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Capitulo 3 A Igreja |
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A doutrina
dos teólogos papistas |
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É a sociedade dos verdadeiros Cristãos os
quais professam a fé em Cristo, têm os sete sacramentos, submetem-se ao papa,
que sendo o sucessor de Pedro é o chefe vísivel dela, e aos bispos que são os
sucessores dos apóstolos. A igreja católica romana é a única e verdadeira
igreja porque só ela é una, santa, católica e apostólica. As outras
igrejas, ainda que tenham nome de igreja, não são verdadeiras igrejas. Fora
da igreja católica romana não há salvação. Quem abandona a igreja católica é
um herético e apóstata. Eis o que ensina o catecismo de Perardi a
respeito da Igreja: ‘A Igreja é a sociedade dos verdadeiros cristãos, isto
é, dos batizados que professam a fé e doutrina de Jesus Cristo, participam
dos seus Sacramentos e obedecem aos Pastores estabelecidos por Ele’
(Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 181). Vejamos agora qual é o
significado destas palavras que encontramos ainda no mesmo catecismo: ‘São cristãos
todos os que receberam validamente o Batismo’ (ibid., pag. 181) e que
além de serem batizados crêem ‘explicitamente as verdades que se devem crer
de necessidade de meio ou por preceito, e ao menos implicitamente todas as
verdades reveladas que Jesus Cristo nos propõe por meio da Igreja’ (ibid.,
pag. 181); confessam ‘explicitamente a fé mesmo pagando com a vida quando é
necessário’ (ibid., pag. 181) e vivem ‘em conformidade com os ditames
da Fé, praticando as suas obras e observando os Mandamentos de Deus e da
Igreja’ (ibid., pag. 181); que ‘participam dos seus Sacramentos,
isto é, crêem (e usam) todos os sete Sacramentos que Jesus Cristo instituiu
para santificar as nossas almas’ (ibid., pag. 181), e obedecem aos
Pastores estabelecidos por Cristo ‘dos quais é chefe o Sumo Pontífice’ (ibid.,
pag. 182) e os outros ‘são os Bispos, que em comunhão com o Papa regem e
governam a Diocese a eles atribuída’ (ibid., pag. 182). |
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No catecismo se lê: ‘A Igreja de Jesus
Cristo é a Igreja Católica Romana, porque só ela é una, santa, católica
e apostólica, como Ele a quer’ (ibid., pag. 188). |
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‘A Igreja é una porque todos os seus membros tiveram, têm e sempre
terão única a fé, o sacrifício, os Sacramentos e o chefe visível, o
Romano Pontífice, sucessor de são Pedro (...) A nossa Igreja responde
a todas estas condições de unidade. Ela tem: 1) Única a fé, a de Jesus
Cristo pregada pelos Apóstolos. Nós
cremos as mesmas verdades que foram cridas pelos cristãos de todos os lugares
e tempos passados (...) 2) Único o sacrifício, a santa Missa,
incruenta renovação e representação do sacrifício da Cruz (..) 3) Os sete Sacramentos
que Jesus Cristo instituiu para nos santificar, nem um a mais, nem um a
menos; 4) O Chefe visível, o Romano Pontífice, sucessor de São
Pedro; a nossa Igreja é regida e governada pelo Romano Pontífice..’ (ibid., pag. 189-190). |
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A igreja católica romana é santa porque ‘foi fundada por Jesus Cristo que é
santo’ e ‘porque nela é santo a doutrina, o sacrifício e os Sacramentos, e
todos são chamados a santificarem-se; e porque muitos realmente foram santos,
e são e serão’ (ibid., pag. 192). |
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A igreja romana é católica, isto é,
universal, ‘porque está instituída e apta para todos os homens e espalhada
sobre toda a terra’ (ibid., pag. 195). |
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A igreja romana é apostólica ‘porque está fundada sobre os Apóstolos e
sobre a sua pregação, e governada pelos seus sucessores, os Pastores
legítimos, os quais, sem interrupção e sem alteração, continuam a transmitir
a doutrina e o poder deles’ (ibid., pag. 196). |
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‘A Igreja de Jesus Cristo, dita por excelência Católica,
chama-se também Romana, ou Romana Católica, exactamente porque o seu
chefe visível, aquele que a rege e governa em nome de Jesus Cristo, é o Bispo
de Roma, o sucessor de são Pedro na sede romana’ (ibid., pag. 199). |
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Todos os que não foram batizados em meninos (ou
em adultos) no seio da igreja romana, ou que recusam crer tudo ou em parte o
que ela ensina, ou que negam algum dos seus sacramentos, ou recusam obedecer
ao papa e aos seus bispos, não são verdadeiros cristãos porque não pertencem
à Igreja de Jesus Cristo que é a igreja católica romana. Lê-se, com efeito,
no catecismo: ‘Qual é a Igreja de Jesus Cristo? A Igreja de Jesus Cristo é
a Igreja Católica-Romana’ (ibid., pag. 188); ‘quem não é batizado
não é cristão’ (ibid., pag. 450), ‘os heréticos, que negam ou tudo ou
em parte o que Jesus Cristo revelou, não pertencem mais à Igreja ainda que
tenham sido batizados’ (ibid., pag. 181), ‘os que dizem professar a fé
de Jesus Cristo, e depois negam um ou outro Sacramento, não pertencem também
eles à Igreja’ (ibid., pag. 181), ‘os que recusam reconhecer e
obedecer ao papa e ao respectivo Bispo não são verdadeiros cristãos’ (ibid.,
pag. 182). ‘Os heréticos são os batizados que se obstinam a não crer
alguma verdade revelada por Deus e ensinada pela Igreja, por exemplo, os
protestantes (...) São apóstatas os batizados que, com algum acto
externo, renegam, repudiam a fé católica já professada. Não é por isso
apóstata (ainda que réu de gravíssima culpa) o cristão que descura os deveres
dele, mas aquele que com um acto externo (como sacrificar aos ídolos, abjurar
a fé católica, praticar um culto anticristão, passar ao protestantismo, etc.)
renega a fé antes professada’ (ibid., pag. 221,222) [1]. |
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Bonifácio VIII (1294-1303) afirmou: ‘Há uma só
Santa Igreja Católica e Apostólica, fora da qual não existe salvação nem
remissão dos pecados’ (Bula Unam Sanctam de 18 de Novembro de 1302).
Segundo este papa, todos os que se encontravam fora da igreja romana iam em
perdição porque ela era a arca da salvação e quem estava fora dela seria
afogado. O ‘sacrosanto’ concílio de Florença (1439-1443) confirmou isso
dizendo que a sacrosanta igreja romana ‘firmemente crê, professa e prega que
nenhum daqueles que estão fora da Igreja Católica, não apenas pagãos, mas
também judeus ou heréticos e cismáticos, podem adquirir a vida eterna, mas
que eles vão para o fogo eterno, preparado para o demónio e seus anjos
a menos que antes da morte tenham se unido a ela; e que é tão importante a
unidade do corpo da igreja, que apenas para aqueles que permanecem nela
aproveitam para a salvação os sacramentos eclesiásticos, os jejuns e as
outras obras de piedade, e os exercícios da milícia cristã proporcionam os
prémios eternos. Ninguém - por quantas esmolas tenha podido fazer, e até
mesmo se tivesse derramado o seu sangue pelo Nome de Cristo - se pode salvar,
no caso de não permanecer no seio e na unidade da Igreja católica’ (Concílio
de Florença, Sess. XI). Ainda hoje esta asserção é dogma na igreja romana. O
seu concílio Vaticano II disse de facto: ‘O santo Concílio (...) apoiado na
Sagrada Escritura e na Tradição, ensina que esta Igreja, peregrina na terra,
é necessária para a salvação. Só Cristo é mediador e caminho de salvação:
ora, ele torna-se-nos presente no seu corpo que é a Igreja; e, ao inculcar
expressamente a necessidade da fé e do batismo, ao mesmo tempo corroborou a
necessidade da Igreja, na qual os homens entram pela porta do batismo. Por
conseguinte, não poderão salvar-se aqueles homens que se recusam a entrar ou,
a perseverar na Igreja católica, sabendo que Deus a fundou por Jesus Cristo
como necessária à salvação’ (Concílio Vaticano II (1962-1965), Lumen
gentium, 14: citado no Catecismo da Igreja católica por Rino
Fisichella, pag. 173). Em outras palavras fora da igreja católica romana ‘não
se têm nem os meios estabelecidos nem a guia segura para a saúde eterna. Os
meios estabelecidos por Jesus Cristo são a verdadeira fé, o sacrifício,
os Sacramentos etc.; a guia segura é a Igreja docente’ (Giuseppe
Perardi, op. cit., pag. 224), e por isso há a perdição. Ainda o
concílio ecuménico Vaticano II confirmou isto dizendo: ‘Só por meio da Igreja
católica de Cristo, que é o instrumento geral da salvação, pode-se obter toda
a plenitude dos meios de salvação’ (Concílio Vaticano II, Sess. V, cap. I). |
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Para sustentar que a igreja católica romana é a
única Igreja verdadeira os teólogos papistas citam também o facto de os
Católicos romanos serem centenas de milhões no mundo, e de entre eles
acontecerem milagres. |
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Confutação |
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Quando se
passa a ser membro da Igreja de Deus segundo a Escritura |
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Não se passa a ser membro da Igreja de Jesus
Cristo quando se é batizado em menino no seio da igreja romana mas quando se
nasce de novo, ou seja, quando se nasce da água e do Espírito. E o novo
nascimento o pecador o experimenta quando se arrepende dos seus pecados e crê
no Senhor Jesus Cristo; é então, e só então, que ele pode considerar-se
membro do corpo de Cristo. Portanto são membros da Igreja de Deus todos os que
são nascidos de novo conforme o ensinamento do Senhor. |
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Mas esta Igreja não se pode identificar com uma
particular denominação excluindo assim todas as outras porque a Igreja de
Deus é composta por todos os que em todo o lugar prescindindo da denominação de
que fazem parte experimentaram o novo nascimento. Com isto não queremos dizer
que ficando fora da Igreja de Cristo pode-se ser na mesma salvo; de maneira
nenhuma, porque nós sabemos que só os nascidos de novo herdarão o reino de
Deus, ou seja, os que são membros de Cristo, mas somente que não se pode
identificar a Igreja com uma particular denominação cristã (e muito menos com
a igreja católica romana que pretende possuir os únicos meios, os
sacramentos, através dos quais as pessoas podem ser salvas) excluindo dela os
que não fazem parte dessa denominação, porque a sua Igreja é formada por
todos os que o conhecem e foram por ele conhecidos e não por pessoas que têm
o nome de Cristãos mas que não são regeneradas [2].
