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Capítulo 2
Os sacramentos |
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A doutrina
dos teólogos papistas |
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Os sacramentos são sinais eficazes da graça instituídos por Cristo, são sete e conferem a graça que representam . Segundo os teólogos papistas ‘os Sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo para santificar-nos’(Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 430). Mas qual é o significado destas palavras? Este: ‘Os Sacramentos são sinais da graça, porque com a parte sensível que têm, significam ou indicam a graça invisível que conferem; e são dela sinais eficazes, porque significando a graça realmente a conferem’ (ibid., pag. 430). Mas quais são para a igreja romana estes sacramentos instituídos por Jesus Cristo? Estes: O batismo, a confirmação, a eucaristia, a penitência, a extrema unção, a ordem e o matrimónio, portanto são sete [ 1 ]. E para quem não os aceita todos e nega a eficácia deles há os seguintes anátemas: ‘Se alguém disser que os sacramentos da nova lei não foram todos instituídos por Jesus Cristo Nosso Senhor, ou que são mais ou menos que sete, a saber: o Batismo, a Confirmação, a Eucaristia, a Penitência, a Extrema Unção, a Ordem e o Matrimónio; ou que algum destes sete não é verdadeiramente e propriamente um sacramento; seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. VII, can. 1) [2 ]; ‘Se alguém disser que os sacramentos da nova lei não contêm a graça que significam; ou que não conferem a graça aos que lhes não opõem óbice, como se fossem apenas sinais exteriores da graça ou da justiça já recebida pela fé, ou notas distintivas da fé cristã, pelas quais se distinguem no mundo os fiéis dos infiéis; seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. VII, can. 6) [ 3]. |
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Confutação |
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Cristo instituiu duas ordenanças que não conferem a
graça |
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Cristo não instituiu sete sacramentos mas apenas duas ordenanças que são o batismo e a ceia do Senhor. E estas ordenanças não são a fonte da graça [4 ] porque a graça procede de Deus e de Cristo Jesus, de facto, o apóstolo Paulo quando saudava as igrejas no início das suas epístolas dizia: "Graça e paz, da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (1 Cor. 1:3; 2 Cor. 1:2; Gal. 1:3; Fil. 1:2; 2 Tess. 1:2), o que mostra que ele cria que a graça brotava de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo e não das ordenanças dadas por Cristo. Notai que juntamente com a graça é mencionada também a paz, portanto como não se pode dizer que a paz brota das ordenanças assim não se pode dizer que a graça brota das ordenanças. Também João confirmou que a graça se recebe de Deus por meio de Cristo e não por meio das ordenanças quando diz: "Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1:16,17). |
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Como podeis ver, pelo que
ensina a Escritura se deduz que é errado pensar que a graça de Deus seja
conferida pelos sacramentos da igreja romana. E os factos confirmam isso,
porque muitos nossos irmãos que antes eram Católicos romanos embora tenham
recebido o batismo católico, o crisma, a comunhão, e se tenham confessado ao
padre durante anos, receberam a graça que procede de Deus quando se
arrependeram e creram no Evangelho. Por ela foram salvos dos seus pecados, por ela foram plenamente perdoados
e purgados de todos os seus pecados. A receberam pois sem fazer ritos de
nenhum género mas só crendo em Cristo; directamente de Deus por meio de
Cristo. Se tenha porém bem presente a propósito do quanto acabei de dizer que
tanto o arrependimento que se produziu neles e a fé pela qual eles foram
perdoados e salvos por Deus, são tudo coisas que são concedidas por Deus
segundo o beneplácito da sua vontade aos que ele quer, pelo que o facto deles
terem podido arrepender-se e crer no Senhor Jesus Cristo é uma manifestação
da graça de Deus para com eles. Em outras palavras deve-se dizer que eles se
arrependeram e creram pela graça que Deus tinha antes dos séculos decidido
manifestar para com eles e que na plenitude dos tempos manifestou dando-lhes
o arrependimento e a fé indispensáveis para serem salvos. De maneira que se
deve reconhecer que se é verdade que só pela fé em Cristo recebemos graça sobre
graça da parte de Deus, é também verdade que a fé que temos, sendo um dom de
Deus e não uma coisa que vem de nós, é ela própria uma graça, um favor de
Deus por ele nos dado na sua grande misericórdia porque assim Ele tinha
decidido sem nós o sabermos e sem que nós merecêssemos alguma coisa dele,
doutro modo graça não seria mais graça. Eis por que devemos dizer que não
temos nada, portanto nem sequer a fé, que não tenhamos recebido de Deus na
sua grande misericórdia; e por que não temos nada de que nos gloriar diante
de Deus, porque a salvação recebida foi uma obra inteiramente feita por ele
em nós sem que nós soubéssemos nada deste seu glorioso plano para nós e
independentemente da nossa vontade. Como bem diz Paulo: "Não depende do
que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia" (Rom.
9:16). Quis fazer este discurso para demonstrar que se é verdade que por meio
de Cristo "obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça"
(Rom. 5:2), como diz Paulo, é também verdade que tivemos acesso a esta graça
pela graça de Deus porque a fé foi Deus que nos a doou. A Deus seja o
louvor e a glória. Amen. |
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O quanto dito aqui acima portanto anula toda a
doutrina católica sobre a eficácia dos sacramentos; poderíamos por isso nos
ficar por aqui, sem prosseguir confutando um por um os seus sacramentos. Mas
queremos na mesma fazê-lo para demonstrar a todos com as Escrituras como,
apesar de os teólogos papistas tomarem as sagradas Escrituras para sustentar
que os seus sete sacramentos conferam a graça, estes seus sacramentos não
conferem nenhuma graça. Queremos
assim fazer justiça à Palavra de Deus por eles mal interpretada para dano de
tantas almas no mundo. |
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O BATISMO |
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A doutrina
dos teólogos papistas |
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O batismo perdoa os pecados, faz nascer de novo quem o recebe que se torna assim um cristão. Ele é absolutamente necessário para a salvação. Os bebés portanto o devem receber o mais cedo possível porque sem o batismo, em caso de morte, não podem ir para o paraíso, mas vão para o limbo. O batismo o administra o sacerdote derramando a água benzida sobre a cabeça do batizando. ‘O Batismo é o sacramento da remissão dos pecados e da regeneração. É de fé (...) Por disposição divina, o Batismo é absolutamente necessário a todos os homens para a salvação. É de fé’ (Bernardo Bartmann, Teologia Dogmatica, vol. III, pag. 91, 96). Em outras palavras, o batismo para os teólogos papistas perdoa os pecados ao homem e para sustento disso eles tomam as palavras que Pedro disse aos Judeus no dia de Pentecostes; "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados" (Actos 2:38), e o faz renascer e tornar-se um filho de Deus e para sustentar isto tomam as seguintes palavras de Jesus: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus" (João 3:5), e as seguintes palavras de Paulo: "Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração..." (Tito 3:5). Este poder de regenerar, o batismo o possui porque a água usada ao ministrá-lo é uma água completamente especial na realidade é ‘consagrada mediante uma oração de Epiclesis (seja no próprio momento, seja na noite de Páscoa). A Igreja pede a Deus que, por meio do seu Filho, o poder do Espírito Santo desça sobre esta água, a fim de que os que sejam batizados com ela ‘nasçam da água e do Espírito...’ (Catecismo da igreja católica, Cidade do Vaticano 1992, pag. 327). Sendo o batismo indispensável para a salvação, os pais devem levar a sua criança ao batismo não mais tarde de oito ou dez dias; para ‘assegurar-lhe logo a graça e a felicidade eterna, podendo ela muito facilmente morrer ’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 461). Ele é administrado pelo sacerdote católico ‘derramando a água sobre a cabeça do batizando e dizendo ao mesmo tempo as palavras da forma’ (ibid., pag. 453) que são: Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo [ 5 ]. Na cerimónia do batismo, a criança, como não pode falar e responder às perguntas que o padre faz, é representada pelos padrinhos. O catecismo diz destes: ‘Os padrinhos no Batismo são os que apresentam à Igreja o batizando, respondem em seu nome se for criança, assumindo, como pais espirituais, o cuidado da sua educação cristã, se faltarem os pais, e por isso devem ser bons cristãos’ (ibid., pag. 460). Por isso, quando a criança torna-se adulto tem o dever de ‘manter as promessas feitas em seu nome pelos padrinhos’ (ibid., pag. 461). Para sustentar o batismo dos bebés os teólogos papistas tomam as palavras de Jesus quando disse para que deixassem os meninos ir a ele (cfr. Mar. 10:13), depois as palavras de Lucas que diz que Lídia e o carcereiro de Filipos foram batizados com as respectivas famílias (cfr. Actos 16:14,15,32-34), e a circuncisão dos bebés a fazer-se na idade de oito dias segundo o mandamento de Deus (cfr. Gen. 17:12). O que sucede no caso da criança morrer sem ter recebido o batismo? Se ela morrer não batizada irá para o limbo. O catecismo na realidade diz: ‘As crianças mortas sem Batismo vão para o Limbo, onde não há prémio sobrenatural nem pena; porque, tendo o pecado original, e apenas esse, não merecem o Paraíso, mas também não merecem o Inferno e o Purgatório’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 171) [ 6 ]. Embora os teólogos papistas digam que o batismo com água é absolutamente necessário para conseguir a salvação, também há alguns casos em que por necessidade, isto é, pela razão da pessoa estar impossibilitada de se batizar, ele pode ser substituído por dois outros batismos: o de sangue e o de desejo. Por quanto respeita ao batismo de sangue eles dizem: ‘O batismo de sangue (baptisma sanguinis) dá a justificão como o de água, mas não o carácter indelével e portanto a incorporação na igreja e a capacidade de receber os outros sacramentos. Estão incluídos como batismo de sangue; a morte violenta ou a tortura, que terá que levar à morte; o martírio por causa de Cristo (pela fé cristã ou por uma virtude cristã); a suportação até ao fim destes tormentos por amor de Cristo; pelo menos uma dor imperfeita pelos pecados e a vontade de receber, na primeira ocasião, o batismo de água’ (Johann Auer e Joseph Ratzinger, I sacramenti della chiesa [Os sacramentos da igreja], Assisi 1974, pag. 88-89). Para confrmar o batismo de sangue os teólogos papistas tomam as palavras que Jesus dirigiu a Tiago e João: "Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado..." (Mar. 10:39). Por quanto respeita ao batismo de desejo eles afirmam: ‘Se for moralmente ou fisicamente impossível a recepção do batismo de água, o batismo de desejo pode conferir os efeitos da graça do primeiro. Os elementos constitutivos do batismo de desejo são: o desejo sincero do batismo, a dor perfeita pelos pecados e a firme vontade de receber na primeira ocasião o sacramento do batismo de água. Ele é eficaz quando por causa de um facto externo (morte) já não se pode receber o batismo de água. Ele produz a justificação, mas não a incorporação na igreja visível’ (Johann Auer e Joseph Ratzinger, op. cit., pag. 89). |
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Contra quem não aceita o batismo da igreja católica romana há os seguintes anátemas lançados pelo concílio de Trento: ‘Se alguém disser que na Igreja Romana, (que é mãe e mestra de todas as Igrejas), não reside a verdadeira doutrina do batismo: seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. VII, can. 3); ‘Se alguém negar que pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, conferida no Batismo, é perdoado o pecado original.(...) seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. V,5); ‘Se alguém negar que se devam batizar as crianças recém-nascidas (....) seja anátema’ (Concílio de Trento. Sess. V,4); ‘Se alguém disser que não se podem contar entre os fiéis as crianças, depois de terem recebido o Batismo, porque ainda não crêem realmente e por isso, quando chegarem aos anos de discrição, devem ser rebatizadas; ou que é melhor omitir o seu Batismo do que batizá-las na fé da Igreja, antes que possam crer por um acto de fé produzido por elas mesmas; seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. VII, can. 13). |
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Confutação |
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O batismo
