Capitulo 8

Doutrinas e práticas várias

 

A FESTA DE NATAL

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

O natal é uma festa de preceito a santificar. Boa coisa é fazer o presépio pelo natal. Entre as festas que a igreja romana ordena observar está também a festa de natal, com efeito, ela no seu catecismo, está entre as chamadas festas de preceito da Igreja da qual eles devem lembrar-se para santificá-la segundo o seu mandamento. Ela é celebrada com três missas das quais uma à meia-noite porque segundo a tradição Jesus foi dado à luz por Maria nessa hora. À festa do natal estão ligados muitos costumes: um destes é o de fazer o presépio. Ele consiste numa representação figural feita com estatuetas do evento do nascimento de Jesus Cristo. O catecismo católico refere a origem do presépio nestes termos: ‘São Francisco de Assis tinha grande devoção ao mistério do Natal do Salvador. Levantava-se muitas vezes à meia-noite para adorar Jesus na hora em que fez a primeira aparição no mundo. Mais tarde, em 1220, pediu e obteve do papa, Honório III, a permissão de fazer o presépio durante a Missa da meia-noite de Natal, e isso no meio de um bosque que havia ao lado do mosteiro de Greccio. Formou uma espécie de caverna com pedras, musgo e ramos de árvores; ali pôs uma manjedoura, introduziu também um boi e um jumento, e ali levantou um altar para a celebração da Missa. Uma grande multidão de povo acorreu à função iluminando a floresta com fachos. Mais tarde fez-se o presépio com estatuetas, em primeiro lugar em Nápoles no século XV, e depois na Sicília e em outras regiões da Itália e do estrangeiro’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 143-144).

 

História do natal

 

Vejamos antes de mais como nasceu esta festa. Originariamente a Igreja não celebrava o nascimento de Jesus. Com o passar do tempo, todavia, os Cristãos do Egipto começaram a considerar o 6 de Janeiro como data da natividade. O costume de celebrar o nascimento de Jesus naquele dia foi-se difundindo em todo o Oriente e resulta como dado por adquirido no início do século IV. Mais ou menos na mesma época, a Igreja do Ocidente, que nunca tinha reconhecido o 6 de Janeiro como o dia da natividade, assumiu como data celebrativa o 25 de Dezembro.

Ela foi posteriormente adoptada também pela igreja do Oriente. As razões que levaram muitos bispos a deslocar a festa de natal de 6 de Janeiro para 25 de Dezembro foram as seguintes: naquele dia segundo um costume pagão do tempo era celebrado ‘o deus sol’, ou melhor o nascimento do sol ao qual se acendiam fogos em sinal de festa, e como muitos que se tinham convertido ao Cristianismo tomavam também eles parte nesta festa porque identificavam o sol com Jesus Cristo porque em Malaquias ele é chamado "o sol da justiça" (Mal. 4:2), quando eles se deram conta que os próprios Cristãos tinham uma certa inclinação por esta festa, entraram em conselho e deliberaram que a natividade de Cristo fosse solenizada naquele dia e a festa da epifania a 6 de Janeiro [1].

 

Confutação

 

A festa de natal não deve ser celebrada porque debaixo da graça nós não somos chamados a celebrar festas; além disso a festa de natal não só se funda sobre uma data do nascimento de Jesus inventada como também é de origem pagã

 

Certamente o nascimento de Jesus Cristo representa um dos maiores acontecimentos da história da humanidade, isto está fora de dúvida; porém importa dizer que na Escritura não é mencionado nem o dia e nem a hora dele. Mas o facto é que não só não está escrito nem o dia e nem a hora em que nasceu, mas tanto Mateus como Marcos como Lucas e João não dão suficientes indícios para estabelecer exactamente sequer o mês em que ele nasceu. Nós sabemos que Jesus Cristo nasceu sob o império de César Augusto porque Lucas diz que foi César Augusto a emanar o decreto segundo o qual se devia fazer o recenseamento de todo o império (José encontrava-se em Belém com Maria quando ela deu à luz porque tinha ido ali alistar-se) (cfr. Lucas 2:1-5); sabemos também que quando Jesus nasceu reinava na Judéia Herodes dito o grande (cfr. Mat. 2:1); sabemos também que na mesma comarca onde nasceu Jesus na noite em que ele veio ao mundo haviam pastores que estavam nos campos a guardar o seu rebanho e que a eles apareceu um anjo do Senhor para lhes anunciar que naquele dia tinha nascido na cidade de Davi um Salvador, que era Cristo o Senhor (cfr. Lucas 2:8-14). Mas no que diz respeito à data do seu nascimento a Escritura cala. Ora, deve todavia haver uma razão pela qual Deus não tenha, por meio do seu Espírito, inspirado ninguém a escrever a data do nascimento de Jesus Cristo; nós não queremos dizer o motivo porque não o conhecemos porém queremos fazer algumas considerações sobre ela.

Ela de certo era conhecida tanto por José como por Maria, como pelos irmãos e pelas irmãs de Jesus; ela estava de certo também registada no registo civil do tempo. Tiago era irmão do Senhor e era tido em grande consideração na Igreja primitiva, e embora sabendo a data de nascimento do Senhor que segundo a carne era seu irmão maior não considerou oportuno solenizar o dia do nascimento de Jesus.

Na Escritura estão escritas muitas datas que se referem tanto a festas judaicas como a acontecimentos particulares acontecidos na história do povo de Israel; recordamos algumas delas:

Ÿ a Páscoa segundo a lei devia ser celebrada no décimo quarto dia do mês de Abibe porque foi naquele dia que o Senhor tirou do Egipto o povo de Israel depois de uma escravidão secular (cfr. Ex. 12:1-14);

Ÿ a festa do Pentecostes ou das primícias devia ser celebrada sete semanas após a festa dos pães ázimos portanto ao terceiro dia do terceiro mês que correspondia ao dia em que Deus desceu no meio de fogo sobre o monte Sinai e pronunciou o decálogo (cfr. Deut. 16:9-12; Ex. 19:16).

Ÿ a festa dos Tabernáculos devia ser celebrada no décimo quinto dia do sétimo mês para recordar que os Israelitas tinham morado em tendas durante a sua peregrinação no deserto (cfr. Deut. 16:13-15; Lev. 23:34);

Ÿ a festa das Expiações devia ser celebrada no décimo dia do sétimo mês; naquele dia o sacerdote fazia a expiação dos seus pecados e dos de todo o povo (cfr. Lev. 16:1-34);

Ÿ no sétimo dia do quinto mês do ano décimo nono de Nabucodonosor, rei de Babilónia, foi o dia em que Nebuzaradão, capitão da guarda do corpo, ao serviço do rei de Babilónia, chegou a Jerusalém e queimou a casa do Senhor e a casa do rei, e incendiou todas as casas de Jerusalém (cfr. 2 Re 25:8,9);

Ÿ no terceiro dia do mês de Adar do sexto ano do reinado do rei Dario foi o dia em que a reconstrução do templo em Jerusalém acabou (Esd. 6:15);

Ÿ no quinto dia do quarto mês do quinto ano do cativeiro do rei Joaquim veio expressamente a palavra do Senhor ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar (cfr. Ez. 1:1-3); no livro do profeta Ezequiel estão escritas muitas outras datas que se referem aos dias em que Deus revelou a sua palavra ao profeta.

Estas são algumas das datas escritas na Palavra de Deus; parecerá estranho, no entanto entre as muitas datas registadas não está a do nascimento do Salvador, mas isto não nos preocupa e nem nos perturba porque sabemos que "o Senhor fez tudo para um fim" (Prov. 16:4), portanto estamos seguros que também esta voluntária omissão desta data não é por acaso. Mas como nós bem sabemos, aquilo sobre o qual cala a Palavra de Deus é sempre fonte de especulação por muitos; e assim, eis que pelas razões antes expostas os homens pensaram tomar um dia, no qual depois era festejado o sol, para fazê-lo tornar-se o dia do nascimento de Cristo. Consideramos que não tenha sido justo por parte dos antigos tomar a seu agrado um dia qualquer do calendário e afirmar que nele tinha nascido Jesus, porque assim eles fizeram a multidões de pessoas crer na mentira. Ainda hoje muitos estão convencidos que Jesus tenha nascido a 25 de Dezembro o que não pode ser demonstrado de nenhuma maneira! Cuidai que com isto não queremos dizer que seja errado nos recordarmos do nascimento de Jesus e de tudo o que a Escritura diz a respeito; de modo nenhum, mas consideramos que a memória daquele dia não deve levar nenhum de nós a inventar a data da natividade de Jesus.

A igreja romana ordena santificar o dia de natal não fazendo nele nenhuma obra servil e participando nas suas missas; nós, ao contrário, como crentes em nada nos sentimos obrigados a santificar esse dia porque não é um dia que foi santificado por Deus mas um dia tornado santo por uma tradição que importa dizer no curso do tempo santificou e abençoou muitas e muitas práticas pagãs que são contrárias ao ensinamento do Senhor.

 

O presépio é uma forma de idolatria; e por isso não deve ser feito

 

Fazer o presépio para muitos poderá parecer um sinal de grande devoção para com o Salvador, poderá parecer belo quanto se queira, mas o facto é que se opõe à Escritura porque implica a transgressão do mandamento de Deus de não se fazer imagens e esculturas algumas. Por esta razão este costume deve ser rejeitado. Dilectos, recordai-vos do nascimento de Jesus Cristo, mas fazei-o muitas vezes e não uma vez por ano, e fazei-o na simplicidade do vosso coração meditando sobre todas aquelas passagens da Escritura que falam dele. Se de facto o Espírito Santo inspirou tanto Mateus como Lucas a escrever diversas coisas sobre o nascimento de Jesus é também porque Deus quis desta maneira que nós seus filhos mantivéssemos viva a memória daqueles eventos que caracterizaram o seu nascimento. Mas mais do que o seu nascimento, dilectos, recordai-vos da sua morte e da sua ressurreição acontecida para a nossa justificação. E falai destes dois eventos tanto entre vós como àqueles que não conhecem a Deus, entre os quais estão os Católicos romanos, para que crendo neles com todo o seu coração sejam libertados do pecado.

 

 

 

OS SACRAMENTAIS

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

Os sacramentais são coisas ou acções que têm efeitos sobretudo espirituais; são de instituição eclesiástica. Segundo o que ensina a teologia romana os sacramentais são coisas ou acções, de que a Igreja, imitando de algum modo os sacramentos se serve para alcançar, em virtude da sua impetração, efeitos sobretudo espirituais. A diferença que há entre os sacramentos e os sacramentais, segundo os teólogos papistas, é esta: os sacramentos produzem a graça santificante e são de instituição divina, enquanto os sacramentais não conferem a graça santificante e não são de instituição divina mas eclesiástica.

 

Confutação de alguns deles

 

Dentre os sacramentais examinaremos e confutaremos a água ‘santa’, as medalhas, o escapulário, as velas, os sinos, o crucifixo e o sinal da cruz [2].

A água santa. O que é a água santa? Ela é, segundo a Enciclopédia Católica, a água benta ‘de que se serve habitualmente a Igreja, confeccionando-a com uma mistura de sal enquanto se recitam apropriadas orações. Esta mistura de sal, símbolo de incorruptibilidade, foi inspirada, não tanto pelo facto bíblico do profeta Eliseu que sarou com sal as águas de Jericó, quanto pela difundida crença de que o sal era dotado de uma virtude repulsiva contra os demónios. A preparação da água santa, conforme as prescrições do ritual romano, comporta: a) um exorcismo do sal e da água para purificá-los de toda a influência impura ou nociva; b) uma benção sobre ambos, para que o sal ‘seja para todos quantos provarem dele saúde para a alma e para o corpo’, e a água ‘receba a virtude da graça divina de expulsar os demónios, de curar as doenças, assim que qualquer coisa que nas casas e nos lugares dos fiéis tiver sido aspergida com esta água, seja preservada de toda a imundícia e libertada de todo o mal’ (Enciclopédia Católica, vol. 1, 234). O exorcismo operado sobre o sal é o seguinte:Eu te exorcizo ó criatura de sal, pelo Deus vivo, pelo Deus verdadeiro, pelo Deus santo, o qual ordenou que, por meio do profeta Eliseu, fosses posto na água, para que fosse curada a sua esterilidade: eu te exorcizo para que tu te tornes sal exorcizado para salvação dos crentes, e sejas a salvação da alma e do corpo para todos os que te usarem’. Esta água benta está contida numa bacia ou vasilha, chamada pia de água benta, que se encontra à entrada dos templos dos ídolos da igreja romana; e com ela os Católicos aspergem a fronte. Ela é também levada pelo padre de uma para outra parte num balde metálico chamado caldeirinha munido de bastão que enche da água benta e com o qual faz a aspersão, quando com ela deve benzer as casas. Como se pode bem compreender este rito da benção feita com esta água é uma das muitas superstições transplantadas no meio da igreja romana no curso do tempo. Como se pode na realidade crer que a água salgada tenha a virtude de purificar a alma das pessoas de certos pecados e de manter longe os demónios senão por causa da grande ignorância presente nos Católicos e da sua cegueira espiritual? Eis o que ensina a cúria romana aos Católicos! A repor a sua confiança numa água salgada! Mas esta sua confiança na água santa é uma ilusão porque ela não só não purifica a sua alma como não mantém longe deles os demónios. Antes devemos dizer que os templos de ídolos dos Católicos estão infestados de espíritos enganadores e de todo o espírito imundo; em verdade são albergues de demónios. E que dizer da aspersão das casas privadas daqueles que as fazem aspergir com esta água pensando pô-las em segurança da obra dos demónios? Diremos que também esta aspersão é vã. Nós crentes fomos aspergidos com o sangue precioso de Cristo e em virtude do poder purificador que possui o sangue de Jesus estamos limpos de todos os nossos pecados conforme está escrito: "O sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado" (1 João 1:7), e ainda: "Tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada" (Heb. 10:22 NVI); por ele fomos santificados porque está escrito: "Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta" (Heb. 13:12); ainda por ele temos a redenção conforme está escrito: "Nele nós temos a redenção pelo seu sangue" (Ef. 1:7), e vencemos o diabo conforme está escrito: "E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro..." (Ap. 12:11). Nós portanto não necessitamos de nenhuma aspersão de nenhuma água benta porque a aspersão do sangue de Cristo que recebemos pela graça de Deus nos é suficiente. E nem necessitamos que o padre venha benzer-nos a casa com a água benta, por isso quando vem não aceitamos que aspirja as nossas casas. Aquele que nos protege é o Senhor; nós nele pusemos a nossa confiança e pomos continuamente a nossa confiança. A ele recomendamos as nossas almas, as nossas famílias, os nossos bens materiais; estamos nas mãos de Deus e não nos pode acontecer nada sem a permissão de Deus porque até os cabelos da nossa cabeça estão todos contados. Seja pois posta de lado esta superstição católica romana da água santa; ó Católicos caí em vós mesmos e fazei-vos aspergir também vós por Deus com o sangue de Cristo para obterdes a salvação da vossa alma, para serdes santificados, para serdes lavados de todos os vossos pecados e para vencerdes assim o diabo. Vos conjuramos em nome do Senhor a fazê-lo!

