Capitulo 7

O culto a Maria, aos santos e aos anjos; as estátuas e as imagens; as peregrinações e as procissões

 

O CULTO A MARIA

 

A igreja católica romana, como bem sabeis, tributa um culto a Maria, a mãe de Jesus. A Maria são dirigidas orações e cânticos; as estátuas e as imagens que a figuram estão um pouco por todo o lado, nas basílicas católicas, nos hospitais, nos orfanatos, nos colégios, pelas ruas, pelas praças, sobre os montes, nas grutas, nas casas; por elas muita gente entra em delírio, diante delas muitas pessoas se prostram invocando-a para que as ajude, as cure, as console, e para que as salve. A Maria são também dedicados dois meses por ano; Maio, o mês de Maria; e Outubro, o mês do Rosário. Algumas das festas universais em sua honra são: 1) A Imaculada Conceição (8 de Dezembro); 2) a Natividade (8 de Setembro); 3) a Anunciação (25 de Março, nove meses antes do natal); 4) a Purificação (2 de Fevereiro); 5) a Assunção (15 de Agosto). Por quanto respeita depois aos santuários marianos venerados por milhões de Italianos existem dezenas deles em toda a Itália. No mundo inteiro são muitíssimos.

Maria na realidade é mais importante do que Jesus para os Católicos romanos [1], para eles é uma espécie de deusa omnipotente a quem até Jesus deve obedecer. Isto é o que lhes inculcaram os padres desde a sua meninice. De Maria é dito pelos padres que foi concebida sem pecado e durante a sua vida nunca pecou, que é a mãe de Deus, que permaneceu sempre virgem, que foi a primeira pessoa a quem Jesus apareceu depois de ter ressuscitado, que foi elevada ao céu alma e corpo após ser ressuscitada, que no céu ora pelos Cristãos, que um dia esmagará a cabeça do diabo, que é co-redentora da humanidade, que é a nossa senhora, e que é a mãe da Igreja.

 

Confutação das heresias ditas sobre Maria

 

Ela foi concebida sem pecado. ‘Maria no primeiro instante da sua concepção, por uma graça especial, foi preservada pura de toda a mancha de pecado original. - É de fé.’ (Bernardo Bartmann, Manual de Teologia Dogmática, vol. II, pag. 168). Portanto Maria teria sido concebida e teria nascido sem pecado. O dogma da imaculada conceição de Maria foi emanado, com o favor dos Jesuítas, por Pio IX em 1854 nestes termos:A santíssima Virgem Maria no primeiro instante da sua concepção, por uma graça e um privilégio singular de Deus omnipotente, em previsão dos méritos de Jesus Cristo Salvador do género humano, foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original’ (Bula Ineffabilis Deus de 8 de dezembro de 1854). A razão adoptada é que Jesus para poder nascer imaculado necessitava de uma mãe também imaculada.

Este dogma é uma mentira porque todos os homens e todas as mulheres nascidos sobre a terra (além de Jesus) nascem com o pecado conforme está escrito: "Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (Sal. 51:5), e ainda: "Todos pecaram" (Rom. 3:23), por isso também Maria tinha pecado e não podia dizer, e estamos seguros que não o disse ou pensou alguma vez, de ter nascido sem pecado [2]. O facto de ela própria ter reconhecido que Deus era o seu Salvador dizendo: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador" (Lucas 1:46,47), demonstra que ela não tinha nascido sem pecado, porque em tal caso não chamaria a Deus seu Salvador e não teria tido necessidade de ser salva. ‘Mas os teólogos romanos afirmam que também Maria foi salva’, dirá alguém. Nós respondemos:Sim, mas a tal propósito fazem um discurso todo particular’. Bartmann diz por exemplo: Também Maria foi remida por Cristo, como todo outro homem, mas de modo diferente a todos os outros (...) A sua redenção consiste na preservação e não na libertação do pecado (redemptio praeservativa, não reparativa)’ (Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 169). Mas nós queríamos perguntar a este: ‘Mas se Maria foi preservada do pecado mas não liberta dele como se pode afirmar que ela foi salva?’ Temos que reconhecer que os teólogos romanos fizeram recurso a toda a espécie de sofisma para enganar as pessoas! Não, não é de modo nenhum assim como dizem os teólogos papistas. Paulo diz aos Gálatas que "a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes" (Gal. 3:22), por isso também Maria tinha sido encerrada por Deus debaixo do pecado para que também ela obtivesse misericórdia pela fé no Senhor Jesus Cristo. Mas queremos exibir uma outra prova escritural que Maria não nasceu sem pecado, o sacrifício que José e Maria ofereceram no templo quando foram apresentar o menino Jesus (cfr. Lucas 2:22-24). A lei diz de facto: "Mas, se as suas posses (da mulher) não bastarem para um cordeiro, então tomará duas rolas, ou dois pombinhos: um para o holocausto e outro para a oferta pelo pecado; assim o sacerdote fará expiação por ela, e ela será limpa" (Lev. 12:8). Portanto Maria teve que oferecer também ela aquele sacrifício pelo pecado. Agora, nós perguntamos:Se ela estivesse sem pecado que necessidade havia de oferecer aquele sacrifício?’ Nos respondam os contenciosos. Mas vejamos agora quais são as inevitáveis consequências a que leva a afirmação papista de que para que Jesus pudesse nascer imaculado era necessário que também sua Mãe fosse imaculada. Antes de tudo faz-se passar Deus por mentiroso porque Ele diz que "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rom. 3:23); e depois exalta-se Maria sobre todas as outras criaturas fazendo-a parecer uma espécie de deusa quando com efeito ela se declarou a serva do Senhor; depois faz-se esquecer às pessoas que Jesus nasceu sem pecado não porque sua mãe estivesse sem pecado mas porque foi gerado no ventre de sua mãe pelo Espírito de Deus que é santo e portanto Deus não precisava de uma mulher sem pecado para fazer nascer o seu Único Filho do seu ventre. Além disso se Maria era imaculada teremos que deduzir que também sua mãe, sua avó e todas as outras mulheres presentes na sua genealogia fossem também elas imaculadas, e portanto se estabeleceria uma cadeia de mulheres imaculadas, o que é diabólico. E por fim definindo Maria nascida sem pecado e que viveu também sem pecado (porque se deve ter presente que a igreja papista também ensina que ela ‘foi isenta durante toda a sua vida do pecado pessoal’ [Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 174] [3]), é por conseguinte espontâneo dizer que ela não precisou de ser resgatada e purificada pelo sangue de Cristo como os outros, precisamente porque estava sem pecado. Mas então como é que morreu se ela estava sem pecado dado que a Escritura diz que "entrou… pelo pecado a morte" (Rom. 5:12) e que "o aguilhão da morte é o pecado" (1 Cor. 15:56)? A resposta é uma só: pelos pecados dos homens!! E eis que então há duas mortes expiatórias e não mais só a de Cristo. E não é porventura assim para os Católicos romanos? Quando eles chamam Maria co-redentora da humanidade o que querem dizer senão que Cristo remiu os homens junto com ela? Eis quais são as outras heresias que brotam do dogma da imaculada conceição de Maria. Pela enésima vez se tem que reconhecer que um abismo chama outro abismo.

Ela é a mãe de Deus. ‘Maria é Mãe de Deus em sentido verdadeiro e próprio. - É de fé’ (Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 157). Maria foi definida mãe de Deus pelo concílio de Éfeso de 431. O segundo concílio Constantinopolitano lançou o seguinte anátema contra os que não a consideram tal:Se alguém afirma que a santa gloriosa e sempre virgem Maria só impropriamente e não segundo verdade é mãe de Deus (...) e não a considera deveras e segundo verdade mãe de Deus (...) este seja anátema’.