deve ser ministrado a pessoas que creram e por imersão |
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Esta doutrina da igreja romana sobre o batismo é falsa porque antes de tudo segundo a Escritura o batismo deve ser ministrado a pessoas que se arrependeram dos seus pecados e creram no Senhor Jesus Cristo, e por isso não pode ser ministrado a infantes que ainda não discernem o bem do mal e que ainda não podem crer com o coração no Senhor. As seguintes Escrituras confirmam que aqueles que devem ser batizados devem primeiro arrepender-se e crer no Evangelho que lhes é anunciado, e por isso não podem ser batizados bebés. |
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"E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados.... Foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra...." (Actos 2:37,38,41); |
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"Mas, quando creram em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, batizavam-se, homens e mulheres" (Actos 8:12); |
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"E muitos dos coríntios, ouvindo Paulo, criam e eram batizados" (Actos 18:8). |
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Como podeis bem ver nestas três passagens as expressões: "receberam a sua palavra", "quando creram", e "criam" precedem o acto do batismo, e testificam de maneira clara que antigamente para receber o batismo a pessoa devia primeiro crer no Evangelho. Tudo isto está em perfeita harmonia com as palavras de Jesus: "Quem crer e for batizado será salvo" (Mar. 16:16). O batismo é pois lícito que o receba apenas quem creu. Mas para poder crer a pessoa tem de primeiro escutar a palavra de Cristo porque Paulo diz que a fé vem pelo ouvir e o ouvir por meio da palavra de Cristo, e também: "Como crerão naquele de quem não ouviram falar?" (Rom. 10:14), e por isso tem de haver quem pregue o Cristo porque ainda Paulo diz: "Como ouvirão, se não há quem pregue?" (Rom. 10:14). E isto está em perfeita harmonia com as seguintes palavras de Jesus: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo" (Mar. 16:15,16); e: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os..." (Mat. 28:19). Notai de facto que a pregação e o ensinamento precedem o acto do batismo porque os apóstolos primeiro deviam pregar a Palavra, e depois deviam batizar os que tinham crido nela. Esta foi a ordem que os apóstolos seguiram, de facto, no dia de Pentecostes primeiro Pedro pregou, depois os ouvintes receberam a sua palavra e os apóstolos os batizaram conforme está escrito: "De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra" (Actos 2:41). E isto foi o que aconteceu também em Filipos no caso da família de Lídia conforme está escrito primeiro: "E, sentados, falávamos às mulheres ali reunidas" (Actos 16:13), e depois, depois que o Senhor abriu o coração a Lídia para que estivesse atenta às coisas ditas por Paulo, "foi batizada, ela e a sua casa" (Actos 16:15); e também no caso da família do carcereiro conforme está escrito, primeiro: "Então lhe pregaram a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa" (Actos 16:32), e depois, que "foi batizado, ele e todos os seus" (Actos 16:33); e em Corínto onde muitos ouvindo falar Paulo criam e eram batizados (cfr. Actos 18:8). E como a pregação do Evangelho não podia ser dirigida a bebés (e por estes últimos recebida) porque eles embora pudessem ouvir não podiam porém discernir o que era dito e neles não podia portanto vir a fé, deduzimos que eles não eram batizados. Vimos portanto que antigamente o batismo era, em obediência ao mandamento de Cristo, ministrado só aos que criam, o que exclui que fossem batizados também bebés que não podiam ainda crer. |
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Além disso é necessário dizer que o batismo citado nestas Escrituras consistia em imergir na água quem tinha crido, e não num derramamento de água sobre a sua cabeça. Aliás a própria palavra grega baptizo significa 'imergir', 'mergulhar', e não derramar ou aspergir. As seguintes Escrituras testificam que o batismo com água é por imersão e não por infusão. |
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João o Batista batizava por imersão (ainda que o seu batismo fosse só um batismo de arrependimento) conforme está escrito: "Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados" (Mat. 3:5,6), e também: "Ora João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali, e eram batizados" (João 3:23); |
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Jesus foi batizado na idade de cerca de trinta anos; quando foi batizado por João no Jordão, foi imerso na água, conforme está escrito em Mateus: "E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água..." (Mat. 3:16); e também em Marcos: "Foi batizado por João, no Jordão. E, logo que saiu da água, viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descer sobre ele..." (Mar. 1:9,10); |
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O eunuco foi batizado por Filipe por imersão conforme está escrito: "E desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e Filipe o batizou. E quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe.." (Actos 8:38,39). |
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Que dizer então daqueles raciocínios papistas como: ‘'No dia de Pentecostes foram batizadas cerca de três mil pessoas e nós sabemos que em Jerusalém não há nenhum rio que permitisse um batismo de imersão', e: 'O carcereiro foi batizado com toda a sua família no cárcere e ali não havia um rio ou uma piscina para fazer um batismo por imersão; portanto nestes casos o batismo foi ministrado por infusão' ? Diremos que eles são só conversas vãs que apenas servem para lançar areia aos olhos dos Católicos que não conhecem as Escrituras. Deus não era obrigado a fazer transcrever todas as vezes onde e como eram batizados todos os que aceitavam o Evangelho. Uma coisa é certa, naqueles casos em que Ele não quis que fosse transcrito onde e como foi ministrado o batismo aos crentes não é porque aquele batismo lhes foi ministrado por infusão! E depois, seguindo este modo de raciocinar se teria também que dizer que naqueles casos onde não está escrito que crentes receberam o batismo eles não foram batizados como no caso daqueles milhares de pessoas que depois que Pedro corou o coxo em Jerusalém creram, dos Tessalonicenses, ou dos que creram em Atenas; pelo que o batismo não era necessário! Mas isto evidentemente significaria fazer dizer à Palavra o que ela não diz e constituiria uma contradição. |
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Provámos portanto que o batismo instituído por Cristo deve ser ministrado a pessoas que se arrependeram e creram e também que ele é por imersão e não por infusão. Quando pois um Católico romano se arrepende e crê com o seu coração no Evangelho da graça deve ser batizado; não rebatizado porque na realidade o que ele recebeu em criança (ou mesmo em adulto) na igreja católica romana não é de modo nenhum um batismo mas uma qualquer coisa que tem só o nome de batismo. |
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Por quanto respeita depois às palavras a usar no batismo é necessário dizer ao batizando: 'Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo' porque Jesus assim mandou: "...batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mat. 28:19). Em nome do Pai porque foi Ele que o trouxe ao seu Filho, (cfr. João 6:37,44,65), em nome do Filho porque Ele o recebeu e lhe revelou o Pai (cfr. Lucas 10:22), e em nome do Espírito Santo porque foi Ele que o convenceu quanto ao pecado, à justiça e ao juízo (cfr. João 16:8). |
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O batismo não
regenera o homem |
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As palavras de Jesus (cfr. João 3:5) e de Paulo (cfr. Tito 3:5) que os teólogos papistas tomam para sustentar o poder de regenerar do batismo têm um outro significado. |
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Jesus quando disse que é necessário nascer da água quis dizer que é necessário ser regenerado pela Palavra de Deus porque a água representa a Palavra de Deus (cfr. Is. 55:10,11). De certo Ele não quis dizer que a água do batismo regenera ou tem o poder de regenerar o pecador porque isso não corresponde à verdade, porque o poder de regenerar o pecador o tem a Palavra de Deus (cfr. 1 Ped. 1:23). E depois, se fosse assim como dizem os Católicos o ladrão convertido na cruz no momento da morte não teria podido ir para o reino de Deus porque não nasceu da água, isto é, porque não foi batizado. Mas então como é que Jesus lhe disse que naquele dia estaria com ele no paraíso? Não foi porventura porque aquele homem antes de morrer experimentou o novo nascimento, ou seja, nasceu da água e do Espírito? Certamente que assim foi, e não pôde ser doutra forma.. |
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Por quanto respeita às palavras de Paulo a Tito, por lavagem da regeneração o apóstolo não quis dizer a regeneração feita pelo batismo. Porque ele por lavagem não entendia a imersão na água de quem tinha crido, mas a purificação feita nele pela Palavra de Deus, de facto, aos Efésios diz que "Cristo amou a Igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificado-a com a lavagem da água, pela Palavra.." (Ef. 5:25,26). Para confirmar que Cristo nos lavou e limpou pela sua palavra, e não pelo batismo na água que recebemos em seu nome, citamos as palavras que Jesus disse aos seus discípulos na noite em que foi traído: "Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado" (João 15:3). Ele não lhes disse que estavam limpos por causa do batismo, mas por causa da sua palavra, que era a Palavra de Deus conforme ele disse: "A palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou" (João 14:24). E se isto não bastasse para demonstrar que Paulo dizendo que fomos salvos pela lavagem da regeneração não quis de modo nenhum dizer que o batismo na água nos regenerou acrescentamos também a prova dos factos. Os Católicos romanos dizem ter recebido a lavagem da regeneração mas não podem dizer terem sido salvos. Ora, nós dizemos: ‘Se os Católicos tivessem recebido a lavagem da regeneração de que fala Paulo quando foram batizados então, por conseguinte, poderiam dizer também eles: "Fomos salvos", mas isto não o podem dizer e não o dizem. Porquê?’ Não é porventura porque aquela "lavagem da regeneração" não se refere de modo nenhum ao batismo (seja que ele tenha sido erradamente ministrado por infusão ou justamente por imersão) mas à lavagem operada pela Palavra de Deus no coração daquele que a aceitou por fé e eles esta lavagem ainda não a experimentaram? Certamente que assim é. Eis por que motivo todos aqueles que dizem ser Cristãos só pelo facto de em pequenos terem sido batizados na igreja católica romana não estão certos de estarem salvos, e estão ainda mortos nas suas ofensas; porque o seu batismo não os regenerou de modo nenhum quando eles o receberam em pequenos. Podemos dizer que eles foram enganados mediante esse ‘batismo’, mas não regenerados e incorporados mediante ele no corpo de Cristo. |
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As passagens
tomadas para sustentar o batismo de crianças não têm o significado que lhe
dão os teólogos papistas |
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Na sagrada Escritura não há a respeito do batismo na água passagens que testificam que no tempo de Jesus e no tempo dos apóstolos eram batizadas também as crianças. Não obstante isso, como pudestes ver, os teólogos papistas sustentam o batismo dos infantes mediante passagens das Escrituras. Vamos pois demonstrar que as passagens da Escritura por eles citadas não confirmam de modo nenhum o batismo dos infantes. |
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Em Mateus está escrito: "Então lhe trouxeram
algumas crianças para que lhes impusesse as mãos, e orasse; mas os discípulos
os repreenderam. Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de
virem a mim, porque de tais é o reino dos céus. E, depois de lhes impor as
mãos, partiu dali" (Mat. 19:13-15). Os sustentadores do batismo dos
infantes (pedobatismo) dizem que aquele "não as impeçais de virem a
mim" significa que não se pode negar o batismo às crianças, ainda que
elas não estejam conscientes do acto a que são submetidas, porque Jesus disse
para não as impedir de receber o batismo. Esta interpretação dada às
referidas palavras de Jesus é arbitrária por estas razões: aqueles que
trouxeram as crianças a Jesus não lhe as trouxeram para que ele as batizasse
por infusão ou por imersão, mas como diz Marcos "para que as
tocasse" (Mar. 10:13), portanto ver o batismo dos infantes nessas
palavras de Jesus quer dizer forçarmo-nos a ver o que não está lá. Jesus
quando as crianças foram a ele as tomou nos braços "e impondo-lhes as
mãos, as abençoou" (Mar. 10:16), o que exclui que ele as tenha batizado.