As medalhas. As medalhas são chapas de metal em forma de moedas sobre as quais estão representadas imagens, que geralmente são as de Jesus, as de Maria e dos ‘santos’ da igreja romana. São previamente benzidas pelo pároco, pelo bispo, por cardeais, e mesmo pelo papa, e a elas é atribuído o poder de proteger aquele que as usa e a elas estão ligadas muitas graças. Tomemos por exemplo a medalha com a efígie que representa Cristóvão; os Católicos crêem que ela posta no carro os protege dos acidentes; por isso quando trocam de carro se apressam a pegar na medalha ‘protectora’ e a pô-la no automóvel novo. Os Católicos são tão apegados a estas medalhas benzidas que as cosem aos vestidos, as beijam e as rebeijam durante as suas orações, e as penduram na cama e nas paredes. Aliás é compreensível este seu mórbido apegamento a estas medalhas; é-lhes dito pelos seus guias cegos que elas têm o poder de preservar do mal quem as tem e de assegurar-lhes várias graças e eles crêem nisso, por isso as mantêm perto! Mas tudo isto é só uma forma de superstição enraizada no coração destas pessoas que vivem nas trevas; nada mais. Assemelha-se muito à superstição de que estão invadidas muitas populações selvagens a respeito dos seus amuletos. Ainda uma vez verificamos na igreja romana evidentes formas de paganismo habilmente camufladas. Nós reprovamos estes amuletos dos Católicos juntamente com as superstições ligadas a eles porque a Escritura diz para não se fazer imagem alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem debaixo da terra e porque as crenças que acompanham estas medalhas são mentiras geradas pelo diabo.

O escapulário. O escapulário é um objecto formado por duas peças rectangulares de lã, do tamanho de três-quatro centímetros unidas por um cordão, que se põe ao pescoço. O escapulário é um sinal de devoção, e muitas vezes serve para indicar uma espécie de participação em espírito a uma dada ordem monástica, do hábito da qual o escapulário toma a cor. Também os escapulários possuem, segundo a tradição romana, particulares virtudes e conferem graças e privilégios; a eles estão anexas também indulgências. O mais famoso escapulário é o Carmelitano que, a tradição diz, Maria teria conferido a Simão Stock, geral da ordem dos Carmelitas; quem o usa escapa ao inferno. Maria teria também prometido a João XXII que iria ela mesma ao purgatório todos os sábados para tirar dele todos os escapularistas que morressem na semana anterior e levá-los directamente para o paraíso. Isto foi garantido por João XXII na sua bula chamada Sabatina de 1322 e confirmado por Alexandre V, Clemente VII, Pio V e Gregório XIII [3]. O escapulário pode-se muito bem comparar a outros objectos, como a ferradura de cavalo, a figa, o trevo de quatro folhas etc., considerados por muitos mascotes, porque também ele, é dito, dá sorte a quem o traz. A Palavra de Deus reprova esta prática supersticiosa de trazer o escapulário porque ela afunda as suas raízes no paganismo. Mas que bem pode alguma vez fazer um objecto do género a quem o usa? Ah! como são densas as trevas nas quais os Católicos romanos apalpam. Oremos por eles para que Deus os arranque do poder das trevas e os leve a andar na luz.

Os sinos. O sino é um instrumento de bronze em forma de taça invertida, que soa quando as suas paredes são percutidas por um badalo no interior ou por um martelo no exterior. Os sinos são usados pela igreja romana para chamar os Católicos às funções religiosas, e a exortá-los à oração em determinadas horas do dia como por exemplo quando toca o Angelus. Neste caso ao som do sino da manhã, do meio-dia e do pôr do sol os Católicos são convidados a recitar três Ave Maria. Eles são considerados coisas sagradas e são por isso consagrados e benzidos. Também aos sinos são atribuídos poderes particulares; um destes é o de afastar a saraiva. Em algumas localidades da Umbria por exemplo é opinião corrente entre os homens que se o sineiro for solícito a tocar os sinos antes da saraiva ter chegado ao território da paróquia, ela não poderá ali entrar. Em Abruzzo nem todos os sinos têm os mesmos poderes, alguns com efeito são dotados de virtudes superiores aos outros para afastar a saraiva, e de quais se trata? Daqueles batizados no nome de um santo protector contra a saraiva! Mas que diz a Escritura sobre os sinos? Dizemos que ela não fala minimamente deles; eles não estavam em uso na Igreja primitiva. Os apóstolos não chamavam ao culto os fiéis e não exortavam os fiéis a orar fazendo tocar sinos ou algum outro instrumento. Por quanto respeita à crença que eles tenham o poder de afastar a saraiva, dizemos simplesmente que é uma mentira. Podemos dizer que os sinos dos Católicos não podem afastar a saraiva do território da paróquia da mesma maneira em que os deuses do Egipto, nos dias de Moisés, não puderam afastar o flagelo da saraiva da terra do Egipto.

As velas. ‘São o meio mais comum e obrigatório da iluminação litúrgica nas funções religiosas’, diz a Enciclopédia Católica (vol. 3, 519). E de facto elas se vêem sobre os altares, diante das imagens e das estátuas, e são postas também em cima dos túmulos. A Escritura não diz que nós devemos usar velas no culto que rendemos a Deus. Certamente porém as velas são úteis, no caso de faltar a luz nas nossas casas, porque acesas dão um pouco de luz no escuro. Recordamos que o uso da vela na função religiosa é de origem pagã; o imperador por exemplo nas suas aparições era acompanhado com círios acesos. E além disso que as velas são usadas pelos magos e pelas bruxas nas suas missas negras. Por que motivo usam as velas? Porque elas criam a atmosfera necessária para as suas diabólicas funções.

O crucifixo. Eis o que diz Perardi no seu Novo Manual do Catequista a respeito do crucifixo: ‘Sede devotíssimos de Jesus crucificado (...) trazei devotamente a imagem dele ao pescoço; beijai muitas vezes o Crucifixo em vida para merecer morrer apertando-o devotamente entre as mãos. - Por cima da cama ponde o Crucifixo; à noite beijai devotamente as chagas dele’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 148). Como podeis ver nos encontramos diante de uma enésima forma de idolatria perpetrada pela cúria romana para dano daqueles que a seguem. Começamos por dizer que nós cremos que Jesus Cristo foi crucificado sobre a cruz pelos nossos pecados, mas não só o cremos, como também o pregamos porque em nós há "o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei" (2 Cor. 4:13). Nós também nos gloriamos da cruz do nosso Senhor Jesus Cristo como fazia o apóstolo Paulo porque por meio dela o mundo para nós foi crucificado e nós fomos crucificados para o mundo (cfr. Gal. 6:14); mas nós não nos permitimos de fazer uma cruz nem de madeira e nem de outro material, e nem ainda de agarrar a ela uma estatueta figurando o nosso Senhor enquanto sofria sobre ela, porque a Escritura nos proíbe de fazer semelhantes coisas conforme está escrito: "Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás..." (Ex. 20:4,5). Os Católicos dizem que é a tradição que lhes diz para fazer o crucifixo e de o trazer com eles e de o beijar e de o prender às paredes da sua casa ou de algum outro lugar; mas a nós não nos importa nada da sua tradição. Da forma como falam os Católicos há poder no crucifixo mas isso é falso porque o poder está no nome de Cristo Jesus e na palavra da cruz e não num pedaço de madeira. Mas depois desta maneira fazem aparecer Jesus Cristo sempre sofredor, e ainda na cruz; mas ele não está mais pendurado na cruz porque dela foi tirado e posto num sepulcro por José de Arimatéia. Mas mais do que isso Ele ressuscitou dos mortos e não morre mais. Nós não sentimos de modo nenhum a necessidade do crucifixo nem pendurado ao nosso pescoço e nem pendurado nas paredes da nossa casa ou dos nossos locais de culto para nos recordarmos de Jesus porque a nós basta ler o Evangelho para nos recordarmos dos sofrimentos que Cristo padeceu por nós, e porque nós somos chamados a nos recordar da morte do Senhor pela ceia instituída por Jesus Cristo e não com este artifício humano que é o crucifixo. E assim a igreja romana espalhou pelo mundo inteiro crucifixos de todo o género; aqui em Itália há crucifixos um pouco por todo o lado. O crucifixo, da forma como falam muitos Católicos, os faz sentir em segurança; sem o crucifixo com eles, ao contrário, já não se sentem seguros, como se ele tivesse o poder de proteger os que o trazem ou a casa onde está pendurado! Mas "qualquer justo se sente seguro como o filho do leão" (Prov. 28:1) porque sabe de ter sido reconciliado com Deus pelo sangue de Cristo e porque sabe que o Senhor é o seu refúgio e nenhum mal lhe sucederá conforme está escrito: "Porque tu disseste: ó Senhor, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação. Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos" (Sal. 91:9-11), por isso ele considera essa do crucifixo apenas uma superstição que ainda por cima serve para fazer ganhar não pouco dinheiro aos construtores de crucifixos.

O sinal da cruz. Os Católicos fazem o sinal da cruz levando a mão direita à testa, e dizendo: Em nome do Pai: depois ao peito, dizendo: e do Filho; depois ao ombro esquerdo e ao direito, dizendo: e do Espírito Santo. Isto porque lhes foi ensinado quanto se segue:Como cristãos temos um sinal exterior que nos distingue daqueles que não são cristãos; ele é o sinal da cruz (....) No sinal da Cruz, com as palavras exprimimos a Unidade e Trindade de Deus, e com a figura da Cruz a Paixão e a Morte do Nosso Senhor Jesus Cristo (....) Tende grande veneração pelo sinal da Cruz com que exprimis os dois mistérios principais (...) E’ sempre bom fazer o sinal da Cruz, mas especialmente antes e depois de cada acto de religião, antes e depois da refeição e do repouso, e nos perigos da alma e do corpo’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 84, 85, 86, 87). Também aqui nos encontramos perante um ensinamento de que não encontramos o mínimo respaldo nas Escrituras. Nós cremos que Deus é trino, isto é, que a Divindade é composta por Deus Pai, por Deus Filho e por Deus Espírito Santo e que os três são um desde a eternidade e até a eternidade; nós cremos naquilo que a Escritura diz acerca dos sofrimentos de Cristo, da sua morte, mas para exprimir a nossa fé nestas coisas não somos chamados a fazer o sinal da cruz, mas sim a testemunhar com a nossa boca como fizeram antes de nós antigamente os apóstolos. E depois a Escritura nos ensina a dar graças a Deus com as nossas palavras antes de comer e não fazendo o sinal da cruz porque assim fizeram tanto Jesus como os apóstolos antes de nós conforme está escrito: "Jesus, então, tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos que estavam assentados..." (João 6:11), e: "Paulo... Tomando o pão, deu graças a Deus na presença de todos; e, partindo-o, começou a comer" (Actos 27:33,35). O apóstolo Paulo disse a Timóteo: "Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças. Porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada" (1 Tim. 4:4,5); e não pelo sinal da cruz. E depois ainda; mas onde está alguma vez escrito na Palavra de Deus que quando se está na angústia se deve fazer o sinal da cruz para invocar a assistência de Deus? Ela diz para invocar Deus com a nossa boca, não com algum sinal particular, de facto Deus diz: "Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" (Sal. 50:15).

 

 

 

O JURAMENTO

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

É lícito jurar. O juramento feito aos heréticos pode-se infringir sem por isso cometer pecado. O juramento falso em certas circunstâncias é admitido. A teologia romana admite que se pode jurar: no Código de direito canónico está dito: ‘O juramento, isto é, a invocação do nome de Deus como testemunha da verdade, não se pode fazer, a não ser na verdade, no discernimento e na justiça’ (Código de direito canónico, can. 1199). Para que ninguém fique enganado por estes doisnão’ deste preceito, sabei que eles postos um depois do outro desta maneira querem dizer que jurar é lícito porque é como se estivesse escrito: ‘O juramento se pode fazer na verdade, no discernimento e na justiça’. Que o juramento é admitido pela igreja católica romana é confirmado também por aquilo que diz o catecismo:Não é lícito jurar sem grave motivo; não é lícito por pouca coisa citar e oferecer o testemunho de Deus (...) só se fostes citados em julgamento como testemunhas tereis justa razão para jurar’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 292).

A igreja papista no curso dos séculos deu prova muitas vezes de ter feito sua a diabólica máxima que diz que ‘o fim justifica os meios’. Um destes meios justificado porque com ele se propõe a uma coisa boa, ou seja, a perseguição dos heréticos, é o não manter um juramento feito aos heréticos. Eis como se expressa o cardeal Osio:Não tenhas escrúpulo, por nenhuma razão, de ter de observar o que prometeste (ao herético), pois o juramento não deve ser laço de iniquidade’ (Cardeal Osio, Epist. 202, a Henrique rei da Polónia sobre os heréticos: citado por Luigi Desanctis em Compendio di controversie [ Compêndio de controvérsias] , pag. 59). Uma clara prova de como a igreja papista foi pronta a anular ou fazer anular uma promessa de juramento feita aos seus inimigos a temos no comportamento do concílio de Constança que anulou o salvo-conduto que o rei Sigismundo tinha passado a João Huss para que este pudesse vir ao concílio, estar e regressar dele (as palavras exactas do salvo-conduto diziam: ‘Omni prorsus impedimento remoto, transire, stare, morari, et redire libere permittatis’). De facto, quando Huss chegou a Constança foi preso, processado pelo concílio e condenado a ser queimado. O concílio naquela ocasião emanou o seguinte decreto:...não obstante tal salvo-conduto, o juiz eclesiástico pode indagar sobre os erros de tais pessoas, e proceder devidamente contra elas e puni-las... até mesmo se vieram ao lugar do processo contando com o salvo-conduto, e doutra forma não viriam’ (citado por Richard Frederick Littledale em Plain reasons against joining the church of Rome [Claras razões contra a unir-se à igreja de Roma], London 1886, pag. 128). É de notar que mais de um século depois, o concílio de Trento (1545-1563) ofereceu aos Protestantes um salvo-conduto para se apresentarem no concílio e expor as suas doutrinas. Mas este salvo-conduto não foi aceite e por isso eles não se apresentaram em Trento; a experiência de Huss tinha ensinado a não confiar nas promessas daqueles chamados veneráveis padres [4].