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Alguém dirá: ‘E o batismo?’. Ele é um acto que
representa a nossa entrada na Igreja de Deus após termos fugido da corrupção
que está no mundo por via da concupiscência (pode-se também dizer que é um
sinal exterior com o qual quem creu testemunha a sua entrada na assembleia
dos resgatados depois de ter vivido uma vida ao serviço da iniquidade e do
pecado), que é ministrado a pessoas que já passaram da morte para a vida, que
já foram arrancadas do poder das trevas e transportadas para o reino de Deus
[3]. |
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Tenhamos presente, quando falamos do batismo,
que ele antigamente era ministrado no próprio dia em que as pessoas criam, e
não após semanas ou meses; e depois que não era uma cerimónia pomposa, como
infelizmente tornou-se hoje em muitos casos, de tal modo a parecer um rito
mágico ou algo de semelhante, como se possuísse a virtude de transformar em
Cristão e membro da Igreja de Deus. Não é assim porque se o batismo tivesse o
poder de tornar alguém filho de Deus e por isso membro da Igreja de Deus a fé
seria anulada. |
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A Igreja de
Deus segundo a Escritura |
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Vejamos agora como é chamada e representada a
Igreja de Deus pela Escritura, a fim de compreender e demonstrar porque não
se pode identificá-la com a igreja católica romana. |
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Jesus Cristo comparou a Igreja a uma videira; ele disse aos seus discípulos:
"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em
mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê
mais fruto. Vós já estais limpos,
pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como a
vara de si mesmo não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também
vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas" (João
15:1-5). Ora, nós nos unimos ao Senhor e nos tornámos um só espírito com ele
quando nos arrependemos dos nossos pecados e cremos no seu nome; por isso
dizemos de ter entrado a fazer parte da videira, isto é, da casa de Deus.
Portanto os que ainda não se arrependeram e não creram no Filho de Deus não
são um com nós em Cristo Jesus, não importa de que Igreja eles digam fazer
parte, porque não são varas da vinha de Deus. Como se faz então para
reconhecer se uma pessoa é uma vara desta videira? Antes de tudo, pelo facto
de possuir a certeza de ter obtido a remissão dos pecados (porque se
arrependeu e creu em Cristo); e depois pelos frutos dignos de arrependimento
que ela dá observando os mandamentos de Cristo. Em outras palavras pelo facto
de ela estar em Cristo e de Cristo estar nela. Como se podem pois definir
varas da videira os Católicos romanos que dizem de não ter a certeza do
perdão dos pecados e que são dados à idolatria e a toda a forma de
superstição? A resposta é: não se pode. |
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A Igreja de Jesus Cristo é a assembleia dos que o Senhor resgatou do presente
século mau, isto é, dos que ele tirou fora do presente sistema de coisas (o
termo português igreja deriva da palavra grega ekklesia que significa
‘assembleia’). E nós, tendo sido tirados fora do presente século, entrámos a
fazer parte desta santa assembleia: enquanto todos aqueles que são ainda
deste mundo não fazem parte dela, não importa se foram batizados em meninos,
crismados ou se comungam regularmente. Eles estão no número daqueles que a
Escritura chama "os de fora" (Col. 4:5) e não entre aqueles que a
Escritura define "os de dentro" (1 Cor. 5:12). Mas por que podemos
afirmar que os Católicos romanos estão fora da Igreja de Deus e não dentro, e
portanto são do mundo e não de Cristo? Porque eles mesmos, com a sua própria
boca, afirmam não terem sido salvos. Não se pode de facto definir uma pessoa
perdida um membro da ekklesia de Deus; porque as ovelhas perdidas
estão fora do aprisco e não dentro. Reiteramos porém que também não se podem definir membros da Igreja de
Deus todos os que se dizem Evangélicos ou Protestantes mas que ainda não
nasceram de novo. Eles estão perdidos e fora da Igreja na mesma medida
dos Católicos romanos. |
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A Igreja é uma casa espiritual formada por pedras vivas, isto é, por homens e
mulheres que estavam um dia mortos nos seus pecados e depois foram
vivificados pelo Espírito Santo; e nós pela graça de Deus somos parte dessas
pedras vivas. Isto é o que ensina Paulo quando diz aos Efésios: "E vos
vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados... Assim que já não sois
estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de
Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que
Jesus Cristo é a principal pedra angular; no qual todo o edifício, bem
ajustado, cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente
sois edificados para morada de Deus em Espírito" (Ef. 2:1,19-22). O
apóstolo Pedro o confirma na sua primeira epístola, de facto, primeiro diz
aos eleitos: "Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da
incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre...desejai
afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite espiritual, não
falsificado..." (1 Ped. 1:23; 2:2), e depois afirma: "Vós também,
como pedras vivas, sois edificados casa espiritual..." (1 Ped. 2:5).
Portanto a Igreja não pode ser identificada com uma organização de pessoas
ainda mortas nos seus pecados que correm atrás de ídolos mudos, e que
infelizmente, tendo sido enganadas pelos seus reitores, pensam ter renascido
e ter entrado a fazer parte da Igreja de Jesus Cristo quando lhes foi derramada
sobre a cabeça a água ‘benta’. Onde está a vida neles? Nós vemos apenas
morte. A morte espiritual na qual também nós estávamos imersos no passado
quando éramos escravos do pecado. Nós sabemos bem o que significa estar morto
nas próprias ofensas; por isso nos exprimimos com segurança quando dizemos
que os Católicos romanos estão ainda mortos nas suas ofensas. Não é um juízo
injusto dado pela aparência, mas um juízo que se funda sobre factos. |
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A Igreja de Deus é o corpo de Cristo porque Paulo, escrevendo à Igreja de
Deus que estava em Corinto, diz-lhes: "Ora vós sois o corpo de Cristo, e
seus membros em particular" (1 Cor. 12:27). E como as pessoas entram a
fazer parte dele por obra do Espírito Santo conforme está escrito:
"Todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer
judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um
Espírito" (1 Cor. 12:13), porque é Ele que primeiro as convence quanto
ao pecado, à justiça e ao juízo e depois as vivifica, não se podem chamar membros
do corpo de Cristo pessoas que ainda não foram vivificadas pelo Espírito
Santo. Por certo se os Católicos romanos tivessem sido vivificados e fossem
por isso membros do corpo de Cristo, não necessitariam de nascer de novo e
não perseguiriam e não insultariam todos os que no seu meio se arrependem e
crêem no Evangelho e se separam deles e começam a reprovar as suas heresias e
a sua idolatria, porque nós sabemos que Cristo não está dividido contra si
mesmo. Antes, eles se ateriam à cabeça do corpo, ou seja, a Cristo, como nós;
mas onde está tudo isto quando é manifesto que eles se atêm ao chamado papa
em vez de a Cristo? Paulo diz também falando do corpo de Cristo que "se
um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; e, se um membro é honrado,
todos os membros se regozijam com ele" (1 Cor. 12:26); mas nós não verificamos
que se algum de nós sofre eles sofrem com nós, e nem que se algum de nós é
honrado por Deus ou pelos homens eles se regozijam com nós, o que confirma
que não podem definir-se membros do corpo de Cristo. Estas são as provas que
demonstram que eles não são membros do corpo de Cristo, mas ainda têm que o
tornar-se. |
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A Igreja, segundo as palavras de Pedro, é "uma geração eleita" (1
Ped. 2:9), ou seja, um conjunto de pessoas que foram eleitas para salvação
pela fé na verdade. Portanto os que são membros dela estão seguros de estar
salvos porque experimentaram a salvação de Deus. Não se podem por isso
definir Igreja de Deus homens e mulheres que admitem abertamente de não terem
sido salvos e de serem ainda pecadores, ou que é manifesto que são ainda
pecadores escravos das concupiscências carnais e de toda a forma de idolatria
e superstição. A não ser que se queira começar a chamar os que ainda estão
perdidos, achados; os que ainda são escravos do pecado, salvos; ou os que são
da noite, filhos do dia. |
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A Igreja, ainda segundo as palavras de Pedro, é "um sacerdócio
real" (1 Ped. 2:9), ou seja um reino de sacerdotes que oferecem a Deus
sacrifícios espirituais aceitáveis por meio de Jesus Cristo. Por isso não se
podem definir Igreja de Deus os Católicos romanos que oferecem o seu culto a
Maria, aos anjos, ou aos santos (seja aos verdadeiros como aos falsos) que
estão mortos, porque este seu sacrifício não é aceitável a Deus mas lhe é
abominável. Dizemos que os sacrifícios espirituais que os Católicos oferecem
às suas estátuas e às suas imagens são um fedor para as narinas de Deus,
porque são oferecidos aos demónios que se escondem atrás destes seus ídolos.
Lembrai-vos que Paulo diz que as coisas que os Gentios sacrificam aos ídolos
eles "as sacrificam aos demónios, e não a Deus" (1 Cor. 10:20); a
mesma coisa pode-se dizer de todos os Católicos romanos que oferecem os seus
sacrifícios espirituais aos seus ídolos; eles os oferecem aos demónios e não
a Deus. |
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A Igreja, segundo as palavras de Pedro, é "uma nação santa" (1 Ped.
2:9), ou seja, uma nação que foi santificada pelo Espírito Santo e que segue
a santificação. Portanto como os pecadores escravos das suas concupiscências
e da idolatria não podem ser definidos santos, os Católicos romanos não são
membros da Igreja, mesmo se receberam o batismo, o crisma e depois a comunhão
e se confessam ao padre. |
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Paulo chama a Igreja do Deus vivo "coluna e base da verdade" (1
Tim. 3:15), o que significa que ela serve de sustentação à verdade que está
em Cristo, isto é, à Palavra de Deus conforme está escrito: "A tua
palavra é a verdade" (João 17:17); e que ela se levanta em favor da
verdade. Como se pode portanto chamar a igreja romana a Igreja de Deus quando
em vez de sustentar a verdade, a Palavra de Deus, a espezinha e a sufoca com
a injustiça? Ela não prega o Evangelho da graça de Deus mas um outro
Evangelho porque anuncia que o homem é salvo pelas boas obras, ou seja pelos
seus méritos, e não pela fé somente. Por isso não se pode definir esta igreja
"coluna e base da verdade", mas a se deve chamar inimiga acérrima
da verdade. |
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As duas
ordenanças instituídas por Cristo para a sua Igreja |
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Cristo não instituiu sete sacramentos mas
apenas duas ordenanças ou ritos, que são o batismo por imersão e a ceia do
Senhor; por isso não tem nenhum fundamento escritural a afirmação que atribui
a Cristo a instituição de sete sacramentos. Por conseguinte os que negam os
sacramentos da igreja romana porque não conformes a verdade e porque
reconhecem apenas as duas ordenanças aqui supracitadas não podem ser
definidos heréticos porque não são propagadores de nenhuma heresia. Fazemos
notar que a razão pela qual preferimos chamar o batismo e a ceia do Senhor
ordenanças ou ritos em vez de sacramentos é porque por sacramentos a igreja
romana entende ‘sinais eficazes da graça, instituídos por Jesus Cristo
para santificar-nos’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 430), são
sinais eficazes porque ‘significando a graça realmente a conferem’ (ibid.,
pag. 430). E segundo a Escritura o batismo e a ceia do Senhor que Cristo
instituiu não conferem a graça que eles representam, mas apenas a
representam, de facto, o batismo simboliza a lavagem feita por Cristo em nós
pela sua palavra, enquanto a ceia do Senhor anuncia a morte de Cristo
acontecida uma vez para sempre. |
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Uma outra razão pela qual preferimos chamar o
batismo e a ceia do Senhor ordenanças (ou também ritos) é porque a palavra
sacramento no latim clássico significa juramento e no tempo do império romano
era o juramento de fidelidade (sacramentum) que os soldados romanos
faziam ao seu estandarte. E nós sabemos que o batismo e a ceia do Senhor não
constituem de modo nenhum um juramento de fidelidade a Deus que nos salvou,
mas simplesmente actos simbólicos. O primeiro é o sepultamento do crente
morto para o mundo e renascido para nova vida, e o segundo é uma rememoração
da morte do Senhor. |
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Quem está à cabeça da Igreja |
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O chefe do Estado do Vaticano não é o chefe
visível da Igreja de Cristo na terra porque Cristo não constituiu na sua
Igreja nenhum chefe antes de ser elevado ao céu. Ele, que é o Chefe, disse:
"Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio
deles" (Mat. 18:20), por isso o chefe da Igreja está sempre presente
entre os seus discípulos onde eles estiverem, sem a necessidade de ser
representado visivelmente por ninguém. O apóstolo Paulo explica claramente e
de várias maneiras que a cabeça (o chefe) da Igreja, tanto no céu como na
terra, é Cristo Jesus: |
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Ele diz aos Efésios que Deus ressuscitou o seu Filho e o fez assentar à sua
direita acima de todo o principado e autoridade e potestade e domínio, e de
todo o nome que se nomeia não só neste mundo, mas também naquele que há de
vir e que Ele "sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as
coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude
daquele que cumpre tudo em todos" (Ef. 1:22,23); e também:
"Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo"
(Ef. 4:15), e: "Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o
salvador do corpo" (Ef. 5:23). Portanto, como a cabeça da mulher é uma
só, o seu marido, assim também a cabeça da Igreja (que é a mulher do
Cordeiro) é uma só, Cristo, o seu esposo, e nenhum outro. Ora, um dos nomes
que leva o chefe do Estado do Vaticano é ‘esposo da igreja’, o que equivale a
dizer que a mulher do Cordeiro tem dois maridos (um no céu e outro na terra)
o que não é verdade porque Paulo diz à Igreja de Corinto: "Porque estou
zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos
apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo" (2 Cor.