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"E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que temia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso" (Actos 16:14,15); "Então lhe pregaram a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa. Tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes as feridas; e logo foi batizado, ele e todos os seus. Então os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se muito com toda a sua casa, por ter crido em Deus" (Actos 16:32-34). Ora, como no caso de Lídia e no caso do carcereiro de Filipos está dito que eles foram batizados com todos os da sua casa, os teólogos papistas deduzem que também as suas crianças foram batizadas pelos apóstolos. Para confutar este seu discurso dizemos somente que as Escrituras aqui acima expostas não dizem que haviam bebés ou pequenas crianças naquelas famílias. |
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"À idade de oito dias, todo varão dentre vós será circuncidado, por todas as vossas gerações" (Gen. 17:12). Para os teólogos papistas, como o bebé começava a fazer parte inconscientemente do povo de Israel mediante esse acto que lhe era feito na carne, assim debaixo do Novo Pacto a criança começa inconscientemente a fazer parte do povo de Deus quando lhe é ministrado o batismo. Esta comparação não procede pelos seguintes motivos: 1) debaixo do Antigo Pacto foi Deus a mandar circuncidar ao oitavo dia as crianças enquanto debaixo do Novo Pacto não mandou de modo nenhum batizar as crianças, coisa que não teria deixado de fazer se ele tivesse querido que assim se fizesse; 2) a circuncisão debaixo do Antigo Pacto era sombra da verdadeira circuncisão que devia fazer Cristo no coração de muitos homens e muitas mulheres: e esta ele a faz naqueles que se arrependem e crêem nele tirando-lhes o velho coração de pedra e lhes pondo um novo coração de carne, tirando-lhes os pecados. |
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Os pecados
são cancelados e se fica filho de Deus quando se crê em Jesus Cristo e não
quando se é batizado |
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Ora, prescindindo do facto de o batismo de crianças administrado no seio da igreja romana ser nulo pelas razões recém-expostas, explicamos com a Escritura por que motivo o batismo na água não cancela os pecados ao homem e não o faz tornar-se um filho de Deus. |
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Pedro diz na sua primeira epístola que o batismo não é "o despojamento da imundícia da carne..." (1 Ped. 3:21); onde por imundícia da carne se entendem as obras mortas da carne (os pecados) das quais o homem sem Deus está contaminado (cfr. Gal. 5:19-21). Portanto não é por meio dele que são cancelados os pecados e se fica filho de Deus. Mas então como são cancelados os pecados e como se fica filho de Deus? |
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Os pecados são cancelados pela fé, e não pelo
batismo na água, conforme está escrito: "De todas as coisas … é
justificado todo o que crê" (Actos 13:39), e também: "todo o que
nele crê receberá a remissão dos pecados pelo seu nome" (Actos 10:43). E
para confirmação do que estamos dizendo citamos as palavras de Pedro na
assembleia de Jerusalém a propósito da purificação daqueles Gentios que
ouviram o Evangelho da sua boca: "E não fez diferença alguma entre eles
e nós, purificando os seus corações pela fé" (Actos 15:9). Como podeis
ver Pedro não disse que aqueles Gentios tinham sido purificados dos seus
pecados pelo batismo, que eles receberam por sua ordem depois que o Espírito
Santo desceu sobre eles, mas pela sua fé que tinha precedido o batismo na
água. Que dizer então das palavras de Pedro no dia de Pentecostes que os
teólogos papistas tomam para dizer que o batismo perdoa os pecados? Não
confirmam porventura elas que o batismo perdoa os pecados? Não, não o
confirmam de modo nenhum porque Pedro não lhes disse: ‘Sede batizados para a
remissão dos vossos pecados’, o que teria sim significado que para obter a
remissão dos pecados era indispensável para eles batizarem-se; mas ele
disse-lhes primeiro para se arrependerem e depois para se batizarem, e como
quando se dá o arrependimento se muda o modo de pensar e se crê no Evangelho
no qual nunca se creu antes, importa dizer ainda uma vez que o batismo não
lava o pecador dos seus pecados porque o que lhe perdoa os pecados é o nome
de Cristo no qual ele crê quando se arrepende. E que os pecados não são
cancelados pelo batismo mas mediante a fé em Cristo é confirmado também pelas
seguintes palavras que ainda o mesmo Pedro dirigiu aos Judeus depois da cura
do coxo à porta do templo dita ‘Formosa’: "Arrependei-vos, pois, e
convertei-vos, para que sejam cancelados os vossos pecados..." (Actos
3:19). Notai de facto que aqui Pedro diz aos Judeus que para obter o
cancelamento dos seus pecados se devem só arrepender e converter. Não lhes
diz: ‘Arrependei-vos e sede batizados’, mas só: "Arrependei-vos, pois, e
convertei-vos"; não lhes fala do batismo, mas lhes anuncia na mesma o
cancelamento dos pecados. |
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Se fica filho de Deus ainda pela fé e não pelo batismo conforme está escrito: "Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus" (João 1:12), e também: "Todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus" (Gal. 3:26). Tomemos por exemplo ainda Cornélio e os seus; eles receberam o Espírito Santo ainda antes de serem batizados na água. Ora, nós sabemos que o Espírito Santo o podem receber só aqueles que creram porque está escrito: "E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem" (João 7:39), por isso eles tinham crido e por conseguinte eram filhos de Deus. Além disso a Escritura diz: "Recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rom. 8:15,16), portanto Cornélio e os seus podiam dizer serem filhos de Deus ainda antes de serem batizados porque o Espírito Santo lhes o testificava com o seu espírito [7]. Como podeis ver tudo isto anula a doutrina que o batismo faz o homem tornar-se filho de Deus. Mas tomemos um outro exemplo para confirmar que não é pelo batismo que se fica filho de Deus; o dos cerca de doze discípulos de Éfeso. Lucas diz que Paulo quando chegou a Éfeso "achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?" (Actos 19:1,2). E como eles lhe responderam que não tinham sequer ouvido falar da existência do Espírito Santo, Paulo se informou deles de que batismo tinham sido batizados. Eles lhe responderam que tinham sido batizados pelo batismo de João; ao que Paulo os batizou em nome do Senhor Jesus. Ora, a pergunta que faço é esta: ‘A Escritura diz que estes cerca de doze homens eram discípulos ainda antes de serem batizados na água em nome do Senhor Jesus, portanto estes tinham crido no Senhor porque todas as vezes que no livro dos Actos dos apóstolos é mencionada a palavra discípulos ela se refere a crentes, a filhos de Deus; mas então como se explica que eles, embora ainda não tivessem sido batizados em nome do Senhor Jesus, sejam chamados discípulos?’ Não é porventura porque não é o batismo em nome do Senhor Jesus que nos faz discípulos do Senhor, mas a nossa fé em Cristo Jesus? Não é necessário porventura chegar ainda à conclusão que o batismo não faz os homens filhos de Deus, porque filhos de Deus se tornam crendo no nome do Filho de Deus? |
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Com estes nossos discursos não queremos dizer de maneira nenhuma que o batismo seja inútil ou não necessário, porque ele foi ordenado pelo Senhor com estas palavras: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mat. 28:19) e também: "Quem crer e for batizado será salvo" (Mar. 16:16), mas apenas que Jesus disse que "quem não crer será condenado" e não que aquele que não for batizado irá para o inferno, como por exemplo um homem que crê em fim de vida sem ter tempo de ser batizado na água. Portanto o fim destes discursos é só o de demonstrar que não é a água do batismo que cancela os pecados mas o sangue de Cristo, e que não é o batismo que faz tornar os homens filhos de Deus mas a sua fé. Permanecendo firme que o batismo tem valor, e que os que crêem devem ser logo batizados em obediência à ordem do Senhor. |
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O que é, e o
que faz o batismo segundo a Escritura |
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Depois de ter dito o que o batismo não é, e o que o batismo não faz vejamos o que é o batismo e o que ele faz. |
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O apóstolo Pedro diz que o batismo é "a indagação de uma boa consciência para com Deus" (1 Ped. 3:21) (esta é mais uma confirmação que o batismo não pode ser administrado a crianças porque as crianças recém-nascidas não podem fazer a Deus esta indagação de boa consciência que é o batismo); portanto como por meio do batismo quem crê em Deus indaga de ter uma boa consciência na sua presença, ele é necessário (aliás como poderia Jesus instituir uma coisa não necessária para aqueles que creriam nele?). E cada um de nós experimentou as palavras de Pedro porque depois que cremos no Senhor sentimos a necessidade do batismo porque sentíamos em nós pelo Espírito, que embora sendo filhos de Deus purificados com o sangue de Jesus Cristo, para ter uma boa consciência diante de Deus devíamos obedecer à ordem do batismo. Certo, estávamos certos de estar salvos, de ter sido perdoados, mas não obstante isso sentíamos que em obediência a Cristo, o nosso Salvador, devíamos nos fazer batizar na água. Portanto, segundo a Escritura, pelo batismo nós obtivemos uma boa consciência diante de Deus. |
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Além disso nós, pelo batismo, fomos sepultados com Cristo conforme está escrito: "Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na sua morte; para que, como Cristo ressuscitou dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida" (Rom. 6:3,4). E dado que são sepultados os mortos e não aqueles que ainda estão vivos, nós podemos dizer que quando fomos sepultados pelo batismo na morte de Cristo já estávamos mortos para o pecado sendo que nos tínhamos arrependido e tínhamos crido no Evangelho. Em outras palavras que nós antes de sermos batizados na água tínhamos nascido de novo, por isso estávamos mortos para o pecado; e pelo batismo o nosso velho homem foi sepultado com Cristo. Como Cristo quando foi sepultado já estava morto para o pecado ("quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado" (Rom. 6:10), diz Paulo), assim também nós quando fomos sepultados com ele já estávamos mortos para o pecado pelo corpo de Cristo. Podemos também exprimir este conceito assim: nós fomos salvos dos nossos pecados pela fé, e portanto ainda antes de sermos batizados na água estávamos salvos (porque o acto de crer precede o acto de ser imerso na água). O nosso batismo portanto pode-se definir um acto de obediência a Deus que selou a justificação por nós obtida pela fé antes do batismo. Um pouco como o sinal da circuncisão que Abraão recebeu como "selo da justiça da fé quando estava na incircuncisão" (Rom. 4:11). Porque também Abraão foi justificado por Deus pela fé antes de ser circuncidado, e não foi portanto a circuncisão a imputar-lhe a justiça mas a sua fé conforme está escrito: "Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão" (Rom. 4:9). Do mesmo modo também a nós não foi o batismo a ser-nos imputado como justiça (o que significaria que pelo batismo se obtém a justificação) mas a nossa fé que colocámos em Cristo antes de sermos batizados na água. |