A teologia católica ensina que se pode fazer um falso juramento sem pecado, acrescentando mentalmente às palavras do juramento pronunciadas alguma coisa que modifica o sentido dele, a qual coisa é chamada reserva mental. Para explicar este seu ensinamento citamos um facto histórico. Durante o fascismo em Itália, todos aqueles que se inscreviam no partido fascista tinham que jurar: ‘Juro executar sem discutir as ordens do Duce e defender com todas as minhas forças e, se necessário, com o meu sangue, a causa da revolução fascista’. À pergunta do que se devia pensar de uma tal fórmula de juramento Pio XI na encíclica Non abbiamo bisogno de 29 Junho de 1931 respondeu: ‘A resposta do ponto de vista católico, e também puramente humano, é inevitavelmente só uma, e Nós, Veneráveis Irmãos, não fazemos mais que confirmar a resposta que já vos foi dada: um tal juramento, assim como está, não é lícito’ (Encíclica ‘Non abbiamo bisogno’ em Tutte le encicliche dei sommi pontefici [ Todas as encíclicas dos sumos pontífices] , vol. 1, Milano 1979, pag. 973). Depois de uma tal declaração portanto seria de esperar que o papa dissesse aos Católicos para que não fizessem um semelhante juramento (impedindo assim a muitos de entrar no partido fascista) mas isto não aconteceu porque Pio XI deu-lhes este conselho:Conhecendo as dificuldades múltiplas da presente hora e sabendo como a inscrição no partido e o juramento são para muitíssimos condição para a carreira, para o pão, para a vida, procurámos um meio que restitua tranquilidade às consciências reduzindo ao mínimo possível as dificuldades exteriores. E Nos parece que tal meio poderia ser para os que já estão inscritos no partido fazer eles perante Deus e a sua própria consciência a reserva: ‘salvo as leis de Deus e da Igreja’, ou ‘salvos os deveres de bom cristão’, com o firme propósito de declarar também exteriormente uma tal reserva, quando viesse a ser necessário’ (ibid., pag. 973). Em outras palavras, o papa reconhecia que aquele juramento não se podia fazer mas ao mesmo tempo disse que eles podiam jurar com reserva (ou seja falsamente) para não comprometer as suas carreiras, e a sua vida.

 

Confutação

 

Debaixo da graça é proibido jurar

 

Que diz a Escritura a propósito do jurar? Em Mateus está escrito que Jesus disse: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás os teus juramentos ao Senhor. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna" (Mat. 5:33-37). Como podeis ver Jesus Cristo proibiu jurar; portanto o preceito que permite o juramento que está transcrito no Código de direito canónico é um preceito de homens que se desviam da verdade que está em Cristo Jesus. Eis uma outra prova de como os guias cegos desta organização religiosa anularam a palavra de Cristo com as suas palavras! Mas como fazem para sustentar os teólogos católicos romanos que é lícito jurar para um cristão? Da maneira habitual, dando erradas explicações à Escritura. Agora, confutaremos os raciocínios que eles fazem para sustentar o juramento.

ŸJesus disse não perjurarás, isto é, para não jurar falso em nome de Deus, mas não disse para não jurar em nenhuma circunstância’. Ora, é verdade que na lei há o preceito: "Não jurareis falso pelo meu nome, pois profanarás o nome do teu Deus" (Lev. 19:12), e o juramento é admitido porque está escrito: "Pelo seu nome jurarás" (Deut. 10:20); mas Jesus veio para completar a lei de facto disse: "De maneira nenhuma jureis" (Mat. 5:34), portanto Jesus disse não só para não jurar falso mas também para não jurar de modo algum. As palavras de Jesus são claras; nós crentes não devemos jurar em nenhuma circunstância e por nenhum motivo. Isto o confirmou também Tiago dizendo: "Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento" (Tiago 5:12).

ŸJesus não disse para não jurar por Deus’. Jesus, dizendo-nos para não jurar pelo céu implicitamente nos disse para não jurar por Deus porque ele disse que "o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele" (Mat. 23:22); portanto é falso quanto dizem os teólogos católicos romanos.

Ÿ Paulo jurou, de facto, disse aos Gálatas: "Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto" (Gal. 1:20); aos Romanos: "Deus... me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós, pedindo sempre em minhas orações" (Rom. 1:9); e aos Coríntios: "Invoco, porém, a Deus por testemunha sobre a minha alma, que para vos poupar não tenho até agora ido a Corinto" (2 Cor. 1:23). Mas onde está nestas palavras de Paulo o juramento? Nós não o vemos. O apóstolo usou estas expressões para testificar que ele dizia a verdade porque Cristo falava nele. Mas nunca se pôs a jurar em nome de Deus que ele afirmava a verdade: como poderia Paulo pôr-se a jurar quando Jesus tinha dito: "De maneira nenhuma jureis" (Mat. 5:34) e depois dizer aos santos: "O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco" (Fil. 4:9)?

Ÿ Na epístola aos Hebreus está escrito que "os homens juram por quem é maior do que eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de toda contenda" (Heb. 6:16). Com estas palavras não nos é dito que nós podemos jurar, antes de mais porque quando o escritor diz "os homens juram" não se está referindo aos santos mas aos homens do mundo que também naquele tempo costumavam jurar por alguém maior do que eles; e depois porque este discurso sobre o juramento o escritor aos Hebreus o fez para fazer compreender aos crentes Judeus que como os homens juram por alguém maior do que eles para pôr fim a toda a contenda assim também Deus para "mostrar mais abundantemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu conselho, se interpôs com juramento; para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos poderosa consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta" (Heb. 6:17,18). E como Deus não podia jurar por alguém maior do que ele jurou por si mesmo. O juramento com o qual Deus se interpôs para nos consolar é o que ele fez ao seu Filho: "Jurou o Senhor, e não se arrependerá; Tu és sacerdote eternamente" (Heb. 7:21). Sabemos que Deus não pode mentir e mantém os juramentos feitos; por exemplo quando ele prometeu com juramento a Abraão de abençoá-lo e multiplicá-lo grandemente, ele cumpriu a palavra lhe dita porque está escrito: "E assim, tendo Abraão esperado com paciência, alcançou a promessa" (Heb. 6:15).

ŸDebaixo da lei era admitido jurar’. Sim, debaixo da lei era admitido jurar; mas debaixo da lei eram admitidas muitas outras coisas como por exemplo a circuncisão na carne, a observância do sábado, que com a vinda de Cristo foram anuladas. Portanto não se pode fazer este raciocínio para sustentar o juramento debaixo da lei de Cristo; Jesus o disse claramente: "De maneira nenhuma jureis" (Mat. 5:34). O motivo pelo qual nós não devemos jurar com nenhum juramento? O diz Tiago: "Para que não caiais em condenação" (Tiago 5:12).

Nós Cristãos somos chamados a dizer a verdade em todas as circunstâncias; sabemos que Deus aborrece a mentira e que ele pune a falsa testemunha tanto quando diz o falso testemunho depois de ter jurado como quando diz sem fazer algum juramento, e isso nos incute temor.

 

O não manter um juramento feito aos próprios inimigos é um acto condenado pela lei de Deus

 

O não manter um juramento feito é pecado diante de Deus de facto na lei está escrito: "Isto é o que o Senhor ordenou: Quando um homem … fizer juramento, ligando a sua alma com obrigação, não violará a sua palavra: segundo tudo o que saiu da sua boca, fará" (Num. 30:2); portanto se alguém jura (mesmo se não é lícito debaixo da graça) deve manter a palavra dada, mesmo a um inimigo, se não quer ser julgado por Deus. Nos Salmos está escrito: "Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça... aquele que jura com dano seu, e contudo não muda" (Sal. 15:1,2,4). Mas assim não pensa a igreja romana quando se trata de defender os seus interesses. Em verdade, da cúria romana não se pode confiar nem sequer quando jura em nome de Deus!

 

O juramento com reserva é condenado por Deus

 

Vimos que debaixo da graça jurar não é mais lícito, que infringir um juramento feito aos próprios inimigos é pecado, vejamos agora por que é que o chamado juramento com reserva é condenado por Deus. Este juramento é um juramento falso porque quem jura não o faz sinceramente mas com a firme intenção de não observar o juramento feito de facto acrescenta ao juramento uma qualquer reserva que segundo ele lhe permitirá no momento oportuno infringir o juramento feito sem por isso cometer algum mal. Naturalmente quem o ouviu jurar pensa que ele tenha jurado sinceramente, mas isso porque não sabia nada da sua reserva mental admitida pela teologia romana. A lei diz: "Não jurareis falso pelo meu nome, pois profanarás o nome do teu Deus. Eu sou o Senhor" (Lev. 19:12). As coisas são claras. Eis agora o que diz a Escritura a propósito desta gente que jura falsamente. Deus diz em Malaquias: "E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente" (Mal. 3:5), e em Jeremias afirma: "E ainda que digam: Vive o Senhor; de certo falsamente juram. Ó Senhor, acaso não atentam os teus olhos para a verdade?" (Jer. 5:2,3). Portanto saibam todos aqueles que juram com a intenção de não manter o juramento que atraem sobre a sua cabeça a ira e o juízo de Deus. Uma observação final que me parece devida. Estando assim as coisas sobre o juramento pergunto aos que são a favor do ecumenismo:Como podeis confiar em todas as belas promessas feitas a vós pela cúria romana quando a sua teologia permite em alguns casos até o falso juramento?

 

 

O HOMICÍDIO

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

É lícito matar para defender-se. No Dicionário de moral católica na palavra Defesa lê-se:Dado que dela somos só os depositários, nós temos, diante de Deus e diante do próximo, o dever de defender a nossa vida se for injustamente ameaçada. Quem mata o seu agressor não desobedece à lei divina: ele procura defender-se (acto voluntário directo) e não matar (acto voluntário indirecto)’ (Jean-Louis Bruguès, Dizionario di morale cattolica [Dicionário de moral católica] , Bologna 1994, pag. 122).

 

Confutação

 

Matar o próprio agressor é pecado

 

Ainda uma vez temos que constatar quanto a igreja católica romana não tem em nenhuma consideração a Palavra de Deus porque afirma que não só se deve usar violência em relação ao próximo se este nos assalta como também que no caso de o se matar não se desobedece à lei divina. Jesus o disse claramente: "Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil" (Mat. 5:38-41). Portanto como seus discípulos nós não devemos responder à violência com a violência porque um semelhante comportamento vai tanto contra as palavras de Cristo Jesus como contra o seu exemplo (e não poderia ser doutra forma porque Jesus o que disse aos outros para fazerem o fez ele mesmo). A Palavra de Deus de facto diz que ele "foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca" (Is. 53:7). Ele nunca respondeu com a violência aos seus agressores e perseguidores. O demonstrou quando um dos guardas lhe bateu enquanto se encontrava diante do sumo sacerdote (cfr. João 18:22) e quando foi ferido pelos soldados do governador (cfr. Mat. 27:27-31). E não só, mas também quando Pedro no horto do Getsêmani puxou da sua espada e feriu o servo do sumo sacerdote em defesa do Mestre, com efeito, naquela ocasião Jesus admoestou Pedro dizendo-lhe: "Mete a tua espada no seu lugar; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão" (Mat. 26:52). Ele pois não permitiu nem que os seus discípulos combatessem por ele para que não fosse entregue aos seus inimigos. Mas como vimos aos Católicos romanos, e em primeiro lugar aos seus papas, não importa nada as santas palavras de Jesus e o exemplo perfeito que nos deixou Jesus. Basta considerar que os guardas encarregados da defesa dos papas têm a ordem de matar aqueles que ponham em perigo a vida deles para se dar conta disto.

 

 

O PAGAMENTO DOS TRIBUTOS

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

As igrejas e os eclesiásticos, em virtude de um privilégio que têm por direito divino, não são obrigados a pagar direitos, impostos e tributos às autoridades civis. ‘É proibido, sob pena de excomunhão, aos magistrados seculares impor às igrejas encargos, como contribuições, remessas, e outros semelhantes’ (Decretal. Tit. XLIX De imm. Eccl. cap. 4. Non minus);As colectas para os militares, as hospitalidades, e outros encargos sobre as Igrejas, e lugares pios, e sobre os eclesiásticos, e os impostos sobre os seus bens, ou frutos, mesmo pagos espontaneamente, são proibidos aos leigos, sem que a autoridade Apostólica o permita’ (Urbano VIII p., Bula de 5 de Junho de 1641); ‘As Igrejas não são obrigadas a pagar impostos; nem os lugares pios, nem os eclesiásticos, ou Seculares ou Regulares de ambos os sexos. Não podem ser sobrecarregados, seja directamente, seja indirectamente, de impostos, de tributos e outros encargos, sobre os bens que possuem, ou em título do seu cargo, ou em qualquer outro modo, como por exemplo a título de herança, ou de doação etc., porque os direitos referidos falam indistintamente’ (Felice Potestà, Exam. Eccl. tom. 1, part. 2, De primo praec. Decal. cap. 4). Eis por que o art. 16 do Tratado de Latrão isenta muitos imóveis do Vaticano (os citados nos artigos 13,14,15,16)de tributos seja ordinários ou extraordinários tanto para com o Estado quanto para com qualquer outra entidade’ e o art. 17 isenta de qualquer tributo para com o Estado as retribuições devidas a dignitários, empregados e assalariados da ‘Santa Sé’ e de outras entidades centrais da Igreja, também fora de Roma [5]; e o art. 20 isenta de todos os direitos aduaneiros as mercadorias importadas pela Cidade do Vaticano e por instituições e ofícios da ‘Santa Sé’ também fora de Roma; porque a igreja católica considera ter o direito de não pagar tributos e impostos aos governantes. Este direito faz parte das imunidades eclesiásticas [6]. Para sustento deste seu direito (considerado de natureza divina) de não pagar os tributos ao Estado a igreja católica romana toma as palavras de Jesus: "Logo, são isentos [ dos tributos] os filhos" (Mat. 17:26); e as seguintes palavras escritas na história de José: "José, pois, estabeleceu isto por estatuto quanto ao solo do Egito, até o dia de hoje, que a Faraó coubesse o quinto da produção; somente a terra dos sacerdotes não ficou sendo de Faraó" (Gen. 47:26) [7].