Esta doutrina é uma mentira porque Deus é o Criador de todas as coisas enquanto Maria era apenas uma criatura. Certo, ela foi escolhida para dar à luz o Filho de Deus, mas tende sempre presente que a Palavra que foi feita carne estava com Deus e era Deus antes que Deus criasse todas as coisas, portanto também antes que Maria fosse concebida no ventre de sua mãe; e que o Filho de Deus co-eterno com o Pai nascesse de Maria segundo a carne porque ele era o Unigénito que estava junto do Pai antes da fundação do mundo; e por fim como por meio da Palavra foram feitas todas as coisas e "sem ela nada do que foi feito se fez" (João 1:3), assim por conseguinte também Maria como todas as outras criaturas foi feita por meio da Palavra e por isso não pode ser definida ‘mãe de Deus’ mas deve ser chamada apenas a mãe de Jesus. Querer defender a divindade de Cristo dizendo que Maria é a mãe de Deus (como fez o concílio de Éfeso) é um erro porque faz aparecer aquela humilde serva do Senhor que era Maria como nada menos que a mãe do Criador! A Escritura, que é inspirada por Deus, definiu Maria a mãe de Jesus; por isso, considerando que aqueles que a chamaram assim falaram inspirados pelo Espírito Santo e acreditavam que Jesus Cristo era Deus porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, ninguém tem o direito de chamar a Maria mãe de Deus. Os teólogos da igreja romana tomam as seguintes palavras que Isabel, cheia de Espírito, dirigiu a Maria: "E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?" (Lucas 1:43), para sustentar que têm o direito de chamá-la ‘mãe de Deus’. Não é de modo nenhum assim como eles dizem, porque Cristo Jesus é o nosso Senhor mas não é o nosso Pai celestial, de facto nós quando nos dirigimos a Cristo seja nos cânticos ou em adoração não o chamamos Pai, mas sim Senhor. Este era também o comportamento dos apóstolos de facto Paulo aos Coríntios diz: "Para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também" (1 Cor. 8:6); e aos Filipenses diz: "Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai" (Fil. 2:9-11). Como podeis ver o apóstolo confessava com a sua boca que Cristo é o Senhor e não o nosso Pai celestial, de facto nestas Escrituras o Senhor Jesus Cristo é mencionado separadamente de Deus Pai. Portanto Isabel fez bem em chamar Maria, "mãe do meu Senhor", porque chamando-a assim reconheceu que aquele que estava no ventre de Maria era o seu Senhor. Também nós afirmamos que Maria era a mãe do nosso Senhor, mas assim dizendo não atribuímos a Maria, nem culto, nem particulares e especiais cuidados mas dizemos somente a verdade acerca dela. Lembrai-vos que quando os magos vindos do Oriente entraram na casa onde estava o menino Jesus, a Escritura diz que eles "viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra" (Mat. 2:11). Aqueles magos viram tanto o menino como sua mãe mas prostraram-se para adorar o menino e não Maria sua mãe, no entanto sabiam que aquela mulher era a mãe do rei dos Judeus que tinha nascido. Além disso, quando eles abriram os seus tesouros pegaram em dádivas para oferecê-las ao menino e não à sua mãe. Lembrai-vos também que um dia enquanto Jesus falava uma mulher dentre a multidão levantou a voz e disse a Jesus: "Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste. Mas ele disse: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!" (Lucas 11:27,28). Jesus sabia que Maria tinha sido escolhida por Deus para concebê-lo e o dar à luz; ele sabia que Maria era bendita entre as mulheres precisamente por ter posto no mundo ele que era o Filho de Deus, e isso não obstante quando aquela mulher diante de muitas pessoas proclamou bem-aventurado o ventre que o trouxe e os peitos em que ele mamou, Jesus proclamou a bem-aventurança dos que ouvem a Palavra de Deus e a guardam. Cuidai que com esta resposta Jesus não disse que Maria sua mãe não era bem-aventurada, mas deu a prioridade à bem-aventurança que experimentam aqueles que são fazedores da Palavra de Deus, em vez de à alegria que certamente a mãe de Jesus experimentou seja em trazer no seu ventre por nove meses Aquele que foi gerado (segundo a carne) pelo Espírito Santo, seja em amamentá-lo. Aliás Maria no seu cântico tinha dito: "Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas" (Lucas 1:48,49), e na exclamação daquela mulher já vemos o cumprimento dessas palavras. Ainda hoje muitos dizem bem de Maria e nós estamos entre eles, mas enquanto se trata de bendizer Maria (dizer bem dela) dizendo que ela é definida pela Palavra "bendita entre as mulheres " e "bem-aventurada" não há nada de mal; mas quando, ao contrário, sucede que os homens além de a chamarem bem-aventurada a adoram e oram a ela então eles se fazem culpados de um pecado que é o de idolatria.

Ela permaneceu sempre virgem. ‘Maria concebeu e deu à luz seu Filho sem dano para a sua virgindade, e continuou virgem também depois do parto. - É de fé’ (Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 163).

É falso que Maria permaneceu virgem depois do parto porque a Escritura afirma que José "recebeu a sua mulher; e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus" (Mat. 1:24,25). Isto significa que José, depois que Maria deu à luz Jesus, conheceu sua mulher [4]. Mas não só José a conheceu como também teve filhos dela porque Jesus tinha irmãos e irmãs. Estas Escrituras confirmam que Maria concebeu e deu à luz outros filhos depois de Jesus.

Ÿ "E deu à luz a seu filho primogénito" (Lucas 2:7), por isso se Jesus tivesse sido o seu único filho teria sido chamado o seu unigénito e não o seu primogénito.

Ÿ "E, partindo dali, chegou à sua terra, e os seus discípulos o seguiram. E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco as suas irmãs?" (Mar. 6:1-3);

Ÿ "Chegaram então os seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar" (Mar. 3:31);

Ÿ "Nem mesmo os seus irmãos criam nele" (João 7:5);

Ÿ "Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele" (Actos 1:14);

Ÿ Paulo aos Coríntios: "Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?" (1 Cor. 9:5);

Ÿ Paulo aos Gálatas: "Passados três anos, fui a Jerusalém para ver Cefas, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum dos outros apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor" (Gal. 1:18,19);

Ÿ Nos Salmos está dito a propósito do Cristo: "Tornei-me… um desconhecido para os filhos de minha mãe" (Sal. 69:8). (Como podeis ver a Escritura tinha anunciado desta particular maneira que a virgem que conceberia e daria à luz o Cristo de Deus não permaneceria virgem porque teria outros filhos, de facto o Espírito de Cristo disse através de Davi: "Tornei-me um desconhecido para os filhos de minha mãe").

A Escritura é clara portanto a tal respeito, Jesus tinha irmãos e irmãs. Mas os teólogos romanos a obscureceram dizendo que estes irmãos eram os primos de Jesus porque na Escritura por vezes o termo irmãos se refere também aos parentes. E para sustentar isto tomam as seguintes passagens: "E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos" (Gen. 13:8); "E tornou a trazer todos os seus bens, e tornou a trazer também a Ló, seu irmão..." (Gen. 14:16); e fazem notar que Ló é chamado irmão de Abrão embora fosse filho de seu irmão Harã, e por isso seu sobrinho. Ao que nós respondemos dizendo que é verdade que por vezes a Escritura com o termo irmãos se refere aos parentes, como sobrinhos, tios, e primos; mas este discurso não se pode fazer no caso dos irmãos de Jesus porque está amplamente demonstrado pelas passagens aqui acima expostas que eles eram verdadeiramente filhos de sua mãe e não seus primos. E depois importa dizer, para confirmação de tudo isto, que pelo que respeita a Tiago ele é chamado por Paulo irmão (em grego: adelfòs) do Senhor, e não primo (em grego: anepsiòs) do Senhor. Com isto queremos dizer que se Tiago, que é chamado "irmão do Senhor", tivesse sido primo do Senhor Paulo não o teria chamado irmão do Senhor, mas sim primo do Senhor; mas Paulo sabia o exacto grau de parentela que havia entre Tiago e o Senhor Jesus, por isso o chamou "irmão do Senhor". Paulo nunca teria chamado o primo do Senhor o "irmão do Senhor", porque ele o primo de alguém o chamava primo, de facto, falando de Marcos aos Colossenses disse: "Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, o primo (em grego: anepsiòs) de Barnabé.." (Col. 4:10). Mas Paulo cria que o Senhor Jesus tinha não um só irmão, mas vários irmãos, de facto aos Coríntios fala dos "irmãos do Senhor" (1 Cor. 9:5) os quais, por aquilo que ele diz, eram casados; confirmando portanto as palavras de Mateus, Marcos, Lucas e João.

A interpretação dada portanto pelos teólogos romanos segundo a qual estes irmãos de Jesus eram os primos de Jesus não tem portanto nenhum fundamento escritural precisamente porque aqueles que são chamados no Evangelho "os seus irmãos" eram filhos da mãe de Jesus e não da sua tia.

Ela foi a primeira pessoa a quem apareceu Cristo depois de ter ressuscitado. É ‘legítimo pensar que verosimilmente a mãe tenha sido a primeira pessoa a quem Jesus ressuscitado apareceu’ (Corriere della Sera, 22.5.97, pag. 15), disse o actual papa.

Falso também isto. A sagrada Escritura com efeito afirma que a primeira pessoa a quem Jesus apareceu depois de ter ressuscitado foi Maria dita Madalena. Eis quanto diz Marcos: "E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes, e chorando" (Marcos 16:9,10). Esta aparição de Jesus a Maria Madalena é relatada pelo discípulo que Jesus amava o qual diz que depois que Pedro e João chegaram ao sepulcro e verificaram que o corpo de Jesus não estava mais no sepulcro tornaram para casa, mas Maria permaneceu junto ao sepulcro a chorar. E enquanto chorava abaixou-se para olhar para dentro do sepulcro e viu dois anjos os quais lhe perguntaram porque chorava. Ela respondeu-lhes que era porque tinham tirado o seu Senhor do sepulcro e não sabia onde o tinham posto. Dito isto, voltou-se e viu Jesus em pé mas não o reconheceu. Jesus perguntou-lhe porque chorava e quem procurava, e ela, pensando que fosse o jardineiro, disse-lhe que se sabia onde o tinham posto para lhe dizer. Então "Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, virando-se, disse-lhe em hebraico: Raboni!-que quer dizer, Mestre. Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus" (João 20:16,17).

Ela foi elevada ao céu. ‘Finalmente, a Virgem Imaculada, que fora preservada imune de toda mancha da culpa original, terminando o curso de sua vida terrena, foi levada para a glória celeste em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do universo, para que se parecesse mais com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte’ (Concílio Vaticano II, Sess. V, cap. VIII). O dogma da assunção de Maria ao céu foi proclamado por Pio XII em 1950. A festa da Assunção de Maria ocorre a 15 de Agosto.

Esta é uma fábula artificiosamente composta para exaltar Maria. Da assunção de Maria não há o mínimo sinal na Palavra de Deus. Podemos dizer que Maria, sendo uma crente, quando morreu foi habitar com o Senhor, mas não que Maria morreu e ressuscitou e foi elevada ao céu com o seu corpo. Maria está no céu com a sua alma e lá está esperando também ela a ressurreição do seu corpo que acontecerá na volta de Cristo. Paulo disse de facto aos Coríntios que Cristo é as primícias dos que dormem e que os que são de Cristo (portanto também Maria) serão vivificados na sua vinda (cfr. 1 Cor. 15:20-23).