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Pelo batismo nós também testemunhámos ao diabo e aos seus ministros (como também às pessoas do mundo que estavam presentes ou que ouviram do nosso batismo) de nos termos tornado discípulos de Cristo Jesus, de não querer viver mais para nós mesmos mas para Aquele que morreu e ressuscitou por nós, e por isso de ter renunciado a nós mesmos e aos prazeres do pecado que nos oferece o diabo através deste mundo mau. Nunca se deve esquecer de facto que quando nós nascemos de novo fomos arrancados deste presente século mau que jaz no maligno e transportados para o reino do Filho de Deus; que antes do novo nascimento servíamos o pecado mas depois começámos a servir a justiça. O batismo é pois um acto com o qual nós declarámos de estar mortos para o pecado e para o mundo. Como com a ceia do Senhor nós anunciamos periodicamente a morte do Senhor para o pecado uma vez para sempre, assim com o batismo, que se recebe uma só vez na vida, nós anunciámos a nossa morte para o pecado, para o mundo. E se tenha presente que como a ceia do Senhor não é a repetição da morte do Senhor para o pecado, o batismo também não é ele o acto com o qual nós morremos para o pecado porque a nossa morte para o pecado aconteceu antes do batismo, que foi ao invés o anúncio dela. Se tenha presente que o batismo em nome de Cristo em alguns lugares da terra representa um pronunciar sobre si próprio a condenação à morte pelos seus concidadãos, e de facto muitos destes nossos irmãos batizados nestas nações foram depois mortos por terem manifestado publicamente com o batismo a sua decisão de seguir Cristo. Isto para demonstração que para os que se sentiram traídos este acto de imersão que sofre um crente (que para eles é um traidor) significa que aquele que antes era da mesma religião deles decidiu renunciar à sua velha religião para abraçar uma outra totalmente diferente pelo que ele merece a morte como traidor. |
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O batismo é um acto com o qual nós declarámos de não nos envergonhar de Cristo mas de estar dispostos a sofrer o seu vitupério neste mundo de trevas. O facto pois de muitos crentes terem sofrido uma forte oposição dos seus familiares incrédulos antes de serem batizados é devido ao facto de o diabo ter procurado através de alguns que estavam debaixo do seu poder induzir desta forma o neoconvertido a envergonhar-se do seu Salvador. O adversário na realidade sabe que Jesus afirmou: "Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele..." (Mar. 8:38). |
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Depois de ter dito isto alguém dirá: "Mas então, se não é através do batismo que se é salvo (porque é pela fé que se é salvo), porque é que Pedro diz do batismo: "que também…agora vos salva, o batismo…, pela ressurreição de Jesus Cristo"? (1 Ped. 3:21) Porque assim é, mas Pedro não quis dizer com estas palavras que o batismo nos salvou. Porque não é o batismo na água que salva o homem da escravidão do pecado mas a sua fé em Cristo Jesus. Não é o batismo na água que salva o homem do inferno mas a sua fé, e disso temos uma confirmação no episódio da conversão de um dos ladrões que foram crucificados com Cristo ao qual Jesus disse: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso" (Lucas 23:43). Como podeis ver esse homem não pôde receber o batismo na entanto foi para o paraíso. Para confirmação de quanto dito acima vos faço notar que Pedro não disse 'que também a nós nos salvou o batismo pela ressurreição de Jesus Cristo' porque se tivesse dito assim isso significaria que Pedro acreditava que se nasce de novo quando se é batizado e não quando há o arrependimento e se crê no Filho de Deus. Mas ele disse que o batismo "agora vos salva,… pela ressurreição de Jesus Cristo" (1 Ped. 3:21), ou seja, que o batismo na sua morte nos salva da ira vindoura; mas de que maneira? Com a fé na ressurreição de Jesus Cristo porque Jesus disse: "Quem crer e for batizado será salvo" (Mar. 16:16), e não sem. Mas isto não significa de modo nenhum que foi pelo batismo que fomos regenerados; tanto é verdade que o mesmo apóstolo Pedro no início da sua primeira epístola diz: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos..." (1 Ped. 1:3); vedes? Pedro não diz que Deus nos gerou de novo pelo batismo (como diz a igreja católica romana) mas pela ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, pela fé na ressurreição de Jesus Cristo, o que é diferente. Também o apóstolo Paulo confirma que é pela fé na ressurreição de Cristo que nós fomos regenerados e não pelo batismo quando diz aos Colossenses: "Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos" (Col. 2:12). Notai a expressão "pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos" que posta nesse contexto em que se fala do batismo demonstra claramente que é a fé na ressurreição de Cristo que nos regenerou e não o batismo. E de facto Paulo pregava às pessoas do mundo a fé em Cristo como meio para renascer e não o batismo; porque ele sabia que era somente mediante a fé que elas podiam ser regeneradas. Eis por que aos Coríntios o apóstolo disse: "Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar..." (1 Cor. 1:17), porque aos olhos do Senhor evangelizar era e é mais importante do que batizar, coisa que Jesus nos dias da sua carne o demonstrou evangelizando mas não batizando ninguém. |
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Portanto, resumindo, pela fé na ressurreição de Jesus Cristo fomos salvos, regenerados, e purificados dos nossos pecados; pelo batismo fomos sepultados; e ele nos salva pela ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, se conservarmos a fé na ressurreição de Cristo. Em outras palavras, nós seremos salvos da ira vindoura na condição de retermos firme até ao fim a fé que colocámos em Deus ao princípio; em caso contrário o batismo na água recebido depois de termos crido não nos servirá absolutamente para nada. Vos explico isto fazendo-vos exemplos. Se Noé, ou algum dos seus que estavam na arca, tivesse decidido enquanto chovia torrencialmente sobre a terra lançar-se da janela que Deus tinha ordenado a Noé de construir na arca, de certo não escaparia ao dilúvio mas pereceria também ele juntamente com os rebeldes. Se um Israelita que tinha acabado de passar o mar a pés enxutos tivesse decidido voltar para trás os seus passos (antes que Deus dissesse a Moisés de estender a sua mão sobre o mar para que as águas retornassem sobre os Egípcios), certamente ele pereceria com os Egípcios. Assim também nós que estamos em Cristo pela fé, devemos aplicar-nos a permanecer em Cristo se queremos ser salvos da ira vindoura. Portanto devemos continuar a crer nele e a nos guardar de lançar fora a nossa confiança, porque isso constituiria uma espécie de suicídio espiritual. |
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Por fim tenho a sublinhar que o apóstolo Pedro e o apóstolo Paulo (cito eles porque citei as suas palavras a respeito do batismo) batizavam logo aqueles que criam; isto vos recordo para vos fazer perceber como para eles o batismo devia seguir imediatamente a fé e não devia acontecer semanas ou meses ou anos depois. Para demonstração que para eles, ainda que não fosse o batismo que regenerasse, ele era um acto importante porque ordenado por Cristo a fazer logo. Infelizmente porém o exemplo deles hoje não é seguido no meio da maior parte das Igrejas por muitos motivos que não encontram nenhum apoio na Escritura (o número consistente, a estação quente, etc.). E isto não pode deixar de entristecer. Eu digo que se os padres mandam aos pais de fazer 'batizar' os seus bebés poucos dias depois do seu nascimento natural porque pensam que com aquela água derramada sobre a sua cabeça eles renascerão e se tornarão filhos de Deus, os ministros do Evangelho devem mandar que os bebés espirituais sejam logo batizados sabendo que o batismo é uma indagação de boa consciência feita a Deus e não o meio através do qual se renasce e se torna filho de Deus. Porque é que um morto com Cristo deve esperar dias, semanas ou meses antes de ser sepultado? O que impede que seja logo sepultado? Porventura não é verdade que Cristo quando morreu foi logo sepultado? Porque pois quando alguém morre com Cristo não deve ser logo sepultado? Se no campo natural mal alguém morre se pensa logo em sepultá-lo, por que é que no campo espiritual mal alguém morre para o pecado porque aceitou Cristo não deve ser logo sepultado? Por isso ó ministros do Evangelho não demoreis a batizar aqueles que verdadeiramente creram no Evangelho. Quero também aproveitar a ocasião para exortar aqueles que creram mas ainda demoram a se fazerem batizar. A estes digo: 'Que esperais? Porque demorais? Levantai-vos e sede batizados'. Cuidai para não vos envergonhardes do batismo porque é um acto prescrito por Cristo Jesus, um mandamento a que deveis obedecer. Não vos deixeis enganar pelo diabo que com a sua astúcia procura ter-vos longe do batismo. Resisti-lhe pelo escudo da fé e sujeitai-vos a Cristo. |
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O limbo não
existe |
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Deste lugar chamado ‘limbo’ para o qual iriam as crianças mortas sem batismo a Escritura não fala dele. Ela fala do seio de Abraão, mas ele era um lugar para onde iam os justos que morriam antes da ressurreição de Cristo e agora não existe mais porque os justos que lá estavam foram levados para o céu por Cristo (cfr. Ef. 4:8). É portanto inútil crer tanto na existência do limbo como também que as crianças que morrem sem batismo vão para lá morar. |
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O batismo de
sangue e o de desejo não existem |
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O batismo de sangue e o de desejo brotaram da errada doutrina que o batismo com água confere a justificação e é portanto indispensável para a salvação; de facto ambos dão a justificação a quem por causa do martírio ou de outra causa não pôde batizar-se com a água. Portanto para confutar estes dois batismos basta reiterar que é só pela fé em Cristo que se é justificado e não pelo batismo com água; o batismo com água ainda que seja importante não justifica quem se faz batizar porque ele, dado que já creu, está já justificado dos seus pecados conforme está escrito: "Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus..." (Rom. 5:1), e também: "O justo viverá pela fé" (Rom. 1:17 NVI). Por conseguinte, dado que o batismo não justifica, quem creu e morre sem receber o batismo na água ou por morte natural repentina ou por causa do martírio, morre justificado por Deus e vai para o paraíso. Como o ladrão que se arrependeu na cruz antes de morrer por exemplo; ele não foi justificado e salvo porque desejou ser batizado, mas somente porque se arrependeu e creu em Cristo. Não há nenhuma necessidade de nomear o batismo de sangue e o de desejo porque eles são batismos inexistentes que os teólogos papistas fizerem despontar para substituir em uma certa medida o seu indispensável batismo com água nos casos em que ele não pode ser recebido. Em suma, para a igreja romana sem um dos seus batismos não se pode ser salvo; já não é sem a fé que não se pode ser salvo mas sem um destes batismos, ou seja, batismo com água por infusão, batismo de sangue e batismo de desejo. Ainda uma vez emerge de maneira clara como a salvação só pela fé em Cristo foi anulada pelos sofismas dos teólogos papistas. E como a negação da doutrina da justificação só pela fé produz toda sorte de estranhas doutrinas. |
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Que dizer então das palavras de Jesus por eles
citadas para confirmar o batismo de sangue? Dizemos somente isto: Jesus falou
deste batismo na morte a apóstolos seus já perdoados e já batizados na água,
portanto a ele não se lhe pode dar de modo algum o significado lhe dado pela
cúria romana. |
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O CRISMA (OU
CONFIRMAÇÃO) |
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A doutrina
