa que quando Jesus ressuscitou voltou a ter aquele mesmo corpo com o qual tinha morrido crucificado. Sim, ele tinha sido feito glorioso, imortal e incorruptível, mas permanecia, contudo, ainda o seu anterior corpo, de facto como vimos trazia ainda os sinais dos pregos nas mãos e nos pés e o sinal da lança no seu lado. Mas reflecti: se Jesus tinha decidido não retomar o seu corpo depois de morto, que sentido teria tido as suas supracitadas palavras ditas aos Judeus? Que sentido teria tido dizer aos Judeus: "Destruí este templo e em três dias o levantarei" se ele esse templo, uma vez destruído, não queria restaurá-lo? Nenhum, não vos parece? Mas ainda há mais; poderíamos muito bem dizer que Jesus mentiu aos Judeus nessa ocasião, porque ele o seu corpo depois de morto o deixou na terra. Mas não, ele de modo nenhum mentiu ao dizer essas palavras, porque ele o seu corpo (que era o templo de Deus porque ele afirmou várias vezes que o seu Pai estava nele), quando foi destruído pelos Judeus o levantou, ele o retomou, ele o transformou tornando-o imortal e incorruptível. A ele seja a glória eternamente. Amen.  

E depois ainda, porque há ainda que dizer em defesa da ressurreição de Cristo: mas como podem as Testemunhas de Jeová afirmar que Jesus não retomou o seu corpo quando a Escritura diz: "Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; e ainda a minha carne há-de repousar em esperança..." (Actos 2:26)? Por que está escrito a minha carne há-de repousar em esperança? Em esperança de quê? De alguma coisa que se faria a seguir, porque a esperança daquilo que se vê não é esperança. E esta alguma coisa era precisamente a ressurreição dele, evento que para que se cumprisse necessitava do retorno da alma de Cristo ao corpo; eis por que logo depois está escrito: "Pois não deixarás a minha alma no Hades". Se a sua alma tivesse sido deixada para sempre no Hades ou eventualmente tivesse sido arrebatada ao céu, a sua carne não teria repousado em esperança; como não teria repousado em esperança também se ele não retomasse o seu corpo (porque feito desaparecer por Deus) mas fosse ‘recriado’ espiritualmente, porque neste caso a sua carne teria repousado sem alguma esperança. De facto, em que esperança poderia alguma vez repousar a carne de Cristo se estivesse destinada a desaparecer da terra ou a dissolver-se? Pelo contrário, o templo do seu corpo que recordamos lhe tinha sido preparado por Deus conforme está escrito: "Um corpo me preparaste" (Heb. 10:5), não foi por Deus feito desaparecer mas foi por Deus preservado da corrupção e vivificado pelo seu poder ao terceiro dia. Nesse dia a alma de Cristo Jesus, subida do Hades reentrou no seu corpo imortal e glorioso. E com esse glorioso corpo ele apareceu aos seus discípulos, falou-lhes, comeu e bebeu com eles, e por fim com ele foi assunto ao céu à direita de Deus. E do céu, que o acolheu, com esse mesmo corpo ele voltará com glória e poder. Amen. O povo de Deus exulte, porque Cristo destruiu a morte ressuscitando o seu corpo. 

Prossigamos: nós lemos no Evangelho escrito por João que Maria Madalena quando na manhã do primeiro dia se dirigiu ao sepulcro, vendo a pedra tirada do sepulcro, correu e foi a Pedro e ao discípulo que Jesus amava dizer-lhes que tinham levado o corpo do Senhor e não se sabia onde o tinham posto. Aconteceu então que Pedro e o outro discípulo correram ao sepulcro para ver como estavam as coisas. O discípulo que Jesus amava chegou primeiro ao sepulcro e abaixando-se, viu no chão os lençóis no sepulcro mas não entrou. Pedro, ao contrário, quando chegou pouco depois, quis entrar no sepulcro. A este ponto a Escritura diz: "Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu e creu. Porque ainda não entendiam a Escritura, que era necessário que ele ressuscitasse dentre os mortos" (João 20:8-9). Mas o que viu João que o levou a crer que Jesus tinha ressuscitado? De certo não viu Jesus porque não estava no sepulcro. Ele viu o sepulcro vazio, e no chão os lençóis, e que o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte. Portanto, para ele a vista do sepulcro vazio, dos lençóis e do sudário que tinham estado sobre o corpo de Jesus, o levaram a crer que Jesus tinha ressuscitado. Mas não com essa ressurreição de que falam as Testemunhas de Jeová (isto é, com o desaparecimento do seu corpo), porque para João quando Jesus ressuscitasse voltaria a viver com o corpo com que tinha morrido. E de facto quando ele viu o sepulcro vazio, sem o corpo de Jesus, e os lençóis e o sudário, entendeu que o mesmo corpo que tinha sido posto naquele lugar tinha voltado a viver pelo poder de Deus. E não se enganou, porque quando Jesus apareceu aos discípulos apareceu precisamente com aquele corpo com que tinha sido traspassado. Ponhamos, porém, o caso que João pensava que Jesus para ressurgir não devia retomar o seu corpo; de certo ao ver o sepulcro vazio, os lençóis e o sudário, creria que Jesus na realidade não estava verdadeiramente morto quando foi posto no sepulcro, mas o estava apenas aparentemente porque tinha conseguido sair do sepulcro com o mesmo corpo ou alguém o tinha ajudado a sair do sepulcro, e portanto que ele não tinha ressuscitado. Em outras palavras, para crer na ‘ressurreição’ das Testemunhas de Jeová ele deveria ver o corpo morto de Jesus no sepulcro. As coisas portanto não podem ser como diz a Torre de Vigia, porque foi precisamente a falta do corpo de Jesus no sepulcro que convenceu João a crer que Jesus tinha verdadeiramente ressuscitado. E depois que sentido teriam tido as palavras dos anjos do Senhor dirigidas às mulheres: "Ele não está aqui, mas ressuscitou" (Lucas 24:6)? Não deveriam eles dizer-lhes: ‘O suo corpo não está aqui porque Deus o fez desaparecer, mas ele vive’? Mas neste caso essas palavras não testificariam que Jesus tinha ressuscitado. Portanto ainda uma vez temos que dizer que a ressurreição de Jesus não consistiu em não retomar o seu corpo mas em retomá-lo transformado. 