Ela ora por nós. Maria faz de medianeira entre Cristo e os homens porque pega nas orações que lhe fazem e as leva a Cristo. O concílio Ecuménico Vaticano II decretou a tal propósito quanto segue:Elevada ao céu ela não abandonou esta missão de salvação, mas com a sua múltipla intercessão continua a obter-nos os dons da salvação eterna (...) Por isso, a Santíssima Virgem é invocada, na Igreja, com os títulos de Advogada, Auxiliadora, Amparo e Medianeira’ (Concílio Vaticano II, Sess. V, cap. VIII).

Isto é falso porque se faz passar Cristo por um juiz impiedoso não acessível directamente aos homens, mas só através da sua mãe que estando ao seu lado lhe enternece o coração. Mas desde quando Jesus na terra se demonstrou impiedoso para com os homens ou inacessível directamente às pessoas? Mas não está porventura escrito que Jesus ao ver as multidões tinha compaixão delas e delas curava os enfermos que lhe traziam? Mas não é porventura verdade que quando aquele leproso foi a Jesus e lhe disse que ele se quisesse o podia limpar Jesus foi movido de grande compaixão e o limpou? E que dizer de quando Jesus chorou diante do sepulcro de Lázaro, ou vendo Jerusalém? Mas não são estas provas da grande compaixão de Cristo? Mas porventura as pessoas na terra para obter piedade dele tinham que fazer-lhe chegar as suas petições através da sua mãe Maria? De modo nenhum! Não há a mínima prova de tudo isso no Evangelho. Jesus sempre endereçou as pessoas a ir directamente a ele, como quando disse por exemplo: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mat. 11:28). Portanto as pessoas do mundo que ainda não o conhecem podem dirigir-se directamente a Cristo para obter graça sem necessitar da mediação de Maria. Seja pois posta de lado esta obra de enternecimento de Maria ao lado de Jesus no céu. Também para os crentes vale o mesmo discurso porque eles também não têm necessidade de nenhum mediador entre eles e Cristo porque a Cristo se pode aceder directamente com toda a liberdade, com a mesma liberdade que possuíam os seus discípulos que andaram, falaram, comeram e beberam juntos com ele quando estava na terra. Temos uma prova desta liberdade que temos de nos chegar a Cristo na invocação de Estevão antes de morrer: ele disse a Jesus: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito" (Actos 7:59); como podeis ver Estevão se dirigiu directamente a Cristo que estava à direita de Deus e não precisou dirigir-se a terceiros para fazer chegar a sua oração ao Filho de Deus. Maria não pode ser de nenhuma maneira medianeira porque a Escritura diz que "há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus homem" (1 Tim. 2:5), por isso como além de Deus não há outro Deus conforme está escrito: "Fora de mim não há Deus" (Is. 44:6), assim além de Cristo não há outro mediador porque ele é o único que existe conforme o que disse ele mesmo: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14:6). A Escritura diz também que Cristo Jesus "pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Heb. 7:25); por isso a intercessão e a mediação de Cristo é suficiente para os que vão a Deus em seu nome, e não necessitam de modo nenhum da intercessão de algum outro. Mas a doutrina católica romana anula esta única e suficiente intercessão que Cristo desenvolve à direita do Pai dizendo aos homens:Recitai sempre com grande devoção a Santa Maria com que reconheceis e invocais Maria como Mãe de Deus. Maria Virgem, porque é verdadeira Mãe de Deus, do céu pode tudo em favor dos seus devotos. Sede fervorosamente devotos dela!’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 139) e: ‘A Virgem santa, com a sua poderosa intercessão, obtém de Deus e dispensa todas as graças divinas de que é depositária’ (P. Pasquale Lorenzin O.F.M, Teologia dogmatica, Verona 1968, vol. II, pag. 505), e ainda: ‘...A Mãe espiritual dos homens conhece perfeitamente todas as necessidades materiais e espirituais dos seus filhos, e a sua intercessão provê a todos segundo as necessidades de cada alma’ (Pasquale Lorenzin, op. cit., pag. 506). Eis como Satanás tem cegado os entendimentos dos Católicos para que a luz do Evangelho não resplandeça neles! Eis o que lhes é ensinado, que Maria é omnipotente no céu quando na realidade não pode fazer absolutamente, e repito absolutamente nada, em favor dos homens que a invocam não só porque não os pode ouvir mas porque não tem o poder de socorrer os mortais como não o têm também os outros fiéis que estão no céu. Também a afirmação de que Maria conhece todas as necessidades dos homens é falsa porque a Escritura diz que "os mortos não sabem coisa nenhuma" (Ecl. 9:5), enquanto aquele de quem se testifica que vive, Ele, digo, conhece as coisas que todos nós necessitamos ainda antes de lhas pedirmos, porque ele é omnisciente.

Eis agora algumas Escrituras que nos mostram que nós somos chamados a orar a Deus só em nome de Cristo:

Ÿ Jesus disse: "Tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei" (João 14:13,14) e também: "Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra" (João 16:23,24);

Ÿ Paulo diz aos santos de Colossos: "E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus..." (Col. 3:17).

Nós crentes nos chegamos ao trono da graça num só nome, o do Senhor Jesus, como precisamente ele mesmo mandou; somos atendidos por Deus Pai em virtude da sua mediação, isto é o que experimentamos continuamente.

Por fim, por quanto respeita à advocacia de Maria devemos dizer que ela é uma impostura porque está escrito claramente: "Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo" (1 João 2:1). Quem crê verdadeiramente em Cristo entrega a sua causa a Cristo, o seu advogado, e não a Maria que não pode defender ninguém no céu como pelo contrário pode fazer Cristo Jesus.

Algumas palavras agora sobre o rosário. O rosário é tanto um objecto material como um modo de orar que usam os Católicos romanos na sua devoção a Maria. Com este modo de orar eles recitam cinco dezenas de Ave Maria, que são intercaladas a cada dez por um Pai Nosso e por uma brevíssima meditação dita mistério que consiste em recordar alguma coisa que concerne à redenção, como a entendem os Católicos, portanto pensando também na intervenção de Maria, de facto os dois últimos mistérios se referem à assunção de Maria e à sua coroação no céu que não são mais que fábulas. Para facilitar a recitação de tal oração eles usam um objecto chamado Rosário ou Terço, formado por uma série de cinquenta pequenos grãos encadeados entre eles e divididos a cada dezena por um grão um pouco mais grosso. Os grãos pequenos representam as Ave Maria, enquanto os mais grossos os Pater Noster. O rosário ‘completo’ consiste na recitação de três terços. Falando do Rosário se deve falar da oração dirigida a Maria que leva o nome de Ave Maria, nome que lhe foi dado pelos Católicos com as palavras que o anjo Gabriel dirigiu a Maria quando lhe apareceu e a saudou, precisamente: "Ave (Te saúdo)" (Lucas 1:28). Esta oração tem um pouco mais de quatro séculos de vida dado que foi introduzida completa no breviário em 1568. A oração diz: ‘Ave Maria. Cheia de graça o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte’. Como podeis ver esta oração é uma invocação a Maria na qual está também as palavras que Isabel dirigiu a Maria quando esta a foi visitar; nela Maria é chamada cheia de graça e mãe de Deus coisas que não são verdadeiras porque Maria não era nem cheia de graça e nem a mãe de Deus, mas apenas uma humilde serva do Senhor que deu à luz Jesus. Com esta oração os Católicos dizem a Maria para rogar por eles naquele momento e na hora da sua morte, coisa que vimos Maria no céu não pode fazer porque ela não pode de nenhuma maneira nem ouvi-los e nem interceder por eles. Mas eu digo: ‘Mas quando na Escritura se diz alguma vez que Maria quis que os discípulos de Jesus orassem a ela? Mas quando alguma vez Maria enquanto ainda estava viva lhes deixou dito para orar a ela porque no céu ela poderia ouvi-los?

Os Católicos dizem as suas orações mecanicamente pensando ser ouvidos pela multidão das suas palavras: o que importa para eles é alcançar o número de orações estabelecido, nada mais. Este é o modo de orar que distingue os pagãos dos Cristãos; ele é vão porque Jesus disse: "E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes..." (Mat. 6:7,8).

A oração nos ensinada por Jesus é o Pai nosso, conforme está escrito: "Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação; mas livra-nos do maligno" (Mat. 6:9-13); elevemo-la a Deus sob o impulso da graça e com fé. É claro porém que nós crentes não somos chamados a dizer apenas esta oração a Deus, porque se lermos as epístolas de Paulo lá encontramos particulares orações que este apóstolo elevava a Deus pelos irmãos (cfr. Ef. 1:15-19; 3:14-19; Fil. 1:9-11; Col. 1:9-12; 2:1-3; 2 Tess. 1:11,12) que faremos bem também nós em levantar com fé a Deus pelos nossos irmãos. Depois há todas as orações feitas com o espírito, ou pelo Espírito Santo (em outra língua) que os que receberam o Espírito Santo são chamados a elevar a Deus precisamente pelo Espírito Santo (cfr. Rom. 8:26,27; Ef. 6:18; Judas 20), sem entender o que eles dizem a Deus. E por fim as invocações que dirigimos a Deus em circunstâncias particulares por nós (ou por outros); antes de viajar para pedir-lhe que nos proteja, no meio de certos perigos, na doença para que nos cure, ou na necessidade de alguma coisa material para que supra a nossa particular necessidade. Mas em todos estes casos as orações são dirigidas a Deus.

Por fim, por quanto respeita ao objecto material feito de grãos de que se usam os Católicos romanos para orar é necessário dizer que ele é de origem pagã porque é usado desde tempos antigos tanto entre os Budistas como entre os Muçulmanos, portanto é um costume, o de orar com o rosário, que afunda as suas raízes no paganismo.