dos teólogos papistas |
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O crisma faz receber o Espírito Santo numa medida abundante. É ministrado pelo bispo com a imposição das mãos sobre os crismandos, e com a unção feita com o sagrado crisma sobre a fronte dos crismandos. As crianças o devem receber quando chegam à idade da discrição. ‘O Crisma ou Confirmação é o Sacramento que nos faz perfeitos cristãos e soldados de Jesus Cristo, e nos imprime o carácter dele ’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 463). Dito em outras palavras o crisma para os Católicos romanos é o sacramento que completa e aperfeiçoa a inserção do cristão no corpo místico de Cristo operada pelo batismo porque o crismando recebe a abundância do Espírito Santo que o fortifica interiormente e lhe dá a graça de testemunhar no mundo o Evangelho de Cristo. Segundo eles, de facto, pelo crisma acontece a efusão do Espírito Santo sobre os crismandos como no dia de Pentecostes aconteceu sobre os discípulos do Senhor. Rino Fisichella afirmou: ‘Resulta da celebração que o efeito do sacramento da Confirmação é a plena efusão do Espírito Santo, como já foi concedida aos Apóstolos no dia de Pentecostes’ (Rino Fisichella, Il Catechismo della Chiesa cattolica [O Catecismo da Igreja católica], Casale Monferrato 1993, pag. 257) [8]. Este seu sacramento é ministrado pelo bispo (por graves motivos o bispo pode conceder a faculdade de administar o crisma a sacerdotes), o qual, estende as mãos sobre os crismandos, invoca o Espírito Santo, depois com o sagrado Crisma [ 9] (óleo de oliva misturado com bálsamo, consagrado pelo bispo na quinta-feira santa) unge em forma de cruz a fronte de cada um, pronunciando as palavras da forma (que são para a ocasião: ‘Recebe o sinal do dom do Espírito Santo’) e no fim abençoa solenemente todos os crismados. Para sustentar biblicamente a imposição das mãos do bispo os teólogos papistas tomam as passagens da Escritura que se referem à imposição das mãos que os apóstolos faziam sobre os crentes para que recebessem o Espírito Santo. Em particular eles tomam estes versículos dos Actos dos apóstolos: "Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo" (Actos 8:17); "E impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo..." (Actos 19:6). A idade mais conveniente para receber o crisma, segundo o catecismo católico, é a de cerca de sete anos. O concílio de Trento, considerado infalível pela teologia romana, decretou quanto segue em defesa do crisma: ‘Se alguém disser que a confirmação dos batizados é uma cerimónia vã, e não, pelo contrário, um verdadeiro e próprio sacramento (....) seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. VII, can. 1). |
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Confutação |
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O crisma não
faz receber ao crismando o Espírito Santo porque não tem nada a ver com o
batismo com o Espírito Santo prometido por Jesus Cristo, e com a imposição
das mãos feita pelos apóstolos sobre os crentes para que recebessem o
Espírito Santo |
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Como vimos os teólogos papistas sustentam que o crisma é o batismo com o Espírito Santo porque comparam os efeitos do crisma aos que se verificaram sobre os discípulos no dia de Pentecostes quando eles foram batizados com o Espírito Santo. Mas isso é falso e o demonstraremos já falando da doutrina do batismo com o Espírito Santo dado que a efusão do Espírito Santo no dia de Pentecostes é o batismo com o Espírito Santo que Jesus tinha prometido aos seus antes de ir para o céu dizendo: "Vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias" (Actos 1:5). Segundo esta específica doutrina de Deus quando o crente é batizado com o Espírito Santo (ou recebe o Espírito Santo), como o foram os apóstolos e os discípulos no dia de Pentecostes e muitos outros a seguir, é revestido de poder para testemunhar de Cristo, recebe uma medida maior de Espírito Santo porque é cheio dele (podemos dizer também que ele é confirmado pelo Senhor mediante o batismo com o Espírito Santo); e no momento em que é cheio de Espírito Santo começa a falar em outra língua conforme o Espírito lhe concede que fale. As seguintes Escrituras confirmam estes aspectos que caracterizam o batismo com o Espírito Santo. |
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Revestimento de poder. Jesus disse aos seus discípulos: "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder" (Lucas 24:49), e ainda: "Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra" (Actos 1:8). |
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Enchimento do Espírito Santo. "E todos foram cheios do Espírito Santo..." (Actos 2:4) (é de ter presente neste caso que os discípulos antes de ser cheios de Espírito Santo naquele dia tinham uma medida de Espírito Santo porque Jesus quando lhes tinha aparecido tinha lhes dito: "Recebei o Espírito Santo" [João 20:22]); "Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo" (Actos 9:17). |
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O começar a falar noutras línguas quando se é cheio de Espírito Santo. "E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" (Actos 2:4); "E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar noutras línguas, e magnificar a Deus" (Actos 10:44-46); "E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam noutras línguas, e profetizavam" (Actos 19:1-6). |
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Por quanto respeita à maneira em que os crentes recebiam o Espírito Santo nos dias dos apóstolos, a Escritura ensina-nos que no dia de Pentecostes os discípulos reunidos receberam o Espírito Santo sem a imposição das mãos de ninguém, e assim o também receberam Cornélio e os da sua casa enquanto Pedro lhes anunciava o Evangelho; mas ela ensina-nos também que o Espírito Santo era comunicado aos crentes mediante a imposição das mãos dos apóstolos que tinham este dom de impor as mãos aos crentes para que recebessem o Espírito Santo, e disso temos um exemplo no que aconteceu em Samaria onde Pedro e João impuseram as mãos aos Samaritanos que tinham crido "e receberam o Espírito Santo" (Actos 8:17), e no que aconteceu em Éfeso, onde, depois de Paulo ter imposto as mãos àqueles cerca de doze discípulos "veio sobre eles o Espírito Santo" (Actos 19:6). Ainda hoje no meio do povo de Deus o Espírito Santo alguns o recebem sem a imposição das mãos de outros irmãos; enquanto outros o recebem mediante a imposição das mãos de irmãos que têm o específico dom de impor as mãos aos crentes para que recebam o Espírito Santo. |
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Como também vimos, a imposição das mãos que o bispo católico faz sobre os crismandos é sustentada com a imposição das mãos dos apóstolos sobre os crentes para os fazer receber o Espírito Santo, em outras palavras ela corresponderia à imposição das mãos feita pelos apóstolos sobre os crentes. Mas também neste caso deve-se dizer que isto que eles afirmam é falso: os motivos são os seguintes. Os apóstolos não ungiam os crentes com nenhum óleo santo (‘o crisma’) quando lhes impunham as mãos para que recebessem o Espírito Santo, como ao contrário faz o bispo católico sobre os crismandos; os apóstolos tinham este dom de Deus de impor as mãos aos crentes para que recebessem o Espírito Santo, com efeito, os crentes o recebiam quando eles lhes impunham as mãos, mas os bispos católicos romanos não têm este dom, de facto aqueles a quem eles impõem as mãos invocando o Espírito Santo sobre eles não recebem o dom do Espírito Santo como, ao contrário, o recebiam aqueles crentes. E depois é necessário ainda ter presente que os apóstolos impunham as mãos a pessoas que tinham crido e tinham sido batizadas, e não a crianças quando estas chegavam à idade de cerca de sete anos como, ao contrário, faz o bispo católico. Em outros termos os apóstolos não seguiam a regra de impor as mãos a crianças de cerca de sete anos porque eles impunham as mãos sobre os que tinham crido e tinham recebido o batismo. E também aqui é preciso dizer que eles este acto o faziam pouco tempo depois de as pessoas terem sido batizadas. |
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Em conclusão; nós não aceitamos o crisma da igreja católica romana por estas razões. |
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Porque não foi instituído por Jesus Cristo como não foi instituído por Cristo o batismo dos infantes. E dado que com o batismo por infusão o bebé não se torna um filho de Deus e não recebe uma certa medida de Espírito Santo, como acontece, ao contrário, quando uma pessoa consciente se arrepende dos seus pecados e crê em Jesus Cristo, a imposição das mãos lhe feita na idade de cerca de sete anos não é feita sobre um filho de Deus a fim de fazer-lhe receber a plenitude do Espírito Santo, como ao contrário acontece quando a imposição das mãos para a recepção do dom do Espírito Santo é feita por um ministro do Evangelho sobre uma pessoa que creu e foi batizada. |
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Porque o bispo católico não sendo também um crente mas apenas um idólatra que corre atrás dos ídolos mudos, não pode ter o dom de impor as mãos sobre as pessoas para que recebam o Espírito Santo. |
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Porque como o Espírito Santo se recebe mediante a fé, assim não é possível que pessoas sem fé (refiro-me tanto às crianças como aos adultos ‘batizados’ pelo padre) que se submetem a este rito recebam o Espírito Santo porque Jesus disse que o mundo não pode recebê-lo. |
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Porque os factos confirmam que os crismados não recebem o Espírito Santo. |
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Se todos os que são crismados recebessem verdadeiramente o Espírito Santo deveriam estar seguros de serem filhos de Deus conforme está escrito: "Recebestes o Espírito de adopção de filhos, pelo qual clamamos: Aba! Pai! O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo" (Rom. 8:15-17); e por isso estariam também seguros de ter a vida eterna. Mas falando com os crismados nos apercebemos que eles não são filhos de Deus porque ainda não são nascidos de Deus e não estão por isso seguros de estar salvos e de ter a vida eterna. |
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Se os crismados recebessem o Espírito Santo se poriam a falar em outras línguas porque quando se recebe o Espírito Santo começa-se a falar em outras línguas, e aqueles a quem o bispo católico impõe as mãos para que recebam o Espírito Santo não começam a falar noutras línguas. As línguas são um sinal exterior que testifica que o crente recebeu o Espírito Santo por isso em sua ausência não se pode afirmar que ele recebeu a plenitude do Espírito Santo. E consequentemente, ele, não tendo recebido ainda a plenitude do Espírito, não recebeu ainda poder do alto. |
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Se os crismados recebessem o Espírito Santo com o crisma por certo se veria o fruto do Espírito Santo na sua vida (cfr. Gal. 5:22), mas ele permanece completamente ausente neles precisamente porque neles permanece ausente o Espírito de Deus. |
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Eles dizem que com o
crisma tornam-se soldados de Jesus Cristo capazes de testemunhar ao mundo do
Evangelho: mas devemos dizer que isso não é manifesto nos crismados. Um
soldado de Jesus Cristo revestido do poder do Espírito Santo é uma lâmpada
ardente e resplandecente neste mundo de trevas; é um homem que combate o bom
combate da fé, é um homem que se levanta em defesa do Evangelho e que testemunha
do que Cristo fez por ele conforme disse Jesus aos seus: "Mas recebereis
poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas.."