Uma palavra agora sobre as palavras de Pedro: "Sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito". É claro que à luz de todas as Escrituras que temos citado até agora que afirmam que Jesus ressuscitou corporalmente, o sentido das palavras de Pedro não pode ser aquele que lhe dão as Testemunhas de Jeová. E de facto não é esse o sentido, porque logo depois Pedro diz: "No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé..." (1 Ped. 3:19-20). Esse "no qual" significa inequivocamente depois de morto, espiritualmente sem o corpo, foi pregar aos espíritos em prisão no Hades. E estes espíritos eram aqueles que tinham morrido nos dias de Noé, de facto pouco depois Pedro diz: "Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos..." (1 Ped. 4:6). 

Que dizer depois do motivo que as Testemunhas de Jeová aduzem para explicar esta sua doutrina sobre a ressurreição de Jesus? Ele é falso porque Jesus ofereceu sim o seu corpo para resgatar-nos das nossas transgressões, portanto como preço de resgate por todos nós; mas para que esta sua morte pudesse resgatar-nos das nossas iniquidades era necessário, indispensável, que ele voltasse à vida precisamente com esse corpo que tinha sido traspassado pelas nossas iniquidades. Como poderia de facto Jesus aniquilar o pecado no seu corpo sem aniquilar a morte corporal que tinha experimentado? Não poderia. Por isso ele devia ressuscitar com o mesmo corpo com o qual tinha morrido, isto é, devia retomá-lo, para destruir a morte física e poder assim libertar-nos do pecado que nos dominava. Mas nós vos perguntamos: ‘Mas como se poderia afirmar que Jesus venceu a morte que provou por todos nós se não tivesse voltado a viver no mesmo corpo que ele tinha assumido para vir a este mundo? Seria um contra-senso porque não se pode afirmar ao mesmo tempo que o corpo de Jesus ficou na terra e não se sabe o que lhe aconteceu e ao mesmo tempo afirmar que ele venceu a morte. Qual seria de facto a vitória? Em que consistiria esta vitória? Mas que espécie de vitória seria? A vitória que Cristo trouxe sobre a morte física é precisamente esta: que ele após ter dado o seu corpo em sacrifício por todos nós, após tê-lo feito flagelar, açoitar, e após tê-lo feito crucificar; o retomou por ordem de Deus transformando-o num corpo glorioso e incorruptível num corpo que não morre mais. E agora pode mostrar a qualquer um os sinais dos pregos nas mãos e nos pés, e o sinal deixado pela lança do soldado no seu lado. E é precisamente isto que nos consola grandemente; saber que como Cristo retomou aquele corpo traspassado pela dor e martirizado tornando-o glorioso, assim restituirá também aos mortos em Cristo o seu corpo tornando-o conforme ao seu. Aliás, nunca devemos esquecer-nos que o corpo de Cristo era o templo do seu Pai; e assim também o nosso corpo, sendo membro de Cristo, é o templo de Deus.  

Irmãos, vos exorto a tapar a boca a estes faladores vãos que vão proclamando tal absurdidade acerca da ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo. 