Ela esmagará a cabeça do diabo. Também esta é uma mentira fabricada pela cúria romana para exaltar Maria. É uma mentira que é feita parecer verdade ao povo desta maneira: são tomadas as seguintes palavras que Deus dirigiu à antiga serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te esmagará a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gen. 3:15), e lhe é dada a interpretação que nestas palavras está ensombrada a vitória que Maria alcançará sobre a serpente.

Cuidai que Deus disse à serpente que a descendência da mulher, e não a mulher, lhe esmagaria a cabeça, por isso se deve concluir que Deus com estas palavras predisse à serpente que o Cristo lhe esmagaria a cabeça. Portanto, segundo o que diz a Escritura não será Maria a pisar Satanás mas sim Deus, de facto na epístola aos Romanos Paulo diz: "E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés" (Rom. 16:20). A Deus seja a glória agora e eternamente. Amen.

Ela é co-redentora da humanidade. Maria ‘dependentemente de Cristo, mas como único princípio com Ele, cooperou na redenção objectiva e por isso foi verdadeira co-redentora (...) dependentemente de Jesus, mas como único princípio com Ele, satisfez para todos os pecados da humanidade, pagou a Deus o preço da nossa libertação, ganhou todas as graças para os homens, aplacando (a seu modo) Deus com o seu voluntário e necessário concurso para o sacrifício da cruz’ (Pasquale Lorenzin, op. cit., pag. 499-500).

Esta é uma outra mentira que os teólogos católicos ensinam sobre Maria e o fazem fazendo todo tipo de vãos raciocínios como por exemplo:Pode-se dizer que a virgem seja a salvadora do mundo por ter sofrido junto com o Filho, voluntariamente por ela oferecido à divina justiça’. A Escritura diz de várias maneiras que só Jesus Cristo é o Salvador do mundo porque só ele morreu sobre a cruz pelos nossos pecados e nenhum outro com ele: eis algumas passagens que o afirmam:

Ÿ Jesus disse: "O Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19:10); e: "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á" (João 10:9); e ainda: "Eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo" (João 12:47).

Ÿ Paulo disse: "Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores.." (1 Tim. 1:15);

Ÿ Pedro disse: "E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Actos 4:12);

Portanto nós rejeitamos as afirmações dos teólogos católicos segundo as quais Maria, a mãe de Jesus, tenha sofrido junto com o seu Filho por nós, porque elas são privadas de qualquer fundamento escritural. Fizerem Maria tornar-se também a salvadora do mundo. Realmente os teólogos desta organização religiosa introduziram todo o tipo de mentiras sobre Maria. Ó guias cegos; mas dizei-me:Quem foi pregado na cruz? Jesus ou Maria?’,Quem derramou o seu sangue como preço de resgate pelos nossos pecados? Jesus ou Maria?’, ‘Quem ressuscitou para a nossa justificação? Jesus ou Maria? Mas até quando vos gloriareis da mentira e mentireis contra a verdade?

Ela é a madona ou nossa senhora. O termo madona deriva do termo italiano madonna que é uma palavra latina (mea domina) que significa ‘minha senhora’; este sobrenome dado a Maria não aparece nas sagradas Escrituras mas foi-lhe dado para exaltá-la. Como Tomé chamou a Jesus Cristo "Senhor meu" (João 20:28), assim os Católicos romanos chamam a Maria ‘minha Senhora’ para não fazê-la parecer inferior ao Filho de Deus. Maria não é a nossa Senhora, mas é uma nossa irmã, por isso nós crentes nos recusamos a chamá-la nossa senhora.

Ela é mãe da Igreja. Ela foi declarada tal por Paulo VI em 1964 nestes termos:Nós proclamamos Maria Santíssima mãe da Igreja (...) e queremos que, com este suavíssimo Título, a Virgem seja, de agora em diante, ainda mais honrada e invocada por todo o povo cristão’. Para o nascimento deste título contribuiram as seguintes palavras de Agostinho sobre Maria:...Mas ela é mãe, com plena evidência, dos seus membros - e nós estamos entre estes - porque cooperou, com a caridade, para o nascimento, na Igreja, dos fiéis que são os membros do cabeça’ (Agostinho de Hipona, Da Santa Virgindade, Primeira Parte, primeira secção, VI). Para sustentar com as Escrituras este título lhe dado os teólogos papistas tomam as palavras de Jesus ditas ao discípulo que ele amava: "Eis aí tua mãe!" (João 19:27).

Este título dado a Maria não corresponde de modo nenhum à verdade porque a Escritura a chama a mãe de Jesus mas não a mãe da Igreja, e por isso dissentimos profundamente das referidas palavras de Agostinho. (Tende sempre presente que os teólogos romanos se baseam muitas vezes em palavras de Agostinho para sustentar diversas suas heresias). A mãe da Igreja é a Jerusalém de cima conforme está escrito aos Gálatas: "Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é nossa mãe. Pois está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz; esforça-te e clama, tu que não estás de parto; porque mais são os filhos da desolada do que os da que tem marido" (Gal. 4:26,27). A mãe das filhas de Deus não é Maria mas Sara porque Pedro depois ter dito às mulheres que o seu adorno não deve ser o exterior mas "o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito benigno e pacífico, que é precioso diante de Deus" (1 Ped. 3:4), diz: "Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos, como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, se fazeis o bem e não temeis nenhum espanto" (1 Ped. 3:5,6).

Pelo que concerne ao facto de Jesus quando estava na cruz, vendo sua mãe e junto dela o discípulo que ele amava, ter dito a sua mãe: "Mulher, eis aí o teu filho!" (João 19:26) e ao discípulo: "Eis aí tua mãe" (João 19:27), é necessário dizer que Jesus estas palavras as dirigiu só à sua mãe e só ao discípulo que ele amava, com efeito, está escrito logo depois que "desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa" (João 19:27). Não nos admiramos do facto de a cúria romana tomar diversas passagens que se referem a Maria e as interpretar a seu agrado para exaltar a mãe de Jesus. Porquê? Porque é sabido que os que mentem contra a verdade e se gloriam contra ela porque cheios de contenda e de inveja, para sustentar a mentira mediante a verdade têm que forçosamente dar explicações falsas à Palavra de Deus. Fazem dizer às Escrituras o que elas não dizem; como fazem as Testemunhas de Jeová, os Mórmons, e tantas e tantas outras seitas, nem mais nem menos.

Vimos pois quais são as mentiras que a cúria romana diz sobre Maria; mas julgamos que não tenham acabado por aqui. Qual será a próxima? Porventura que também ela foi gerada pelo Espírito Santo? Ou porventura que quando Jesus voltar do céu sua mãe estará no cavalo branco que ele montará ou quiçá num outro cavalo branco ao seu lado? Estaremos para ver; seja como for é de se esperar de tudo destes guias cegos.

 

As glórias de Maria

 

Para vos fazer compreender quanto os Católicos são apegados ao culto de Maria e o que representa verdadeiramente Maria para eles proponho à vossa atenção alguns trechos tirados do livro As glórias de Maria, escrito por Afonso Maria de Ligório (1696-1787) há mais de dois séculos e aprovado solenemente pela igreja romana com um decreto especial de Gregório XVI. Este livro sobre Maria é muito amado pelos Católicos romanos.

‘Deus quer que todas as graças nos provenham por mão de Maria’ (Alfonso Maria De Liguori, Le glorie di Maria, Roma 1944, pag. 15);Quantas são as criaturas que servem a Deus, tantas devem ainda servir a Maria; já que os Anjos, os homens e todas as coisas que estão no céu e na terra, estando sujeitas ao império de Deus, estão também sujeitas ao domínio da Virgem’ (Alfonso de Liguori, op. cit., pag. 28); ‘O eterno Pai deu ao Filho o ofício de julgar e punir, e à Mãe o ofício de compadecer-se e levantar os miseráveis’ (ibid., pag. 31);Como Adão e Eva por uma maçã venderam o mundo, assim ela com o Filho com um coração resgataram o mundo. Bem pôde Deus, confirma S. Anselmo, criar o mundo do nada; mas tendo-se perdido o mundo pela culpa, não quis Deus repará-lo sem a cooperação de Maria’ (ibid., pag. 206,207);É impossível que se dane um devoto de Maria que fielmente a obsequia e a ela se recomenda’ (ibid., pag. 282). Me fico por aqui com as aberrações escritas por aquele idólatra [5] porque considero que tenhais percebido suficientemente o que é com efeito Maria para os Católicos romanos. E depois os Católicos romanos nos vêm dizer que são Cristãos, que somos todos irmãos e tantas outras belas coisas! Mas quais Cristãos, mas quais irmãos?

Irmãos, me dirigo a vós que falais tanto de ecumenismo: mas vos dais conta com quem tendes a ver? Mas não vedes que vos prendestes com gente que a Cristo não o têm em nenhuma consideração em comparação a Maria? Acordai do vosso sono mortal no qual caístes!

 

Os marianos são idólatras

 

Quem são os marianos? São todos aqueles Católicos que dizem que se deve adorar só a Deus, mas negam com as suas obras esta sua afirmação porque se prostram diante das estátuas e das imagens que figuram Maria e a adoram, oram a ela e a invocam. À cabeça dos marianos está João Paulo II; sob seu empurrão o culto a Maria nesta última década recebeu um forte impulso tanto nesta nação como no resto do mundo. Seja bem claro que a sua habitual afirmação:Mas nós não a adoramos mas a veneramos’, de modo algum significa que eles a recordam e a honram mas não a adoram, porque os factos demonstram o contrário. São idólatras porque oferecem culto a uma criatura em vez de ao Criador; são idólatras porque a Escritura diz: "Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele renderás culto [ ou servirás] " (Mat. 4:10), enquanto eles adoram Maria por eles considerada a sua Senhora e o seu Deus. Como podem afirmar que a sua veneração não é idolatria quando eles louvam, oram e invocam a Maria como se fosse Deus? Há uma outra afirmação a que os Católicos romanos recorrem com o objectivo de fazer perceber que eles não adoram Maria mas adoram só a Deus, e é esta: eles dizem que a Deus dirigem o culto de latria (do grego latreia que significa ‘adoração’ e ‘serviço’) [6], mas a Maria o culto de iperdulia (serviço superior) e não o de latria. É supérfluo dizer que este é um daqueles vãos raciocínios feitos pela cúria romana para defender o culto a Maria. O culto deve ser rendido só a Deus; portanto não importa de que tipo seja o culto rendido a outras pessoas além de Deus, se de dulia, de iperdulia, ou de protodulia, ele é idolatria.