11:2). Portanto aquele que na terra é chamado esposo da Igreja é um impostor
que procura com as suas lisonjas tornar-se o esposo da Igreja de Deus
(mediante o ecumenismo) para conduzir a esposa de Cristo para longe do seu
esposo, em perdição. Dito em outras palavras, o chamado papa procura induzir
a Igreja de Deus a trair o seu esposo, Cristo Jesus, porque quer que ela se
vá refugiar debaixo das suas asas. |
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Aos Colossenses Paulo diz: "E ele é antes de todas as coisas, e todas as
coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio
e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência"
(Col. 1:17,18). Por isso a Igreja de Deus não tem duas cabeças, das quais uma
está no céu e outra está na terra; ou uma invisível e outra visível, mas uma
só e Ela está no céu à direita de Deus, e pela fé no coração de todos aqueles
que o receberam como seu pessoal Senhor e Salvador. |
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Por quanto respeita depois aos bispos da igreja
papista importa dizer que eles não são bispos constituídos pelo Espírito
Santo para apascentar a Igreja de Deus porque não têm os requesitos
necessários que deve ter o bispo segundo as palavras de Paulo a Timóteo, e
não podem ser definidos os sucessores dos apóstolos porque os apóstolos não
deixaram sucessores. O ministério que os apóstolos tinham recebido de Cristo
não era transmissível. |
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Portanto em conclusão nós filhos de Deus desconhecendo
o ofício do papa e o dos seus bispos não demonstramos nenhuma desobediência
ao Senhor, antes consideramos firmemente que rejeitando-os nos mostramos
obedientes ao Evangelho. Mas não só, consideramos também que todos aqueles
que querem agradar ao Senhor e obedecer-lhe devem mais cedo ou mais tarde
rejeitar o papa e os seus bispos. |
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Por que a
igreja católica romana não é una, santa, católica e apostólica |
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Unidade. A Igreja de Deus antiga
tinha a fé em Cristo Jesus pregada pelos apóstolos. Mas esta fé a igreja
católica romana não a possui porque ela põe a sua confiança em Maria e em
outros presumidos intercessores que não podem fazer absolutamente nada em seu
favor, e nos próprios méritos em vez de nos méritos de Jesus Cristo. E de
facto ela não anuncia a fé em Cristo como caminho de salvação porque está
ocupada a pregar que a salvação se obtém pelas obras e não pela fé. Este é um
outro Evangelho e não o Evangelho pregado pelos apóstolos. E não se pode
dizer nem ainda que a igreja católica romana crê em todas as coisas em que
cria a Igreja primitiva porque esta última não cria no purgatório, nas
indulgências, na imaculada conceição de Maria, na transubstanciação, na
repetição incruenta do sacrifício de Cristo, no culto das imagens, na
intercessão dos santos no céu, nos sete sacramentos que ela possui, no
primado de Pedro primeiro e depois no do bispo de Roma como seu sucessor, e
em muitas outras doutrinas suas; portanto não é verdade que os Católicos
romanos crêem as mesmas coisas que foram cridas pelos primeiros Cristãos. Com
efeito, todas estas doutrinas eram estranhas ao ‘credo’ dos primeiros
Cristãos. Basta ler os Actos dos apóstolos e as epístolas dos apóstolos para
dar conta disto. E depois não se pode dizer também que a própria igreja
católica romana tenha sempre crido as mesmas coisas porque como veremos a
seguir os próprios papas se contradisseram entre eles no curso do tempo;
houveram cismas durante os quais existiam dois ou por vezes três papas e cada
um tinha a sua parte de seguidores; e os chamados pais e os concílios se
contradisseram também eles no curso dos séculos. Aqui me limito a recordar
aos leitores algumas controvérsias verificadas no âmbito na igreja católica
romana. Os Dominicanos combatiam a imaculada conceição de Maria enquanto os
Franciscanos a defendiam e por causa disto nasceram entre eles ásperas e
longas guerras. Os Jesuítas (seguidores de Inácio de Loyola, 1491 ca. -1556)
e os Jansenistas (seguidores de Cornélio Jansen, 1585-1638) se desencontraram
sobre muitas questões de fé e de moral, como também os Tomistas (seguidores
de Tomás de Aquino, 1225-1274) e os Scotistas (seguidores de Duns Scoto,
1263-66 ca. -1308) sobre o efeito dos sacramentos. Na verdade estudando a
história da igreja católica romana dá-se conta de quão dividida tenha sido no
passado. E não é que as coisas tenham mudado na substância, porque também
hoje entre os Católicos romanos estão em curso controvérsias sobre a
infalibilidade papal, sobre o celibato, sobre o controle dos nascimentos,
sobre o limbo, sobre o batismo de crianças, e sobre outros pontos doutrinais;
alguns dizem uma coisa outros uma outra. Por isso não é sequer verdade que
também hoje todos os Católicos crêem as mesmas coisas. E depois nos vêm falar
de unidade a nós! Que dizer então da unidade exterior de que faz alarde a
igreja católica romana (na maioria dos seus membros)? Dizemos que ela é uma
unidade que se pode encontrar também nas Testemunhas de Jeová, nos Mórmons, e
em muitas outras pseudo-igrejas. Também
eles se gloriam de ser unidos, de crer as mesmas coisas, de agir da mesma
maneira. Mas que significa isso? que são a verdadeira Igreja de Deus só
porque manifestam entre eles uma união aparente em perseguir os seus
objectivos? De maneira nenhuma. Mesmo estando unido pode-se errar;
mesmo estando unido em alguma crença ou prática pode-se ir em perdição. Ao
ver esta unidade entre os Católicos é como se nós víssemos uma manada de
bodes que todos unidos se encaminham para um precipício. E isto porque são
unidos em crer as mesmas mentiras e em fazer as mesmas obras meritórias que
não os podem salvar da ira vindoura. Portanto, para resumir, a igreja
católica romana mente quando afirma ser só ela a Igreja de Cristo por causa
desta chamada unidade passada e presente. E nós entristecemo-nos muito em ver
os seus membros crer nesta mentira. A verdadeira unidade é a que brota da
unidade com Cristo Jesus; em outras palavras a verdadeira Igreja está unida
no seu interior porque os seus membros estão unidos a Cristo Jesus pela fé.
Podem variar certas formas exteriores entre as diversas Igrejas, por vezes
também variam certas doutrinas não fundamentais, mas isso não significa que
não sejam um em Cristo Jesus; porque os verdadeiros crentes se sentem ligados
uns aos outros pelo amor de Cristo prescindindo da denominação a que dizem
pertencer. |
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Santidade. Antes de tudo é falso que Jesus Cristo tenha fundado a
igreja católica romana; com isto queremos dizer que Jesus Cristo fundou sim a
sua Igreja universal, mas ela não é de modo algum a igreja católica romana porque
Jesus fundou a sua Igreja sobre si mesmo e por isso sobre a verdade e não
sobre a mentira como antes está fundada a igreja católica romana. Sim, a
antiga Igreja de Roma, aquela a que Paulo escreveu a sua carta, tinha sido
verdadeiramente fundada por Cristo, mas de mansinho aquela Igreja desapareceu
e o seu lugar o tomou uma igreja apóstata que tirou o fundamento que era
Cristo Jesus e pôs o seu bispo e desejosa de poder se pôs a senhorear com a
sua arrogância as outras igrejas e quis estender o seu poder de jurisdição a
todo o mundo; desta a igreja católica romana herdou a arrogância, a
falsidade, as heresias; esta é uma igreja que não se assemelha em nada à
antiga Igreja de Roma. Aquela era louvada pela sua fé, esta é louvada pelas
suas riquezas materiais; aquela era rica em conhecimento esta perece por
falta de conhecimento; aquela era repleta de bondade, esta é impiedosa.
Prossigamos a nossa confutação: é falso que a igreja católica romana é santa
porque não é santo nem a sua doutrina, nem a sua missa e nem tampouco os seus
sacramentos, e depois porque os seus membros não são chamados a
santificarem-se mas a corromperem-se após os ídolos mudos e após todo o tipo
de superstição. Mas como se faz para definir santa a doutrina que encoraja a
mentir? Ou a que diz que é lícito matar em legítima defesa? Ou a que afirma
que fumar não é pecado? Ou a que afirma que o papa em alguns casos tem o
poder de dissolver os matrimónios e fazer passar a novas núpcias um dos dois
cônjuges enquanto o outro é vivo? Ou a que impõe o celibato aos padres? Ou a
que permite o culto a Maria, aos anjos, aos santos que estão no céu? Ou a da
missa? Ou a veneração das relíquias? E não é nem santificante como antes
afirma o catecismo da igreja romana: ‘Todas as actividades da Igreja convergem,
como seu fim, para a santificação dos homens..’ (Rino Fisichella, O
Catecismo da Igreja Católica, pag. 169), porque os seus sacramentos, os
meios de salvação de que ela diz estar em posse, não têm o poder de conferir
nenhuma graça santificante a quem os recebe, e porque não é a Igreja que
santifica mas Deus conforme está escrito: "E o próprio Deus da paz vos
santifique completamente..." (1 Tess. 5:23). Por quanto respeita depois
ao facto de a igreja católica romana afirmar ser santa porque ‘muitos realmente
foram santos, e são e serão’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 192);
importa dizer que esta é a santidade excepcional que eles atribuem aos que se
distinguiram pelas obras meritórias particulares. Eles recordam entre estes,
‘João Bosco, José Cafasso, José Cottolengo’ [4]
e muitos outros [5]. Mas entre os
santos da igreja católica romana não há só pessoas que se distinguiram pelas
suas obras de beneficência, mas também pelas suas iníquas obras, como por
exemplo Dámaso, Pio V, e muitos outros. Portanto entre os santos declarados
tais pelos Católicos estão homens cujas vestes estavam imundas; os que
ignorando a justiça de Deus que se tem pela fé em Cristo procuraram
estabelecer a sua justiça que aos olhos de Deus é um trapo imundo, e os que
se abandonaram de maneira evidente a toda sorte de iniquidades, vestidos
também eles de trajes sujos porque as iniquidades na Escritura são
representadas por trajes sujos. A Escritura afirma que a Igreja de Cristo é
santa conforme está escrito que Jesus a amou e "a si mesmo se entregou
por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela
palavra" (Ef. 5:25,26), e que todos os que fazem parte dela já são
santos na terra (isto mesmo se nem todos se santificam na mesma medida)
porque todos - sem distinção de tipo - "foram santificados pela oferta
do corpo de Jesus Cristo" (Heb. 10:10), e por isso não existe uma
categoria de santos normais e uma de santos excepcionais. Entre os santos há os que se santificam mais e
os que se santificam menos. |
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Catolicidade. A igreja romana não foi instituída para todos os homens e não está
apta aos homens porque, ao contrário do que os teólogos dizem, ela não serve
para fazer tornar-se santo ninguém. Como pode ser definida útil
para fazer os homens tornarem-se santos uma igreja que desvia as pessoas de
se voltarem para Cristo para obterem gratuitamente a salvação dele e serem
por ele santificadas, e as induz a confiar nas suas obras para a sua
salvação? Não é porventura antes
verdade que a igreja católica romana com as suas perversas doutrinas ajuda os
homens a permanecer pecadores? Um Muçulmano torna-se Católico?