(Actos 1:8). Onde está tudo isto nos Católicos romanos crismados? Não ardem
por Cristo Jesus mas por Maria; de facto os se ouve falar muito mais de
Maria, das suas chamadas aparições, dos seus chamados milagres e das suas
chamadas graças do que do Senhor Jesus Cristo, da sua expiação, da sua vida e
das suas palavras, e de tudo o que lhe diz respeito! Antes a alguns crismados
nunca os se ouve falar de Jesus Cristo, mas apenas de sua mãe! Mas que
soldados de Cristo são estes que combatem eles mesmos contra o Evangelho e
não pelo Evangelho, contra a fé e não pela fé? Mas que soldados de Cristo são
estes que muitos deles quando nos ouvem falar de Cristo Jesus se enfadam, se
enfurecem, não gostam nem um pouco de nós como se estivéssemos falando de um
Jesus diferente daquele do Evangelho, ou de um impostor, e nos caluniam
definindo-nos fanáticos porque falamos sempre de Jesus exaltando-o e
celebrando-o? E de quem mais deveríamos falar? Nós somos Cristãos lavados com
o sangue de Cristo Jesus; ele nos amou e deu-se a si mesmo por nós, que
éramos pecadores, libertando-nos dos nossos pecados e dando-nos a vida
eterna. Nós o conhecemos e o amor de Cristo nos obriga a falar dele e do que
fez por cada um de nós. A razão pela qual eles nos definem fanáticos por
Jesus? Jesus para eles não é ainda o que é para nós porque não o
conheceram. |
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Ó Católicos, se conhecêsseis Jesus Cristo não
falaríeis de Maria como ainda fazeis, não oraríeis a ela e não a adoraríeis
porque quereríeis falar apenas dele; então sim combateríeis por Cristo! Os
factos pois falam claro e demonstram quanto é inútil este seu sacramento do
crisma administrado por pecadores a outros pecadores. |
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A EUCARISTIA (A
MISSA) |
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A doutrina
dos teólogos papistas |
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A ceia do Senhor é chamada eucaristia; quando o padre consagra o pão e o vinho acontece uma transformação da substância dos elementos pelo que o pão e o vinho tornam-se o verdadeiro corpo e sangue de Cristo. O pão portanto deve ser adorado com o culto de latria. A eucaristia deve ser servida ao povo só sob a espécie do pão. Os comungados devem tomar a eucaristia em jejum. A eucaristia é também a missa, ou seja, a repetição do sacrifício de Cristo; sacrifício que é oferecido pelos vivos e pelos mortos para a propiciação dos seus pecados. A missa é oferecida também em honra dos santos. A eucaristia perdoa os pecados veniais e preserva dos mortais. Os Católicos romanos chamam a ceia do Senhor eucaristia, que vem do grego eucharistia que significa ‘agradecimento’, em memória do agradecimento feito por Jesus Cristo antes de partir o pão e de distribuir o cálice na noite em que foi traído [10 ]. Os teólogos papistas a propósito deste sacramento afirmam: ‘A Eucaristia é o Sacramento que, sob as aparências do pão e do vinho, contém realmente Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo para alimento das almas’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 471), e isto porque segundo a teologia romana a hóstia que é usada na comunhão, nas mãos do padre, torna-se o corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo (esta doutrina é chamada transubstanciação). Quero a tal propósito citar as palavras de Perardi, para vos fazer compreender o que é ensinado aos Católicos romanos a respeito da eucaristia: ‘Ministro da Eucaristia é o sacerdote; ele pronunciando, na Missa as palavras de Jesus Cristo, da consagração, sobre o pão e sobre o vinho, aplicando a forma à matéria , muda o pão no Corpo e o vinho no Sangue de Jesus Cristo’ (ibid., pag. 474); ‘Depois da consagração, a hóstia já não é pão; o pão é transformado no verdadeiro Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo. (...) A hóstia parece pão, ou melhor parece hóstia; mas da hóstia-pão já não há a substância mas só a espécie, as aparências externas; na realidade ela é o corpo de Jesus Cristo, vivo e verdadeiro. No cálice antes da consagração se contém o vinho com algumas gotas de água (...) Depois da consagração, no cálice já não há vinho; antes, sob a espécie do vinho, há o verdadeiro e real Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. O vinho se converteu no Sangue de Jesus Cristo (...) Por isso como ao pronunciar da divina palavra, na criação, as coisas que antes não eram, foram; assim ao pronunciar das palavras da consagração, o que era pão, tornou-se Corpo de Nosso Senhor, e o que era vinho, seu Sangue’ (ibid., pag. 483-484). O dogma da transubstanciação (termo que significa ‘mudança de substância’) foi proclamado pelo concílio Latrão IV em 1215 sob o papado de Inocêncio III, e o concílio de Trento lançou o seguinte anátema contra quem não o aceita: ‘Se alguém negar que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia está contido verdadeira, real e substancialmente o corpo e sangue juntamente com a alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e por conseguinte o Cristo todo, e disser que somente está nele como símbolo, figura ou virtude, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XIII, can. 1). Para sustento deste dogma os teólogos papistas tomam as palavras de Jesus: "Isto é o meu corpo" (Mat. 26:26) e: "Isto é o meu sangue" (Mat. 26:28) por ele pronunciadas depois de ter dado graças pelo pão e pelo cálice na noite em que foi traído. Deve-se ter presente porém que, apesar de na eucaristia ser consagrado tanto o pão como o vinho, a eucaristia é servida ao povo só sob a espécie do pão porque a cúria romana proíbe o cálice aos chamados leigos (os padres, pelo contrário, podem comungar tanto com o cálice como com a hóstia) baseando-se na decisão de proibi-lo tomada pelo concílio de Constança em 1415, confirmada pelo seguinte decreto do concílio de Trento: ‘Portanto, ainda que Cristo Senhor, na última ceia instituiu e deu aos apóstolos este sacramento sob as espécies de pão e de vinho, não está dito, porém, que aquela instituição e entrega queira significar que todos os fiéis por instituição do Senhor, estejam obrigados a receber ambas as espécies’ (Concílio de Trento, Sess. XXI, cap. 1). E para defender esta supressão ela lançou o enésimo anátema contra quem disser que todos os fiéis devem tomar o cálice com as seguintes palavras: ‘Se alguém disser que todos e cada um dos fiéis Cristãos devem receber ambas as espécies do santíssimo sacramento da eucaristia por preceito divino (....) seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXI, can. 1). Mas quais são as justificações adoptadas pela cúria romana para esta mutilação? As seguintes: 1) Jesus deu o cálice só aos apóstolos; 2) quando nos Actos dos apóstolos está dito que os discípulos partiam o pão não está dito que se bebia o vinho; 3) o cálice é inútil porque o sangue de Cristo já se toma no pão eucarístico. |
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Deve ser depois feito notar que a eucaristia deve ser tomada em jejum porque em 1415 o concílio de Constança decretou quanto segue: ‘...embora Cristo tenha instituído este venerando sacramento depois da ceia e o tenha distribuído aos seus apóstolos sob ambas as espécies de pão e de vinho, isso não obstante, a louvável autoridade dos cânones sagrados e o costume autorizado da igreja considerou e considera que este sacramento não deve celebrar-se depois da ceia nem ser recebido por fiéis que não estão em jejum, excepto no caso de enfermidade ou de outra necessidade, consentido ou aprovado pelo direito ou pela igreja’ (Concílio de Constança, Sess. XIII). Este jejum imposto aos comungados é chamado eucarístico e segundo o Código de direito canónico consiste na abstenção de qualquer alimento ou bebida excepto a água natural por pelo menos um hora antes de tomar a eucaristia. |
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Segundo o catecismo católico ‘a Eucaristia não é só um Sacramento, mas é também o sacrifício permanente do Novo Testamento, e como tal se chama a santa Missa’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 507) [11 ]. Em outras palavras, a eucaristia, chamada pelos Católicos também santa missa, é a repetição do sacrifício que Cristo fez na cruz, de facto o catecismo católico diz a propósito da mesma: ‘A santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que, sob as espécies do pão e do vinho, se oferece pelo sacerdote a Deus sobre o altar, em memória e renovação do sacrifício da Cruz’ (ibid., pag. 509) [ 12]. Segundo a teologia romana portanto o sacerdote que recebeu a ordem, sob as espécies do pão e do vinho, oferece a Deus sobre o altar o sacrifício do corpo de Cristo. Esta é a razão pela qual eles afirmam que ‘durante a Missa o altar é como o Calvário’ (ibid., pag. 507)! E ainda esta é a razão pela qual foi dado o nome de hóstia àquela coisa que o padre consagra porque hóstia é uma palavra latina que significa ‘vítima’. Alguém dirá: ‘Mas este sacrifício é também propiciatório para a teologia romana?’ Sim; de facto o concílio de Trento decretou quanto segue: ‘O santo sínodo ensina que este sacrifício é verdadeiramente propiciatório, e que por meio dele - se com coração sincero e fé verdadeira, com temor e reverência nos achegarmos a Deus contritos e penitentes - nós podemos obter misericórdia e achar graça num auxílio propício. Portanto, aplacado, por esta oferta, o Senhor, concedendo a graça e o dom da penitência, perdoa os pecados e as culpas mais graves’ (Concílio de Trento, Sess. XXII, cap. II). As passagens que os teólogos papistas tomam para sustentar esta doutrina sobre o sacrifício expiatório da missa oferecido pelos sacerdotes católicos a Deus são as seguintes: "Porque todo o sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados" (Heb. 5:1); e: "Mas desde o nascente do sol até o poente é grande entre as nações o meu nome; e em todo lugar se oferece ao meu nome incenso, e uma oblação pura.." (Mal. 1:11). Segundo a sua interpretação dada a estas passagens os seus sacerdotes foram tomados dentre os homens para oferecer o sacrifício da missa a Deus pelos pecados do povo e assim fazendo eles oferecem a Deus uma oblação pura que é aquela que, segundo eles, o profeta Malaquias diz que se oferece a Deus em todo lugar. Contra os que não reconhecerem na missa a repetição do sacrifício de Cristo o concílio de Trento lançou os seus anátemas na verdade disse: ‘Se alguém disser que na missa não se oferece a Deus um verdadeiro e próprio sacrifício, ou que ser oferecido não significa mais senão que Cristo nos é dado a comer, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXII, can. 1); e também: ‘Se alguém disser que o sacrifício da Missa é uma blasfêmia contra o sacrifício de Cristo consumado na cruz, ou que aquele derroga este, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXII, can. 4). |
