Capitulo 7

O culto a Maria, aos santos e aos anjos; as estátuas e as imagens; as peregrinações e as procissões

 

O CULTO A MARIA

 

A igreja católica romana, como bem sabeis, tributa um culto a Maria, a mãe de Jesus. A Maria são dirigidas orações e cânticos; as estátuas e as imagens que a figuram estão um pouco por todo o lado, nas basílicas católicas, nos hospitais, nos orfanatos, nos colégios, pelas ruas, pelas praças, sobre os montes, nas grutas, nas casas; por elas muita gente entra em delírio, diante delas muitas pessoas se prostram invocando-a para que as ajude, as cure, as console, e para que as salve. A Maria são também dedicados dois meses por ano; Maio, o mês de Maria; e Outubro, o mês do Rosário. Algumas das festas universais em sua honra são: 1) A Imaculada Conceição (8 de Dezembro); 2) a Natividade (8 de Setembro); 3) a Anunciação (25 de Março, nove meses antes do natal); 4) a Purificação (2 de Fevereiro); 5) a Assunção (15 de Agosto). Por quanto respeita depois aos santuários marianos venerados por milhões de Italianos existem dezenas deles em toda a Itália. No mundo inteiro são muitíssimos.

Maria na realidade é mais importante do que Jesus para os Católicos romanos [1], para eles é uma espécie de deusa omnipotente a quem até Jesus deve obedecer. Isto é o que lhes inculcaram os padres desde a sua meninice. De Maria é dito pelos padres que foi concebida sem pecado e durante a sua vida nunca pecou, que é a mãe de Deus, que permaneceu sempre virgem, que foi a primeira pessoa a quem Jesus apareceu depois de ter ressuscitado, que foi elevada ao céu alma e corpo após ser ressuscitada, que no céu ora pelos Cristãos, que um dia esmagará a cabeça do diabo, que é co-redentora da humanidade, que é a nossa senhora, e que é a mãe da Igreja.

 

Confutação das heresias ditas sobre Maria

 

Ela foi concebida sem pecado. ‘Maria no primeiro instante da sua concepção, por uma graça especial, foi preservada pura de toda a mancha de pecado original. - É de fé.’ (Bernardo Bartmann, Manual de Teologia Dogmática, vol. II, pag. 168). Portanto Maria teria sido concebida e teria nascido sem pecado. O dogma da imaculada conceição de Maria foi emanado, com o favor dos Jesuítas, por Pio IX em 1854 nestes termos:A santíssima Virgem Maria no primeiro instante da sua concepção, por uma graça e um privilégio singular de Deus omnipotente, em previsão dos méritos de Jesus Cristo Salvador do género humano, foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original’ (Bula Ineffabilis Deus de 8 de dezembro de 1854). A razão adoptada é que Jesus para poder nascer imaculado necessitava de uma mãe também imaculada.

Este dogma é uma mentira porque todos os homens e todas as mulheres nascidos sobre a terra (além de Jesus) nascem com o pecado conforme está escrito: "Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (Sal. 51:5), e ainda: "Todos pecaram" (Rom. 3:23), por isso também Maria tinha pecado e não podia dizer, e estamos seguros que não o disse ou pensou alguma vez, de ter nascido sem pecado [2]. O facto de ela própria ter reconhecido que Deus era o seu Salvador dizendo: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador" (Lucas 1:46,47), demonstra que ela não tinha nascido sem pecado, porque em tal caso não chamaria a Deus seu Salvador e não teria tido necessidade de ser salva. ‘Mas os teólogos romanos afirmam que também Maria foi salva’, dirá alguém. Nós respondemos:Sim, mas a tal propósito fazem um discurso todo particular’. Bartmann diz por exemplo: Também Maria foi remida por Cristo, como todo outro homem, mas de modo diferente a todos os outros (...) A sua redenção consiste na preservação e não na libertação do pecado (redemptio praeservativa, não reparativa)’ (Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 169). Mas nós queríamos perguntar a este: ‘Mas se Maria foi preservada do pecado mas não liberta dele como se pode afirmar que ela foi salva?’ Temos que reconhecer que os teólogos romanos fizeram recurso a toda a espécie de sofisma para enganar as pessoas! Não, não é de modo nenhum assim como dizem os teólogos papistas. Paulo diz aos Gálatas que "a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes" (Gal. 3:22), por isso também Maria tinha sido encerrada por Deus debaixo do pecado para que também ela obtivesse misericórdia pela fé no Senhor Jesus Cristo. Mas queremos exibir uma outra prova escritural que Maria não nasceu sem pecado, o sacrifício que José e Maria ofereceram no templo quando foram apresentar o menino Jesus (cfr. Lucas 2:22-24). A lei diz de facto: "Mas, se as suas posses (da mulher) não bastarem para um cordeiro, então tomará duas rolas, ou dois pombinhos: um para o holocausto e outro para a oferta pelo pecado; assim o sacerdote fará expiação por ela, e ela será limpa" (Lev. 12:8). Portanto Maria teve que oferecer também ela aquele sacrifício pelo pecado. Agora, nós perguntamos:Se ela estivesse sem pecado que necessidade havia de oferecer aquele sacrifício?’ Nos respondam os contenciosos. Mas vejamos agora quais são as inevitáveis consequências a que leva a afirmação papista de que para que Jesus pudesse nascer imaculado era necessário que também sua Mãe fosse imaculada. Antes de tudo faz-se passar Deus por mentiroso porque Ele diz que "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rom. 3:23); e depois exalta-se Maria sobre todas as outras criaturas fazendo-a parecer uma espécie de deusa quando com efeito ela se declarou a serva do Senhor; depois faz-se esquecer às pessoas que Jesus nasceu sem pecado não porque sua mãe estivesse sem pecado mas porque foi gerado no ventre de sua mãe pelo Espírito de Deus que é santo e portanto Deus não precisava de uma mulher sem pecado para fazer nascer o seu Único Filho do seu ventre. Além disso se Maria era imaculada teremos que deduzir que também sua mãe, sua avó e todas as outras mulheres presentes na sua genealogia fossem também elas imaculadas, e portanto se estabeleceria uma cadeia de mulheres imaculadas, o que é diabólico. E por fim definindo Maria nascida sem pecado e que viveu também sem pecado (porque se deve ter presente que a igreja papista também ensina que ela ‘foi isenta durante toda a sua vida do pecado pessoal’ [Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 174] [3]), é por conseguinte espontâneo dizer que ela não precisou de ser resgatada e purificada pelo sangue de Cristo como os outros, precisamente porque estava sem pecado. Mas então como é que morreu se ela estava sem pecado dado que a Escritura diz que "entrou… pelo pecado a morte" (Rom. 5:12) e que "o aguilhão da morte é o pecado" (1 Cor. 15:56)? A resposta é uma só: pelos pecados dos homens!! E eis que então há duas mortes expiatórias e não mais só a de Cristo. E não é porventura assim para os Católicos romanos? Quando eles chamam Maria co-redentora da humanidade o que querem dizer senão que Cristo remiu os homens junto com ela? Eis quais são as outras heresias que brotam do dogma da imaculada conceição de Maria. Pela enésima vez se tem que reconhecer que um abismo chama outro abismo.

Ela é a mãe de Deus. ‘Maria é Mãe de Deus em sentido verdadeiro e próprio. - É de fé’ (Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 157). Maria foi definida mãe de Deus pelo concílio de Éfeso de 431. O segundo concílio Constantinopolitano lançou o seguinte anátema contra os que não a consideram tal:Se alguém afirma que a santa gloriosa e sempre virgem Maria só impropriamente e não segundo verdade é mãe de Deus (...) e não a considera deveras e segundo verdade mãe de Deus (...) este seja anátema’.

Esta doutrina é uma mentira porque Deus é o Criador de todas as coisas enquanto Maria era apenas uma criatura. Certo, ela foi escolhida para dar à luz o Filho de Deus, mas tende sempre presente que a Palavra que foi feita carne estava com Deus e era Deus antes que Deus criasse todas as coisas, portanto também antes que Maria fosse concebida no ventre de sua mãe; e que o Filho de Deus co-eterno com o Pai nascesse de Maria segundo a carne porque ele era o Unigénito que estava junto do Pai antes da fundação do mundo; e por fim como por meio da Palavra foram feitas todas as coisas e "sem ela nada do que foi feito se fez" (João 1:3), assim por conseguinte também Maria como todas as outras criaturas foi feita por meio da Palavra e por isso não pode ser definida ‘mãe de Deus’ mas deve ser chamada apenas a mãe de Jesus. Querer defender a divindade de Cristo dizendo que Maria é a mãe de Deus (como fez o concílio de Éfeso) é um erro porque faz aparecer aquela humilde serva do Senhor que era Maria como nada menos que a mãe do Criador! A Escritura, que é inspirada por Deus, definiu Maria a mãe de Jesus; por isso, considerando que aqueles que a chamaram assim falaram inspirados pelo Espírito Santo e acreditavam que Jesus Cristo era Deus porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, ninguém tem o direito de chamar a Maria mãe de Deus. Os teólogos da igreja romana tomam as seguintes palavras que Isabel, cheia de Espírito, dirigiu a Maria: "E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?" (Lucas 1:43), para sustentar que têm o direito de chamá-la ‘mãe de Deus’. Não é de modo nenhum assim como eles dizem, porque Cristo Jesus é o nosso Senhor mas não é o nosso Pai celestial, de facto nós quando nos dirigimos a Cristo seja nos cânticos ou em adoração não o chamamos Pai, mas sim Senhor. Este era também o comportamento dos apóstolos de facto Paulo aos Coríntios diz: "Para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também" (1 Cor. 8:6); e aos Filipenses diz: "Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai" (Fil. 2:9-11). Como podeis ver o apóstolo confessava com a sua boca que Cristo é o Senhor e não o nosso Pai celestial, de facto nestas Escrituras o Senhor Jesus Cristo é mencionado separadamente de Deus Pai. Portanto Isabel fez bem em chamar Maria, "mãe do meu Senhor", porque chamando-a assim reconheceu que aquele que estava no ventre de Maria era o seu Senhor. Também nós afirmamos que Maria era a mãe do nosso Senhor, mas assim dizendo não atribuímos a Maria, nem culto, nem particulares e especiais cuidados mas dizemos somente a verdade acerca dela. Lembrai-vos que quando os magos vindos do Oriente entraram na casa onde estava o menino Jesus, a Escritura diz que eles "viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra" (Mat. 2:11). Aqueles magos viram tanto o menino como sua mãe mas prostraram-se para adorar o menino e não Maria sua mãe, no entanto sabiam que aquela mulher era a mãe do rei dos Judeus que tinha nascido. Além disso, quando eles abriram os seus tesouros pegaram em dádivas para oferecê-las ao menino e não à sua mãe. Lembrai-vos também que um dia enquanto Jesus falava uma mulher dentre a multidão levantou a voz e disse a Jesus: "Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste. Mas ele disse: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!" (Lucas 11:27,28). Jesus sabia que Maria tinha sido escolhida por Deus para concebê-lo e o dar à luz; ele sabia que Maria era bendita entre as mulheres precisamente por ter posto no mundo ele que era o Filho de Deus, e isso não obstante quando aquela mulher diante de muitas pessoas proclamou bem-aventurado o ventre que o trouxe e os peitos em que ele mamou, Jesus proclamou a bem-aventurança dos que ouvem a Palavra de Deus e a guardam. Cuidai que com esta resposta Jesus não disse que Maria sua mãe não era bem-aventurada, mas deu a prioridade à bem-aventurança que experimentam aqueles que são fazedores da Palavra de Deus, em vez de à alegria que certamente a mãe de Jesus experimentou seja em trazer no seu ventre por nove meses Aquele que foi gerado (segundo a carne) pelo Espírito Santo, seja em amamentá-lo. Aliás Maria no seu cântico tinha dito: "Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas" (Lucas 1:48,49), e na exclamação daquela mulher já vemos o cumprimento dessas palavras. Ainda hoje muitos dizem bem de Maria e nós estamos entre eles, mas enquanto se trata de bendizer Maria (dizer bem dela) dizendo que ela é definida pela Palavra "bendita entre as mulheres " e "bem-aventurada" não há nada de mal; mas quando, ao contrário, sucede que os homens além de a chamarem bem-aventurada a adoram e oram a ela então eles se fazem culpados de um pecado que é o de idolatria.

Ela permaneceu sempre virgem. ‘Maria concebeu e deu à luz seu Filho sem dano para a sua virgindade, e continuou virgem também depois do parto. - É de fé’ (Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 163).

É falso que Maria permaneceu virgem depois do parto porque a Escritura afirma que José "recebeu a sua mulher; e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus" (Mat. 1:24,25). Isto significa que José, depois que Maria deu à luz Jesus, conheceu sua mulher [4]. Mas não só José a conheceu como também teve filhos dela porque Jesus tinha irmãos e irmãs. Estas Escrituras confirmam que Maria concebeu e deu à luz outros filhos depois de Jesus.

Ÿ "E deu à luz a seu filho primogénito" (Lucas 2:7), por isso se Jesus tivesse sido o seu único filho teria sido chamado o seu unigénito e não o seu primogénito.

Ÿ "E, partindo dali, chegou à sua terra, e os seus discípulos o seguiram. E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco as suas irmãs?" (Mar. 6:1-3);

Ÿ "Chegaram então os seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar" (Mar. 3:31);

Ÿ "Nem mesmo os seus irmãos criam nele" (João 7:5);

Ÿ "Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele" (Actos 1:14);

Ÿ Paulo aos Coríntios: "Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?" (1 Cor. 9:5);

Ÿ Paulo aos Gálatas: "Passados três anos, fui a Jerusalém para ver Cefas, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum dos outros apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor" (Gal. 1:18,19);

Ÿ Nos Salmos está dito a propósito do Cristo: "Tornei-me… um desconhecido para os filhos de minha mãe" (Sal. 69:8). (Como podeis ver a Escritura tinha anunciado desta particular maneira que a virgem que conceberia e daria à luz o Cristo de Deus não permaneceria virgem porque teria outros filhos, de facto o Espírito de Cristo disse através de Davi: "Tornei-me um desconhecido para os filhos de minha mãe").

A Escritura é clara portanto a tal respeito, Jesus tinha irmãos e irmãs. Mas os teólogos romanos a obscureceram dizendo que estes irmãos eram os primos de Jesus porque na Escritura por vezes o termo irmãos se refere também aos parentes. E para sustentar isto tomam as seguintes passagens: "E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos" (Gen. 13:8); "E tornou a trazer todos os seus bens, e tornou a trazer também a Ló, seu irmão..." (Gen. 14:16); e fazem notar que Ló é chamado irmão de Abrão embora fosse filho de seu irmão Harã, e por isso seu sobrinho. Ao que nós respondemos dizendo que é verdade que por vezes a Escritura com o termo irmãos se refere aos parentes, como sobrinhos, tios, e primos; mas este discurso não se pode fazer no caso dos irmãos de Jesus porque está amplamente demonstrado pelas passagens aqui acima expostas que eles eram verdadeiramente filhos de sua mãe e não seus primos. E depois importa dizer, para confirmação de tudo isto, que pelo que respeita a Tiago ele é chamado por Paulo irmão (em grego: adelfòs) do Senhor, e não primo (em grego: anepsiòs) do Senhor. Com isto queremos dizer que se Tiago, que é chamado "irmão do Senhor", tivesse sido primo do Senhor Paulo não o teria chamado irmão do Senhor, mas sim primo do Senhor; mas Paulo sabia o exacto grau de parentela que havia entre Tiago e o Senhor Jesus, por isso o chamou "irmão do Senhor". Paulo nunca teria chamado o primo do Senhor o "irmão do Senhor", porque ele o primo de alguém o chamava primo, de facto, falando de Marcos aos Colossenses disse: "Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, o primo (em grego: anepsiòs) de Barnabé.." (Col. 4:10). Mas Paulo cria que o Senhor Jesus tinha não um só irmão, mas vários irmãos, de facto aos Coríntios fala dos "irmãos do Senhor" (1 Cor. 9:5) os quais, por aquilo que ele diz, eram casados; confirmando portanto as palavras de Mateus, Marcos, Lucas e João.

A interpretação dada portanto pelos teólogos romanos segundo a qual estes irmãos de Jesus eram os primos de Jesus não tem portanto nenhum fundamento escritural precisamente porque aqueles que são chamados no Evangelho "os seus irmãos" eram filhos da mãe de Jesus e não da sua tia.

Ela foi a primeira pessoa a quem apareceu Cristo depois de ter ressuscitado. É ‘legítimo pensar que verosimilmente a mãe tenha sido a primeira pessoa a quem Jesus ressuscitado apareceu’ (Corriere della Sera, 22.5.97, pag. 15), disse o actual papa.