 

O ESPÍRITO SANTO

A doutrina das Testemunhas de Jeová 

Russell, a propósito do Espírito Santo, afirmou: ‘As Escrituras são concordes em ensinar (...) que o Espírito Santo não é um outro Deus, mas o Espírito (ou seja, a influência ou potência) transfundido por Deus, nosso Pai, e pelo Seu Filho Unigénito’ (Russell, op. cit., pag. 148), e ainda: ‘O Espírito Santo é a energia espiritual, ou potência de Deus’ (ibid., pag. 179). E as chamadas Testemunhas de Jeová seguem este ensinamento de Russell, de facto negam que o Espírito Santo seja a terceira pessoa da Divindade porque dizem que ‘o espírito santo é a invisível força activa do Deus Todo-Poderoso que move os seus servos para fazerem a sua vontade’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 88) e que: ‘Não só a maioria das passagens bíblicas, mas todas as Escrituras estão portanto de acordo que o espírito de Deus é ‘não alguém’, mas ‘algo’. Uma simples mas atenta leitura das Escrituras torna claro que o espírito de Deus é verdadeiramente a sua invisível força activa’ (A Sentinela, 1 de Janeiro de 1975, pag. 7). 

Confutação

O Espírito Santo é uma pessoa e não uma força 

O Espírito Santo é uma pessoa, de facto fala conforme está escrito: "Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações.." (Heb. 3:7-8); "E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro" (Actos 8:29); "E, pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito: Eis que três varões te buscam. Levanta-te pois, desce, e vai com eles, não duvidando; porque eu os enviei" (Actos 10:19-20); "E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (Actos 13:2); "Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão-de vir" (João 16:13); "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé" (1 Tim. 4:1). 

O Espírito Santo revela conforme está escrito em Lucas: "E fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor" (Lucas 2:26). 

O Espírito ouve porque Jesus disse dele: "Dirá tudo o que tiver ouvido" (João 16:13). 

O Espírito vê, de facto os sete olhos que tinha o Cordeiro que João viu são os sete Espíritos de Deus, ou como disse o profeta Zacarias "os sete olhos do Senhor" (Zac. 4:10). 

O Espírito ora conforme está escrito: "O mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis..... é ele que segundo Deus intercede pelos santos" (Rom. 8:26-27). 

O Espírito Santo faz nascer de novo conforme está escrito: "...se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus... o que é nascido do Espírito é espírito" (João 3:5,6). 

O Espírito Santo constitui os anciãos na igreja conforme disse Paulo aos anciãos de Éfeso: "Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue" (Actos 20:28). 

O Espírito Santo pode proibir de fazer algo, como fez com os apóstolos, conforme está escrito: "E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia" (Actos 16:6) (queria que notásseis que nestas outras Escrituras o proibir alguma coisa se refere à pessoa de Jesus: "Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era o Cristo" [Mat. 16:20], e: "E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lho proibia, tanto mais o divulgavam..." [Mar. 7:36]).

O Espírito Santo pode não permitir certas coisas conforme está escrito: "E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu" (Actos 16:7) (também neste caso queria que notásseis que nestas outras Escrituras o não permitir algo se refere à pessoa de Jesus: "E, entrando ele no barco, rogava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. Jesus, porém, não lho permitiu..." [Mar. 5:18-19]; "Não os deixava falar, pois sabiam que ele era o Cristo" [Lucas 4:41]).

O Espírito pode ser entristecido, de facto está escrito: "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus.." (Ef. 4:30); "Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo" (Is. 63:10). 

O Espírito pode ser resistido, de facto Estêvão disse diante do Sinédrio: "Vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim fazeis também vós" (Actos 7:51). 

O Espírito pode ser tentado, de facto Pedro disse a Safira: "Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor?" (Actos 5:9). 

Ao Espírito se pode mentir, de facto Pedro disse a Ananias: "Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade?" (Actos 5:3). 

Ao Espírito se pode falar contra conforme está escrito: "Mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro" (Mat. 12:32). 

O Espírito Santo ensina conforme está escrito: "Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas..." (João 14:26), e ainda: "Quando, pois, vos levarem às sinagogas, aos magistrados e às autoridades, não estejais solícitos de como ou do que haveis de responder, nem do que haveis de dizer. Porque o Espírito Santo vos ensinará na mesma hora o que deveis dizer" (Lucas 12:11-12); e ainda: "Também lhes deste o teu bom Espírito para os ensinar..." (Neem. 9:20); e também: "Falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito..." (1 Cor. 2:13).  

O Espírito esquadrinha, de facto está escrito: "O Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmo as profundezas de Deus" (1 Cor. 2:10). 

O Espírito recorda as palavras do Senhor conforme está escrito: "E vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito" (João 14:26). 

O Espírito tem uma intenção conforme está escrito: "Aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito.." (Rom. 8:27). 