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A missa, segundo a teologia romana, faz parte do chamado sufrágio que os vivos devem fazer em prol das almas que estão no purgatório, de facto, no catecismo romano encontramos escrito: ‘Os principais meios com que podemos aliviar as almas do Purgatório são os que o Catecismo nos recordou: a saber; As orações, as Indulgências, as esmolas, as boas obras e sobretudo a santa Missa. O fruto destas obras, aplicado às almas do Purgatório, toma o nome de sufrágio, porque sufraga, isto é, alivia as penas das almas do Purgatório e apressa a libertação delas’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 173). Mediante este seu sufrágio, eles obtêm como retribuição as orações e as intercessões das almas que segundo eles estão no purgatório! E para sustentar tudo isto, os teólogos papistas se baseiam no facto descrito no livro dos Macabeus, segundo o qual Judas o Macabeu fez recolher dinheiro e o enviou a Jerusalém para que fosse oferecido um sacrifício pelos pecados de alguns que tinham morrido em batalha (cfr. 2 Macabeus 12:38-45). |
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A missa é oferecida também em honra aos santos. A tal respeito assim se exprimiu o concílio de Trento: ‘E ainda que a Igreja costume por vezes oferecer missas em honra e memória dos santos, ela, todavia, ensina que não é a eles que é oferecido o sacrifício, mas unicamente a Deus, que os coroou. É por isso que o sacerdote não costuma dizer: Ofereço-vos este sacrifício, S.Pedro ou S.Paulo; mas, dando graças a Deus pelas vitórias dos Santos, implora o auxílio deles; para que se dignem interceder por nós no céu, aqueles cuja memória celebramos na terra’ (Concílio de Trento, Sess. XXII, cap. III), e: ‘Se alguém disser que é impostura celebrar Missas em honra dos Santos com o fim de conseguir a sua intercessão junto a Deus, como é intenção da Igreja, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXII, can. 5). |
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A doutrina da transubstanciação deu lugar à introdução da doutrina que diz que a hóstia é digna de ser adorada. A adoração da hóstia foi introduzida por Honório III em 1220, e foi confirmada pelo concílio de Trento em 1551 com estas palavras: ‘Não há dúvida alguma de que todos os fiéis cristãos, segundo o costume que sempre vigorou na Igreja católica, devem tributar a este santíssimo sacramento na sua veneração o culto de latria, que só se deve ao verdadeiro Deus’ (Concílio de Trento, Sess. XIII, cap. V), e assim os teólogos católicos ensinam ao povo que a Eucaristia conserva-se nos lugares de culto [ 13 ] da igreja católica para que os fiéis a adorem. As consequências? Há milhões de pessoas no mundo que se ajoelham diante da hóstia e a adoram crendo que ela seja o próprio Jesus Cristo e por isso Deus. Também para defender o dogma da adoração da hóstia o concílio de Trento lançou o seu enésimo anátema contra os que não o aceitam. Ei-lo: ‘Se alguém disser que no santo sacramento da Eucaristia Cristo, Unigénito Filho de Deus, não deve ser adorado com culto de latria, também externo; e, portanto, que não deve também ser venerado com festividade particular; e ser levado solenemente nas procissões, segundo o louvável e universal rito e costume da santa igreja; ou que não deve ser exposto à pública veneração do povo, para que seja adorado; e que seus adoradores são idólatras, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XIII, can. 6). |
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Pelo que respeita aos efeitos da eucaristia sobre os que a tomam dignamente lemos quanto se segue: ‘A Eucaristia, em quem a recebe dignamente, conserva e aumenta a graça, que é a vida da alma, como faz o alimento para a vida do corpo; perdoa os pecados veniais e preserva dos mortais; dá espiritual consolação e conforto, aumentando a caridade e a esperança da vida eterna da qual é penhor’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 503). |
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Ora, na igreja romana o sacramento da eucaristia não é considerado absolutamente necessário para a salvação, de facto, Bartmann afirma: ‘Embora os adultos sejam expressamente obrigados por lei divina e preceito eclesiástico a receber a Eucaristia, todavia ela não é indispensável para a salvação. - É de fé’ (Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 192). Porque segundo a teologia romana os sacramentos necessários para a salvação são o batismo e a penitência para quem caiu em pecados ‘mortais’ depois o batismo. É necessário dizer porém que na igreja romana o sacramento da eucaristia outrora era considerado indispensável para a salvação, de facto tanto Inocêncio I (401-417) como Gelásio I (492-496) ensinavam que as crianças não podiam salvar-se sem este sacramento. Também Agostinho afirmava a absoluta necessidade do sacramento da eucaristia para a salvação, de facto disse: ‘Se tantas e tão importantes testemunhas concordam, ninguém sem o Batismo e o sangue do Senhor pode esperar a salvação e a vida eterna, em vão, sem estes sacramentos, a vida eterna é prometida às crianças’ (Citado por Bernardo Bartmann in op. cit., pag. 193). Esta absoluta necessidade do sacramento da eucaristia para a salvação das crianças foi depois condenada pelo concílio de Trento nestes termos: ‘Se alguém disser que a comunhão eucarística é necessária às crianças, antes de chegarem à idade da razão, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXI, can. 4). Ora, apesar de, segundo aquilo que o concílio de Trento decretou, este sacramento não ser indispensável para a salvação, Giuseppe Perardi no Novo Manual do Catequista fala dele de maneira a atribuir-lhe o poder de salvar, com efeito afirma: ‘Devendo o enfermo em perigo de morte, fazer a comunhão, também os parentes, os amigos, têm o dever e bem sério de avisá-lo do seu estado e de ajudá-lo a providenciar a tempo ao seu dever e à sua necessidade; ou melhor têm responsabilidade pela sua alma. Deles pode depender que se salve ou se perca, conforme receber ou não os Sacramentos [comunhão e extrema unção]’ (Giuseppe Perardi, op. cit. , pag. 497); e falando daqueles que por vãos pretextos não fazem a comunhão diz: ‘Virá a hora do castigo, da tentação, da morte; vão precisar da comunhão para conforto, para auxílio, para salvação; mas ou não a farão, ou, geralmente, não a farão bem. Infelizes em vida aqueles que não frequentam a comunhão; mais infelizes na eternidade!’ (ibid. , pag. 501). E ainda este teólogo para sustentar que tomar a comunhão significa receber a vida eterna em si mesmo porque se recebe a carne e o sangue de Cristo cita as seguintes palavras de Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo que se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.... quem comer este pão viverá para sempre" (João 6:53-57,58); e as comenta dizendo: ‘Jesus prometeu a ressurreição final e a vida eterna a quem come a sua carne e ameaça a privação da vita eterna a quem não come a sua carne..’ (ibid., pag. 481), e também: ‘Os Hebreus comeram o maná e morreram; quem come a eucaristia viverá eternamente’ (ibid. , pag. 505). Cuidai que estas palavras do Evangelho escrito por João eram tomadas também por Inocêncio I, Gelásio I e Agostinho para sustentar a absoluta necessidade do sacramento da eucaristia para a salvação. |
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Confutação |
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A ceia do
Senhor deve ser ministrada a todos os crentes tanto com o pão como com o
cálice |
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A decisão que suprimiu a distribuição do cálice aos Católicos vai abertamente contra a Palavra de Deus que diz: "O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim" (1 Cor. 11:23-25). Como se pode bem ver Jesus instituiu a santa ceia com pão e vinho e não somente com pão, portanto juntamente com o pão deve ser distribuído a todos os fiéis também o cálice do Senhor contendo o fruto da videira conforme está escrito num outro lugar: "E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos..." (Mat. 26:27). |
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Agora demonstraremos a
falsidade das razões adoptadas pelos papistas para a supressão do cálice. Em
resposta à primeira razão dizemos: é verdade que Jesus deu o cálice só aos
seus apóstolos, mas isso porque ele quis comer a Páscoa só juntamente com
eles e não juntamente com todos os seus discípulos. E não porque tinha
classificado os seus discípulos em duas classes. E depois é igualmente
verdade que também o pão Jesus o deu só aos seus apóstolos; por que então os
padres o dão também aos ‘leigos’? Em resposta à segunda dizemos: o facto de
nos Actos dos apóstolos estar escrito que os discípulos partiam o pão mas não
bebiam o cálice não significa que eles não bebiam o cálice do Senhor, antes
estamos seguros que juntamente com o pão eles bebiam o vinho, em obediência à
ordem de Cristo dada aos seus apóstolos. Os apóstolos ensinavam todas as
coisas que Jesus lhes tinha ordenado ensinar, entre as quais também o beber o
cálice juntamente com comer o pão. E depois, aos Coríntios, Paulo falando aos
santos diz: "Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e
beba do cálice" (1 Cor. 11:28); o que confirma que todos os crentes,
depois de se terem examinado, podem beber do cálice, e não só uma parte deles.