Falso também isto. A sagrada Escritura com efeito afirma que a primeira pessoa a quem Jesus apareceu depois de ter ressuscitado foi Maria dita Madalena. Eis quanto diz Marcos: "E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes, e chorando" (Marcos 16:9,10). Esta aparição de Jesus a Maria Madalena é relatada pelo discípulo que Jesus amava o qual diz que depois que Pedro e João chegaram ao sepulcro e verificaram que o corpo de Jesus não estava mais no sepulcro tornaram para casa, mas Maria permaneceu junto ao sepulcro a chorar. E enquanto chorava abaixou-se para olhar para dentro do sepulcro e viu dois anjos os quais lhe perguntaram porque chorava. Ela respondeu-lhes que era porque tinham tirado o seu Senhor do sepulcro e não sabia onde o tinham posto. Dito isto, voltou-se e viu Jesus em pé mas não o reconheceu. Jesus perguntou-lhe porque chorava e quem procurava, e ela, pensando que fosse o jardineiro, disse-lhe que se sabia onde o tinham posto para lhe dizer. Então "Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, virando-se, disse-lhe em hebraico: Raboni!-que quer dizer, Mestre. Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus" (João 20:16,17).

Ela foi elevada ao céu. ‘Finalmente, a Virgem Imaculada, que fora preservada imune de toda mancha da culpa original, terminando o curso de sua vida terrena, foi levada para a glória celeste em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do universo, para que se parecesse mais com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte’ (Concílio Vaticano II, Sess. V, cap. VIII). O dogma da assunção de Maria ao céu foi proclamado por Pio XII em 1950. A festa da Assunção de Maria ocorre a 15 de Agosto.

Esta é uma fábula artificiosamente composta para exaltar Maria. Da assunção de Maria não há o mínimo sinal na Palavra de Deus. Podemos dizer que Maria, sendo uma crente, quando morreu foi habitar com o Senhor, mas não que Maria morreu e ressuscitou e foi elevada ao céu com o seu corpo. Maria está no céu com a sua alma e lá está esperando também ela a ressurreição do seu corpo que acontecerá na volta de Cristo. Paulo disse de facto aos Coríntios que Cristo é as primícias dos que dormem e que os que são de Cristo (portanto também Maria) serão vivificados na sua vinda (cfr. 1 Cor. 15:20-23).

Ela ora por nós. Maria faz de medianeira entre Cristo e os homens porque pega nas orações que lhe fazem e as leva a Cristo. O concílio Ecuménico Vaticano II decretou a tal propósito quanto segue:Elevada ao céu ela não abandonou esta missão de salvação, mas com a sua múltipla intercessão continua a obter-nos os dons da salvação eterna (...) Por isso, a Santíssima Virgem é invocada, na Igreja, com os títulos de Advogada, Auxiliadora, Amparo e Medianeira’ (Concílio Vaticano II, Sess. V, cap. VIII).

Isto é falso porque se faz passar Cristo por um juiz impiedoso não acessível directamente aos homens, mas só através da sua mãe que estando ao seu lado lhe enternece o coração. Mas desde quando Jesus na terra se demonstrou impiedoso para com os homens ou inacessível directamente às pessoas? Mas não está porventura escrito que Jesus ao ver as multidões tinha compaixão delas e delas curava os enfermos que lhe traziam? Mas não é porventura verdade que quando aquele leproso foi a Jesus e lhe disse que ele se quisesse o podia limpar Jesus foi movido de grande compaixão e o limpou? E que dizer de quando Jesus chorou diante do sepulcro de Lázaro, ou vendo Jerusalém? Mas não são estas provas da grande compaixão de Cristo? Mas porventura as pessoas na terra para obter piedade dele tinham que fazer-lhe chegar as suas petições através da sua mãe Maria? De modo nenhum! Não há a mínima prova de tudo isso no Evangelho. Jesus sempre endereçou as pessoas a ir directamente a ele, como quando disse por exemplo: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mat. 11:28). Portanto as pessoas do mundo que ainda não o conhecem podem dirigir-se directamente a Cristo para obter graça sem necessitar da mediação de Maria. Seja pois posta de lado esta obra de enternecimento de Maria ao lado de Jesus no céu. Também para os crentes vale o mesmo discurso porque eles também não têm necessidade de nenhum mediador entre eles e Cristo porque a Cristo se pode aceder directamente com toda a liberdade, com a mesma liberdade que possuíam os seus discípulos que andaram, falaram, comeram e beberam juntos com ele quando estava na terra. Temos uma prova desta liberdade que temos de nos chegar a Cristo na invocação de Estevão antes de morrer: ele disse a Jesus: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito" (Actos 7:59); como podeis ver Estevão se dirigiu directamente a Cristo que estava à direita de Deus e não precisou dirigir-se a terceiros para fazer chegar a sua oração ao Filho de Deus. Maria não pode ser de nenhuma maneira medianeira porque a Escritura diz que "há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus homem" (1 Tim. 2:5), por isso como além de Deus não há outro Deus conforme está escrito: "Fora de mim não há Deus" (Is. 44:6), assim além de Cristo não há outro mediador porque ele é o único que existe conforme o que disse ele mesmo: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14:6). A Escritura diz também que Cristo Jesus "pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Heb. 7:25); por isso a intercessão e a mediação de Cristo é suficiente para os que vão a Deus em seu nome, e não necessitam de modo nenhum da intercessão de algum outro. Mas a doutrina católica romana anula esta única e suficiente intercessão que Cristo desenvolve à direita do Pai dizendo aos homens:Recitai sempre com grande devoção a Santa Maria com que reconheceis e invocais Maria como Mãe de Deus. Maria Virgem, porque é verdadeira Mãe de Deus, do céu pode tudo em favor dos seus devotos. Sede fervorosamente devotos dela!’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 139) e: ‘A Virgem santa, com a sua poderosa intercessão, obtém de Deus e dispensa todas as graças divinas de que é depositária’ (P. Pasquale Lorenzin O.F.M, Teologia dogmatica, Verona 1968, vol. II, pag. 505), e ainda: ‘...A Mãe espiritual dos homens conhece perfeitamente todas as necessidades materiais e espirituais dos seus filhos, e a sua intercessão provê a todos segundo as necessidades de cada alma’ (Pasquale Lorenzin, op. cit., pag. 506). Eis como Satanás tem cegado os entendimentos dos Católicos para que a luz do Evangelho não resplandeça neles! Eis o que lhes é ensinado, que Maria é omnipotente no céu quando na realidade não pode fazer absolutamente, e repito absolutamente nada, em favor dos homens que a invocam não só porque não os pode ouvir mas porque não tem o poder de socorrer os mortais como não o têm também os outros fiéis que estão no céu. Também a afirmação de que Maria conhece todas as necessidades dos homens é falsa porque a Escritura diz que "os mortos não sabem coisa nenhuma" (Ecl. 9:5), enquanto aquele de quem se testifica que vive, Ele, digo, conhece as coisas que todos nós necessitamos ainda antes de lhas pedirmos, porque ele é omnisciente.

Eis agora algumas Escrituras que nos mostram que nós somos chamados a orar a Deus só em nome de Cristo:

Ÿ Jesus disse: "Tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei" (João 14:13,14) e também: "Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra" (João 16:23,24);

Ÿ Paulo diz aos santos de Colossos: "E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus..." (Col. 3:17).

Nós crentes nos chegamos ao trono da graça num só nome, o do Senhor Jesus, como precisamente ele mesmo mandou; somos atendidos por Deus Pai em virtude da sua mediação, isto é o que experimentamos continuamente.

Por fim, por quanto respeita à advocacia de Maria devemos dizer que ela é uma impostura porque está escrito claramente: "Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo" (1 João 2:1). Quem crê verdadeiramente em Cristo entrega a sua causa a Cristo, o seu advogado, e não a Maria que não pode defender ninguém no céu como pelo contrário pode fazer Cristo Jesus.

Algumas palavras agora sobre o rosário. O rosário é tanto um objecto material como um modo de orar que usam os Católicos romanos na sua devoção a Maria. Com este modo de orar eles recitam cinco dezenas de Ave Maria, que são intercaladas a cada dez por um Pai Nosso e por uma brevíssima meditação dita mistério que consiste em recordar alguma coisa que concerne à redenção, como a entendem os Católicos, portanto pensando também na intervenção de Maria, de facto os dois últimos mistérios se referem à assunção de Maria e à sua coroação no céu que não são mais que fábulas. Para facilitar a recitação de tal oração eles usam um objecto chamado Rosário ou Terço, formado por uma série de cinquenta pequenos grãos encadeados entre eles e divididos a cada dezena por um grão um pouco mais grosso. Os grãos pequenos representam as Ave Maria, enquanto os mais grossos os Pater Noster. O rosário ‘completo’ consiste na recitação de três terços. Falando do Rosário se deve falar da oração dirigida a Maria que leva o nome de Ave Maria, nome que lhe foi dado pelos Católicos com as palavras que o anjo Gabriel dirigiu a Maria quando lhe apareceu e a saudou, precisamente: "Ave (Te saúdo)" (Lucas 1:28). Esta oração tem um pouco mais de quatro séculos de vida dado que foi introduzida completa no breviário em 1568. A oração diz: ‘Ave Maria. Cheia de graça o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte’. Como podeis ver esta oração é uma invocação a Maria na qual está também as palavras que Isabel dirigiu a Maria quando esta a foi visitar; nela Maria é chamada cheia de graça e mãe de Deus coisas que não são verdadeiras porque Maria não era nem cheia de graça e nem a mãe de Deus, mas apenas uma humilde serva do Senhor que deu à luz Jesus. Com esta oração os Católicos dizem a Maria para rogar por eles naquele momento e na hora da sua morte, coisa que vimos Maria no céu não pode fazer porque ela não pode de nenhuma maneira nem ouvi-los e nem interceder por eles. Mas eu digo: ‘Mas quando na Escritura se diz alguma vez que Maria quis que os discípulos de Jesus orassem a ela? Mas quando alguma vez Maria enquanto ainda estava viva lhes deixou dito para orar a ela porque no céu ela poderia ouvi-los?

Os Católicos dizem as suas orações mecanicamente pensando ser ouvidos pela multidão das suas palavras: o que importa para eles é alcançar o número de orações estabelecido, nada mais. Este é o modo de orar que distingue os pagãos dos Cristãos; ele é vão porque Jesus disse: "E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes..." (Mat. 6:7,8).

A oração nos ensinada por Jesus é o Pai nosso, conforme está escrito: "Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação; mas livra-nos do maligno" (Mat. 6:9-13); elevemo-la a Deus sob o impulso da graça e com fé. É claro porém que nós crentes não somos chamados a dizer apenas esta oração a Deus, porque se lermos as epístolas de Paulo lá encontramos particulares orações que este apóstolo elevava a Deus pelos irmãos (cfr. Ef. 1:15-19; 3:14-19; Fil. 1:9-11; Col. 1:9-12; 2:1-3; 2 Tess. 1:11,12) que faremos bem também nós em levantar com fé a Deus pelos nossos irmãos. Depois há todas as orações feitas com o espírito, ou pelo Espírito Santo (em outra língua) que os que receberam o Espírito Santo são chamados a elevar a Deus precisamente pelo Espírito Santo (cfr. Rom. 8:26,27; Ef. 6:18; Judas 20), sem entender o que eles dizem a Deus. E por fim as invocações que dirigimos a Deus em circunstâncias particulares por nós (ou por outros); antes de viajar para pedir-lhe que nos proteja, no meio de certos perigos, na doença para que nos cure, ou na necessidade de alguma coisa material para que supra a nossa particular necessidade. Mas em todos estes casos as orações são dirigidas a Deus.

Por fim, por quanto respeita ao objecto material feito de grãos de que se usam os Católicos romanos para orar é necessário dizer que ele é de origem pagã porque é usado desde tempos antigos tanto entre os Budistas como entre os Muçulmanos, portanto é um costume, o de orar com o rosário, que afunda as suas raízes no paganismo.

Ela esmagará a cabeça do diabo. Também esta é uma mentira fabricada pela cúria romana para exaltar Maria. É uma mentira que é feita parecer verdade ao povo desta maneira: são tomadas as seguintes palavras que Deus dirigiu à antiga serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te esmagará a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gen. 3:15), e lhe é dada a interpretação que nestas palavras está ensombrada a vitória que Maria alcançará sobre a serpente.

Cuidai que Deus disse à serpente que a descendência da mulher, e não a mulher, lhe esmagaria a cabeça, por isso se deve concluir que Deus com estas palavras predisse à serpente que o Cristo lhe esmagaria a cabeça. Portanto, segundo o que diz a Escritura não será Maria a pisar Satanás mas sim Deus, de facto na epístola aos Romanos Paulo diz: "E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés" (Rom. 16:20). A Deus seja a glória agora e eternamente. Amen.

Ela é co-redentora da humanidade. Maria ‘dependentemente de Cristo, mas como único princípio com Ele, cooperou na redenção objectiva e por isso foi verdadeira co-redentora (...) dependentemente de Jesus, mas como único princípio com Ele, satisfez para todos os pecados da humanidade, pagou a Deus o preço da nossa libertação, ganhou todas as graças para os homens, aplacando (a seu modo) Deus com o seu voluntário e necessário concurso para o sacrifício da cruz’ (Pasquale Lorenzin, op. cit., pag. 499-500).

Esta é uma outra mentira que os teólogos católicos ensinam sobre Maria e o fazem fazendo todo tipo de vãos raciocínios como por exemplo:Pode-se dizer que a virgem seja a salvadora do mundo por ter sofrido junto com o Filho, voluntariamente por ela oferecido à divina justiça’. A Escritura diz de várias maneiras que só Jesus Cristo é o Salvador do mundo porque só ele morreu sobre a cruz pelos nossos pecados e nenhum outro com ele: eis algumas passagens que o afirmam:

Ÿ Jesus disse: "O Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19:10); e: "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á" (João 10:9); e ainda: "Eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo" (João 12:47).

Ÿ Paulo disse: "Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores.." (1 Tim. 1:15);

Ÿ Pedro disse: "E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Actos 4:12);

Portanto nós rejeitamos as afirmações dos teólogos católicos segundo as quais Maria, a mãe de Jesus, tenha sofrido junto com o seu Filho por nós, porque elas são privadas de qualquer fundamento escritural. Fizerem Maria tornar-se também a salvadora do mundo. Realmente os teólogos desta organização religiosa introduziram todo o tipo de mentiras sobre Maria. Ó guias cegos; mas dizei-me:Quem foi pregado na cruz? Jesus ou Maria?’,Quem derramou o seu sangue como preço de resgate pelos nossos pecados? Jesus ou Maria?’, ‘Quem ressuscitou para a nossa justificação? Jesus ou Maria? Mas até quando vos gloriareis da mentira e mentireis contra a verdade?

Ela é a madona ou nossa senhora. O termo madona deriva do termo italiano madonna que é uma palavra latina (mea domina) que significa ‘minha senhora’; este sobrenome dado a Maria não aparece nas sagradas Escrituras mas foi-lhe dado para exaltá-la. Como Tomé chamou a Jesus Cristo "Senhor meu" (João 20:28), assim os Católicos romanos chamam a Maria ‘minha Senhora’ para não fazê-la parecer inferior ao Filho de Deus. Maria não é a nossa Senhora, mas é uma nossa irmã, por isso nós crentes nos recusamos a chamá-la nossa senhora.

Ela é mãe da Igreja. Ela foi declarada tal por Paulo VI em 1964 nestes termos:Nós proclamamos Maria Santíssima mãe da Igreja (...) e queremos que, com este suavíssimo Título, a Virgem seja, de agora em diante, ainda mais honrada e invocada por todo o povo cristão’. Para o nascimento deste título contribuiram as seguintes palavras de Agostinho sobre Maria:...Mas ela é mãe, com plena evidência, dos seus membros - e nós estamos entre estes - porque cooperou, com a caridade, para o nascimento, na Igreja, dos fiéis que são os membros do cabeça’ (Agostinho de Hipona, Da Santa Virgindade, Primeira Parte, primeira secção, VI). Para sustentar com as Escrituras este título lhe dado os teólogos papistas tomam as palavras de Jesus ditas ao discípulo que ele amava: "Eis aí tua mãe!" (João 19:27).

Este título dado a Maria não corresponde de modo nenhum à verdade porque a Escritura a chama a mãe de Jesus mas não a mãe da Igreja, e por isso dissentimos profundamente das referidas palavras de Agostinho. (Tende sempre presente que os teólogos romanos se baseam muitas vezes em palavras de Agostinho para sustentar diversas suas heresias). A mãe da Igreja é a Jerusalém de cima conforme está escrito aos Gálatas: "Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é nossa mãe. Pois está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz; esforça-te e clama, tu que não estás de parto; porque mais são os filhos da desolada do que os da que tem marido" (Gal. 4:26,27). A mãe das filhas de Deus não é Maria mas Sara porque Pedro depois ter dito às mulheres que o seu adorno não deve ser o exterior mas "o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito benigno e pacífico, que é precioso diante de Deus" (1 Ped. 3:4), diz: "Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos, como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, se fazeis o bem e não temeis nenhum espanto" (1 Ped. 3:5,6).