Irmãos, o repito: sabei que todos os que adoram e oram a Maria são idólatras cujos entendimentos foram cegados pelo deus deste século; por isso não vos esquiveis de dizer aos Católicos romanos que eles se devem arrepender (deixando de servir a criatura) e crer na verdade do Evangelho para servir o Criador que é bendito eternamente. Amen.

 

O que diz a Escritura de Maria

 

Depois de ter demonstrado quantas coisas falsas são ditas pelos teólogos papistas sobre Maria quero transcrever o que a sagrada Escritura diz desta nossa irmã em Cristo.

Maria era uma jovem virgem da cidade de Nazaré que tinha sido prometida esposa a um homem da casa e família de Davi, chamado José. Ela, antes que se desposasse com José, no tempo estabelecido por Deus recebeu a visita do anjo Gabriel o qual lhe disse: "Salve, agraciada; o Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Então Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, uma vez que não conheço varão? Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; porque para Deus nada será impossível. Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela" (Lucas 1:28-38).

Depois disso, Maria foi visitar Isabel e quando a saudou, aconteceu que o menino que estava no ventre de Isabel saltou no seu ventre; "e Isabel ficou cheia do Espírito Santo, e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! E donde me provém isto, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor? Pois logo que me soou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria dentro de mim. Bem-aventurada aquela que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas. Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; porque atentou na baixeza de sua serva. Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome. E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Com o seu braço manifestou poder; dissipou os que eram soberbos nos pensamentos de seus corações; depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes. Aos famintos encheu de bens, e vazios despediu os ricos. Auxiliou a Israel, seu servo, lembrando-se da misericórdia de que tinha falado a nossos pais, para com Abraão e a sua descendência para sempre. E Maria ficou com ela cerca de três meses; e depois voltou para sua casa" (Lucas 1:41-56).

Ora, José quando viu que Maria tinha ficado grávida, não sabendo que ela tinha ficado grávida por virtude do Espírito Santo, "intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; e dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de emanuel, que traduzido é: Deus conosco. E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus" (Mat. 1:19-25).

Maria, quando chegou para ela o tempo de parturir, deu à luz o seu filho primogénito e o parturiu em Belém, a aldeia onde estava Davi. A razão pela qual ela e seu marido José se encontravam em Belém quando ela teve que dar à luz foi porque naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto para que se fizesse um recenseamento de todo o império. E como todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade, assim também José, como era da família de Davi, teve que deslocar-se a Belém, a cidade de Davi para alistar-se com Maria sua esposa (cfr. Lucas 2:1-7). Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que tinha dito o profeta Miquéias a propósito do lugar onde nasceria o Cristo do Senhor; o profeta de facto tinha dito: "E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel" (Mat. 2:6; Miq. 5:1). Em Belém, o menino Jesus quando nasceu, foi posto numa manjedoura e lá foram achá-lo os pastores que tinham sido avisados por um santo anjo de Deus do que tinha acontecido em Belém (cfr. Lucas 2:8-18). Quando os pastores disseram o que tinha sido dito a eles daquele menino pelo anjo todos ficaram maravilhados das coisas ouvidas deles, e "Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração" (Lucas 2:19). Ainda em Belém foram achar o menino Jesus os magos que tinham vindo do Oriente para adorá-lo; eles, guiados pela estrela que lhes tinha aparecido no Oriente (cfr. Mat. 2:9), chegaram à casa onde estava o menino, "e entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra" (Mat. 2:11,12).

Depois de tudo isto, José por ordem de Deus se retirou para o Egipto até à morte de Herodes, depois, ainda por ordem de Deus, voltou a Israel e foi habitar numa cidade da Galiléia chamada Nazaré (cfr. Mat. 2:13-23). Foi aqui que Jesus foi criado pelos seus pais. Na idade de cerca de doze anos, os seus pais o levaram a Jerusalém à festa da Páscoa, e terminados os dias da festa, "ao regressarem, ficou o menino Jesus em Jerusalém sem o saberem seus pais" (Lucas 2:43). Quando eles se aperceberam que não estava na comitiva começaram a procurá-lo entre os parentes e os conhecidos e voltaram a Jerusalém em busca dele. O acharam no templo, sentado no meio dos doutores que os ouvia e lhes fazia perguntas (cfr. Lucas 2:44-47). Quando os seus pais o viram "disse-lhe sua mãe: Filho, por que procedeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai?" (Lucas 2:48,49).

Na idade de cerca de trinta anos Jesus deixou a Galiléia e se dirigiu ao Jordão onde foi batizado por João o Batista. Começou desde aquele tempo a pregar o reino de Deus, a curar os enfermos e a expulsar os demónios. O primeiro dos seus milagres, o fez em Caná da Galiléia em ocasião de um convite nupcial ao qual tinha ido com os seus discípulos. Estava presente também sua mãe, a qual quando viu que estava a faltar o vinho disse a Jesus: "Não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora" (João 2:3,4): a estas palavras Maria disse aos serventes: "Fazei tudo quanto ele vos disser" (João 2:5). Os serventes fizeram tudo o que Jesus ordenou eles fazer; encheram seis talhas de água, depois tiraram e levaram ao mestre-sala o qual provou a água que se tinha tornado vinho. Assim Jesus mudou a água em vinho em Caná da Galiléia.

Numa outra ocasião, enquanto ele estava ensinando chegaram sua mãe e seus irmãos os quais ficando fora, o mandaram chamar. Foi-lhe dito: "Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe" (Mar. 3:32-35).

Chegou depois o dia em que Jesus foi crucificado, e Maria sua mãe estava junto da cruz enquanto Jesus sofria sobre ela. Jesus, antes de expirar, "vendo ali sua mãe, e ao lado dela o discípulo a quem ele amava, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa" (João 19:26,27).

Depois que Jesus ressuscitou e foi elevado ao céu, Maria estava com os discípulos no cenáculo a orar junto com eles, de facto está escrito: "Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, que está perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele" (Actos 1:12-14).

Eis as referências sobre Maria presentes na sagrada Escritura. Como podeis ver entre esta Maria e a da igreja católica romana há uma grande diferença.

 

 

O CULTO AOS SANTOS

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

Deve-se orar aos santos que estão no céu porque eles intercedem junto de Deus por nós. Só a igreja tem o direito de reconhecer santo um cristão defunto. Os crentes têm santos no céu que os protegem. José, o marido de Maria, é o patrono da Igreja de Cristo. As relíquias dos santos são dignas de ser veneradas. Segundo a cúria romana aqueles que estão na terra se devem dirigir em oração também aos santos porque eles intercedem por eles junto de Deus, de facto o concílio de Trento decretou quanto segue:O santo sínodo manda a todos os bispos e aos que têm o ofício e o encargo de ensinar, que (...) instruam diligentemente os fiéis, sobretudo no que diz respeito à intercessão e invocação dos Santos (....) Ensinem-lhes que os Santos reinam juntamente com Cristo e oferecem a Deus suas orações pelos homens, que é bom e útil invocá-los com súplicas e recorrer às suas orações, ao seu poder e ao seu auxílio, para alcançar de Deus benefícios por Jesus Cristo seu Filho e nosso Senhor...’ (Concílio de Trento, Sess. XXV). E isto é o que faz Perardi no seu catecismo quando diz: ‘Oremos a eles para que intercedam por nós’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 282). Também para aqueles que são contrários a esta doutrina há o anátema: ‘Aqueles que afirmam que os santos - que gozam da eterna felicidade no céu - não devem ser invocados ou que eles não oram pelos homens ou que invocá-los para que orem por cada um de nós, deva dizer-se idolatria, ou que isso está em desacordo com a palavra de Deus e se opõe à honra do único mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo; ou que é estultície dirigir as nossas súplicas com palavras ou mentalmente aos que reinam no céu, pensam impiamente’ (Concílio de Trento, Sess. XXV). Para sustentar esta doutrina os teólogos papistas tomam esta passagem escrita no livro da Revelação: "E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono. E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus" (Ap. 8:3,4), e também uma passagem escrita num dos livros dos Macabeus (que recordamos são livros não inspirados por Deus) onde se fala de um sonho que contou Judas Macabeu, o qual disse ter visto um sacerdote que tinha morrido o qual orava pelo povo Judeu; ‘Eis o que vira: Onias, que foi sumo sacerdote, homem nobre e bom, modesto em seu aspecto, de caráter ameno, distinto em sua linguagem e exercitado desde menino na prática de todas as virtudes, com as mãos levantadas, orava por todo o povo judeu’ (2 Macabeus 15:12 [Boa Nova-Bíblia Católica, Fortaleza 2003]). Eles tomam também diversas citações dos chamados pais, entre as quais algumas de Agostinho segundo as quais no seu tempo muitas pessoas obtiveram a cura pela intercessão dos mártires; uma destas diz:Se quisesse só referir os milagres das curas obtidas pela intercessão do glorioso mártir santo Estevão na cidade de Calama e na nossa, omitindo todos os outros, teria que escrever uma quantidade de livros’ (Agostinho de Hipona, A cidade de Deus, liv. XXII, cap. VIII).