 

Como o Vaticano pode reagir se lhe for negado este seu chamado direito

 

A propósito deste seu chamado direito de não ter de pagar as taxas às autoridades quero recordar alguns factos verificados há algumas décadas que fazem perceber como o Vaticano pode reagir quando lhe é negado por parte do governo estatal este seu chamado direito.

Em 1935 o governo fascista tinha imposto sobre os dividendos uma taxa especial, taxa que os atingia na origem. As sociedades, antes de distribuir aos accionistas os dividendos, deviam deduzir deles a taxa em questão (10% num primeiro momento, aumentada a seguir para 20%), depositando directamente no ministério das Finanças a soma correspondente. A taxa se chamou ‘cedular’ por ser aplicada às cédulas ou cupões. O Vaticano que naquele tempo tinha medo do regime fascista não disse uma palavra e pagou regularmente a taxa. Em 1942 o ministério das Finanças dava disposição a todos os ofícios competentes de isentar a ‘Santa Sé’ do pagamento da ‘cedular’. A circular era assinada pelo então Director Geral do ministério das Finanças que se chamava Buoncristiano, e elencava as organizações que pertenciam à ‘Santa Sé’: o Santo Ofício, a Congregação Consistorial, a do Concílio, a Congregação para os Religiosos, Propaganda Fide, a Congregação para as Universidades e Seminários, a Fábrica de São Pedro, os Tribunais Vaticanos da Penitenciaria Apostólica, da Assinatura Apostólica e da Sacra Rota, além dos seguintes ofícios; a Chancelaria Apostólica, a Reverenda Câmara Apostólica, a Secretaria de Estado, a Administração dos Bens da Santa Sé, a Administração Especial e o Instituto para as Obras de Religião. A respeito deste Instituto era dito entre parêntesisenquanto administra fundos pertencentes à Santa Sé’. A 29 de Dezembro de 1962, o governo italiano aplicou de novo uma taxa de 15% sobre os cupões, aumentando-a a seguir até 30%. Esta taxa foi chamada ‘cedular seca’. O Vaticano aceitou oficialmente a imposição da cedular sem protestar, mas logo iniciou negociações secretas com o Governo italiano. As negociações se concluíram em Outubro de 1963 com uma troca de notas entre o Secretário de Estado, cardeal Cicognani, e o embaixador de Itália junto da ‘Santa Sé’, Bartolomeo Migone. Eis algumas palavras do texto da nota do cardeal Cicognani datada de 11 de Outubro de 1963:No espírito da nossa Concordata com respeito à citada lei n. 1745, seria desejável também agora o reconhecimento de um tratamento facilitador para a Santa Sé. Portanto proponho: que a retenção do adiantamento ou do imposto instituído com a lei de 29 de Dezembro de 1962, não seja aplicado, com decorrência da instituição da mesma, sobre os úteis em qualquer forma ou sob qualquer denominação distribuídos pelas sociedades e tocantes à Santa Sé (..) Se por acaso o Governo italiano aceitasse a proposta contida na presente carta, Lhe pedirei para que me dê cortês confirmação disso’. Naquele mesmo dia o embaixador italiano respondia:Eminência Reverendíssima, tenho a honra de acusar a recepção da nota de Vossa Eminência Reverendíssima em data hodierna, assim concebida: (segue-se o texto completo da carta do cardeal Cicognani). Tenho a honra de trazer ao conhecimento de Vossa Eminência Reverendíssima que o Governo italiano está de acordo sobre quanto forma objecto da Nota acima reportada..’. O governo de então era um governo provisório e era chefiado por Giovanni Leone. A coisa porém foi mantida secreta; nem o Parlamento e nem a opinião pública foram informados. Cerca de um mês depois, a 13 de Novembro de 1963, o ministro das Finanças Mario Martinelli enviou uma circular à Associação das Sociedades italianas por Acções e à Associação dos Bancos, ordenando não deduzir 30% dos dividendos das acções de propriedade da Santa Sé. Este documento foi emanado porém nestas circunstâncias: a troca de notas entre o cardeal Cicognani e o embaixador Migone não tinha sido aprovado pelo Parlamento que não sabia nada delas, e o governo se tinha demitido oito dias antes de Martinelli ter assinado a circular, ou seja, quando já Martinelli não era mais ministro das Finanças. Quando depois Aldo Moro formou o novo governo, Roberto Tremelloni ocupou o lugar de Martinelli na pasta das Finanças. Descoberta a existência da circular Tremelloni ficou indignado e ameaçou demitir-se se não fosse imediatamente anulada. Então Moro propôs um compromisso para resolver a embaraçante situação; o Governo italiano apresentaria ao Parlamento um projecto de lei para ratificar a troca das Notas, fazendo assim legal a circular de Martinelli mesmo se com efeito retroactivo. O Vaticano, por sua vez, informaria o Governo italiano do exacto montante dos títulos accionários em sua posse para que o Governo pudesse saber e referir ao Parlamento que valores eram isentados do pagamento da ‘cedular’. O compromisso porém não foi aceite nem pelo cardeal Cicognani, o qual se recusou a revelar o montante dos investimentos do Vaticano, nem pelos socialistas do Governo. Em Junho 1964, caído o Governo, Moro formou uma segunda coligação de governo. Então o Vaticano ameaçou, se as coisas não se resolvessem como queria, de lançar no mercado todos os títulos accionários em sua posse. E dado que naquele tempo a Bolsa estava em crise, se o Vaticano tivesse posto em prática a ameaça, o seu gesto teria tido consequências desastrosas para a economia italiana. O Governo então foi obrigado a render-se (certamente o partido democrata-cristão não se rendeu de má vontade), e em Outubro de 1964 foi preparado um projecto de lei, que devia ratificar a troca de Notas entre o Governo e o Vaticano, acontecida um ano antes. A lei foi aprovada pelo Conselho de Ministros; mas a coisa acabou ali porque aquela lei não foi apresentada ao Parlamento para ser aprovada, rejeitada ou modificada. O Vaticano entretanto continuava a não pagar a taxa; a imprensa de esquerda então em 1967 atacou o Governo, queria saber por que razão o Vaticano não pagava a taxa, quanto não pagava e quantos títulos possuía em Itália. Começaram assim a sair dados. Em Janeiro de 1968 o Presidente do Conselho Giovanni Leone declarou no Senado: ‘O Governo não proporá o projecto de lei de ratificação e portanto a Santa Sé pagará o imposto segundo quanto estabelecido pela lei’. O Vaticano então se resignou e fez saber que pagaria a cedular e pediu a rateação das quotas retroactivas. Mas quantos títulos accionários possuia o Vaticano em Itália naquele tempo? Possuia títulos accionários num valor de cerca de cem mil milhões de liras italianas. Em Fevereiro de 1968, com efeito, o ministro das Finanças Preti, no curso de um debate na Comissão Parlamentar para os Negócios Estrangeiros, disse que a Santa Sé possuia títulos accionários italianos num valor de cerca de cem mil milhões, com um dividendo que oscilava entre três e quatro mil milhões ano. Deve ser dito porém que o Vaticano embora aceitando pagar a cedular continuou a protestar em linha de princípio sustentando que a isenção lhe era devida tanto juridicamente enquanto entidade moral e entidade internacional como com base na Lei das Garantias e na Concordata.

 

Confutação

 

Cristo quando fundou a sua Igreja, e os apóstolos a seguir nunca afirmaram que os bens materiais da Igreja e aqueles que nela desenvolvem uma particular obra têm o direito divino de ser isentados do pagamento dos tributos ao Estado

 

Jesus disse: "Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mat. 22:21). E se tenha presente que estas palavras ele as disse aos Judeus que estavam naquele tempo sob a dominação romana e por isso escravos de uma outra nação no próprio território que Deus tinha dado a Abraão como herança perpétua. Paulo além disso escreveu aos santos de Roma: "Dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto..." (Rom. 13:7).

As coisas são claras: todos os crentes são chamados em qualquer nação que vivam a pagar ao Estado de que fazem parte os tributos que ele lhes impõe. Esta obrigação se estende portanto também aos ministros do Evangelho que são a tempo inteiro e portanto vivem do Evangelho não tendo um trabalho secular. No seu caso porém é preciso ter presente a legislação do Estado na matéria, porque em alguns casos o Estado - quando o pastor (etc.) de uma Igreja não tiver determinados requesitos, como o de fazer parte de uma igreja reconhecida por ele como entidade jurídica - não exige o pagamento das taxas sobre os seus rendimentos (me refiro aqui às ofertas ou ao ordenado que recebe da igreja em que cumpre o seu ministério). À luz do ensinamento da Palavra de Deus portanto, não há ministro do Evangelho na Igreja que pode afirmar ter recebido de Deus o direito de não pagar taxas sobre os seus rendimentos por este ou por aquele motivo. Também por quanto respeita às propriedades que pode possuir ou delas entrar em possessão o ministro do Evangelho, ou uma Igreja, vale o mesmo discurso; não existe um direito baseado no no Evangelho pelo qual estas propriedades têm o direito de ser isentas de imposto. Considerando bem a coisa, temos que dizer que se Deus tivesse dado este direito a alguns seus servos e à sua Igreja, o que implicaria que o Estado tinha a obrigação da parte de Deus de não impor taxas aos ministros de Igreja e às suas propriedades ou às propriedades da Igreja (se esta as viesse a possuir), Ele se teria feito culpado de uma injustiça que faria blasfemar a sua doutrina. Mas Deus é justo e não pode cometer injustiças de nenhum género; por isso não concedeu aos seus ministros e à sua Igreja um tal direito que se revelaria em relação aos outros cidadãos de uma nação uma evidente injustiça. Erram pois os teólogos papistas no afirmar que os ministros e as instituições da igreja católica romana têm o direito de ser isentados de pagar os tributos às autoridades civis em virtude de um privilégio lhes concedido por Deus. E como sempre acontece todas as vezes que homens que se dizem Cristãos e ministros da Igreja de Deus se arrogam em relação ao Estado de direitos inexistentes, eles são blasfemados. E de facto, para citar um exemplo entre muitos, num livro que fala dos Pactos Lateranenses, escrito por parte não católica, antes do início da exposição do Tratado e da Concordata de 1929 se lêem estas palavras de advertimento:Poucos italianos conhecem ainda os Pactos Lateranenses. O que se segue é o texto integral. As partes em negrito são as particularmente lesivas para a Constituição italiana e evidenciam os grandes privilégios e as ingerências da igreja romana’. E entre as partes em negrito estão também o art. 17 e o art. 20 do Tratado, e a letra H do art. 29 da Concordata.

Por quanto respeita às palavras de Jesus a Pedro com as quais o Senhor afirmou que os filhos são isentos dos tributos deve ser dito que com aquelas palavras Jesus não conferiu aos seus discípulos nenhum direito de não pagar os impostos porque com aquela resposta quis somente dizer a Pedro que ele como Filho do Rei de Israel tinha o direito de não pagar os tributos que todo o Israelita de vinte anos para cima devia pagar para o mantimento do culto a Deus. Mas este direito o tinha apenas ele, e não também Pedro com ele. Mas ainda assim, Jesus quis pagar o tributo lhe imposto pelos homens para não escandalizá-los e por isso mandou Pedro ao mar lançar o anzol porque encontraria na boca do primeiro peixe o dinheiro a dar aos que cobravam as didracmas. E não só o dinheiro que ele devia pagar, mas também o que Pedro devia pagar de facto Jesus lhe disse: "...tira o primeiro peixe que subir e, abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-lho por mim e por ti" (Mat. 17:27). Belo exemplo este de Jesus do que significa não servir de tropeço aos homens. Por quanto respeita por fim ao facto dos sacerdotes do Egipto cujas terras não foram adquiridas por José para Faraó (eles recebiam de facto de Faraó uma ração e viviam dela, por isso não venderam as suas terras), pelo que eles não foram obrigados a pagar a quinta parte da produção das suas terras, se tenha presente que isso dizia respeito a sacerdotes pagãos. Eles eram sustentados por Faraó que era também ele pagão. Naquele comportamento de Faraó para com aqueles sacerdotes não se reconhece nenhum direito divino, para os ministros do Evangelho ou para as igrejas, de não pagar impostos sobre os seus bens.

 

 

O FURTO

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

O furto em alguns casos não é uma injustiça. ‘O furto em caso de necessidade ou o direito dos pobres - É um problema clássico e revela bem o espírito do cristianismo, o qual recusa dar um carácter absoluto ao direito de propriedade. É chamado também o direito dos pobres. É necessário distinguir dois casos: a miséria e a simples pobreza. a) Há miséria quando faltam os bens necessários à sobrevivência e indispensáveis para a vida física. Quem se encontra nesta situação tem a vida em perigo. Neste caso, se não tem outros modos para sair da miséria, não só pode, mas deve tomar o bem de que tem imediatamente necessidade lá onde se encontra, salvo obviamente junto de quem é igualmente ou mais miserável do que ele, sem cometer nem furto, nem injustiça. Até, neste caso, uma terceira pessoa pode ajudar o necessitado com os bens de um outro’ (Jean-Marie Aubert, op. cit., pag. 405).