Pelo que concerne ao facto de Jesus quando estava na cruz, vendo sua mãe e junto dela o discípulo que ele amava, ter dito a sua mãe: "Mulher, eis aí o teu filho!" (João 19:26) e ao discípulo: "Eis aí tua mãe" (João 19:27), é necessário dizer que Jesus estas palavras as dirigiu só à sua mãe e só ao discípulo que ele amava, com efeito, está escrito logo depois que "desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa" (João 19:27). Não nos admiramos do facto de a cúria romana tomar diversas passagens que se referem a Maria e as interpretar a seu agrado para exaltar a mãe de Jesus. Porquê? Porque é sabido que os que mentem contra a verdade e se gloriam contra ela porque cheios de contenda e de inveja, para sustentar a mentira mediante a verdade têm que forçosamente dar explicações falsas à Palavra de Deus. Fazem dizer às Escrituras o que elas não dizem; como fazem as Testemunhas de Jeová, os Mórmons, e tantas e tantas outras seitas, nem mais nem menos.

Vimos pois quais são as mentiras que a cúria romana diz sobre Maria; mas julgamos que não tenham acabado por aqui. Qual será a próxima? Porventura que também ela foi gerada pelo Espírito Santo? Ou porventura que quando Jesus voltar do céu sua mãe estará no cavalo branco que ele montará ou quiçá num outro cavalo branco ao seu lado? Estaremos para ver; seja como for é de se esperar de tudo destes guias cegos.

 

As glórias de Maria

 

Para vos fazer compreender quanto os Católicos são apegados ao culto de Maria e o que representa verdadeiramente Maria para eles proponho à vossa atenção alguns trechos tirados do livro As glórias de Maria, escrito por Afonso Maria de Ligório (1696-1787) há mais de dois séculos e aprovado solenemente pela igreja romana com um decreto especial de Gregório XVI. Este livro sobre Maria é muito amado pelos Católicos romanos.

‘Deus quer que todas as graças nos provenham por mão de Maria’ (Alfonso Maria De Liguori, Le glorie di Maria, Roma 1944, pag. 15);Quantas são as criaturas que servem a Deus, tantas devem ainda servir a Maria; já que os Anjos, os homens e todas as coisas que estão no céu e na terra, estando sujeitas ao império de Deus, estão também sujeitas ao domínio da Virgem’ (Alfonso de Liguori, op. cit., pag. 28); ‘O eterno Pai deu ao Filho o ofício de julgar e punir, e à Mãe o ofício de compadecer-se e levantar os miseráveis’ (ibid., pag. 31);Como Adão e Eva por uma maçã venderam o mundo, assim ela com o Filho com um coração resgataram o mundo. Bem pôde Deus, confirma S. Anselmo, criar o mundo do nada; mas tendo-se perdido o mundo pela culpa, não quis Deus repará-lo sem a cooperação de Maria’ (ibid., pag. 206,207);É impossível que se dane um devoto de Maria que fielmente a obsequia e a ela se recomenda’ (ibid., pag. 282). Me fico por aqui com as aberrações escritas por aquele idólatra [5] porque considero que tenhais percebido suficientemente o que é com efeito Maria para os Católicos romanos. E depois os Católicos romanos nos vêm dizer que são Cristãos, que somos todos irmãos e tantas outras belas coisas! Mas quais Cristãos, mas quais irmãos?

Irmãos, me dirigo a vós que falais tanto de ecumenismo: mas vos dais conta com quem tendes a ver? Mas não vedes que vos prendestes com gente que a Cristo não o têm em nenhuma consideração em comparação a Maria? Acordai do vosso sono mortal no qual caístes!

 

Os marianos são idólatras

 

Quem são os marianos? São todos aqueles Católicos que dizem que se deve adorar só a Deus, mas negam com as suas obras esta sua afirmação porque se prostram diante das estátuas e das imagens que figuram Maria e a adoram, oram a ela e a invocam. À cabeça dos marianos está João Paulo II; sob seu empurrão o culto a Maria nesta última década recebeu um forte impulso tanto nesta nação como no resto do mundo. Seja bem claro que a sua habitual afirmação:Mas nós não a adoramos mas a veneramos’, de modo algum significa que eles a recordam e a honram mas não a adoram, porque os factos demonstram o contrário. São idólatras porque oferecem culto a uma criatura em vez de ao Criador; são idólatras porque a Escritura diz: "Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele renderás culto [ ou servirás] " (Mat. 4:10), enquanto eles adoram Maria por eles considerada a sua Senhora e o seu Deus. Como podem afirmar que a sua veneração não é idolatria quando eles louvam, oram e invocam a Maria como se fosse Deus? Há uma outra afirmação a que os Católicos romanos recorrem com o objectivo de fazer perceber que eles não adoram Maria mas adoram só a Deus, e é esta: eles dizem que a Deus dirigem o culto de latria (do grego latreia que significa ‘adoração’ e ‘serviço’) [6], mas a Maria o culto de iperdulia (serviço superior) e não o de latria. É supérfluo dizer que este é um daqueles vãos raciocínios feitos pela cúria romana para defender o culto a Maria. O culto deve ser rendido só a Deus; portanto não importa de que tipo seja o culto rendido a outras pessoas além de Deus, se de dulia, de iperdulia, ou de protodulia, ele é idolatria.

Irmãos, o repito: sabei que todos os que adoram e oram a Maria são idólatras cujos entendimentos foram cegados pelo deus deste século; por isso não vos esquiveis de dizer aos Católicos romanos que eles se devem arrepender (deixando de servir a criatura) e crer na verdade do Evangelho para servir o Criador que é bendito eternamente. Amen.

 

O que diz a Escritura de Maria

 

Depois de ter demonstrado quantas coisas falsas são ditas pelos teólogos papistas sobre Maria quero transcrever o que a sagrada Escritura diz desta nossa irmã em Cristo.

Maria era uma jovem virgem da cidade de Nazaré que tinha sido prometida esposa a um homem da casa e família de Davi, chamado José. Ela, antes que se desposasse com José, no tempo estabelecido por Deus recebeu a visita do anjo Gabriel o qual lhe disse: "Salve, agraciada; o Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Então Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, uma vez que não conheço varão? Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; porque para Deus nada será impossível. Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela" (Lucas 1:28-38).

Depois disso, Maria foi visitar Isabel e quando a saudou, aconteceu que o menino que estava no ventre de Isabel saltou no seu ventre; "e Isabel ficou cheia do Espírito Santo, e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! E donde me provém isto, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor? Pois logo que me soou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria dentro de mim. Bem-aventurada aquela que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas. Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; porque atentou na baixeza de sua serva. Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome. E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Com o seu braço manifestou poder; dissipou os que eram soberbos nos pensamentos de seus corações; depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes. Aos famintos encheu de bens, e vazios despediu os ricos. Auxiliou a Israel, seu servo, lembrando-se da misericórdia de que tinha falado a nossos pais, para com Abraão e a sua descendência para sempre. E Maria ficou com ela cerca de três meses; e depois voltou para sua casa" (Lucas 1:41-56).

Ora, José quando viu que Maria tinha ficado grávida, não sabendo que ela tinha ficado grávida por virtude do Espírito Santo, "intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; e dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de emanuel, que traduzido é: Deus conosco. E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus" (Mat. 1:19-25).

Maria, quando chegou para ela o tempo de parturir, deu à luz o seu filho primogénito e o parturiu em Belém, a aldeia onde estava Davi. A razão pela qual ela e seu marido José se encontravam em Belém quando ela teve que dar à luz foi porque naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto para que se fizesse um recenseamento de todo o império. E como todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade, assim também José, como era da família de Davi, teve que deslocar-se a Belém, a cidade de Davi para alistar-se com Maria sua esposa (cfr. Lucas 2:1-7). Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que tinha dito o profeta Miquéias a propósito do lugar onde nasceria o Cristo do Senhor; o profeta de facto tinha dito: "E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel" (Mat. 2:6; Miq. 5:1). Em Belém, o menino Jesus quando nasceu, foi posto numa manjedoura e lá foram achá-lo os pastores que tinham sido avisados por um santo anjo de Deus do que tinha acontecido em Belém (cfr. Lucas 2:8-18). Quando os pastores disseram o que tinha sido dito a eles daquele menino pelo anjo todos ficaram maravilhados das coisas ouvidas deles, e "Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração" (Lucas 2:19). Ainda em Belém foram achar o menino Jesus os magos que tinham vindo do Oriente para adorá-lo; eles, guiados pela estrela que lhes tinha aparecido no Oriente (cfr. Mat. 2:9), chegaram à casa onde estava o menino, "e entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra" (Mat. 2:11,12).

Depois de tudo isto, José por ordem de Deus se retirou para o Egipto até à morte de Herodes, depois, ainda por ordem de Deus, voltou a Israel e foi habitar numa cidade da Galiléia chamada Nazaré (cfr. Mat. 2:13-23). Foi aqui que Jesus foi criado pelos seus pais. Na idade de cerca de doze anos, os seus pais o levaram a Jerusalém à festa da Páscoa, e terminados os dias da festa, "ao regressarem, ficou o menino Jesus em Jerusalém sem o saberem seus pais" (Lucas 2:43). Quando eles se aperceberam que não estava na comitiva começaram a procurá-lo entre os parentes e os conhecidos e voltaram a Jerusalém em busca dele. O acharam no templo, sentado no meio dos doutores que os ouvia e lhes fazia perguntas (cfr. Lucas 2:44-47). Quando os seus pais o viram "disse-lhe sua mãe: Filho, por que procedeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai?" (Lucas 2:48,49).

Na idade de cerca de trinta anos Jesus deixou a Galiléia e se dirigiu ao Jordão onde foi batizado por João o Batista. Começou desde aquele tempo a pregar o reino de Deus, a curar os enfermos e a expulsar os demónios. O primeiro dos seus milagres, o fez em Caná da Galiléia em ocasião de um convite nupcial ao qual tinha ido com os seus discípulos. Estava presente também sua mãe, a qual quando viu que estava a faltar o vinho disse a Jesus: "Não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora" (João 2:3,4): a estas palavras Maria disse aos serventes: "Fazei tudo quanto ele vos disser" (João 2:5). Os serventes fizeram tudo o que Jesus ordenou eles fazer; encheram seis talhas de água, depois tiraram e levaram ao mestre-sala o qual provou a água que se tinha tornado vinho. Assim Jesus mudou a água em vinho em Caná da Galiléia.

Numa outra ocasião, enquanto ele estava ensinando chegaram sua mãe e seus irmãos os quais ficando fora, o mandaram chamar. Foi-lhe dito: "Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe" (Mar. 3:32-35).

Chegou depois o dia em que Jesus foi crucificado, e Maria sua mãe estava junto da cruz enquanto Jesus sofria sobre ela. Jesus, antes de expirar, "vendo ali sua mãe, e ao lado dela o discípulo a quem ele amava, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa" (João 19:26,27).

Depois que Jesus ressuscitou e foi elevado ao céu, Maria estava com os discípulos no cenáculo a orar junto com eles, de facto está escrito: "Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, que está perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele" (Actos 1:12-14).

Eis as referências sobre Maria presentes na sagrada Escritura. Como podeis ver entre esta Maria e a da igreja católica romana há uma grande diferença.

 

 

O CULTO AOS SANTOS

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

Deve-se orar aos santos que estão no céu porque eles intercedem junto de Deus por nós. Só a igreja tem o direito de reconhecer santo um cristão defunto. Os crentes têm santos no céu que os protegem. José, o marido de Maria, é o patrono da Igreja de Cristo. As relíquias dos santos são dignas de ser veneradas. Segundo a cúria romana aqueles que estão na terra se devem dirigir em oração também aos santos porque eles intercedem por eles junto de Deus, de facto o concílio de Trento decretou quanto segue:O santo sínodo manda a todos os bispos e aos que têm o ofício e o encargo de ensinar, que (...) instruam diligentemente os fiéis, sobretudo no que diz respeito à intercessão e invocação dos Santos (....) Ensinem-lhes que os Santos reinam juntamente com Cristo e oferecem a Deus suas orações pelos homens, que é bom e útil invocá-los com súplicas e recorrer às suas orações, ao seu poder e ao seu auxílio, para alcançar de Deus benefícios por Jesus Cristo seu Filho e nosso Senhor...’ (Concílio de Trento, Sess. XXV). E isto é o que faz Perardi no seu catecismo quando diz: ‘Oremos a eles para que intercedam por nós’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 282). Também para aqueles que são contrários a esta doutrina há o anátema: ‘Aqueles que afirmam que os santos - que gozam da eterna felicidade no céu - não devem ser invocados ou que eles não oram pelos homens ou que invocá-los para que orem por cada um de nós, deva dizer-se idolatria, ou que isso está em desacordo com a palavra de Deus e se opõe à honra do único mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo; ou que é estultície dirigir as nossas súplicas com palavras ou mentalmente aos que reinam no céu, pensam impiamente’ (Concílio de Trento, Sess. XXV). Para sustentar esta doutrina os teólogos papistas tomam esta passagem escrita no livro da Revelação: "E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono. E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus" (Ap. 8:3,4), e também uma passagem escrita num dos livros dos Macabeus (que recordamos são livros não inspirados por Deus) onde se fala de um sonho que contou Judas Macabeu, o qual disse ter visto um sacerdote que tinha morrido o qual orava pelo povo Judeu; ‘Eis o que vira: Onias, que foi sumo sacerdote, homem nobre e bom, modesto em seu aspecto, de caráter ameno, distinto em sua linguagem e exercitado desde menino na prática de todas as virtudes, com as mãos levantadas, orava por todo o povo judeu’ (2 Macabeus 15:12 [Boa Nova-Bíblia Católica, Fortaleza 2003]). Eles tomam também diversas citações dos chamados pais, entre as quais algumas de Agostinho segundo as quais no seu tempo muitas pessoas obtiveram a cura pela intercessão dos mártires; uma destas diz:Se quisesse só referir os milagres das curas obtidas pela intercessão do glorioso mártir santo Estevão na cidade de Calama e na nossa, omitindo todos os outros, teria que escrever uma quantidade de livros’ (Agostinho de Hipona, A cidade de Deus, liv. XXII, cap. VIII).

Segundo o catecismo católico ‘somente a Igreja tem o direito de reconhecer formalmente como Santo um cristão defunto, e propô-lo para a veneração e autorizar a invocação pública dele; coisa que a Igreja faz depois de longos e minuciosos processos de averiguação sobre toda a vida e os escritos dele, e só se forem demonstrados e por ela reconhecidos dois milagres operados depois da morte de tal servo de Deus. A Igreja primeiro o declara beato com um culto limitado depois, se reconhece dois outros milagres operados após a beatificação, o canoniza, o inscreve no cânon, ou seja catálogo, elenco dos Santos; então ele pode ser publicamente honrado e invocado em toda a Igreja’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 284).

‘Dizem-se Santos Patronos, ou protectores aqueles que toda a cidade, diocese, paróquia, instituição, classe social, profissão, etc., elege para seus intercessores diante de Deus, e sob cujo patrocínio se põem as pessoas singulares’ (Dicionário Eclesiástico, Torino 1958, pag. 114). E quais são estes protectores aos quais os Católicos romanos se recomendam e nos quais repõem a sua confiança? Não os citaremos todos por brevidade, mas só alguns.

Ÿ Protectores de categorias de trabalhadores: Francisco de Sales, dos escritores e jornalistas católicos; Alberto Magno, dos estudiosos de ciências naturais; Mateus, dos contabilistas; Francisco de Assis dos ecologistas; Francisco de Paula, dos marinheiros e das sociedades de navegação; Catarina de Sena, das enfermeiras; João Bosco, dos editores italianos; Isidoro-agrícola, dos agricultores; Andrónico, dos prateadores; Ivo, dos advogados; Crispim e Crispiniano, dos sapateiros; Mateus, dos cobradores, dos banqueiros e dos cambistas; José, dos carpinteiros; Lucas, Cosme e Damião, dos médicos; Pedro e André, dos pescadores;.....

Ÿ Protectores que são invocados em determinadas doenças e calamidades: para ser curado das apoplexias, André Avelino; das infestações do demónio, Ubaldo; da peste, Roque; da hérnia, Cataldo; do mal de olhos, Lúcia; de mal de dentes, Apolónia; do mal de garganta, Brás...

Ÿ Protectores que são invocados nas várias necessidades; nas viagens de mar, Francisco Savério; para encontrar coisas perdidas, António de Pádua; para ter prole, Francisco de Paula e Rita; contra os ladrões, furtos, etc., Dimas bom ladrão; contra os raios e as setas, Bárbara; para encontrar marido, Pasquale Baylon... (Enciclopédia Católica, vol. 9, 988, 989).

Ÿ Protectores de algumas cidades de Itália, Brasil e Portugal: Roma, Pedro; Nápoles, Januário; Milão, Ambrósio; Turim, João Batista; Brasília, João Bosco; Rio de Janeiro, Sebastião; S. Paulo e Fortaleza, Nossa Senhora da Assunção; Lisboa, António de Pádua; Porto, João Batista. (Dicionário Eclesiástico, pag. 115).