Após ter citado das sagradas Escrituras todas estas passagens que indicam claramente que o Espírito Santo é uma pessoa não se pode não ficar atónito ao ouvir dizer à Sentinela que uma simples mas atenta leitura das Escrituras torna claro que o Espírito Santo é a força activa de Deus e não alguém! Em verdade as Testemunhas de Jeová erram grandemente porque não conhecem as Escrituras. 

O seguinte confronto, entre passagens que se referem ao Espírito Santo e outras que se referem a Deus, testifica que o Espírito é Deus 

Agora, colocaremos em confronto passagens da Escritura que se referem ao Espírito Santo de Deus com outras que se referem a Deus a fim de demonstrar que o Espírito Santo é Deus, e não uma energia emanada de Deus como dizem as Testemunhas de Jeová.  

Ÿ O escritor aos Hebreus diz: "..Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?" (Heb. 9:14), e Moisés afirma de Deus: "De eternidade a eternidade, tu és Deus" (Sal. 90:2). O Espírito é portanto eterno como o é Deus. 

Ÿ Davi disse a Deus: "Para onde me irei do teu Espírito?" (Sal. 139:7), enquanto Deus disse a Jeremias: "Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o Senhor" (Jer. 23:24). O Espírito é pois omnipresente como o é Deus. 

Ÿ Paulo diz que "o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmo as profundezas de Deus" (1 Cor. 2:10), enquanto Ana disse de Deus: "O Senhor é um Deus que sabe tudo" (1 Sam. 2:3). O Espírito é portanto omnisciente como o é Deus. 

Ÿ Eliú disse: "O Espírito de Deus me fez" (Jó 33:4), enquanto Davi disse a Deus: "Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe" (Sal. 139:13). O Espírito portanto cria como faz Deus. 

Ÿ Jesus disse: "...se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus... o que é nascido do Espírito é espírito" (João 3:5,6), enquanto João diz que os que crêem no nome do Filho de Deus "nasceram... de Deus" (João 1:13). O Espírito faz pois nascer de novo como faz Deus. 

Ÿ Pedro, primeiro disse a Ananias: "Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade?" (Actos 5:3), e depois lhe disse: "Não mentiste aos homens, mas a Deus" (Actos 5:4). Mentir ao Espírito Santo portanto equivale a mentir a Deus. 

Ÿ No livro dos Actos dos apóstolos está escrito que Paulo disse a Judeus que recusaram crer no Evangelho: "Bem falou o Espírito Santo aos vossos pais pelo profeta Isaías, dizendo: Vai a este povo e dize: Ouvindo, ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; e vendo, vereis, e de maneira nenhuma percebereis" (Actos 28:25-26), enquanto no livro do profeta Isaías estas palavras são atribuídas ao Senhor dos Exércitos que Isaías viu em visão conforme está escrito: "No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono... Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Disse, pois, ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de facto, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis!..." (Is. 6:1,8-9). Portanto o Espírito Santo enviou Isaías a pregar como fez também o Senhor dos Exércitos.   

Ÿ No livro dos Actos dos apóstolos depois que o Espírito Santo falou em Antioquia dizendo: "Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (Actos 13:2), está escrito que eles "enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre" (Actos 13:4). Jesus disse: "A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros. Rogai pois ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara" (Mat. 9:37-38), fazendo claramente perceber que é Deus que envia os seus ceifeiros para a sua seara; portanto o Espírito Santo é Deus porque enviou Paulo e Barnabé para a seara do Senhor. 

Ÿ  Jesus chamou o Espírito Santo de "o Consolador" (João 15:26) portanto Ele consola aqueles que estão abatidos. Paulo aos Coríntios diz: "Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito.." (2 Cor. 7:6), e também: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; que nos consola em toda a nossa tribulação" (2 Cor. 1:3-4). Portanto o Espírito Santo consola como faz Deus. 

Ÿ Em Isaías está escrito que os Israelitas no deserto "contristaram o seu Espírito Santo" (Is. 63:10), enquanto nos salmos está escrito: "Quantas vezes o provocaram no deserto, e o entristeceram na solidão!" (Sal. 78:40). Os Israelitas portanto, entristecendo o Espírito Santo, entristeceram Deus. 

Ÿ Paulo disse aos Coríntios: "Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós..?" (1 Cor. 6:19) e também: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus..?" (1 Cor. 3:16). O Espírito Santo portanto reside no crente juntamente com Deus. 

Ÿ Jesus disse: "Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas..." (João 14:26), mas disse também: "Serão todos ensinados por Deus" (João 6:45), e Davi diz que Deus "aos mansos ensinará o seu caminho" (Sal. 25:9). O Espírito Santo portanto ensina como faz Deus. 

Ÿ Jesus disse do Espírito: "Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade" (João 16:13); e Davi nos Salmos diz a Deus: "Guia-me na tua verdade" (Sal. 25:5). Portanto se o Espírito da verdade guia na verdade como faz Deus isso significa que Ele é Deus. 