 

Confutação

 

O furto é abominável a Deus

 

A Escritura diz: "Não furtarás" (Ex. 20:15). Isto o diz ao rico e ao pobre, ao sábio e ao ignorante, aos Judeus e aos Gentios, em suma a todos. Se desta ordem estivessem dispensados os miseráveis Deus faria acepção de pessoas em relação aos miseráveis, mas o mandamento é também para eles e se o infringem pecam porque o pecado é a transgressão da lei. Certo, a Escritura diz que "não se injuria o ladrão, quando furta para saciar-se, tendo fome" (Prov. 6:30), mas atenção, a Escritura não o justifica, porque logo depois diz que "se for achado pagará o tanto sete vezes; terá de dar todos os bens da sua casa" (Prov. 6:31). Isto significa que também a consciência de quem furta por fome acusa o ladrão; por que motivo de facto ele estaria disposto a reparar o dano feito pagando o tanto sete vezes ou todos os bens da sua casa se fosse achado? Não é porventura porque percebe, em virtude da voz da sua consciência, que ele está fazendo algo de mal? E depois não diz porventura a sabedoria também que "suave é ao homem o pão defraudado, mas depois a sua boca se encherá de cascalho" (Prov. 20:17)? Portanto também quem rouba o pão do outro para matar a fome no fim sentirá o remorso da consciência dentro dele. E isto porque ele pecou contra Deus, e o salário do pecado é a morte. Pensai em Jesus no deserto depois que passou quarenta dias sem comer; ele teve fome. Segundo a teologia romana ele poderia matar a fome roubando a alguém o que lhe faltava para sobreviver sem cometer uma injustiça! Mas que fez Jesus? Confiou no seu Pai e o esperou, e Ele enviou os seus anjos para servi-lo. Jesus naquela ocasião nunca se permitiria a roubar sequer uma migalha ao seu próximo porque ele temia e amava a Deus. Se ele tivesse raciocinado como raciocinam os papas ele teria pecado e não teria podido nos redimir. Mas como vimos para a teologia papista também é lícito a alguém roubar para ajudar os necessitados com o que roubou, porque também isto não é uma injustiça. E também aqui temos que dizer que esta doutrina é do diabo e não de Deus porque o mandamento de não roubar vale em todas as circunstâncias da vida. Não se pode roubar a alguém para poder suprir as necessidades dos outros com o objecto roubado porque a Escritura diz: "Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade" (Ef. 4:28). Notai que é trabalhando honestamente que se deve vir ao encontro dos necessitados e não roubando aos outros. O apóstolo diz também num outro lugar que "se há prontidão de vontade, é aceitável segundo o que alguém tem, e não segundo o que não tem" (2 Cor. 8:12) ou que tem por tê-lo roubado aos outros. Em outras palavras se estamos prontos a ajudar o nosso próximo a nossa prontidão será aceitável aos olhos de Deus com base no que temos mas também que obtivemos honestamente. Se na lei era proibido trazer para a casa de Deus o salário de uma meretriz porque a oferta estava contaminada pelo pecado (neste caso pelo pecado de fornicação), por que deveria ser aceitável a Deus uma oferta feita ao nosso próximo necessitado com dinheiro ou com outra coisa roubado? Não seria esta uma contradição em que Deus cairia? Não, Deus não caiu em nenhuma contradição porque proíbe o roubar em qualquer circunstância e por qualquer motivo. O fim não justifica os meios para o cristão. Queres ajudar o teu próximo, diz Deus? Fá-lo honestamente, com os teus bens e não vás roubar os dos outros. A Palavra de Deus é clara e não deixa espaço para opiniões de nenhum género. Mas nós queremos perguntar a estes teólogos papistas? Mas nunca lestes que Deus disse: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mat. 22:39) e ainda que "o amor não faz mal ao próximo" (Rom. 13:10)? Ou que nós devemos fazer aos outros tudo o que queremos que os outros façam a nós (cfr. Mat. 7:12)? Como podeis pois dizer que roubar a alguém para ajudar os necessitados seja lícito? E depois ainda: Mas não vos dais conta que tendo uma semelhante conduta, mesmo se o fim é bom, não se acaba senão por fazer blasfemar a doutrina e o nome de Deus? Arrependei-vos, deixai de raciocinar desta maneira perversa.

 

 

O MONAQUISMO

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

É coisa boa e meritória isolar-se do mundo e dar-se à vida monástica. Por monaquismo se entende a vida ascética em comum ou vida cenobítica nascida no Oriente no século quarto a qual se difundiu quase contemporaneamente também no Ocidente. Inicialmente o monaquismo era pouco ou mal organizado mas com Bento de Núrsia ele recebeu uma regra bem precisa, a chamada regra de Bento que contribuiu muito para desenvolver o monaquismo tanto masculino como feminino. O próprio Bento construiu um mosteiro em Montecassino em torno de 529. Deste monte, segundo Urbano II ‘como de paradisíaca fonte brotou a veneranda instituição da Ordem monástica’. Na Idade Média este monte chegou a ser comparado ao monte Sinai. Pelo que diz respeito à regra de Bento de Núrsia ela diz que o monge deve renunciar a todos os bens materiais privados, permanecer casto e viver na mais profunda pobreza pessoal. Além disso, no que diz respeito às suas actividades diárias elas são a oração, a leitura e o trabalho.

 

Confutação

 

O monaquismo não está em harmonia com o ensinamento de Jesus Cristo

 

O monaquismo não é bíblico porque os crentes, segundo o ensinamento do Senhor, não são chamados a fazer uma vida de eremitas, no deserto ou sobre um monte, longe das pessoas, mas são, pelo contrário, chamados a viver no meio desta geração pecadora resplandecendo como luminares. Isto o disse Jesus quando disse aos seus: "Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus" (Mat. 5:14-16). Jesus mesmo que era a luz do mundo viveu no meio da gente deste mundo, o seu ministério não o cumpriu num recanto deste mundo, mas publicamente no meio dos pecadores. Comeu e bebeu junto com os publicanos e os pecadores, ensinou pelas ruas, pelas praças, nos montes, nas margens do mar da Galiléia, nas sinagogas e no templo que eram os lugares onde os Judeus se reuniam para ouvir a lei e os profetas. Alguém dirá:Mas também Jesus se apartou para o monte com Tiago, João e Pedro, também ele se retirava para os lugares desertos!’ Sim, é verdade, mas é também verdade que nestes lugares desertos ele não ficou ali toda a sua vida como os monges ou as monjas de clausura. Ele se retirava para os lugares desertos para orar conforme está escrito: "Se retirava para os lugares desertos, e ali orava" (Lucas 5:16), e: "Subiu ao monte para orar à parte" (Mat. 14:23), mas pouco depois voltava para as povoações e para as cidades para pregar o Evangelho e curar aqueles que necessitavam de cura. Também nós estamos persuadidos que é coisa boa de vez em quando apartarmo-nos para lugares solitários, longe do barulho da cidade ou da povoação, para orar ou meditar ou ler a Palavra de Deus; mas sentimos sempre ter que voltar para o meio da gente que não conhece o Senhor para testemunhar-lhe com as nossas palavras e com as nossas obras o Evangelho de Deus. Para que serve a candeia se depois de ter sido acesa é posta debaixo da cama? Para nada. Da mesma maneira, que proveito terão deles as pessoas do mundo se os discípulos de Cristo se refugiam em algum lugar perdido da terra para viver como eremitas? Nenhum.

Recordamos depois que tanto nos mosteiros dos monges como nos conventos das monjas, o facto deles terem que renunciar a casar-se para viver como pessoas castas, alimenta tanto a fornicação como a sodomia. Há abundantes factos que comprovam isso. Esta é uma das nefastas consequências do monaquismo. Isso nos ensina que todas as vezes que se viola a Palavra de Deus e se estabelecem preceitos humanos que se desviam da verdade os frutos não podem senão ser venenosos.

 

 

COLARES, ANÉIS, BRINCOS, ETC.

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

É lícito à mulher usar colares, anéis, brincos, etc. ‘É verdade que a Bíblia proíbe o uso de colares, anéis, brincos e qualquer outro tipo de adorno? Não é verdade. A Bíblia proíbe somente o uso dos adornos, que podem favorecer o orgulho pessoal e o desprezo dos pobres (Cfr Gn 41,42; Jt 10,4)’ (Amatulli Flaviano, op. cit., pag. 166). A passagem citada do livro de Judite diz: ‘Calçou (Judite) sandálias e enfeitou-se com braceletes, colares, anéis, brincos e todas as suas jóias. Ficou belíssima, capaz de seduzir os homens que a vissem’. Além destas passagens Amatulli cita - em favor do adorno exterior - a passagem no livro do Cântico dos cânticos que diz: ‘Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, e formoso o teu pescoço com os colares" (Cant. 1:10); e aquela que em Lucas diz que o pai do filho pródigo na sua volta ordenou que se vestisse com o melhor vestido e se lhe pusesse um anel no dedo (Lucas 15:22).

 

Confutação

 

A Escritura ordena que o adorno da mulher não deve ser o exterior; por isso ela deve rejeitar anéis, colares, brincos, braceletes, etc.

 

A apóstolo Paulo diz a Timóteo: "Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e pudor, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras" (1 Tim. 2:9,10), e a apóstolo Pedro diz às mulheres: "O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito benigno e pacífico, que é precioso diante de Deus. Porque assim se adornavam antigamente também as santas mulheres que esperavam em Deus..." (1 Ped. 3:3-5). Como se pode ver Deus quer que as mulheres não ponham em cima de si nem jóias de ouro e nem pérolas, e portanto condena o vestir colares, brincos, braceletes, anéis e por aí fora. Não é bastante clara a Escritura a tal respeito? São precisamente estes adornos (colares, brincos, anéis, braceletes etc.) que favorecem o orgulho conforme está escrito no livro do profeta Ezequiel: "Converteram em soberba a formosura dos seus adornos" (Ez. 7:20). Por isso, ó mulheres que professais a religião católica romana, sabei que quando uma mulher se arrepende dos seus pecados e crê em Jesus Cristo, torna-se uma filha de Sara, e ela deve deixar de vestir todo o tipo de jóias; mesmo o anel nupcial, cujo uso, além de mais, se baseia numa superstição.

 

 

CABELO, CALÇAS, VÉU, ENSINAMENTO

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

A mulher pode usar calças, e pode ensinar, e não é obrigada a pôr o véu sobre a cabeça quando ora. Por que na igreja Católica as mulheres fazem coisas que não estão de acordo com a Bíblia, como por exemplo cortar o cabelo, usar calças, não cobrir a cabeça com o véu, pregar, etc.? Nem tudo o que se encontra na Bíblia é doutrina. A Bíblia contém também costumes, que não somos obrigados a observar’ (Amatulli Flaviano, op. cit., pag. 178) [8].

 

Confutação

 

A Escritura diz que o cabelo comprido é uma honra para a mulher, que se deve vestir à mulher e com modéstia e pudor, que deve cobrir a cabeça quando ora ou profetiza e que não lhe é permitido ensinar

 

Pela resposta de Amatulli se evidência claramente o porquê de todas as coisas que as mulheres fazem na igreja católica romana e que são proibidas pela Escritura serem tranquilamente aceites. A Escritura ensina que o cabelo comprido para a mulher é uma honra e portanto o cortar o cabelo é uma desonra, como para o homem é desonra deixar crescer o cabelo sobre a cabeça (cfr. 1 Cor. 11:15,6,14) [9]. A Escritura diz que a mulher deve ter sobre a cabeça, por causa dos anjos, um sinal da autoridade da qual depende, e que este sinal é o véu (cfr. 1 Cor. 11:10). Por isso está escrito que a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra o seu cabeça (cfr. 1 Cor. 11:5). Se o homem desonra o seu cabeça, ou seja, Cristo, orando ou profetizando com a cabeça coberta; assim a mulher desonra o seu cabeça, ou seja, o homem, se ora ou profetiza com a cabeça descoberta. A Escritura ensina que a mulher se deve vestir com pudor e modéstia; as calças são vestimentas indecentes para as mulheres. Na lei está escrito que a mulher não se deve vestir como o homem (cfr. Deut. 22:5). A Escritura ensina por fim que à mulher não é permitido ensinar de facto Paulo diz que não permite que a mulher ensine (cfr. 1 Tim. 2:11,12). Recordamos que Jesus escolheu e enviou a pregar doze homens, e depois setenta; e não mulheres. As mulheres o seguiam e o serviam (cfr. Lucas 8:2,3). Quem tem ouvidos para ouvir ouça.

 

 

O FUMO

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

Fumar não é pecado enquanto não se abusar do fumo.É pecato fumar? Na medida em que o fumar causa dano para a saúde, é pecado. Dizer que não se pode fumar nem um cigarro, é um exagero, que serve somente para ‘favorecer o orgulho próprio’ (Amatulli Flaviano, op. cit., pag. 182). Em outras palavras, para a igreja católica romana abusar do fumo é pecado, não abusar dele não é pecado. Isto é confirmado também pelo catecismo que diz:A virtude da temperança dispõe a evitar toda a sorte de excessos, o abuso dos alimentos, do álcool, do tabaco e dos medicamentos’ (Rino Fisichella, op. cit., pag. 423).

 

Confutação

 

Fumar, ou pouco ou muito, é pecado

 

Este ensinamento católico é falso porque Paulo diz aos Coríntios: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo" (1 Cor. 3:16,17), e ainda: "Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo" (1 Cor. 6:19,20). Um crente deve-se pois abster totalmente de fumar para não contaminar e danificar o seu corpo que é o templo do Espírito Santo. Dizer que um crente pode fumar pelo menos um cigarro por dia, mas cinquenta cigarros não os pode fumar é como dizer que uma mentira por dia a se pode dizer, mas cinquenta não, em suma que mentir é lícito mas abusar da mentira não.

 

 

A DANÇA

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

A dança num clima de são divertimento é admitida. É verdade que é pecado dançar?’ Tudo depende de que tipo de dança se trata. Se se realiza num clima de desordem moral, é pecado; se se faz num clima de são divertimento, é bom’ (Amatulli Flaviano, op. cit., pag. 155), depois de que vem citada a passagem da Escritura em que se diz que Davi e todo o Israel dançavam perante Deus com todas as suas forças.