No Novo Manual do Catequista Perardi, depois de ter explicado que José era o esposo de Maria, e que não foi pai verdadeiro de Jesus mas pai putativo de Jesus porque não foi José a gerar Jesus, diz: ‘Todavia é grande a dignidade de S. José e como esposo de Maria e como custódio de Jesus. Ele foi, se podemos dizer assim, o homem de confiança da Santíssima Trindade...’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 141). Depois diz:Sede devotos de S. José; e rogai-lhe especialmente duas graças: que salve a vossa alma da morte do pecado como salvou Jesus menino da morte lhe ameaçada por Herodes; que como ele morreu assistido por Jesus e por Maria, vos obtenha de morrer invocando devotamente os nomes deles. - Repeti todos os dias as três jaculatórias:Jesus, Maria, José, eu vos dou meu coração e minha alma.. assisti-me na última agonia... expire em paz entre vós minha alma’ (ibid., pag. 141). E por fim Perardi, servindo-se das Escrituras, explica às pessoas porque elas devem orar a José e ser-lhe devotas. Eis o que diz este teólogo: ‘José, filho de Jacó, foi figura de S. José. Ele teve um sonho que contou aos irmãos: Sonhei, disse, que nós estávamos juntos no campo a atar feixes: quando eis que o meu feixe levantou-se e ficou de pé, e os vossos estando ao seu redor, adoravam o meu. Responderam os irmãos a José: Para que tende esse teu sonho? Porventura que tu serás nosso rei? Porventura que tu terás domínio sobre nós? - S. José foi exaltado acima de todos os Santos no céu; todos os homens, seus irmãos, o devem honrar. Teve depois José um outro sonho, no qual viu o sol, a lua e onze estrelas que o adoravam. Mas o pai repreendeu-o, dizendo: Que quer esse dizer? Porventura que eu e os teus irmãos, nos inclinaremos a ti? Eles não entendiam a realidade de que o sonho de José era figura. O sol incriado, o Senhor Jesus Cristo e a Nossa Senhora honram José, chefe da sagrada Família que eles constituíam’ (ibid., pag. 141-142). Isto é o que vem ensinado aos Católicos desde a sua meninice para os fazer orar e adorar a José, que para eles é o patrono da Igreja [7], e os fazer festejar a festa em sua honra!

Os teólogos papistas ensinam que é justo prestar culto às relíquias dos santos. Perardi afirma por exempo: ‘Nós veneramos também o corpo dos Santos, porque serviu-lhes para exercitar virtudes heróicas, foi certamente templo do Espírito Santo, e ressurgirá glorioso para a vida eterna’ (ibid., pag. 285).

Esta veneração que a igreja católica romana nutre pelos corpos dos mortos ou partes deles ou objectos que eles deixaram e a atribuição a eles de virtudes sobrenaturais é confirmada pelos teólogos papistas com algumas Escrituras e com escritos de alguns antigos escritores entre os quais Agostinho de Hipona. As passagens da Escritura sobre as quais se apoiam os teólogos papistas para sustentar que é justo venerar as relíquias e crer que por meio delas Deus concede aos homens benefícios porque tudo isso era feito e crido antigamente são as seguintes. "Ora, as tropas dos moabitas invadiam a terra à entrada do ano. E sucedeu que, estando alguns a enterrarem um homem, viram uma dessas tropas, e lançaram o homem na sepultura de Eliseu. Logo que ele tocou os ossos de Eliseu, reviveu e se levantou sobre os seus pés" (2 Re 13:20,21); "E Deus pelas mãos de Paulo fazia milagres extraordinários. De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam" (Actos 19:11,12). Por quanto respeita antes às palavras de Agostinho de Hipona tomadas para sustento deste culto elas se encontram no seu livro A Cidade de Deus. Ele aqui faz claramente perceber que no seu tempo as relíquias dos mártires eram levadas em procissão pelos bispos com os seus fiéis, e narra que diversos doentes foram curados com as relíquias de Estevão! E com tudo isso se mostra perfeitamente de acordo. E além de falar destas procissões e destas curas ele faz as seguintes afirmações que fazem perceber outrossim claramente que ele também cria que os mortos operavam milagres em favor dos vivos de facto diz: ‘Aqueles mártires, pois, que agora podem alcançar tais graças do Senhor por cujo nome foram mortos, morreram pela fé na ressurreição; por ela sofreram com admirável paciência, e agora podem manifestar um semelhante poder em obter milagres (...) Cremos pois que eles dizem a verdade e que fazem muitos milagres, porque os mártires morreram proclamando a verdade e é por isso que podem fazer os milagres que nós vemos’ (Agostinho de Hipona, A Cidade de Deus, Livro XXII, cap. IX, X).

 

Confutação

 

Os santos que estão no céu não oram por nós

 

A doutrina da intercessão dos santos que estão no céu é uma mentira, porque como Maria não pode mediar entre Deus e os homens, assim não podem mediar os santos que estão no céu em favor dos que estão na terra porque eles não podem de alguma maneira ouvir as orações que os homens lhes fazem. A passagem da Escritura tomada pelos teólogos romanos para sustentar que eles são mediadores, não faz referência a orações suas em favor dos que estão na terra, mas faz referência às orações dos santos que estão na terra feitas a Deus, as quais sobem a Ele como um perfume de cheiro suave. Por quanto respeita ao sonho referido por Judas Macabeu é uma mentira que não tem nada a ver com a verdade. Mediante o relato deste sonho o escritor deste livro conseguiu introduzir no seio de muitos homens a falsa doutrina que os mortos intercedem pelos vivos e conseguiu assim fazer esquecer a muitos homens o nome do Senhor e a sua palavra. Mas o relato de sonhos falsos para desviar o povo de Deus é uma arte sedutora do erro que já era exercida durante a vida dos antigos profetas, de facto Deus diz em Jeremias: "Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, e os contam, e fazem errar o meu povo com as suas mentiras e com as suas leviandades..." (Jer. 23:32). Este exemplo nos serve a nós todos para compreender como o diabo consegue introduzir heresias no seio do povo de Deus também servindo-se do relato de sonhos; por isso é necessário ser prudente e examinar cuidadosamente pelas Escrituras os sonhos que se têm ou que outros dizem ter tido, para evitar aceitar um sonho que vai contra a Palavra de Deus. No curso dos séculos, surgiram muitos falsos profetas que com as suas visões e os seus sonhos seduziram muitos crentes fazendo-lhes crer a mentira, por isso vigiai irmãos e examinai atentamente tanto os sonhos como as visões que ouvis ou que vedes; aceitai-os quando são verazes e confirmam plenamente a verdade, mas rejeitai-os sem hesitar quando se opõem à sagrada Escritura. Pelo que respeita depois às palavras de Agostinho relativamente à intercessão dos santos em favor dos vivos é necessário dizer que este homem errou grandemente.

A Escritura nos ensina que nós crentes nos devemos dirigir em oração a Deus. Eis algumas passagens que testificam isso: "Não estejais ansiosos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com acção de graças" (Fil. 4:6); e: "Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" (Sal. 50:15); e ainda: "Me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei" (Jer. 29:12). E que todas as vezes que oramos a ele devemos fazê-lo em nome de Jesus Cristo, isto é, nos apoiando na sua mediação porque ele é o único mediador entre Deus e nós conforme está escrito: "Há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.." (1 Tim. 2:5), e: "Tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei" (João 14:13), e também: "Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra" (João 16:23,24), e ainda: "... a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda" (João 15:16). Portanto é contrário à sã doutrina tanto dirigirmo-nos em oração aos santos que estão no céu como orar a Deus nos apoiando na mediação deles. Se os santos que estão no céu pudessem ouvir as orações de milhões de pessoas espalhadas sobre a face da terra, isso significaria que eles são capazes de vir ao conhecimento directo das nossas necessidades o que vai abertamente contra a Escritura que ensina que os que estão mortos e foram habitar no céu com o Senhor são criaturas de Deus que não sabem nada do que acontece sobre a terra e não vêem o que sucede nela conforme está escrito: "Os mortos não sabem coisa nenhuma" (Ecl. 9:5), e também: "Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece" (Is. 63:16). E se eles pudessem interceder por nós que estamos na terra isso significaria que no céu há muitos mediadores o que vai contra a Palavra de Deus que diz que entre Deus e os homens há um só mediador, a saber, Jesus Cristo (cfr. 1 Tim. 2:5). Os Católicos romanos definindo os santos que estão no céu poderosos intercessores na realidade diminuem e fazem passar por irrelevante a mediação que Jesus Cristo faz à direita do Pai em favor dos seus discípulos na terra.

 

O modo em que os teólogos papistas sustentam a sua devoção a José é um exemplo que mostra o que significa interpretar arbitrariamente a Palavra de Deus

 

Notastes com que astúcia os teólogos católicos, para sustentar a devoção a José, conseguem fazer dizer à Palavra de Deus o que ela não diz? Assim fazendo, eles demonstram não ser inferiores aos seguidores de Russell ou de outros impostores que interpretaram alegoricamente mas mal algumas passagens da Escritura para fins desonestos. Antes de tudo quero que noteis que estas passagens foram mal citadas por Perardi, de facto, ele diz que no primeiro sonho os feixes dos irmãos de José adoraram o de José, e no segundo que o sol a lua e as onze estrelas o adoraram, o que não é verdade porque na Escritura está escrito que os feixes (ou molhos) dos seus irmãos se inclinavam diante do seu e que o sol e a lua a as onze estrelas se inclinavam perante ele. Perardi diz que os irmãos de José não entenderam a realidade de que o segundo sonho de José era figura, sem se dar conta que também ele dando esta sua interpretação a este sonho demonstra não ter percebido de modo nenhum o significado do sonho de José! Nos encontramos perante uma enésima prova de como o chamado magistério católico esteja no erro e de como dá o significado alegórico que quer à Palavra de Deus para sustentar as suas heresias. Nós nos limitamos a dizer que o significado alegórico dado por Perardi aos dois sonhos que José teve é loucura!

Mas quis citar-vos esta sua fantasiosa interpretação dada aos dois sonhos de José, filho de Jacó, também para vos fazer compreender como seja suficiente dar um significado alegórico errado a alguma Escritura para criar uma falsa doutrina ou para confirmar uma já existente. No curso dos séculos foram muitos os significados alegóricos dados arbitrariamente a muitas passagens da Escritura e por meio deles muitos falsos doutores conseguiram introduzir ou confirmar no seio da Igreja de Deus ensinamentos contrários à sã doutrina. A igreja romana foi sempre fecunda de pretensos doutores que introduziram e confirmaram as mais estranhas doutrinas por meio precisamente de significados alegóricos; ela é bem exercitada nesta arte sedutora do erro tendo-a testado adequadamente no curso dos séculos precedentes. Irmãos, guardai-vos das suas artificiosas interpretações atrás das quais se esconde a astúcia da antiga serpente. E por fim quero dizer que é verdadeiramente loucura declarar José, que é uma criatura, o patrono da Igreja, porque a Igreja tem já o seu patrono que é Deus, o Omnipotente, o Omnisciente e o Omnipresente. Ele é Aquele que a protege, de facto Paulo diz: "Mas fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno" (2 Tess. 3:3), e Isaías que Deus é aquele "que defende a causa do seu povo" (Is. 51:22) e Pedro afirma que Deus tem cuidado de nós (cfr. 1 Ped. 5:7) portanto nos protege também. E poderia prosseguir citando muitas outras passagens mas me fico por aqui.

 

Aqueles que a igreja católica romana faz santos não eram mais do que pecadores que agora estão no inferno

 

Ora, depois de ter demonstrado que os santos que estão no céu não podem interceder pelos homens que estão na terra, e que portanto é completamente inútil invocá-los, quero dizer quem são estes santos assim chamados pelos Católicos. Cuidai que destas considerações que estou para fazer estão excluídos os santos tradicionais, isto é, Paulo, Pedro, João e todos os outros santos de que fala a Escritura, e todos aqueles santos que depois da morte dos apóstolos, embora não tenham anulado o Evangelho como faz a igreja católica romana, foram declarados santos pelos papas e inseridos no cânon dos santos. Pelas palavras do catecismo anteriormente citadas a propósito da canonização compreende-se claramente que segundo a igreja romana são santos só uma parte daqueles que dizem crer, e já esta é uma mentira porque segundo a Escritura todos aqueles que creram no Senhor Jesus são santos porque foram "santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre" (Heb. 10:10); eles foram santificados por Cristo, Deus bendito eternamente, já na terra e não necessitam por isso de ser declarados santos depois de mortos por alguma autoridade eclesiástica. Mas depois é necessário dizer que o defunto é declarado santo pelo chamado papa se for reconhecido ter sido um fiel Católico romano, portanto se for reconhecido que durante a sua vida se ateve escrupulosamente à tradição católica romana, o que equivale a dizer que será declarado santo se orava a Maria e a adorava, se reconhecia o chamado papa como chefe da Igreja, os bispos como pastores instituídos por Cristo, se se esforçou para ganhar o paraíso com obras justas, se combateu portanto fortemente os Protestantes, e por aí adiante [8]. Alguns exemplos que demonstram isto? Roberto Bellarmino, que durante a sua vida foi um dos mais incansáveis defensores das heresias da igreja romana e um dos mais fortes opositores do protestantismo, depois da sua morte foi declarado santo por Pio XI em 1930. Mas além de Bellarmino se pode também citar Afonso de Ligório grande adorador de Maria, autor do infame livro As glórias de Maria, feito santo em 1839 por Gregório XVI. E por fim o cardeal Carlos Borromeu (1538-1584), feito santo por Paulo V em 1610, de quem é dito que foi um dos mais impiedosos perseguidores dos Protestantes, como conselheiro íntimo e escutado pelos seguintes três papas sanguinários: Pio IV (1559-1565), que fez massacrar centenas de Valdenses na Calábria; Pio V (1566-1572), que incitou Carlos IX a massacrar os huguenotes em França e mandou queimar em Itália Paleario e Carnesecchi; e Gregório XIII (1572-1585) que se regozijou da sucedida chacina dos huguenotes e mandou cunhar uma medalha em memória desse evento tão alegre para o papado. Portanto, se chega à conclusão que todos aqueles santos que são reconhecidos tais e canonizados porque obedeceram em tudo e em todo lugar à doutrina da igreja romana não eram mais do que pecadores que depois de mortos foram logo para o inferno a chorar e ranger os seus dentes no meio do ardente fogo à espera do dia do juízo em que serão condenados. (Não podemos porém excluir que dentre estes alguns no momento da morte tenham rejeitado as heresias papistas e se tenham arrependido dos seus pecados e aceite o Senhor e portanto tenham morrido santificados por Deus; nestes casos o nosso referido discurso não vale para eles). Certamente entre os canonizados santos pelos papas não há homens que enquanto estavam em vida (me refiro sobretudo ao período que vai do décimo quarto século até agora) eram contra a doutrina que diz que a justificação se obtém por obras e não por fé somente, contra o primado do chamado papa, contra a oração dirigida a Maria, contra a missa como a repetição do sacrifício de Cristo, contra o purgatório, contra as indulgências, contra o culto das suas chamadas imagens sagradas ou contra tantas e tantas outras coisas tortas que a igreja romana ensina e faz praticar (em suma contra o catolicismo romano), porque estes últimos são por ela definidos e recordados como heréticos, como enganadores, como inimigos da Igreja. Para confirmação disso submeto à vossa atenção algumas palavras do decreto emanado pelo concílio de Constança em 1415 contra João Wycliffe:Nestes nossos tempos o antigo e invejoso inimigo suscitou novas batalhas, para que os aprovados sejam manifestos. Seu chefe e capitão foi um tempo o falso cristão João Wycliffe. Enquanto vivia ele afirmou pertinazmente e ensinou contra a religião cristã e a fé católica muitos artigos (....) Por autoridade do concílio romano e por ordem da igreja (..) se procedeu à condenação de Wycliffe e da sua memória (...) este santo sínodo declara, define e sentencia que João Wycliffe foi herético notório e obstinado, e que morreu na heresia: o anatemiza e condena a sua doutrina. Estabelece e ordena além disso que sejam exumados o seu corpo e os seus ossos, se for possível distingui-los dos corpos dos outros fiéis, e sejam lançados para longe do lugar da sepultura eclesiástica, segundo as legítimas sanções do direito canónico’ (Concílio de Constança, Sess. VIII). Mas o que disse e fez de mal este homem para atrair a si mesmo depois da sua morte a maldição da igreja romana? João Wycliffe (1320-1384) durante a sua vida disse entre outras coisas que o papa não era nem o vigário de Cristo e nem o chefe da Igreja de Deus, que a doutrina da transubstanciação era falsa, que Cristo não tinha instituído a missa, que não era necessário crer nas indulgências do papa; e depois traduziu o Novo Testamento em inglês para o colocar ao alcance do povo. Mas de homens que serão sempre recordados pelo papado como heréticos e enganadores para quem não há a mínima esperança de serem canonizados santos, mas que na realidade eram santos se poderiam citar muitos outros. Como podeis bem compreender há justos que são recordados pela igreja romana como se durante a sua vida tivessem feito as obras dos malvados, e há muitos malvados que ela recorda com grande respeito como se eles durante a sua vida tivessem sido verdadeiros santos. Basta ver o elenco dos santos da igreja católica romana para dar conta de como ela declarou santos muitos homens malvados, arrogantes, etc. Nós crentes portanto não podemos nos pôr a chamar santos homens e mulheres que viveram toda uma vida em rebelião à Palavra de Deus para obedecer à tradição católica romana e que agora estão nas chamas do Hades. Não podemos aceitar nem estas suas canonizações, e nem o facto de eles serem declarados dignos de ser invocados e orados [9].