Permanece pecador. Um Budista torna-se Católico romano? Que muda? O nome da
religião apenas, porque pecador era antes de se tornar Católico e pecador
permanece também depois. Mudam as doutrinas, mas o ex-Muçulmano ou o
ex-Budista continua a permanecer perdido, porque o Islão, o Budismo e o
Catolicismo são religiões que se baseiam nos méritos humanos que não podem
libertar o homem do pecado; mudam os actos de culto, mas não muda o coração
porque o coração só Cristo Jesus o pode transformar pelo Evangelho da graça.
Precisamente o que a igreja católica romana se recusa a anunciar aos homens.
Por quanto respeita à sua pretensa catolicidade reconhecemos que a igreja romana
está espalhada sobre a face da terra e que dela fazem parte pessoas de muitas
nações, mas não a reconhecemos como a Igreja universal estabelecida por Deus
porque não é a Igreja de Deus espalhada sobre a face da terra, mas apenas uma
grande organização religiosa que embora diga ser cristã não prega o Evangelho
da graça de Deus mas um seu próprio Evangelho fundado nos méritos do homem em
vez de na graça de Deus, que de modo algum constitui uma boa notícia. Pode
porventura ser chamada boa nova a que diz que quem quer ser salvo tem que
receber os sacramentos; o batismo uma só vez, o crisma também, a comunhão o
maior número de vezes possível, a penitência ao menos uma vez por ano; e além
disso tem que fazer, fazer, fazer o maior número de boas obras possíveis para
ganhar a salvação eterna. E ainda por cima depois de ter feito todas estas
coisas ele não pode estar seguro de estar salvo e de ir logo para o céu à sua
morte - porque se o dissesse pecaria de presunção - porque ele tem que ir
para o purgatório expiar os seus pecados? Não, não pode ser definida boa mas
má notícia esta da igreja católica romana, porque na substância anulou a
graça de Deus fazendo vã a fé. A Igreja de Cristo é verdadeiramente católica,
isto é, universal, porque dela fazem parte pessoas de toda a tribo, povo,
língua e nação (cfr. Ap. 5:9); que no lugar da terra onde habitam rendem a
Deus um culto em espírito e verdade mediante Cristo Jesus. No seu coração
está Cristo, nos seus lábios abundam as acções de graças dirigidas a Deus por
os ter feito idóneos para participar da herança dos santos na luz. Deus
conhece o número deles; nós não. Certo é porém que eles são reconhecíveis
pela certeza de estarem salvos que possuem e pelos seus frutos de justiça que
dão. Esta é a Igreja que é útil aos homens porque anuncia ao mundo a palavra
da fé que diz que se o homem confessar com a sua boca Jesus como Senhor e
crer com o coração que Deus o ressuscitou será salvo (cfr. Rom. 10:8-13).
Esta é a boa nova da graça de Deus; porque afirma que para ser salvo é
preciso somente crer; esta mensagem é útil aos homens porque dá certeza de
salvação eterna a quem a aceita com todo o coração. |
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Apostolicidade. É falso que a igreja romana seja apostólica porque ela
não se atém aos ensinamentos que os apóstolos deram pelo Espírito Santo. Ela se atém a muitos preceitos que viram
literalmente as costas à verdade que está em Cristo Jesus; esses ensina, não
os dos apóstolos. Os apóstolos ensinavam que se é salvo somente pela fé e
eles dizem que a fé não basta; os apóstolos ensinavam que há só um mediador
entre Deus e os homens, enquanto eles ensinam que além de Cristo há muitos
outros mediadores dentre os quais ressalta Maria; os apóstolos ensinavam que
depois desta vida há somente o inferno e o paraíso, enquanto eles lhe acrescentaram
o purgatório; os apóstolos precaviam dos ídolos e eles, ao contrário, ensinam
a servir as estátuas e as imagens; os apóstolos exortavam a não mentir e
eles, ao contrário, dizem que em alguns casos se pode mentir; eis alguns
pontos em que a doutrina católica romana é a oposta da apostólica. E além
disso ela também não é governada pelos sucessores dos apóstolos, mas apenas
por homens mortos nas suas ofensas que se fazem passar pelos legítimos
sucessores dos apóstolos. Os apóstolos não puderam deixar sucessores porque o
ofício que eles tinham recebido de Deus não era transmissível a outros. Eles
transmitiram o seu ensinamento e não o seu ministério. Mas quando alguma vez
na Escritura o ministério apostólico era transmitido por quem o possuia a um
seu sucessor? O ministério apostólico, como também qualquer outro ministério,
não se recebia por sucessão mas por decreto de Deus em virtude de uma vocação
celestial. Por isso se deve
excluir que os apóstolos tenham transmitido o seu ministério a seus sucessores.
A verdadeira Igreja de Cristo é sim apostólica porque os seus membros foram
"edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que
Jesus Cristo é a principal pedra angular" (Ef. 2:20); onde por
fundamento dos apóstolos deve-se entender o ensinamento dos apóstolos. Portanto
toda a igreja que se atém firmemente à doutrina dos santos apóstolos é uma
Igreja de Cristo, enquanto toda a igreja que rejeita o seu ensinamento não é
apostólica. |
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Romanidade. A Igreja de Jesus Cristo é sim una, é sim santa, é sim apostólica, e
católica, mas não é de maneira nenhuma Romana porque o seu chefe e aquele que
a governa não é o chefe do Estado do Vaticano que reside em Roma, mas Cristo
Jesus que está à direita do Pai nas alturas. Ele antes de deixar este mundo e
voltar ao Pai não deixou nenhum chefe visível à sua Igreja. Por
quanto respeita a esta pseudo-igreja ela possui o título de romana porque
aquele que a governa reside em Roma onde ela diz que o apóstolo Pedro exerceu
o seu papado e o tenha transmitido aos seus sucessores em Roma; mas isto do
papado de Pedro em Roma e da transmissão do relativo primado petrino é uma
fábula artificiosamente composta; algo desmentido pelas Escrituras e pela
história. Portanto se o título de Romana se pode aduzir para esta organização
apenas porque aquele que a comanda está em Roma, certamente não se pode
aplicar à Igreja de Jesus Cristo espalhada sobre a face da terra porque o seu
Chefe está no céu e não em Roma. |
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Concluindo, esta organização não pode ser
definida sequer cristã mas deve ser definida anticristã, porque em palavras
diz ater-se ao cabeça que é Cristo, mas nos factos renega o seu ensinamento e
o anula de muitíssimas maneiras, impedindo às pessoas de crer no Evangelho
para obterem a remissão dos seus pecados. |
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Sabemos bem que o concílio Vaticano decretou:
‘Se alguém disser, que a verdadeira Igreja de Cristo, fora da qual ninguém
pode salvar-se, não seja a de Roma, que é una, santa, católica e apostólica,
seja anátema’ (Concílio Vaticano I, De Eccl. Christi, can. 13; citado
por Luigi Desanctis em Compendio di controversie tra la parola di Dio e la
teologia romana, ott. ediz. Firenze 1925, pag. 31); mas a nós não nos
importa nada este seu enésimo anátema porque ele não é verdade mas mentira. |
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As acusações nos dirigidas confutadas |
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Demonstrámos que a igreja católica romana mente
quando afirma ser a única Igreja de Cristo porque só ela é una, santa,
católica e apostólica. Vejamos agora de que maneira o catecismo romano fala
das igrejas que não estão sob a jurisdição do seu papa: ‘A única Igreja
Católica-Romana é a Igreja de Jesus Cristo; as outras, ainda que se digam
cristãs, não são e não podem ser a Igreja de Jesus Cristo. Efectivamente
nenhuma delas tem nem pode ter as singulares qualidades distintivas da
Igreja de Jesus Cristo; nenhuma delas é una, santa, católica e
apostólica’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 209). |
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Nos
detalhes as acusações são estas. |
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Unidade. Nos é dito
que nós não possuímos a unidade porque somos centenas de seitas e cada um crê
o que bem lhe parece, porque não temos a missa e nem outro sacrifício, porque
há quem entre nós admite dois sacramentos, quem três, quem cinco, quem
nenhum, e porque não somos governados pelo sucessor de Pedro. Respondemos.
Antes de tudo queremos dizer que embora as Igrejas evangélicas tenham nomes
diferentes, e sejam em grande número, todos aqueles seus membros que são
verdadeiramente nascidos de novo formam um único corpo, porque creram no
mesmo Senhor, e têm o mesmo Pai. Foram batizados do mesmo batismo, e
têm a mesma esperança. Temos a precisar porém que nós não reconhecemos nem o
batismo dos infantes e nem o por infusão administrado por algumas igrejas
porque não conforme à Escritura. É verdade que entre as Igrejas evangélicas
nem todos aceitam todas as doutrinas bíblicas; porque as divergências
doutrinais existem, nós isto não o desconhecemos, mas também reconhecemos que
todos pregam a doutrina da justificação só pela fé, que é a doutrina que
permite aos homens nascer de novo e entrar no reino de Deus e a maior parte
ensina e pratica o batismo na água. Mas uma outra coisa totalmente diferente
é quando se fala da igreja católica romana; ela de facto com a sua tradição
anulou a doutrina cardinal do Evangelho. Por isso a nossa profunda dissensão
com ela. Por quanto respeita aos sacramentos (que alguns chamam ordenanças
como nós); há quem tenha dois, quem três, quem nenhum (como infelizmente o
Exército da salvação); isso é verdade. Mas apesar disso nós com estes nossos
irmãos que reconhecem três ordenanças porque acrescentam o lava pés, ou com
os que infelizmente não têm o batismo e a ceia do Senhor nos sentimos
igualmente ligados pela fé em Cristo. Reprovamos porém firmemente o facto de
o Exército da salvação ter tirado o batismo e a ceia do Senhor; não estamos nada
de acordo com isso, mas também sabemos que entre eles há muitos irmãos,
nascidos verdadeiramente da água e do Espírito. Não temos a missa porque
Cristo não a instituiu; ela é um acto profano. Oferecemos a Deus porém outros sacrifícios; o de
louvor, as obras de beneficência, as acções de graças. Não somos governados
pelo sucessor de Pedro e nem pelos sucessores dos apóstolos; eis uma outra
acusação. Mas o apóstolo Pedro e os apóstolos com ele não deixaram
sucessores. As igrejas locais são governadas por pastores que são assistidos
pelos anciãos ou em alguns casos só por um colégio de anciãos. Há depois
muitas igrejas que se uniram para formar uma denominação em que infelizmente
encontramos uma forma hierárquica, que se assemelha à papal. Mas nós não
estamos de acordo com este tipo de organização porque não tem fundamento na
Escritura. |
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Santidade. As acusações são estas. Não a possuímos porque fomos
fundados por homens rebeldes, não temos os meios para santificar os homens
porque renegamos a maior parte dos sacramentos e a missa, e os que
conservamos não são senão cerimónias. A nossa doutrina não é santa porque se
funda na negação do livre arbítrio, da necessidade das boas obras, e na
suficiência da fé para salvar. Respondemos. Não é verdade que fomos fundados
por Lutero e Calvino; eles foram homens de quem Deus se usou para operar uma
reforma, apenas isso. Por quanto respeita à sua conduta dizemos que pelo que
nos é dado a conhecer não foram irrepreensíveis; pelas suas culpas deverão
prestar contas a Deus. Mas é
também verdade que a cúria romana lançou toda a sorte de calúnias contra
estes dois homens de tão ofendida que ficou pelo facto de eles terem
despertado nos homens o amor pela Escritura. Nós consideramos ter sido
edificados sobre o fundamento que é Cristo Jesus, e por ele mesmo. Não temos
os meios para santificar os homens. Se por meios se entendem os sete
sacramentos romanos, é verdade que nós não os temos, mas porque não são
escriturais. Eles não santificam absolutamente ninguém. Mas temos connosco Cristo
que é "o que santifica" (Heb. 2:11), ele é o meio por meio do qual
os homens são santificados; por meio dele se obtém a graça, por meio da fé
nele se é santificado. Que necessidade há pois dos sete sacramentos romanos?