 

Confutação

 

A dança num clima de ‘são’ divertimento é uma concupiscência carnal da qual os santos se devem abster

 

Esta resposta de Amatulli faz claramente perceber que a dança feita num clima de ‘são’ divertimento é consentida pela igreja católica romana. Mas o que se entende por clima de são divertimento? Julgo que basta observar o clima que numa qualquer terra desta nação reina quando chega o dia da festa do ‘patrono’ da terra para se dar conta dele. Não é porventura verdade que naqueles dias os Católicos respiram ar de são divertimento? Certamente que assim é. Basta ir ou dentro das salas paroquiais ou noutros casos fora delas em lugares próximos do lugar de culto da igreja católica e se verão as festas com baile organizadas pela igreja católica romana com o dinheiro recolhido na terra em honra do seu chamado santo patrono. Por alguns dias músicos e cantores se alternam neste clima de são divertimento para entreter os habitantes da povoação com músicas de todo o género; e sobre o palco montado perante eles uma multidão de Católicos romanos, jovens e velhos, dançam ao som das suas músicas. Eis pois a dança feita num clima de são divertimento de que fala Amatulli Flaviano. Mas nós dizemos: Mas como se pode comparar a dança de Davi e do povo de Israel perante Deus feita na ocasião do transporte da arca do Senhor com esta dança a que se abandonam os Católicos romanos? Tem-se que ser forçosamente cego para fazê-lo. Aquela dança feita por Davi e pelo povo era uma dança que exprimia a sua alegria, mas também o seu reconhecimento para com Deus porque a arca depois de muito tempo era transportada para Jerusalém. E que aquela dança era algo que agradava a Deus percebe-se também pelo facto de por causa do facto de Mical, mulher de Davi, ter desprezado Davi porque o viu saltar e dançar diante de Deus, Deus ter punido Mical privando-a de filhos até à sua morte (cfr. 2 Sam. 6:16-23). Mas a mesma coisa não se pode dizer da dança a que se abandonam os Católicos romanos nestas festas patronais. Ela, de facto, é uma dança produzida pela lascívia e pela luxúria, em suma pelas concupiscências carnais, em nada expressão de alegria e de louvor a Deus. Esta dança a se pode comparar um pouco às danças a que se abandonaram os Israelitas quando fizeram o bezerro de ouro conforme está escrito que Moisés quando desceu do monte viu "o bezerro e as danças" (Ex. 32:19). Sim porque como aquelas danças eram feitas em honra do seu ídolo assim também as danças dos Católicos romanos são feitas em honra dos seus ídolos; que porém não têm a forma do bezerro de ouro, mas a forma de um personagem humano que é diferente conforme o lugar. Como os Israelitas se sentaram a comer e a beber e depois se levantaram para divertir-se, assim fazem os Católicos nestas ocasiões; comem e bebem e depois se põem a dançar ao som de música rock, ou disco, ou outra, em suma se divertem como fizeram os Israelitas. Tudo isto é abominável a Deus porque não glorifica Deus. Por dança em clima de são divertimento tolerado pela igreja católica romana deve-se entender também a que fez recentemente um padre de Nápoles. Eis a reportagem dela tirada de um periódico católico:Outros padres vão à discoteca para falar de Deus com os jovens; ele preferiu transformar o salão paroquial numa sala de dança, para afastar os rapazes dos riscos de sábado à noite e para aproximá-los à vida da comunidade. Padre Mario Rega, 58 anos, religioso dos Pios Operários Catequistas Rurais, é o inventor desta nova estratégia pastoral para superar a barreira entre Igreja e novas gerações: uma ideia que - assegura - já produziu frutos inesperados, trazendo para os bancos da igreja ou para as salas da catequese dezenas de rapazes e raparigas que antes ficavam a devida distância das portas do templo. Estamos no centro de Nápoles, na via Toledo, na histórica igreja de San Nicola alla Carità. Zona de fronteira entre a city dos negócios e osBairros espanhóis’, privada de lugares de agregação para os jovens mas densa de perigos para quem dispõe somente da rua como passatempo. ‘Via os rapazes ficar por horas nos bancos da rua’, conta o sacerdote,e me perguntava como poder estabelecer com eles um contacto’. Depois a intuição: usar o salão paroquial para fazer os jovens passar noites de divertimento seguras, longe da droga, álcool, acidentes da estrada. Padre Rega adquire as luzes e a aparelhagem de amplificação, pede ajuda para a organização aos rapazes que frequentam assiduamente a paróquia. No fim de novembro a discoteca estreia, e é já sucesso...’ (Jesus, Febbraio 1997, pag. 85). Ainda uma vez temos que constatar que para os padres vale sempre a máxima dos Jesuítas ‘o fim justifica os meios’. Me parece que toda a confutação seja supérflua! Com este nosso discurso quisemos demonstrar que a diferença entre os dois tipos de danças que faz Amatulli Flaviano não existe; é só um sofisma para justificar os bailes organizados pela igreja católica romana. Seja aqueles em honra do seu ‘santo patrono’ de turno, seja aqueles organizados à maneira daquele padre de Nápoles ou seja outros. Aliás, a igreja católica romana tem de cativar de alguma maneira a amizade e o favor dos seus fiéis que adoram divertir-se, de outro modo estes não se farão mais ver nos seus lugares de culto com grave prejuízo económico para as suas caixas. Portanto na raiz destes vãos raciocínios está ainda uma vez o amor pelo dinheiro.

 

 

AS PRESCRIÇÕES DA ASSEMBLEIA DE JERUSALÉM

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

As decisões tomadas pela assembleia de Jerusalém caíram por si e por isso não são mais válidas. A igreja católica romana ensina que a deliberação da assembleia de Jerusalém de nos devermos abster do sangue, das coisas sufocadas e das coisas sacrificadas aos ídolos hoje não é mais válida. Em 1442 o concílio de Florença de facto deliberou quanto segue:Também a proibição dos apóstolos das coisas imoladas aos simulacros, do sangue e das carnes sufocadas era adequada ao tempo em que dos judeus e gentios, que antes viviam praticando diferentes ritos e segundo diferentes costumes, surgia uma só igreja. Em tal modo judeus e gentios tinham observâncias em comum e a ocasião de se encontrarem de acordo num só culto e numa só fé em Deus, e vinha removida matéria de dissensão (...) Mas quando a religião cristã foi tão afirmada de forma a não haver mais nela algum Judeu carnal, mas antes todos de acordo tinham passado para a igreja, compartilhando os mesmos ritos e cerimónias do Evangelho, persuadidos que para os que são puros todas as coisas são puras, então desapareceu a causa daquela proibição, e por isso também o efeito’ (Concílio de Florença, Sess. XI de 4 de Fevereiro de 1442). A esta declaração acrescentamos as seguintes confirmações.

No periódico Alleluja Francis A. Sullivan (teólogo do movimento carismático católico) após ter exposto os artigos de fé da Igreja Cristã Evangélica Pentecostal assim como são expostos no periódico Risveglio Pentecostale de Novembro de 1953, entre cujos artigos está o seguinte: ‘Nós cremos na necessidade de nos abster das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação, em obséquio a quanto decretado pelo Espírito Santo no primeiro Concílio de Jerusalém’, fazendo notar as divergências mais importantes que existem entre a fé pentecostal e a católica afirma: ‘A insistência dos pentecostais sobre a obrigatoriedade permanente dos ‘decretos’ do Concílio de Jerusalém é um exemplo de interpretação ‘fundamentalista’ da Sagrada Escritura. Tais prescrições tiveram razão na situação da igreja primitiva, quando haviam muitos cristãos convertidos do judaísmo que ainda observavam a Lei Mosaica. Mudada a situação, não têm mais razão ou força por quanto respeita às prescrições dietéticas’ (Alleluja, Marzo-Aprile 1976, pag. 4-5).

Na Bíblia católica (Ed. Paulinas de 1971) numa nota que fala da assembleia de Jerusalém lê-se: ‘Tiago, depois de ter confirmado as palavras de Pedro com a Escritura (Am. 9,11-12), propõe prudenciais medidas disciplinares que, tendo o fim provisório de tornar mais fácil as relações entre os Gentios e os Judeus, caíram por si, quando a fusão foi completa’. Notai que neste caso também a abstenção da fornicação está incluída entre as medidas disciplinares que caíram por si; enquanto nas palavras de Sullivan acima expostas a fornicação permanece ainda válida.

Na New Catholic Encyclopedia (1967) na palavra ‘Jerusalém, Concílio de’ lê-se a respeito das instruções dadas naquele Concílio quanto segue: ‘Fora dos Actos nenhuma menção delas é feita; Paulo nunca se referiu a elas (cf. 1 Cor 8.1-10.30) nas suas Epístolas, uma indicação que elas eram só de importância local e temporal’.

Portanto, para recapitular, o que pareceu bem ao Espírito Santo e aos apóstolos e aos anciãos impor a nós Gentios para o nosso bem não é mais válido hoje porque as circunstâncias mudaram.

 

Confutação

 

As decisões da assembleia de Jerusalém devem ser ainda observadas por todos os santos dentre os Gentios

 

O ensinamento papista acima exposto é falso; ele significa fazer dizer à Palavra de Deus a que ela não diz. Mas não é de admirar, a igreja católica nos habituou a isto. O que faz indignar é que a decisão de uma assembleia que sabemos com certeza ser justa porque foi o Espírito Santo a fazer com que ela fosse tomada é considerada ultrapassada (é de ter presente que muitos teólogos papistas pela fornicação da qual é necessário nos abstermos segundo a assembleia de Jerusalém entendem o matrimónio entre parentes próximos ou entre consanguíneos) [10], enquanto as decisões dos seus passados e mais recentes concílios cheios de intrigas de todo género e de onde brotaram heresias de todo género essas são proclamadas aos quatro ventos como infalíveis, como estáveis nos séculos dos séculos e são acompanhadas pelos anátemas contra quem ousar transgredi-las ou desconhecê-las. Basta tomar o texto do concílio de Trento que é ainda citado até não poder mais para se dar conta disto. Eis aquilo a que se assiste na igreja católica! Mas vamos à confutação desta outra heresia da igreja católica romana. Responderemos ponto por ponto às suas objecções para demonstrar quanto elas são vãs.

1) Estas medidas disciplinares caíram por si quando a fusão entre Judeus e Gentios foi completa. Nós perguntamos:E quando a fusão foi completa?’ É bom recordar que a fusão entre Judeus e Gentios já estava completa quando houve a assembleia de Jerusalém. Com isto queremos dizer que já haviam igrejas formadas por Judeus convertidos e Gentios convertidos que com a graça de Deus iam avante nos caminhos de Deus. Porque Cristo mediante a sua morte tinha feito de ambos os povos um só e tinha derrubado a parede de separação que havia entre Judeus e Gentios com o desfazer na sua carne a causa da inimizade, ou seja, a lei feita de mandamentos que consistia em ordenanças. Não é que se teve que esperar a assembleia de Jerusalém para ver Judeus crentes e Gentios crentes andar de acordo; porque este acordo já havia em Cristo: eles eram irmãos membros de um mesmo corpo. Em Antioquia da Síria por exemplo havia tanto Judeus como Gentios que tinham crido (cfr. Actos 11:19-21); como também em Antioquia da Pisídia (cfr. Actos 13:43,48) e Icônio (cfr. Actos 14:1) onde tinham estado a pregar Paulo e Barnabé na sua viagem missionária. Mas então por que razão se reuniu aquela assembleia em Jerusalém? Porque depois de Paulo e Barnabé terem voltado a Antioquia da sua missão em que Deus tinha aberto a porta da fé aos Gentios, Judeus vindos da Judeia puseram-se a ensinar que sem a circuncisão segundo o rito de Moisés não se podia ser salvo; e por causa disso nasceu uma grande discussão entre Paulo e Barnabé e esses Judeus: o motivo é evidente. Ensinar a circuncisão significava anular a graça de Deus porque a salvação não era mais por graça mas por obras. Foi decidido então que Paulo e Barnabé e outros irmãos subissem a Jerusalém para discutir a questão com os apóstolos e os anciãos. Então naquele encontro foi decidido que aos irmãos dentre os Gentios não se devia impor nem a circuncisão e nem a observância da lei para serem salvos porque isso significaria tentar Deus, e pôr sobre o pescoço dos discípulos um jugo pesado insuportável no lugar do jugo leve de Jesus Cristo. Mas apesar de não ter sido imposta aos Gentios a observância da lei para a sua salvação, todavia pareceu bem ao Espírito Santo impor-lhes que se abstessem da fornicação, onde por fornicação se entende a relação carnal ilícita com uma mulher que não é a sua própria mulher (consideramos de qualquer modo que também o casar com a própria irmã ou a própria tia ou sobrinha significa transgredir a Palavra de Deus), das coisas sufocadas, das coisas sacrificadas aos ídolos e do sangue; que eram todas coisas que estavam contidas na lei de Moisés. Quereria fazer notar que estas prescrições foram deliberadas pelo Espírito Santo antes de mais porque os apóstolos disseram: "Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós..." (Actos 15:28), o que faz claramente perceber que essas prescrições não podem ser um jugo pesado para os que estão debaixo da graça, e de facto não o são. Nós Gentios de nascença não temos nenhuma dificuldade em reconhecê-lo. Deve ser notado depois que o facto de terem sido dadas aos Gentios só estas prescrições contidas na lei, não significa que outras prescrições como por exemplo a de não consultar os espíritos, ou os adivinhos, e outras de natureza comportamental ou moral não devessem ser observadas pelos Gentios, mas apenas que naquela ocasião o Espírito Santo quis pôr a atenção sobre aquelas prescrições necessárias, provavelmente porque elas estavam entre as mais transgredidas pelos Gentios e por isso quando os Gentios se convertiam a Cristo eram tentados a continuar a transgredi-las com muita facilidade. Mas há ainda uma coisa por dizer: Tomemos somente as prescrições que dizem respeito a alimentação, dado que alguns comentadores católicos entendem a fornicação banida pela assembleia como a entendemos nós e consideram por isso que a sua proibição seja ainda válida; por que motivo hoje não deveriam ser mais válidas quando ainda hoje há Judeus que crêem e Gentios que crêem e em qualquer Igreja onde se encontram juntos podem ainda introduzir-se Judeus que dizem que se os Gentios não se fazem circuncidar e não observam a lei de Moisés não podem ser salvos e se apresentariam de novo assim as mesmas circunstâncias que se verificaram em Antioquia e em Jerusalém? Não é porventura este um motivo pelo qual é errado considerar caídas aquelas prescrições dietéticas quando aquelas mesmas circunstâncias podem apresentar-se de novo em todos os tempos? E ainda: Mas porquê considerá-las caídas quando ainda hoje muitos dentre os Gentios em todo o mundo matam animais sufocando-os, sacrificam carnes e outros alimentos aos ídolos, e comem o sangue exactamente como faziam os Gentios aos dias dos apóstolos? É verdade que aquelas prescrições dietéticas foram dadas oficialmente aos Gentios naquela circunstância particular para aplanar o caminho dado que tinha vindo a criar-se aquele grave problema mas porventura o Espírito Santo quis dar aquelas prescrições apenas por um tempo à espera de temposmelhores’? De maneira nenhuma; se tivesse sido assim o teria dito. Também os apóstolos teriam sublinhado com força que aquelas prescrições dietéticas não mais teriam força ou razão de ser quando Judeus e Gentios estivessem bem misturados. Mas eis que chegaram os teólogos católicos romanos e com um sofisma cancelaram a validade daquelas prescrições. Somos fundamentalistas para eles porque interpretamos a Escritura de maneira fundamentalista; mas se é por isso então estamos em boa companhia porque o eram também os apóstolos ‘fundamentalistas’. A observância das prescrições dietéticas dadas em Jerusalém também não é uma coisa deixada à vontade dos crentes ou como dizem outros ‘uma questão de liberdade cristã’; porque elas não são facultativas pelo que quem quer as pode observar e quem não quer pode não as observar; ela nos é imposta pelo Espírito Santo. Aqui não se trata de considerar pessoalmente a carne de coelho impura e de abster-se dela, ou de não querer beber vinho por opiniões pessoais, porque nestes casos um é livre de agir com base na sua convicção pessoal e não deve ser julgado (sempre que não o imponha a outros); aqui trata-se de transgredir mandamentos dados por meio do Espírito Santo, que embora dizendo respeito a alimentos são muito importantes tanto que são postos juntamente com a prescrição de abstermo-nos da fornicação. Ninguém pois vos engane irmãos.