Ó Católicos romanos, caí em vós mesmos, arrependei-vos dos vossos pecados diante de Deus e crede no seu Filho e sereis nesse instante feitos santos pelo Deus vivo. Sereis assim acrescentados ao número dos verdadeiros santos que só Deus conhece e que depois de mortos vão para o céu. Compreendereis então como esta canonização papal não é mais que uma mentira que ainda por cima serve para a chamada sede apostólica se enriquecer porque deveis saber que para fazer declarar santo alguém pelo papa é preciso pagar muito e muito dinheiro. Considerai por um momento isto: Deus para santificar alguém não pede dinheiro mas o faz gratuitamente, a cúria romana ao invés para fazer santo alguém quer dinheiro. Mas sobretudo considerai que aqueles que Deus santifica são verdadeiros santos, enquanto aqueles que o papa canoniza santos são pecadores que habitam no inferno feitos passar por santos na terra. Ah, se estes homens pudessem sair do inferno e voltar à terra! Declarariam ao mundo inteiro que eles estavam no inferno a sofrer penas indizíveis enquanto na terra eram feitos passar por poderosos intercessores junto de Deus!

 

Os protectores dos Católicos romanos não protegem ninguém

 

Vimos quais são (uma parte) os protectores dos Católicos romanos. Temos que portanto afirmar que na teoria os Católicos dizem crer em Deus mas na prática demonstram que eles Deus não o conhecem, não o consideram poderoso para socorrê-los em nenhuma das suas necessidades; em verdade o povo católico romano foi enganado pela cúria romana. Eis as provas que demonstram quanto idólatras e supersticiosos sejam os Católicos; são como os antigos pagãos que tinham um deus a invocar para cada sua angústia, e depois nos vêm dizer que são Cristãos! e se ofendem se não lhes damos razão. Mas como se lhes pode dar razão diante de mais estas provas comprovantes da sua separação da vida de Deus? E depois os teólogos papistas afirmam que esta tradição de invocar os seus santos nas diferentes angústias faz parte da revelação de Deus? Mas como se permitem dizer que Deus tenha revelado tais aberrações? O nosso Deus está vivo, o seu ouvido não é surdo, para não poder ouvir, o seu braço é poderoso para socorrer todo aquele que o invoca em qualquer angústia que se encontre, a sua mão não está encolhida para que não possa salvar; é Ele que se deve invocar na angústia, é n`Ele que importa ter plena confiança, não nos santos que estão no céu. Porque eles não podem proteger ninguém dos perigos porque para isso, isto é, para proteger os fiéis, estão encarregados os anjos de Deus conforme está escrito: "O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra" (Sal. 34:7), e ainda: "Aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos" (Sal. 91:11) [10]. Ó homens que professais a religião católica romana quando caireis em vós mesmos e vos voltareis para o Senhor para obter o seu perdão e a sua ajuda? Deixai de invocar os mortos; invocai o Deus vivo e verdadeiro enquanto Ele está perto; deixai de procurar o favor de Fulano e de Beltrano que estão mortos e sepultados e não podem fazer nada por vós e buscai ao Senhor enquanto se pode ainda achar. Salvai-vos desta assembleia pseudocristã!

 

O nosso protector, curador e socorredor

 

Nós crentes temos como protector o Senhor Deus Omnipotente, o Senhor dos Exércitos, o Criador de todas as coisas, o Santo; n`Ele nos refugiamos; debaixo das suas asas nos sentimos seguros porque está escrito: "Porque tu disseste: ó Senhor, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação. Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos" (Sal. 91:9-11), e também: "O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita. O sol não te molestará de dia nem a lua de noite. O Senhor te guardará de todo o mal; guardará a tua alma. O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre" (Sal. 121:5-8). Ainda ele é o nosso curador, porque está escrito: "Ele é o que... sara todas as tuas enfermidades" (Sal. 103:3), por isso Ele invocamos nas nossas enfermidades, como fez o profeta Jeremias dizendo: "Cura-me, ó Senhor, e serei curado" (Jer. 17:14). E por fim nas nossas múltiplas necessidades, ou no meio das calamidades é ainda Ele aquele que invocamos; para encontrar coisas perdidas, para encontrar mulher ou marido, para ter crianças quando elas não venham, para encontrar casa, para encontrar trabalho, e para todas as outras necessidades invocamos o nosso Deus porque ele nos disse: "Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" (Sal. 50:15). Nós temos um grande Deus de quem temos experimentado a fidelidade em todas as nossas angústias; em verdade cada um de nós pode e deve dizer, como Davi, "clamou este pobre, e o Senhor o ouviu, e o salvou de todas as suas angústias" (Sal. 34:6).

A Deus que nos liberta de todas as nossas angústias, seja a glória, a honra e o louvor eternamente. Amen.

 

A veneração das relíquias é idolatria

 

Eis aqui uma outra prática da igreja romana que é reprovável porque mentira: a veneração dos corpos dos mortos ou de alguns dos seus restos que eles dizem relíquias. Começamos por dizer que não é verdade que os corpos que eles dizem venerar tenham sido os corpos de homens verdadeiramente santos porque como vimos por santo a Palavra de Deus não entende um homem que tenha exercitado ‘virtudes heróicas’ para ganhar por meio delas o paraíso (porque um tal, segundo a Escritura, é um pecador), mas um homem que creu no Senhor e foi justificado por graça e santificado pelo Espírito Santo. Vos recordo a tal propósito que Paulo quando escreveu aos santos de Corinto se dirigiu a todos eles como "aos santificados em Cristo Jesus" (1 Cor. 1:2), e que disse a todos eles que tinham crido: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1 Cor. 3:16). Portanto é errado pensar que exista uma categoria de pessoas que depois que morreram se podem declarar santas porque fizeram obras de caridade em favor dos fracos a fim de ganhar a vida eterna. Mas nós dizemos que mesmo que aquele que morreu tenha sido durante a sua vida um verdadeiro santo, isto é, um crente em Cristo Jesus que foi de exemplo aos crentes porque imitou Cristo Jesus, o seu corpo não deve ser de modo nenhum venerado como não deve ser de modo nenhum visitado periodicamente o seu túmulo como se dele se pudesse obter alguma graça. Isto o dizemos nos fundando no facto de que os santos antigos quando morriam seus confraternos de modo nenhum começavam a venerar os seus corpos. Eis algumas passagens da Escritura que testificam isso.

Ÿ Quando morreu João o Batista, (de quem a Escritura diz que enquanto estava em vida Herodes o temia "sabendo que era homem justo e santo" (Mar. 6:20), e que tinha sido cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe [cfr. Lucas 1:15]) os seus discípulos "foram, tomaram o seu corpo, e o puseram num sepulcro" (Mar. 6:29); mas não é que os seus discípulos desde então começaram a venerar o corpo dele decapitado indo ao sepulcro para orar.

Ÿ Estevão era um homem cheio de Espírito Santo que fazia grandes sinais e prodígios entre os Judeus, e quando morreu apedrejado pelos Judeus aconteceu que "uns homens piedosos sepultaram a Estêvão, e fizeram grande pranto sobre ele" (Actos 8:2). Eis o que é lícito fazer por um morto; sepultá-lo com honra e fazer pranto por ele, mas nada mais.

Ir ao sepulcro onde está sepultado um crente que viveu santamente com a convicção que tocando a sua sepultura se pode obter uma graça de Deus é só superstição, portanto um sentimento que não procede de Deus. Um crente pode-nos ajudar enquanto está em vida fazendo-nos bem, orando por nós etc., mas uma vez que ele morre não está mais capaz de fazer algo de bom em nosso favor porque vai para o céu na presença do Senhor: por isso é completamente ilusório confiar em suas presumidas intercessões junto de Deus ou crer que ele pode fazer milagres em prol dos vivos também depois de morto. Nós devemos venerar o Deus que habitou no corpo dos santos e não os seus corpos mortos que viram a corrupção.

 

Algumas palavras a propósito da interpretação dada a certas passagens da Escritura para sustentar a veneração das relíquias

 

Por quanto respeita à primeira Escritura, citada pelos teólogos papistas para confirmação da veneração das relíquias, é necessário dizer que o morto foi lançado no sepulcro de Eliseu pelos que o deviam sepultar pelo facto de terem sido tomados pelo medo de um bando de Moabitas que eles viram ali nos arredores. Portanto o morto não foi levado por aqueles homens e colocado naquele sepulcro por eles estarem convencidos que se o fizessem tocar nos ossos do corpo do profeta Eliseu ele voltaria a viver. Podemos dizer portanto que isto aconteceu ‘por acaso’. É bom porém precisar que nós não cremos no acaso como a gente do mundo porque Jesus disse que não pode cair em terra um só pássaro sem a vontade de Deus, por isso cremos que este facto aconteceu por vontade de Deus. Mas mesmo se aquele morto ressuscitou pela vontade e pelo poder de Deus quando tocou os ossos do profeta Eliseu, nós não somos autorizados pela Palavra a levar os nossos mortos ao sepulcro de algum ministro de Deus que na terra curava os doentes para os fazer tocar nele porque assim ressuscitarão. Nós não atribuímos nenhuma virtude sobrenatural a nenhum corpo morto de qualquer ministro de Deus; nós não atribuímos nenhuma virtude particular a partes do seu corpo, à sua cinza ou a objectos por ele deixados na terra porque não somos pessoas supersticiosas. Nós não cremos, como pelo contrário o cria Agostinho, que Deus conceda benefícios aos homens através das relíquias de um seu santo homem em virtude da sua intercessão.

Por quanto respeita à segunda Escritura citada pelos teólogos papistas é necessário dizer que nós cremos que também hoje em particulares casos, quando o quer Deus, mediante um avental ou um lenço, que esteve no corpo de um ministro do Evangelho que tem dons de curar ou o dom de poder de operar milagres, posto no corpo dos enfermos eles podem curar mediante a sua fé no Senhor e pelo poder de Deus: (seja bem claro porém que nós, se bem que creiamos isto, não somos daqueles que oram sobre os lenços ou pedem aos crentes para levar vestidos dos doentes para orar sobre os vestidos). Mas daqui a dizer veneramos os corpos dos santos mortosporque por meio dos resíduos dos seus corpos que nós dizemos relíquias, Deus concede aos homens não poucos benefícios’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 285) vai uma grandíssima diferença.

Para resumir dizemos portanto que não se devem absolutamente venerar os corpos ou parte dos corpos ou objectos de crentes mortos pensando que por meio deles Deus conceda curas porque este comportamento é idolátrico. Deus na sua Igreja estabeleceu os milagres e os dons de curar e diz que se alguém está doente deve chamar os anciãos da Igreja para que orem sobre ele ungindo-o com azeite em nome do Senhor. Ele não diz ao doente para ir visitar o túmulo ou a relíquia de um seu servo morto, mas lhe ordena de ter fé n`Ele para receber a cura. Cura que obterá não pela intercessão no céu de algum santo mas só pela mediação de Jesus Cristo que está à direita de Deus porque é em seu nome que os anciãos oram sobre o doente ou que outros crentes oram a Deus para curá-lo.

Cuidai de vós mesmos irmãos porque a veneração das relíquias dos santos está ligada à doutrina da intercessão dos santos no céu: são duas coisas inseparáveis. Quem venera as relíquias de algum morto crê também que aquele morto ora a Deus por ele; e quem se põe a crer que os mortos intercedem pelos vivos se põe também a venerar as suas relíquias. E tudo isto leva o homem a não se apoiar na mediação de Jesus Cristo, o Vivente, a não considerar que ela seja suficiente para obter a cura. Jesus Cristo ressuscitou, está no céu com o seu corpo, pela fé no seu nome se recebe a cura como qualquer outro benefício de Deus. Tende plena confiança em Deus Pai e também no seu Filho Jesus que ora por nós à sua direita.

 

A sedução perpetrada por meio das relíquias

 

Satanás conseguiu seduzir multidões de pessoas também mediante a veneração das relíquias ensinada pelos Católicos. Hoje há um pouco por todo o lado santuários católicos, basílicas e outros lugares de culto da igreja católica, onde é dito estarem guardadas toda a espécie de relíquias, desde cabelos, a maxila, o braço, a cabeça de diversos seus chamados santos ou qualquer outro objecto, a pedaços de madeira que são feitos crer resíduos da cruz em que foi crucificado Jesus. Tudo isto tem levado muitas pessoas a oferecer o seu culto às relíquias e de facto há as funções religiosas em honra delas. Basta recordar uma dentre todas, a saber, aquela que todos os anos tem lugar na basílica que tem o nome de Pedro em Roma em honra da ‘cátedra de Pedro’. Pensai que os Católicos para sustentar que o apóstolo Pedro exerceu o ofício de papa em Roma fizeram aparecer também a cadeira com espaldar sobre a qual Pedro se sentaria quando presidia às reuniões da Igreja! Mas em Roma não há só ‘a cátedra de Pedro’ mas também as cadeias com que Pedro foi acorrentado (com uma em Jerusalém por ordem de Herodes e com outra em Roma por ordem de Nero), o cárcere onde ele foi posto e também o túmulo em que ele estaria sepultado; em suma há tudo o que serve aos Católicos para testificar com certeza que Pedro veio a Roma (da sua vinda a Roma fala dela a tradição mas não a sagrada Escritura) e para confirmar a sua fábula artificiosamente composta sobre o papado de Pedro em Roma. O que nos ensina tudo isto? Que este das relíquias é um poderoso instrumento nas mãos de Satanás para fazer crer toda a sorte de lendas às pessoas.

Para muitos Católicos não importa nada se a Escritura cala acerca de muitas coisas ou diz o contrário daquilo que a sua tradição secular diz; eles se fazem fortes pelo facto de existir uma história a respeito de um pedaço de madeira ou de um pedaço de carne putrefacta ou de um osso ou de alguma coisa mais e nela crêem cegamente sem pôr isso em discussão.

Mas nós dizemos: Mesmo que Pedro tivesse estado em Roma, mesmo que a Escritura tivesse dito que ele pregou o Evangelho nesta cidade e também o lugar preciso onde ele depois teria sido morto, mas que privilégios teria alguma vez podido conferir tudo isso à Igreja de Roma? Que superioridade teria alguma vez podido reclamar a Igreja de Roma sobre as outras igrejas? Mas que virtudes sobrenaturais poderíamos atribuir ao seu túmulo?

Aos objectos que os homens de Deus deixaram na terra não se deve dar a importância que não têm; e não se deve atribuir-lhes poderes sobrenaturais, porque neste caso se daria lugar de mansinho ao diabo que sabe como explorar as fraquezas dos mortais.

 

 

O CULTO AOS ANJOS

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

Os anjos devem ser invocados porque oram por nós junto com Maria e os santos. O catecismo romano afirma:Invoquemos também a Nossa Senhora, os Anjos e os Santos porque, sendo caros ao Senhor e piedosos para connosco, nos auxiliam nas nossas petições com a poderosa intercessão. (...) Os Anjos e os Santos são poderosos intercessores junto de Deus, porque são seus servos fiéis, ou melhor, amigos predilectos(ibid., pag. 604) [11]. Além de Maria e os santos portanto - segundo a teologia papista - também os anjos devem ser invocados porque são intercessores junto de Deus. E a eles é dirigido um culto: os anjos da guarda são festejados a 2 de Outubro. E para sustentar que os anjos oram por nós que estamos na terra, os teólogos romanos tomam estas palavras do profeta Zacarias: "Então o anjo do Senhor respondeu, e disse: Ó Senhor dos exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém, e das cidades de Judá, contra as quais estiveste indignado estes setenta anos? Respondeu o Senhor ao anjo que falava comigo, com palavras boas, palavras consoladoras" (Zac. 1:12,13).

 

Confutação

 

Os anjos do Senhor não devem ser invocados

 

A sagrada Escritura diz que "o anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra" (Sal. 34:7), e que por nós termos feito de Deus o nosso refúgio Ele dará ordem aos seus anjos para nos guardarem em todos os nossos caminhos (cfr. Sal. 91:11). Mas em nenhum ponto ela diz que nós devemos invocar os anjos porque eles intercedem junto de Deus em nosso favor. E isto sempre pelo mesmo motivo já exposto antes; porque entre Deus e os homens só há um mediador, a saber, Jesus Cristo. E a Escritura também não diz que nós devemos render culto aos anjos, antes ela nos põe de sobreaviso deste culto aos anjos com estas palavras: "Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão" (Col. 2:18). Os anjos não são dignos de receber o nosso culto porque só Deus é digno de ser adorado: temos uma confirmação disso também nas seguintes palavras de João: "E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar. E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus" (Ap. 22:8,9). Sabemos bem que os Católicos dizem: ‘Mas nós não os adoramos, os veneramos, isto é, os honramos...’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 282), mas os factos demonstram que a sua chamada veneração pelos anjos não é mais que uma verdadeira e própria adoração; por isso é fundada a acusação de idolatria que lhes é dirigida. Pelo que respeita às palavras de Zacarias, é necessário dizer que o anjo do Senhor mencionado era o Filho de Deus que ainda não tinha tomado a nossa natureza humana; por isso estas palavras se confirmam alguma coisa é a intercessão do Filho de Deus e não a dos anjos que são apenas criaturas.