Segundo o catecismo católico ‘somente a Igreja tem o direito de reconhecer formalmente como Santo um cristão defunto, e propô-lo para a veneração e autorizar a invocação pública dele; coisa que a Igreja faz depois de longos e minuciosos processos de averiguação sobre toda a vida e os escritos dele, e só se forem demonstrados e por ela reconhecidos dois milagres operados depois da morte de tal servo de Deus. A Igreja primeiro o declara beato com um culto limitado depois, se reconhece dois outros milagres operados após a beatificação, o canoniza, o inscreve no cânon, ou seja catálogo, elenco dos Santos; então ele pode ser publicamente honrado e invocado em toda a Igreja’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 284).

‘Dizem-se Santos Patronos, ou protectores aqueles que toda a cidade, diocese, paróquia, instituição, classe social, profissão, etc., elege para seus intercessores diante de Deus, e sob cujo patrocínio se põem as pessoas singulares’ (Dicionário Eclesiástico, Torino 1958, pag. 114). E quais são estes protectores aos quais os Católicos romanos se recomendam e nos quais repõem a sua confiança? Não os citaremos todos por brevidade, mas só alguns.

Ÿ Protectores de categorias de trabalhadores: Francisco de Sales, dos escritores e jornalistas católicos; Alberto Magno, dos estudiosos de ciências naturais; Mateus, dos contabilistas; Francisco de Assis dos ecologistas; Francisco de Paula, dos marinheiros e das sociedades de navegação; Catarina de Sena, das enfermeiras; João Bosco, dos editores italianos; Isidoro-agrícola, dos agricultores; Andrónico, dos prateadores; Ivo, dos advogados; Crispim e Crispiniano, dos sapateiros; Mateus, dos cobradores, dos banqueiros e dos cambistas; José, dos carpinteiros; Lucas, Cosme e Damião, dos médicos; Pedro e André, dos pescadores;.....

Ÿ Protectores que são invocados em determinadas doenças e calamidades: para ser curado das apoplexias, André Avelino; das infestações do demónio, Ubaldo; da peste, Roque; da hérnia, Cataldo; do mal de olhos, Lúcia; de mal de dentes, Apolónia; do mal de garganta, Brás...

Ÿ Protectores que são invocados nas várias necessidades; nas viagens de mar, Francisco Savério; para encontrar coisas perdidas, António de Pádua; para ter prole, Francisco de Paula e Rita; contra os ladrões, furtos, etc., Dimas bom ladrão; contra os raios e as setas, Bárbara; para encontrar marido, Pasquale Baylon... (Enciclopédia Católica, vol. 9, 988, 989).

Ÿ Protectores de algumas cidades de Itália, Brasil e Portugal: Roma, Pedro; Nápoles, Januário; Milão, Ambrósio; Turim, João Batista; Brasília, João Bosco; Rio de Janeiro, Sebastião; S. Paulo e Fortaleza, Nossa Senhora da Assunção; Lisboa, António de Pádua; Porto, João Batista. (Dicionário Eclesiástico, pag. 115).

No Novo Manual do Catequista Perardi, depois de ter explicado que José era o esposo de Maria, e que não foi pai verdadeiro de Jesus mas pai putativo de Jesus porque não foi José a gerar Jesus, diz: ‘Todavia é grande a dignidade de S. José e como esposo de Maria e como custódio de Jesus. Ele foi, se podemos dizer assim, o homem de confiança da Santíssima Trindade...’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 141). Depois diz:Sede devotos de S. José; e rogai-lhe especialmente duas graças: que salve a vossa alma da morte do pecado como salvou Jesus menino da morte lhe ameaçada por Herodes; que como ele morreu assistido por Jesus e por Maria, vos obtenha de morrer invocando devotamente os nomes deles. - Repeti todos os dias as três jaculatórias:Jesus, Maria, José, eu vos dou meu coração e minha alma.. assisti-me na última agonia... expire em paz entre vós minha alma’ (ibid., pag. 141). E por fim Perardi, servindo-se das Escrituras, explica às pessoas porque elas devem orar a José e ser-lhe devotas. Eis o que diz este teólogo: ‘José, filho de Jacó, foi figura de S. José. Ele teve um sonho que contou aos irmãos: Sonhei, disse, que nós estávamos juntos no campo a atar feixes: quando eis que o meu feixe levantou-se e ficou de pé, e os vossos estando ao seu redor, adoravam o meu. Responderam os irmãos a José: Para que tende esse teu sonho? Porventura que tu serás nosso rei? Porventura que tu terás domínio sobre nós? - S. José foi exaltado acima de todos os Santos no céu; todos os homens, seus irmãos, o devem honrar. Teve depois José um outro sonho, no qual viu o sol, a lua e onze estrelas que o adoravam. Mas o pai repreendeu-o, dizendo: Que quer esse dizer? Porventura que eu e os teus irmãos, nos inclinaremos a ti? Eles não entendiam a realidade de que o sonho de José era figura. O sol incriado, o Senhor Jesus Cristo e a Nossa Senhora honram José, chefe da sagrada Família que eles constituíam’ (ibid., pag. 141-142). Isto é o que vem ensinado aos Católicos desde a sua meninice para os fazer orar e adorar a José, que para eles é o patrono da Igreja [7], e os fazer festejar a festa em sua honra!

Os teólogos papistas ensinam que é justo prestar culto às relíquias dos santos. Perardi afirma por exempo: ‘Nós veneramos também o corpo dos Santos, porque serviu-lhes para exercitar virtudes heróicas, foi certamente templo do Espírito Santo, e ressurgirá glorioso para a vida eterna’ (ibid., pag. 285).

Esta veneração que a igreja católica romana nutre pelos corpos dos mortos ou partes deles ou objectos que eles deixaram e a atribuição a eles de virtudes sobrenaturais é confirmada pelos teólogos papistas com algumas Escrituras e com escritos de alguns antigos escritores entre os quais Agostinho de Hipona. As passagens da Escritura sobre as quais se apoiam os teólogos papistas para sustentar que é justo venerar as relíquias e crer que por meio delas Deus concede aos homens benefícios porque tudo isso era feito e crido antigamente são as seguintes. "Ora, as tropas dos moabitas invadiam a terra à entrada do ano. E sucedeu que, estando alguns a enterrarem um homem, viram uma dessas tropas, e lançaram o homem na sepultura de Eliseu. Logo que ele tocou os ossos de Eliseu, reviveu e se levantou sobre os seus pés" (2 Re 13:20,21); "E Deus pelas mãos de Paulo fazia milagres extraordinários. De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam" (Actos 19:11,12). Por quanto respeita antes às palavras de Agostinho de Hipona tomadas para sustento deste culto elas se encontram no seu livro A Cidade de Deus. Ele aqui faz claramente perceber que no seu tempo as relíquias dos mártires eram levadas em procissão pelos bispos com os seus fiéis, e narra que diversos doentes foram curados com as relíquias de Estevão! E com tudo isso se mostra perfeitamente de acordo. E além de falar destas procissões e destas curas ele faz as seguintes afirmações que fazem perceber outrossim claramente que ele também cria que os mortos operavam milagres em favor dos vivos de facto diz: ‘Aqueles mártires, pois, que agora podem alcançar tais graças do Senhor por cujo nome foram mortos, morreram pela fé na ressurreição; por ela sofreram com admirável paciência, e agora podem manifestar um semelhante poder em obter milagres (...) Cremos pois que eles dizem a verdade e que fazem muitos milagres, porque os mártires morreram proclamando a verdade e é por isso que podem fazer os milagres que nós vemos’ (Agostinho de Hipona, A Cidade de Deus, Livro XXII, cap. IX, X).

 

Confutação

 

Os santos que estão no céu não oram por nós

 

A doutrina da intercessão dos santos que estão no céu é uma mentira, porque como Maria não pode mediar entre Deus e os homens, assim não podem mediar os santos que estão no céu em favor dos que estão na terra porque eles não podem de alguma maneira ouvir as orações que os homens lhes fazem. A passagem da Escritura tomada pelos teólogos romanos para sustentar que eles são mediadores, não faz referência a orações suas em favor dos que estão na terra, mas faz referência às orações dos santos que estão na terra feitas a Deus, as quais sobem a Ele como um perfume de cheiro suave. Por quanto respeita ao sonho referido por Judas Macabeu é uma mentira que não tem nada a ver com a verdade. Mediante o relato deste sonho o escritor deste livro conseguiu introduzir no seio de muitos homens a falsa doutrina que os mortos intercedem pelos vivos e conseguiu assim fazer esquecer a muitos homens o nome do Senhor e a sua palavra. Mas o relato de sonhos falsos para desviar o povo de Deus é uma arte sedutora do erro que já era exercida durante a vida dos antigos profetas, de facto Deus diz em Jeremias: "Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, e os contam, e fazem errar o meu povo com as suas mentiras e com as suas leviandades..." (Jer. 23:32). Este exemplo nos serve a nós todos para compreender como o diabo consegue introduzir heresias no seio do povo de Deus também servindo-se do relato de sonhos; por isso é necessário ser prudente e examinar cuidadosamente pelas Escrituras os sonhos que se têm ou que outros dizem ter tido, para evitar aceitar um sonho que vai contra a Palavra de Deus. No curso dos séculos, surgiram muitos falsos profetas que com as suas visões e os seus sonhos seduziram muitos crentes fazendo-lhes crer a mentira, por isso vigiai irmãos e examinai atentamente tanto os sonhos como as visões que ouvis ou que vedes; aceitai-os quando são verazes e confirmam plenamente a verdade, mas rejeitai-os sem hesitar quando se opõem à sagrada Escritura. Pelo que respeita depois às palavras de Agostinho relativamente à intercessão dos santos em favor dos vivos é necessário dizer que este homem errou grandemente.