Como podeis por vós mesmos ver as Escrituras afirmam que o Espírito Santo é eterno, omnipotente, omnipresente e omnisciente como Deus (e portanto não pode não ser Deus), e muitas coisas que faz Deus as faz Ele mesmo. Com que coragem pois A Sentinela afirma que todas as Escrituras estão de acordo que o Espírito de Deus não é alguém mas algo? 

Confutação de alguns raciocínios feitos pelas Testemunhas de Jeová sobre o Espírito Santo

Agora nós queremos confutar alguns raciocínios que as Testemunhas de Jeová fazem para persuadir as pessoas que o Espírito Santo não é uma pessoa, e o faremos ainda com as Escrituras. 

1) ‘As personificações não são uma positiva prova de personalidade. Por exemplo a Bíblia diz que o pecado ‘reina’, ‘recebe ocasião’, ‘produz concupiscência’, ‘seduz’, e ‘mata’ (...) A sabedoria é do mesmo modo personificada e é dito que tem ‘filhos’ e ‘obras’ (....) Todavia ninguém afirmaria que isto signifique que ‘o pecado’ e a ‘sabedoria’ sejam pessoas. Semelhantemente a personificação do espírito de Deus não está em contraste com o claro testemunho da Bíblia que ele é na realidade ‘algo, não alguém’ (A Sentinela , 1 de Janeiro de 1975, pag. 6). Concordamos que o pecado não é uma pessoa; não concordamos, porém, com a afirmação que a sabedoria não é uma pessoa porque Jesus disse: "Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei..." (Lucas 11:49) [18 ]. Ainda que deva ser dito que é verdade que em alguns casos a Escritura fala da sabedoria não como de uma pessoa, como quando diz: "Eis que o temor do Senhor é a sabedoria" (Jó 28:28). Mas vejamos o Espírito Santo, se Ele fosse algo e não alguém como é que pode ser entristecido? De facto, Paulo diz aos Efésios: "Não entristeçais o Espírito Santo de Deus.." (Ef. 4:30)? Como pode uma força impessoal ser entristecida por palavras ou acções? Ora, há três passagens na Escritura em que está dito que Deus, o seu Filho e o Espírito Santo foram entristecidos pela conduta errada dos Judeus. Por quanto diz respeito a Deus está dito nos Salmos: "Quantas vezes o provocaram no deserto, e o entristeceram na solidão!" (Sal. 78:40); por quanto diz respeito ao Filho está dito em Marcos: "E, olhando para eles em redor com indignação, entristecido pela dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão!" (Mar. 3:5); e por quanto diz respeito ao Espírito Santo está dito em Isaías: "Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo" (Is. 63:10). Ora, nós dizemos: Mas se Deus pode ser entristecido porque é uma pessoa, se o Filho pode ser entristecido porque é uma pessoa por que razão o Espírito Santo pode ser entristecido mas não pode ser uma pessoa? Não é tudo isto - falamos à maneira da Torre de Vigia - ilógico e irracional?

2) O Espírito Santo não pode ser uma pessoa porque ninguém pode ser baptizado com uma pessoa. Jesus disse: "Na verdade, João baptizou com água, mas vós sereis baptizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias" (Actos 1:5); portanto como a água com que João baptizava não era uma pessoa mas uma coisa, assim também o Espírito Santo com que Cristo prometeu baptizar os seus discípulos não pode ser uma pessoa. Como se pode ser cheio de uma pessoa? Este é um raciocínio que as Testemunhas de Jeová fazem frequentemente para negar a personalidade do Espírito Santo. É um raciocínio pueril que não tem em conta todas as outras Escrituras que dizem respeito ao Espírito Santo. Jesus Cristo sabia bem que o Espírito Santo era uma pessoa, mais precisamente a terceira pessoa, juntamente com ele e com o Pai, da Trindade, e se disse essas palavras quer dizer que é possível ser baptizado também com a pessoa do Espírito Santo. Certo, nós não compreendemos como isso seja possível mas também sabemos que "a Deus tudo é possível" (Mat. 19:26) e que não há nada demasiado difícil para ele. Negar a personalidade do Espírito só porque não se compreende como um homem pode ser baptizado com o Espírito Santo é loucura. Certo é que quando o crente é baptizado com o Espírito Santo, começa a orar pelo Espírito Santo, ou seja, em outras línguas conforme o Espírito lhe concede que fale. Paulo diz de facto que "o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis" (Rom. 8:26). Como é possível que a terceira pessoa da Trindade ore a Deus por boca de um mortal é algo que nós não compreendemos; mas o faz. E por fim fazemos notar que se tivéssemos que negar a personalidade ao Espírito Santo somente porque não é ‘lógico’ afirmar que uma pessoa pode estar em muitas pessoas ao mesmo tempo, então teríamos que afirmar que também o Pai e o seu Filho não são pessoas porque também d`Eles está dito que moram nos crentes. Jesus de facto disse: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada" (João 14:23). Que faremos então? Negaremos a personalidade tanto do Pai como do Filho só porque não conseguimos explicar como é possível que Eles venham morar juntos em todos aqueles que amam Jesus e guardam a sua palavra? Assim não seja. Portanto, não é irracional afirmar que se pode ser cheio do Espírito Santo. 