 

 

AS ESTÁTUAS E AS IMAGENS

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

As imagens sagradas devem ser expostas para a veneração. A Deus agrada o culto às imagens porque diante delas acontecem milagres. O concílio de Nicéia II, que foi convocado pela imperatriz Irene, decretou: ‘Nós definimos com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da preciosa e vivificante Cruz, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico quer em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e mesas, nas casas e ruas; sejam elas a imagem do Senhor Deus e Salvador nosso, Jesus Cristo, ou a da Imaculada Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos anjos dignos de honra, de todos os santos e piedosos homens’ (Concílio de Nicéia II). Para demonstrar que a igreja católica não faz nada de mal em fazer estas imagens e estátuas e expô-las para a veneração dos fiéis os teólogos papistas fazem presente que Moisés fez querubins de ouro para pô-los sobre a arca e uma serpente de metal que pôs sobre uma haste.

O culto do sagrado coração de Jesus. A origem desta devoção ao coração de Jesus está estritamente ligada às visões que teve uma certa Margarida Maria Alacoque (1647-1690) porque elas serviram aos Jesuítas como apoio para divulgar este culto ao coração de Jesus. Esta jovem contou que lhe tinha aparecido Jesus Cristo sobre o altar, que ele tinha aberto o peito e lhe tinha mostrado o coração entre chamas, circundado por uma coroa de espinhos, rasgado por uma ferida e com uma pequena cruz por cima; em suma aquele coração que hoje é reproduzido em milhões de imagens e sobre milhões de medalhas. Numa outra aparição, tida tempo depois, ela disse que Jesus lhe pediu o culto público, com a instituição de uma festa reparadora e indicou-lhe como colaborador Cláudio de La Colombière, um Jesuíta que era o seu confessor. E foi exactamente este de La Colombière que, impulsionado por grande zelo, conseguiu difundir, vivendo ainda Alacoque, o culto ao coração de Jesus entre muitas pessoas. Ainda hoje o culto ao sagrado coração de Jesus está muito difundido, sobretudo entre as mulheres, que mais do que os homens são atingidas na imaginação e nos sentidos por esta imagem do coração de Jesus coroado de espinhos. Mas como justificam este culto ao coração de Jesus os teólogos católicos? Desta maneira:O seu coração por isso, considerado unido à pessoa divina, é digno de adoração, a qual termina na própria pessoa de Jesus (....) Objecto próprio de culto portanto não é só o coração físico, nem só o amor, mas o coração físico como símbolo do amor (...) O coração de facto foi sempre tomado como símbolo do amor (...) Geralmente com a expressão Sagrado Coração se costuma significar toda a pessoa de Jesus...’ (Enciclopédia Católica, vol. 4, 1062).

O culto da cruz. A Enciclopédia Católica afirma que o culto da cruz ‘está fundado na estreita pertença que ela tem com a divina pessoa do Redentor’ (ibid., vol. 4, 959). A igreja católica romana instituiu duas festas em honra da cruz; a 3 de Maio e 14 de Setembro. Na ‘Sexta-feira santa’ ela a adora com as palavras: ‘Ecce lignum crucis’ (Eis o madeiro da cruz); ‘Venite, adoremus’ (Vinde e adoremos), ‘Crucem tuam adoramus, Domine’ (Adoramos a tua cruz ó Senhor). Esta sua adoração dirigida à cruz foi claramente sustentada por Tomás de Aquino o qual disse:A própria cruz na qual Cristo foi cravado, merece o nosso culto (....) porque nos representa a figura de Cristo estendido sobre ela, e porque esteve em contacto com os membros dele e foi banhada pelo seu sangue. Por ambos os motivos é adorada com o mesmo culto rendido a Cristo, isto é, com o culto de latria’ (Tomás de Aquino, A Suma Teológica, III, q. 25).

No Novo Manual do Catequista pode-se ler:Que a Deus depois agrada este culto é provado por tantos milagres que se operaram diante das sagradas imagens; quantos pequenos quadros com a figura de corações, fotografias de pessoas e flores, sinal de reconhecimento’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 288).

 

Confutação

 

As chamadas imagens e estátuas sagradas são ídolos e a chamada veneração das imagens e das estátuas é idolatria

 

Nós com os nossos olhos e com os nossos ouvidos somos testemunhas nesta nação da grande idolatria que esta chamada igreja perpetra em qualquer sítio, de facto, as estátuas e as imagens que figuram Maria ou algum outro personagem do passado estão difundidas por todo o lado nesta nação e não dão sinal de diminuir antes estão em contínuo aumento sob o impulso de guias cegados pelas trevas que preferem observar a sua tradição em vez da Palavra de Deus. Diante destes espantalhos dos seus ídolos que não têm neles nenhum sopro vital e não têm o poder de socorrer aqueles que os invocam, há muitos que se prostram a adorá-los e a orar a eles. Mas os Católicos dizem que não adoram as estátuas e as imagens mas as veneram, ou melhor que nem sequer veneram as imagens materiais mas veneram quem elas representam; eis como se exprime Perardi no seu manual: ‘Semelhantemente veneramos as imagens dos Santos; veneramos e não adoramos, e também não veneramos a imagem material em si mas o Santo ou a Nossa Senhora nela representado’ (ibid., pag. 287-288). Mas esta chamada veneração tributada ao personagem representado pela escultura ou pela pintura da qual eles falam, não é mais que um dos muitos sofismas de que a cúria romana se usa para enganar tanto os Católicos romanos como aqueles que não o são, de facto, assim falando (isto é, usando a palavra veneração no lugar da de adoração) a cúria romana consegue camuflar a idolatria e fazê-la passar simplesmente por uma honra. Com efeito não é verdade que a igreja romana não venera as imagens materiais mas sim as pessoas que elas representam porque o seu segundo concílio de Nicéia afirma quanto segue: ‘A honra tributada à imagem, na realidade, pertence àquele que nela é representado; e quem adora a imagem, adora a substância daquele que nela é reproduzido’ (Concílio de Nicéia II; em Decisioni dei Concili Ecumenici [ Decisões dos Concílios Ecuménicos] , Torino 1978, pag. 204). Também Tomás de Aquino confirma isto quando a propósito da imagem de Cristo afirma:Nós, ao contrário, honramos com culto de latria as imagens de Cristo que é verdadeiro Deus, não pelas próprias imagens, mas pela realidade que representam..’ (Tomás de Aquino, op. cit., III, q. 25). Portanto, na realidade esta veneração tributada às estátuas e às imagens que representam Cristo, Maria ou alguma outra pessoa não é mais que uma verdadeira e própria adoração tributada à estátua e à imagem não importa quem ela representa.

Vejamos agora antes de tudo o que diz a Palavra de Deus a respeito das estátuas e das imagens da igreja católica romana e do culto que lhes é rendido por ela. Deus diz: "Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos" (Ex. 20:4-6). Este é o segundo mandamento dado por Deus a Moisés no monte Sinai. Por isso, segundo a Escritura pecam tanto os que constroem estas estátuas e imagens como os que as servem. Que depois estas estátuas são servidas pelos Católicos romanos é uma coisa manifesta que não pode ser desmentida porque eles acendem diante delas velas, as limpam com cuidado quando necessitam de limpeza, as vestem com luxuosos paramentos, as adornam com jóias, as levam sobre pedestais nas suas periódicas procissões, dedicam-lhes fruta, doces, e outras coisas. Também as imagens que eles fizeram são por eles servidas porque eles diante delas recitam as suas orações, fazem o sinal da cruz, se prostram, acendem os seus círios, põem as suas flores. Além de tudo isto, como dito acima, diante delas os Católicos romanos se prostram com suma reverência, as adoram e oram a elas. Portanto este seu serviço prestado às estátuas e às imagens é contrário à Palavra de Deus. Ora, vimos como os Católicos romanos procuram defender o seu culto às estátuas e às imagens, mas como se defendem os Católicos da acusação de prestar a Maria e aos santos, através do subsídio das suas estátuas e imagens, o culto devido só a Deus? Neste caso fazem recurso a um outro sofisma; eles dizem que a eles não lhes rendem o culto de latria que deve ser rendido só a Deus, mas um culto inferior; a Maria o culto de iperdulia (serviço superior) e aos santos o de dulia (serviço). Mas nós replicamos: Mas onde na Escritura alguma vez se fala de um culto a dirigir a Maria, um outro aos santos mortos e um a Deus? Mas quando na Escritura alguma vez está dito que os defuntos são dignos de um qualquer tipo de culto? O culto deve ser rendido só a Deus, o Vivente, e de facto Jesus afirmou: "Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele renderás culto [ou servirás] " (Mat. 4:10), e este culto lhe deve ser rendido em espírito e em verdade, porque Jesus disse à mulher samaritana: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4:23,24); portanto, como nós devemos adorar só a Deus que é o Omnipotente, o Omnisciente e o Omnipresente, e ele procura que nós o adoremos em espírito e verdade precisamente porque Ele é espírito, nós não necessitamos de nenhuma imagem, mas digo mesmo nenhuma, para adorá-lo. E o culto dirigido a Maria e aos santos verdadeiramente santos e aos feitos santos pelos homens? Ele é abominável a Deus, ainda que seja feito passar por um tipo de culto inferior.

Fazemos também notar que os teólogos papistas dizendo que aos santos e às suas imagens rendem um culto de dulia, e a Maria e às suas imagens rendem um culto de iperdulia ou extradulia se condenam a eles mesmos porque a palavra dulia é uma palavra grega que significa ‘serviço’ e o segundo mandamento diz expressamente a propósito das esculturas e das imagens: "Nem as servirás" (Ex. 20:5); notai portanto que às estátuas e às imagens não deve ser rendido nenhum serviço, nem superior nem inferior. Por quanto respeita ao segundo mandamento aqui supracitado do livro da lei de Moisés, é bom recordar porém que a igreja romana o fez desaparecer, mas não da Bíblia mas do catecismo que é transmitido ao povo. Em outras palavras eles mutilaram os dez mandamentos, suprimindo o segundo mandamento e enchendo o vazio que se veio a criar dobrando o décimo; de facto o seu segundo mandamento é: ‘Não nomear o nome de Deus em vão’, enquanto o nono: ‘Não desejar a mulher do próximo’ e o décimo: ‘Não cobiçar as coisas alheias’. A razão pela qual este segundo mandamento foi suprimido é esta: a cúria romana afirma que Deus, no Antigo Pacto, proibiu aos Hebreus de fazerem imagens e estátuas porque eles viviam no meio de povos idólatras e havia o perigo de eles as adoptarem como divindades, enquanto agora esta proibição não é mais necessária porque já não há este perigo, por isso as estátuas e as imagens são permitidas. Elas, dizem eles, constituem um válido auxílio ao culto exterior, e ajudam os fiéis a recordar os verdadeiros servidores de Deus e os convidam a imitar as virtudes deles! Como podeis ver nos encontramos diante de vãos raciocínios, de altivezes que se levantam contra o conhecimento de Deus, e por isso os devemos destruir. Ora, é verdade que os Hebreus viviam no meio de povos idólatras que tinham mudado a glória de Deus em toda a sorte de imagens e que eles estavam expostos ao perigo da idolatria; mas é igualmente verdade que também nós crentes nos encontramos no meio de uma geração corrompida e perversa que mudou a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem do homem corruptível, e que também hoje para o Israel de Deus há o perigo de cair na idolatria, tanto é verdade que João nos escreveu para nos guardarmos dos ídolos (cfr. 1 João 5:21); e Paulo escreveu para fugir da idolatria (cfr. 1 Cor. 10:14), e em referência às desobediências dos Israelitas no deserto disse: "Ora, estas coisas nos foram feitas para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar" (1 Cor. 10:6,7).

Dilectos, ninguém vos engane com palavras sedutoras. Sabei que nós hoje devemos observar o mandamento que nos proibe de fazer imagens e estátuas de pessoas ou de animais para servi-las e adorá-las, da mesma maneira em que deviam observá-lo os Israelitas no deserto. Por quanto respeita depois ao facto de as estátuas e as imagens deste ou daquele outro santo ajudarem os homens a se recordarem dele para imitar as suas virtudes, dizemos que para nos recordarmos de imitar Cristo, ou aquela humilde serva do Senhor e nossa irmã Maria, ou os nossos irmãos Paulo, Pedro ou João ou algum outro santo de que fala a Escritura é suficiente ler as Escrituras onde se fala da sua conduta e das suas palavras. No caso depois de não termos à disposição connosco as Escrituras para ler, de certo Deus pelo seu Espírito nos recordará as palavras de Cristo e a sua irrepreensível conduta, como também as outras Escrituras de que necessitamos nos recordar. Não são pois de modo nenhum necessárias as estátuas e as imagens; se assim fosse, isto é, se fossem uma ajuda poderosa e indispensável para nos recordarmos dos santos servidores de Deus de certo Jesus primeiro e os apóstolos depois teriam dado instruções a respeito, mas eles não as deram. Mas porventura as deram só de viva voz e nunca foram postas por escrito de maneira que não encontramos rasto delas na Escritura? Não pode ser porque doutra forma se teriam revelado de língua dobre e teriam ido contra o mandamento de Deus.

Por isso a Igreja primitiva não tinha nem imagens e nem estátuas. Mas com o passar do tempo homens corruptos introduziram o culto das imagens. Por aquilo que diz Ireneu o culto das imagens foi introduzido na Igreja pelos Gnósticos, de facto ele diz:Denominam-se gnósticos e têm algumas imagens pintadas, outras também fabricadas com outro material, dizendo que são a imagem de Cristo feita por Pilatos no tempo em que Jesus estava com os homens. E as coroam e as expõem com as imagens dos filósofos do mundo, a saber, com a imagem de Pitágoras, de Platão, de Aristóteles e dos outros, e reservam a elas todas as outras honras, precisamente como os pagãos’ (Ireneu, Contra as Heresias, Liv. I, cap. 25,6). Eis os pais do culto às imagens que a igreja católica tanto ama e tanto defende definindo-o tradição apostólica!

 

Os querubins de ouro e a serpente de metal não foram construídos para serem servidos

 

Quando se fala contra as estátuas e as imagens com os Católicos romanos não é difícil ouvir-se responder por alguns deles: ‘Mas também Moisés construiu dois querubins de ouro sobre a arca do pacto; também Moisés fez uma serpente de metal e a pôs sobre uma haste para que os que eram mordidos pelas serpentes a olhassem e escapassem da morte!’. (Estas são palavras que os padres põem na boca dos seus fiéis).

O que devemos dizer pois a estas pessoas para lhes fazer compreender que os querubins de ouro e a serpente de metal não podem ser comparados às suas estátuas e imagens? Devemos dizer-lhes isto. Sim é verdade que Moisés fez isto, mas ele o fez em obediência à palavra que Deus lhe tinha revelado, de facto no caso dos querubins Deus disse-lhe: "Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório..." (Ex. 25:18), e por quanto respeita à serpente ele disse-lhe: "Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido mordido, olhar para ela" (Num. 21:8). Portanto Moisés não fez aquelas coisas da sua cabeça, mas em obediência à audível voz de Deus. A mesma coisa não se pode dizer porém daqueles que constroem estátuas que figuram Maria, ou algum outro personagem do passado, e que se prostram diante delas para lhes orar! E depois nem Moisés e nem o povo se puseram a orar ou a adorar aos querubins ou à serpente de metal ou a acender-lhes diante velas; enquanto da parte católica importa dizer que eles oferecem o seu culto às suas estátuas e às suas imagens orando a elas, adorando-as e acendendo-lhes diante velas.

Por quanto respeita à serpente de metal é necessário dizer que ela foi construída por Moisés por ordem de Deus para que todo aquele que era mordido pelas serpentes venenosas, olhando-a, pudesse escapar da morte. Mas os Israelitas, depois que entraram na terra prometida, começaram a queimar-lhe incenso e isto continuou até ao reinado de Ezequias porque está escrito que este rei quando começou a reinar "fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera; porquanto até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso" (2 Re 18:4). Como podeis ver portanto, aquele pedaço de metal que não tinha em si nenhum poder de fazer algum bem aos homens tornou-se objecto de culto por parte dos Israelitas, e por isso foi destruído por aquele rei, para que não fosse mais ocasião de pecado. E isto é o que deveria fazer o papa dos Católicos, ordenar destruir todas as suas chamadas imagens e estátuas sagradas que são ocasião de pecado para os Católicos romanos em todo o mundo.

Vos recordo além disso que o apóstolo disse que o ídolo nada é, mas também disse que "as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demónios, e não a Deus" (1 Cor. 10:20). A mesma coisa se pode dizer do culto que é rendido a Maria ou a algum dos seus santos; ele é dirigido aos demónios e não a Deus, e os que o dirigem têm comunhão com os demónios e não com Deus.