Nenhuma. Quanto às ordenanças que possuímos é verdade que elas não conferem a
graça mas as celebramos com a máxima seriedade e devoção, assim como foram
instituídas por Cristo. Não é verdade que negamos o livre arbítrio, porque
ensinamos que o homem possui uma vontade pessoal, porém esta sua vontade
permanece sempre sujeita a Deus. O homem nasce corrompido, totalmente
corrompido, incapaz de escolher o caminho da salvação. Quando o homem decide
invocar o Senhor para a sua salvação, o faz em virtude do decreto que Deus
formou em si mesmo antes da fundação do mundo. O homem porém ignora isto
quando toma esta decisão; o descobrirá porém depois. Falaremos da
predestinação, Deus querendo, em outra ocasião. Negamos a necessidade das
boas obras para a salvação; é verdade, porque se é salvo somente pela fé em
Cristo; a Escritura ensina repetidamente isto. Não negamos porém a
necessidade de produzir frutos do arrependimento (as boas obras) depois de
ter sido salvos, para fazer firme a nossa eleição para salvação. As boas
obras devem ser praticadas pelos resgatados. |
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Catolicidade. Não a possuímos porque existimos só há cerca de
quatrocentos e cinquenta anos. Respondemos.
Não é de modo nenhum verdade, porque as nossas origens remontam a mais de mil
e novecentos anos atrás. Mais precisamente remontam ao dia em que a
primeira pessoa creu que Jesus era o Cristo; aquele foi o primeiro crente em
Cristo, o nosso primeiro irmão. |
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Apostolicidade. Nós não a possuímos porque não estamos fundados sobre
os apóstolos nem sobre a sua pregação, mas sobre a doutrina de Lutero,
Calvino e outros que eram rebeldes à doutrina dos apóstolos. Respondemos.
Falso, nós somos apostólicos, porque a nossa pregação está em harmonia com a
dos apóstolos. Lutero e Calvino se rebelaram antes à doutrina dos falsos
apóstolos, isto é, da cúria romana; por isso foram rotulados rebeldes. Eles
ensinaram a justificação só pela fé em oposição à doutrina da salvação pelas
obras pregada pela cúria romana, e nisto proclamaram o que é justo. |
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A salvação
não está numa igreja mas está em Cristo Jesus |
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A Escritura diz que a salvação está em Cristo
Jesus, no seu nome, e não numa religião ou numa organização porque Pedro
disse: "E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu
nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos"
(Actos 4:12). Certo, a Igreja de Deus (e aqui não nos referimos a nenhuma
denominação ou organização particular, mas ao conjunto dos resgatados do
Senhor) proclama aos homens a salvação que está em Cristo Jesus; no meio dela
está o Salvador, mas isto não significa que seja ela a salvar os homens,
porque a salvação pertence a Deus e ao seu Filho. Queremos dizer com isto que
a Igreja de Deus possui o nome d`Aquele que é poderoso para salvar os homens
e o anuncia mas não o poder de conferir a graça a ninguém, porque esta a
confere somente Deus em Cristo Jesus a quem crê. A igreja católica romana,
pelo contrário, afirma mais ou menos explicitamente que fora dela não há
salvação, porque segundo a sua doutrina a graça justificante e santificante
se obtém pelos seus sacramentos administrados por ela. Desta maneira é ela
que faz os homens tornarem-se Cristãos com o batismo, é ela que os confirma,
e é ainda ela que mediante os sacerdotes absolve os homens dos seus pecados,
e os sustenta com o verdadeiro corpo e sangue de Cristo, e por fim lhes dá a
extrema unção para ajudá-los a passar desta vida para a outra. E uma vez
mortos vem em auxílio deles com as indulgências para fazê-los passar do
purgatório para o paraíso. Em suma ela com a sua doutrina sobre os sacramentos
mantém acorrentadas a si as pessoas, fazendo depender a salvação eterna delas
dos seus sacramentos. Esta é a razão pela qual ainda hoje os Católicos pensam
que fora da sua igreja não haja salvação; porque lhes é dito que fora dela
não há nenhuma igreja com o verdadeiro batismo que ela possui, com
verdadeiros sacerdotes que têm o poder de perdoar os pecados como ela os
possui, que transformam a hóstia no verdadeiro corpo de Cristo, e que depois
de mortos mediante as missas poderão fazê-los passar do purgatório ao
paraíso. Ah! quantas almas se confiam aos sacerdotes católicos romanos para a
sua salvação crendo que eles sejam mediadores entre Deus e eles! Uma coisa é
certa: quem está salvo é membro da Igreja de Deus e tem o seu nome escrito
nos céus. Mas quem tem o seu nome escrito no registo da igreja romana e é
definido membro dela, e não tem o seu nome escrito nos céus, está perdido;
porque a salvação não se obtém entrando a fazer parte da igreja católica
romana com o batismo e recebendo a seguir os outros seus sacramentos mas
arrependendo-se e crendo em Cristo Jesus, portanto por graça, sem fazer boas
obras. Certo é que a cúria romana afirmando que fora da igreja romana não há
salvação faz pensar às pessoas que só no meio dela se está em segurança, mas esta
é uma mentira porque todos os que conheceram o Senhor e saíram dela
reconhecem terem sido libertados de uma casa de servidão onde por longo tempo
obedeceram a preceitos humanos que se desviam da verdade. Eles se envergonham
das coisas que um dia faziam em obediência aos preceitos desta organização e
estão reconhecidos a Deus por lhes ter feito conhecer a verdade que os fez
livres. Àqueles que buscam o Senhor no meio desta organização o Senhor diz
ainda: "Sai dela" (Ap. 18:4). |
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A este ponto é bom também dizer que a cúria
romana de algumas décadas a esta parte mitigou um pouco a afirmação que fora
da igreja romana não há a possibilidade de salvação, ou melhor, podemos dizer
que a contradisse abertamente mesmo se muitos Católicos porventura não se
aperceberam disso. Estamos habituados a ouvir a cúria romana contradizer-se,
por isso não nos admiramos disto. Mas qual é esta enésima contradição em que
caiu a cúria romana? Esta. Ela diz: ‘...quem está fora da Igreja sem culpa
própria (porque nasceu de pais não católicos, e não conhece que a
verdadeira Igreja é a católica) e vive bem, isto é, ama e serve o
Senhor do melhor modo que conhece, ele pode salvar-se...’ (Giuseppe Perardi, op.
cit., pag. 224). Nos se perguntará o porquê desta aparente mudança; bom,
a razão é porque a cúria romana para poder se pôr a falar de ecumenismo com
os seus chamados ‘irmãos separados’ se encontrou obrigada a abandonar a sua
rigidez, no falar se entende não nos factos, para não comprometer o seu
diálogo com todas as igrejas que ela procura trazer aos seus pés. Portanto,
em substância, estas palavras sobre a possibilidade de salvação também para
os que não fazem parte da igreja católica romana servem à igreja romana para
camuflar-se e poder atrair assim os chamados irmãos separados ao seu seio.
Irmãos, não vos deixeis seduzir por aqueles seus discursos, fundados no
decreto sobre o ecumenismo, em que falam de nós como de ‘igrejas’ porque na
substância a igreja católica romana se considera ainda ‘o instrumento geral
da salvação’ e afirma que ‘Só por meio da Igreja católica de Cristo (...)
pode-se obter toda a plenitude dos meios de salvação’ (Concílio Vaticano II,
Sess. V, cap. 1), o que equivale a dizer que nós não somos verdadeiramente
igreja porque não possuímos esta plenitude dos meios de salvação. Tenho a
reiterar isto porque sei que muitos crentes foram enganados por estes
discursos papistas sobre a pertença à igreja que têm vindo a ser feitos
depois do concílio Vaticano II. Eu pude verificar pessoalmente que este seu
discurso que tende a reconhecer nos que não fazem parte da igreja católica
romana Cristãos contradiz a sua tradição. Porquê? Porque afirmar que fora da
sua organização as pessoas podem na mesma salvar-se significa ir contra as
suas doutrinas assim como estão expostas por exemplo pelo concílio de Trento,
em outras palavras significa anulá-las. Mas vejamos de perto esta sua enésima
contradição. Ora, por um lado eles afirmam que somente eles possuem a
plenitude dos meios de salvação e que nós esta plenitude não a possuímos, e
por outro lado eles dizem que também nós podemos salvar-nos sem ‘a plenitude
dos meios de salvação’. Mas então
isto quer dizer que os homens podem salvar-se mesmo sem os seus sacramentos? Se
sim, por que pois são tão apegados aos seus sacramentos como o eram os seus
predecessores atribuindo-lhes o poder de justificar e santificar? Por que
pois não retratam tudo o que eles afirmam sobre os seus sacramentos? Por que
não afirmam que o concílio de Trento errou grandemente lançando o anátema
contra os que não reconhecerem a sua tradição e os seus sete sacramentos? Por
que não tiram do meio todas as suas doutrinas que não têm um fundamento
escritural a começar por aquela que atribui aos seus sacramentos o poder de
conferir a graça santificante para depois prosseguir com todas as outras? Mas
tudo isto é impensável porque neste caso teriam que desmentir os seus pais,
os seus doutores, os seus concílios, em suma toda a sua tradição. Então,
o facto de eles afirmarem que há salvação fora da sua igreja não pode senão
ser falso porque não se concilia de modo nenhum com toda a sua tradição. Mas
parai um momento e reflecti irmãos: como pode a igreja papista afirmar que
todos aqueles que rejeitam o papa e o caminho da salvação assim como ela o
ensina (ou seja por meio dos seus sacramentos) são malditos (portanto nós
estaremos debaixo da maldição) [6] e
dizer ao mesmo tempo que também nós (aqui me refiro em particular aos que
estão fora da igreja católica romana porque nasceram de pais que já não são
ou nunca foram Católicos romanos) podemos nos salvar ou que somos com direito
honrados com o nome de Cristãos e reconhecidos por ela como irmãos no Senhor?