 

CONCLUSÃO

Como vimos neste capítulo as Testemunhas de Jeová negam a Trindade, a divindade de Cristo e a sua ressurreição corporal, a personalidade e a divindade do Espírito Santo: tudo coisas que a sagrada Escritura ensina claramente e que estão na base da nossa fé. É claro, pois, que estando assim as coisas, elas constituem um perigo para todos nós que conhecemos a verdade porque procuram persuadir-nos que nós estamos no erro; em outras palavras desviar-nos da verdade. Estai pois firmes, irmãos, na verdade que conhecestes, nenhum destes faça de vós presa sua com os seus falsos raciocínios feitos contra a Trindade, contra a divindade de Cristo e a sua ressurreição, e contra a personalidade e divindade do Espírito Santo.  

Aquilo de que vós, irmãos, deveis sempre vos lembrar quando falais da Trindade, da divindade de Cristo e da sua ressurreição corporal, da personalidade e divindade do Espírito Santo é isto, a saber, que na Escritura há tanto coisas encobertas como coisas reveladas: as coisas encobertas pertencem a Deus enquanto as reveladas são para nós. E sobre a Trindade, sobre a divindade de Cristo e sobre a sua ressurreição corporal, sobre a personalidade e divindade do Espírito Santo permanecem coisas que não se podem ainda entender nem explicar. Alguém então dirá: ‘Mas então por que é que Deus quis que fossem escritas também as coisas que não se podem ainda entender porque nos foram por Deus ocultadas?’ Para induzir-nos a compreender quão grande é Ele e que "a glória de Deus é encobrir as coisas" (Prov. 25:2), e manter-nos humildes conhecendo a nossa natureza e com quanta facilidade nos ensoberbecemos; e depois para fazer-nos investigar coisas difíceis, o que redunda em louvor daqueles que fazem estas investigações conforme está escrito que "perscrutar coisas difíceis é uma honra". Portanto é boa coisa para nós investigar as coisas difíceis. Mas longe de nós o negar doutrinas verdadeiras só porque estão envoltas em mistério; e longe de nós também o distorcer as coisas que são difíceis de entender presentes nas Escrituras para procurar conformá-las a particulares interpretações nossas; porque isso redundaria em nossa desonra porque Pedro diz que são os homens inconstantes e indoutos que torcem as coisas difíceis de entender (cfr. 2 Ped. 3:16). E para nós, na morte, se abriria a boca do Seol. As nossas investigações e as nossas meditações sobre as coisas difíceis ou impossíveis por agora de entender devem ser pois sempre acompanhadas por um santo temor de Cristo o Senhor; porque ele nos evitará abandonar-nos aos vãos raciocínios dos racionalistas cujo caminho conduz à ruína. "O amor... tudo crê" (1 Cor. 13:4,7), diz Paulo, e não ‘explica ou tudo conhece’. Bem-aventurados aqueles que no seu coração têm o amor de Deus, porque ele os levará continuamente a aceitar tudo o que Deus ensina através da sua Palavra, mesmo o que humanamente é incompreensível e inaceitável.  

 

 

NOTAS

 

[ 1] Dos Estudos das Escrituras pude consultar directamente apenas o primeiro e o quinto volume. Faço presente que Russell destes seus Estudos das Escrituras disse: ‘Além disso não só não se podem conhecer os planos divinos estudando a Bíblia sozinha, mas se forem postos de lado os Estudos das Escrituras após tê-los usado (....) e se for somente à Bíblia durante dez anos, a experiência mostra que dentro de dois anos se voltará à obscuridade. Por outro lado, se se lerem simplesmente os Estudos das Escrituras com as referências e não se ler de tal modo uma só página da Bíblia, ao fim de dois anos se chegará à luz, porque se teria a luz das Escrituras’ (Watchtower de 15 de Setembro de 1910; citada por A Sentinela de 1 de Novembro de 1958 pag. 670). Por nossa parte, antes dizemos que quem se apoia nos escritos de Russell se um dia andava na luz, começará a apalpar no escuro para achar-se depois, primeiro no Hades na sua morte e depois no fogo eterno em que será atormentado pelos séculos dos séculos. Quem antes anda nas trevas e se apoia nos escritos de Russell, nas trevas permanecerá porque as suas palavras obscurecem quem as aceita em vez de iluminá-lo. A Bíblia, só a Bíblia se leia, porque ela é a Palavra de Deus que ilumina quem jaz nas trevas e o leva a conhecer Aquele que é a luz do mundo, isto é, Cristo Jesus, Deus bendito eternamente. Amen. Ela corrige, ensina, consola, instrui em justiça, quem creu para que ele seja feito perfeito e completo para o dia de Cristo. Os escritos de Russell devem ser queimados ou lançados fora depois de tê-los feito em mil pedaços, porque são imundícia; a Bíblia, pelo contrário, deve ser conservada com cuidado porque é o livro mais precioso que existe na terra. O seu valor supera o de todo o ouro e de todas as riquezas do mundo. Ela é a Palavra de Deus. [ ç ]