A Escritura nos ensina que nós crentes nos devemos dirigir em oração a Deus. Eis algumas passagens que testificam isso: "Não estejais ansiosos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com acção de graças" (Fil. 4:6); e: "Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" (Sal. 50:15); e ainda: "Me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei" (Jer. 29:12). E que todas as vezes que oramos a ele devemos fazê-lo em nome de Jesus Cristo, isto é, nos apoiando na sua mediação porque ele é o único mediador entre Deus e nós conforme está escrito: "Há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.." (1 Tim. 2:5), e: "Tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei" (João 14:13), e também: "Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra" (João 16:23,24), e ainda: "... a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda" (João 15:16). Portanto é contrário à sã doutrina tanto dirigirmo-nos em oração aos santos que estão no céu como orar a Deus nos apoiando na mediação deles. Se os santos que estão no céu pudessem ouvir as orações de milhões de pessoas espalhadas sobre a face da terra, isso significaria que eles são capazes de vir ao conhecimento directo das nossas necessidades o que vai abertamente contra a Escritura que ensina que os que estão mortos e foram habitar no céu com o Senhor são criaturas de Deus que não sabem nada do que acontece sobre a terra e não vêem o que sucede nela conforme está escrito: "Os mortos não sabem coisa nenhuma" (Ecl. 9:5), e também: "Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece" (Is. 63:16). E se eles pudessem interceder por nós que estamos na terra isso significaria que no céu há muitos mediadores o que vai contra a Palavra de Deus que diz que entre Deus e os homens há um só mediador, a saber, Jesus Cristo (cfr. 1 Tim. 2:5). Os Católicos romanos definindo os santos que estão no céu poderosos intercessores na realidade diminuem e fazem passar por irrelevante a mediação que Jesus Cristo faz à direita do Pai em favor dos seus discípulos na terra.

 

O modo em que os teólogos papistas sustentam a sua devoção a José é um exemplo que mostra o que significa interpretar arbitrariamente a Palavra de Deus

 

Notastes com que astúcia os teólogos católicos, para sustentar a devoção a José, conseguem fazer dizer à Palavra de Deus o que ela não diz? Assim fazendo, eles demonstram não ser inferiores aos seguidores de Russell ou de outros impostores que interpretaram alegoricamente mas mal algumas passagens da Escritura para fins desonestos. Antes de tudo quero que noteis que estas passagens foram mal citadas por Perardi, de facto, ele diz que no primeiro sonho os feixes dos irmãos de José adoraram o de José, e no segundo que o sol a lua e as onze estrelas o adoraram, o que não é verdade porque na Escritura está escrito que os feixes (ou molhos) dos seus irmãos se inclinavam diante do seu e que o sol e a lua a as onze estrelas se inclinavam perante ele. Perardi diz que os irmãos de José não entenderam a realidade de que o segundo sonho de José era figura, sem se dar conta que também ele dando esta sua interpretação a este sonho demonstra não ter percebido de modo nenhum o significado do sonho de José! Nos encontramos perante uma enésima prova de como o chamado magistério católico esteja no erro e de como dá o significado alegórico que quer à Palavra de Deus para sustentar as suas heresias. Nós nos limitamos a dizer que o significado alegórico dado por Perardi aos dois sonhos que José teve é loucura!

Mas quis citar-vos esta sua fantasiosa interpretação dada aos dois sonhos de José, filho de Jacó, também para vos fazer compreender como seja suficiente dar um significado alegórico errado a alguma Escritura para criar uma falsa doutrina ou para confirmar uma já existente. No curso dos séculos foram muitos os significados alegóricos dados arbitrariamente a muitas passagens da Escritura e por meio deles muitos falsos doutores conseguiram introduzir ou confirmar no seio da Igreja de Deus ensinamentos contrários à sã doutrina. A igreja romana foi sempre fecunda de pretensos doutores que introduziram e confirmaram as mais estranhas doutrinas por meio precisamente de significados alegóricos; ela é bem exercitada nesta arte sedutora do erro tendo-a testado adequadamente no curso dos séculos precedentes. Irmãos, guardai-vos das suas artificiosas interpretações atrás das quais se esconde a astúcia da antiga serpente. E por fim quero dizer que é verdadeiramente loucura declarar José, que é uma criatura, o patrono da Igreja, porque a Igreja tem já o seu patrono que é Deus, o Omnipotente, o Omnisciente e o Omnipresente. Ele é Aquele que a protege, de facto Paulo diz: "Mas fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno" (2 Tess. 3:3), e Isaías que Deus é aquele "que defende a causa do seu povo" (Is. 51:22) e Pedro afirma que Deus tem cuidado de nós (cfr. 1 Ped. 5:7) portanto nos protege também. E poderia prosseguir citando muitas outras passagens mas me fico por aqui.

 

Aqueles que a igreja católica romana faz santos não eram mais do que pecadores que agora estão no inferno

 

Ora, depois de ter demonstrado que os santos que estão no céu não podem interceder pelos homens que estão na terra, e que portanto é completamente inútil invocá-los, quero dizer quem são estes santos assim chamados pelos Católicos. Cuidai que destas considerações que estou para fazer estão excluídos os santos tradicionais, isto é, Paulo, Pedro, João e todos os outros santos de que fala a Escritura, e todos aqueles santos que depois da morte dos apóstolos, embora não tenham anulado o Evangelho como faz a igreja católica romana, foram declarados santos pelos papas e inseridos no cânon dos santos. Pelas palavras do catecismo anteriormente citadas a propósito da canonização compreende-se claramente que segundo a igreja romana são santos só uma parte daqueles que dizem crer, e já esta é uma mentira porque segundo a Escritura todos aqueles que creram no Senhor Jesus são santos porque foram "santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre" (Heb. 10:10); eles foram santificados por Cristo, Deus bendito eternamente, já na terra e não necessitam por isso de ser declarados santos depois de mortos por alguma autoridade eclesiástica. Mas depois é necessário dizer que o defunto é declarado santo pelo chamado papa se for reconhecido ter sido um fiel Católico romano, portanto se for reconhecido que durante a sua vida se ateve escrupulosamente à tradição católica romana, o que equivale a dizer que será declarado santo se orava a Maria e a adorava, se reconhecia o chamado papa como chefe da Igreja, os bispos como pastores instituídos por Cristo, se se esforçou para ganhar o paraíso com obras justas, se combateu portanto fortemente os Protestantes, e por aí adiante [8]. Alguns exemplos que demonstram isto? Roberto Bellarmino, que durante a sua vida foi um dos mais incansáveis defensores das heresias da igreja romana e um dos mais fortes opositores do protestantismo, depois da sua morte foi declarado santo por Pio XI em 1930. Mas além de Bellarmino se pode também citar Afonso de Ligório grande adorador de Maria, autor do infame livro As glórias de Maria, feito santo em 1839 por Gregório XVI. E por fim o cardeal Carlos Borromeu (1538-1584), feito santo por Paulo V em 1610, de quem é dito que foi um dos mais impiedosos perseguidores dos Protestantes, como conselheiro íntimo e escutado pelos seguintes três papas sanguinários: Pio IV (1559-1565), que fez massacrar centenas de Valdenses na Calábria; Pio V (1566-1572), que incitou Carlos IX a massacrar os huguenotes em França e mandou queimar em Itália Paleario e Carnesecchi; e Gregório XIII (1572-1585) que se regozijou da sucedida chacina dos huguenotes e mandou cunhar uma medalha em memória desse evento tão alegre para o papado. Portanto, se chega à conclusão que todos aqueles santos que são reconhecidos tais e canonizados porque obedeceram em tudo e em todo lugar à doutrina da igreja romana não eram mais do que pecadores que depois de mortos foram logo para o inferno a chorar e ranger os seus dentes no meio do ardente fogo à espera do dia do juízo em que serão condenados. (Não podemos porém excluir que dentre estes alguns no momento da morte tenham rejeitado as heresias papistas e se tenham arrependido dos seus pecados e aceite o Senhor e portanto tenham morrido santificados por Deus; nestes casos o nosso referido discurso não vale para eles). Certamente entre os canonizados santos pelos papas não há homens que enquanto estavam em vida (me refiro sobretudo ao período que vai do décimo quarto século até agora) eram contra a doutrina que diz que a justificação se obtém por obras e não por fé somente, contra o primado do chamado papa, contra a oração dirigida a Maria, contra a missa como a repetição do sacrifício de Cristo, contra o purgatório, contra as indulgências, contra o culto das suas chamadas imagens sagradas ou contra tantas e tantas outras coisas tortas que a igreja romana ensina e faz praticar (em suma contra o catolicismo romano), porque estes últimos são por ela definidos e recordados como heréticos, como enganadores, como inimigos da Igreja. Para confirmação disso submeto à vossa atenção algumas palavras do decreto emanado pelo concílio de Constança em 1415 contra João Wycliffe:Nestes nossos tempos o antigo e invejoso inimigo suscitou novas batalhas, para que os aprovados sejam manifestos. Seu chefe e capitão foi um tempo o falso cristão João Wycliffe. Enquanto vivia ele afirmou pertinazmente e ensinou contra a religião cristã e a fé católica muitos artigos (....) Por autoridade do concílio romano e por ordem da igreja (..) se procedeu à condenação de Wycliffe e da sua memória (...) este santo sínodo declara, define e sentencia que João Wycliffe foi herético notório e obstinado, e que morreu na heresia: o anatemiza e condena a sua doutrina. Estabelece e ordena além disso que sejam exumados o seu corpo e os seus ossos, se for possível distingui-los dos corpos dos outros fiéis, e sejam lançados para longe do lugar da sepultura eclesiástica, segundo as legítimas sanções do direito canónico’ (Concílio de Constança, Sess. VIII). Mas o que disse e fez de mal este homem para atrair a si mesmo depois da sua morte a maldição da igreja romana? João Wycliffe (1320-1384) durante a sua vida disse entre outras coisas que o papa não era nem o vigário de Cristo e nem o chefe da Igreja de Deus, que a doutrina da transubstanciação era falsa, que Cristo não tinha instituído a missa, que não era necessário crer nas indulgências do papa; e depois traduziu o Novo Testamento em inglês para o colocar ao alcance do povo. Mas de homens que serão sempre recordados pelo papado como heréticos e enganadores para quem não há a mínima esperança de serem canonizados santos, mas que na realidade eram santos se poderiam citar muitos outros. Como podeis bem compreender há justos que são recordados pela igreja romana como se durante a sua vida tivessem feito as obras dos malvados, e há muitos malvados que ela recorda com grande respeito como se eles durante a sua vida tivessem sido verdadeiros santos. Basta ver o elenco dos santos da igreja católica romana para dar conta de como ela declarou santos muitos homens malvados, arrogantes, etc. Nós crentes portanto não podemos nos pôr a chamar santos homens e mulheres que viveram toda uma vida em rebelião à Palavra de Deus para obedecer à tradição católica romana e que agora estão nas chamas do Hades. Não podemos aceitar nem estas suas canonizações, e nem o facto de eles serem declarados dignos de ser invocados e orados [9].