2) Aquelas prescrições dietéticas tinham valor apenas localmente. É verdade que a carta que os apóstolos e os anciãos escreveram foi endereçada aos irmãos dentre os Gentios que se encontravam em Antioquia, na Síria e na Cilícia porque assim diz o texto (cfr. Actos 15:23); mas isso não significa que o seu conteúdo tivesse valor apenas para os crentes que habitavam naquelas zonas. Seria como dizer que a epístola de Paulo aos Colossenses era válida apenas para os crentes de Colossos ou aquela aos Romanos apenas para os santos de Roma só porque não está escrito que elas eram dirigidas a todos os santos sobre a face da terra. É claro que essas cartas foram escritas numa particular circunstância a Igrejas específicas, mas a sua mensagem é válida para todos os crentes de todas as idades: a mesma coisa deve ser dita daquela carta escrita àqueles crentes daquelas zonas acima mencionadas. E que é assim é confirmado pelo facto que depois dessa carta ter sido levada a Antioquia e lida lá; quando Paulo e Silas partiram para visitar os irmãos nas cidades onde tinham anteriormente estado Paulo e Barnabé está escrito que "quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém" (Actos 16:4). Por quais cidades? Derbe, Listra, Icônio, Antioquia da Pisídia, e outras que não faziam parte nem da Síria e nem da Cilícia que são zonas de que se fala na carta redigida por aqueles de Jerusalém. Temos uma outra confirmação que aquelas prescrições eram válidas também para os crentes de outras zonas no facto de na Igreja de Tiatira haver uma mulher de nome Jezabel que ensinava e seduzia os servos do Senhor para que comessem coisas sacrificadas aos ídolos (cfr. Ap. 2:20), e na Igreja de Pérgamo haviam aqueles que professavam a doutrina de Balaão ensinando a comer as coisas sacrificadas aos ídolos (cfr. Ap. 2:14); em ambos estes casos o Senhor reprova o comer as coisas sacrificadas aos ídolos por parte de seus discípulos. E cuidai que Tiatira e Pérgamo eram cidades da Ásia (cfr. Ap. 1:4,11), e não da Síria ou da Cilícia. As razões que aduzem pois os Católicos para este ‘cair por si’ das prescrições dietéticas são elas que não têm força, são elas que não têm razão de ser. Reitero com força que nós crentes em Cristo Jesus dentre os Gentios, em obediência ao Espírito Santo, devemos observar e fazer observar ainda hoje as prescrições dadas para nós Gentios porque elas são ainda válidas, tal e qual como eram aos dias da assembleia de Jerusalém. Mas também que em obediência ao Espírito Santo devemos rejeitar todos aqueles preceitos dietéticos e não dietéticos que se opõem à Palavra de Deus tomados por todos os concílios da história do cristianismo, que são muitos.

3) O apóstolo Paulo nas suas epístolas nunca se refere às prescrições dietéticas da assembleia de Jerusalém por isso elas devem ser consideradas decaídas. Em particular os sustentadores desta tese fazem presente o facto de que quando Paulo fala aos Coríntios das coisas sacrificadas aos ídolos ele permite aos crentes daquela cidade comê-las o que vai abertamente contra o decreto de Jerusalém. Mas as coisas não são de forma nenhuma assim; porque lendo atentamente as palavras de Paulo aos Coríntios sobre esta específica questão se notará que ele não queria que os crentes comessem as coisas sacrificadas aos ídolos. Para confirmar isso fazemos notar as seguintes afirmações de Paulo.

Ÿ "Alguns até agora comem, no seu costume para com o ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada" (1 Cor. 8:7). Portanto na Igreja de Corinto haviam alguns crentes que continuavam a comer coisas sacrificadas aos ídolos e a sua consciência ficava contaminada por este acto.

Ÿ "Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demónios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demónios" (1 Cor. 10:20). Portanto Paulo estava persuadido que para um crente comer coisas sacrificadas aos ídolos significava ser participante com os demónios porque essas coisas estavam contaminadas.

Por quanto respeita às afirmações de Paulo segundo as quais os crentes podiam comer tudo o que vendiam no mercado e tudo o que era posto diante deles pelos incrédulos se convidados por eles (cfr. 1 Cor. 10:23-30), dizemos isto: com elas Paulo não contrastou de forma nenhuma o decreto de Jerusalém porque ele apenas disse para comer o que é vendido no mercado ou que nos é posto diante de nós por pessoas do mundo sem perguntar nada; notai o "sem perguntar nada" (1 Cor. 10:25,27); e portanto mesmo que essas coisas tivessem sido sacrificadas aos ídolos, nós não sabendo nada disso, não somos participantes com os demónios, porque nos chegamos a essas coisas não como se fossem coisas sacrificadas aos ídolos mas como um qualquer tipo de alimento. Outra coisa, pelo contrário, é se nós sabendo que essas coisas são sacrificadas aos ídolos nos chegamos a elas considerando que essas coisas se comidas podem nos ser de alguma utilidade espiritual; então neste caso nós seremos participantes com os demónios e provocaremos Deus a ciúmes. Por isso é errado pensar que Paulo com essas palavras tenha querido demonstrar que o decreto de Jerusalém respeitante às coisas sacrificadas aos ídolos tinha sido apenas circunscrito a um tempo e a um lugar.

 

 

A CRIAÇÃO DO HOMEM

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

O homem descende dos brutos. Pio XII (1939-1958) na encíclica Humani Generis (1950) afirmou quanto segue:O Magistério da Igreja não proíbe que, em conformidade com o actual estado das ciências e da teologia, sejam objecto de pesquisas e de discussões, por parte dos competentes em ambos os campos, a doutrina do evolucionismo, enquanto ela investiga a origem do corpo humano, que proviria de matéria orgânica preexistente (a fé católica nos obriga a professar que as almas são criadas imediatamente por Deus).’. Como podeis ver nesta encíclica a evolução não é de maneira nenhuma condenada, mas é implicitamente admitida seja todavia como hipótese e com prudência. O facto de também os teólogos terem sido encorajados a fazer pesquisas e a discuti-la demonstrou certamente um certo favor da igreja católica para com esta teoria da evolução. Passaram quase cinquenta anos desde esta encíclica; como estão hoje as coisas? Estão que a igreja católica romana ensina a evolução do homem, isto é, que o homem deriva de seres inferiores ou de brutos. Mas não é uma evolução que exclui o acto criativo de Deus mas uma evolução que pressupõe a criação. Eis de facto quanto afirmou João Paulo II num Simpósio sobre Fé cristã e teoria da evolução:Uma fé rectamente incluída na criação e um ensinamento rectamente entendido da evolução não criam obstáculos (...) A evolução de facto pressupõe a criação; a criação se põe na luz da evolução como um acontecimento que se estende no tempo - como uma creatio continua - em que Deus torna-se visível aos olhos do crente como criador do céu e da terra’ (L’Osservatore Romano 27 de Abril de 1985). Este tipo de evolução sustentado pela igreja romana é chamado evolucionismo antropológico mitigado e se diferencia do evolucionismo antropológico radical de Lamarck, de Darwin e de Haeckel e professado por muitos biólogos, porque ele afirma que a evolução é restringida só à origem do corpo humano (já que a alma é criada directamente por Deus) enquanto o radical afirma que a evolução do homem compreende também a alma. Mas na substância o que diz este tipo de evolucionismo sustentado pela igreja romana? Isto; que Deus mediante uma especial intervenção seja causa principal do corpo humano, mas se serviu de um bruto como de matéria e instrumento. Em outras palavras, como diz Fiorenzo Facchini,o homem é fruto, a um tempo, da evolução biológica e de um concurso particular criativo de Deus’, porque evoluiu de um ser inferior criado por Deus. Um estudioso católico, para explicar este conceito, afirmou:Não descendemos dos brutos, mas ascendemos deles’. Portanto à distância de cerca de meio século da encíclica Humani Generis de Pio XII a evolução não é mais uma simples hipótese mas uma verdade a abraçar de braços abertos que não se deve duvidar: eis como recentemente João Paulo II pôs fim a todas as dúvidas: ‘A Encíclica Humani generis considerava a doutrina do evolucionismo uma hipótese séria, digna de uma pesquisa e de uma reflexão aprofundada a par da hipótese oposta (...) Hoje, cerca de meio século após a publicação da Encíclica, novos conhecimentos conduzem a não considerar mais a teoria da evolução uma mera hipótese. É digno de nota o facto que esta teoria se tenha progressivamente imposto à atenção dos investigadores, no seguimento de uma série de descobertas feitas nas diversas disciplinas do saber’ (L’Osservatore Romano, 24 Outubro de 1996).

 

Confutação

 

O homem foi feito por Deus à sua imagem e semelhança, e portanto nunca foi um bruto

 

Ficamos verdadeiramente enojados ao ver como esta igreja, que se diz cristã e afirma ter no seu magistério um intérprete infalível da Escritura, procura conciliar as hipóteses científicas com a Palavra de Deus acabando assim por dar um outro significado à criação do homem assim como é descrita e ensinada pela sagrada Escritura. Esta atitude da igreja católica romana em relação a esta doutrina diabólica que é o evolucionismo é a enésima demonstração de desprezo que ela nutre pela Palavra de Deus. Passamos agora à destruição destes raciocínios que se levantam contra o conhecimento de Deus.

No livro do Gênesis está escrito: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.... Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás... Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais o campo e todas as aves do céu, os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo.." (Gen. 2:7,15-17,19,20).

A Escritura é clara; Deus no sexto dia fez o homem do pó da terra. Não pode ser verdade portanto de nenhuma maneira que o homem tenha evoluído com o tempo de brutos antes criados por Deus até se tornar o ser que hoje nós conhecemos porque neste caso Deus teria formado o homem de matéria viva e não mais de matéria inorgânica como diz a Escritura. Em outras palavras o homem não pode ser o fruto de uma evolução biológica da matéria viva porque a matéria da qual Deus tomou o homem não era matéria orgânica mas simples pó (e para ele torna o homem quando morre conforme disse Deus: "Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás" [Gen. 3:19]). Além disso deve ser notado que apesar de também os animais da terra, e portanto também todas as espécies de macacos, terem sido também eles criados no sexto dia o homem foi formado no sexto dia com um acto criativo bem distinto; portanto o macaco foi feito macaco, e o homem foi feito homem. A isto acrescentamos o facto que Deus quando criou o homem disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança..." (Gen. 1:26); porque também isso confirma que o homem não pode de nenhuma maneira derivar de um ser inferior animal, precisamente porque foi feito à imagem e semelhança de Deus logo, no instante. Não é portanto que primeiro Deus formou o macaco e depois o fez evoluir, no curso de não se sabe quantos milénios ou milhões de anos, até o fazer tornar-se homem feito à sua imagem e semelhança; não, Deus fez logo o homem à sua imagem e semelhança. E por fim acrescentamos que Deus quando fez o homem lhe falou, portanto o homem tinha a faculdade de entender, e depois que lhe levou os animais para que ele os chamasse pelo nome o que nos faz compreender que ele era dotado de inteligência. Isto ainda exclui qualquer forma de evolução. Mas vamos ao âmago da questão: porquê querer negar que Deus tenha criado distintamente dos seres animais um ser humano tal e qual àquele que nós conhecemos hoje tomando-o do pó da terra num curto tempo senão em poucos instantes? Porquê querer afirmar esta ‘creatio continua’? Nós consideramos que a razão pela qual a igreja católica romana se tenha aberto à teoria evolutiva é porque o que está escrito no Gênesis sobre a criação do homem tornou-se de repente, diante das pesquisas científicas, demasiado simples para ser verdade, e em aberto contraste com o que dizem os cientistas sobre a origem do homem, tão em nítido contraste que se tivesse continuado a ensinar uma criação do homem que excluia qualquer forma de evolucionismo acabaria por ser declarada contrária à razão humana e à ciência, e por aí fora. Por isso ela procurou o compromisso; que consiste por um lado numa negação parcial do evolucionismo (isto é, daquele que diz que a alma deriva da matéria e não foi infundida no homem por Deus) e por outro na afirmação que Deus criou um ser inferior, um bruto, do qual com o tempo fez evoluir o ser humano; e tudo isto acaba por anular o claro ensinamento da Palavra de Deus. Enésima clara prova esta que quando se procura agradar aos homens em vez de a Deus, quando se decide conformar-se ao presente século, se acaba por ficar contra a Palavra de Deus e portanto contra Deus. Cuidai pois de vós mesmos irmãos para que também vós não caiais no mesmo erro; permanecei apegados à Palavra de Deus. Não procureis adequá-la às teorias dos homens; mas crede nela mesmo se as coisas que ela diz vos parecem ir contra a razão e contra a lógica humana.