Mas dizei-me: mas desde quando os
malditos são também eles filhos de Deus? Não é porventura verdade que
segundo a Escritura os malditos serão lançados no fogo eterno? E ainda, como
faz a igreja católica para afirmar que só a Bíblia não basta para a salvação
(porque é preciso também a tradição) e ao mesmo tempo dizer que nós nos
podemos salvar só com a Bíblia sem a sua tradição? E quero prosseguir: mas
como se pode crer no papado quando os seus livros de dogmática e os seus
catecismos passados e presentes não diferem em nada entre eles senão no modo
de apresentar certas doutrinas (isto é, hoje são um pouco menos duros em
relação a nós do quanto eram outrora)? Quando as afirmaçãos sobre os
sacramentos, sobre o papado, sobre o purgatório, sobra a salvação, são as
mesmas que faziam séculos atrás os seus eminentes teólogos? Por que crer que dizem a verdade quando dizem
que também nós nos podemos salvar quando continuam a sustentar as mesmas
heresias de séculos atrás? Como se pode afirmar que a igreja católica romana
diz a verdade quando afirma que nós nos podemos igualmente salvar quando leio
que o seu concílio de Florença disse que a sacrosanta igreja romana
‘firmemente crê, professa e prega que nenhum daqueles que estão fora da
Igreja Católica, não apenas pagãos, mas também judeus ou heréticos e
cismáticos, podem adquirir a vida eterna, mas que eles vão para o fogo
eterno, preparado para o demónio e seus anjos a menos que antes da morte
tenham se unido a ela; e que é tão importante a unidade do corpo da igreja,
que apenas para aqueles que permanecem nela aproveitam para a salvação os
sacramentos eclesiásticos, os jejuns e as outras obras de piedade, e os
exercícios da milícia cristã proporcionam os prémios eternos. Ninguém
- por quantas esmolas tenha podido fazer, e até mesmo se tivesse derramado o
seu sangue pelo Nome de Cristo - se pode salvar, no caso de não permanecer no
seio e na unidade da Igreja católica’ (Concílio de Florença, Sess. XI )?
O expliquem os contenciosos! |
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Aos que antes eram Católicos romanos e que por
causa do ecumenismo, consideram este meu falar demasiado duro ou injusto
digo: ‘Se não acreditais em mim ide ler os seus livros de teologia dogmática,
o seu catecismo, os cânones do concílio de Trento, o concílio Vaticano II.
Mas eu digo: mas não é preciso irdes ler os seus aborrecidos e mentirosos
livros para vos dardes conta do que vos digo; basta que vos ponhais a falar -
se ainda não o fizestes - com padres, freiras, e simples zelosos Católicos
romanos sobre a certeza da salvação que obtivestes somente pela fé em Cristo,
ou que comeceis a reprovar o purgatório, o papado, o culto a Maria, as suas
imagens, as suas procissões, os seus sacramentos, dizendo que elas são
doutrinas de demónios que para nada vos aproveitaram quando as aceitáveis, e
então vos dareis conta como sereis considerados perdidos, tudo menos que
salvos; extraviados tudo menos que sobre o caminho direito; heréticos e
apóstatas tudo menos que Cristãos. ‘Sois uma seita’, vos começarão a dizer;
tudo menos que comunidade eclesial. ‘Voltastes as costas ao sucessor de Pedro
e por isso a Cristo’ vos dirão; ‘Mudaste de bandeira, renegaste a verdade
para ir atrás da mentira’, prosseguirão. ‘Volta para o aprisco, porque doutra
forma irás para o inferno!’ te dirão os teus ex-companheiros na sua
ignorância para te assustar e te fazer voltar para o seu meio. Também vós
irmãos que nunca fizestes parte da igreja católica romana, porque nascestes
numa família de chamados apóstatas, isto é, de ex-Católicos romanos ou numa
família que nunca fez parte da igreja católica romana, reprovai a tradição
católica romana e vereis também vós os insultos que recebereis dos seus
sustentadores! Vos perguntareis então o porquê de vos responderem desta
maneira apesar de falarem tanto de ecumenismo, de unidade das igrejas, de
amor de Deus, de comunhão do Espírito Santo. A resposta é que este seu
caminho a eles parece direito mas o fim dele conduz ao lago ardente de fogo e
enxofre, enquanto o caminho sobre o qual vós estais a eles parece torto e
tenebroso, um caminho de perdição, porque sobre ele não vêem o seu papa, o
culto a Maria, o purgatório, as indulgências, os sacerdotes e tantas outras coisas,
mas apenas a Bíblia, apenas Cristo. Em outras palavras porque eles ainda
estão debaixo do poder de Satanás enquanto vós fostes libertados dele; eles
ainda estão perdidos, enquanto vós estais salvos; eles ainda estão nas trevas
enquanto vós pela graça de Deus estais na luz. Portanto quando se fala com
eles é preciso insistir no facto de que a salvação se obtém directamente de
Deus, pela fé somente, e por isso gratuitamente, sem o auxílio dos seus
sacramentos, e sem a intercessão de Maria e nem de nenhum outro além de
Cristo Jesus. E portanto persuadi-los que eles não se encontram na Igreja de
Deus mas fora. Isto naturalmente vai nitidamente contra a sua doutrina sobre
a Igreja e atrai muitos ultrajes; mas é a verdade e vale por isso
proclamá-la. |
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A verdadeira
Igreja não se reconhece pelo grande número dos seus aderentes |
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Os
teólogos católicos romanos, fortes pelo facto de a sua igreja contar centenas
de milhões de membros sobre a face de toda a terra (segundo algumas recentes
estatísticas seriam quase mil milhões no mundo), afirmam que a igreja de Roma é a verdadeira Igreja. Mas é pelo
número dos aderentes que se deduz se uma certa igreja é a verdadeira Igreja
de Deus ou não? Podemos afirmar
que todos os Católicos romanos em Itália são Cristãos só porque eles afirmam
que nos seus registos estão mais de cinquenta milhões de inscritos? Quantas
vezes ouvimos dizer os Católicos: ‘Nós somos muitos, vós pelo contrário sois
poucos, portanto não podeis ser a verdadeira Igreja de Deus’! Mas vejamos segundo as Escrituras
se as coisas são mesmo |
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Jesus disse: "Entrai pela
porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à
perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e
apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem" (Mat. |
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Jesus disse aos seus: "Não
temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino"
(Lucas 12:32); também por estas palavras se entende que o rebanho de Deus é
formado por poucas pessoas e não por multidões. |
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Jesus disse: "Muitos são
chamados, mas poucos escolhidos" (Mat. |
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Se
depois estas Escrituras não bastam para convencer que os salvos pelo Senhor
são poucos então recordamos que está escrito que nos dias de Noé, na arca
"poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água" (1 Ped. 3:20),
e que da destruição de Sodoma e Gomorra e das cidades circunvizinhas Deus
salvou apenas Ló, sua mulher (que depois tornou-se uma estátua de sal) e duas
filhas suas. Portanto não é de modo nenhum verdade que a
característica da verdadeira Igreja é a multidão dos inscritos. |
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Naquele dia diante do trono do juízo, não serão
consultados nem os registos da igreja romana (e, bem entendido, nem os das
Igrejas evangélicas), mas o livro da vida do Cordeiro. Só aqueles cujos nomes
forem achados escritos naquele livro herdarão o reino de Deus, os outros, não
importa de que igreja resultavam membros, serão lançados no lago ardente de
fogo e enxofre. |
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Por isso ó Católicos, vós que vos apoiais na
vossa chamada catolicidade é tempo de vos pordes esta pergunta: ‘Estou eu no
caminho da perdição entre aqueles muitos de que falou Jesus ou no caminho que
leva à vida, entre aqueles poucos que o encontraram?’ Examinando vós mesmos
reconhecereis, pela ajuda do Espírito Santo, de estar entre os muitos que
andam sobre o caminho da perdição e então não vos restará outra coisa senão
invocar o Senhor Jesus Cristo para que vos salve da perdição eterna. Vos
suplicamos em nome de Cristo: ‘Salvai-vos desta organização pseudocristã da
qual fazeis parte!’ |
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Aqueles que
saiem da igreja católica romana porque aceitam o Evangelho não são heréticos
e nem apóstatas |
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Como pudestes ver entre todos aqueles que os
Católicos consideram tanto heréticos como apóstatas estais também vós irmãos
que depois de terdes sido batizados em meninos vos arrependestes dos vossos
pecados, crestes no Evangelho e vos separastes dos Católicos romanos para vos
unirdes aos santos (que eles chamam Evangelistas, ou Evangélicos, ou
Protestantes). Também vós, segundo eles, virastes as costas a Deus; também
vós, segundo eles, mudastes de bandeira! Mas não é assim, irmãos, porque vós
sabeis muito bem que as costas viradas para Deus as haveis tido precisamente
quando professáveis a religião católica romana, enquanto desde que crestes no
Senhor e vos unistes aos santos virastes o vosso olhar para Deus. Vos dizem
que mudastes de bandeira, e isso é verdade porque agora a vossa bandeira não
é mais nem Maria, nem o chamado papa e nem a religião católica mas o Senhor
conforme está escrito: "O Senhor é minha bandeira" (Ex. 17:15). Vós
dilectos crestes na verdade revelada por Deus mediante o seu Filho, mas
rejeitastes todas as mentiras ensinadas e praticadas pela igreja romana
porque elas não têm nada a ver com a verdade do Evangelho. E por isso estais
sobre o caminho da salvação; não temais os seus insultos e as suas calúnias.
E não vos envergonheis de modo nenhum de ser definidos por eles heréticos ou
apóstatas, antes glorificai a Deus por serdes julgados dignos de ser
vituperados pelo nome de Jesus como o foram os discípulos antigos. Suportai
com paciência as suas injúrias irmãos, sabendo que vem o dia em que o Senhor
fará conhecer a diferença que há entre o justo e o ímpio, entre aquele que
serve a Deus e aquele que não o serve (cfr. Mal. 3:16-18). |
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Os seus ultrajes (passados e presentes) contra nós; nós
nos comprazemos neles |
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A
sagrada Escritura testifica de variadas maneiras que os profetas antigos
foram ultrajados, que o Senhor Jesus foi ultrajado e também os apóstolos de
Jesus Cristo foram ultrajados. Vejamos agora as Escrituras que testificam
isso: |
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Jeremias disse: "Nunca lhes
emprestei com usura, nem eles me emprestaram com usura, todavia cada um deles
me amaldiçoa" (Jer. 15:10). |
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Jesus disse: "Veio João, não
comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e
bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e
pecadores" (Mat. 11:18,19). |
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Mateus diz que os escribas e os
Fariseus diziam de Jesus: "Este não expulsa os demónios senão por
Belzebu, príncipe dos demónios" (Mat. 12:24); João diz que entre as
multidões alguns diziam de Jesus: "Engana o povo" (João 7:12);
Lucas diz que os principais sacerdotes o acusaram diante de Pilatos dizendo:
"Achamos este homem pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a
César" (Lucas 23:2). |
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Lucas diz que em Tessalónica as
multidões na presença dos magistrados disseram estas palavras contra os
apóstolos: "Estes que têm alvoroçado o mundo, chegaram também aqui; os
quais Jasom recolheu; e todos estes procedem contra os decretos de César,
dizendo que há outro rei, Jesus" (Actos 17:6,7); em Éfeso Demétrio disse
aos artífices: "E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase
em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão,
dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos" (Actos 19:26);
em Filipos, os senhores da serva que estava possuída e foi libertada pelo
apóstolo Paulo disseram aos magistrados de Paulo e Silas: "Estes homens,
sendo judeus, perturbaram a nossa cidade..." (Actos 16:20). |
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Como
podeis ver tanto os profetas, como Jesus, como os apóstolos foram ultrajados.