 

[ 2] O termo Trindade deriva do latim Trinitas que significa ‘a reunião de três’, uma palavra cunhada por Tertuliano de Cartago no fim do segundo século. [ ç ]

 

[ 3] A respeito do termo pessoa que usamos tanto para Deus Pai, como para o Filho, como para o Espírito Santo, é necessário que se saiba que ele deriva da palavra latina persona que significa ‘máscara’ ou ‘personagem de representação’. Mas evidentemente nós quando o usamos em relação ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo não o usamos com esse sentido original, porque nesse caso definiríamos as três Pessoas da Divindade máscaras de um personagem teatral, em outras palavras é como se disséssemos que Deus é como um actor de um espectáculo que apareceu na cena do mundo em três diferentes trajes ou papéis, o que nós sabemos não ser de modo nenhum verdade. O uso da palavra pessoa tem o único intuito de explicar que tanto o Pai, como o Filho, como o Espírito Santo, são três Seres distintos com uma personalidade própria. No caso específico do Espírito Santo a quem as Testemunhas de Jeová negam a personalidade, a palavra pessoa ilustra melhor o conceito que Ele não é algo mas alguém. [ ç ]

 

[ 4] A estas Escrituras que se seguem devem ser acrescentadas - para ter um quadro o mais completo possível sobre a Trindade - as Escrituras por mim citadas mais adiante para demonstração que Jesus é Deus, e que o Espírito Santo é Deus e não uma força. Este capítulo inteiro, na verdade, é praticamente quase todo dedicado à demonstração que a Trindade é uma doutrina perfeitamente escritural. [ ç ]

 

[ 5] Por quanto diz respeito à passagem de João: "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um" (1 João 5:7), na edição actualizada de João Ferreira de Almeida não vem inserida no texto; mas nas edições revista e corrigida e corrigida fiel está inserida no texto. As Testemunhas de Jeová a respeito dela afirmam que provavelmente ela é espúria. Efectivamente, foi reconhecido também por muitos estudiosos bíblicos evangélicos que estas palavras faltam nos mais antigos manuscritos. Nós dizemos que mesmo se essas palavras forem espúrias as coisas não mudam minimamente: a doutrina da Trindade permanece amplamente confirmada pela sagrada Escritura. [ ç ]

 

[ 6] As Testemunhas de Jeová descaradamente negam que Jesus quis dizer que se ressuscitaria a si mesmo: ‘Com estas palavras, Jesus queria porventura dizer que se ressuscitaria a si mesmo dentre os mortos? (...) De modo nenhum’ (Raciocínios à base das Escrituras , Roma 1990, pag. 421). [ ç ]

 

[ 7] Além disso as Testemunhas de Jeová tomam passagens da Escritura que foram adulteradas pelos seus tradutores. A respeito delas se veja a parte onde trato as falsificações aportadas à Bíblia. [ ç ]

 

[ 8] Também os Adventistas consideram que o Filho de Deus antes de nascer segundo a carne era o arcanjo Miguel, só que eles ensinam que Jesus era e é Deus. [ ç ]

 

[ 9] ‘No tempo em que a jovem concebeu por obra do poder miraculoso do Deus Altíssimo então a vida do Filho de Deus foi transferida de sua posição gloriosa com Deus seu Pai no céu ao embrião humano’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 38). [ ç ]

 

[ 10] Neste acto de regeneração teria participado também a mulher do Pai celestial: ‘Entretanto, a mulher do Pai celestial, a "Jerusalém que é lá de cima", tinha dado à luz o primeiro da sua semente, uma semente espiritual...’ (Novos céus e uma Nova terra, publicado em português em 1957, pag. 157). [ ç ]

 

[ 11] Também para Russell Jesus no Jordão experimentou uma espécie de novo nascimento: ‘Esse acto de ser cheio do Espírito Santo foi a sua procriação para uma nova natureza, a natureza divina que devia desenvolver-se e nascer plenamente quando ele fizesse o seu sacrifício - sacrifício da natureza humana’ (Estudos das Escrituras, série I, O plano divino das idades [O plano das idades], impresso em USA, s.d. pag. 266). [ ç ]