Ó Católicos romanos, caí em vós mesmos, arrependei-vos dos vossos pecados diante de Deus e crede no seu Filho e sereis nesse instante feitos santos pelo Deus vivo. Sereis assim acrescentados ao número dos verdadeiros santos que só Deus conhece e que depois de mortos vão para o céu. Compreendereis então como esta canonização papal não é mais que uma mentira que ainda por cima serve para a chamada sede apostólica se enriquecer porque deveis saber que para fazer declarar santo alguém pelo papa é preciso pagar muito e muito dinheiro. Considerai por um momento isto: Deus para santificar alguém não pede dinheiro mas o faz gratuitamente, a cúria romana ao invés para fazer santo alguém quer dinheiro. Mas sobretudo considerai que aqueles que Deus santifica são verdadeiros santos, enquanto aqueles que o papa canoniza santos são pecadores que habitam no inferno feitos passar por santos na terra. Ah, se estes homens pudessem sair do inferno e voltar à terra! Declarariam ao mundo inteiro que eles estavam no inferno a sofrer penas indizíveis enquanto na terra eram feitos passar por poderosos intercessores junto de Deus!

 

Os protectores dos Católicos romanos não protegem ninguém

 

Vimos quais são (uma parte) os protectores dos Católicos romanos. Temos que portanto afirmar que na teoria os Católicos dizem crer em Deus mas na prática demonstram que eles Deus não o conhecem, não o consideram poderoso para socorrê-los em nenhuma das suas necessidades; em verdade o povo católico romano foi enganado pela cúria romana. Eis as provas que demonstram quanto idólatras e supersticiosos sejam os Católicos; são como os antigos pagãos que tinham um deus a invocar para cada sua angústia, e depois nos vêm dizer que são Cristãos! e se ofendem se não lhes damos razão. Mas como se lhes pode dar razão diante de mais estas provas comprovantes da sua separação da vida de Deus? E depois os teólogos papistas afirmam que esta tradição de invocar os seus santos nas diferentes angústias faz parte da revelação de Deus? Mas como se permitem dizer que Deus tenha revelado tais aberrações? O nosso Deus está vivo, o seu ouvido não é surdo, para não poder ouvir, o seu braço é poderoso para socorrer todo aquele que o invoca em qualquer angústia que se encontre, a sua mão não está encolhida para que não possa salvar; é Ele que se deve invocar na angústia, é n`Ele que importa ter plena confiança, não nos santos que estão no céu. Porque eles não podem proteger ninguém dos perigos porque para isso, isto é, para proteger os fiéis, estão encarregados os anjos de Deus conforme está escrito: "O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra" (Sal. 34:7), e ainda: "Aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos" (Sal. 91:11) [10]. Ó homens que professais a religião católica romana quando caireis em vós mesmos e vos voltareis para o Senhor para obter o seu perdão e a sua ajuda? Deixai de invocar os mortos; invocai o Deus vivo e verdadeiro enquanto Ele está perto; deixai de procurar o favor de Fulano e de Beltrano que estão mortos e sepultados e não podem fazer nada por vós e buscai ao Senhor enquanto se pode ainda achar. Salvai-vos desta assembleia pseudocristã!

 

O nosso protector, curador e socorredor

 

Nós crentes temos como protector o Senhor Deus Omnipotente, o Senhor dos Exércitos, o Criador de todas as coisas, o Santo; n`Ele nos refugiamos; debaixo das suas asas nos sentimos seguros porque está escrito: "Porque tu disseste: ó Senhor, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação. Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos" (Sal. 91:9-11), e também: "O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita. O sol não te molestará de dia nem a lua de noite. O Senhor te guardará de todo o mal; guardará a tua alma. O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre" (Sal. 121:5-8). Ainda ele é o nosso curador, porque está escrito: "Ele é o que... sara todas as tuas enfermidades" (Sal. 103:3), por isso Ele invocamos nas nossas enfermidades, como fez o profeta Jeremias dizendo: "Cura-me, ó Senhor, e serei curado" (Jer. 17:14). E por fim nas nossas múltiplas necessidades, ou no meio das calamidades é ainda Ele aquele que invocamos; para encontrar coisas perdidas, para encontrar mulher ou marido, para ter crianças quando elas não venham, para encontrar casa, para encontrar trabalho, e para todas as outras necessidades invocamos o nosso Deus porque ele nos disse: "Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" (Sal. 50:15). Nós temos um grande Deus de quem temos experimentado a fidelidade em todas as nossas angústias; em verdade cada um de nós pode e deve dizer, como Davi, "clamou este pobre, e o Senhor o ouviu, e o salvou de todas as suas angústias" (Sal. 34:6).

A Deus que nos liberta de todas as nossas angústias, seja a glória, a honra e o louvor eternamente. Amen.

 

A veneração das relíquias é idolatria

 

Eis aqui uma outra prática da igreja romana que é reprovável porque mentira: a veneração dos corpos dos mortos ou de alguns dos seus restos que eles dizem relíquias. Começamos por dizer que não é verdade que os corpos que eles dizem venerar tenham sido os corpos de homens verdadeiramente santos porque como vimos por santo a Palavra de Deus não entende um homem que tenha exercitado ‘virtudes heróicas’ para ganhar por meio delas o paraíso (porque um tal, segundo a Escritura, é um pecador), mas um homem que creu no Senhor e foi justificado por graça e santificado pelo Espírito Santo. Vos recordo a tal propósito que Paulo quando escreveu aos santos de Corinto se dirigiu a todos eles como "aos santificados em Cristo Jesus" (1 Cor. 1:2), e que disse a todos eles que tinham crido: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1 Cor. 3:16). Portanto é errado pensar que exista uma categoria de pessoas que depois que morreram se podem declarar santas porque fizeram obras de caridade em favor dos fracos a fim de ganhar a vida eterna. Mas nós dizemos que mesmo que aquele que morreu tenha sido durante a sua vida um verdadeiro santo, isto é, um crente em Cristo Jesus que foi de exemplo aos crentes porque imitou Cristo Jesus, o seu corpo não deve ser de modo nenhum venerado como não deve ser de modo nenhum visitado periodicamente o seu túmulo como se dele se pudesse obter alguma graça. Isto o dizemos nos fundando no facto de que os santos antigos quando morriam seus confraternos de modo nenhum começavam a venerar os seus corpos. Eis algumas passagens da Escritura que testificam isso.

Ÿ Quando morreu João o Batista, (de quem a Escritura diz que enquanto estava em vida Herodes o temia "sabendo que era homem justo e santo" (Mar. 6:20), e que tinha sido cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe [cfr. Lucas 1:15]) os seus discípulos "foram, tomaram o seu corpo, e o puseram num sepulcro" (Mar. 6:29); mas não é que os seus discípulos desde então começaram a venerar o corpo dele decapitado indo ao sepulcro para orar.

Ÿ Estevão era um homem cheio de Espírito Santo que fazia grandes sinais e prodígios entre os Judeus, e quando morreu apedrejado pelos Judeus aconteceu que "uns homens piedosos sepultaram a Estêvão, e fizeram grande pranto sobre ele" (Actos 8:2). Eis o que é lícito fazer por um morto; sepultá-lo com honra e fazer pranto por ele, mas nada mais.

Ir ao sepulcro onde está sepultado um crente que viveu santamente com a convicção que tocando a sua sepultura se pode obter uma graça de Deus é só superstição, portanto um sentimento que não procede de Deus. Um crente pode-nos ajudar enquanto está em vida fazendo-nos bem, orando por nós etc., mas uma vez que ele morre não está mais capaz de fazer algo de bom em nosso favor porque vai para o céu na presença do Senhor: por isso é completamente ilusório confiar em suas presumidas intercessões junto de Deus ou crer que ele pode fazer milagres em prol dos vivos também depois de morto. Nós devemos venerar o Deus que habitou no corpo dos santos e não os seus corpos mortos que viram a corrupção.

 

Algumas palavras a propósito da interpretação dada a certas passagens da Escritura para sustentar a veneração das relíquias

 

Por quanto respeita à primeira Escritura, citada pelos teólogos papistas para confirmação da veneração das relíquias, é necessário dizer que o morto foi lançad