Ora, segundo o ensinamento de Cristo também nós que ainda estamos em vida
seremos ultrajados por causa do Filho do homem de facto ele disse: "Se
chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?" (Mat.
10:25), mas Ele nos disse também para nos alegrarmos quando formos ultrajados
por causa do seu nome conforme está escrito: "Bem-aventurados sois vós,
quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra
vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão
nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós"
(Mat. 5:11,12). |
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Após ter dito isto proponho à vossa atenção
algumas passagens de uma obra literária de Giovanni Perrone (Jesuíta que por
volta de 1852 era considerado o maior teólogo romano) a qual se intitula Catecismo
acerca do Protestantismo para uso do povo. ‘Este nome de protestante,
e de protestantismo é usado para significar a rebelião de todas as
modernas seitas contra a igreja Católica fundada por Jesus Cristo, ou, o que
resulta no mesmo, a rebelião dos homens orgulhosos contra Jesus Cristo
fundador da mesma Igreja’ (Giovanni Perrone, Catechismo intorno al
Protestantesimo ad uso del popolo, Roma 1854, pag. 10. Este livro de
Perrone em seu tempo foi espalhado com abundância pelos padres por todas as
terras de Itália). [O protestantismo] ‘contém uma doutrina horrível na
teoria, e imoral na prática, isto é, uma doutrina ultrajosa para Deus,
ultrajosa para o homem, danosa para a sociedade, e contrária ao bom senso e
ao pudor (...) nem os pagãos, nem os turcos chegaram alguma vez a tanta
impiedade de doutrina’ (Giovanni Perrone, op. cit., pag. 22,23); [os
Protestantes] ‘estes podem considerar-se como revoltosos natos, os quais
estão sempre prontos para toda a novidade; e a cada motim que se excita
acorrem de olhos fechados, sem calcular nem os seus perigos nem os prejuízos
alheios (...) Este puro Evangelho, como o chamam, ou seja o protestantismo,
não é mais que a irreligião, e a perversão de costumes coberta de belas
palavras, é o mais terrível flagelo que pesa sobre a humanidade; ele conduz a
sociedade surdamente à anarquia, à dissolução...’ (ibid., pag. 44,45);
‘São a escória da rebaldaria e da imoralidade em cada país. Estão em primeira
fila alguns poucos padres e frades apóstatas sacos de podridão e de vícios
(...) é o refugo da Itália, é a sujidade mais vil dos Italianos que estão nas
fileiras dos barbetti. Todos os malfeitores, que não observam nenhuma
prática religiosa, todos os sectários vendidos ao diabo alma e corpo, todos
os ateus e incrédulos que vivem como animais, são os recrutas mais preciosos
do protestantismo em Itália (...) (Se estes prevalecessem) ‘a Itália
tornar-se-ia um campo de guerras civis das mais encarniçadas; o sangue
citadino escorreria pelas cidades e pelos campos; desapareceriam todas as
instituições de caridade e de beneficência cristã; se massacrariam todos os
bons; se destruiriam os mais soberbos edifícios dos quais agora está
orgulhosa a nossa península’ (ibid., pag. 70, 73, 75); ‘É certo de
certeza de fé que quantos católicos se fazem protestantes, todos são danados,
tirando o caso de um sincero arrependimento antes de morrer com a abjuração
dos erros professados. Fora deste caso, é de fé que todos os católicos que se
fazem protestantes, todos se danam irremissivelmente por toda a eternidade
(..) Basta não ser ateu para estar convencido disso’ (ibid., pag.
102,103); ‘..os deveis ter em horror e em abominação (...) Quero dizer que só ao ouvir falar de
protestantismo vós deveis ficar assustadíssimos, mais do que se ouvísseis
falar de uma tentativa de assassínio contra a vossa vida (...) O
protestantismo e os partidários do protestantismo são na ordem religiosa e moral
aquilo que a peste e os empestados são na ordem física’ (ibid., pag.
109); ‘Estes temos que evitá-los com todo o nosso poder, não ter conversas
com eles, tratá-los enfim do ódio em diante, como se tratam os ladrões e os
assassinos (...) Este é antes o acto mais exímio da caridade’ (ibid.,
pag. 112,113); ‘Fugi deles como do demónio. Orai sempre a Deus para que vos
mantenha longe destes desgraçados apóstatas corrompedores da fé e da moral’ (ibid.,
pag. 115). Eis, como muitos nossos irmãos foram considerados pelos Católicos
romanos há cerca de cento e cinquenta anos nesta nação. |
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Agora vos proponho alguns extractos de artigos
publicados no L`Osservatore Romano há cerca de sessenta anos. Num se
lê: ‘Existe um verdadeiro perigo protestante ou melhor anticatólico na
Sicília? A resposta ao leitor (...) O seu lema poderia bem ser: não almejo
outra coisa. Destruir a fé dos
Pais. Passemos em revista punhados destes ‘saqueadores’. Depois o articulista
enumera entre outros os Valdenses, os Metodistas, os Batistas e os
Pentecostais. Destes últimos exprime-se assim: ‘Os pentecostais. Estes também
conhecemos. Pretendem reviver a vida da igreja primitiva. Reunem-se em
salas públicas, onde se lê a bíblia e se cantam hinos. A certa altura começam
a invocar o Espírito Santo com altos gritos, a contorcer-se, a tremer, a cair
de joelhos, a rolar pelo chão, a fazer milagres. Seguro. O único e máximo -
dado os tempos - a fazer rir os que ali se encontram por acaso. Quanto
contribui este culto para as doenças nervosas, especialmente nas mulheres e
nas crianças, se imagina’. Falando depois da evangelização feita pelos
Protestantes ele afirma: ‘E não é raro o caso de encontrar gregários do
proselitismo acatólico em quase todos os lugares públicos, em frente dos
quartéis à saída ou à retirada dos soldados, nos comboios, nas ruas e pelas
praças onde insistentemente querem impor, especialmente a senhoras e
senhoritas (...) a sua mercadoria avariada, na qual escrevem frequentemente o
endereço das suas reuniões para atrair os incautos e arrastá-los assim a
abraçar os seus erros’ (L’Osservatore Romano, 25 de Abril de 1934,
pag. 2) Num outro artigo se lê: ‘De uma praxe intolerável pela qual a chamada
e seja também por um momento, suposta liberdade de proselitismo - de modo
nenhum incluída na liberdade de culto enquanto culto significar o que em
italiano não se chamar proselitismo nem por sinónimo - não se limita à
propaganda exercida mediante sermões na igreja, ou livros religiosos, ou
estudos e discussões... dignos deste nome, mas se lança à desenfreada,
solapada, iníqua actividade de apóstatas, de golpistas, de mercadores de
livros de títulos enganosos, feita em qualquer sítio nas casas, nas ruas, nas
praças, como se estivesse em terra de missão, entre bárbaros, sim que se pôde
publicar e dizer que de para lá dos Alpes e dos Oceanos, se vem a Itália para
redimi-la da superstição e revelar-lhe o verdadeiro Evangelho. E é a este
obsceno carnaval de palhaços, a este belo conceito que eles têm, a esta bela
fama que eles vão difundindo, da Pátria, que um alto funcionário da Direcção
Geral dos Cultos daria a sua obra sob veste jurídica como a serviço da
ciência e da vida religiosa feridas desde aqui por uma lacuna...’ (L’Osservatore
Romano, 7 de Abril de 1934, pag. 2). |
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Mas hoje |
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Alguns
preceitos da igreja romana confutados |
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A igreja romana pretende ser a verdadeira e
única Igreja de Deus que existe sobre a face de toda a terra. Além disso
importa dizer que ela se arroga um outro direito que não possui, de facto, lê-se
no Novo Manual do catequista: ‘A Igreja tem autoridade de fazer
leis e preceitos porque a recebeu na pessoa dos Apóstolos, por Jesus Cristo,
o Homem-Deus; e por isso quem desobedece à Igreja, desobedece ao próprio Deus’
(Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 347). Mas vejamos quais são alguns destes preceitos
que esta pseudo-igreja emanou e diz que se se infringem se desobedece a Deus.
Eis como os encontramos escritos no Catecismo da igreja católica e
como nós nos opomos a eles. |
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Primeiro preceito: ‘Participarás da Missa nos domingos e outras festas de
guarda’ (Catecismo da Igreja Católica, Cidade do Vaticano 1992, pag.
506). Ora, segundo a igreja romana quem não vai à missa nestes dias comete um
pecado grave porque não cumpre aquele outro seu mandamento que diz de
santificar as festas; mas não é de modo nenhum assim porque como o pecado é a
violação da lei e não existe na lei a ordem para lembrar das festas católicas
para santificá-las, e Cristo de modo algum ordenou assistir a uma função
religiosa que pretende repetir o seu sacrifício, quem não vai assistir a este
rito inventado por eles (nem nesses dias e nem nos outros) de modo algum
comete pecado. Nós antes exortamos os Católicos a não ir mais à missa, mas a
ir antes a um local de culto onde os santos adoram Deus em espírito e em
verdade e onde é pregada a Palavra de Deus não adulterada. |
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Segundo preceito: ‘Confesserás todos os teus pecados ao menos uma vez por
ano’ (ibid., pag. 506). A Escritura ensina pelo contrário que a
confissão dos próprios pecados deve ser feita a Deus e não a um padre.