Por isso nós crentes abominamos todas as suas estátuas e as suas chamadas imagens santas, e o seu culto que lhes dirigem, porque por meio de todas estas coisas eles se põem em contacto com o diabo que se esconde habilmente atrás desta sua chamada veneração. A sabedoria diz que "não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho contra o Senhor" (Prov. 21:30), por isso todo o raciocínio que é feito pelos Católicos romanos para defender a sua idolatria resulta vão.

Que dizer depois da pergunta:Quem é que não conserva pendurado na parede ou sobre a mesinha de cabeceira com respeito e veneração o retrato das pessoas defuntas?’ Esta é uma pergunta nos feita para defender a sua idolatria! Pelo que nos diz respeito, não estamos de modo nenhum de acordo em pôr fotografias ou retratos de pessoas mortas pendurados na parede ou apoiados sobre a mesinha de cabeceira para evocar a sua memória. Para evocar a memória de uma pessoa é suficiente pensar nela ou falar dela.

 

O culto do sagrado coração de Jesus é idolatria

 

Como podeis ver os teólogos católicos romanos também no caso do culto ao sagrado coração de Jesus conseguem com os seus habituais sofismas fazer parecer a idolatria como um culto rendido a Jesus Cristo. Eles dizem que o culto ao sagrado coração de Jesus é um culto rendido à pessoa de Jesus; mas isso não é verdade porque se se considera de perto em que consiste esta devoção se vê que ela é dirigida a uma imagem e não a Jesus. Nós não cremos que Jesus tenha aparecido a Margarida Maria Alacoque revelando-lhe e fazendo-lhe ver aquelas coisas; antes cremos que aquelas aparições que ela diz ter tido são imposturas brotadas da sua mente inchada de vaidade. Jesus não pode ter dito aquelas coisas àquela mulher, porque ele não é um ministro de pecado que incita as pessoas à idolatria. Enquanto Jesus estava ainda na terra com os seus discípulos, foi adorado; mas de modo nenhum se diz que aqueles que o adoraram adoraram o seu coração físico, mas adoraram toda a sua pessoa. Também depois que Jesus foi elevado ao céu os seus discípulos o adoraram conforme está escrito: "E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu. E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém..." (Lucas 24:51,52); mas também neste caso os discípulos não adoraram o coração de Jesus ou Jesus servindo-se de uma imagem dele ou do seu coração, porque o adoraram em espírito.

 

O culto da cruz é idolatria

 

A Palavra de Deus diz: "Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele renderás culto [ ou servirás] " (Mat. 4:10), portanto render um culto a uma cruz é idolatria. Ela é só um pedaço de madeira que representa a cruz em que morreu Jesus e mais nada. Mas nós dizemos: Mas onde está alguma vez escrito na Bíblia que os Cristãos devem saudar a cruz e venerá-la? Os apóstolos pregavam a cruz de Cristo, mas nunca disseram nem para se construir uma cruz de madeira, pequena ou grande, e muito menos para adorar a cruz porque ela recorda Jesus. Concluímos dizendo isto: mesmo que houvesse num lugar da terra a verdadeira cruz na qual foi crucificado Jesus nós não seríamos chamados a render-lhe nenhum tipo de culto; e o facto de Jesus ter sido posto numa cruz não significa que alguém se deva pôr a adorar a cruz porque ela está ligada em um certo sentido à vida de Jesus. Porque doutra forma, se se devesse raciocinar como fazem os Católicos romanos, deveríamos nos pôr a adorar uma manjedoura porque numa manjedoura foi colocado Jesus quando nasceu, deveríamos adorar uma lança porque foi uma lança a furar-lhe o lado, os pregos porque as suas mãos e os seus pés foram traspassados com pregos, espinhos porque na cabeça lhe foi posta uma coroa de espinhos, e assim por diante!

Adoremos Cristo Jesus, mas não a cruz em que ele foi crucificado.

 

Os milagres acontecidos diante das imagens procedem do diabo

 

A cúria romana justifica o culto às imagens, com o facto de diante delas terem acontecido milagres. Como podeis ver chegaram ao ponto de definir agradável a Deus o culto das imagens. Não é de modo nenhum assim como dizem eles porque o seu culto às imagens é abominável a Deus e as seguintes Escrituras o testificam. O profeta Ezequiel diz: "E levou-me à porta do átrio; então olhei, e eis que havia um buraco na parede. Então ele me disse: Filho do homem, cava agora na parede. E quando eu tinha cavado na parede, eis que havia uma porta. Disse-me ainda: Entra, e vê as ímpias abominações que eles fazem aqui. Entrei, pois, e olhei: E eis que toda a forma de répteis, e de animais abomináveis, e todos os ídolos da casa de Israel, estavam pintados na parede em todo o redor. E setenta homens dos anciãos da casa de Israel, com Jaazanias, filho de Safã, no meio deles, estavam em pé diante das pinturas, e cada um tinha na mão o seu incensário; e subia o odor de uma nuvem de incenso" (Ez. 8:7-11).

Por aquilo que diz respeito aos milagres que eles dizem acontecerem diante destas suas imagens eles são mentirosos e são feitos pelo diabo a fim de não fazer desviar os Católicos do culto das suas imagens. Por que motivo também nesta nação o culto das imagens entre os Católicos está enraizado tão profundamente? Precisamente porque diante destes ídolos Satanás operou fenómenos sobrenaturais que depois foram atribuídos à pessoa que a estátua ou a imagem representam. Tomemos por exemplo o chamado milagre de Januário (ou Gennaro) que aconteceu em Nápoles. Segundo o que é ensinado aos Católicos Januário morreu mártir no terceiro século e uma mulher recolheu o sangue numa ampola. E este sangue coagulado três vezes ao ano se liquefaz no culto dos Católicos. O que produziu este prodígio mentiroso? Produziu sobretudo nos habitantes de Nápoles nada mais que uma cega confiança em Januário, tanto é verdade que o invocam muitas vezes para que lhes faça alguma graça. Atenção porém: os Católicos não atribuem estes factos sobrenaturais que acontecem diante dos cadáveres dos seus ídolos à obra do diabo, mas ou à mãe de Jesus (se o prodígio acontece diante da sua imagem) ou a este ou àquele outro chamado santo (se o prodígio acontece diante da sua imagem), o que é um pouco diferente. Mas precisamente nisto consiste a astúcia do diabo, em fazer passar um prodígio seu como uma obra acontecida pela intercessão no céu de Maria ou de algum outro. Não é algo sem importância, porque desta maneira conseguiu consolidar a idolatria no seio dos Católicos. No fim o que importa ao diabo é conseguir fazer parecer útil o culto das imagens, e os mortos como poderosos intercessores junto de Deus (desviando assim as pessoas de se dirigirem a Cristo Jesus o único mediador entre Deus e os homens); e temos que reconhecer que conseguiu. É o enganador de todo o mundo: enganou certos povos fazendo-lhes adorar o sol, a lua, as estrelas; outros, fazendo-lhes adorar as imagens de animais do campo, répteis e aves; e os Católicos, fazendo-lhes adorar e invocar as imagens de Maria e de muitos outros, ou melhor aqueles que morreram. A única diferença que há entre a religião católica romana e tantas outras religiões está no facto de as imagens e as estátuas que os Católicos adoram e invocam figurarem personagens históricas diferentes daquelas que adoram e invocam os das outras religiões. Mudam portanto só os nomes dos ídolos, mas tudo o resto é o mesmo e o artífice de tudo isto permanece sempre o diabo. Será bom lembrar de uma coisa que está escrito no livro do Apocalipse que nos faz perceber o que o diabo é poderoso para fazer para enganar as pessoas mediante imagens. Está escrito: "E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como dragão. Também exercia toda a autoridade da primeira besta na sua presença; e fazia que a terra e os que nela habitavam adorassem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada. E operava grandes sinais, de maneira que fazia até descer fogo do céu à terra, à vista dos homens; e, por meio dos sinais que lhe foi permitido fazer na presença da besta, enganava os que habitavam sobre a terra e lhes dizia que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia. Foi-lhe concedido também dar um espírito à imagem da besta, para que a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta..." (Ap. 13:11-15). Como podeis ver acontecerá que surgirá um falso profeta que fará grandes sinais na presença da besta e enganará mediante estes sinais muitas pessoas dizendo-lhes para fazerem uma imagem da besta que depois de ter sido ferida mortalmente reviverá. Mas o facto é que a este falso profeta o diabo dará também o poder de dar um espírito à imagem da besta a qual começará a falar e muitos vendo-a falar começarão a adorá-la.

Hoje, a astúcia operada pelo diabo por meio das imagens e das estátuas de Maria ou de algum outro para enganar os Católicos é a mesma, de facto, mesmo se não as faz falar consegue fazê-las lacrimejar, sangrar, abrir os olhos etc. E assim acontece que muitos vendo estas obras do diabo se afeiçoam ainda mais aos cadáveres dos seus ídolos, e são induzidos a render-lhes culto. Mas mesmo que descesse fogo do céu na presença destas estátuas e imagens, mesmo que elas se pusessem a falar nós não creremos na doutrina que permite o culto às imagens; precisamente porque sabemos quem se oculta atrás desta chamada veneração, o diabo. Irmãos, vigiai; ninguém vos engane.

 

Passagens da Escritura que condenam o fazer-se estátuas e imagens e o seu culto

 

Ÿ "Então disse o Senhor a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste subir da terra do Egipto, se corrompeu; depressa se desviou do caminho que eu lhe ordenei; eles fizeram para si um bezerro de fundição, e adoraram-no, e lhe ofereceram sacrifícios, e disseram: Eis aqui, ó Israel, o teu deus, que te tirou da terra do Egipto" (Ex. 32:7,8). Moisés tinha ido sobre o monte Sinai para receber de Deus a lei, mas na sua ausência o povo com o consentimento de Arão fez um ídolo que figurava um bezerro, o adorou e lhe ofereceu sacrifícios atribuindo àquele ídolo vão a sua libertação do Egipto. O povo de Israel portanto depois de ter visto Deus operar grandes e tremendos juízos tanto no Egipto como no deserto, depois de ter visto a glória de Deus sobre o monte Sinai, o próprio monte fumegar e tremer, e depois de ter ouvido a voz de Deus, se corrompeu até ao ponto de fazer aquele bezerro de ouro para adorá-lo no lugar de Deus. Ele em vez de adorar e servir a Deus se pôs a adorar e a servir um ídolo, e por este seu acto Deus se irou ao ponto de o querer destruir. Mas Moisés intercedeu por ele e Deus não o destruiu; de qualquer modo Moisés regrassando ao campo deu ordem para matar os idólatras, e naquele dia morreram cerca de três mil homens. No princípio a Igreja aborrecia as estátuas e as imagens, depois a pouco e pouco homens introduziram no seu meio o culto das imagens e das estátuas, conseguindo desviar muitos fiéis de Deus e fazê-los adorar as imagens. Isto pôde acontecer porque muitos bispos estabelecidos para apascentar o rebanho de Deus deixaram de vigiar. Importa dizer também porém que houveram bispos que rejeitaram o culto das imagens e exortaram os fiéis a não se conformarem a este costume pagão que homens corruptos tinham introduzido na Igreja. Por quanto respeita à igreja romana importa dizer que ela está mergulhada na idolatria.

Ÿ Moisés disse ao povo: "Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o Senhor, em Horebe, falou convosco do meio do fogo; para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhança de homem ou mulher; figura de algum animal que haja na terra; figura de alguma ave alada que vôa pelos céus; figura de algum animal que se arrasta sobre a terra; figura de algum peixe que esteja nas águas debaixo da terra..." (Deut. 4:15-18). Os Católicos dizem que as suas estátuas e as suas imagens não são ídolos porque não têm a forma de animais ou aves ou peixes, mas não é assim como eles dizem porque a Palavra de Deus chama ídolos tanto às esculturas e às imagens de animais, de aves e de peixes como às esculturas e às imagens na forma de Cristo, Maria, e os santos tradicionais e qualquer outra pessoa. A passagem supradita o faz perceber muito bem isso. Irmãos, ninguém vos engane de alguma maneira.

Ÿ "Nem levantarás imagem, a qual o Senhor teu Deus odeia" (Deut. 16:22).

Ÿ "E os levitas dirão em alta voz a todos os homens de Israel: Maldito o homem que fizer imagem esculpida, ou fundida, abominação ao Senhor, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido. E todo o povo, respondendo, dirá: Amém" (Deut. 27:14,15). Portanto todos aqueles que fazem uma imagem esculpida estão sob maldição.

Ÿ Nos Salmos está escrito: "Os ídolos das nações são prata e ouro, obra das mãos dos homens; têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem; nem há sopro algum na sua boca. Semelhantemente a eles se tornarão os que os fazem, e todos os que neles confiam" (Sal. 135:15-18). Eis por que os Católicos romanos não falam como deveriam, não vêem o que nós vemos, e não ouvem o que nós ouvimos, e porque estão mortos nas suas ofensas sem a vida de Deus; precisamente porque põem a sua confiança nos ídolos que se fabricam.

Ÿ Em Isaías está escrito: "Todos os artífices de imagens esculpidas são nada; e as suas coisas mais desejáveis são de nenhum préstimo; e suas próprias testemunhas nada vêem nem entendem, para que eles sejam confundidos. Quem forma um deus, e funde uma imagem de escultura, que é de nenhum préstimo? Eis que todos os seus seguidores ficarão confundidos; e os artífices são apenas homens; ajuntem-se todos, e se apresentem; assombrar-se-ão, e serão juntamente confundidos. O ferreiro faz o machado, e trabalha nas brasas, e o forja com martelos, e o forja com o seu forte braço; ademais ele tem fome, e a sua força falta; não bebe água, e desfalece. O carpinteiro estende a régua sobre um pau, e com lápis esboça um deus; dá-lhe forma com o cepilho; torna a esboçá-lo com o compasso; finalmente dá-lhe forma à semelhança dum homem, segundo a beleza dum homem, para habitar numa casa. Um homem corta para si cedros, ou toma um cipreste, ou um carvalho; assim escolhe dentre as árvores do bosque; planta uma faia, e a chuva a faz crescer. Então ela serve ao homem para queimar: da madeira toma uma parte e com isso se aquenta; acende um fogo e assa o pão; também faz um deus e se prostra diante dele; fabrica uma imagem de escultura, e se ajoelha diante dela. Ele queima a metade no fogo, e com isso prepara a carne para comer; faz um assado, e dele se farta; também se aquenta, e diz: Ah! me aquentei, já vi o fogo. Então do resto faz para si um deus, uma imagem de escultura; ajoelha-se diante dela, prostra-se, e lhe dirige a sua súplica dizendo: Livra-me porquanto tu és o meu deus. Nada sabem, nem entendem; porque se lhe untaram os olhos, para que não vejam, e o coração, para que não entendam. E nenhum deles reflete; e não têm conhecimento nem entendimento para dizer: Metade queimei no fogo, e assei pão sobre as suas brasas; fiz um assado e dele comi; e faria eu do resto uma abominação? ajoelhar-me-ei ao que saiu duma árvore? Apascenta-se de cinza. O seu coração enganado o desviou, de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Porventura não há uma mentira na minha mão direita?’ (Is. 44:9-20). Com estas palavras Deus declara inúteis e enganados os homens que fabricam um ídolo, o adoram e lhe oram invocando a sua ajuda. A Palavra de Deus não deixa espaço para mal-entendidos; é clara.

Ÿ Deus diz em Jeremias: "Mas eles todos são estúpidos e insensatos; não é senão uma doutrina de vaidade; não é mais que madeira; prata batida em chapas trazida de Társis, e ouro de Ufaz, trabalho do artífice, e das mãos do fundidor; seus vestidos são de azul e púrpura; obra de peritos são todos eles. Mas o Senhor é o verdadeiro Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno, pelo seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação...... Quando ele faz soar a sua voz, logo há rumor de águas no céu, e ele faz subir os vapores das extremidades da terra; faz os relâmpagos para a chuva, e dos seus tesouros faz sair o vento. Todo homem então torna-se estúpido e sem conhecimento; todo o fundidor envergonha-se da sua imagem esculpida; porque as suas imagens fundidas são uma mentira, e nelas não há fôlego. Vaidade são, obra de enganos; no tempo da sua visitação virão a perecer" (Jer. 10:8-10, 13-15 Riveduta). Portanto todos os que se acham sábios e ensinam a fazer estátuas e imagens são estúpidos e insensatos diante de Deus e ensinam uma doutrina vã. Além disso segundo o profeta Jeremias no dia em que Deus castigará as nações pela sua maldade perecerão todas as estátuas e todas as imagens que os homens fizeram para adorá-las. Que o saibam bem os Católicos romanos: as estátuas e as imagens que figuram Cristo, Maria, os santos antigos ou outros homens que eles levantaram e pintaram nas suas basílicas, nas suas casas, pelas ruas e praças, sobre as montanhas e em tantos outros lugares no dia do castigo perecerão junto com aqueles que lhes oferecem culto.