 

 

OS SEIS DIAS DA CRIAÇÃO

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

Os seis dias da criação são eras geológicas. ‘Já não devemos crer que Deus tenha criado o mundo numa semana, que no sexto dia desta semana tenha criado o homem; Deus não criou o mundo como agora o vemos num momento, mas após criada a matéria a fez ordenar e dispor no curso de séculos inumeráveis, longos períodos geológicos’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 36).

 

Confutação

 

Os seis dias da criação são dias de 24 horas

 

Também este ensinamento papista é falso porque a Escritura nos diz claramente que os dias da criação são literais de facto ela diz no fim de cada um dos seis dias: "E foi a tarde e a manhã" (Gen. 1:5,8,13,19,23,31), e não longas eras geológicas. Que depois as coisas são assim o fez perceber claramente Deus quando promulgou a ordem de observar o sábado; ele disse de facto: "Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra.... Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou..." (Ex. 20:9-11).

 

 

A VOLTA DE CRISTO

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

Na volta de Cristo os crentes que estiverem vivos morrerão e ressurgirão juntamente com aqueles que já estavam mortos, e não começará nenhum reino milenário. No Novo Manual do Catequista lê-se: Jesus Cristo voltará visivelmente sobre esta terra no fim do mundo para julgar os vivos e os mortos, ou seja todos os homens, bons e maus (...) Ensinando-nos que nosso Senhor Jesus Cristo virá para julgar todos, os vivos e os mortos, o Catecismo nos explica todavia que por mortos aqui entende os maus, e por vivos os bons’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 164). O que significa tudo isto? Que segundo a doutrina católica quando Cristo voltar, não começará o milénio durante o qual os santos reinarão com ele sobre a terra; e de facto eles rejeitam o milénio como período de mil anos durante o qual Cristo reinará sobre a terra com os seus santos. Pasquale Lorenzin em Teologia dogmática, falando do milenarismo surgido nos primeiros tempos da Igreja, o chama heresia. (Vede a parte na tradição onde falo desta sua rejeição do milénio [aceite porém por diversos seus chamados pais]). Mas há uma outra coisa acerca da volta de Cristo que os Católicos rejeitam, a saber, o facto de na volta de Cristo os crentes que estiverem vivos sobre a terra não morrerão. Eis como se exprime Pasquale Lorenzin no seu livro: ‘Todas as hipóteses acerca do tempo da vinda de Jesus são sem fundamento. Uma só coisa é certa: na vinda de Jesus não haverão homens vivos na terra (..) Não há dúvida portanto que todos os nascidos de Adão pagarão o tributo à morte, e das cinzas do homem desfeito, a omnipotência divina fará renascer a nova e gloriosa vida’ (Pasquale Lorenzin, Teologia Dogmatica, vol. II, pag. 789, 790). Portanto na vinda de Cristo para os teólogos papistas todos os crentes morrerão fisicamente (faço presente que esta doutrina é a ‘sentença mais comum’, a seu tempo sustentada também por Tomás de Aquino). E para sustentar isto eles se apoiam sobre Agostinho que disse:Consideramos que também quantos o Senhor encontrar vivos naquele breve espaço de tempo sofrerão a morte e adquirirão a imortalidade..’ (Agostinho de Hipona, A cidade de Deus, Livro XX, cap. 20, 2).

 

Confutação

 

Quando Jesus voltar os santos que estiverem vivos não morrerão mas serão transformados, e começará sobre esta terra um reino milenário

 

Na carta de Paulo aos Tessalonicenses está escrito: "Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (1 Tess. 4:15-17). E numa carta aos Coríntios se lê: "Nem todos dormiremos mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta" (1 Cor. 15:52). É claro portanto como a luz do sol que na vinda de Cristo os mortos em Cristo ressuscitarão, e os crentes que ficarem vivos até à sua vinda não verão a morte mas serão apenas transformados. Está decretado portanto que na vinda de Cristo haja uma parte da Igreja de Deus que não provará a morte física. A vinda de Cristo precederá e dará início ao milénio, isto é, a um reino milenário sobre a terra durante o qual Cristo e os seus reinarão. No livro do Apocalipse está escrito de facto: "E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos" (Ap. 20:4-6). Depois do milénio (durante o qual Satanás estará amarrado) Satanás será solto e enganará as nações que se reunirão contra o arraial dos santos e a cidade amada mas o fogo de Deus descerá do céu e as consumirá. Depois haverá a ressurreição dos ímpios que serão julgados segundo as suas obras (cfr. Ap. 20:7-15).

 

 

OS NOVOS CÉUS E A NOVA TERRA

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

Este céu e esta terra não serão aniquilados, mas somente transformados. Os teólogos papistas negam a destruição deste céu e desta terra de facto afirmam;O mundo presente não será destruído, mas renovado, para ser digna sede dos eleitos... ‘ (Pasquale Lorenzin, op. cit., pag. 792). Para sustento desta doutrina citam ainda uma vez Agostinho que disse:'Uma vez feito este julgamento, então este céu e esta terra cessarão de existir e começarão a existir um céu novo e uma terra nova; de facto este mundo passará por uma transformação das coisas, não por um total aniquilamento’ (Agostinho de Hipona, A Cidade de Deus, Livro XX, cap. 14).

 

Confutação

 

Este céu e esta terra se desfarão e no seu lugar Deus criará outros melhores

 

A Escritura, ao contrário, diz: "Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (2 Ped. 3:10-13). Portanto, estes céus e esta terra, segundo Pedro, desaparecerão um dia porque serão destruídos pelo fogo de Deus e isso está de acordo com as palavras de Jesus: "O céu e a terra passarão..." (Mat. 24:35); eles se desfarão e no seu lugar Deus fará vir à existência um novo céu e uma nova terra que ficarão estáveis eternamente. João em visão os viu de facto diz: "E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe" (Ap. 21:1). E nós esperamos o cumprimento desta visão tida por João na ilha de Patmos. Eis por que nós dizemos juntamente com Paulo que ‘não atentamos nas coisas que se vêem (entre as quais estão este céu e esta terra), mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, mas as que se não vêem são eternas’ (2 Cor. 4:18). A Deus seja a glória eternamente. Amen.

 

 

CONCLUSÃO

 

No fim deste capítulo dedicado à confutação destas outras estranhas doutrinas católicas não se pode deixar de reconhecer pela enésima vez que a igreja católica romana tem em aversão a Palavra de Deus. Portanto, além de pregar um outro Evangelho, a igreja católica romana ensina outras doutrinas que se opõem ao conselho de Deus. O quadro que emerge portanto é trágico, deprimente. Não se pode mesmo andar de acordo com os Católicos nem sobre a salvação, nem sobre os sacramentos, nem sobre a Igreja e nem sobre muitas outras partes do conselho de Deus. Mas ainda uma vez, e não temo repetir-me, quero perguntar aos ecuménicos:Mas como pensais vos pôr de acordo com os Católicos também sobre a criação do mundo, do homem, sobre o fumo, sobre as prescrições da assembleia de Jerusalém, sobre o homicídio por ‘legítima defesa’, e os outros pontos acima expostos? Queria uma resposta também a tal respeito.

 

 

 

NOTAS

 

[1] O termo português epifania deriva do grego epiphaneia que significa ‘aparição’ e que no Novo Testamento está presente por exemplo também nesta passagem: "..graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos, e que é manifesta agora pela aparição (epiphaneia) de nosso Salvador Jesus Cristo" (2 Tim. 1:9,10). Eis brevemente como teve origem a festa da epifania. Inicialmente os seguidores do gnóstico Basilide, que viveu no século II, festejavam o batismo de Cristo a 10 ou a 6 de Janeiro. Eles porém, fazendo distinção entre o Cristo e Jesus, sustentavam que o Cristo tinha aparecido pela primeira vez sobre a terra no batismo de Jesus. Pelo que a epifania (a aparição) de Cristo para eles coincidia com o batismo de Jesus. Mas por que razão os Basilidianos escolheram festejar esta festa precisamente a 6 de Janeiro? Porque em Alexandria (Basilide era alexandrino) festejava-se naquele dia o nascimento de Eone da virgem Kore e aquele dia era também consagrado a Osiride. Assim os seguidores de Basilide escolheram aquela data para proclamar diante dos pagãos que Cristo era o verdadeiro Ser divino aparecido sobre a terra. Com o passar do tempo porém acabou por a igreja do Oriente assumir dos heréticos, por ela combatidos, o costume de celebrar a epifania, e assim encontramos que ela na primeira metade do século IV celebrava a epifania a 6 de Janeiro, ligando entre si, em tal festa, o batismo e o nascimento de Cristo, porque para a Igreja - à diferença dos heréticos denominados Gnósticos - a aparição de Cristo sobre a terra tinha tido lugar no nascimento de Jesus; sendo Jesus o Cristo de Deus. Portanto também a origem da epifania afunda as raízes no paganismo.

 

[2] Além destes há os Agnus Dei, os anéis (matrimoniais ou religiosos), as cinzas quaresmais, os ramos de oliveira e as palmas, os terços do rosário, e as chamadas imagens sagradas.

 

[3] Se estes papas garantiram isto em favor dos escapularistas por que é que as autoridades eclesiásticas católicas não ordenam a todos de trazer este escapulário e assim livrar num curtíssimo tempo ‘das penas do purgatório’ tantas almas? A resposta é porque eles têm todo o interesse em ‘manter’ sempre cheio o purgatório; porque quanto mais almas lá estiverem e quanto mais tempo estiverem, melhor é. O interesse naturalmente é de tipo económico, porque pelas almas que estão no purgatório os Católicos devem mandar dizer missas que são a pagamento.

 

[4] Deve ser feito notar que o concílio de Trento, após ter oferecido o salvo-conduto aos Protestantes, dizendo que eles podiam vir livremente à cidade de Trento, ficar nela, fazer propostas, falar, tratar e discutir com o próprio Concílio qualquer assunto, com a segurança que seriam tomadas todas as precauções para salvaguardar as suas vidas, afirmou quanto segue:Além disso, o mesmo Concílio, excluindo todo o artifício e engano, oferece sinceramente e de boa fé, que não há de buscar nem às claras, nem obscuramente nenhuma causa, nem mesmo usar de modo algum, nem há de permitir que ninguém ponha em uso qualquer autoridade, poder, direito, estatuto, privilégio de leis ou cânones, nem de nenhum Concílio, em especial do Constantinense e do Senense, de qualquer modo que forem concebidas suas palavras, como sejam em algum prejuízo desta fé pública e plena segurança e audiência pública e livre que lhes concedeu o mesmo Concílio, uma vez que as revoga todas nesta parte por esta vez’. (Negrito meu. Sess. XV de 25 de Janeiro de 1552). Desta maneira ele não condenou a infame decisão de Constança de anular o salvo-conduto do rei a Huss, mas apenas disse que esta vez o concílio se absteria de se apoiar sobre leis, estatutos ou cânones de qualquer concílio, especialmente do concílio de Constança, que permitiam ao concílio romper fé aos heréticos pelo bem da igreja. Julgai por vós mesmos as palavras desse concílio.

 

[5] Ainda antes da estipulação da Concordata a igreja católica usufruía de isenções fiscais. A disposição contida no art. I n. I r.d. 13 de Fevereiro de 1927, n. 124. concedia a isenção do imposto sobre os solteiros aos sacerdotes católicos e aos religiosos que tivessem pronunciado os votos de castidade.

 

[6] Na Nova Concordata de 1984 em matéria de isenções fiscais as coisas ficaram substancialmente inalteradas, com efeito, o art. 7 diz que ‘para efeitos tributários as entidades eclesiásticas que têm fim de religião ou de culto, como também as actividades dirigidas com tais objectivos, são equiparadas às que têm fim de beneficência ou de instrução’. Deve ser assinalado porém que o mesmo artigo diz logo depois que ‘as actividades diferentes das de religião ou de culto, desenvolvidas pelas entidades eclesiásticas, estão sujeitas, no respeito da estrutura e da finalidade de tais entidades, às leis do Estado respeitantes a tais actividades e ao regime tributário previsto para as mesmas’. A igreja católica goza ainda de várias isenções fiscais também nesta nação.

 

[7] Dado que as isenções tributárias concedidas aos bens e aos eclesiásticos da igreja católica são por esta última consideradas de direito divino não é admitido dizer que elas encontram a sua origem na lei civil. Pio IX (o papa que quis fazer-se declarar infalível) condenou a opinião segundo a qual as imunidades eclesiásticas encontram a sua origem na lei civil e que dependem em tudo desta, enquanto elas podem ser concedidas ou ab-rogadas à discrição pela autoridade civil, encontrando o seu fundamento no direito positivo dos Estados. Esta sua condenação foi enunciada a 10 de Junho de 1851 na alocução Multiplices inter. Portanto, quando a igreja católica se prepara para estipular uma concordata com um Estado, ela considera que as isenções fiscais lhe são devidas pelo Estado por direito divino, e não que lhe podem ser ou não ser concedidas pela autoridade civil. Em outras palavras o Estado tem o dever de conceder estes privilégios fiscais à igreja católica porque Deus estabeleceu assim!

 

[8] Por que é que, ao contrário, oscostumes’ que se encontram na sua tradição e não na Bíblia, segundo o magistério romano, se devem observar? A resposta não pode ser senão esta:Porque a tradição é mais importante do que a Bíblia’.

 

[9] Há mulheres com cabelo à homem, que ao ver homens com o cabelo comprido, exclamam: ‘Vês aquele homem? Parece uma mulher!’; mas se esquecem que elas mesmas aos olhos dos que temem a Deus parecem mais homens que mulheres.

 

[10] Na Bíblia edições Paulinas de 1990 na nota de Actos 15:13-21 lê-se de facto que por fornicação se entende ‘os matrimónios entre consanguíneos’. O facto portanto deles considerarem decaída também a instrução de não casar com parentes estreitos explica o porquê da igreja católica considerar que um sobrinho se pode casar com a sua tia, coisa esta condenada pela lei de Deus (cfr. Lev. 18).

 

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