Portanto, ó Católicos romanos, ide ao Senhor directamente confessar as vossas
iniquidades e obtereis aquele perdão que o padre jamais vos poderá dar. Uma
vez obtido este perdão continuai a confessar as vossas iniquidades ao Senhor,
recordando-vos que esta confissão deve ser feita não ao menos uma vez por
ano, mas todas as vezes que se ora a Deus; Jesus de facto disse que quando
nós oramos devemos dizer ao Pai nosso: "Perdoa-nos as nossas
dívidas" (Mat. 6:12). |
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Terceiro preceito: ‘Receberás humildemente o teu Criador ao menos na Páscoa’
(ibid., pag. 506). Aqui faz-se referência à hóstia que, como segundo
eles, na consagração torna-se Jesus Cristo, é chamada Criador; blasfémia! Ó
Católicos aquele pedaço de massa não é o vosso Criador; porque Ele está no
céu. Em vez de ir receber a hóstia, que vos é apresentada como o próprio Deus
e que nenhum bem vos pode fazer, recebei Cristo por fé nos vossos corações;
agora; não demoreis a fazê-lo, e sereis reconciliados com Deus. E depois
retirai-vos da igreja católica romana. |
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Quarto preceito: ‘Santificarás as festas que te são ordenadas’ (ibid.,
pag. 506). A Escritura não ordena guardar dias, meses ou anos. Se alguém
estima o dia de domingo ou o de Páscoa mais do que outros dias, ele é livre
de fazê-lo para a glória de Deus, mas esta sua estima pessoal daquele dia não
pode transformar-se em preceito porque isso constitui um preceito humano. Entre as festas católicas a guardar
estão também as suas festas em honra de Maria, e de outros; vaidades,
imposturas que não têm nada a ver com a verdade. |
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Quinto preceito: ‘Observarás o jejum
prescrito e igualmente a abstinência’ (ibid., pag. 506), o que na
prática significa que não se deve comer carne à sexta-feira e nos outros dias
proibidos e deve-se jejuar nos dias prescritos’. Com este outro preceito é
imposto aos Católicos não comer carne às sextas-feiras (em memória da paixão
de Jesus Cristo e porque com esta mortificação pensam participar nos
sofrimentos de Cristo), e nestes dias de jejum: nos sábados da Quaresma, na
Quarta-feira de Cinzas, na quarta-feira e sábado das quatro têmporas, nas
vigílias de Natal, Pentecostes, Assunção e Todos os Santos. Por quanto
respeita ao jejuar nos dias prescritos é necessário dizer que o jejum
consiste nisto; 1) abster-se de determinados alimentos como carnes nos dias
acima mencionados e dos ovos e dos lacticínios na segunda refeição; 2)
abster-se de outras refeições além do almoço; isto é, fazer uma só verdadeira
refeição ou ao meio-dia ou à noite com o consentimento de fazer uma outra
refeição ligeira à noite ou ao meio-dia (conforme a verdadeira refeição se
faz ao meio-dia ou à noite) na qual são proibidos os ovos e os lacticínios. Entre
os motivos pelos quais é imposto este preceito está o da penitência dos
pecados de facto o catecismo diz: ‘Com jejum e com a abstinência que a Igreja
nos impõe fazemos penitência em expiação dos nossos pecados’ (Giuseppe
Perardi, op. cit., pag. 355). Naturalmente
também neste caso quem infringe este preceito faz-se culpado diante de Deus
segundo eles. Mas que diz a
Palavra? A Palavra nos ensina estas coisas. |
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Deus
quer que nós jejuemos porque Jesus disse: "E, quando jejuardes, não vos
mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos,
para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o
seu galardão. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu
rosto, para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em
secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará" (Mat. 6:16-18),
mas o verdadeiro jejum não é para se entender como uma abstenção só da carne
ou algum outro alimento mas como uma abstenção tanto de toda a comida como de
toda a bebida porque de Jesus, quando jejuou por quarenta dias, está escrito
que "naqueles dias não comeu coisa alguma" (Lucas 4:2); de Paulo
está dito que naqueles três dias "não comeu nem bebeu" (Actos 9:9),
e de Moisés, quando subiu ao monte Sinai, está escrito: "E Moisés esteve
ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu
água" (Ex. 34:28). Certamente, um é livre de abster-se de comer algo de
particular durante um certo período de tempo, ou de abster-se só de comer e
não de beber, isto não é que nós o neguemos porém permanece o facto de que o
jejum completo é o aqui acima descrito. |
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O
Senhor não impôs não comer carne à sexta-feira em memória da sua morte mas
ordenou celebrar a santa ceia com o pão e o vinho para recordá-la e
anunciá-la porque Jesus tanto quando deu o pão como quando deu o cálice a
beber aos seus discípulos disse-lhes: "Fazei isto em memória de
mim" (1 Cor. 11:24,25), e porque Paulo diz aos Coríntios: "Porque
todas as vezes que comerdes este pão e beberdes deste cálice estareis
anunciando a morte do Senhor, até que ele venha" (1 Cor. 11:26). |
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Aqueles
que ordenam a outros não comer um certo alimento em particulares dias não
falam da parte de Deus porque Paulo disse que "o reino de Deus não é
comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo"
(Rom. 14:17). Comer carne não contamina o justo nem às sextas-feiras e
nem noutro dia. |
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O jejum como o entende a Escritura não o se faz
para expiar os próprios pecados porque em si mesmo o jejum não tem o poder de
expiar algum pecado, mas o se faz para nos humilharmos diante de Deus e para
fazer ouvir a nossa voz no alto. Certamente, o jejum é uma boa obra e por ele
se mortificam as obras do corpo porque quando se jejua nos sentimos mais
fortes espiritualmente e se sentem muito menos fortes certas paixões da
carne, mas permanece o facto de que não é por ele que se expiam os próprios
pecados. Jesus Cristo "é a propiciação pelos nossos pecados" (1
João 2:2), como diz João, e não o jejum ou alguma outra chamada obra de
penitência. |
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Estes aqui supracitados são preceitos que a
igreja romana estabeleceu para os seus seguidores, preceitos de homens que
nos fazem lembrar as palavras que Deus disse ao povo mediante Isaías: "A
palavra do Senhor lhes será preceito sobre preceito, preceito sobre preceito;
regra sobre regra, regra sobre regra..." (Is. 28:13). Esta é a Palavra
de Deus para os Católicos, um conjunto de regras estabelecidas pelo homem e o
temor que têm de Deus não é mais que um conjunto de mandamentos aprendidos
dos homens. E tudo isto porque lhes é inculcado desde pequeninos a observar
todos estes preceitos para agradar a Deus e para não desobedecer-lhe. |
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O que está na raiz dos seus ensinamentos |
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Está
escrito que "o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de
males" (1 Tim. 6:10), e um destes males que brota dele é precisamente a
heresia. O apóstolo Paulo falando a Tito de alguns da circuncisão que ele
definiu rebeldes, faladores vãos e enganadores escreveu assim:
"Transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe
ganância" (Tito 1:11). Uma coisa semelhante podemos dizê-la daqueles que
têm nas suas mãos as rédeas da igreja romana, porque eles transtornam o mundo
inteiro ensinando o que não convém por torpe ganância. A igreja romana no curso
do tempo introdoziu toda a espécie de heresias por torpe ganância, de facto,
se se vai a ver de perto o ensinamento relativo ao primado do papa, à
canonização dos santos, às missas pelos mortos, ao purgatório, às relíquias,
às indulgências, ao poder de desligar e ligar, e a outras coisas se percebe
que elas serviram e servem ao papado para enriquecer-se sobremodo. |
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Comecemos com o ensinamento da supremacia do
bispo de Roma sobre a Igreja universal. Proclamando-se chefe universal da
Igreja o chamado papa centralizou sobre si todo o poder, estabelece pelo
mundo os bispos que a ele agradam os quais juram ‘manter, defender, aumentar
e favorecer os direitos, as honras, os privilégios e a autoridade do seu
senhor, o papa’. E este juramento compreende também o dever de ajudar ‘a
fornecer os recursos de que a Sé Apostólica necessita, de acordo com as
condições dos tempos, para que ela possa prestar o devido serviço à Igreja
universal’ (Código de direito canónico, can. 1271). E de facto os
bispos (e os arcebispos) pagam ao papa taxas em ocasião da visita ad
limina (cfr. Fausto Salvoni, Da Pietro al Papato, Genova
1970, pag. 365). |
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Vejamos agora o ensinamento sobre a canonização
dos santos (que se funda sobre o errado significado que eles dão ao termo
santo e sobre um inexistente poder do papa de fazer santos alguns depois de
mortos). Basta que os Católicos paguem grandes somas de dinheiro ao papa para
obter a canonização de alguém morto em odor de santidade [8] (a canonização é precedida da beatificação
que custa também ela bastante dinheiro). Aliás a sabedoria diz que "por
tudo o dinheiro responde" (Ecl. 10:19) e que "com presentes o homem
alarga o seu caminho e o eleva diante dos grandes" (Prov. 18:16). Não é
de admirar portanto se aqueles que têm grandes disponibilidades financeiras
conseguem obter certos ‘privilégios’ (o de ter um ‘santo’ na sua família, ou
na sua diocese ou paróquia) do papa? Certo, para fazer santo alguém é preciso
também que ele tenha sido uma espécie de herói espiritual durante a sua vida,
e que os seus ensinamentos tenham sido íntegros do ponto de vista católico, e
que ele faça pelo menos quatro milagres depois de morto (dois para ser
beatificado, e outros dois após a beatificação para ser feito santo). Mas
sobre estas coisas não há grandes problemas porque a cúria romana sabe como
fazer quadrar tudo quando há grandes somas de dinheiro a embolsar. |
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Vejamos agora o ensinamento sobre a missa e
sobre o sufrágio. Se um Católico quer aliviar as almas dos seus defuntos das
penas que eles sofrem no chamado purgatório ou quer libertar as almas dos
seus defuntos do purgatório deve mandar dizer a missa pelos mortos que tem um
preço (mesmo se o seu preço é apresentado como livre oferta [9]). Portanto, basta que pague e obterá estas
graças para os seus mortos. A missa portanto é uma fonte de ganho desonesto
para a cúria romana. O que é necessário observar a respeito da missa pelos
mortos é isto: que Cristo para se oferecer a si mesmo sobre a cruz do
Calvário não pediu nenhuma oferta da parte de ninguém, enquanto o padre, que
se faz passar por sacerdote de Deus, para oferecer o presumido corpo e o
sangue de Cristo (a hóstia) em sacrifício propiciatório pelos Católicos que
estão no chamado purgatório faz-se pagar. Eles pois profanam duplamente o
sacrifício de Cristo; primeiro pensando repeti-lo e depois fazendo-se pagar
por ele. Ó Católicos mas não vos dais conta que aos padres só importa o vosso
dinheiro? |
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Pelo que concerne ao ensinamento sobre a
veneração das relíquias ele é uma fonte de grandes riquezas para o papado
porque aos Católicos é dito que naquele santuário ou naqueloutro está ou o
corpo ou as partes do corpo deste ou daqueloutro ‘santo’ ou objectos que eram
deste ou daqueloutro santo e que lá indo visitá-las podem obter benefícios de
Deus, e eles, enganados, para ali se dirigem com a esperança de obter alguma
graça por meio das relíquias. E assim os superintendentes destes santuários
enriquecem-se sobremodo vendendo às pessoas todo o tipo de objectos que
lembra o santuário ou a relíquia do ‘santo’ e recebendo as ofertas votivas
que elas fazem ao ‘santo’. E onde vão acabar por fim todos estes intróitos?
Nas caixas papais [10]. |
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E dizemos também algo sobre a doutrina que diz que o papa tem o poder de desligar (ou dissolver) o que quer em virtude das chaves recebidas de Cristo. Em virtude desta doutrina, o papa, embora diga considerar o matrimónio indissolúvel, considera ter o poder de dissolver o matrimónio (vede o matrimónio.). Mas o dissolve fazendo-se pagar, de facto se alguém se quiser divorciar e voltar a casar tem de ir à ‘Sacra Rota’ (ou melhor a um dos Tribunais eclesiásticos regionais) e pagar. E considerando que todos os anos pelo mundo ele dissolve milhares de matrimónios o papado encaixa muito dinheiro. Mas o papa não dá apenas a permissão de se divorciar e recasar mas também a permissão (naturalmente também isto a pagamento) que permite não observar certos preceitos da igreja a qual é chamada dispensa. Segundo o Código de direito canónico de facto a dispensa é ‘a relaxação de uma lei meramente eclesiástica num caso particular’ (Código de direito canónico, can. 85). Por exemplo há a dispensa que autoriza a abster-se do jejum, a que autoriza a trabalhar em certas festas de preceito e as matrimoniais que permitem contrair matrimónio ainda que hajam impedimentos impedientes [11]. A propósito do lado financeiro destas dispensas eis o que diz a Enciclopédia Católica: ‘Para as dispensas matrimoniais segue-se um sistema de taxação tradicional. Faz-se assim distinção entre ricos e pobres, distinguem-se os que possuem ou ganham até um determinado limite, daqueles que o superam. Para os pobres é estabelecida uma taxa mínima variável com o impedimento (os miseráveis pagam só as despesas) para os ricos tem lugar a componenda. |