Por fim, em resposta à terceira asserção que diz que o sangue já está contido
no pão, dizemos: Mas então se é assim por que é que os padres bebem também o
cálice além de comerem o pão? Que fazem pois? Comungam com o sangue de Cristo
duas vezes e não só uma? E ainda: ‘Não pode ser como dizem os teólogos
papistas porque doutra forma Jesus teria dado só o pão aos seus discípulos e
não também o vinho’. |
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Eis demonstrada a
falsidade das justificações papistas feitas para justificar a supressão do
cálice. Depois, além de tudo isto, importa dizer que não é verdade que no
momento em que os fiéis comem o pão e bebem do cálice do Senhor comem o
verdadeiro corpo do Senhor e o verdadeiro sangue do Senhor, porque, tanto
pelas palavras de Jesus como por as de Paulo sobre a ceia emerge que eles são
símbolos que representam o corpo e o sangue do Senhor. |
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Portanto, para concluir esta parte, a ceia do Senhor deve ser ministrada aos crentes sob as duas espécies do pão e do vinho, como fez Jesus. |
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Quando se abençoam
o pão e o cálice do Senhor não acontece nenhuma mudança de substância dos
elementos |
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Nós crentes rejeitamos a transubstanciação; as razões desta nossa recusa são as seguintes que provamos com as Escrituras. |
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Jesus disse acerca da santa ceia por ele instituída: "Fazei isto em memória de mim" (1 Cor. 11:24); portanto Ele não pode estar presente realmente e substancialmente no pão e no vinho com o seu corpo, o seu sangue juntamente com a sua alma e Divindade porque doutra forma se teria contradito. |
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Nós comendo o pão e bebendo o vinho na santa ceia anunciamos a morte do Senhor "até que ele venha" (1 Cor. 11:26); portanto ele há de vir e não vem residir no pão e no vinho depois que é feita a benção. |
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Quando Jesus tomou o cálice deu graças e depois o deu aos seus discípulos, para que bebessem dele, disse-lhes: "Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue...." (Mat. 26:28), e logo depois disse-lhes: "Digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de meu Pai" (Mat. 26:29). Portanto a substância do vinho permaneceu intacta e ele não foi transubstanciado em sangue como dizem os teólogos católicos, porque Jesus depois de ter abençoado o cálice o chamou "fruto da videira". |
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Quando se abençoa o cálice da benção contendo o fruto da videira a substância do vinho não muda de modo algum; não acontece um milagre mediante o qual o vinho torna-se em sangue. Um milagre de transformação de substância aconteceu no Egipto quando as águas do Egipto se tornaram em sangue (cfr. Ex. 7:14-21); então sim a água por diversos dias foi verdadeiro sangue. Um outro milagre de substância aconteceu em Caná da Galiléia quando Jesus transformou a água em vinho (cfr. João 2:1-10). Mas de certo não podemos dizer que uma coisa do género acontece ao vinho contido no cálice do Senhor. |
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Lucas, a propósito da instituição da santa Ceia operada por Jesus Cristo, diz que Jesus "tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós" (Lucas 22:20); portanto ele chamou aquele cálice o Novo Pacto. Ora, nós sabemos que o Novo Pacto é uma aliança que Deus fez connosco mediante o sangue de Cristo e não um cálice, por isso com essas palavras Jesus quis dizer que aquele cálice representava o Novo Pacto em seu sangue. A mesma coisa portanto deve ser dita das palavras de Jesus: "Isto é o meu sangue" (Mar. 14:24), em referência ao vinho do cálice. Jesus não quis dizer que aquele vinho era o seu verdadeiro sangue, que de resto não tinha ainda derramado, mas um símbolo do seu sangue. Em conclusão, o vinho no cálice representa tanto o Novo Pacto como o sangue de Cristo. |
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Paulo diz aos Coríntios: "Porventura o cálice da benção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?" (1 Cor. 10:16); portanto nós, quando bebemos o cálice do Senhor temos comunhão com o sangue de Cristo, e quando comemos o pão temos comunhão com o corpo de Cristo. Isto exclui que o vinho e o pão possam ser o verdadeiro sangue de Cristo e o verdadeiro corpo de Cristo, como dizem os teólogos católicos romanos. Isto o se pode deduzir também da comparação que mais à frente o apóstolo faz. Paulo diz: "Vede a Israel segundo a carne; os que comem os sacrifícios não têm eles comunhão com o altar?" (1 Cor. 10:18); o que significa que os Israelitas comendo os sacrifícios oferecidos no altar tinham comunhão com o altar que era santíssimo. Mas nem por isso afirmamos que os sacrifícios que eles comiam eram o altar, porque isso seria absurdo. Portanto também no caso do pão e do vinho que são os elementos que são abençoados na ceia do Senhor, não se pode afirmar que por causa do facto de aqueles que os ingerem terem comunhão com o corpo e o sangue de Cristo eles sejam verdadeiramente e substancialmente a carne e o sangue de Cristo. Eles quando são abençoados não mudam de substância, mas permanecem tal e qual eram antes de serem abençoados, e os que os assimilam se põem em comunhão com o corpo de Cristo. Mas dizei-me: Se aqueles elementos mudassem de substância e se tornassem o verdadeiro corpo e sangue de Cristo como poderiam continuar a ainda estar sujeitos à decomposição? Como poderia o pão ainda mofar e criar vermes, e o vinho tornar-se azedo? |
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Pedro disse que o céu deve receber Jesus "até aos tempos da restauração de todas as coisas" (Actos 3:21); portanto Cristo está no céu. Mas o padre pretende com a missa fazê-lo descer do céu para a hóstia; isto é loucura! |
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Jesus disse aos seus: "Sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre" (Mat. 26:11); portanto é irracional que Cristo esteja presente corporalmente na hóstia consagrada pois isso significaria que Cristo estaria sempre corporalmente connosco. Para confirmação do facto de Cristo não poder estar substancialmente, realmente e corporalmente no pão que se parte na ceia do Senhor citamos as palavras de Paulo que disse aos Coríntios: "Sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor" (2 Cor. 5:6), e as que disse aos Filipenses: "Tendo desejo de partir, e estar com Cristo" (Fil. 1:23). Portanto também Paulo quando comia o pão e bebia do cálice do Senhor sabia estar ausente do Senhor, e que o Senhor estava ausente corporalmente; de facto ele desejava partir do corpo para ir com Cristo para o céu. Os teólogos católicos, ao contrário, ensinam que aquele mesmo Jesus que está agora glorioso no céu que nasceu de Maria e que morreu na cruz está na eucaristia, e efectivamente afirmam que nela ‘está Jesus em pessoa’. E assim fazem crer às pessoas que Jesus se encontra corporalmente na hóstia conservada no tabernáculo do seu lugar de culto, e as convidam a o ir visitar, de facto assim se exprime Perardi: ‘Visitai muitas vezes Jesus na Eucaristia’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 489). Eis as mentiras que a doutrina da transubstanciação deu à luz! e o povo crê nisto. |
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Jesus disse: "Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mat. 18:20), e ainda: "E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mat. 28:20). Portanto Jesus Cristo está no meio dos crentes e com os crentes onde quer que eles se reunam em seu nome e também quando não estão reunidos para partir o pão para anunciar a sua morte. Estas palavras de Jesus anulam a presunçosa doutrina dos teólogos papistas porque nos fazem compreender quão falsa ela é e quão inútil é crer na doutrina da transubstanciação e nas doutrinas a ela ligadas, de facto vos pergunto: ‘Se Jesus está sempre e onde estivermos connosco que necessidade há de crer na transubstanciação?’ Que necessidade há de crer que Jesus se encontra em pessoa no pão da comunhão? Pode porventura o pão consolar-nos como faz o Consolador enviado por Cristo? Pode porventura o pão estar sempre perto de nós? Que assistência pode nos dar o pão que nós partimos? No entanto, isto parecerá incrível, aos Católicos a hóstia do padre é feita passar pelo próprio Jesus! |
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O facto de Jesus quando instituiu a santa ceia ter dito do pão: "Isto é o meu corpo", e do vinho: "Isto é o meu sangue" não deve enganar ninguém. O verbo ser neste caso quer dizer ‘significa’ ou ‘representa’ o meu corpo e o meu sangue. Temos alguns exemplos na Escritura que confirmam isto: Quando Daniel interpretou ao rei o sonho que ele tinha tido disse-lhe: "Tu és a cabeça de ouro..." (Dan. 2:38), entendendo com isto que a cabeça de ouro da estátua representava o reino de Babilónia que estava nas mãos de Nabucodonosor. Quando José interpretou os sonhos ao copeiro e ao padeiro-mor de Faraó disse-lhes: "Os três sarmentos são três dias... Os três cestos são três dias" (Gen. 40:12,18); também neste caso aquele "são" está para ‘significam’. O pão e o vinho portanto ainda que sejam chamados o corpo e o sangue de Cristo simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, e por isso são apenas símbolos. Isto, de qualquer modo, não deve levar ninguém a desprezar estes símbolos, porque quem os despreza é julgado por Deus conforme está escrito na epístola de Paulo aos Coríntios: "Qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1 Cor. 11:27). Comer do pão e beber do cálice indignamente significa não discernir naqueles elementos o corpo e o sangue do Senhor conforme está escrito: "Quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor" (1 Cor. 11:29). |
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Para concluir dizemos portanto que a transubstanciação é uma das muitas mentiras presentes na igreja católica romana que os teólogos católicos romanos procuram fazer parecer verdadeira interpretando a seu capricho as Escrituras. |
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Explicação das
palavras de Jesus: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a
vida eterna" |
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