 

 

AS PEREGRINAÇÕES [12]

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

As peregrinações proporcionam graças excepcionais e são escriturais. Um escritor católico afirmou que a peregrinação é antes de tudo um acto de fé e depois é ‘uma forma eminente de oração e vale para aquele que a faz graças excepcionais’. Os teólogos papistas sustentam as peregrinações com as Escrituras dizendo que segundo a lei de Moisés também os Israelitas se deviam deslocar três vez ao ano a Jerusalém, a cidade santa. Por isso o que é prescrito aos Católicos é escritural porque também eles são exortados a ir aos lugares santos.

 

História

 

Por quanto respeita à origem e à difusão das peregrinações no seio da igreja católica romana dizemos estas poucas coisas.

Depois da morte de Cristo, o lugar onde Jesus tinha nascido, aquele onde tinha sido criado, os lugares onde tinha pregado, e sobretudo o lugar onde tinha sido crucificado e sepultado, começaram a ser considerados por muitos lugares mais santos do que os outros, e por isso começou por parte de muitos a migração para estes lugares; migração, que devemos dizer, não parou até hoje. Mas não foi só a terra santa que começou a ser a meta de muitos peregrinos, mas também Roma, porque a tradição dizia que nesta cidade tinham morrido mártires Pedro e Paulo, e muitos iam venerar os seus túmulos. No curso do tempo as peregrinações no seio da igreja romana se multiplicaram de maneira impressionante porque começaram a multiplicar-se túmulos de mártires e relíquias de todo o género, e as pessoas foram convencidas que indo venerar esses túmulos ou essas relíquias obteriam de Deus por meio delas graças. Depois foi-lhes dito que se fizessem a peregrinação a este ou àquele outro lugar obteriam a remissão das suas penas temporais, isto é, a indulgência; e assim elas foram sobremodo incentivadas a fazer as peregrinações. Ainda hoje as peregrinações estão ligadas às indulgências. Em Itália os lugares onde os peregrinos católicos se deslocam em maior número são Roma, Assis e Loreto. No exterior Lourdes, Fátima, La Salette e Medjugorje. Mas examinemos o porquê de os Católicos irem em grande número a estes lugares chamados santos: a Roma vão para visitar os túmulos de Pedro e Paulo; a Assis vão para adorar e orar a Francisco e obter através dele graças; a Loreto vão visitar a pretensa casa de Maria transportada pelos anjos de Israel para Itália; a Lourdes, a Fátima, a La Salette e a Medjugorje vão para obter de Maria as graças de que necessitam e para adorá-la. E em muitos outros lugares vão para venerar o sudário, corpos e pedaços de corpos de pessoas mortas, pedaços de madeira que dizem ser da cruz em que foi crucificado Jesus, as vestes, o véu e o anel de noivado de Maria; e muitas outras coisas que seria demasiado longo enumerar todas.

 

Confutação

 

A Escritura de modo nenhum confirma as peregrinações católicas

 

Os Israelitas subiam a Jerusalém porque Jerusalém é a cidade que foi escolhida por Deus para ali pôr o seu nome e os Israelitas tinham recebido de Deus a ordem de subir três vezes por ano ao lugar que ele escolheria conforme está escrito: "Três vezes no ano todos os teus homens aparecerão perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele escolher: na festa dos pães ázimos, na festa das semanas, e na festa dos tabernáculos" (Deut. 16:16). Esta é a razão pela qual no tempo de Jesus está dito que os seus pais "iam todos os anos a Jerusalém, à festa da páscoa" (Lucas 2:41), e que quando Jesus alcançou doze anos subiu também ele com eles a Jerusalém "segundo o costume da festa" (Lucas 2:42). Também depois que Jesus foi elevado ao céu Jerusalém continuou a ser a meta periódica de muitos Judeus; recordamos a tal propósito que no Pentecostes "em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu" (Actos 2:5), precisamente em razão da ordem dada por Deus na lei.

Mas agora nós crentes em Cristo não somos chamados como o eram os Judeus a subir anualmente a Jerusalém para ali celebrar as três festas judaicas acima mencionadas porque Cristo aboliu na sua carne estas práticas religiosas dizendo à mulher samaritana: "A hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.... Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4:21,23,24). Deus está por toda a parte, e nós não necessitamos de ir a algum lugar particular para adorá-lo; porque isso o podemos fazer em qualquer sítio. Jesus Cristo também disse: "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mat. 18:20); estas suas palavras confirmam que nós não necessitamos de fazer nenhuma peregrinação para algum lugar particular para achar a sua presença, porque ele está presente no meio de nós. Recordamos também que a lei tem uma sombra dos bens futuros e não a realidade exacta das coisas; portanto também as festas judaicas que os Judeus eram chamados a celebrar subindo a Jerusalém eram figura de coisas que deviam acontecer e não a realidade exacta das coisas. A realidade daquele subir a Jerusalém consiste no facto de nós termos chegado à Jerusalém de cima conforme está escrito aos Hebreus: "Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial" (Heb. 12:22); isto significa por conseguinte que nós não somos chamados a ir em peregrinação a Jerusalém nem três vezes ao ano e nem sequer uma vez ao ano ou pelo menos uma vez na vida. Nós crentes somos chamados peregrinos e forasteiros porque estamos em viagem para a nossa pátria celestial; como Abraão, Isaque e Jacó confessaram ser peregrinos porque buscavam uma pátria melhor, a celestial, da mesma maneira também nós declaramos estar em peregrinação para a cidade celestial da qual somos cidadãos. Para lá estamos indo, a essa cidade anelamos, e como estamos angustiados até que esta viagem não termine!

Demonstramos assim que a peregrinação para Jerusalém prescrita por Deus foi abolida e que nós crentes não somos chamados a nos deslocar a algum lugar particular da terra para adorar a Deus ou para receber dele algum particular benefício ou benção, porque não há certos lugares onde Deus está mais presente do que em outros. Para clarificar este conceito faço um exemplo. Nós sabemos com certeza que Jesus Cristo nasceu em Belém, foi criado em Nazaré, foi batizado no rio Jordão, e ainda junto ao rio Jordão foi ungido com o Espírito Santo. Sabemos também que ele andou sobre o mar de Tiberíades, que operou milagres à volta deste mar; que pregou no templo de Jerusalém, que foi morto em Jerusalém. Ora, todas estas coisas são verdadeiras porque a Escritura as testifica claramente; mas isto não nos leva a querer ir a Israel para andar nos lugares onde andou Jesus Cristo, o Filho de Deus, para sermos abençoados ou curados por meio deles pelo Senhor como se eles tivessem virtudes sobrenaturais ou que Deus conferisse graças particulares àqueles que se deslocam aos mesmos lugares onde andou o seu Filho. Permanecendo firme que a terra de Israel é terra santa, se nós fizéssemos assim nos tornaríamos também nós supersticiosos.

 

Uma palavra ao ‘peregrino’ católico

 

Para concluir quero dizer ao ‘peregrino’ católico romano estas palavras do profeta: "Na tua comprida viagem te cansas; porém não dizes: Não há esperança!" (Is. 57:10); mas também: ‘Caí em ti mesmo; mas não te dás conta de ter sido enganado e de ir atrás da vaidade? Não subas a estes lugares onde é praticada a idolatria: vai a Cristo e encontrarás nele todas as bençãos espirituais’. Não continues a fazer estas peregrinações pensando adquirir méritos diante de Deus ou receber graças excepcionais, mas vem ao monte Sião, vem à Jerusalém celestial reconhecendo-te um pecador necessitado do perdão divino e então sim obterás graça sobre graça.

 

 

AS PROCISSÕES

 

A doutrina dos teólogos papistas

 

As procissões são súplicas feitas para louvor de Deus. Na liturgia católica a procissão é uma súplica solene feita em honra e louvor de Deus ou dos santos, em agradecimento, em penitência e em expiação, especialmente em tempos de calamidade. Existem procissões ordinárias, que ocorrem todos os anos em algumas festas ou em certos lugares (das velas, das palmas etc.), e procissões extraordinárias que são convocadas por circunstâncias particulares em ocasião de uma calamidade ou de um agradecimento. A mais solene, dentre todas as procissões, é a procissão eucarística da festa do Corpus Domini (Corpo do Senhor).

 

Confutação

 

A procissão não é uma prática escritural mas uma prática de origem pagã

 

Tem a procissão um fundamento bíblico? Nenhum. No livro dos Actos dos apóstolos, em que Lucas narra de maneira pormenorizada como se desenvolvia a vida da Igreja primitiva em Jerusalém; e nas epístolas que os apóstolos escreveram às Igrejas não encontramos rasto de nenhuma procissão em honra e louvor de Deus, ou para pedir-lhe chuva ou esconjurar uma tempestade. Também no que diz respeito ao pão que era partido e distribuído aos fiéis em comemoração da morte de Cristo, não se diz que ele era levado em procissão pelas ruas das cidades ou das povoações. Também as procissões em honra dos santos ou de mártires não existiam. Ao contrário hoje estas procissões em honra dos santos (os verdadeiros e os falsos) estão muito difundidas no seio da igreja romana; todos os anos, em todas as terras, é levada em procissão a estátua que figura Fulano ou Sicrano que se diz seja o protector da terra. E o povo sem entendimento se prostitui após estes ídolos mudos que são abominação para Deus, adorando-os, invocando-os para que os proteja, agradecendo-lhes; e assim em vez de dar a glória Àquele a quem pertence a glória, a dão aos seus ídolos. Até quando durará isto? A procissão é um costume pagão. Na Grécia o início dos jogos de Olímpia era precedido por uma procissão formada pelos magistrados das cidades, pelos sacerdotes e por representantes das várias cidades que iam oferecer um solene sacrifício a Zeus. Também no Egipto a procissão era um costume muito difundido; no dia fixado a imagem do seu deus era posta sobre um carro em forma de barco, e se a procissão procedia sobre o Nilo, o sacerdote e o povo acompanhavam a imagem do seu deus pela margem com danças, cânticos e luminárias. Portanto, ainda uma vez, emerge de maneira clara que o catolicismo contém um enésimo costume de origem pagã.

 

CONCLUSÃO

 

O culto a Maria, aos santos e aos anjos, dirigido com o auxílio de imagens e estátuas de todos os géneros e de todos os tamanhos, com peregrinações a este ou àquele outro santuário e com procissões em honra de Maria etc., certamente constitui aos olhos de Deus algo de abominável que o repugna. Não me alongo mais; vos digo apenas irmãos fugi da idolatria presente na igreja católica romana para não atrairdes a ira de Deus sobre a vossa cabeça. Aborrecei-a e confutai-a.

 

 

NOTAS

 

[1] Na realidade Maria é mais importante do que Jesus para os Católicos. Considere-se, entre outras coisas, que aqui em Roma em 580 lugares de culto da igreja católica (os citados no Tuttocittà ‘97) 133 são dedicados exclusivamente a Maria, enquanto só 33 são dedicados exclusivamente a Jesus (incluindo Corpus Domini e SS. Sacramento).

 

[2] É de notar que Tomás de Aquino, um dos sumos doutores da igreja romana (no qual está baseada muita da sua teologia), era nitidamente contrário à imaculada conceição. Eis quanto ele declarou:O corpo da Virgem foi concebido em pecado original e por isso contraiu aqueles defeitos’ (Tomás de Aquino, A Suma Teológica, III, q.14).

 

[3] A Escritura diz, ao contrário, que só Jesus foi tentado porém sem nunca pecar (cfr. Heb. 4:15) e que "se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" (1 João 1:10). Os teólogos papistas dizendo que Maria nunca pecou durante a sua vida mentem e fazem Deus mentiroso.

 

[4] Amatulli Flaviano no seu livro anteriormente citado para explicar aos Católicos que estas palavras de Mateus não querem dizer que depois que Maria deu à luz Jesus, ela teve relações carnais com José diz: ‘A respeito desta forma de expressão, eis um outro exemplo, tomada da Bíblia: E Mical, filha de Saul, não teve filhos até ao dia da morte de Davi (2 Sam 6,23). Que quer dizer isso? Que depois da morte de Davi teve filhos? Evidentemente não’ (pag. 192). Mas este citou mal as palavras da Escritura porque a Escritura não diz até à morte de Davi mas até à morte de Mical de facto o texto diz: "E Mical, filha de Saul, não teve filhos até ao dia da sua morte". Portanto Mical não teve filhos até à sua morte. Alguns exemplos tirados da Bíblia que, pelo contrário, nos mostram que o significado das palavras de Mateus é o que nós lhe damos, são os seguintes. Jesus antes de partir disse aos seus: "Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder" (Lucas 24:49). Isto significa que depois que fossem revestidos de poder podiam ausentar-se de Jerusalém, o que nós sabemos depois aconteceu. Nos Actos está escrito que mais de quarenta Judeus foram ter com os principais dos sacerdotes e anciãos e disseram-lhes: "Conjuramo-nos sob pena de maldição a não provarmos coisa alguma até que matemos a Paulo" (Actos 23:14). Isto significa que depois que o matassem voltariam a comer regularmente.

 

[5] Afonso de Ligório depois da sua morte, mais precisamente em 1839, foi também canonizado santo por Gregório XVI, o que confirma que para ser canonizado santo pelo papa é necessário ter sido idólatra na terra.

 

[6] Este termo está presente neste versículo:Vem a hora em que qualquer que vos matar julgará prestar um serviço (latreia) a Deus" (João 16:2).

 

[7] O declarou tal Pio IX. Eis o decreto que sancionou esta enésima impostura papal:O Santíssimo Senhor Nosso Papa Pio IX, consternado pela recentíssima e funesta situação das coisas, para confiar a si mesmo e os fiéis ao potentíssimo patrocínio do Santo Patriarca José, quis satisfazer os desejos dos Excelentíssimos Bispos e solenemente declarou-o Patrono da Igreja Católica’ (Decret. Quemadmodum Deus’ da Congr. dos SS. RR. 8 de Dezembro de 1870).

 

[8] Sobre o facto dos quatro milagres pelo menos que o morto deve fazer para ser declarado santo falarei em seguida, aqui me limito a dizer que se trata da enésima impostura papal.

 

[9] A respeito da beatificação de alguém que precede a sua canonização deve ser dito que para ela é apresentado um pedido à Congregação das causas dos santos por parte dos Católicos de uma diocese quando neles existe a convicção que aquela pessoa morta em fama de santidade já está no céu e lá ora por eles. Por aqui se percebe que o presumido santo não pode ser declarado logo beato no céu porque primeiro deve passar um período de tempo mais ou menos longo no purgatório a sofrer. Não se percebe porém com base em que critério após um certo tempo da sua morte certas pessoas começam a sentir que ele tenha entrado finalmente no paraíso. É destes dias a notícia que João Paulo II tem pressa de beatificar Maria Teresa de Calcutá, morta pouquíssimos dias atrás; a quereria beatificar com efeito pelo Jubileu. Mas para que isto aconteça é preciso saltar algum procedimento porque o tempo que resta é demasiado curto. E assim se as coisas correrem como eles esperam Maria Teresa de Calcutá será declarada beata ainda antes de outros, mortos décadas antes dela e que estão à espera de ser beatificados! [ Nota do tradutor: entretanto, este livro foi escrito em 1998, Teresa de Calcutá foi beatificada a 19 de outubro de 2003, apenas 6 anos após a sua morte. Nunca ninguém atingiu a beatificação em um período tão curto] Nós crentes porém sabemos que para que alguém morto em Cristo seja declarado beato (ou bem-aventurado) não necessitamos de esperar dias, meses, anos, ou séculos, porque há mais de mil e novecentos anos o Espírito Santo declarou beatos todos os crentes em Cristo Jesus que morrem, de facto João diz: "E ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que repousem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem " (Ap. 14:13) e isto porque eles entram logo no paraíso de Deus que está no céu. Mas os Católicos romanos que morrem nos seus pecados não são em nada bem-aventurados porque vão para o Hades em tormentos. Mas a cúria romana faz crer aos seus seguidores que eles são felizes! Que engano, que ilusão, que impostura!

 

[10] Naturalmente saber isto não autoriza ninguém a invocar os anjos porque eles estão às ordens de Deus e obedecem à sua palavra. Recordai-vos que Davi cria que os anjos o protegiam mas ele nas suas angústias se dirigia somente a Deus.

 

[11] Fazemos notar que ensinando esta doutrina sobre a invocação dos anjos os teólogos papistas se põem contra o concílio de Laodicéia da segunda metade do século IV o qual decretou: ‘Não convém que os cristãos abandonem a Igreja de Deus e invoquem os Anjos’ (Non oportet cristianos, ecclesia Dei relicta, abire at Angelos nominare).

 

[12] A peregrinação é um rito religioso presente também no Islão, no Budismo e no Hinduísmo. Maomé impõe aos seus seguidores ir em peregrinação a Medina, mas sobretudo para Meca. E Buda impõe aos seus seguidores que façam quatro peregrinações aos principais lugares da sua carreira mortal que são a sua aldeia natal, o lugar onde recebeu ‘a revelação’, o lugar onde começou a pregar e por fim a aldeia onde morreu. Para os Hinduístas há alguns rios sagrados, entre estes o mais importante é o Ganges; para eles mergulhar nele ou simplesmente costeá-lo significa assegurar a bem-aventurança eterna; por isso se deslocam desde lugares longínquos para ir a este rio.

 

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