 

[ 12] Russell disse que se o corpo de Cristo ‘se dissolveu em gás ou se está ainda conservado em algum lugar... ninguém o sabe’; enquanto Rutherford afirmou que a Escritura ‘não revela qual foi a sua sorte senão que não sofreu a decomposição ou a corrupção’. [ ç ]

  

[ 13] Também nisto as Testemunhas de Jeová se atêm a Russell, de facto, este disse: ‘Nosso Senhor não poderia ter alguma vez ressuscitado como homem e, ao mesmo tempo, deixar à Justiça o preço do nosso resgate, a fim de libertar Adão (e a sua raça) da sentença e da prisão da morte. Era necessário, não só que o homem Cristo Jesus morresse, mas era também exactamente necessário que não retornasse à vida, porque era preciso que permanecesse morto, como preço do nosso resgate por toda a eternidade’ (Russell. op. cit., série V, pag. 410). [ ç ]

 

[ 14] Por quanto diz respeito a estas palavras de Tomé as Testemunhas de Jeová recorrem a estas explicações. 1) Quando Tomé disse: "Senhor meu" estava olhando para Jesus, mas quando disse: "Meu Deus" estava olhando para o céu e dirigindo-se ao Pai. Enésimo sofisma das Testemunhas de Jeová que é anulado pela Palavra de Deus que diz: "Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu". Esse "respondeu, e disse-lhe" se refere só a Jesus que ele tinha à sua frente naquele momento. 2) Sim, Tomé, na realidade se dirigiu a Jesus quando lhe disse: "Senhor meu, e Deus meu", mas ao dizer "Deus meu" ele quis dizer ‘Filho de Deus’, e portanto quis dizer que Jesus era ‘um deus’ mas não o Deus Todo-Poderoso, não o único verdadeiro Deus. Mas também neste caso a Escritura anula esta explicação, porque Tomé, sendo um Judeu que cria num só verdadeiro Deus, nunca chamaria Jesus o seu Deus se não reconhecesse n`Ele o seu verdadeiro Deus. E por isso ele com essas palavras não quis dizer que Jesus era um ser inferior a Deus, mas Deus. E depois se tenha presente que Jesus não repreendeu Tomé por lhe ter dito: "Meu Deus", mas disse-lhe que porque o tinha visto tinha crido. Em outras palavras, o facto de Jesus não ter repreendido Tomé por este o ter chamado o seu Deus mostra que Jesus considerava ser igual a Deus Pai e por isso digno de ser chamado Deus. [ ç ]

 

[ 15] Para explicar esta união entre o Filho e o Pai (que formam um só Deus embora permanecendo distintos) com alguns exemplos bíblicos, dizemos que é como aquela entre o homem e a mulher casados conforme está escrito: ".. e serão uma só carne" (Gen. 2:24) e também: "Não são mais dois, mas uma só carne" (Mat. 19:6). É claro que marido e mulher permanecem duas pessoas distintas, mas diante de Deus tornam-se uma só carne. Também quando a Escritura diz que "o que se une ao Senhor é um só espírito com ele" (1 Cor. 6:17) fala de uma união que não exclui porém a separação e a diversidade daqueles de quem fala, com efeito, ela não quis dizer que o homem que se une a Cristo torna-se o Espírito de Deus ou se funde com Ele ou torna-se Cristo e por isso Deus porque neste caso Ela teria divinizado o homem. O homem continua a ser homem, e o seu espírito continua a permanecer distinto do Espírito de Deus, de facto Paulo aos Romanos diz que "o mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rom. 8:16). Portanto, sim, há união entre o homem e a mulher, há união entre o crente e o Senhor; mas uma união na diversidade. [ ç ]

 

[ 16] Elas dizem: ‘... depois de Deus o haver criado como seu Filho primogénito, usou-o como seu Obreiro associado ao trazer à existência todo o resto da criação’ (Seja Deus verdadeiro, pag. 35). [ ç ]

 

[ 17] Uma semelhante afirmação faz nascer a pergunta: Por que é que Deus haveria de esconder o corpo de Jesus preservando-o da decomposição? Rutherford supôs por exemplo que Deus o poderia preservar em algum lado para depois exibi-lo às pessoas durante o milénio!!! Mas então nós dizemos: Por que é que Deus não deixava antes o seu corpo no sepulcro se queria demonstrar às pessoas que Jesus tinha renunciado ao seu corpo. Não teria sido mais lógico?!! [ ç ]

 

[ 18] Se se confrontarem estas palavras de Jesus com estas outras escritas em Mateus: "Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas..." (Mat. 23:34) se pode perceber que a sabedoria de Deus é Jesus Cristo. [ ç ]

 

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